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Por que autores amam bibliotecas?

Por que autores amam bibliotecas?

“ Eu fiquei três vezes por semana durante 10 anos me educando na biblioteca pública. É melhor que faculdade. As pessoas deveriam se educar, você pode ter uma educação completa sem gastar dinheiro. No final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e escrito mil histórias.”  – Ray Bradbury
“A biblioteca de minha infância era bem pequena. E mesmo assim sentia que o mundo inteiro estava contido naquelas duas salas. Eu poderia andar em qualquer corredor e aspirar sabedoria.” – Rita Dove
“Não é apenas uma biblioteca. É uma nave espacial que te leva aos confins do Universo, uma máquina do tempo que te leva ao passado longínquo e ao futuro distante, um professor que conhece mais do que qualquer ser humano, um amigo que vai te divertir e te consolar – e acima de tudo, um portal, para uma vida melhor, mais feliz e mais útil.” – Isaac Asimov
“Eu sempre digo às pessoas que me tornei escritora não porque fui para a escola, mas porque minha mãe me levou para a biblioteca. Eu queria me tornar escritora para poder ver meu nome no catálogo de fichas.”  – Sandra Cisneros
“Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de biblioteca” – Jorge Luís Borges
Ainda duvida de que é uma espécie de Éden para escritores e para amantes de livros? Em homenagem ao Dia da Biblioteca, separamos só algumas outras coisinhas que confirmam por que autores amam bibliotecas.

Conhecimento infinito

Há sempre livros. No plural. Quando você acha que sabe tudo sobre o assunto, um livro escondido surge como num passe de mágica. Os livros parecem se comunicar entre as prateleiras, nos escolhendo como humanos favoritos. Quem nunca teve aquela ideia mirabolante após ler um livro de pesquisa sobre o assunto central do seu livro? Escritores amam desbravar o desconhecido e livro de biblioteca é perfeito para isso.

Silêncio

Quer fugir daquele carro do ovo ou da música alta do vizinho? Prazer, sou o silêncio –  a biblioteca afirma. Trago ainda de brinde – algumas vezes ­– aquele ar condicionado poderoso. É um local maravilhoso para acalmar a mente, se concentrar, desenvolver aquela ideia que está entalada e não sai do papel. Muitos escritores saem de seus lares em busca de novos ares e a biblioteca espera escritores de braços abertos para dar asas a seu mundo de imaginação. Experimente escrever nesse espaço depois vem aqui contar pra gente como foi – vale também para estudantes que não conseguem terminar a monografia ou aquele trabalho gigante do trimestre, ok?

Sustentabilidade

Você adoraria ler aquele clássico, mas acha muito caro? Dê uma passada na biblioteca e faça seu cartão de frequentador. Consuma de forma consciente. Compre apenas aqueles livros que você realmente deseja ou necessita. Uma ótima forma de checar se vale a pena é dando um pulinho na biblioteca. Além disso, entregar o livro na biblioteca no prazo é uma ótima forma de lutar contra a procrastinação. Isso vale também para quem tá começando na carreira de escritor porque regra número 1: para escrever você precisa ler muito.

Conexão

Onde você pode encontrar o público do seu livro? Na biblioteca! Quem vai à biblioteca ama ler ou está em busca de uma demanda específica. Como não fazer pesquisa de mercado dentro desse ambiente? Além disso, há diversas ações culturais dentro de bibliotecas como encontros com autores, debates, saraus literários e poéticos. Você pode doar seu livro para a biblioteca, participar de uma palestra, criar sua rede de contatos para troca e angariar leitores que podem comprar seu próximo livro. =D


O que tem de especial em sua biblioteca preferida? Como você se sente lá? Conta pra gente nos comentários. =)


 

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Juliane Garcia de Alencar. 27 anos. cearense. aquariana. psicóloga. ilustradora. feita de silêncios. não é todo mundo que consegue compreendê-los. feita pra quem sabe ver. pra quem sabe sentir. pra quem consegue decifrar. não é qualquer um que entende. escreve sua história a lápis. apaga, corrige, pula linhas e parágrafos. arranja e desarranja. usa cores. transforma o vazio em palavras, em desenhos. acredita que é possível acariciar as pessoas com a arte, por isso, se eu fosse Frida! enche o coração de lantejoulas e bolhas de sabão. tenta calar as dores. se a previsão for de chuva, tenta fazer um carnaval. mas às vezes para os batuques apenas para ouvir melhor o bater do coração.
Mais do que um coração batendo no mundo. Essa moça, idealizadora do projeto Se eu fosse Frida,  é aquela que transforma amor em cor. Com os olhos encantados por esse traço delicado e cheio de força, conversamos com a mente talentosa da Ju e ela nos contou um pouco sobre o processo de ilustrar e como vem se arriscando como ilustradora.

1. Como surgiu a ideia do Se eu fosse Frida? O que te influenciou a criar o projeto?

A ideia sempre rondou meus pensamentos. A ilustração sempre perpassou meus dias e todos os meus momentos. Sempre ilustrei como uma forma de libertar e dar voz ao meu coração selvagem, mas o projeto do “Se eu fosse Frida” só teve início em 2016.
Sou cearense e psicóloga e, nessa época, tinha me mudado para o Rio de Janeiro para fazer mestrado. Foi um momento bem turbulento, cheio de vivências inéditas e até doloridas – como o sair de casa, o distanciamento geográfico da família, o desbravamento de um novo território, além de uma dissertação a ser escrita, mas também foram tempos de (re)conhecimento, (re)descobertas e de fortalecimento de relações. A ilustração tornou-se quase uma terapia. Ilustrava para encurtar distâncias.
Como tudo acontecia muito rápido, o processo criativo estava a todo vapor. Ilustrava quase que diariamente. No entanto, digo que a criação de “Se eu fosse Frida” como projeto foi ao acaso. Criei um perfil numa rede social para organizar meus desenhos. Era uma forma de não perdê-los nesses tempos acelerados que vivemos. No começo era algo privado, quase um segredo mesmo. Contudo, fui ganhando confiança ao ouvir pessoas mais próximas e decidi compartilhar minhas cores por aí. Foi uma forma de espalhar cor e distribuir sentimentos para as pessoas.
A escolha do nome foi uma forma de homenagear Frida Kahlo, de quem sempre fui admiradora – pela artista e mulher que foi.

 2. Qual era a visão que você tinha do mundo da ilustração quando começou a ilustrar e a que você tem agora? O que mudou?

No começo o ato de ilustrar era algo individual. Era um mundo só meu. Criava apenas para mim. Muitas vezes sem uma explicação ou significado pensado. Fluía. Hoje ainda é muito assim, mas vejo o poder que as cores têm. Tento criar algo que afete o outro – seja um afetar que acaricie ou que problematize; que abrace ou que toque nas feridas.
Logo no início do projeto, costumava imprimir cópias de alguns desenhos, escrever mensagens com frases de livros ou trechos de músicas e “esquecer” por lugares, em praças, ônibus, shoppings… era uma forma de alcançar pessoas fora das redes digitais. De surpreendê-las!
Acho que a arte serve para isso: para nos afetar! A arte nos transforma e a gente transforma o mundo.

 3.  Suas ilustrações nos remetem ao mesmo tempo a uma sensação poética e musical, a música tem alguma contribuição específica para seus desenhos? O que você ouve enquanto desenha?

Com toda certeza! Sou uma pessoa bastante musical. Faço (quase) tudo ouvindo música, ilustrar não seria diferente. Para mim, é impossível ouvir Belchior e não fazer ao menos um rascunho. Suas canções são cheias de significados e potências. Ele é meu preferido no momento das criações, mas tenho uma playlist com mais de mil músicas que me ajudam nesse processo. Além dele, ouço muito Céu, Caetano, Chico, Bethânia, Elis, Marisa, Gal, Criolo… mas às vezes paro os batuques para ouvir melhor o bater do meu coração.

4. Qual foi o pedido de ilustração personalizada exclusiva que mais te marcou, que fez o coração bater mais forte e o olho brilhar?

Não sei se sou capaz de escolher uma só. Mas confesso que minhas preferidas são as famílias: das tradicionais às mais inusitadas. Gosto de ilustrar todas as formas de amor!

5. Qual livro poderia representar Se eu fosse Frida?

Acho que um livro do García Marquez e seu realismo fantástico. Ou do Dostoiévski e sua profundidade subjetiva. Ou da Rupi Kaur e todo seu empoderamento. Ou da Clarice… ou da Vírginia Woolf… Enfim, um livro de força e surpreendente!

 6. Qual a maior dificuldade em ilustrar e divulgar seu trabalho sendo mulher?

Não sei se sinto isso por acompanhar principalmente o trabalho de mulheres, mas acredito que somos bem fortes no meio. Até hoje, por mais incrível que isso possa parecer, não vivenciei dificuldades por conta do meu gênero, falando apenas do mundo artístico, vale ressaltar.

7. O que podemos fazer para que mais mulheres possam ilustrar?

Acredito que isso vale não só para a ilustração, mas para a vida: devemos nos permitir. “Meter as caras”, como dizemos no Ceará. É essa coisa de chegar e fazer, sabe? Acho que a gente, enquanto mulher, tem que ter voz, vez e liberdade de ser o que quisermos ser. Carrego a palavra “Coragem” tatuada no peito e acho que ela deve nos guiar todo dia.

8. Quem é sua maior referência no mundo da ilustração? Se você pudesse tomar um café com sua ilustradora/seu ilustrador preferido, o que perguntaria?

Tem que ser só uma pessoa? Acompanho o trabalho de tanta gente massa! Poderia ser um grande encontro regado a muito café! Falando das brasileiras: Amanda Mol, Juliana Rabelo, – minha conterrânea – Malena Flores, Luiza Alcântara, Yasmin Hassegawa, Jana Magalhães, Carol Rossetti… tanta gente! Dos estrangeiros: alguns cartunistas como Ricardo Siri e Quino, além das ilustradoras Paula Bonet, Camille Shew… e mais um montão de outras supertalentosas.
Acho que por ser autodidata perguntaria sobre as técnicas e o processo criativo; além de querer ouvir muitas histórias de vida.

9. Qual ilustradora que tem um trabalho mega bacana, mas que ainda não foi reconhecida, você destacaria? Por quê?

Tenho um apreço muito grande pelas ilustrações da Jéssica Gabrielle Lima e da Mara Oliveira pelo afeto que transmitem.

10. Para terminar, existe algum ritual para seu trabalho como ilustradora? Como é seu dia a dia?

Como disse no início, a ilustração não é minha profissão, mas faz parte de mim. Atualmente sou residente em Psicologia Hospitalar e trabalho doze horas por dia com pacientes com câncer. Algo bem denso. A ilustração é meu refúgio.
Geralmente só tenho os fins de semana livres. Então, coloco um headphone com uma boa música, leio alguns textos curtos e logo o papel deixa de ser uma simples folha em branco.

 

O traço de Se eu fosse Frida invadiu a Poeme-se com a coleção especial pra mulheres porretas que une feminismo, literatura e muita cor. Já deu uma espiada nessa lindeza criada pela Ju?  https://www.poemese.com/colecoes/se-eu-fosse-frida

Aproveita e conta pra gente nos comentários: O que te faz florescer? ♥


Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Acalentar. Abraçar. Abrir livros e mergulhar em encantamentos. Como transformar através da leitura? Lendo histórias juntinho. Pensando em como esse ato estreita laços, aumenta a confiança e diverte, separamos 6 livros para você ler bem pertinho de seu pequeno preferido.

 1. A gueixa e o panda-vermelho – Fernanda Takai

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Sinopse: A gueixa e o panda-vermelho conta a bela história de uma amizade improvável e mágica entre uma jovem japonesa e o raro panda-vermelho. Esse é primeiro livro infantil escrito pela cantora e compositora Fernanda Takai e ilustrado por Thereza Rowe, da editora Cobogó.
Delicado, curioso, poético. A cultura oriental, em especial a das gueixas e dos pandas, repleta de gotas de felicidade, ou melhor, às vezes percebida em forma de chuva ou vento. Para ler buscando momentos de leveza.

 

 2. O astronauta de pijama – Samanta Flôor

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Sinopse: Um menino de pijama, um monstro faminto, um gato com cara de lanche e um capacete de astronauta: esses são os ingredientes para uma grande aventura!
A Jupati Books, um selo da editora Marsupial, é expert naquele tipo de história que dá vontade de ler e reler. Com um traço simples, mas muito divertido, O astronauta de pijama é perfeito para incentivar seu pequeno a criar diálogos para a história. De minhocas com óculos e pés-gigantes, é o tipo de leitura para aqueles dias de tédio que necessitam de tempo para explorar as possibilidades de criação.

 

3. Alho por alho, dente por dente – André Moura e Henrique Rodrigues

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Sinopse: Todas as pessoas já ouviram algum ditado popular ao longo da vida. A sabedoria do povo é mesmo certeira, construída com humor e poesia. A partir dessa ideia, André Moura e Henrique Rodrigues escreveram Alho por alho, dente por dente. Editado pela Memória Visual, o livro nasceu numa troca de emails em que os escritores se propuseram a reescrever, em versos lúdicos, diversos provérbios sobre os mais vários assuntos.
Sabe aquele dia que você acorda meio poético com provérbios debaixo da manga e seu pequeno não entende muito bem? Leitura essencial para fazê-lo compreender esses usos. Por exemplo, qual o melhor jeito de afastar um vampiro? Usando “alho por alho, dente por dente”. O livro, recheado de exemplos engraçados, também é ótimo para projetos educativos.

 

4. Hilda e o troll – Luke Pearson

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Sinopse: Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Montanhas, trolls, homens de madeira, imaginação. Editado pela Quadrinhos na Cia, esse é meu xodó. É tão legal que até vai virar série na Netflix. 😉 Seu autor, Luke Pearson, “fez storyboards de alguns episódios do desenho animado Hora de Aventura e é autor da graphic novel Everything we miss.” O traçado de Hilda é delicado, dócil e criativo e sua personagem principal é uma heroína encantadora. Cheio de elementos incas e célticos, Hilda e o troll é o primeiro volume da uma série.

 

5. Coraline – Neil Gaiman

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Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus ‘outros’ pais. Na verdade, aquele parece ser um ‘outro’ completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Primeiro livro do mestre Neil Gaiman para o público infantil (Rocco Jovens Leitores), ele escreveu essa história tendo em mente sua filha de cinco anos. A história ganhou uma proporção tão gigante, que muitas adultos acham Coraline um livro perturbador. Ele é perfeito para aquelas crianças que adoram histórias de mistério e recomendo sua leitura de dia para não dar pesadelo em ninguém. Mas acima de tudo, Coraline é um livro sobre ser uma menina forte, apesar de qualquer medo. Por que todo mundo tem medo, né?

 

6. Haicobra – Fábio Maciel e Márcio Sno

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Sinopse: Cobra é um bicho que dá medo. Mas a palavra também pode assumir outros sentidos. Nestes bem-humorados haicais, o tradicional poema japonês de três versos, a criança se surpreenderá durante e após a leitura, porque o livro é, literalmente, uma grande brincadeira.
Selecionado para participar do Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2018 e produzido pela editora Bambolê, Haicobra é repleto de poemas bem humorados que encantam aqueles pequenos que precisam tocar nas coisas. Esse é um livro para abrir e brincar na sala e já vi muito pequeno dormindo agarradinho à sua haicobra.

 

 


Cada título foi especialmente escolhido por uma criança que ama livros, mas ficamos aqui curiosos para saber qual seu livro infantil preferido. Conta pra gente nos comentários! =)


Ah, já deu uma espiada em nossos camisetas feitas para os pimpolhos?

Hanny Saraiva

 

 

CAZUZA E A BALADA DE WALY SALOMÃO.

Cazuza e a balada de Waly Salomão.

“Balada de um Vagabundo” é uma canção do primeiro disco solo do Cazuza lançado em 1985 logo após sua saída do Barão Vermelho. Apesar de trazer alguns clássicos como “Exagerado” (que nomeia o disco) e “Só as mães são felizes”, a faixa “Balada de um Vagabundo” é a que mais me chama a atenção nesse álbum. O mais curioso é que a letra não é do Cazuza e sim do poeta Waly Salomão, compositor de alguns clássicos da música brasileira, como “Vapor Barato”. Ele ainda foi responsável pela produção do disco “Veneno AntiMonotonia” da Cassia Eller, álbum em homenagem a Cazuza. Em toda sua discografia Cazuza gravou poucas músicas em que não participava da composição. E está foi a primeira. “Escrevi Balada de um Vagabundo para ele [Cazuza]. Teci este poema como mentira sincera de uma suposta simbiose Helio Oiticica-Cazuza. Como se os cavalos de Oiticica e de Cazuza tivessem baixado em mim”, dizia Waly Salomão. Cazuza achava que a música o defina muito bem. Gostava, especialmente, do trecho que resumia sua personalidade: “Eu sou o beijo da boca do luxo na boca do lixo.” Para quem não conhece, vale a pena ouvir! (:

Mini Biografia de Zuza Zapata

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Ser consumidor é também ser um agente de transformação e fazer com que a representatividade ganhe força e vez é sim papel de quem consome. É necessário disseminar, espalhar, conscientizar. Pensando em como representantes de minorias são calados por serem o que são, selecionamos 5 livros que vão muito além da temática LGBT e que vai te ajudar a refletir e te dar força para acreditar que sim, você pode ajudar a construir um mundo mais legal e mais tolerante. Dia 25 de março é dia de relembrar que todas as formas de amor importam, dia de relembrar que causas existem para que você também seja livre e possa falar o que pensa e que acima de tudo, é necessário resistir. Em tempos sombrios é fundamental não desistir e resistir. Sempre. #mariellepresente

1. A história de Júlia e sua sombra de menino – Christian Bruel

Questões sobre produção de gênero, identidade e o “ser diferente” tratado de forma sensível e divertida é o trunfo dessa obra. Refletir sobre imposições feitas pela sociedade e abrir espaço para que as pessoas sejam o que são é uma prática de cidadania que deve ser ensinada e discutida entre o cidadão em formação. Clássico de 1973, o livro traz um texto poético e considerações sobre o crescer, preconceitos e respeito entre pessoas.
Sinopse: Os pais de Júlia a criticam muito, sempre dizendo que ela se parece com um menino, no jeito, nas roupas etc. Numa manhã, a garota percebe que sua sombra adquire o formato de um garoto, repetindo todos os seus gestos. Júlia se sente triste e acaba questionando sua própria identidade.

2. Olívia tem dois papais – Marcia Leite

Como não falar de diversidade sexual entre crianças? Que tabu é esse em pleno século XXI? Sim, devemos responder perguntas sobre sexualidade, trazer para pauta famílias homoafetivas, produzir livros onde não essas famílias não seja vistas apenas como “diferentes” e sim como mais uma possibilidade de construção familiar. Crianças não viram adultos intolerantes do nada, elas repetem comportamentos e pensamentos. Responder uma pergunta direta é matar o dragão direto no coração, é acabar com monstros debaixo da cama e dormir em tranquilidade. Acredite, criança não precisa de teorias mirabolantes para entender coisas simples. Esse livro é também uma possibilidade de se discutir gênero dentro de nossa sociedade.
Sinopse: Olívia é uma menina esperta, que sabe bem o que quer e tem plena noção de como usar algumas palavras para conseguir o que deseja. Quando tem de ficar sozinha enquanto os pais trabalham, ela diz que está muito “entediada”. Como não gosta de ver a filha “entediada”, papai Raul para imediatamente de trabalhar e, quando percebe, já está deitado no chão ao lado dela, brincando de filhinho e mamãe, ou cercado por um monte de bonecas.

3. Viagem solitária – João W. Nery

É necessário desmistificar o universo trans. João W. Nery, o primeiro homem transexual que realizou a cirurgia de redesignação sexual no Brasil em plena ditadura militar (1977) é um relato sobre a luta de viver 30 anos sem expor sua identidade trans. A obra narra as dores e coragem de uma pessoa que precisa se reinventar para encontrar seu lugar no mundo, uma ressignificação em busca de uma vida menos solitária. Leitura obrigatória.
Sinopse: ‘Viagem solitária’ conta a história de João W. Nery, transexual masculino. Na obra, ele narra a infância triste e confusa do menino tratado como menina, a adolescência transtornada, iniciada com a ‘monstruação’ e o crescimento dos seios, o processo de autoafirmação e a paternidade.

4. Azul é a cor mais quente – Julie Maroh

Uma história de amor e descoberta. A simples linguagem universal do amor. Apenas o desabrochar e toda poesia envolvida nisso.
Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

5. Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu

Intimista, o texto desse livro passa por várias ambiguidades sexuais e revoluções comportamentais, uma busca por si. Poético e intenso, Caio Fernando Abreu é uma voz que se debate sobre a efemeridade da vida e este livro é um clássico para se entender como a homossexualidade/bissexualidade era vista e sentida em período de ditadura no Brasil.
Sinopse: Essa obra é a segunda incursão do autor pelo gênero romance. Tendo como coadjuvantes os universos da redação jornalística e da música popular dos anos 1980, esta ficção-verdade desvenda o desejo reprimido e o tesão liberado, a convivência com um mundo opressivo e a maneira de fugir dele.

 

Livros podem sim ser sua  melhor defesa para conversas não desejadas. Toda vez que você cruzar com alguém cheio de ódio contra minorias, com ranço para os pequenos holofotes que estamos conseguindo sobre a diversidade sexual ou com frases prontas e cheias de clichês/desconhecimento sobre o assunto você pode:
  1. citar uma frase de algum livro de nosso top 5;
  2. virar para o lado e colocar um desses livros sobre o rosto;
  3. dar um golpe ninja na cara dessa pessoa com o livro (brincadeira, somos contra violência);
  4. levantar e ir embora porque perder tempo com haters não leva a lugar algum;
  5. com paciência, debater abertamente sobre o assunto, tentando trazer à tona reflexões e consciência sobre tolerância, amor e cidadania.

Qual estratégia você mais usa? Tem alguma outra dica? Conta pra gente nos comentários! =)


Hanny Saraiva

A Metafísica de John Donne

A Metafísica de John Donne

John Donne foi um poeta jacobita inglês e pregador que viveu entre 1572 e 1631. É um dos maiores representantes dos poetas metafísicos de sua época. Em 1624 ele escreveu uma série de reflexões as quais foram publicadas em formato de livro com o título Devotions upon Emergent Occasions. E foi nesse livro que ele publicou um dos seus mais famosos textos: Meditação 17 que ficou conhecido por frases como “nenhum homem é uma ilha isolada” e “por quem os sinos dobram”. Tomei conhecimento dessa última frase anos atrás, sem saber quem era autoria, através do Raul Seixas que batizou o 9º álbum da carreira e uma das músicas com esse título. Antes do Raul, o escritor Ernest Heming­way, em 1940, publicou sua obra “Por quem os sinos dobram”. Assim que pude ler o texto que inspirou o disco do Raul e o livro de Hemingway fiquei encantado. Principalmente por John Donne ser um individuo que viveu num tempo tão distante do nosso. Sempre que leio esse texto fico fascinado com essa atemporalidade da arte, da poesia. Um homem que viveu entre o século 16 e 17 escreve um texto que vai tocar profundamente um homem do século 21. E isso faz com que eu pense em um outro texto de um outro escritor, Eduardo Galeano, publicado no seu O Livro dos Abraços, mas isso fica para uma outra hora. Por ora, fiquem com esse episódio de L.Í.R.I.C.O dedicado a John Donne:

Desconstruindo Maca-béa – quem?

Desconstruindo Maca-béa – quem?

Imigrante. Subalterna. Invisível. Quem é mesmo Macabéa?
Ela é a representação de uma sociedade de imigrantes. Em um mundo contemporâneo onde Trump afirma livremente que a fronteira utilizada pelos mexicanos é “um aspirador, levando as drogas e a morte diretamente aos EUA”, tocar na questão de imigrantes parece atemporal. Escrita em 1977, A hora da estrela, de Clarice Lispector nos presenteia com Macabéa, uma personagem jovem que passa pelo processo de invisibilidade e emudecimento. Sua vida é narrada através do fictício Rodrigo S.M. Órfã, ela vai para o Rio de Janeiro morar em uma pensão – após a morte de uma tia que a humilhava – e trabalhar como datilógrafa e continuar submissa – agora em relação ao chefe e às relações sociais/amorosas que se envolve.
Parece a história da sua vizinha? Pois bem…
Para os imigrantes têm-se os piores trabalhos e perseguições que podem causar riscos até de perda de vida. No documentário de Denise Garcia Bergt sobre refugiados na Alemanha, vemos por exemplo que o país abriga sim refugiados, mas os deixa confinados em espaços que não são públicos, limitando a liberdade de ir e vir. Macabéa é livre? Está integrada à sociedade?
Afinal, Macabéa é quem?

Ela é “inocência pisada, de uma miséria anônima.”

Macabéa apenas existia, sem desejos, sonhos, perspectivas de mudança. Excluída como muitos brasileiros que saem de suas cidades para outras, ela é fruto de uma desigualdade social que a aliena. Vai de um estado à outro, se locomove, mas continua invisível e ingênua, sem poder falar, sem saber como se expressar. Carrega junto de si sua miséria, que não tem rosto, mas está presente em seu corpo e coloca em questão a situação de vários brasileiros que andam conforme a massa, perdidos.

Ela é aquela que “Precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos redondos vácuos que havia nela”.

Macabéa é símbolo de uma sociedade que copia a moda do Instagram, que compartilha correntes porque um grupo a enviou, que repete movimentos, gestos e selfies do outro para tentar fazer parte de um todo. Ela é uma tentativa de desabrochar, tentando a todo custo se inserir para que não tenha que ser diferente.  Mais de quarenta anos se passaram e ainda cruzamos com muitas Macabéas por aí.
Ela é aquela que sabia que “Pois que vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende. Só que ela não sabia qual era o botão de acender. Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável”.
Macabéa é uma peça no maquinário, onde o patrão é Deus e o funcionário um reles contribuidor funcional, descartável. Esse botão só será aceso quando ela descobrir sua identidade. Quando a construir. Como está excluída e marginal, só através do encontro com o EU SOU é que encontrará o botão de acender. Você já se perguntou quem é você hoje? Como anda a construção de sua identidade? Ao revelar o abandono e a violência vivenciada por Macabéa, Clarice Lispector nos mostra a sensação de desajuste e nos faz pensar sobre os direitos básicos individuais, no valor da cidadania, na importância de cada um, em como se constrói identidades.

Ela é aquela que não percebe que “Porque há direito ao grito.Então eu grito” mas que nos deixa, como leitores, com vontade de gritar por ela.

Gritamos.

gif de frito


Pensando na importância da personagem dentro da literatura brasileira, a camiseta “Maca-béa” é uma homenagem a todas as Macabéas que resistem à dureza da vida e que esperamos que possam gritar bem alto sua Hora da estrela.


Hanny Saraiva

Seguindo os passos de Rosa Luxemburgo: o que uma escritora deve fazer para batalhar por seu ideal

Seguindo os passos de Rosa Luxemburgo: o que uma escritora deve fazer para batalhar por seu ideal

Ousada. Revolucionária. À frente de seu tempo. Rosa Luxemburgo não apenas trouxe luz e polêmica sobre a teoria econômica marxista como também lecionou sobre o assunto e através de suas obras nos mostrou uma mulher sensível e inspiradora. Seus pensamentos podem também ser usados como dicas para você, moça que deseja ser escritora e que vive a encontrar um mundo opressor que te empurra para trás. Escute Rosa, leia mais, aqui vão algumas reflexões que podem te ajudar a batalhar por seu ideal:

“Só a vida sem obstáculos, efervescente, leva a milhares de novas formas e improvisações, traz à luz a força criadora, corrige os caminhos equivocados. A vida pública em países com liberdade limitada está sempre tão golpeada pela pobreza, é tão miserável, tão rígida, tão estéril, precisamente porque, ao excluir-se a democracia, fecham-se as fontes vivas de toda riqueza e progresso espirituais.”

Como trazer à luz a força criadora tendo boletos para pagar, com um governo corrupto que te deixa cada dia mais pobre e infértil de ideias? Primeiramente: lute pela democracia, traga à consciência de quem está ao seu redor que é só através dela que podemos ter algum progresso, use-a em seu dia-a-dia, não permita ser controlada porque disseram que é assim e pronto. Uma vez tendo isso dentro de si, esqueça tudo isso e sente-se em frente a um papel branco: escreva sobre o mundo que você deseja viver, um mundo onde a democracia é respeitada, onde não há golpes nem jeitinho brasileiro para tudo. Permita-se imaginar e acreditar no que está imaginando. Improvise. Deixe novas formas surgirem. No mundo do papel à sua frente não há pobreza nem miséria, muito menos formas rígidas. Depois que as palavras saírem de você, levante-se e dê uma volta, ou saia para encontrar amigos. Esqueça essas palavras por dois dias. Depois desse tempo, volte e edite suas palavras. Isso é um ótimo exercício para desbloqueios e uma ótima forma para não desistir de seu ideal quando aquele período de “deu um branco” surgir.

“No estalar da areia úmida sob os passos lentos e pesados da sentinela canta também uma bela, uma pequena canção da vida – basta apenas saber ouvir. Nesses momentos penso em você. Gostaria tanto de passar-lhe essa chave mágica para que você percebesse sempre, em todas as situações, o que há de belo e alegre na vida, para que também você viva na embriaguez, como que caminhando por um prado cheio de cores.”

Uma escritora precisa observar, se desligar, se embriagar como Rosa. É preciso que seu coração bata “com uma alegria interior desconhecida, incompreensível, como se sob um sol radiante estivesse atravessando um prado em flor”. É necessário uma serenidade interior para que o externo seja capturado, mas que não te derrote nem te abale. Uma escritora é uma catadora de emoções. É preciso coletar, mas não se vestir de emoções. Como fazer isso? Treinando. Treine seu olhar e também treine formas de como se proteger da emoção alheia. Beber a emoção do outro, mas não engoli-la é como ter uma peneira na alma. Isso te trará gás para escrever, mas também não te afundará na emoção alheia. Como fazer isso? Treinando. Ouça histórias do outro de como conseguiu sair da situação X. Converse com outras escritoras. Aprenda com elas formas de ataque e de proteção. Sim, no mundo da escrita muitas vezes precisamos nos defender. Estude sobre trabalho de equipe e faça trocas. Troque com o outro. Troque livros. Troque histórias. Divida momentos. Sororidade. Moças escritoras precisam se unir. Mas acima de tudo, observe de coração aberto.

 “Final do outono, cinco e meia da manhã. A casa ainda dorme – apenas um segundo a mais de sossego, antes do raivoso barulho metálico, estalado, chocalhado das chaves de 500 seres humanos, tal qual uma onda impaciente que arrebenta a represa da calma noturna e invade todos os cantos dessa enorme construção. Só mais um segundo. Nesses últimos sinais da noite moribunda, a senhora consegue enxergar a minúscula silhueta de um pássaro a cintilar lá em cima da cumeeira do prédio, e escutar o seu doce chilrear? É o estorninho que espera comigo o grandioso espetáculo de todas as manhãs. Vamos, está começando! Vê, cara senhora, como além da fábrica de vinagre o céu cinza escuro se tinge de róseo? De repente, um clarão rosa é arremessado para o alto, incendiando toda uma família de nuvenzinhas, cada vez mais forte, até um fulgor abrasador. Metade do céu já está inflamada, espalhando tochas de fogo. E no meio, exatamente sobre a chaminé da fábrica de vinagre, o primeiro raio dourado irrompe fulgurante através da maré rubra.”

Aprenda a descrever. Na passagem acima Rosa estava em uma prisão e mesmo assim ela se permitiu experimentar a vida. Saboreie detalhes, perca tempo vendo nuances do céu, do mar, da montanha, do senhor que passa, da mulher que corre. Imagine. Parece bobeira, mas muitas escritoras não se permitem experimentar. Abrace seu fluxo de ideias. Acredite no que você está escrevendo. Acreditar quer dizer vivenciar aquilo. Um dos principais ingredientes para lutar por seu ideal é a crença de que o material que você produziu tem relevância, pergunte-se Por que escrevo isso? É importante para quem? Mostre seu material para quem acredita em suas palavras. Se você acredita em fantasmas, mostre para quem acredita em fantasmas. Se você acredita em revoluções, mostre para quem está no meio dessa revolução. Dê as caras no mundo. Encontre seu mundo. Basta Googlear.
E por fim, para aqueles momentos de desânimo, ouça a voz de Rosa te sussurrando:
De todos os pontos de vista não faz nenhum sentido, não há nenhum motivo para que você, na incerteza, se aflija, cheia de medo e inquietação. Tenha coragem, minha menina, mantenha a cabeça erguida, fique firme e tranquila. Tudo vai melhorar, é só não ficar sempre à espera do pior!”

Hanny Saraiva