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Ressaca literária – Seu livro preferido terminou?

O que fazer quando o seu livro preferido termina?

Ressaca Literária: “quando o leitor tem vontade de ler determinado livro, mas não consegue entrar na história. Ou seja, o leitor fica preso em uma cápsula invisível sendo impedido de ler o livro.” – definição do blog Desencaixados. Já passou por isso? Hoje vamos falar sobre um tipo de ressaca específica, aquela provocada pelo término de uma leitura sensacional, que mudou sua vida, que te fez colocar o título X na lista de livros preferidos. Estamos tocando no delicado assunto: “O que fazer quando o seu livro preferido termina?”
Primeiramente, você grita: Fora Temer e toma uma cerveja. Sabe aquele conselho que para curar uma ressaca você precisa tomar outra cerveja? Isso serve para os apreciadores de cevada, mas e para aqueles que estão com ressaca literária?
Você não vai conseguir mais ler, apesar de querer muito, muito. Por quê? Porque você está impregnado do mundo ficcional anterior. Como uma droga, uma paixão arrebatadora, um “ele podia voltar pra mim”.

Participar de competições

Aposte com seu amigo quem vai ler primeiro o livro tal (de preferência algum de seu outro autor preferido). Aposte dinheiro, sorvete, alguma coisa palpável. Neste momento de corte de elos, é necessário algo que vale a pena lutar.

Começar a frequentar um clube do livro

Virtual ou presencial. Se reunir para falar bem ou mal de um livro pode te ajudar a esquecer seu ex. Saia para beber uma taça de vinho ou suco com seus companheiros de leitura e faça perguntas sobre o futuro date, ops, livro.

Visitar uma livraria nova – ou uma que você não conheça

Explore a livraria, toque em títulos, leia a primeira página, mas não compre nada. Converse com livreiros, faça anotações, circule pelo ambiente. Assista uma palestra de algum escritor nessa livraria, participe de algum lançamento, mas não compre nada. Apenas saboreie o contato com os livros e as capas. Tenho certeza que ao fim de quinze dias você estará com muita vontade de ler.

Curtir sua bad literária

Quem disse que é regra geral fugir da bad de términos? Chore. Chore muito. Veja filmes inspirados no livro, crie playlists sobre o filme, ouça playlists, viva o luto. Sofra até sua dor ao máximo – não recomendo mais de uma semana porque aí pode gerar um sistema de tristeza profunda e afastamento de amigos. Vale até comprar produtos que te lembrem da narrativa, mas não se tatue. Calma, tatuagem é uma parada séria, tipo amor eterno. Espere seis meses para ter certeza se era paixão ou amor mesmo. Tatue só por amor.

Escutar um audiobook

Quem disse que livro é só papel está com a cabeça fechada demais para esse século que estamos vivenciando facilidades tecnológicas e interessantes formas de captar e experimentar narrativas ficcionais. Ouvir uma história pode sim curar sua ressaca porque te transporta para um novo ambiente, te fazendo se distanciar de sua antiga paixão, aka, ressaca. Uma outra opção é explorar o mundo de podcasts literários.

Dica: dá uma espiada na Ubook.

Ler o livro novamente

Que mal tem saber de cor algumas frases e prestar atenção a outros detalhes e começar um novo clube de fãs aficionados pelo título? Das duas uma: ou você realmente vai amar ou vai conseguir começar a ver alguns defeitinhos que fará com que seu coração se acalme e dê espaço para um novo amor.

Escrever

Talvez você necessite colocar para fora toda sua necessidade de estar conectado ao mundo que te apaixonou. Escreva uma fanfic. Escreva uma resenha. Escreva duas resenhas. Escreva um conto baseado em um dos personagens. Escreva para o autor. Crie hashtags para o livro. Escreva uma carta para um amigo falando sobre o livro.


Como você se sentiu quando terminou de ler aquele último livro maravilhoso que você não queria que terminasse? Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

Augusto dos Anjos é considerado um poeta maldito brasileiro e até hoje ainda se ouve por aí “Escarra nessa boca que te beija” como uma forma de chocar em verso. Encontramos em sua poesia o gosto pelo bizarro e pelo inusitado e é essa atmosfera grotesca que inspira vários artistas ainda hoje. Separamos 5 imagens para entender a potência de Augusto e como seu pequeno legado ainda continua influenciando gerações.

1. Em tirinhas

Augusto & eu são tirinhas de Val Fonseca, inspiradas na vida e nos personagens de Augusto, tendo a Morte como companheira, explorando as leituras do EU. Curiosidade: você sabia que o único livro do poeta “Eu” (1912) foi patrocinado por seu irmão? Uma autopublicação no começo do século passado. Avant-garde, não?

2. Em ilustração

Sua vida também inspira artistas como no traçado de Izaac Brito para o livro “Eu, Augusto dos Anjos – reedição 2014. A atmosfera de seus versos sombrios e agressivos, com um vocabulário pouco comum, é considerada inovadora e até hoje assusta leitores. Como dizia Silveira Bueno (1898-1989) “trata-se, sem dúvida, de uma poesia de monstros, mas também de uma poesia monstruosa.”

3. Em artes plásticas

Os poemas de Augusto dos Anjos também inspiram obras, como essa feita em nanquim sobre papel, de Flávio Tavares para o poema “Versos a um Coveiro I”.

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco… Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais:

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!

 

4. Em centro cultural

O Memorial Augusto dos Anjos é um espaço cultural inspirado na arte e vida do poeta. A casa que abriga o centro cultural fez parte de sua infância e é um patrimônio histórico do município de Sapé (Paraíba) que apresenta diversas atividades com intuito de preservar a memória do poeta.

5. Em camiseta poética

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Poeme-se não poderia deixar de fora o encantamento nuvioso de Augusto e já dedicou três artes à obra inspiradora do poeta. Qual sua preferida? Possui alguma sugestão de frase do autor que gostaria de vestir? Conta pra gente nos comentários.


Hanny Saraiva

 

 

 

 

 

 

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

Já dizia aquele ditado popular “Quem canta, seus males espanta”. As manifestações musicais muitas vezes nos remetem àquelas memórias de infância de dia de domingo ou a eventos cheios de saudade que revivemos com aquele sorriso largo e que parecem se descortinar com cheiros e aromas à nossa frente. Quem nunca disse “Isso me lembra aquela música” e cantarola?

Como abril é o mês de Monteiro Lobato na Poeme-se, separamos cinco canções inspiradas na obra do autor para você reacender sua chama passada e sair cantando pelo dia. Ou quem sabe mostrar para seu pimpolho preferido e sair cantando com ele?  =D

1. Monteiro Lobato, Meire Pavão

A popularidade dessa música foi tanta que passou a ser prefixo do programa Sítio Do Pica-Pau Amarelo. Homenagem a Monteiro Lobato e seus personagens, foi gravada em 1968. Alegre e bonitinha, é uma ótima entrada para aqueles que não conhecem os personagens da obra de Monteiro.

2.Tristeza do jeca, Paula Fernandes, Renato Teixeira e Sérgio Reis

Monteiro Lobato, também criador do personagem Jeca Tatu, inspirou o hit de 1918, escrito por Angelino de Oliveira, considerado o maior clássico da música sertaneja brasileira.

3. Emília (a boneca gente), Baby do Brasil

Emília, a personagem mais famosa de Monteiro Lobato, foi sucesso nos anos 80 na voz de Baby do Brasil, parte integrante do álbum Pirlimpimpim (1982), um especial exibido em comemoração aos 100 anos de Monteiro. Clássico para quem viveu nos anos 80.

4.Sem medo de assombração, Ney Matogrosso

Parte da segunda versão televisiva de Sítio de Pica Pau Amarelo, Ney Matogrosso em 2005 criou uma variante mais nebulosa, porém tipicamente brasileira, com elementos extravagantes e sombrios.

5.O mundo encantado de Monteiro Lobato, Elza Soares

O samba-enredo de 1967 da campeã Mangueira fez muito sucesso, sendo Elza Soares a primeira mulher a puxar um samba-enredo na avenida. É “Sublime relicário de criança/Que ainda guardo como herança/No meu coração”.


Saudades dessas reinações? Quem você mais ama no mundo de Lobato? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Entrevista #2: Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Uma época de cadernos de anotações e poesias. O gosto pela escrita surgiu dessa época, mas foi só com os blogs que Rebeca Cavalcanti começou a considerar a escrita sobre literatura uma interface para compartilhar opiniões, criar debates e estabelecer uma rede de contatos entre autores, leitores e blogueiros com motivações literárias afins.
A diagramadora, designer e fundadora do blog Papel Papel nos mostrou como a literatura está presente além dos livros e como a voz subjetiva das redes sociais literárias se espalha e se consolida.

– Qual o segredo para o Papel Papel ter tantos seguidores?

Em 2018, o Blog Papel Papel comemora três anos e acredito que nosso crescimento tenha se dado principalmente por conta das relações de amizade construídas através da página. Afinal, se não fosse o apoio e parceria de inúmeros autores e blogueiros, dificilmente conseguiríamos resistir a esse período inicial onde tateávamos formatos de postagem, conteúdo e demais estratégias de participação nas redes.
Hoje, o Papel Papel é formado por cinco colunistas (Regiane Medeiros, Mich Fraga, Jonatas Tosta, Bruno Fraga e eu) e conta com a publicação de resenhas de diversos parceiros literários. Nossa maior atuação hoje tem sido no Instagram, por ser uma plataforma ágil e que atende nossa dinâmica de postagens. O formato Blog permanece e temos sim interesse em realizar um calendário ainda maior de posts. No entanto, como esta atividade literária permanece paralela à rotina diária de trabalho e estudo de nossos integrantes, ainda não dispomos de tempo nem parcerias remuneradas para uma dedicação total ao projeto Papel Papel. Mas temos a esperança de que com o tempo esta vontade se concretize.

– Qual blog literário você indicaria para os leitores da Poeme-se?

Gosto muito do trabalho da Rafaela, do Undone Thoughts, pelo diferencial de compartilhar indicações de livros ainda não traduzidos no Brasil. A Maria, do Impressões de Maria também é uma das blogueiras que admiro, e o diferencial de seu trabalho é o foco na divulgação de autores nacionais e, principalmente, Literatura Negra. Para leitores mais jovens, ou jovens de todas as idades que tenham interesse por uma escrita mais intimista, em tom de diário, recomendo o trabalho da Luana, do Memorialices. Além de reflexões cotidianas, a Lu também compartilha resenhas, especialmente de títulos de Literatura Fantástica. Aos leitores mais acadêmicos, recomendo a Revista 7faces, editada pelos críticos Cesar Kiraly e Pedro Fernandes.

– Qual foi a mensagem mais inusitada que o Papel Papel já recebeu?

No inbox do Instagram acontece bastante, principalmente em caps lock, zero pontuação e direto ao ponto: “OI SOU AUTOR FAZ RESENHA TE DIVULGO NO FACE ABÇ”. Não sei nem o que comentar…

– Por que blogs podem fazer a diferença no mundo literário?  

Costumo dizer que o papel de um blog (bom, pelo menos o nosso papel, em nossa concepção de blog) é o de se apresentar como uma conversa entre amigos. Daí nossa decisão por uma escrita mais informal (e que nos difere de inúmeras páginas “especializadas”, acadêmicas) e que possibilite uma maior proximidade entre o leitor e o articulista. Afinal, acreditamos que a experiência da leitura e o incentivo à interpretação e à escrita devam ser os principais objetivos de plataformas como a nossa, e é por este caminho que pretendemos seguir no Papel Papel.

– Como foi a experiência do Papel Papel em participar do clube do livro Da Vinci? Vocês pensam em montar algum outro clube do livro?

O Clube do Livro em parceria com a Da Vinci surgiu de forma experimental e independente, sem vínculos específicos com editoras e demais apoiadores. Por ter sido uma primeira iniciativa (tanto por parte da Livraria como nossa, enquanto mediadores de eventos literários), os encontros foram uma espécie de laboratório para novos projetos. No caso, este formato Clube do Livro teve a duração de um semestre, em 2017, mas a Livraria mantém até hoje um calendário bem diversificado de atividades (palestras, lançamentos, cursos) que vale a pena conhecer. Em relação ao nosso grupo de mediadores, estamos todos em um período de trabalho e estudos um tanto intenso, daí ser preciso essa pausa. Mas, havendo novas propostas de parceria (seja com editoras, autores, livrarias…) que se alinhem com nosso projeto e perfil literário, podemos considerar um retorno sim!

– Em relação ao seu trabalho como diagramadora: como costuma ser um dia típico de trabalho para você? 

O trabalho com diagramação é ainda muito recente, embora eu atue há alguns bons anos com design gráfico em uma empresa privada do setor da educação e da cultural. Neste ambiente, tenho sim uma rotina semanal de criação de peças gráficas, inclusive pequenas publicações; em paralelo, realizo a manutenção do Blog Papel Papel (tanto seu template como demais artes para redes sociais) e participo da criação de projetos literários (ebooks) com minhas amigas autoras e blogueiras. Gosto muito de atuar neste segmento da criação gráfica e espero cada vez mais estar envolvida com o mercado e o mundo editorial.

– Qual foi o trabalho mais peculiar que você pegou?

Ainda não passei por situações assim “peculiares”, mas creio que para o designer e o diagramador o desafio surja quando o contratante tem no orçamento um valor sujeito a cortes e, em sua mente, um projeto de publicação que demandará um fornecedor gráfico especializado – e, consequentemente, um custo imprevisto. É difícil não desapontar o cliente quando precisamos dizer que dobras, vernizes, todas-as-páginas-com-ilustrações-em-cores e demais acabamentos não saem “baratinho”, risos. No mais, minha experiência no campo do design tem sido bem proveitosa. E que continue assim, por muito tempo!

– Como podemos conhecer mais seu trabalho como diagramadora?

Relacionados ao Blog Papel Papel estão a publicação independente e de distribuição gratuita de dois ebooks contendo crônicas de jovens autoras e blogueiras de nosso convívio. O primeiro trabalho chama-se Amor em Cartas e foi lançado no dia dos namorados de 2017; o segundo, Crônicas de um Recomeço, foi ao ar nesta virada de 2018. Ambos os livros podem ser baixados gratuitamente em nosso blog.

– Você já passou por alguma situação pontual por ser mulher e trabalhar como diagramadora?

Não, nunca passei por situações constrangedoras em meu ambiente de trabalho, tanto o formal como o freelancer. Aliás, a atuação como microempreendedora individual, em minha opinião, é a que ocasionalmente me expõe a situações de embaraço, especialmente no que diz respeito a negociação de prazos e valores de serviços. No caso, por atuar no segmento da cultura (falo de minha experiência, não desejo generalizar), o trabalho de designer é ainda visto como algo “de menor valor”, especialmente se o contratante é um produtor criativo. É claro que os custos de se produzir um objeto artístico ou uma obra literária podem chegar a faturas astronômicas; ainda assim, há que se valorizar o trabalho de todos os agentes desta cadeia de serviços, e entender que uma relação que se baseia no “ah, faz meu livro que eu divulgo seu trabalho no Instagram” é nada ética, e dificilmente trará boa fama e resultados.

 

“Elas inauguram linhagens, fundam reinos e são fantásticas com a caneta na mão.” Só viemos relembrar que representatividade importa, viu? =D

 


Conhece alguma mana que está abrindo caminhos por aí? Conta pra gente nos comentários, adoraríamos conhecê-la.


 Hanny Saraiva

 

 

 

Por que autores amam bibliotecas?

Por que autores amam bibliotecas?

“ Eu fiquei três vezes por semana durante 10 anos me educando na biblioteca pública. É melhor que faculdade. As pessoas deveriam se educar, você pode ter uma educação completa sem gastar dinheiro. No final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e escrito mil histórias.”  – Ray Bradbury
“A biblioteca de minha infância era bem pequena. E mesmo assim sentia que o mundo inteiro estava contido naquelas duas salas. Eu poderia andar em qualquer corredor e aspirar sabedoria.” – Rita Dove
“Não é apenas uma biblioteca. É uma nave espacial que te leva aos confins do Universo, uma máquina do tempo que te leva ao passado longínquo e ao futuro distante, um professor que conhece mais do que qualquer ser humano, um amigo que vai te divertir e te consolar – e acima de tudo, um portal, para uma vida melhor, mais feliz e mais útil.” – Isaac Asimov
“Eu sempre digo às pessoas que me tornei escritora não porque fui para a escola, mas porque minha mãe me levou para a biblioteca. Eu queria me tornar escritora para poder ver meu nome no catálogo de fichas.”  – Sandra Cisneros
“Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de biblioteca” – Jorge Luís Borges
Ainda duvida de que é uma espécie de Éden para escritores e para amantes de livros? Em homenagem ao Dia da Biblioteca, separamos só algumas outras coisinhas que confirmam por que autores amam bibliotecas.

Conhecimento infinito

Há sempre livros. No plural. Quando você acha que sabe tudo sobre o assunto, um livro escondido surge como num passe de mágica. Os livros parecem se comunicar entre as prateleiras, nos escolhendo como humanos favoritos. Quem nunca teve aquela ideia mirabolante após ler um livro de pesquisa sobre o assunto central do seu livro? Escritores amam desbravar o desconhecido e livro de biblioteca é perfeito para isso.

Silêncio

Quer fugir daquele carro do ovo ou da música alta do vizinho? Prazer, sou o silêncio –  a biblioteca afirma. Trago ainda de brinde – algumas vezes ­– aquele ar condicionado poderoso. É um local maravilhoso para acalmar a mente, se concentrar, desenvolver aquela ideia que está entalada e não sai do papel. Muitos escritores saem de seus lares em busca de novos ares e a biblioteca espera escritores de braços abertos para dar asas a seu mundo de imaginação. Experimente escrever nesse espaço depois vem aqui contar pra gente como foi – vale também para estudantes que não conseguem terminar a monografia ou aquele trabalho gigante do trimestre, ok?

Sustentabilidade

Você adoraria ler aquele clássico, mas acha muito caro? Dê uma passada na biblioteca e faça seu cartão de frequentador. Consuma de forma consciente. Compre apenas aqueles livros que você realmente deseja ou necessita. Uma ótima forma de checar se vale a pena é dando um pulinho na biblioteca. Além disso, entregar o livro na biblioteca no prazo é uma ótima forma de lutar contra a procrastinação. Isso vale também para quem tá começando na carreira de escritor porque regra número 1: para escrever você precisa ler muito.

Conexão

Onde você pode encontrar o público do seu livro? Na biblioteca! Quem vai à biblioteca ama ler ou está em busca de uma demanda específica. Como não fazer pesquisa de mercado dentro desse ambiente? Além disso, há diversas ações culturais dentro de bibliotecas como encontros com autores, debates, saraus literários e poéticos. Você pode doar seu livro para a biblioteca, participar de uma palestra, criar sua rede de contatos para troca e angariar leitores que podem comprar seu próximo livro. =D


O que tem de especial em sua biblioteca preferida? Como você se sente lá? Conta pra gente nos comentários. =)


 

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Juliane Garcia de Alencar. 27 anos. cearense. aquariana. psicóloga. ilustradora. feita de silêncios. não é todo mundo que consegue compreendê-los. feita pra quem sabe ver. pra quem sabe sentir. pra quem consegue decifrar. não é qualquer um que entende. escreve sua história a lápis. apaga, corrige, pula linhas e parágrafos. arranja e desarranja. usa cores. transforma o vazio em palavras, em desenhos. acredita que é possível acariciar as pessoas com a arte, por isso, se eu fosse Frida! enche o coração de lantejoulas e bolhas de sabão. tenta calar as dores. se a previsão for de chuva, tenta fazer um carnaval. mas às vezes para os batuques apenas para ouvir melhor o bater do coração.
Mais do que um coração batendo no mundo. Essa moça, idealizadora do projeto Se eu fosse Frida,  é aquela que transforma amor em cor. Com os olhos encantados por esse traço delicado e cheio de força, conversamos com a mente talentosa da Ju e ela nos contou um pouco sobre o processo de ilustrar e como vem se arriscando como ilustradora.

1. Como surgiu a ideia do Se eu fosse Frida? O que te influenciou a criar o projeto?

A ideia sempre rondou meus pensamentos. A ilustração sempre perpassou meus dias e todos os meus momentos. Sempre ilustrei como uma forma de libertar e dar voz ao meu coração selvagem, mas o projeto do “Se eu fosse Frida” só teve início em 2016.
Sou cearense e psicóloga e, nessa época, tinha me mudado para o Rio de Janeiro para fazer mestrado. Foi um momento bem turbulento, cheio de vivências inéditas e até doloridas – como o sair de casa, o distanciamento geográfico da família, o desbravamento de um novo território, além de uma dissertação a ser escrita, mas também foram tempos de (re)conhecimento, (re)descobertas e de fortalecimento de relações. A ilustração tornou-se quase uma terapia. Ilustrava para encurtar distâncias.
Como tudo acontecia muito rápido, o processo criativo estava a todo vapor. Ilustrava quase que diariamente. No entanto, digo que a criação de “Se eu fosse Frida” como projeto foi ao acaso. Criei um perfil numa rede social para organizar meus desenhos. Era uma forma de não perdê-los nesses tempos acelerados que vivemos. No começo era algo privado, quase um segredo mesmo. Contudo, fui ganhando confiança ao ouvir pessoas mais próximas e decidi compartilhar minhas cores por aí. Foi uma forma de espalhar cor e distribuir sentimentos para as pessoas.
A escolha do nome foi uma forma de homenagear Frida Kahlo, de quem sempre fui admiradora – pela artista e mulher que foi.

 2. Qual era a visão que você tinha do mundo da ilustração quando começou a ilustrar e a que você tem agora? O que mudou?

No começo o ato de ilustrar era algo individual. Era um mundo só meu. Criava apenas para mim. Muitas vezes sem uma explicação ou significado pensado. Fluía. Hoje ainda é muito assim, mas vejo o poder que as cores têm. Tento criar algo que afete o outro – seja um afetar que acaricie ou que problematize; que abrace ou que toque nas feridas.
Logo no início do projeto, costumava imprimir cópias de alguns desenhos, escrever mensagens com frases de livros ou trechos de músicas e “esquecer” por lugares, em praças, ônibus, shoppings… era uma forma de alcançar pessoas fora das redes digitais. De surpreendê-las!
Acho que a arte serve para isso: para nos afetar! A arte nos transforma e a gente transforma o mundo.

 3.  Suas ilustrações nos remetem ao mesmo tempo a uma sensação poética e musical, a música tem alguma contribuição específica para seus desenhos? O que você ouve enquanto desenha?

Com toda certeza! Sou uma pessoa bastante musical. Faço (quase) tudo ouvindo música, ilustrar não seria diferente. Para mim, é impossível ouvir Belchior e não fazer ao menos um rascunho. Suas canções são cheias de significados e potências. Ele é meu preferido no momento das criações, mas tenho uma playlist com mais de mil músicas que me ajudam nesse processo. Além dele, ouço muito Céu, Caetano, Chico, Bethânia, Elis, Marisa, Gal, Criolo… mas às vezes paro os batuques para ouvir melhor o bater do meu coração.

4. Qual foi o pedido de ilustração personalizada exclusiva que mais te marcou, que fez o coração bater mais forte e o olho brilhar?

Não sei se sou capaz de escolher uma só. Mas confesso que minhas preferidas são as famílias: das tradicionais às mais inusitadas. Gosto de ilustrar todas as formas de amor!

5. Qual livro poderia representar Se eu fosse Frida?

Acho que um livro do García Marquez e seu realismo fantástico. Ou do Dostoiévski e sua profundidade subjetiva. Ou da Rupi Kaur e todo seu empoderamento. Ou da Clarice… ou da Vírginia Woolf… Enfim, um livro de força e surpreendente!

 6. Qual a maior dificuldade em ilustrar e divulgar seu trabalho sendo mulher?

Não sei se sinto isso por acompanhar principalmente o trabalho de mulheres, mas acredito que somos bem fortes no meio. Até hoje, por mais incrível que isso possa parecer, não vivenciei dificuldades por conta do meu gênero, falando apenas do mundo artístico, vale ressaltar.

7. O que podemos fazer para que mais mulheres possam ilustrar?

Acredito que isso vale não só para a ilustração, mas para a vida: devemos nos permitir. “Meter as caras”, como dizemos no Ceará. É essa coisa de chegar e fazer, sabe? Acho que a gente, enquanto mulher, tem que ter voz, vez e liberdade de ser o que quisermos ser. Carrego a palavra “Coragem” tatuada no peito e acho que ela deve nos guiar todo dia.

8. Quem é sua maior referência no mundo da ilustração? Se você pudesse tomar um café com sua ilustradora/seu ilustrador preferido, o que perguntaria?

Tem que ser só uma pessoa? Acompanho o trabalho de tanta gente massa! Poderia ser um grande encontro regado a muito café! Falando das brasileiras: Amanda Mol, Juliana Rabelo, – minha conterrânea – Malena Flores, Luiza Alcântara, Yasmin Hassegawa, Jana Magalhães, Carol Rossetti… tanta gente! Dos estrangeiros: alguns cartunistas como Ricardo Siri e Quino, além das ilustradoras Paula Bonet, Camille Shew… e mais um montão de outras supertalentosas.
Acho que por ser autodidata perguntaria sobre as técnicas e o processo criativo; além de querer ouvir muitas histórias de vida.

9. Qual ilustradora que tem um trabalho mega bacana, mas que ainda não foi reconhecida, você destacaria? Por quê?

Tenho um apreço muito grande pelas ilustrações da Jéssica Gabrielle Lima e da Mara Oliveira pelo afeto que transmitem.

10. Para terminar, existe algum ritual para seu trabalho como ilustradora? Como é seu dia a dia?

Como disse no início, a ilustração não é minha profissão, mas faz parte de mim. Atualmente sou residente em Psicologia Hospitalar e trabalho doze horas por dia com pacientes com câncer. Algo bem denso. A ilustração é meu refúgio.
Geralmente só tenho os fins de semana livres. Então, coloco um headphone com uma boa música, leio alguns textos curtos e logo o papel deixa de ser uma simples folha em branco.

 

O traço de Se eu fosse Frida invadiu a Poeme-se com a coleção especial pra mulheres porretas que une feminismo, literatura e muita cor. Já deu uma espiada nessa lindeza criada pela Ju?  https://www.poemese.com/colecoes/se-eu-fosse-frida

Aproveita e conta pra gente nos comentários: O que te faz florescer? ♥


Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Acalentar. Abraçar. Abrir livros e mergulhar em encantamentos. Como transformar através da leitura? Lendo histórias juntinho. Pensando em como esse ato estreita laços, aumenta a confiança e diverte, separamos 6 livros para você ler bem pertinho de seu pequeno preferido.

 1. A gueixa e o panda-vermelho – Fernanda Takai

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Sinopse: A gueixa e o panda-vermelho conta a bela história de uma amizade improvável e mágica entre uma jovem japonesa e o raro panda-vermelho. Esse é primeiro livro infantil escrito pela cantora e compositora Fernanda Takai e ilustrado por Thereza Rowe, da editora Cobogó.
Delicado, curioso, poético. A cultura oriental, em especial a das gueixas e dos pandas, repleta de gotas de felicidade, ou melhor, às vezes percebida em forma de chuva ou vento. Para ler buscando momentos de leveza.

 

 2. O astronauta de pijama – Samanta Flôor

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Sinopse: Um menino de pijama, um monstro faminto, um gato com cara de lanche e um capacete de astronauta: esses são os ingredientes para uma grande aventura!
A Jupati Books, um selo da editora Marsupial, é expert naquele tipo de história que dá vontade de ler e reler. Com um traço simples, mas muito divertido, O astronauta de pijama é perfeito para incentivar seu pequeno a criar diálogos para a história. De minhocas com óculos e pés-gigantes, é o tipo de leitura para aqueles dias de tédio que necessitam de tempo para explorar as possibilidades de criação.

 

3. Alho por alho, dente por dente – André Moura e Henrique Rodrigues

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Sinopse: Todas as pessoas já ouviram algum ditado popular ao longo da vida. A sabedoria do povo é mesmo certeira, construída com humor e poesia. A partir dessa ideia, André Moura e Henrique Rodrigues escreveram Alho por alho, dente por dente. Editado pela Memória Visual, o livro nasceu numa troca de emails em que os escritores se propuseram a reescrever, em versos lúdicos, diversos provérbios sobre os mais vários assuntos.
Sabe aquele dia que você acorda meio poético com provérbios debaixo da manga e seu pequeno não entende muito bem? Leitura essencial para fazê-lo compreender esses usos. Por exemplo, qual o melhor jeito de afastar um vampiro? Usando “alho por alho, dente por dente”. O livro, recheado de exemplos engraçados, também é ótimo para projetos educativos.

 

4. Hilda e o troll – Luke Pearson

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Sinopse: Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Montanhas, trolls, homens de madeira, imaginação. Editado pela Quadrinhos na Cia, esse é meu xodó. É tão legal que até vai virar série na Netflix. 😉 Seu autor, Luke Pearson, “fez storyboards de alguns episódios do desenho animado Hora de Aventura e é autor da graphic novel Everything we miss.” O traçado de Hilda é delicado, dócil e criativo e sua personagem principal é uma heroína encantadora. Cheio de elementos incas e célticos, Hilda e o troll é o primeiro volume da uma série.

 

5. Coraline – Neil Gaiman

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Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus ‘outros’ pais. Na verdade, aquele parece ser um ‘outro’ completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Primeiro livro do mestre Neil Gaiman para o público infantil (Rocco Jovens Leitores), ele escreveu essa história tendo em mente sua filha de cinco anos. A história ganhou uma proporção tão gigante, que muitas adultos acham Coraline um livro perturbador. Ele é perfeito para aquelas crianças que adoram histórias de mistério e recomendo sua leitura de dia para não dar pesadelo em ninguém. Mas acima de tudo, Coraline é um livro sobre ser uma menina forte, apesar de qualquer medo. Por que todo mundo tem medo, né?

 

6. Haicobra – Fábio Maciel e Márcio Sno

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Sinopse: Cobra é um bicho que dá medo. Mas a palavra também pode assumir outros sentidos. Nestes bem-humorados haicais, o tradicional poema japonês de três versos, a criança se surpreenderá durante e após a leitura, porque o livro é, literalmente, uma grande brincadeira.
Selecionado para participar do Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2018 e produzido pela editora Bambolê, Haicobra é repleto de poemas bem humorados que encantam aqueles pequenos que precisam tocar nas coisas. Esse é um livro para abrir e brincar na sala e já vi muito pequeno dormindo agarradinho à sua haicobra.

 

 


Cada título foi especialmente escolhido por uma criança que ama livros, mas ficamos aqui curiosos para saber qual seu livro infantil preferido. Conta pra gente nos comentários! =)


Ah, já deu uma espiada em nossos camisetas feitas para os pimpolhos?

Hanny Saraiva

 

 

CAZUZA E A BALADA DE WALY SALOMÃO.

Cazuza e a balada de Waly Salomão.

“Balada de um Vagabundo” é uma canção do primeiro disco solo do Cazuza lançado em 1985 logo após sua saída do Barão Vermelho. Apesar de trazer alguns clássicos como “Exagerado” (que nomeia o disco) e “Só as mães são felizes”, a faixa “Balada de um Vagabundo” é a que mais me chama a atenção nesse álbum. O mais curioso é que a letra não é do Cazuza e sim do poeta Waly Salomão, compositor de alguns clássicos da música brasileira, como “Vapor Barato”. Ele ainda foi responsável pela produção do disco “Veneno AntiMonotonia” da Cassia Eller, álbum em homenagem a Cazuza. Em toda sua discografia Cazuza gravou poucas músicas em que não participava da composição. E está foi a primeira. “Escrevi Balada de um Vagabundo para ele [Cazuza]. Teci este poema como mentira sincera de uma suposta simbiose Helio Oiticica-Cazuza. Como se os cavalos de Oiticica e de Cazuza tivessem baixado em mim”, dizia Waly Salomão. Cazuza achava que a música o defina muito bem. Gostava, especialmente, do trecho que resumia sua personalidade: “Eu sou o beijo da boca do luxo na boca do lixo.” Para quem não conhece, vale a pena ouvir! (:

Mini Biografia de Zuza Zapata