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7 dicas para criar uma criança leitora

Todos sabemos que promover a leitura não só estimula a criatividade e a imaginação como ajuda em novas aprendizagens, contribuindo  para aumento de vocabulário, cultura, desenvolvimento de capacidade crítica. Mas crianças leitoras têm uma visão de mundo diferente das que não gostam de ler. Elas resolvem melhor seus problemas, refletem sobre outras possibilidades e muitas das vezes são nas histórias que entendem as dificuldades e os prazeres de se crescer. Todo pai quer que seu filho viva de forma plena e feliz e criar uma criança leitora é o sonho de muitos que acreditam que amar livros é um dos caminhos para se produzir um mundo mais justo e democrático. Separamos 7 dicas para criar uma criança leitora, já testadas por pais que afirmam que deu certo.

1. Incentive a imaginação

Mesmo que a criança não saiba ler os códigos, é fundamental que a criança se sinta parte do processo de construção das histórias. Incentive seu pequeno a criar novos fins, novos começos, a pensar sobre outras possibilidades, a ter vínculos com os personagens, a deixar a imaginação solta.

2. Leve seu pequeno para Bienal do Livro

Toda a família deve frequentar espaços de leitura, livrarias, bibliotecas, Bienal do Livro. Na Bienal do Livro de São Paulo esse ano, por exemplo, haverá uma Praça de Histórias com diversas atividades incríveis e o espaço infantil terá a Tenda das Mil Fábulas com fábulas, lendas, histórias, contos e mitos, destacando na programação a diversidade cultural brasileira e a diversidade humana de 03 a 12 de agosto. Além disso, você poder passar em nosso estande e checar nossas novidades para arrasar com aquele #LookLiterário encantador para o pequeno.

3. Conte uma história todo dia

E se divirta também. Leitura é prazer. Todos sabemos que é importante que pais leiam para os filhos, pois dentre as inúmeras vantagens os vínculos afetivos e o gosto são criados a partir desses momentos. Mas nunca leia com pressa ou estressado. Seu filho irá sentir isso e o que deveria ser um momento partilhado, será visto como uma obrigação e ninguém sente prazer sendo obrigado, né? O que importa não é quantidade e sim qualidade. Velha máxima que deve ser respeitada à risca. O ideal é que pais possam contar uma história por dia, mas não é uma regra fixa, você pode estipular uma vez por semana, três vezes. O que importa é sua presença. De corpo e alma.

4. Deixe a criança se encontrar pela livraria

E isso quer dizer deixá-la explorar o espaço. Nada de você colocando o livro na mão dela, deixe-a escolher. Deixe-a tocar nos livros, passar a mão na capa, ver o que mais lhe agrada. Relaxe e vá você ler um livro. Isso vale também para outros espaços de leitura. Não tenha pressa.

5. Dê o exemplo, leia

Esse é a dica essencial. Se você não sente prazer lendo, seu filho seguirá seu exemplo e não irá gostar de ler. Se você é um apaixonado, no mínimo ele ficará curioso sobre essa paixão. Se empolgue com a leitura, divida com seu pequeno essa alegria. Para pais com bebês: não pare de ler porque está com um bebê. Pode até ser que você diminua um pouco a quantidade de leitura, mas não abra mão. Livros e histórias devem fazer parte do dia a dia da família, como comer e tomar banho.

6. Vá além dos livros

Ler vai além dos livros. A leitura está em sinais de trânsito, em rótulos, receitas, gestos, imagens, canções, o mundo. Temos que entender que aprender os códigos e estudar as letras não faz uma pessoa leitora. Traga outros elementos à vida de seu pequeno para que ele se sinta confiante e se apaixone pelo mundo dos que leem com amor e prazer. Não menospreze outros símbolos que ele pode chamar de leitura.

7. Vista literatura

Se crianças que gostam de super-heróis amam camisetas com seus personagens preferidos, por que crianças que gostam de livros não adorariam camisetas com seus personagens preferidos? Dê presentes que os lembrem da literatura, vista poesia.

Seu filho é um leitor nato? Conta pra gente o que você acrescentaria nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Que poema de Quintana te representa?

Já dizia o poeta, “Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente… e não a gente a ele! Para homenagear o mestre da simplicidade (que ironicamente não gostava de homenagens), separamos cinco poemas que adoramos e te desafiamos a escolher um. Que poema de Mário Quintana te representa?

1. Amor é síntese

Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.

2. Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E – ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
– Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
– O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

3. Olho as minhas mãos

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar…
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras!
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: “existo”.
Porque apenas existem…
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar…
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação!
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos?
Quem faz – em mim – esta interrogação?

4. Alma errada

Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há… e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…

5. Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Sabedoria literária, compreensão sobre a vida – o imaginário de Quintana vai além de seu tempo e nos toca com o sublime e singelo sopro da existência. Que poema te representa? Já deu uma olhada em nossas camisetas literárias? Clique aqui.

8 presentes criativos para o Dia dos Pais

O dia dos pais surgiu quando uma menina chamada Sonora Louise Dodd decidiu criar a data em 1909 nos Estados Unidos como uma homenagem a seu pai por ele ter criado 6 filhos sozinho, com muito carinho e alegria, após a morte da esposa.  Mas foi só em 1966 que o presidente oficializou no país o terceiro domingo de junho como data oficial. No Brasil, a data começou a ser comemorada no segundo domingo de agosto e foi comercialmente adotada pelo publicitário Sylvio Bhering. Independente de criações publicitárias, acreditamos que, se você possui um exemplo de orgulho, amor ou superação em sua vida, mimos e gestos de carinhos sempre são significativos e nada mais bacana do que alegrar o dia daquele que está ali do seu lado, te incentivando e acreditando sempre em você. Sugerimos 8 presentes criativos para o dia dos pais que amam literatura e que fará seu pai ficar com o olhinho brilhando.

1. Porta copos Poesia Marginal

Se seu pai é fã de design e tem uma queda por poesia, vai amar os porta copos da Poeme-se que têm versos imantados e ficam lindos na geladeira enquanto esperam para ser usados ou na mesa de trabalho do seu papito.

2. Almofada Oscar Wilde

Para pais que acreditam que as definições limitam, essa almofada é perfeita para aquele descanso quando se lê no sofá ou para apoio enquanto se reflete sobre o fim daquele livro que você vai ler depois que seu pai terminar a leitura. Além de ser um objeto de decoração super charmoso. Veja outras opções aqui.

3. Pôster Jean Cocteau

Se seu pai é um descobridor de sete mares, curioso, aventureiro e que adora um desafio, vai adorar esse pôster do Cocteau. Perfeito para aqueles que acreditam que a poesia deve ser vivida. Outras opções dessa pequenice aqui.

4. Pedra Poética Edgar Allan Poe

Se seu pai é apaixonado pelas tramas de suspense e terror, vai amar essa pedra poética feita pelas mãos da artista Moana. As pedras são únicas e feitas com exclusividade, handmade. A designer busca pedras parecidas, mas não existem duas pedras iguais no mundo, assim como não há amor igual. Um ótimo gesto de carinho para incentivar as leituras e escritas daquele que te inspira a cada dia. Quer conhecer outros escritores em pedra? Clica aqui.

5. Book Bag Selfie Poética

Se seu pai ama livros e está no movimento daqueles que adoram também cuidar da natureza e de nosso ambiente, ele vai amar essa book bag que também serve para colocar comprinhas leves e te trazer aquele pote de sorvete que você tanto deseja no meio da semana e só ele vai lá e traz. Acho que você vai se apaixonar pelas outras também, dá uma espiada aqui.

6. Caderneta Eu Me Chamo Antônio

Seu pai também é um apaixonado por cadernetas? Ele é daquele que adora colocar poesia em movimento, anotar frases de pessoas aleatórias nas ruas ou escrever enquanto se locomove de um local para o outro? Um homem de palavras sempre anda com suas anotações. Temos certeza que ele vai amar quando você incentivá-lo a colocar no papel as histórias que ele vive te contando.

7. Caneca Intervenção Literária

Para aquele pai que acredita que o caminho do país é através da educação, dos livros, da cultura e que faz parte da militância literária. E para aquele que é um bom apreciador de café porque ninguém é de ferro, né? Para outros estilos de canecas, veja aqui.

8. T-shirt Seleção de Poetas

Se além de poesia, seu pai ama futebol, ele irá para tudo quanto é lugar usando essa camiseta, com certeza. Esse é o nosso time de coração, será que ele também acredita nesses poetas bons de bola? Para outras camisetas com frases legais, é só clicar aqui.

O carinho por um homem que te inspira vai além de datas comemorativas, gostaríamos de relembrar isso, viu? Vai além também da definição de progenitor, é aquele que você pode contar, mesmo que vocês não tenham laços sanguíneos, vai além de só dar uma ajuda, ele é presença constante em sua vida. Mas acima de tudo, pai que é pai é símbolo de amor. Você sempre vai sorrir ao lembrar dele.

O que seu pai adoraria receber? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

Livros para ler em um dia

Esqueça essa história de que não tem tempo. Fizemos uma lista de indicações de livros que nos surpreendem e quebram o mito de que leitura que é leitura precisa de muitas páginas. Densidade, consistência, surpresa – as histórias a seguir nos mostram que autor que é autor consegue te emocionar com uma ou duas mil páginas.

 

Hilda e o gigante, de Luke Pearson

O graphic novel desse autor inglês é a coisa mais fofa, mais aventureira e encantadora que você pode encontrar por aí. É tão imagética e sonhadora que a Netflix transformou a história em desenho animado e teremos uma estreia ainda em 2018. Com 56 páginas, tem um quê de Coraline nórdica e umas pitadas de A hora de aventura. Para ler de uma sentada só com uma xícara de chocolate ao lado.

 

Sinopse: Hilda é uma garota esperta e aventureira que consegue fazer amizade com as mais diversas criaturas, de trolls ameaçadores a enigmáticos homens de madeira. Mas ela não está tendo a mesma sorte com um exército de elfos minúsculos e invisíveis que mora em volta de sua casa. Hilda fará de tudo para defender seu lar e evitar uma mudança para a cidade grande. Mas lidar com os elfos não vai ser nada fácil – cada etapa precisa ser assinada, carimbada e encaminhada às instâncias superiores. Enquanto lida com a burocracia, Hilda ainda terá de resolver o mistério do gigante que aparece toda noite em sua janela. Afinal, os gigantes de antigamente não tinham desaparecido?

Para educar crianças feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Escrito como uma forma de presente para uma amiga que acabara de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas é um apanhado de sugestões para romper com o machismo nosso de cada dia, com objetivo de oferecer uma educação mais igualitária. Mas acima de tudo é uma reflexão em pílulas sobre ser mulher na contemporaneidade. Dá pra reunir as amigas em uma tarde e ler as 96 páginas brincando.

Sinopse:  Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

 

 

Ninguém vira adulto de verdade, de Sarah Andersen

Dinâmico, divertido e com apenas 120 páginas, Ninguém vira adulto de verdade pode ser lido num domingo onde você está se sentindo mais existencial e a preguiça bate e você não quer fazer nada. A obra aponta pequenas sutilezas na vida de uma jovem adulta. Humor, procrastinação, autoestima, hábitos, as tirinhas reunidas nesse livro dialogam com nossas moças contemporâneas e são um retrato atual cheio de nuances.

Sinopse: As tirinhas certeiras de Sarah Andersen, que já contam com mais de 1 milhão de fãs no Facebook, registram lindos fins de semana passados de pernas pro ar na internet, a agonia de andar de mãos dadas com alguém de quem estamos a fim (e se os dedos ficarem suados?!), a longa espera diária para chegar em casa e vestir o pijama, e a eterna dúvida de quando, exatamente, a vida adulta começa. Em outras palavras, este livro é sobre as estranhezas e peculiaridades de ser um jovem adulto na vida moderna. A sinceridade com que Sarah Andersen lida com temas como autoestima, timidez, relacionamentos e a frequência com que lavamos o sutiã torna impossível não se identificar com esses quadrinhos hilários e carismáticos.

 

O conto da ilha desconhecida, de José Saramago

Ilustrado por oito aquarelas de Arthur Luiz Piza, O conto da ilha desconhecida é uma reflexão sobre caminhos incógnitos, a necessidade de nos distanciarmos de nós mesmos para que possamos nos encontrar. Essa obra de 64 páginas parece uma história contada ao pé do ouvido na beira do mar. Se você quiser ambientar sua leitura, recomendo ir à tarde na praia e se deliciar com essa metáfora sobre desigualdade e autoconhecimento.

Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O Rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O Homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas. Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou.

 

O sol na cabeça, de Geovani Martins

Violência, medo, o comportamento que contamina as relações, O sol na cabeça é um retrato do dia a dia da cidade do Rio de Janeiro. Aclamado por autores consagrados como Milton Hatoum, Chico Buarque, Marcelo Rubens Paiva, a obra destrincha personagens que vivem em meio ao vício, a intolerância, a morte e parece aquelas histórias que ouvimos no trem ou em um ônibus lotado. Se você mora longe e não tem problemas em ler em movimento, o livro é ideal para se ler em transporte público. Com 119 páginas, dá pra ler numa ida e vinda.

Sinopse: Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI. Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais. Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes, sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

 

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Éxupery

Clássico, carismático e filosófico, O Pequeno Príncipe pode ser lido e relido em um dia. Apesar de possuir apenas 96 páginas, a obra de Saint-Éxupery é “um livro urgentíssimo para adultos”, um mergulho no inconsciente e na autodescoberta.

Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto do Saara e encontra um pequeno príncipe, que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana.

 

Você já leu algum livro em apenas um dia? Se sim, conta pra gente nos comentários. Se não, qual gostaria de ler? Conta também! =)

Hanny Saraiva

Literatura e política não é só um flerte

Uma das coisas mais relevantes que transmito nas palestras e oficinas que ministro, principalmente para aspirantes a escritores, é o questionamento sobre representatividade. Pergunto: vocês podem ser considerados representantes do seu espaço e do seu tempo? É, obviamente, uma provocação.

Recentemente conheci escritores de literatura negra, de literatura LGBT, literatura de periferia, literatura feminina, entre outros. Há quem diga ser reducionismo, onda de mercado e etiqueta para sobrevivência em nichos. Não é isso que importa aqui. O mais relevante é ter sido um conhecimento recente. Os debates sempre existiram, mas não nessa potência justa. Racismo, homofobia, segregação social e questões de gênero existem desde que o mundo é mundo. Acontece que o que para os pessimistas é sinal de tempos ruins (dizem que nunca se viu tanto discurso de ódio), para os otimistas é o despertar para novos caminhos, uma nova configuração mais próxima do respeito e da justiça. Mesmo com os exageros, perdoem. Até quem está, em teoria, correto comete seus excessos. Estamos em reformas, diria a placa pendurada na porta do planeta.

É impossível separar o ser político do ser literário. É impossível separar o ser social do ser artístico. Os autores refletem seu contexto histórico independentemente do tipo de obra que realizam. Romeu e Julieta, por exemplo, não é Shakespeare falando sobre o amor romântico na Verona do século XVI. A época mesmo não foi tratada como uma peça sobre o amor puro. Seu viés é, originalmente, político. Retrata questões sobre ordem política e todo o contexto sobre a configuração familiar daquele período. Como tudo em Shakespeare, a realeza é a grande chave e alvo de debates.

A escola chamada de Realismo trouxe ainda mais marcante a característica do ser político em uma obra de ficção. Dom Casmurro oferece a visão sobre o Brasil Império, as relações entre as famílias e a religião católica, como casamentos eram forjados e o contexto do Rio de Janeiro do final do século XVIII. Há poucos meses li Contos Negreiros de Marcelino Freire, de 2005, e vi toda a realidade de negros pobres no Brasil desse século XXI.

Sobre a pergunta inicial do artigo, a maioria fornece um incômodo latente, muito pela responsabilidade de ser um representante do seu tempo e espaço. Devem se perguntar se são dignos disso. Explico sobre inerência do ato. Não conseguimos fugir do que somos, do que vivemos, do que enxergamos, do que sentimos. Tudo isso aparece em nossa literatura. Seja ela inclusiva ou exclusiva. Seja ela falando que foi golpe ou não. Seja ela retratando seu incômodo com a alta do dólar ou o preço dos ovos, aqueles que a galinha chorou. Quando dizem que Monteiro Lobato era racista, temos duas coisas a atentar: ele era representante de um tempo e espaço em que isso era natural (que pena, de verdade), principalmente por sua posição social; e temos de ser anacrônicos, afinal, é muito bom poder ter esse olhar mais apurado que continuar achando que esse tipo de coisa seja normal também hoje. Portanto, não diminui a obra. Santificar sempre foi mais nocivo mesmo.

Leon Tolstói retrata o período antes da Revolução Russa em Guerra e Paz. Jorge Amado fala abertamente sobre coronelismo e uma sociedade oligárquica em suas obras. O relacionamento entre literatura e política não é um flerte. É caso antigo, nada platônico e fadado a impossibilidade do divórcio. No final, é claro, me perguntam se sou coxinha ou mortadela. Caso não desperte o debate ao menos abre o paladar. Se você, leitor, também está perguntando isso peço que volte ao início do texto e releia mesmo, com carinho. É literatura, é política. Impossível separar um do outro.

Desconstruindo a vida de freelancer

Quando decidi sair de uma editora e começar a trabalhar como freelancer a única coisa que eu tinha em mente era transformar meu local de trabalho em um ambiente onde estresse e brigas fossem evitados. Eu não tinha ideia do poder da palavra persistência e decidi escrever esse artigo para desconstruir um pouco a vida de freelancer e ajudar pessoas que, como eu, lutam por um mundo menos injusto e mais coerente. Já que passamos tanto tempo trabalhando, que pelo menos ele faça sentido, né?

A palavra persistência tem como sinônimo “constância, firmeza” e esse é o desafio número 1 ao optar por ser freelancer. Aqui se vive um dia de cada vez, ou melhor, um mês de cada vez. Às vezes, confesso, dá vontade de largar tudo e correr atrás de uma carteira assinada cada vez mais rara, almejando férias e um 13º quando me deparo com um prazo de entrega curto ou um cliente de temperamento difícil que acha que consigo traduzir 100 páginas em um fim de semana. Depois passa. O que descobri é que na vida de freelancer é necessário firmeza – firmeza nos prazos, firmeza para cumprir os horários que deseja trabalhar, firmeza para correr atrás de cliente novo, firmeza para não se endividar e aprender a pagar tudo à vista, firmeza para dizer não.

Dentro dessa caixa de Pandora a contemporaneidade do mundo de trabalho me surpreende. Essa é minha tentativa de desconstruir o que é ser freelancer e responder algumas perguntas que me fazem quando digo que trabalho de casa e que tá sendo bem legal. Muita gente me olha torto, mas fazer o quê?

Desconstruindo 1 – Você está desempregada?

O que mais ouço quando digo que sou freelancer é “O mercado tá foda mesmo”. Muitas pessoas me mandam anúncios de emprego, querendo me “ajudar”, mas quase ninguém me manda “clientes”. Ser freelancer é uma decisão consciente de quem diz “Não, não quero ser explorada no mercado de trabalho dessa forma.” Freelancer é um profissional autônomo, não um desempregado. Desempregado não ganha dinheiro, freelancer sim. Alguns podem começar do desemprego, mas muitos freelancers começam seus caminhos porque se sentem injustiçados nas empresas que trabalharam ou porque gostam tanto do que fazem que só querem fazer isso! A gente sabe que dentro de uma empresa, muitas vezes, você acaba fazendo coisas que não gosta por meses, às vezes anos.  Ser freelancer nos traz a oportunidade de nos conhecermos mais, nos especializarmos e aprendermos sempre. Persistência 1 – responder “Não, não estou desempregada. Sou freelancer.”

Desconstruindo 2 – Dá pra dormir muito, né?

Confesso que eu achava que poderia dormir até 10h da manhã, tomar um café de filme – com calma, lendo jornal ou vendo minha série preferida. Ledo engano. Eu acordo todo dia às 7h, começo a trabalhar às 8h e sigo trabalhando até 18h. Como estou em um fluxo de trabalho médio, sigo no mínimo a meta de 8h trabalhadas, mas o que acontece é que trabalho quase 10h. Em épocas de pico, 12h, 15h. Tenho a sensação de que freelancer trabalha mais do que um funcionário CLT. Acordamos cedo e quando piscamos já deu sete horas da noite.

O grande mito de dormir até tarde se quebra porque freelancer trabalha com clientes. A não ser que seu cliente seja um notívago, muitas vezes você tem que tirar dúvidas com ele, fazer uma ligação ou encontrá-lo pessoalmente e 90% das vezes isso acontece em horário comercial. Você até pode jogar tudo pro alto e não trabalhar numa quarta-feira, mas sabe que o sábado daquela semana morreu pra ti, né?

Persistência 2 – aprender a organizar e reorganizar seu horário sempre. Organização é regra número 2 na vida de um freelancer.

Desconstruindo 3 – Você ganha muito?

Desde que comecei a trabalhar como freelancer palavras como negociação, rentabilidade e planilhas fazem parte de minha rotina. No mundo ideal, em uma experiências de anos, você alcança um valor que considera bacana e com seu tempo livre você se especializa para ganhar mais e assim a roda gira. Mas se você está iniciando sua carreira como freelancer muitas vezes você aceita o que o cliente pede porque ele é um dos poucos clientes que tem. Perigo mor! Cuidado. Esse tipo de cliente é como um sanguessuga oportunista. Valorize seu trabalho, não fique pensando na volatilidade do fluxo de entrada e saída de dinheiro. Se ficar pensando assim, estará preso dentro da lógica tradicional de emprego e olha que descoberta maravilhosa “Você não está em um ambiente tradicional.”

Esse cliente não quer pagar o que você considera justo, mesmo sendo o seu segundo cliente? Beijo, não rola. “Mas ele é meu amigo.” Será? Amigo que é amigo paga menos para você do que para outro profissional? Reveja seus conceitos. Pense nas horas trabalhadas, não dormidas. Você saiu de seu emprego fixo porque não aguentava mais ser injustiçado, certo? Por que vai dizer sim para quem não te valoriza?

Você deve saber quanto quer ganhar por mês/por ano para então cobrar o valor X para o cliente, entender o cálculo de sua hora. Junte isso à instabilidade de ter mês que se ganha menos, mês que se ganha mais e faça uma média. Você pode ganhar uma bolada de um cliente mais abastado em um mês e ter seu feijão com arroz regular no outro. Isso faz com que muitas pessoas desistam da vida de freelancer, mas para ser sincera, não vejo problema. O grande problema acontece porque muitas pessoas não têm educação financeira e isso é uma corda no pescoço. Antes de ser freelancer você tem que entender suas despesas. Se o valor cobrado cobrir as despesas no início o que vier é lucro. E lucro é ter seu trabalho reconhecido com um valor justo.

Persistência 3 – aprendendo a dizer não para situações que não te façam feliz ou não te valorizam.

Desconstruindo 4 – Como é viver sem chefe?

“Ai, mas deve ser muito bom não ter chefe, né? O meu, por exemplo…” A gente não tem um único chefe que controla e supervisiona, a gente tem inúmeros chefes que observam e controlam e eles são chamados de clientes. Quem te contrata exige qualidade de trabalho e prazo estabelecido cumprido. Você ficou doente, sua casa inundou? O prazo é nossa gargantilha. Eficiência e pontualidade ditam carreiras. É claro que podemos escolher nossos clientes, mas eles são nossa prioridade, sem eles não adianta saber traduzir perfeitamente ou ter um olho perfeito para revisão ou ideia mirabolante para diagramar ou a habilidade nova nesse programa pica das galáxias.

Persistência 4 – sempre lembrar que cliente é como a gente. Quem não adora um mimo e receber o que solicitou sem problemas?

Desconstruindo 5 – Você tem agora uma vida tranquila?

Resposta em construção. O estresse ligado ao prazo de entrega + a preocupação em realizar o que foi pedido com qualidade está aqui, dentro do peito, todos os dias, todas as horas. O que aprendi nesse meio tempo tem me ajudado, todavia, a relaxar mais. Vai aqui algumas dicas:

– Pausas são essenciais. Alguns especialistas falam que temos que fazer uma pausa a cada duas horas. O que você acha? Acredito que isso depende do ritmo de cada um e da semana que a pessoa está vivendo, portanto, permita se conhecer. O que você faz para que sua produtividade não caia? Respeite você. Pause, seja por 10, 20 minutos, 1 hora. Ela realmente te renova? Faça um teste e descubra.

– Reveja a hora de parar. Quando parar? Sabemos que o profissional ganha por hora e se trabalharmos mais, ganhamos mais. Mas a hora de parar sempre vem acompanhada com um sentimento “Será que eu não deveria ter trabalhado mais?” Muitas vezes continuamos pensando no trabalho enquanto deveríamos estar em nosso período de lazer, então a pergunta que faço é: o que fazer para se desligar totalmente do trabalho? Isso é algo que ainda não sei responder. Talvez uma imersão num hobby?

Persistência 5 – autoconhecimento e respeito, saber parar e saber pausar.

 

Para ser freelancer você tem que ser um apaixonado pelo que faz, curtir muito o que produz, ter paciência com clientes, ser didático como um bom professor e prezar pela sua saúde mental. As pessoas acham que freelancers estão lá deitados na rede, de boas, mas o que vemos são profissionais que têm produtos que devem ser entregues para ontem, num ambiente de casa, cercado de coisas que amam sim, mas repletos de deadlines. Precisamos de muita organização e saber dividir tempo e atenção, se não todo mundo em volta surta. “Mas você trabalha em casa!” Sim, mas isso não quer dizer que tenho tempo. Na verdade, tempo literalmente passa a ser dinheiro. Saber a hora de parar é a chave principal da casa. Isso sim te levará a uma vida mais tranquila, tão longe do estresse que ninguém deseja. E para manter seu lar em harmonia você terá como animal de estimação, aquele bom companheiro, a persistência.

Hanny Saraiva