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Poeme-se na LER – o festival do leitor

Poeme-se na LER – o festival do leitor

O que você pode encontrar quando visita a Biblioteca Parque é um ambiente descontraído e cheio de gente que aprecia livros. É um festival de livro, como ser diferente? Mas o que me chama mais atenção nessa edição é a quantidade de público produzindo na hora, criando no momento. LER é sim um festival do leitor. Não é um festival para um público passivo, mas uma oportunidade de levantar sua voz, falar sobre o que sente, recitar poesia, balançar a estrutura que separa artista de público, é sim um trabalho sobre semear e compartilhar. Ainda em dúvida se deve ou não ir? Checa só algumas coisinhas que você vai encontrar por lá ­– além dos livros, dos estandes das editoras, dos autores de quadrinhos, as camisetas lindas da Poeme-se, as palestras:

Banner em pé comprido escrito "Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro" Henri Toreau e mais abaixo uma bola amarela escrito "Ler, o festival do livro"

Citações de escritores para te inspirar.

Palco com pessoas recitando poesias e atrás um banner escrito "Sarau"

Um espaço de sarau para música e poesia. Cheque a programação aqui.

Um espaço para pensar sobre os leitores do futuro.

Um espaço para declamar poesia, com microfone aberto para quem quiser experimentar, como fez a poeta Geise Gomes do Coletivo Fulanas de Tal.

Um local para doar aquele livro que está parado em sua estante e que poderia fazer outra pessoa feliz!

Um local para escrever sobre a arte da escrita.

Um local para conhecer todas as coisas fofas da Poeme-se e levar um mimo para seu bookholic preferido.

Um espaço para deixar a timidez de lado.

Brilhar no palco com suas poesias.

E levar um poema para viagem.

 

PLUS bacanudo: é de GRAÇA! Pra família, pros amigos, pros crushs e pra todo mundo que ama literatura!


Depois conta pra gente nos comentários o que achou de mais legal por lá.


Hanny Saraiva

9 coisas que só filho com uma mãe bookaholic entende

9 coisas que só filho com uma mãe bookaholic entende

Se sua mãe cheira livro novo como se fosse perfume Chanel nº 5, é rata de sebo e vive comprando aquele ebook baratinho da Amazon porque ainda não chegou a tradução no Brasil, você sabe o que é ter uma mãe viciada em livros. Não importa o formato, ela está sempre com uma história pendurada debaixo do braço e sempre tem uma citação literária na ponta da língua. Ela é peculiar? Separamos 9 coisas que só filho com mãe bookaholic entende.

1. Seu sonho é fugir com uma biblioteca móvel

E vive dizendo que a vida é muita curta para tanto livro.

2. Nos conquista desde pequenos com histórias imperdíveis

E até hoje você derrama uma lágrima quando lembra de seu livro preferido.

3. Fica furiosa quando a gente diz que o filme é bom

A máxima “O livro é melhor” é lei em seu reino.

4. Todos os seus amigos já ganharam um livro dela

E ela se orgulha disso.

5. Se irrita facilmente com aquele teu primo que vive com mão suja de salgadinho

Porque livro sagrado é livro limpo.

6. Te faz um viciado

Às vezes você tem certeza que essa compulsão é hereditária.

7. Adora compartilhar coisa de gato com livro

Por que 90% das mães que amam livros também amam gatos? 🤔

8. Faz tudo com um livro na mão

Desde caminhar lendo um livro até coisas mais inusitadas que você nunca ousou tentar.

9. Afinal, sempre estão certas!

E sempre tem um livro para provar isso.

Knows Best Mom GIF by 505 Games - Find & Share on GIPHY


Você gostaria de vê-la sorrindo? Repete com a gente: “Você não pode comprar felicidade, mas pode comprar livros que é quase a mesma coisa.”


Hanny Saraiva

 

 

Que camiseta literária sua mãe seria?

Mãe é tudo: que camiseta literária sua mãe seria?

Ela te dá o primeiro livro, te conta a primeira história, te leva na primeira livraria. Você tem noção do que uma mãe literária faria por você? Ela sabe a importância de ficar em uma fila gigante esperando o autógrafo do seu escritor preferido, compreende a saga de uma trilogia, a ansiedade pela tradução daquele livro que não chega logo. Mãe é tudo! Pensando na personalidade de sua matriarca, separamos alguns presentes literários especiais para comemorar o dia de sua guerreira e perguntamos: que camiseta literária sua mãe seria?

Frida Kahlo

Singular. Intensa. Revolucionária. Perfeita para uma mãe à frente do tempo, que vê beleza em meio a tragédia e tem a alma como a artista das cores.

frida

Anaïs Nin

Livre. Desbravadora. Amorosa. Se sua mãe tem um jeito meio “Ajusto-me a mim, não ao mundo”, vai amar essa camiseta literária.

anais nin

Pasárgada

Sonhadora. Poética. Inspiradora. Se sua mãe adora tomar banho de mar, escutar histórias do cotidiano e andar de bicicleta, o paraíso de Manuel Bandeira é ideal para sua mommy.

 

Passargada

Amem-se

Pulsante. Visual. Intuitiva. Sua mãe tem um quê de bruxa e vive desconstruindo essa sociedade machista? Indicamos esse verso-oração: “Em nome da mãe, das filhas e de todas as bruxas, amem-se.”

Camiseta Amem-se

Carla Neto

Sensível. Forte. Intimista. Para aquela mãe aguda e ao mesmo tempo doce, como se estivesse sempre a recitar uma estrofe em plena segunda-feira. “É ser eu mesma bruta como rocha frágil como flor.”

Camiseta Carla Neto

Selfie Poética

Conectada. Tecnológica. Engajada. Sua mãe consegue amar os clássicos e ao mesmo estar plugada em toda novidade das redes sociais? Com certeza ela vai compartilhar e dizer o que Drummond faria se tivesse um smartphone.

Mãe tecnológica - camiseta selfie poética

 


Rainha. Deusa. Feiticeira. Que palavra e camiseta definiria sua mamusca? Conta pra gente nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Nosso destaque do mês fica por conta da parceria com a Publishnews que deu origem a uma coleção de 7 camisetas para brindar quem vive o mundo da literatura. Conheça nossa coleção aqui >>> PublishNews & Poeme-se
Buscando apresentar a dinâmica desse mundo literário, entrevistamos a colunista Camila Cabete, essa moça antenada e plugada que se destaca no mundo digital e editorial. Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo e colunista da PublishNews, ela vive pertinho do mar com dois gatos pretos, Lilica e Bilbo, e está sempre super conectada com as tendências do mundo do livro.

1.Você poderia falar um pouco sobre sua trajetória no mercado editorial? O que você acha que melhorou e que deveria melhorar mais nesse mundo de livros?

Minha trajetória não é nova, afinal tenho 39 aninhos, né? Comecei a trabalhar no mercado de livros como revisora, sou formada em História. Dava aulas e amava, mas enchia o saco de um amigo meu, que trabalhava em editora, pra me mandar revisão. Queria muito trabalhar na área. Quando teve oportunidade, ele me indicou para uma editora, como assistente e comecei minha vida no meio de livros técnicos. Em 2009 surgiu o livro digital como pauta no mundo, fiquei fissurada no assunto e acabei sendo uma das primeiras editoras no Brasil a trabalhar com isso. Juntei meu hobby, que era tecnologia, com minha profissão e ofício. Daí fui convidada a entrar numa empresa 100% digital, que era livraria e distribuidora… Desde 2010 sou profissional do livro digital. Em 2012 entrei na Kobo, e é onde estou desde então.

2.Sendo uma das pioneiras do livro digital no Brasil, como foi adentrar nesse universo sendo mulher? Houve alguma peculiaridade?

Ser mulher é sempre uma questão. No meio do mundo digital também. Minha entrada na tecnologia foi muito tranquila, pois comecei numa startup, com muitos homens na parte robótica da coisa. Fiz grandes amigos, mas derrubei muitas barreiras também. Começando pelo salário, depois na convivência e por aí vai. Nas editoras vemos a maioria de mulheres na produção, mas na gerência e direção somente homens. E esta é realidade até hoje. Ainda sinto um desafio grande ao ter que lidar com alguns donos de editoras, que na negociação ainda não se acostumaram a falar com uma mulher. Muitos acham que não tenho autoridade bastante para isso. Vou te falar: ser mulher ainda será uma questão por muitos anos. Mas sigo feliz.

3.Você precisou brigar para conquistar espaços? Que situação você passou que gostaria que ninguém passasse?

Briguei sim. Quando você se destaca de alguma forma, você incomoda, perde amigos, sofre bullying… Na editora que trabalhei chegaram a me gravar trabalhando para mostrar ao meu chefe como eu ficava o tempo todo no computador… Hahahaha… juro! Sendo que meu trabalho era controlar projetos de livros… logo… Enfim, muita coisa ruim. Ouvia que tinha sido promovida porque dava pro chefe também, mas isso é um clássico, nem causa mais espanto. Me nego a deixar outras mulheres passarem o mesmo que eu. Sou sempre ativa nestas coisas e me coloco de forma bem clara em relação ao feminismo. É uma questão de sobrevivência o empoderamento das outras mulheres, no meu ponto de vista.

4.Você tem quinze anos de estrada no mercado editorial, né? Qual sua opinião sobre políticas públicas e leitura? Quais seriam as políticas públicas ideais para construirmos um país de mais leitores?

Tenho muito tempo de mercado, mas zero de experiências em políticas públicas, PNLD etc. Acho surreal uma empresa privada sobreviver de uma compra anual governamental. Acho que não é sustentável e não vai muito longe este modelo. Sobre incentivo a leitura na educação, acho tudo errado, ultrapassado e burocrático demais para ver luz no fim do túnel. Nossas políticas não acompanham as inovações tecnológicas, o que nos deixa de pés e mãos atados. Estou numa fase meio anárquica, e ando acreditando nas pequenas revoluções diárias e pessoais. Não vejo qualquer iniciativa que me deixe otimista quanto ao futuro da leitura no Brasil.

5.Temos visto um movimento de bibliotecas comunitárias integradas e articuladas no Brasil, como A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, que ações – que não dependam do governo – podem ser pensadas para que mais pessoas possam ter acesso a livros digitais?

É muito louco saber que a quantidade de smartphone por pessoa no Brasil é uma das maiores do mundo. Quando percebermos que dentro do smartphone temos livrarias 24 horas, todos os dias da semana abertas; e trabalharmos curadoria, com educadores e membros das próprias comunidades, aí sim, faremos algo grandioso. Falo de coisas que custariam muito menos e alcançariam muito mais. Mas infelizmente, no Brasil, algo que custa menos não agrada nem atrai o interesse de governantes.

6.Como é o dia a dia de uma Publisher Relations manager?

Cuido do conteúdo da Kobo junto ao mercado brasileiro. Trabalho de casa, de Camboinhas, uma região há 40 minutos do Rio. Tenho uma baita conexão com a internet e vários backups, caso algo dê errado. Cuido do relacionamento com as editoras, dos pagamentos junto ao nosso financeiro. De operações com nosso operacional… todo o meu apoio e suporte fica em Toronto. Tudo o que as editoras do Brasil precisam, eu intermedio e cuido. Faço videochamadas com nossa equipe, que está situada em mais de 5 países, para sabermos o que se passa no mundo do livros, em todos os territórios. Viajo muito a SP, onde me reúno também com nossa parceira, Livraria Cultura. Cuido também de uma parte da divulgação e redes sociais, além de nossa plataforma KWL para autopublicação. Uma vida calma e agitada digitalmente. Acaba que tenho uma rotina como todo mundo: hora pra acordar, almoçar e fechar o laptop. Só que da minha casa, com meus gatos <3

7.Como o livro digital poderia ajudar profissionais do livro como tradutores e revisores?

Se os editores editassem mais coisas voltadas para o digital, talvez pudessem investir mais no processo de edição e se preocupar menos com a distribuição, impressão etc. Nesse caso, os serviços editoriais seriam o fundamental da empresa.

8.Além de trabalhar na Kobo, você é colunista da PublishNews, você acredita que colunistas podem fazer diferença no mundo literário? Houve alguma situação que te deixou com o olho brilhando por lá?

Ser colunista da Publishnews é uma das coisas que mais me orgulho em minha carreira. Foi lá que pude ter meu trabalho reconhecido. Que pude falar e reclamar das coisas que não faziam/fazem sentido no mercado. Tenho um carinho enorme e sigo como colunista até que eles não me queiram mais. Tudo nesta empresa me faz os olhos brilharem: a liberdade que temos para escrever é raridade no mundo.

9.Nós, da Poeme-se, acreditamos no movimento “mais mulheres na literatura”. Como uma apaixonada por literatura, o que você recomendaria para os leitores e leitoras de nosso blog? Qual autora você acredita que deveria ganhar mais destaque no mercado editorial atual?

Eu também acredito nisso e tenho lido mais mulheres desde então. Descobri ano passado Elena Ferrante com a tetralogia Napolitana. Surtei de tão bom que achei. No Brasil amo as obras da Aline Valek que escreve ficção científica e Socorro Acioli que escreve realidade fantástica <3

10.Se você pudesse sentar um dia com um autor/autora (de qualquer época e lugar) e tomar um café, quem você escolheria? Por quê?

Clarice Lispector, sem dúvida. Ela é a mulher que eu adoraria conhecer e ouvir. Principalmente sobre a visão de mundo que ela tinha. As obras dela marcaram muito a minha vida. A cada vez que releio algo, é outra forma de entender o que ela dizia… é louco e lindo.

 


Camila é uma das moças que acredita que representatividade importa sim: por mais mulheres na literatura! E você, conhece alguma mulher porreta que está desbravando os mares da literatura? Conta pra gente nos comentários.


 

Hanny Saraiva

Ressaca literária – Seu livro preferido terminou?

O que fazer quando o seu livro preferido termina?

Ressaca Literária: “quando o leitor tem vontade de ler determinado livro, mas não consegue entrar na história. Ou seja, o leitor fica preso em uma cápsula invisível sendo impedido de ler o livro.” – definição do blog Desencaixados. Já passou por isso? Hoje vamos falar sobre um tipo de ressaca específica, aquela provocada pelo término de uma leitura sensacional, que mudou sua vida, que te fez colocar o título X na lista de livros preferidos. Estamos tocando no delicado assunto: “O que fazer quando o seu livro preferido termina?”
Primeiramente, você grita: Fora Temer e toma uma cerveja. Sabe aquele conselho que para curar uma ressaca você precisa tomar outra cerveja? Isso serve para os apreciadores de cevada, mas e para aqueles que estão com ressaca literária?
Você não vai conseguir mais ler, apesar de querer muito, muito. Por quê? Porque você está impregnado do mundo ficcional anterior. Como uma droga, uma paixão arrebatadora, um “ele podia voltar pra mim”.

Participar de competições

Aposte com seu amigo quem vai ler primeiro o livro tal (de preferência algum de seu outro autor preferido). Aposte dinheiro, sorvete, alguma coisa palpável. Neste momento de corte de elos, é necessário algo que vale a pena lutar.

Começar a frequentar um clube do livro

Virtual ou presencial. Se reunir para falar bem ou mal de um livro pode te ajudar a esquecer seu ex. Saia para beber uma taça de vinho ou suco com seus companheiros de leitura e faça perguntas sobre o futuro date, ops, livro.

Visitar uma livraria nova – ou uma que você não conheça

Explore a livraria, toque em títulos, leia a primeira página, mas não compre nada. Converse com livreiros, faça anotações, circule pelo ambiente. Assista uma palestra de algum escritor nessa livraria, participe de algum lançamento, mas não compre nada. Apenas saboreie o contato com os livros e as capas. Tenho certeza que ao fim de quinze dias você estará com muita vontade de ler.

Curtir sua bad literária

Quem disse que é regra geral fugir da bad de términos? Chore. Chore muito. Veja filmes inspirados no livro, crie playlists sobre o filme, ouça playlists, viva o luto. Sofra até sua dor ao máximo – não recomendo mais de uma semana porque aí pode gerar um sistema de tristeza profunda e afastamento de amigos. Vale até comprar produtos que te lembrem da narrativa, mas não se tatue. Calma, tatuagem é uma parada séria, tipo amor eterno. Espere seis meses para ter certeza se era paixão ou amor mesmo. Tatue só por amor.

Escutar um audiobook

Quem disse que livro é só papel está com a cabeça fechada demais para esse século que estamos vivenciando facilidades tecnológicas e interessantes formas de captar e experimentar narrativas ficcionais. Ouvir uma história pode sim curar sua ressaca porque te transporta para um novo ambiente, te fazendo se distanciar de sua antiga paixão, aka, ressaca. Uma outra opção é explorar o mundo de podcasts literários.

Dica: dá uma espiada na Ubook.

Ler o livro novamente

Que mal tem saber de cor algumas frases e prestar atenção a outros detalhes e começar um novo clube de fãs aficionados pelo título? Das duas uma: ou você realmente vai amar ou vai conseguir começar a ver alguns defeitinhos que fará com que seu coração se acalme e dê espaço para um novo amor.

Escrever

Talvez você necessite colocar para fora toda sua necessidade de estar conectado ao mundo que te apaixonou. Escreva uma fanfic. Escreva uma resenha. Escreva duas resenhas. Escreva um conto baseado em um dos personagens. Escreva para o autor. Crie hashtags para o livro. Escreva uma carta para um amigo falando sobre o livro.


Como você se sentiu quando terminou de ler aquele último livro maravilhoso que você não queria que terminasse? Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

Augusto dos Anjos é considerado um poeta maldito brasileiro e até hoje ainda se ouve por aí “Escarra nessa boca que te beija” como uma forma de chocar em verso. Encontramos em sua poesia o gosto pelo bizarro e pelo inusitado e é essa atmosfera grotesca que inspira vários artistas ainda hoje. Separamos 5 imagens para entender a potência de Augusto e como seu pequeno legado ainda continua influenciando gerações.

1. Em tirinhas

Augusto & eu são tirinhas de Val Fonseca, inspiradas na vida e nos personagens de Augusto, tendo a Morte como companheira, explorando as leituras do EU. Curiosidade: você sabia que o único livro do poeta “Eu” (1912) foi patrocinado por seu irmão? Uma autopublicação no começo do século passado. Avant-garde, não?

2. Em ilustração

Sua vida também inspira artistas como no traçado de Izaac Brito para o livro “Eu, Augusto dos Anjos – reedição 2014. A atmosfera de seus versos sombrios e agressivos, com um vocabulário pouco comum, é considerada inovadora e até hoje assusta leitores. Como dizia Silveira Bueno (1898-1989) “trata-se, sem dúvida, de uma poesia de monstros, mas também de uma poesia monstruosa.”

3. Em artes plásticas

Os poemas de Augusto dos Anjos também inspiram obras, como essa feita em nanquim sobre papel, de Flávio Tavares para o poema “Versos a um Coveiro I”.

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco… Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais:

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!

 

4. Em centro cultural

O Memorial Augusto dos Anjos é um espaço cultural inspirado na arte e vida do poeta. A casa que abriga o centro cultural fez parte de sua infância e é um patrimônio histórico do município de Sapé (Paraíba) que apresenta diversas atividades com intuito de preservar a memória do poeta.

5. Em camiseta poética

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Poeme-se não poderia deixar de fora o encantamento nuvioso de Augusto e já dedicou três artes à obra inspiradora do poeta. Qual sua preferida? Possui alguma sugestão de frase do autor que gostaria de vestir? Conta pra gente nos comentários.


Hanny Saraiva

 

 

 

 

 

 

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

Já dizia aquele ditado popular “Quem canta, seus males espanta”. As manifestações musicais muitas vezes nos remetem àquelas memórias de infância de dia de domingo ou a eventos cheios de saudade que revivemos com aquele sorriso largo e que parecem se descortinar com cheiros e aromas à nossa frente. Quem nunca disse “Isso me lembra aquela música” e cantarola?

Como abril é o mês de Monteiro Lobato na Poeme-se, separamos cinco canções inspiradas na obra do autor para você reacender sua chama passada e sair cantando pelo dia. Ou quem sabe mostrar para seu pimpolho preferido e sair cantando com ele?  =D

1. Monteiro Lobato, Meire Pavão

A popularidade dessa música foi tanta que passou a ser prefixo do programa Sítio Do Pica-Pau Amarelo. Homenagem a Monteiro Lobato e seus personagens, foi gravada em 1968. Alegre e bonitinha, é uma ótima entrada para aqueles que não conhecem os personagens da obra de Monteiro.

2.Tristeza do jeca, Paula Fernandes, Renato Teixeira e Sérgio Reis

Monteiro Lobato, também criador do personagem Jeca Tatu, inspirou o hit de 1918, escrito por Angelino de Oliveira, considerado o maior clássico da música sertaneja brasileira.

3. Emília (a boneca gente), Baby do Brasil

Emília, a personagem mais famosa de Monteiro Lobato, foi sucesso nos anos 80 na voz de Baby do Brasil, parte integrante do álbum Pirlimpimpim (1982), um especial exibido em comemoração aos 100 anos de Monteiro. Clássico para quem viveu nos anos 80.

4.Sem medo de assombração, Ney Matogrosso

Parte da segunda versão televisiva de Sítio de Pica Pau Amarelo, Ney Matogrosso em 2005 criou uma variante mais nebulosa, porém tipicamente brasileira, com elementos extravagantes e sombrios.

5.O mundo encantado de Monteiro Lobato, Elza Soares

O samba-enredo de 1967 da campeã Mangueira fez muito sucesso, sendo Elza Soares a primeira mulher a puxar um samba-enredo na avenida. É “Sublime relicário de criança/Que ainda guardo como herança/No meu coração”.


Saudades dessas reinações? Quem você mais ama no mundo de Lobato? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Entrevista #2: Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Uma época de cadernos de anotações e poesias. O gosto pela escrita surgiu dessa época, mas foi só com os blogs que Rebeca Cavalcanti começou a considerar a escrita sobre literatura uma interface para compartilhar opiniões, criar debates e estabelecer uma rede de contatos entre autores, leitores e blogueiros com motivações literárias afins.
A diagramadora, designer e fundadora do blog Papel Papel nos mostrou como a literatura está presente além dos livros e como a voz subjetiva das redes sociais literárias se espalha e se consolida.

– Qual o segredo para o Papel Papel ter tantos seguidores?

Em 2018, o Blog Papel Papel comemora três anos e acredito que nosso crescimento tenha se dado principalmente por conta das relações de amizade construídas através da página. Afinal, se não fosse o apoio e parceria de inúmeros autores e blogueiros, dificilmente conseguiríamos resistir a esse período inicial onde tateávamos formatos de postagem, conteúdo e demais estratégias de participação nas redes.
Hoje, o Papel Papel é formado por cinco colunistas (Regiane Medeiros, Mich Fraga, Jonatas Tosta, Bruno Fraga e eu) e conta com a publicação de resenhas de diversos parceiros literários. Nossa maior atuação hoje tem sido no Instagram, por ser uma plataforma ágil e que atende nossa dinâmica de postagens. O formato Blog permanece e temos sim interesse em realizar um calendário ainda maior de posts. No entanto, como esta atividade literária permanece paralela à rotina diária de trabalho e estudo de nossos integrantes, ainda não dispomos de tempo nem parcerias remuneradas para uma dedicação total ao projeto Papel Papel. Mas temos a esperança de que com o tempo esta vontade se concretize.

– Qual blog literário você indicaria para os leitores da Poeme-se?

Gosto muito do trabalho da Rafaela, do Undone Thoughts, pelo diferencial de compartilhar indicações de livros ainda não traduzidos no Brasil. A Maria, do Impressões de Maria também é uma das blogueiras que admiro, e o diferencial de seu trabalho é o foco na divulgação de autores nacionais e, principalmente, Literatura Negra. Para leitores mais jovens, ou jovens de todas as idades que tenham interesse por uma escrita mais intimista, em tom de diário, recomendo o trabalho da Luana, do Memorialices. Além de reflexões cotidianas, a Lu também compartilha resenhas, especialmente de títulos de Literatura Fantástica. Aos leitores mais acadêmicos, recomendo a Revista 7faces, editada pelos críticos Cesar Kiraly e Pedro Fernandes.

– Qual foi a mensagem mais inusitada que o Papel Papel já recebeu?

No inbox do Instagram acontece bastante, principalmente em caps lock, zero pontuação e direto ao ponto: “OI SOU AUTOR FAZ RESENHA TE DIVULGO NO FACE ABÇ”. Não sei nem o que comentar…

– Por que blogs podem fazer a diferença no mundo literário?  

Costumo dizer que o papel de um blog (bom, pelo menos o nosso papel, em nossa concepção de blog) é o de se apresentar como uma conversa entre amigos. Daí nossa decisão por uma escrita mais informal (e que nos difere de inúmeras páginas “especializadas”, acadêmicas) e que possibilite uma maior proximidade entre o leitor e o articulista. Afinal, acreditamos que a experiência da leitura e o incentivo à interpretação e à escrita devam ser os principais objetivos de plataformas como a nossa, e é por este caminho que pretendemos seguir no Papel Papel.

– Como foi a experiência do Papel Papel em participar do clube do livro Da Vinci? Vocês pensam em montar algum outro clube do livro?

O Clube do Livro em parceria com a Da Vinci surgiu de forma experimental e independente, sem vínculos específicos com editoras e demais apoiadores. Por ter sido uma primeira iniciativa (tanto por parte da Livraria como nossa, enquanto mediadores de eventos literários), os encontros foram uma espécie de laboratório para novos projetos. No caso, este formato Clube do Livro teve a duração de um semestre, em 2017, mas a Livraria mantém até hoje um calendário bem diversificado de atividades (palestras, lançamentos, cursos) que vale a pena conhecer. Em relação ao nosso grupo de mediadores, estamos todos em um período de trabalho e estudos um tanto intenso, daí ser preciso essa pausa. Mas, havendo novas propostas de parceria (seja com editoras, autores, livrarias…) que se alinhem com nosso projeto e perfil literário, podemos considerar um retorno sim!

– Em relação ao seu trabalho como diagramadora: como costuma ser um dia típico de trabalho para você? 

O trabalho com diagramação é ainda muito recente, embora eu atue há alguns bons anos com design gráfico em uma empresa privada do setor da educação e da cultural. Neste ambiente, tenho sim uma rotina semanal de criação de peças gráficas, inclusive pequenas publicações; em paralelo, realizo a manutenção do Blog Papel Papel (tanto seu template como demais artes para redes sociais) e participo da criação de projetos literários (ebooks) com minhas amigas autoras e blogueiras. Gosto muito de atuar neste segmento da criação gráfica e espero cada vez mais estar envolvida com o mercado e o mundo editorial.

– Qual foi o trabalho mais peculiar que você pegou?

Ainda não passei por situações assim “peculiares”, mas creio que para o designer e o diagramador o desafio surja quando o contratante tem no orçamento um valor sujeito a cortes e, em sua mente, um projeto de publicação que demandará um fornecedor gráfico especializado – e, consequentemente, um custo imprevisto. É difícil não desapontar o cliente quando precisamos dizer que dobras, vernizes, todas-as-páginas-com-ilustrações-em-cores e demais acabamentos não saem “baratinho”, risos. No mais, minha experiência no campo do design tem sido bem proveitosa. E que continue assim, por muito tempo!

– Como podemos conhecer mais seu trabalho como diagramadora?

Relacionados ao Blog Papel Papel estão a publicação independente e de distribuição gratuita de dois ebooks contendo crônicas de jovens autoras e blogueiras de nosso convívio. O primeiro trabalho chama-se Amor em Cartas e foi lançado no dia dos namorados de 2017; o segundo, Crônicas de um Recomeço, foi ao ar nesta virada de 2018. Ambos os livros podem ser baixados gratuitamente em nosso blog.

– Você já passou por alguma situação pontual por ser mulher e trabalhar como diagramadora?

Não, nunca passei por situações constrangedoras em meu ambiente de trabalho, tanto o formal como o freelancer. Aliás, a atuação como microempreendedora individual, em minha opinião, é a que ocasionalmente me expõe a situações de embaraço, especialmente no que diz respeito a negociação de prazos e valores de serviços. No caso, por atuar no segmento da cultura (falo de minha experiência, não desejo generalizar), o trabalho de designer é ainda visto como algo “de menor valor”, especialmente se o contratante é um produtor criativo. É claro que os custos de se produzir um objeto artístico ou uma obra literária podem chegar a faturas astronômicas; ainda assim, há que se valorizar o trabalho de todos os agentes desta cadeia de serviços, e entender que uma relação que se baseia no “ah, faz meu livro que eu divulgo seu trabalho no Instagram” é nada ética, e dificilmente trará boa fama e resultados.

 

“Elas inauguram linhagens, fundam reinos e são fantásticas com a caneta na mão.” Só viemos relembrar que representatividade importa, viu? =D

 


Conhece alguma mana que está abrindo caminhos por aí? Conta pra gente nos comentários, adoraríamos conhecê-la.


 Hanny Saraiva