Searched for ""

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Um homem que morreu supostamente louco e perdido nunca poderia imaginar que suas obras ganhariam uma imensidão de influências na contemporaneidade. Se Poe vivesse na atualidade, ele sobreviveria à cultura pop? Não sabemos, mas a cultura pop e Edgar Allan Poe andam de mãos dadas. Livros, séries, adaptações, ano após ano suas histórias são desmembradas e compartilhadas ao redor do mundo. Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

O medo e a ambiguidade de seus personagens

Ele está presente em nossas estantes, pois nunca parou de ser vendido. Sua narrativa não envelheceu, as histórias possuem a capacidade de se transmutarem para outras mídias, abrindo o leque de possibilidades e adaptações. Poe dominava a arte do mistério, pioneiro em usar medo, loucura, culpa e histeria como forma de identificação. Quem nunca sentiu o que o personagem sente em “O gato preto” ou o medo atravessar a espinha em “A máscara da morte escarlate”? Sua construção cuidadosa é como um espelho para nossos próprios medos e somos atraídos por essa atmosfera lúgubre, principalmente porque o autor lida com a morte o tempo todo e nos mexe e remexe com as probabilidades de não haver nada além do fim ou de haver muito mais do que conseguimos suportar. Ele nos brinda com o medo da perda, de não conseguirmos suportar ver quem amamos ir antes de nós, mas acima de tudo, ele nos faz testemunhas de crimes que poderíamos ter cometido. Seus personagens se deparam com  aquele momento onde a linha tênue entre sanidade e loucura se rompe, onde o elo entre ódio e reprimenda se finda, ele brinca com nossa racionalidade e nossos próprios demônios, tão inatos dentro de nós. Suas histórias são uma tentativa de fuga, de catarse. Seus personagens são ambíguos, não são bons ou maus, mas humanos. Poe levou o gênero de horror a um nível de aprimoramento, focando no terror psicológico ao invés de apenas descrever um cenário de assombração. Não só a ambiguidade e o medo são representantes presentes em suas narrativas, mas também há humor e esperança em suas histórias, uma forma de empatia para com aqueles que estão perdidos e que lutam para que seus sentimentos se acalmem e tudo passe. Nesse mundo violento, mas que tenta a todo custo mascarar nossos medos em busca de felicidades constantes, nada mais atual, hein?

O mestre das técnicas

Poe pode ser considerado o pai do conto, foi com ele que aprendemos que narrativas precisam ser lidas de uma sentada só, ou seja, precisam ser curtas e envolventes para que as histórias possam fluir e ser degustadas. A contemporaneidade vive um momento onde há necessidade de se chegar ao fim da notícia, de passar os olhos pelos títulos, de ser captado pelo momento. Poe é o mestre do momento. Ele não apenas escrevia, mas como analisava a arte literária. Foi o primeiro a criar a teoria do conto, dissecando sua poética e seus procedimentos de construção. Poe acreditava que a narrativa curta era a forma mais apropriada para expressar o talento de um artista e a brevidade um fator essencial para essa boa narrativa, indo contra a teoria tradicional da época que prezava o romance, virando hoje em dia ídolo de escritores que escrevem para a cultura pop. Avant-garde, certo? Sua teoria da unidade de efeito – onde o leitor deve ler a história de uma única vez, assim não se desconcentrando com as interferências externas durante a leitura – ainda é muito discutida e aplicada no meio acadêmico literário e por escritores. A beleza, para o autor, deveria ser peça fundamental do poema enquanto que a verdade a do conto. Seus poemas, por exemplo, são imagéticos, com muita aliteração e comparação, criando uma atmosfera sufocante, onde as palavras parecem nos engolir. Dentro de uma sociedade DIY, procuramos referências para que possamos construir nossa própria arca e nada mais atual do que procurar por aqueles que construíram os primeiros baús, né? Além disso, sua literatura está disponível para adaptação sem necessidade de pagamento de direitos autorais. 😉

Vida trágica

Em uma sociedade onde ainda temos Big Brothers e teorias mirabolantes, Edgar Allan Poe parece ter virado personagem de sua própria construção literária. Sua trágica vida atrai muitos curiosos e especular sobre o que teria acontecido no seu dia a dia é pano certo para construir uma colcha de possibilidades. Quem não curte saber o que o artista poderia ter feito se tivesse mais tempo? O ser humano é atraído por tragédias e pagar para resolver mistérios nunca saiu de moda. O que ele fazia, como vivia, o que será que sentia? – questionamentos que continuam a passar pelas cabeças daqueles que começam a conhecer o autor ou que já destrincharam suas teorias antigas, em busca de novas. Perspectivas sobre uma vida de tragédia rende muitas adaptações e inspira artistas em todo o mundo. Mais atual, impossível.

Qual a melhor adaptação de Poe que a cultura pop produziu? Conta para gente nos comentários. =D


Camiseta literária Os Mistérios de Allan Poe

 

 

Como descobrir se há uma Simone dentro de você

Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você

Quando Simone de Beauvoir escreveu o último volume de O Segundo Sexo, A experiência vivida e a frase icônica “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” ganhou o mundo, ela abriu pano para uma discussão e uma tentativa de consciência sobre o papel da mulher que até hoje luta por espaço. 110 anos depois de seu nascimento, – que acontece em 09 de janeiro – ela ainda inspira mulheres com sua coragem e ousadia. A escritora e filósofa, grande representadora do movimento existencialista, pulsa e está presente em toda mulher que anseia que sua complexidade seja entendida, e acima de tudo, respeitada. Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você? Separamos algumas de suas ideias que prova que sim, você é uma mulher que dribla os pensamentos arcaicos desse mundo que vive tentando oprimir as nossas manas.

Simone de Beavuoir

“Liberdade é compromisso”. thumbs_up

O compromisso da liberdade está em respeitar a si mesmo, em ser fiel à sua substância, mas também em saber respeitar o espaço do outro. Você não luta contra o outro, mas a favor da liberdade de todos. Você deseja tanto a liberdade que ela não está desassociada à liberdade do outro. Uma mulher livre faz com que as outras também sejam livres. Sabe aquela moça que pula na piscina antes de todo mundo? Ela é livre e inspira outra menina a pular também. Ela não liga se está menstruada ou se tem estrias ou se sua gordurinha está aparecendo. Quando ela pula, outras pulam com ela. Por quê? Porque uma mulher livre também liberta as outras.

“Para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto, ela deve portanto, renunciar sua autonomia”. thumbs_Down

Assim como Simone você preza pela sua existência autônoma. Você enfrenta olhares que te julgam quando não segue as normas de boa moça e acredita que toda mulher deve lutar pelo que acredita e preza. Você entra no barzinho sozinha sim e viaja sozinha sim também. Não agrada o outro porque a cartilha diz. Em primeiro lugar está seu Eu que te instiga a ser você mesma. Respeitar o outro não é obrigá-la a algo que não queira.

“A paciência é uma das qualidades femininas que têm como origem a nossa opressão, mas deve ser preservada após a nossa libertação.” thumbs_up

Ser paciente não é abaixar a cabeça e ser omissa, mas uma qualidade associada à persistência. É necessário ser paciente para alcançar sonhos, metas, saber a hora certa de lutar e não desistir e a hora certa de recuar. Ser paciente é ser estrategista. Em um mundo onde  mulheres têm voz, mas muitas vezes não são ouvidas, a paciência é uma artimanha.

Mulher: livre, autônoma e paciente. O que é ser mulher para você? Conta para gente nos comentários.



Hanny Saraiva

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

A estação mais quente do ano chegou e com ela suor, cerveja e praia? Para alguns sim, mas para aqueles de coração literário o verão também é uma época para colocar as leituras em dia, descobrir novos autores e finalmente ler algum clássico. 2018 será um ano de mudanças e que tal começar conhecendo 7 autores brasileiros que, com certeza, você pode te deliciar nesse verão?

1. Ana Paula Maia

Ana Paula Maia

Escritora e roteirista, nascida em Nova Iguaçu. Ex-evangélica, ex-punk rocker. A Folha de São Paulo diz que a autora de Assim na Terra como embaixo da terra “produz literatura violenta dentro de universo masculino”. Suas obras têm ganhado destaque internacional por tratar de ambientes predominantemente masculinos, brutais e com pinceladas distópicas, leitura obrigatória para quem aprecia narrativas com atmosferas ásperas.

2. Vivi Maurey

Viviane Maurei

A autora carioca publicada pela Globo Alt já foi editora da Rocco e hoje se dedica exclusivamente à carreira de escritora. #Fui é seu primeiro romance e conta a história de uma garota que vai fazer uma viagem de intercâmbio e se vê em uma encruzilhada, tendo que decidir entre 3 caminhos diferentes. O grande destaque de Maurey é sua capacidade de nos colocar dentro desse romance contemporâneo de forma leve e divertida, quase uma Bridget Jones brasileira.

3. Julián Fuks

Julián Fuks

Paulista, escritor e crítico literário. O vencedor do Prêmio Jabuti de 2016 não poderia ficar de fora dessa lista. A revista Granta o indicou para entrar em sua edição de “Os melhores jovens escritores brasileiros” e suas obras têm ganhado diversos prêmios. Fuks aborda temas como exílio e memória de maneira sensível e primorosa. Destaque para seus livros A resistência e Histórias de literatura e cegueira.

4. Daniel Galera

Daniel Galera
Escritor e tradutor, com várias adaptações para cinema, teatro e HQs, seu livro Mãos de Cavalo foi presença obrigatória na lista de leituras para o vestibular por 3 anos. Nosso destaque vai para Barba ensopada de sangue, pois se passa em um pequeno balneário de Santa Catarina e resgata temas como construção de identidade, afeto e violência. Ótima leitura para quem ama diálogos ágeis.

5. Vanessa Barbara

Vanessa Barbara

Jornalista, tradutora e escritora, colunista do New York Times e Folha de São Paulo. Também foi selecionada para a coletânea da revista Granta como melhor jovem escritora brasileira. Introvertida e talentosa, a autora de O livro amarelo do terminal e Noites de alface é indicação certa para quem adora livros que prezem pelo senso de humor e ironia.

6. Luisa Geisler

Luisa Geisler

Gaúcha, que aos 19 anos foi vencedora do Prêmio SESC de Literatura  com o livro Contos de Mentira, Geisler é uma autora que caminha entre o doce e o trágico, com uma narrativa ácida e um foco nas relações contemporâneas e no cotidiano. Se você procura uma leitura sobre a dor e a delícia de crescer, por exemplo, indicamos Luzes de emergência se acenderão automaticamente.

7. Carlos Drummond de Andrade

Nossa indicação de clássico para esse verão é o livro Contos Plausíveis, de Carlos Drummond de Andrade. Por que Drummond? Por que esse livro? Contos Plausíveis é leve, breve e mostra como Drummond adorava contar histórias e “inventar causos”. Perfeito para o verão, não? Acreditamos que é uma ótima pedida caso queira ficar deitado na rede, com aquele céu azul sobre sua leitura e um sorriso constante no rosto. Coisa que só um mestre é capaz de nos proporcionar.

Camisetas de carlos Drummond de Andrade


Conhece algum outro autor brasileiro que não está nessa lista? Adoraríamos conhecer! Compartilha com a gente nos comentários.


Hanny Saraiva

O verão dos livros, com livros, para os livros!

O verão dos livros, com livros, para os livros!

É hora de ler, de vestir, de respirar literatura sem moderação. Vamos tirar a gravata, a saia. Vamos respirar o ar da praia e das páginas. Ler na piscina, na areia, na praça enquanto todo o dia passa. Vamos gelar o quarto e se comover com histórias, poemas, crimes sem solução. Dormir bem mais tarde, acordar em hogwarts ou num asteroide com um pequeno príncipe te dando a mão.
…e Quando chamarem nosso nome, quando bater aquela fome ou tiver desejo de abrir o telefone, já sabe: só mais uma página!

Veja algumas ofertas para quem quer estar com os livros, vestido de livros:

Babylook_on_the_road_jack_kerouac T-shirt_refresque-se_Marx_freud Bata_Vida_Importante_Oscar_wilde

 


Quer ver outros produtos? Clique aqui


5 lugares – inspirados na vida de autores – para passar o Ano Novo

5 lugares – inspirados na vida de autores – para passar o Ano Novo

O espaço tem poder sobre a vida do autor? O que tem de mágico nas cidades que inspiram as obras literárias? O que tem de peculiar na cidade de seu escritor favorito? Pensando em como a cidade pode se tornar literária e ser sua fonte de inspiração para começar 2018 com mais entusiasmo, separamos 5 lugares – inspirados na vida de autores – para você pensar em passar o Ano Novo.

1. A região de Nord-du-Québec no Canadá e Margaret Atwood

A autora de O conto da aia (The Handmaid’s tale) e Vulgo Grace tem uma grande admiração pela natureza selvagem e apesar de suas obras mais famosas se passarem em tempos distópicos, a região de Nord-du-Québec tem forte influência sobre sua escrita, pois a autora cresceu visitando a região com o pai. Se você têm fascínio por locais remotos, Nord-du-Québec é a maior e menos populosa região de Québec, no Canadá, com lagos e rios extensos. Nossa dica é conhecer o vilarejo de Kangiqsujuaq, também conhecido como Wakeham Bay, com suas montanhas espetaculares e o Parque Nacional de Pingualuit, ótimo para observar a natureza e a vida selvagem e fazer caminhadas no verão.

Quebec

2. Madri na Espanha e Ernest Hemingway

Desde que viajou a primeira vez em 1932 para Madrid, com o objetivo de estudar as touradas para seu livro O sol também se levanta, o autor de Por que os sinos dobram foi um apaixonado pela cidade. Se você adora bares, cafés e praças, Madrid é sua casa perfeita para virar o ano, que é marcado pelas campanadas, o som dos sinos à meia-noite. A tradição diz que você deve comer uma uva a cada campanada até completar 12 uvas. Indicamos visitar a Plaza de Los Toros de Las Ventas, o lar da tourada e fonte de inspiração do autor e tomar uma bebida em Botín, o restaurante mais antigo do mundo e o preferido de Hemingway. É claro, tudo isso com sua camiseta poética.

3. Ilhéus na Bahia e Jorge Amado

Comida, fartura, cheiros. Se você ama uma mistura de sabores e festa com muita gente e sorrisos, vai amar a Bahia – que parece estar em uma eterna domingueira. Mística, colorida, alegre, e misteriosa, a região é perfeita para quem curte badalação ou gostaria de se reconectar com sua fé – seja para agradecer por 2017 ou pedir proteção para 2018. A terra preferida do autor de Tieta do Agreste é sempre uma volta às raízes nacionais e um ponto perfeito para repetir a clássica frase “As melhores coisas da vida não são coisas”. Parada obrigatória indicada: Casa Cultura Jorge Amado.

As melhores coisas da vida

4. Tóquio no Japão e Murakami

Apesar de Haruki Murakami ter vivido muitos anos fora do Japão, suas obras são ambientadas dentro do Japão, mergulhadas em uma cultura pop, com referências ocidentais. Essa mistura faz com que jovens japoneses globalizados sejam apaixonados por suas obras – e nós do outro lado do mundo também. 1Q84, por exemplo, foi capaz de reunir um grupo de fãs do autor para assistirem juntos, com porta-retratos e livros, a transmissão ao vivo da escolha do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Apesar de Murakami não ter ganhado o prêmio na época, o local se transformou em ponto de encontro para leitores do autor. Em busca da atmosfera dos livros de Murakami? Tóquio é seu destino. Não esqueça de passar no café Rokujigen, em Shinjuku, para sentir aquele clima de jazz e literatura. Não se espante se todo mundo estiver por lá com um livro aberto – do Murakami, lógico – e uma bebidinha ao lado.

P.S.: Qual caneca levar ao Japão?  http://www.poemese.com/pequenices/canecas

Livros

5. Lapa, Rio de Janeiro e Noel Rosa

Noel Rosa se apaixonou na Lapa, coração cultural do Rio de Janeiro. Sua vida amorosa cruza com a história da região e através da boemia e da dor do amor, seus sambas atravessaram gerações. Teste: quando seu coração bate no pulmão, ele lembra a batida do pandeiro? Sim? Então você tem que ir para a Lapa abraçar 2018. Berço de quem ama bares e aquele estado de leve insensatez, o bairro é o local perfeito para você esperar o novo ano. Paradas obrigatórias: Baródromo e Cabaré do Malandro.

Noel Rosa Poesia do Samba


Já passou o Ano Novo em alguma cidade inspiradora? Conta para gente como foi! =)


Hanny Saraiva

Promessas de fim de ano dos escritores(as)

Promessas de fim de ano dos escritores(as)

A chegada de um novo ano sempre vem repleta de promessas. Dieta, ler não sei quantos livros por ano, fazer aquela viagem e por aí vai.
Veja o que Simome de Beauvoir, Machado de Assis e outros (as) poetas prometem para o ano que vem.
E você? O que anda prometendo para 2018?


E você qual sua promessa ou desejo de final de ano? Deixe nos comentários.


 

12 sinais de que você ama Natal e não sabia disso

Seu Instagram já tem alguma coisa de Natal? Já pesquisou receitas de cheesecake? Não liga para quem diz que odeia a data 25 de dezembro e tem sempre uma boa história de fim de ano? Estamos aqui para te mostrar 12 sinais de que você ama Natal e nem tinha percebido isso.

1. Você compra objetos com temática de Natal porque acha fofo e bonitinho.

gif de bonequinhos de lego natalinos

Eles te trazem uma sensação de conforto e bem-estar.

2. Você adora ver filmes de Natal.

Todo ano você vê – no mínimo – um filme novo e repete um antigo.

3. Você acorda na manhã do dia 25 querendo um presente.

Toda manhã de Natal você tem aquela sensação de lembrar como é checar seu sapato/meia e encontrar um presente quando criança. No seu íntimo, você ainda espera por isso.

4. Você já enviou um emoji de Natal para alguém esse mês.

E aquela sensação de dever cumprido se instalou em seu coração. Algumas vezes você disfarça dizendo que estava bêbado.

5. Seu animal de estimação tem uma roupa ou adereço para o Natal.

Cachorro com gorrinho de natal

E você acredita que ele fica muito mais bonito do que o do vizinho.

6. Você prepara um monte de comida para o Natal.

Homem dorando pernil de natal

E se orgulha disso.

7. Você canta uma vez por ano “Já é Natal na Leader Magazine” para alguém.

Ou qualquer outra música repetitiva que tenha a palavra Natal e nem se sente tiozão por isso.

8. Você adoraria que nevasse no Natal.

Cachorro_pulando_na_neve_com_roupa_de_natal

E conhece monte de gente – e animais – que também ficaria muito feliz com isso.

9. Você já propôs um Natal hipster e alguém achou a ideia sensacional.

Todo ano essa pessoa te relembra que isso realmente poderia acontecer.

10. Você participa de todo amigo secreto.

Árvore de natal com pisca picas

Seja o da família, dos amigos, do trabalho, da escola, da vizinhança. Você está presente em todos e é um expert em embrulhos e o que cada um gosta de ganhar.

11. Ver luzes de Natal faz seu coração bater mais forte e seus olhos brilham.

Luzes de natal

Você diz que é reflexo do pisca-pisca, mas é sua alma natalina florescendo!

12. Você adora dar presentes.

E sabe exatamente o que cada um gostaria de receber. Desde pequenices a kits completos, não importa o valor, presentear é uma demonstração de afeto, um carinho na alma, como o que separamos para vocês em >> http://www.poemese.com/lancamentos

 


Você é realmente um apaixonado pelo Natal ou conheça alguém que seja? Compartilha com a gente! ˆˆ


Hanny Saraiva

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Difícil foi cada um da nossa equipe escolher seu poema preferido. São tantos textos geniais que é uma tarefa quase impossível escolher um poema apenas. Dessa forma, o que temos aqui são 10 poemas fundamentais para os colaboradores da Poeme-se.  Isso deixa margem, de propósito, para que você agregue o seu poema favorito nos comentários (ou os seus..rs)

1 – O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.
-O livro sobre nada, Manoel de Barros.

2- Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.
Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.
E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.
Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.
Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.
-Memórias Inventadas, As infâncias de Manoel de Barros.

3- O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
-do livro “Exercícios de ser criança”, de Manoel de Barros, publicado em 1999.

4- O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
-Memórias Inventadas – As Infâncias de de Manoel de Barros – Manoel de Barros – Editora Planeta, 2008, p.45.

5- Obrar

Naquele outono, de tarde, ao pé da roseira de minha
avó, eu obrei.
Minha avó não ralhou nem.
Obrar não era construir casa ou fazer obra de arte.
Esse verbo tinha um dom diferente.
Obrar seria o mesmo que cacarar.
Sei que o verbo cacarar se aplica mais a passarinhos
Os passarinhos cacaram nas folhas nos postes nas pedras do rio
nas casas.
Eú só obrei no pé da roseira da minha avó.
Mas ela não ralhou nem.
Ela disse que as roseiras estavam carecendo de esterco orgânico.
E que as obras trazem força e beleza às flores.
Por isso, para ajudar, andei a fazer obra nos canteiros da horta.
Eu só queria dar força às beterrabas e aos tomates.
A vó então quis aproveitar o feito para ensinar que o cago não é uma
coisa desprezível.
Eu tinha vontade de rir porque a vó contrariava os
ensinos do pai.
Minha avó, ela era transgressora.
No propósito ela me disse que até as mariposas gostavam
de roçar nas obras verdes.
Entendi que obras verdes seriam aquelas feitas no dia.
Daí que também a vó me ensinou a não desprezar as coisas
desprezíveis
E nem os seres desprezados.
-Memórias Inventadas – As Infâncias de de Manoel de Barros – Manoel de Barros – Editora Planeta, 2008, p.45.

6- Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogio
― Manoel de Barros, Tratado Geral Das Grandezas Do Ínfimo

7-O fotógrafo

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na
pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.
Representou para mim que ela andava na aldeia de
braços com Maiakowski – seu criador.
Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.
– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

8- Do livro Arranjos para assobio

VI.

Há quem receite a palavra ao ponto de osso, de oco; ao ponto de
ninguém e de nuvem.
Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na sarjeta.
Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro, envergá-las pro chão,
corrompê-las
até que padeçam de mim e me sujem de branco,
Sonho exercer com elas o ofício de criado:
usá-las como quem usa brincos.
– livro Arranjos para assobio, Manoel de Barros.

9-Borboletas

Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza, 
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de 
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.
– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”, Rio de Janeiro: Record, 2000.

10-Um songo

Aquele homem falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.
– Manoel de Barros, em “A biblioteca de Manoel de Barros”. São Paulo: Editora Leya, 2013.