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Livros para ler em um dia

Esqueça essa história de que não tem tempo. Fizemos uma lista de indicações de livros que nos surpreendem e quebram o mito de que leitura que é leitura precisa de muitas páginas. Densidade, consistência, surpresa – as histórias a seguir nos mostram que autor que é autor consegue te emocionar com uma ou duas mil páginas.

 

Hilda e o gigante, de Luke Pearson

O graphic novel desse autor inglês é a coisa mais fofa, mais aventureira e encantadora que você pode encontrar por aí. É tão imagética e sonhadora que a Netflix transformou a história em desenho animado e teremos uma estreia ainda em 2018. Com 56 páginas, tem um quê de Coraline nórdica e umas pitadas de A hora de aventura. Para ler de uma sentada só com uma xícara de chocolate ao lado.

 

Sinopse: Hilda é uma garota esperta e aventureira que consegue fazer amizade com as mais diversas criaturas, de trolls ameaçadores a enigmáticos homens de madeira. Mas ela não está tendo a mesma sorte com um exército de elfos minúsculos e invisíveis que mora em volta de sua casa. Hilda fará de tudo para defender seu lar e evitar uma mudança para a cidade grande. Mas lidar com os elfos não vai ser nada fácil – cada etapa precisa ser assinada, carimbada e encaminhada às instâncias superiores. Enquanto lida com a burocracia, Hilda ainda terá de resolver o mistério do gigante que aparece toda noite em sua janela. Afinal, os gigantes de antigamente não tinham desaparecido?

Para educar crianças feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Escrito como uma forma de presente para uma amiga que acabara de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas é um apanhado de sugestões para romper com o machismo nosso de cada dia, com objetivo de oferecer uma educação mais igualitária. Mas acima de tudo é uma reflexão em pílulas sobre ser mulher na contemporaneidade. Dá pra reunir as amigas em uma tarde e ler as 96 páginas brincando.

Sinopse:  Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

 

 

Ninguém vira adulto de verdade, de Sarah Andersen

Dinâmico, divertido e com apenas 120 páginas, Ninguém vira adulto de verdade pode ser lido num domingo onde você está se sentindo mais existencial e a preguiça bate e você não quer fazer nada. A obra aponta pequenas sutilezas na vida de uma jovem adulta. Humor, procrastinação, autoestima, hábitos, as tirinhas reunidas nesse livro dialogam com nossas moças contemporâneas e são um retrato atual cheio de nuances.

Sinopse: As tirinhas certeiras de Sarah Andersen, que já contam com mais de 1 milhão de fãs no Facebook, registram lindos fins de semana passados de pernas pro ar na internet, a agonia de andar de mãos dadas com alguém de quem estamos a fim (e se os dedos ficarem suados?!), a longa espera diária para chegar em casa e vestir o pijama, e a eterna dúvida de quando, exatamente, a vida adulta começa. Em outras palavras, este livro é sobre as estranhezas e peculiaridades de ser um jovem adulto na vida moderna. A sinceridade com que Sarah Andersen lida com temas como autoestima, timidez, relacionamentos e a frequência com que lavamos o sutiã torna impossível não se identificar com esses quadrinhos hilários e carismáticos.

 

O conto da ilha desconhecida, de José Saramago

Ilustrado por oito aquarelas de Arthur Luiz Piza, O conto da ilha desconhecida é uma reflexão sobre caminhos incógnitos, a necessidade de nos distanciarmos de nós mesmos para que possamos nos encontrar. Essa obra de 64 páginas parece uma história contada ao pé do ouvido na beira do mar. Se você quiser ambientar sua leitura, recomendo ir à tarde na praia e se deliciar com essa metáfora sobre desigualdade e autoconhecimento.

Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O Rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O Homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas. Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou.

 

O sol na cabeça, de Geovani Martins

Violência, medo, o comportamento que contamina as relações, O sol na cabeça é um retrato do dia a dia da cidade do Rio de Janeiro. Aclamado por autores consagrados como Milton Hatoum, Chico Buarque, Marcelo Rubens Paiva, a obra destrincha personagens que vivem em meio ao vício, a intolerância, a morte e parece aquelas histórias que ouvimos no trem ou em um ônibus lotado. Se você mora longe e não tem problemas em ler em movimento, o livro é ideal para se ler em transporte público. Com 119 páginas, dá pra ler numa ida e vinda.

Sinopse: Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI. Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais. Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes, sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

 

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Éxupery

Clássico, carismático e filosófico, O Pequeno Príncipe pode ser lido e relido em um dia. Apesar de possuir apenas 96 páginas, a obra de Saint-Éxupery é “um livro urgentíssimo para adultos”, um mergulho no inconsciente e na autodescoberta.

Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto do Saara e encontra um pequeno príncipe, que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana.

 

Você já leu algum livro em apenas um dia? Se sim, conta pra gente nos comentários. Se não, qual gostaria de ler? Conta também! =)

Hanny Saraiva

Literatura e política não é só um flerte

Uma das coisas mais relevantes que transmito nas palestras e oficinas que ministro, principalmente para aspirantes a escritores, é o questionamento sobre representatividade. Pergunto: vocês podem ser considerados representantes do seu espaço e do seu tempo? É, obviamente, uma provocação.

Recentemente conheci escritores de literatura negra, de literatura LGBT, literatura de periferia, literatura feminina, entre outros. Há quem diga ser reducionismo, onda de mercado e etiqueta para sobrevivência em nichos. Não é isso que importa aqui. O mais relevante é ter sido um conhecimento recente. Os debates sempre existiram, mas não nessa potência justa. Racismo, homofobia, segregação social e questões de gênero existem desde que o mundo é mundo. Acontece que o que para os pessimistas é sinal de tempos ruins (dizem que nunca se viu tanto discurso de ódio), para os otimistas é o despertar para novos caminhos, uma nova configuração mais próxima do respeito e da justiça. Mesmo com os exageros, perdoem. Até quem está, em teoria, correto comete seus excessos. Estamos em reformas, diria a placa pendurada na porta do planeta.

É impossível separar o ser político do ser literário. É impossível separar o ser social do ser artístico. Os autores refletem seu contexto histórico independentemente do tipo de obra que realizam. Romeu e Julieta, por exemplo, não é Shakespeare falando sobre o amor romântico na Verona do século XVI. A época mesmo não foi tratada como uma peça sobre o amor puro. Seu viés é, originalmente, político. Retrata questões sobre ordem política e todo o contexto sobre a configuração familiar daquele período. Como tudo em Shakespeare, a realeza é a grande chave e alvo de debates.

A escola chamada de Realismo trouxe ainda mais marcante a característica do ser político em uma obra de ficção. Dom Casmurro oferece a visão sobre o Brasil Império, as relações entre as famílias e a religião católica, como casamentos eram forjados e o contexto do Rio de Janeiro do final do século XVIII. Há poucos meses li Contos Negreiros de Marcelino Freire, de 2005, e vi toda a realidade de negros pobres no Brasil desse século XXI.

Sobre a pergunta inicial do artigo, a maioria fornece um incômodo latente, muito pela responsabilidade de ser um representante do seu tempo e espaço. Devem se perguntar se são dignos disso. Explico sobre inerência do ato. Não conseguimos fugir do que somos, do que vivemos, do que enxergamos, do que sentimos. Tudo isso aparece em nossa literatura. Seja ela inclusiva ou exclusiva. Seja ela falando que foi golpe ou não. Seja ela retratando seu incômodo com a alta do dólar ou o preço dos ovos, aqueles que a galinha chorou. Quando dizem que Monteiro Lobato era racista, temos duas coisas a atentar: ele era representante de um tempo e espaço em que isso era natural (que pena, de verdade), principalmente por sua posição social; e temos de ser anacrônicos, afinal, é muito bom poder ter esse olhar mais apurado que continuar achando que esse tipo de coisa seja normal também hoje. Portanto, não diminui a obra. Santificar sempre foi mais nocivo mesmo.

Leon Tolstói retrata o período antes da Revolução Russa em Guerra e Paz. Jorge Amado fala abertamente sobre coronelismo e uma sociedade oligárquica em suas obras. O relacionamento entre literatura e política não é um flerte. É caso antigo, nada platônico e fadado a impossibilidade do divórcio. No final, é claro, me perguntam se sou coxinha ou mortadela. Caso não desperte o debate ao menos abre o paladar. Se você, leitor, também está perguntando isso peço que volte ao início do texto e releia mesmo, com carinho. É literatura, é política. Impossível separar um do outro.

Como ter seu poema na FLIP 2018

Queremos transformar em pílula de poesia o seu poema. Queremos o Brasil inteiro presente na próxima FLIP.

Desde 2003, acontece em Paraty (Rio de Janeiro) uma das maiores festas literárias do país. Mais do que um evento sobre literatura, é uma manifestação cultural que foca na diversidade e dialoga literatura brasileira com literatura mundial. Vivenciar a FLIP é uma experiência marcante e única.

Em cada edição, um autor brasileiro é homenageado. Esse ano temos a poeta, ficcionista, cronista e dramaturga Hilda Hilst. Como a Poeme-se acredita na difusão da literatura brasileira e que uma dose de poesia muda a vida das pessoas, queremos que você participe, com suas palavras, desse evento. Nossas pílulas serão distribuídas de forma gratuita na Casa Santa Rita de Cássia todos os dias da FLIP.

Quer participar?

Para participar você deve preencher esse formulário aqui. Fique atento para o prazo final de envio: 17 de julho.

Marque seus amigos poetas, tire sua poesia da gaveta e vamos espalhá-la na FLIP!

Desconstruindo a vida de freelancer

Quando decidi sair de uma editora e começar a trabalhar como freelancer a única coisa que eu tinha em mente era transformar meu local de trabalho em um ambiente onde estresse e brigas fossem evitados. Eu não tinha ideia do poder da palavra persistência e decidi escrever esse artigo para desconstruir um pouco a vida de freelancer e ajudar pessoas que, como eu, lutam por um mundo menos injusto e mais coerente. Já que passamos tanto tempo trabalhando, que pelo menos ele faça sentido, né?

A palavra persistência tem como sinônimo “constância, firmeza” e esse é o desafio número 1 ao optar por ser freelancer. Aqui se vive um dia de cada vez, ou melhor, um mês de cada vez. Às vezes, confesso, dá vontade de largar tudo e correr atrás de uma carteira assinada cada vez mais rara, almejando férias e um 13º quando me deparo com um prazo de entrega curto ou um cliente de temperamento difícil que acha que consigo traduzir 100 páginas em um fim de semana. Depois passa. O que descobri é que na vida de freelancer é necessário firmeza – firmeza nos prazos, firmeza para cumprir os horários que deseja trabalhar, firmeza para correr atrás de cliente novo, firmeza para não se endividar e aprender a pagar tudo à vista, firmeza para dizer não.

Dentro dessa caixa de Pandora a contemporaneidade do mundo de trabalho me surpreende. Essa é minha tentativa de desconstruir o que é ser freelancer e responder algumas perguntas que me fazem quando digo que trabalho de casa e que tá sendo bem legal. Muita gente me olha torto, mas fazer o quê?

Desconstruindo 1 – Você está desempregada?

O que mais ouço quando digo que sou freelancer é “O mercado tá foda mesmo”. Muitas pessoas me mandam anúncios de emprego, querendo me “ajudar”, mas quase ninguém me manda “clientes”. Ser freelancer é uma decisão consciente de quem diz “Não, não quero ser explorada no mercado de trabalho dessa forma.” Freelancer é um profissional autônomo, não um desempregado. Desempregado não ganha dinheiro, freelancer sim. Alguns podem começar do desemprego, mas muitos freelancers começam seus caminhos porque se sentem injustiçados nas empresas que trabalharam ou porque gostam tanto do que fazem que só querem fazer isso! A gente sabe que dentro de uma empresa, muitas vezes, você acaba fazendo coisas que não gosta por meses, às vezes anos.  Ser freelancer nos traz a oportunidade de nos conhecermos mais, nos especializarmos e aprendermos sempre. Persistência 1 – responder “Não, não estou desempregada. Sou freelancer.”

Desconstruindo 2 – Dá pra dormir muito, né?

Confesso que eu achava que poderia dormir até 10h da manhã, tomar um café de filme – com calma, lendo jornal ou vendo minha série preferida. Ledo engano. Eu acordo todo dia às 7h, começo a trabalhar às 8h e sigo trabalhando até 18h. Como estou em um fluxo de trabalho médio, sigo no mínimo a meta de 8h trabalhadas, mas o que acontece é que trabalho quase 10h. Em épocas de pico, 12h, 15h. Tenho a sensação de que freelancer trabalha mais do que um funcionário CLT. Acordamos cedo e quando piscamos já deu sete horas da noite.

O grande mito de dormir até tarde se quebra porque freelancer trabalha com clientes. A não ser que seu cliente seja um notívago, muitas vezes você tem que tirar dúvidas com ele, fazer uma ligação ou encontrá-lo pessoalmente e 90% das vezes isso acontece em horário comercial. Você até pode jogar tudo pro alto e não trabalhar numa quarta-feira, mas sabe que o sábado daquela semana morreu pra ti, né?

Persistência 2 – aprender a organizar e reorganizar seu horário sempre. Organização é regra número 2 na vida de um freelancer.

Desconstruindo 3 – Você ganha muito?

Desde que comecei a trabalhar como freelancer palavras como negociação, rentabilidade e planilhas fazem parte de minha rotina. No mundo ideal, em uma experiências de anos, você alcança um valor que considera bacana e com seu tempo livre você se especializa para ganhar mais e assim a roda gira. Mas se você está iniciando sua carreira como freelancer muitas vezes você aceita o que o cliente pede porque ele é um dos poucos clientes que tem. Perigo mor! Cuidado. Esse tipo de cliente é como um sanguessuga oportunista. Valorize seu trabalho, não fique pensando na volatilidade do fluxo de entrada e saída de dinheiro. Se ficar pensando assim, estará preso dentro da lógica tradicional de emprego e olha que descoberta maravilhosa “Você não está em um ambiente tradicional.”

Esse cliente não quer pagar o que você considera justo, mesmo sendo o seu segundo cliente? Beijo, não rola. “Mas ele é meu amigo.” Será? Amigo que é amigo paga menos para você do que para outro profissional? Reveja seus conceitos. Pense nas horas trabalhadas, não dormidas. Você saiu de seu emprego fixo porque não aguentava mais ser injustiçado, certo? Por que vai dizer sim para quem não te valoriza?

Você deve saber quanto quer ganhar por mês/por ano para então cobrar o valor X para o cliente, entender o cálculo de sua hora. Junte isso à instabilidade de ter mês que se ganha menos, mês que se ganha mais e faça uma média. Você pode ganhar uma bolada de um cliente mais abastado em um mês e ter seu feijão com arroz regular no outro. Isso faz com que muitas pessoas desistam da vida de freelancer, mas para ser sincera, não vejo problema. O grande problema acontece porque muitas pessoas não têm educação financeira e isso é uma corda no pescoço. Antes de ser freelancer você tem que entender suas despesas. Se o valor cobrado cobrir as despesas no início o que vier é lucro. E lucro é ter seu trabalho reconhecido com um valor justo.

Persistência 3 – aprendendo a dizer não para situações que não te façam feliz ou não te valorizam.

Desconstruindo 4 – Como é viver sem chefe?

“Ai, mas deve ser muito bom não ter chefe, né? O meu, por exemplo…” A gente não tem um único chefe que controla e supervisiona, a gente tem inúmeros chefes que observam e controlam e eles são chamados de clientes. Quem te contrata exige qualidade de trabalho e prazo estabelecido cumprido. Você ficou doente, sua casa inundou? O prazo é nossa gargantilha. Eficiência e pontualidade ditam carreiras. É claro que podemos escolher nossos clientes, mas eles são nossa prioridade, sem eles não adianta saber traduzir perfeitamente ou ter um olho perfeito para revisão ou ideia mirabolante para diagramar ou a habilidade nova nesse programa pica das galáxias.

Persistência 4 – sempre lembrar que cliente é como a gente. Quem não adora um mimo e receber o que solicitou sem problemas?

Desconstruindo 5 – Você tem agora uma vida tranquila?

Resposta em construção. O estresse ligado ao prazo de entrega + a preocupação em realizar o que foi pedido com qualidade está aqui, dentro do peito, todos os dias, todas as horas. O que aprendi nesse meio tempo tem me ajudado, todavia, a relaxar mais. Vai aqui algumas dicas:

– Pausas são essenciais. Alguns especialistas falam que temos que fazer uma pausa a cada duas horas. O que você acha? Acredito que isso depende do ritmo de cada um e da semana que a pessoa está vivendo, portanto, permita se conhecer. O que você faz para que sua produtividade não caia? Respeite você. Pause, seja por 10, 20 minutos, 1 hora. Ela realmente te renova? Faça um teste e descubra.

– Reveja a hora de parar. Quando parar? Sabemos que o profissional ganha por hora e se trabalharmos mais, ganhamos mais. Mas a hora de parar sempre vem acompanhada com um sentimento “Será que eu não deveria ter trabalhado mais?” Muitas vezes continuamos pensando no trabalho enquanto deveríamos estar em nosso período de lazer, então a pergunta que faço é: o que fazer para se desligar totalmente do trabalho? Isso é algo que ainda não sei responder. Talvez uma imersão num hobby?

Persistência 5 – autoconhecimento e respeito, saber parar e saber pausar.

 

Para ser freelancer você tem que ser um apaixonado pelo que faz, curtir muito o que produz, ter paciência com clientes, ser didático como um bom professor e prezar pela sua saúde mental. As pessoas acham que freelancers estão lá deitados na rede, de boas, mas o que vemos são profissionais que têm produtos que devem ser entregues para ontem, num ambiente de casa, cercado de coisas que amam sim, mas repletos de deadlines. Precisamos de muita organização e saber dividir tempo e atenção, se não todo mundo em volta surta. “Mas você trabalha em casa!” Sim, mas isso não quer dizer que tenho tempo. Na verdade, tempo literalmente passa a ser dinheiro. Saber a hora de parar é a chave principal da casa. Isso sim te levará a uma vida mais tranquila, tão longe do estresse que ninguém deseja. E para manter seu lar em harmonia você terá como animal de estimação, aquele bom companheiro, a persistência.

Hanny Saraiva

Sobre fazer versos: o que é ser escritor no Brasil?

No dia 25 de julho comemoramos o dia do escritor e vamos dedicar o mês a essa persona que é força motriz de toda literatura. Buscando entender a vida de escritor, selecionamos 9 autores – exemplos de resistência e reinvenção – que nos contaram o que é ser escritor no Brasil.

 

1. Ana Paula Lisboa

Eu só percebi que estava “vivendo de escrever” quando eu já estava. Vá lá, ainda não paga todas as minhas contas, mas 60% no Brasil é tanta coisa… Para mim ser escritora no Brasil é depender de fatores externos e internos. Eu só posso falar mesmo por mim e falar de mim é dizer que sou uma mulher negra que escreve. Isso quer dizer também que na maioria das vezes o que escrevo é colocado para avaliação, o meu conhecimento sobre o tema é questionado antes mesmo das pessoas lerem o que escrevi. Outro ponto comum é o de muitas pessoas acharem que só sei – ou posso – falar sobre temas que tenham a ver com negritude, feminismo, favela… Todos esses são sim assuntos que perpassam a minha existência, mas que não me resumem. Por isso, apesar de estar nessa fase de escrever no jornal, eu prefiro a ficção, ainda que ela até pareça real. A ficção nos leva além.

Ana Paula Lisboa é autora de Olhos de azeviche, da editora Malê e colunista do jornal O globo.

2. Thiago Kuerques

É ser abraçado e levar um tapa, quase ao mesmo tempo. “Nossa, você é escritor!” – falam com admiração. Na sequência soltam “Tá, mas você trabalha com o quê?” Pesquisas recentes mostram que o brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. É fácil entender por que não há valor, entender não ser visto como trabalho. O escritor pode desistir. Escolhi seguir em frente. Portanto, escrever no Brasil é plantar sementes e ficar contente com as poucas árvores que já estão dando frutos. Um dia seremos mais leitores. Enquanto isso, escrever no Brasil é, afinal, uma espécie de teimosia consciente.

 

Thiago Kuerques é autor de Território (Editora Chiado) e A Balada do Esquecido da Luva Editora.

3. Ana Cristina Mello

Viver num país de dimensões continentais deveria ser o bastante para suprir a imensa oferta de livros que editoras comerciais produzem, mas a realidade é bem diferente. Uma realidade que se divide em escritores popstars e escritores que comemoram cada leitor conquistado. De um lado, os escritores youtubers, escritores atores, escritores padres ou pastores, escritores autoajuda, entre outros. De outro lado, repousam os autores que buscam oferecer aos seus leitores textos que foram exaustivamente pensados e lapidados, que se propõem a oferecer uma obra na qual o leitor não saia do ponto final da mesma forma como era quando abriu a primeira página. Repousam autores que se envolvem com sua produção como se fosse um pedaço do próprio corpo, que ofertam o melhor que podem para seus leitores.

Hoje, ser escritor de literatura de ficção é produzir para os seus pares, para prêmios literários, ou seja, para reconhecimentos que não deixam de ser importantes, mas não deveriam ser o foco principal. Façam um teste. Entrevistem alguém que esteja lendo um desses livros da primeira categoria de escritores e questione se conhecem algum dos mais renomados autores contemporâneos de literatura infantil, juvenil e adulta. Não vale citar os cânones, vivos ou não. Cânones que algumas escolas ainda escolhem de forma exclusiva, preterindo toda a produção do século atual. Provavelmente responderão que nunca ouviram falar, independente da quantidade de prêmios que algum destes nomes tenham recebido.

Ser escritor hoje é resistir. É continuar plantando sementes em cada livro, cada palestra. É comemorar cada leitor que chega ao ponto final do seu texto e te escreve dizendo o quanto o livro fez diferença na vida dele. É resistir, sem perder o ideal de continuar acreditando no poder da literatura. Acreditando no poder que o leitor tem em mãos e, talvez, ainda não tenha descoberto.

 

Ana Cristina Melo é autora dos livros Dandi e a árvore palavreira e Delta: um comando para o tempo, além de liderar a editora Bambolê.

4. Tiago Germano

A perspectiva pode variar um pouco conforme a posição que o seu livro e a editora que o publicou ocupam no mercado, mas para a grande maioria de nós, ser escritor no Brasil, hoje, é ser constantemente subestimado por uma cultura pouco digna desse nome, em que qualquer atividade de pretensão artística atua sob o perpétuo estigma da mendicância ou da falta de responsabilidade. Não falo apenas do tratamento dispensado ao escritor por editoras, agentes, livrarias, revistas, prêmios conferidos por instituições literárias, críticos e resenhistas, ou até pelos próprios colegas escritores… Falo também do comportamento dos leitores, num país em que ler 55 páginas por dia parece uma excrescência até para um cidadão literalmente encarcerado, sem nada à sua volta além das grades de uma prisão e uma parede preenchida por meia dúzia de livros. Talvez fosse uma resposta desejável e bem mais agradável de se dar aquela que tentasse afastar a profissão de escritor dos mitos que costumam rondá-la, aproximando-a de outras profissões, com suas virtudes e desvirtudes, as contingências pontuais de qualquer atividade que envolva criação ou um capital intelectual cujo valor simbólico vai, inadvertidamente, transformar-se em capital monetário. Mas a grande verdade é que falar em profissão quando se trata de escrever é – e por muito tempo será, ainda – uma utopia contextual. Felizmente para nós, escritores, ainda não se conhece uma grande obra literária que não tenha brotado de uma mente que não se permite sonhar.

Tiago Germano é autor do livro Demônios Domésticos, publicado pela editora Le Chien e indicado ao Prêmio Açorianos de Literatura 2017.

5. Glau Kemp

Pra mim significa receber muito calor humano, o leitor brasileiro é apaixonado e adoro ter contato com eles seja em redes sociais ou pessoalmente. Mas ser escritor no Brasil é uma luta diária também. Todo o processo que acontece até o livro chegar nas mãos leitores é lento. Ser escritor é uma profissão e exige muito estudo e dedicação, mas é difícil um escritor conseguir se sustentar apenas escrevendo. Duas características são fundamentais para os novos escritores: persistência e paciência, é assim que se escreve livros no Brasil.

Glau Kemp é autora do livro Quando o mal tem um nome, sucesso na Amazon e que será publicado pela Verus Editora.

6. Lucas de Sousa

Ser escritor no Brasil é construir junto com outros parceiros de profissão um elo forte de incentivo à literatura brasileira. Não somente trabalhar a sensibilização para o gosto mágico da leitura, mas mostrar que há qualidade literária no Brasil. É desmistificar que o melhor sempre vem de fora, desmistificar que o Brasil é sim um país de leitores. Ser escritor no Brasil é lutar pelo seu espaço, ser acessível ao chamado dos leitores.

Lucas de Sousa é autor do livro O Encantador de Livros, publicado pela Ler Editorial.

7. Vivi Maurey

Acho que é tão difícil ser escritor no Brasil que eu tenho até medo de ser muito sincera e permitir que a resposta encontre lugares na minha mente que até agora tinham permanecido escondidos e alheios a esse fato. =P

Se a gente perguntar pros colegas autores de outros países, eles também vão dizer que é muito difícil, apesar de terem mais espaço, mais leitores, mais investimento e procura. Mas é um consenso: viver de arte é muito difícil onde quer que você esteja. Muitos ainda nem consideram profissão.

No Brasil, quando você fala que é escritor, as pessoas ficam esperando você terminar a frase e dizer sua verdadeira profissão, aquela que leva pão à mesa, como se a escrita fosse apenas um passatempo. Não à toa, já que as pesquisas nos dizem o quanto o brasileiro lê pouco e realmente parece que não existe muito mercado para nós. No entanto, esse quadro vem mudando. Com o aumento das vendas de livros focados na vida jovem adulta, o escritor, não apenas o que vende pra esse público, pode ter bem mais esperanças.

Por outro lado, por ser um mercado restrito e difícil, não basta apenas escrever um bom livro. O mercado está cada vez mais exigente. Você tem que ter redes sociais e engajamento, seguidores além de leitores, n talentos como gravar e editar vídeos, palestrar, dançar, cantar, nossa, daqui a pouco as editoras vão querer certificado de que já pisamos na Lua antes de aceitar publicar nosso livro.

É um problema isso porque tem muita gente talentosa que tá começando agora, que não tem privilégios básicos para conseguir trabalhar bem uma plataforma de leitores e não vive essa oportunidade de ter seu projeto publicado e divulgado. Além do mais, o mercado está exigindo uma maturidade e um desenvolvimento artístico de jovens iniciantes que não faz nem sentido. As editoras querem um produto pronto, pra não ter trabalho porque o tempo é escasso, mas ao mesmo tempo querem autores cada vez mais jovens para vender melhor para esse público que tá comprando. Isso, além de irreal, é uma pressão absurda em cima dessa galera que mal saiu da adolescência, e pode gerar frustração e depressão. Ter multitalentos e multitarefas pode vir naturalmente para alguns ou a custo de grande esforço para outros e funcionar, mas para muitos é uma grande barreira. Às vezes, a escrita, que devia ter o maior peso na hora de dar oportunidade para alguém ser publicado, não está nem na lista dos pré-requisitos das editoras, afinal, livro é produto, ele precisa ser vendido pra fazer o mercado acontecer e escrita nem sempre é uma exigência do público.

Eu escrevo porque preciso da escrita pra me entender e viver melhor, então fiz a escolha num belo dia de tentar viver disso, fazer da escrita minha profissão, mas não foi uma decisão tranquila. Não me arrependo e não quero mudar de profissão, mas confesso que ultimamente tem sido difícil convencer alguém novo de que é um bom caminho a se seguir. Hoje, quando me perguntam sobre ser autor no Brasil eu costumo dizer “Tem certeza mesmo de que é isso que você quer?”

Dito isso, acho que toda profissão tem suas dificuldades e quem realmente quer seguir a profissão, não existe outra forma sem ser passando pelo olho do furacão.

Vivi Maurey é autora de #Fui, publicado pela Globo Alt.

8. Moduan Matus

Ser escritor no Brasil é se encontrar em diversidades de objetivos e em tendências; ainda procurando um veio, tênue, de luz, de nobreza, rumo à eternidade universal.

O difícil é conseguir destaque estando em lugar-comum ou em constante ensimesmamento; ainda, alguns que conseguem tal projeção têm que passar pelo funil do mercado editorial e/ou adequar a(s) sua(s) obra(s) à realidade de massificação constante ou ao modismo de época, causando uma falsa originalidade.

Existem obras literárias fabricadas por midiatizações, para poderem cair no gosto comum ou viralizar, até porque as editoras visam o mercado promissor. Existem escritores marqueteiros que, de olho nos nichos, agem pela crista, criando uma literatura de fachada, de conteúdo duvidoso, servindo apenas à febre consumista dos leitores de superfície e ao entretenimento. E existe uma literatura objetiva, calcada no segmento cognitivo do cosmo literário e é neste veio que talvez se encontre o maior poder de criatividade, tornando a leitura viva, em movimento, ligando o maior número de possibilidades em absorções, desvendando fio a fio das meadas.

Ser escritor no Brasil não deve ser apenas modismo ou passatempo; é atrelar-se (ou engajar-se?) e se saber miscigenado de culturas, artes, dotado de ideias participativas, disposto às contextualizações e pertencimentos; escrevendo coisas consistentes que livrem do marasmo e da especulação literária e que atinem o raciocínio ao estranhamento; e que conduza a interpretação ao cerne da questão e promova mais e mais a libertação.

Moduan Matus é experimentalista em poética, escritor e historiador. Autor de As margaridas estão cada vez mais raras e História de Nova Iguaçu: recortes de uma cronologia ilustrada de 510 anos.

9. Juliana Daglio

Ser escritor no Brasil, antes de tudo, é um desafio. Não temos formação para isso em nossa educação, nem somos muito incentivados à leitura ou a escrita. Escrever é desafiar esse sistema. Procurar recursos para construir uma carreira, para aprender o ofício, divulgar, subindo degrau por degrau para chegar à realização desse sonho. E entender que não estamos sozinhos, que há muita gente que também está subindo esses degraus e que, juntos, podemos mudar o cenário para a melhor.

Juliana Daglio é autora de Uma Canção para a Libélula e seu livro de terror Lacrymosa será publicado pela Bertrand Brasil.

Gostaria de fazer alguma pergunta para nossos escritores de julho? Te aguardamos nos comentários =)

Hanny Saraiva

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Eles são fortes influências na literatura e suas obras vão além de suas sexualidades. Os autores que escolhemos para homenagear nesse dia 28 de junho são escritores que trouxeram à tona o tabu da sexualidade e afetaram o mundo com suas obras. Cada um rasgou o mundo com palavras revolucionárias e pioneiras e como resposta – de alguma forma – foram rasgados pelo mundo.

CAIO FERNANDO ABREU
“Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade – voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade.”

O “escritor da paixão”, como Lygia Fagundes Telles o define. Sua trajetória é marcada por temas transgressores e por experimentar várias linguagens é considerado um autor de apelo popular, sendo facilmente citado em redes sociais. Lutou contra a ditadura, viveu intensamente e morreu no dia em que nasceu, em consequência do vírus HIV.

Para ter afeto: Morangos mofados

OSCAR WILDE
“Se somos tão inclinados a julgar os outros é porque tememos por nós mesmos.”

O dramaturgo e poeta irlandês foi condenado a dois anos de prisão e trabalho forçado depois que o pai de um de seus amantes o denunciou por “cometer atos imorais com diversos rapazes”. Oscar Wilde é considerado o mais importante dramaturgo da era vitoriana e defendia o belo em contrapartida ao mecanismo da era industrial.

Para ter afeto: De profundis

FEDERICO GARCÍA LORCA
“É infinito o ar. A pedra inerte nada sabe da sombra e não a evita. Íntimo, o coração não necessita do congelado mel que a lua verte. Por ti rasguei as veias às dezenas, tigre e pomba, cobrindo-te a cintura com luta de mordiscos e açucenas.”

O autor espanhol foi preso por não esconder sua homossexualidade e sua crença no socialismo. Por ser considerado “mais violento com a caneta do que outros com revólver” foi morto sem julgamento, de costas, com um tiro na nuca.

Para ter afeto: Obra poética completa

ELIZABETH BISHOP
“Amor tem que ser posto em prática! Ao longe, um eco esboçou sua adesão, não muito enfática.”

Considerada uma das maiores poetisas do século XX de língua inglesa, morou no Brasil por duas décadas, vivendo uma paixão com a paisagista brasileira Lota de Oliveira. Foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional Neustadt de Literatura, além de ser premiada com o Pulitzer de Literatura em 1956. Sua cartografia poética passeia pela fragilidade, pela percepção, pela perda, pelo verso intimista e a ambiguidade.

Para ter afeto: Poemas escolhidos de Elizabeth Bishop

JEAN COCTEAU
“Não aceito, porém, que me tolerem. Isso fere o meu amor ao amor e à liberdade.”
O poeta, dramaturgo, cineasta foi muito importante para o movimento surrealista, apesar de ter sido rejeitado por membros do surrealismo, sendo alvo de vários episódios de homofobia. O artista publicou vários ensaios criticando essa homofobia e lutava de peito aberto contra convenções esmagadoras e cruéis.

Para ter afeto: A dificuldade de ser

Compartilhe se acredita que amor é amor.

Hanny Saraiva

This is Machado ou o legado de Assis?

This is Machado ou o legado de Assis?

Analista da alma humana, crítico da sociedade brasileira, grande influenciador literário. Por que Machado de Assis ainda é forte autoridade? Qual a importância de seu legado?

Polivante e plural

A obra de Machado tem pouca descrição e muitos diálogos, um autor polivalente e plural, que vai desde romances à poesia e teatro. Sua obra é permeada por um discurso ágil e atemporal, pois seus temas abordam questões da alma humana e que ainda são fantasmas na sociedade brasileira. A crítica, a ironia, o senso de humor e o desencanto retratavam um ambiente que ainda detém problemas sociais como os descritos na época do autor e todas essas reflexões que o autor pontuava atravessam os tempos.

Inovador e contemporâneo

Machado já escrevia microcontos no século passado, quer coisa mais inovadora e visionária em tempos de redes sociais? Ele era expert em mergulhar na psique dos personagens e explorar suas características, não apenas com o objetivo de entreter o leitor, mas como uma forma de crítica à sociedade dominante. Além disso, foi o autor quem impulsionou o uso do narrador falando diretamente com o leitor e suas narrativas – repletas de ambiguidade – são sempre elaboradas com primazia.

Camiseta Saiba Amar

Autodidata

Em tempos de DIY, Machado de Assis já era rei desde século passado. Sem frequentar a universidade, aprendeu francês e inglês sozinho, foi um exímio revisor, inaugurou a escola de Realismo no Brasil e fundou a Academia Brasileira de Letras. Bem avançado, não?

Olheiro de MPB

Machado de Assis foi um dos primeiros escritores a perceber a importância do papel da música popular e sua influência na literatura. Por exemplo, “No conto Um homem célebre, Machado de Assis conta a história de Pestana, um compositor de polcas que sempre tenta compor obras eruditas, mas acaba no popular. Pestana seria o compositor genial que se acha incompetente, só por ser popular.” A música popular e a literatura andam entrelaçadas desde então.

Influencer dos livros

Se Machado vivesse nos dias atuais, com certeza ele seria um digital influencer dos livros. Seu legado se encontra na configuração de suas histórias. Ambiguidade, análise social, ironia, duplicidade, as palavras apresentadas de forma precisa e enxuta, essas heranças influenciaram diferentes autores como Olavo Bilac, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles, Érico Veríssimo. Sempre foi um moço ousado, com certeza ele teria um canal bombado.

Nossa contemporaneidade está cercada de desconfiança, às margens do ceticismo e da ironia. Assim como os personagens de Machado, estamos cercados de incertezas, em uma insegurança cotidiana e com uma discrepância social e política que nos coloca face a face com um Brasil que nos lembra muito o que Machado vivenciou, mudando apenas alguns detalhes de lugar.

Mas fico aqui a pensar: apesar de todo esse legado deixado e tudo o que o autor construiu se encaixar nos dias atuais, como seria Machadão no século XXI? Conta pra gente como você imagina nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

O mais poderoso dramaturgo da história do Ocidente. O escritor mais traduzido e poeta do amor mais influente. Um dos mais importantes autores da língua inglesa. William Shakespeare destaca-se “pela grandeza poética da linguagem, pela profundidade filosófica e pela complexa caracterização dos personagens.”
Como não ouvi-lo nesta data que celebra o amor? Em um mundo cada vez mais violento e que parece destilar ódio a cada esquina, paremos um minuto para enaltecer o amor não como forma de cegueira e submissão, mas sim como acolhimento, carinho e cuidado. Compartilhemos, sejamos protagonistas de nossas histórias, pois como Shakespeare mesmo afirma “Nosso destino não está nas estrelas, mas em nós mesmos.”

Amor é doação

Já dizia o autor, “Minha bondade é tão ilimitada quanto o mar e tão profundo como este é o meu amor. Quanto mais te dou, mais tenho, pois ambos são infinitos.”
Doe palavra, doe minuto, doe um mimo. A vida é essa colcha de dias que rasga o tempo.


Amor é palavra dita

E já que todo dizer é um fazer, repita: “Duvides de que as estrelas sejam fogo, duvides de que o Sol se mova, duvides de que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.”


Amor é gesto

“O amor que nos entregam se o pedimos é bom, mas o amor que nos dão sem precisarmos pedir é ainda melhor.” – afirmou o autor inglês que entendia a alma humana como ninguém.

 

Amor é detalhe

“Se a música é o alimento do amor, não parem de tocar.” Assim como a música, Shakespeare atravessou barreiras culturais, um navegador das emoções humanas, apreciador dos detalhes e pensamentos fugidios. E já que nada escapa ao olhar apaixonado, que tal cantar para alguém especial? Que seja infinito o que nos faz bem!

Amor é multiplicação

“Deixe-me confessar que somos dois, embora o nosso amor seja indivisível.”

Velho & novo, azul & amarelo, pensamentos iguais, gostos diferentes, não importa nada: é tudo o mesmo amor! E ele deve ser multiplicado, jogado como semente em todos os solos, revelado, espalhado, partilhado.

Você já disse eu te amo hoje? Amor é feito para se declarar todo dia! Já marcou sua pessoa especial nos comentários