7 coisas que você não deveria fazer como escritor

 

1. Parar de observar

Já dizia Ernest Hemingway: “Observe o que acontece hoje.” Um escritor deve ser um observador atento a tudo que o rodeia, a observação deve ser sua aliada. Ao observar uma cena, tente recriá-la não só de forma descritiva, mas recriar a sensação que obteve ao lembrar da cena. Um bom escritor é um caçador de emoções, um ser que reconstrói sensações e que tenta entender porque determinadas ações nos levam a determinadas emoções. Nunca perca seu senso de curiosidade e perplexidade. Requer treino e paciência. Sem isso só teremos narrativas rasas e sem conexões.

2. Usar muitos adjetivos

Sabe aquela máxima “menos é mais”? Elimine palavras supérfluas, isso inclui aqueles adjetivos extravagantes como “maravilhoso, esplêndido, belo, magnífico, sensacional”. Ao invés de adjetivar, tente recriar o que te levou ao “maravilhoso, belo, sensacional”. A narrativa ganhará corpo e densidade e com certeza você ganhará leitores mais felizes.

3. Parar de ler

Sabe aquele seu escritor preferido que cria mundos incríveis e que você inveja por ter inventado aquela frase perfeita? Ele lia. Lia muito. Quando não havia cursos de escrita criativa, sabe o que os autores clássicos faziam? Eles liam. Muitos podem ensinar o domínio técnico, mas é só através da leitura que se entende o mecanismo literário. Só “lendo” personagens que conseguimos criar os nossos. Não acredite em escritores que não leiam, eles provavelmente não dominam técnica alguma e só cospem palavras ao vento. Para se tornar um escritor profissional é necessário pesquisar e observar a profissão e o meio literário. Como você quer que as pessoas te leiam se você mesmo não lê nada? Na escrita há o talento sim, mas acima de tudo há a persistência e o aprimoramento e isso vem através da leitura. Acredite, quem lê não apenas viaja, ele se conecta a quem veio antes e isso só acontece se houver essa abertura a outros livros, ou seja, só é possível lendo.

4. Criar títulos nada atrativos

Sabe o que aumenta suas vendas? Um encontro entre o leitor e seu livro. Isso se dá através de palavras chaves. Não adianta um título bonito para capa, ele precisa comunicar o que é o seu livro. Caso contrário ninguém se interessará por ele porque não informa nada. Muitos escritores não vendem seus livros porque seu público-alvo não reconhece o título como objeto de desejo, ou seja, simplesmente não entendem o assunto do livro. Atrair é cruzar curiosidade com objetividade. Conheça seu público e escreva um título que fará com que alguém o encontre. Não esqueça, em tempos de conteúdo, entender de metadados é fundamental para ter sucesso nos sistemas de busca.

5. Reclamar

Um dos pontos negativos encontrados em escritores – principalmente os iniciantes – é a capacidade que têm de reclamar, de exigir que seu livro seja lido e compartilhado e divulgado. A verdade é que ninguém liga para sua obra até que ela se torne um best seller. Não sei porque escritores guardam tanto rancor em ver o amigo ter mais sucesso do que eles mesmos. Deixa o amiguinho ser feliz, não vale a pena falar mal do outro e muito menos passar seu tempo livre reclamando que as pessoas não leem e compram tênis caros, mas não compram livros. Talvez as pessoas não compram seu livro porque você não tem técnica/não lê e vive reclamando do mercado editorial. Já pensou nisso? Lembra que eu disse que escritores são pesquisadores e devem observar? Observar com a cabeça aberta, sem ranço, sem recalque. Através do outro podemos ser felizes sim. Sabe como? Liga o botão do “não me importo” e vá atrás do seu público. Se você mostrar sua obra de forma feliz e confiante, você encontrará sim seu leitor. Agora velhos ranzinzas nunca movimentaram multidões. Não reclame, converse com seus leitores.

6. Achar que não precisa estudar

Conheço pessoas que se dizem escritores e que pararam de estudar. Eles vendem livros? Não. Eles são escritores reconhecidos? Também não. A profissão de escritor requer uma busca incessante por informação. Não só informação em relação ao ofício da escrita, mas também em relação ao mercado. Por ser uma área concorrida, com pouco espaço, se você não ficar informado seu barco afundará e não é nada agradável nadar contra uma correnteza grande sem barco, né? Se recicle, pesquise. Não nascemos sabendo tudo e um bom escritor é sempre um pesquisador em eterna progressão.

7. Exigir o que não pode oferecer

Quantas vezes vemos escritores demandando uma divulgação da editora e eles mesmos não divulgam suas obras? Quantas vezes o autor deseja ser lido, mas escreve de forma errada, sempre usando a máxima de que “ele pensa na história e o revisor que se atente para a ortografia e gramática”? Quantos trabalhos de outros escritores você curte e compartilha? Vivemos em uma rede de conhecimento e pessoas e não é através de atitudes imaturas que seu livro será reconhecido. Esteja aberto a conversar sobre seu conteúdo, mas também a ouvir sobre o conteúdo do outro. Em uma era de informação democrática, a troca é a palavra-mestra. Nunca exija o que não pode oferecer.

Antes de ser escritor, você é leitor – alguém que possui empatia, curiosidade e troca, certo? Vamos compartilhar essas informações com aquele amigo que usa as palavras como fonte de vida? Adoraríamos conhecê-lo.


 

Hanny Saraiva

 

 

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