A poesia ativa o sétimo sentido: Leitura Multi-sensorial


“Cara, parece aquelas escrituras antigas… uma outra língua, sei lá”


Fiz um vídeo para explicar o processo de composição desse zine que gosto muito e que fiz há dois anos e distribuí por onde passei e para quem comprava o “Pacotão Poético” que reunia o livro Paiol-Ninho e outros livretos e zines meus. A intenção era fazer com que as poesias se modificassem e fossem se formando em outras a partir das dobras que o leitor fizesse no papel e para isso tive que compô-las no momento da criação do zine, tornando-o então, parte da própria poesia e estrutura.

Geralmente, na leitura de um zine, carta, livro, literatura num geral, dizemos que somente o sentido da visão é explorado, assim como somente a competência da leitura, digamos, tradicional, aquela que usamos para interpretar os sinais gráficos e a união dos mesmos para formar palavras, frases, textos e etc, porém não há como ler um rótulo de desinfetante e uma poesia igualmente. Um envolve a informação somente, outro envolve, além da informação, se for o caso, também a interpretação, o estado emocional, sentimentos. Para isso nossos sentidos são ativados além do que achamos. na maioria das vezes um leitor quer “entender” o que o autor quis dizer naqueles versos, pior erro de um leitor, a menos que seja um aspirante à vidência.
Se um poema já é lido de forma diferente de um rótulo por envolver além do sentido da visão, também tato, audição, olfato e paladar, um poema concreto, ou que envolva uma estruturação não convencional quando pensamos num poema, ou seja, versos lineares e estrofes, também é lido de forma diferente de um soneto, por exemplo, que é formado de dois quartetos e dois tercetos e rimas. Tudo oferece um gosto, um jeito, um elemento diferenciado para que a experiência seja diversa e é a própria experiência que marcará o leitor, pro bem ou pro mal, porém marcará. Vamos à leitura do zine:

 

A imagem de cima é a parte de trás do zine e a imagem da parte de baixo é a frente. a palavra “Meditar” faz parte da parte interna, mas cumpre seu papel também na poesia da frente que é:

“não é que eu demore pra falar

eu só espero

o coração meditar”


Agora vamos visualizar o interior do zine:

Eis esse emaranhado de letras grandes e pequenas, de formatos variados, onde se lê algumas palavras, mas nenhuma tem conexão com a outra e não têm coerência se postas num mesmo verso e, em tempo, não digo com isso que poesia tenha que ter coerência, mas acredito que me fiz entender. Agora vamos ver as dobraduras que formam as poesias presentes nesta folha:

lado esquerdo:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/PASSOS/QUE/NÃO/MEDI

Lado direito:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/DE ME CITAR

Agora o lado esquerdo desdobrado totalmente:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/JATOS/DE/REBELDIA/NA SUA/POESIA

Lado direito totalmente desdobrado:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/MAIS/DE/CLAMAR/DIA/E NOITE/ESSE AÇOITE.

Todas as partes reveladas, espero que a experiência seja provocadora e que desperte uma leitura multisensorial em quem tem posse do zine. Vou deixar o vídeo que fiz falando do processo de criação e espero que gostem da proposta de diversificar nas possibilidades que a tecnologia nos oferece e introduzir estes recursos aqui na coluna. No entanto não esqueçamos que a criatividade é nossa maior tecnologia, somos sofisticados a ponto de nem queremos sê-lo. Quem quiser o zine, pode entrar em contato comigo por aqui, ou pela minha páginafacebook.com/poetaguarnier. Que a arte seja provocadora e instigante sempre. Grande abraço!

Guarnier

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