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Resenha literária com Guarnier: Ni Brisant

 

Ni Brisant

Foto por: Luciana Faria.

 

Se um dia viver um grande amor,
Não cobrarei fidelidade, carícias loucas nem declarações engenhosas.
Direi apenas: fica comigo aos domingos. Fica?
-Ni Brisant

 A poesia é um estado da alma e ela nem sempre busca um sentido linear para as coisas que quer exprimir. Poesia é o Id despistando a todo o tempo os superegos literários que tentam regrar aquilo que é essencialmente livre e bandido. Escrevi certa vez num dos meus poemas que a poesia é “uma criança correndo pelada pela casa depois do banho” e a gente fica ali gritando: “Cuidado!”, “Vai cair!”, “Volta aqui!”, mas ela continua rindo e debochando da nossa cara. Por isso o poeta é esse desregrado que para o que está fazendo para escrever. Fica preso num poema e admite isso publicamente simplesmente com um: “Desculpa o atraso, tive um contratempo!” O poeta fala mal das coisas, dos livros, dos cafés fracos, dos amores fortes. O poeta se sente um semideus e continua debochando das próprias palavras, das horas, dos dias e acha graça da própria desgraça fazendo do seu calvário a piada do momento. O poeta é isso tudo, mas nunca vai admitir. Estampa um sorriso no rosto e continua a fingir… fingir e fugir.

Um dos grandes poderes que o poeta tem é criar eufemismos para amenizar a própria dor e minimizar a derrocada dizendo que:

Tudo vale a pena

 se não vira amor

vira poema

(Juliana Motter)

É Mentira, mas é lindo!

Como poeta eu tento colher minhas impressões através do que leio dos outros poetas. Se consigo me enxergar nas palavras deles e quando vejo técnica demais naquilo, bato  palmas, mas nada sinto. Ainda prefiro o intenso, eu sou mais a inspiração, do que a transpiração e que Drummond me perdoe, pra mim a poesia é ter o primeiro sol em escorpião e “quando o segundo sol chegar…” também.

Um dos caras que mais me apedrejam a alma na hora da leitura é um baiano de Acajutiba que tive o prazer de conhecer pessoalmente num encontro regional de poetas, em Minas Gerais. Morador de SP, pai da Flora e do Bento vive num pé de vento mundo a fora colando lambe – lambes de poesia como se colasse pétalas nos troncos de concreto das cidades. Ni Brisant é um passarinho que faz ninho ao contrário, desfazendo o seu por saber que um mundo inteiro não caberia nele, daí parece que o cara vai atrás de mais e mais coisas, ruas, saraus. Parece que segue e só estaciona na criptonita enfraquecedora que um super-poeta encontra no dia mais mais ou menos que existe: o domingo! O primeiro dia da semana, mas que tem moral tão baixa que chamam de último. Domingo não é descanso, domingo é espera. Toda tarde de domingo é uma quarta – feira de cinzas. Nivaldo dos Santos Brito, o Ni, é Autor dos livros “Para Brisa”, “Tratado sobre o Coração das Coisas Ditas”, “Se eu Tivesse Meu Próprio Dicionário”, “Algodão de Fogo” e está lançando seu primeiro livro de contos, intitulado “A Revolução dos Feios”. Professor em SP, idealizador e fundador do sarau Sobrenome Liberdade e um declamador nato. Ni é o terror dos domingos e a recíproca é verdadeira, então deixarei que essa relação fale por ela através da sua Literatura. Boa leitura e como costuma dizer nosso amigo poeta da coluna de hoje: CORAGEM!

Ni Brisant

Foto por: Lucas Monsuelo

Dia fraco

Chega o dia. O sol sobe mais cedo. Fim de semana renova cansaços. Leio camisetas e revistas e só encontro marcas. Roda gigante sem eixo.

Angústia indigna de vômito, escuridão pálida. Desmaio de olhos abertos. Espelho = autorretrato oco. Sem vontade de.

Sem necessidade de consultar calendário. A gente sente quando chega o dia. Dormir não arruma a exaustão. Alucinógenos não dão asas nem esquecimento. Olhar adiante faz ver retrovisor.
Aos domingos a gente não liga ou marca encontro com qualquer pessoa. Existe um pacto soberano de intimidade. Resguardo absoluto de novas aventuras. Domingo é dia de visita. Não de ficar.

Domingo é um picolé, que veio num palito de fósforo.

Convite para o maior espetáculo do mundo – sem destinatário.

O começo do domingo tem cara de feriado, amenidades, lazer. Mas ele avança. E se instala depois do almoço e da depressão pós prato. Aí sim. Âncora nos ombros!

O domingo me ensinou que não existe canção capaz de nos proteger deste presente silêncio que nos tornamos. E eu só quero atravessá-lo.

Chega um certo momento que o domingo ganha formato de fim de ano: a vida fecha pra balanço, considerações, encontros funcionais seguidos de remorsos e comidas familiares.

Para um náufrago, água é a grade da ilha. Domingo é igual. Paradoxo de si mesmo. Casa mal assombrada sem fantasmas. Ocasião sagrada, que renova o musgo do exílio que somos. Domingo é gangorra de um banco só. Ressaca mista de água benta e ácido na veia do terceiro mamilo. Última ceia do artista da fome. Macarronada para uma colher – apenas. Extensão de lutas ancestrais – disputando cada poro do couro cabeludo até a calvície genital – capaz de remodelar ossos. Não memórias.

Bukowski < Álcool

Poetas < Fome

Tempo > Saudade

Salário < Ração

Socorro < Pedido

Eu < domingo

Precisão de seis noites com 24h de madrugada na porta da frente. Rebelião consagrada à nossa babel interior, que não podemos dar cabo.

Às vezes o domingo não passa de jeito nenhum. Encontra uma gruta entre as varizes e uma situação qualquer e fica passeando a semana toda; tramando covas em cada hora vaga.

A visita acaba e só cabe que uma pessoa fique. Domingo imita a vida.

-Ni Brisant

Domingo

Pense. Alguém tentando pôr o Cristo Redentor dentro da capela Cistina.
Estar apaixonado é quase assim, esse descabimento.

Pense. Alguém que dormiu por 28 anos ininterruptos. Estar apaixonado é o primeiro som que esse alguém dança antes de levantar.
Apaixonar-se é tomar orvalho ao meio dia quando se tem sede de cachoeira.

Pense. Alguém tentando vencer o exército de Napoleão com uma navalha. Estar apaixonado é ser a própria lâmina.

Tal qual uma dona de casa quando acaba o gás enquanto cozinha o almoço de domingo e, com o apetite aberto, consulta o bolso, onde vazio é costume profundo. Tivesse um tição, tacava fogo no inferno, incendiaria o corpo do bombeiro. Enfim, eu lhe peço fiado pra ser feliz.

O que me aprisiona? Seu tchau.

Quando você saiu da minha vida, eu não fiquei vazio. Não larguei a droga do meu emprego. Nem morri. Eu fiquei o tempo inteiro com você – só que do lado de fora.

Repare. A fotografia não gosta de quem muda. Ainda q’eu perdesse os 7 quilos, que herdei dos últimos tempos, já não seria eu naquele corpo.

Se, de algum modo mágico, os nossos dedos pudessem se abraçar novamente; seria aperto, não laços o desenho que eles formariam.

Se eu mostrasse os dentes assim, ó, igual no retrato; seria só riso, não felicidade.

Eu estive em silêncio. E no silêncio tinha você.

Aqui. O olho é só a superfície do meu coração, mas você não consegue ver, né?

Meu dente sangra sem a sua carne. E eu lhe quero, bem.

Mais poética que uma diarreia na noite de núpcias, você trovejou: Eu poderia acabar com você a qualquer hora, mas eu nunca gostei de finais felizes. Eu tentando te levar a sério e você numa crise de riso… Nervosa.

Pense. Alguém tentando contar as estrelas do céu nos dedos de uma mão. Viver um amor é ser o ano luz que se demora para virar sol.

Pra você é piegas, mas tem quem chame de poemas essas minhas partes íntimas grudadas no papel. Cem anos de solidão e nenhuma página virada.

Assim como para o sutiã teus ombros são cabides, para meus lábios: ex posição. E eram suas as cópias que amei. Todas as vezes que multipliquei meu prazer, foi por tu. Silêncio é o segredo. Sinceridade é o outro segredo. A bolha nasce quando explode. E a morte só é um espetáculo atraente porque acontece apenas uma vez.

Nem toda cicatriz é marca de luta. Nem todo mundo que pede socorro ajuda. Nem todo suicídio é em legítima defesa.

Tal qual uma uva, meu derradeiro útero foi esmagado pelos teus pés a troco de um copo de liberdade, dizem.

E eu queria ser o raio, que cai duas vezes da mesma nuvem. Ser o assassino que volta a cena no filme. O erro repetido duas ou mais vezes até tornar-se coisa de berro, burro… Queria ser gêmeos, o 14 bis, o retorno de saturno, a própria tecla repeat. Ser uma onomatopeia dessas que tocam nas FMs dia após dia. Queria ser tudo, capaz de deter o último segundo da primeira vez que fomos adeus para sempre.

Trocaria a eternidade por uma vida inteira. E largo meu time e viro ateu. Mudo de bicho no horóscopo chinês. E aposto toda a minha saúde, que ainda existe esperança em um travesseiro de alguma meretriz da Sé.

Não faça mais simpatias nem use aquele seu vestido de fulô perto de mim – quando não estiver comigo.

Teu coração é um escudo em forma de arma. E todo dia é uma dor maior, sem suas crises de ciúmes e riso.

Tanto amor no coração e a gente aqui, assim, domingo.

Não cobrarei fidelidade, carícias loucas nem declarações engenhosas. Só fica.

Amor é esse espaço que existe entre os dedos. É preciso abrir as mãos para compreender. Amor não é posse. É pertencer.

Enfim, eu lhe peço fiado pra ser feliz.

-Ni Brisant

 

Página do poeta no Facebook: https://www.facebook.com/nibrisant

Livros de Ni Brisant: http://literarua.commercesuite.com.br/loja/busca.php?loja=427793&palavra_busca=ni%20brisant

 

Guarnier

Perfil de Guarnier

Resenha literária com Guarnier: Poesia Marginal

O que você anda lendo? Gosta de Poesia? Vou além… você sabe o que é Poesia Marginal? Sabia que o grande cenário poético atual não figura nas grandes editoras, não está nas prateleiras das grandes livrarias e você pode ter acesso a esse material riquíssimo nos perfis e páginas das mídias sociais, saraus, bares, esquinas e que o Fanzine, ou, mais precisamente o Zine, na maioria das vezes, é a primeira publicação desses poetas e poetisas? Perguntas, perguntas e mais perguntas. Calma! Se você já sabe de tudo isso, sei que tem lido muita coisa boa, já você que não sabe, agora vai ficar sabendo e te garanto que vai curtir a coluna, pois um dos meus propósitos aqui no Beco Literário é tratar sobre a Literatura Marginal e seus agentes mais contemporâneos e atuantes, portanto já que vamos tratar de poesias e zines, adianto que esta publicação artesanal perde o prefixo “fan” quando não há objetivo de homenagear um determinado “ídolo” e passa a ser uma publicação autoral, ou que trate de um tema que não tem a ver com homenagem a uma determinada figura pública, por isso, aqui trataremos dos Zines.

A Literatura Marginal foi assim conceituada na década de 70 e tem como principais autores dessa época, Leminski, Torquato Neto, Chacal entre outros. Óbvio que muitos não chegaram sequer a serem conhecidos publicamente, digamos que para cada poeta que tem seu trabalho reconhecido, dez moleques saem da várzea para o Futebol profissional, uma estatística exagerada que criei aqui para dar a dimensão da enrascada que era/é se meter a escrever objetivando algum lucro nisso, por menor que seja. No meu caso de maior sucesso, já recebi umas cervejas em troca de um, ou outro livro meu e não há demérito nisso, que fique claro, e voltando ao nosso assunto, a Literatura Marginal influenciou toda uma geração de artistas no Brasil, não só na própria Literatura, mas também na Música, Dança, Artes Plásticas e demais linguagens artísticas, porém como nosso enfoque aqui são os zines de poesia, vamos dizer que estes são netos dos livretos produzidos artesanalmente pela “Geração do Mimeógrafo”, que ficou assim conhecida por conta dos livros produzidos e reproduzidos naquele trambolho em que na década de 70, 80 e 90 rodavam as provas escolares da galera da minha geração e gerações anteriores. No média – metragem “A Lira Pau – Brasília: A Geração do Mimeógrafo e os Poetas Marginais de Brasília na Ditadura Militar”, Nicolas Behr diz que “ A Geração do Mimeógrafo tirou o terno e a gravata da poesia”, talvez eu não tenha ouvido, ou sequer imaginado uma definição melhor para a poesia marginal, e para você que não sabe do que é,  pergunte aos seus pais o que era esse tal “mimeógrafo” que eles, certamente, vão dar uma risadinha dizendo: “É… na minha época blá… blá… blá.” Eu confesso que quando tive contato com um, cheirei tanto álcool que rolou uma onda, sem exagero.

Como são feitos e o que são os Zines?

São diversas as possibilidades de confeccionar Zines. Podem ser manuscritos, digitados, impressos e xerocados. Há uma série de técnicas para estilizar cada livreto, ou folheto, o autor “zineiro”, escolhe como prefere, enfim. Eu conheci o Zine e fiz o meu primeiro no ano de 2007, quando estudava no Centro do Rio de Janeiro e lá mesmo dobrava uma folha de papel A4, escrevia uns poemas e xerocava para vender, ou mesmo trocar pelo que rolasse, geralmente aceitava uma contribuição espontânea só para pagar a xerox mesmo. Hoje, dez anos depois, as coisas mudaram um pouco, porém a essência continua a mesma e cada vez mais os zines vão ganhando modelos, materiais e formatos diferentes, os mais comuns são de poesias, mas também se encontra com contos, quadrinhos e outros gêneros literários e uma das galeras mais resistentes desse cenário é o pessoal do “AmeopoemA”, que tem ponto entre a porta do Centro Cultural Banco do Brasil  e Cinelândia. Nelson Neto, Shaina, Dy Eiterer, David, Paulinho, Rômulo Ferreira, Luiz Silva e outras figurinhas fáceis por ali já ofereceram suas poesias para milhares de pessoas naquele local. Segundo Rômulo Ferreira, o AmeopoemA é:

Grupo de leitura e proliferação poética e artística!

Criado em junho de 2010, a partir de uma forma física que era o  ZINE AMEOPOEMA, veioa vida  este grupo que tem a intenção de facilitar a proposta de ser lido e divulgar os trabalhos de amigos e desafetos!

Temos três formas de espalhar poesia pela cidade:

1-    Zine mensal impresso AMEOPOEMA, que está em sua 47 edição.

2-    Sarau AMEOPOEMA, rede de leitura e troca de ideias em praças públicas de todo o território nacional.

3-    Página em rede social, onde todo autor e leitor podem interagir de forma mais direta.

Criado por Rômulo Ferreira e Bárbara Barroso. O AMEOPOEMA, vem atuando de forma independente e sem ajuda de custos de lei alguma, vivemos basicamente da colaboração de amigos e alguns passantes de onde os eventos acontecem.”

Eu, Guarnier, este humilde poeta, já considero parte do imaginário poético daquele canto da cidade e um dos patrimônios do Centro do Rio e você que vier dar uns roles por aqui, tem que passar lá, comprar seu zine e beber dessa poesia, para você que nem pretende pisar estas terras, mas que gostaria de conhecer o trampo, é só dar uma conferida na página do Facebook deles que deixarei no final da coluna. E pra deixar um gostinho do tempero desses poetas nada melhor que  Poesia! Então: “Gosta de poesia, Senhor? Gosta de poesia, Senhora?” Com vocês: AmeopoemA!

 

(Rômulo Ferreira)

Hoje o sol nasceu vermelho
escondido nas ideias que tive
sobre inventar verdades
sobre a esperança

sobra a sorte
de ter
ou não ter fe na vida

vem cá,
olha em meus olhos
diga que veio pra sempre.

diga que estávamos errados.

estou aqui

me avermelhando nesse sol
esperando
e fumando o resto do cigarro
que a gente arrumou
naquela transação dos infernos…

maldito dia aquele
maldito sono

acordamos cedo

e ainda nem acabou a noite

–Rômulo Ferreira

(Dy Eiterer)

Naufrágio II

Abandonando o cais,

Lanço-me no sem fim azul

Como um navio que escorrega no mar.

Ele percebe a beleza, a força,

Mas não pode prever a profundidade.

Por isso só segue nas horizontais.

Porque não saberia lidar

Com o que desconhece.

Talvez seja medo.

Talvez despreparo.

Um quê de insegurança.

Um muito de vontades aplacadas

Pelo sussurro do vento

Que dá calmaria, mas alerta:

Seu naufrágio é necessário

-Dy Eiterer

(Nelson Neto)

ACHO QUE ESTAREI SALVO

ENQUANTO TIVER DIAS DE MÁXIMA EUFORIA

POR QUALQUER COISA QUE ME ABSTRAIA!

ACHO QUE GANHO TEMPO

AO ME ENFRENTAR NO ESPELHO

SEM NEM AO MENOS SABER QUAL FOI À PERGUNTA DE UM MILHÃO!

ACHO QUE DESESPERO ATOA

QUANDO NÃO CONSIGO TER ESPERANÇA APARENTE OU MEDO QUE O VALHA!

FUJO MAS NÃO COM TEMOR,

SÓ POR NÃO TER NADA PRA FAZER POR LÁ.

-Nelson Neto

Link da página do AmeopoemA: https://www.facebook.com/ameopoema/?fref=ts

Promoção no #MêsdoLivro – comprou camiseta, ganhou um livro!

Tem coisa melhor para os amantes de livros do que vestir literatura aqui na Poeme-e e GANHAR um livro? Então prepare-se pois em abril, no #MêsdoLivro da Poeme-se a gente criou a promoção:

Como funciona?

Nas compras do dia 10 a 16/04/2017, nas camisetas da nossa coleção especial, você GANHA um título da Editora Nova Fronteira. Mas atenção, é só pra quem comprar os produtos desse link.

Para relembrar:

Abril é o #MêsdoLivro na Poeme-se porque a gente comemora 3 importantes datas para o mundo da literatura:  – Dia Internacional do Livro Infantil (02 de Abril), Dia de Monteiro Lobato Dia Nacional do Livro Infantil (18 de Abril) e Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor (23 de Abril).

Você pode acompanhar todas as novidades e promoções através de nossas redes sociais: Facebook ou Instagram!

Algumas camisetas da Promoção:

Estampas Caça Poetas, Decameron, Ler é a maior viagem e Só a literatura salva!

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