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Desconstruindo a vida de freelancer

Quando decidi sair de uma editora e começar a trabalhar como freelancer a única coisa que eu tinha em mente era transformar meu local de trabalho em um ambiente onde estresse e brigas fossem evitados. Eu não tinha ideia do poder da palavra persistência e decidi escrever esse artigo para desconstruir um pouco a vida de freelancer e ajudar pessoas que, como eu, lutam por um mundo menos injusto e mais coerente. Já que passamos tanto tempo trabalhando, que pelo menos ele faça sentido, né?

A palavra persistência tem como sinônimo “constância, firmeza” e esse é o desafio número 1 ao optar por ser freelancer. Aqui se vive um dia de cada vez, ou melhor, um mês de cada vez. Às vezes, confesso, dá vontade de largar tudo e correr atrás de uma carteira assinada cada vez mais rara, almejando férias e um 13º quando me deparo com um prazo de entrega curto ou um cliente de temperamento difícil que acha que consigo traduzir 100 páginas em um fim de semana. Depois passa. O que descobri é que na vida de freelancer é necessário firmeza – firmeza nos prazos, firmeza para cumprir os horários que deseja trabalhar, firmeza para correr atrás de cliente novo, firmeza para não se endividar e aprender a pagar tudo à vista, firmeza para dizer não.

Dentro dessa caixa de Pandora a contemporaneidade do mundo de trabalho me surpreende. Essa é minha tentativa de desconstruir o que é ser freelancer e responder algumas perguntas que me fazem quando digo que trabalho de casa e que tá sendo bem legal. Muita gente me olha torto, mas fazer o quê?

Desconstruindo 1 – Você está desempregada?

O que mais ouço quando digo que sou freelancer é “O mercado tá foda mesmo”. Muitas pessoas me mandam anúncios de emprego, querendo me “ajudar”, mas quase ninguém me manda “clientes”. Ser freelancer é uma decisão consciente de quem diz “Não, não quero ser explorada no mercado de trabalho dessa forma.” Freelancer é um profissional autônomo, não um desempregado. Desempregado não ganha dinheiro, freelancer sim. Alguns podem começar do desemprego, mas muitos freelancers começam seus caminhos porque se sentem injustiçados nas empresas que trabalharam ou porque gostam tanto do que fazem que só querem fazer isso! A gente sabe que dentro de uma empresa, muitas vezes, você acaba fazendo coisas que não gosta por meses, às vezes anos.  Ser freelancer nos traz a oportunidade de nos conhecermos mais, nos especializarmos e aprendermos sempre. Persistência 1 – responder “Não, não estou desempregada. Sou freelancer.”

Desconstruindo 2 – Dá pra dormir muito, né?

Confesso que eu achava que poderia dormir até 10h da manhã, tomar um café de filme – com calma, lendo jornal ou vendo minha série preferida. Ledo engano. Eu acordo todo dia às 7h, começo a trabalhar às 8h e sigo trabalhando até 18h. Como estou em um fluxo de trabalho médio, sigo no mínimo a meta de 8h trabalhadas, mas o que acontece é que trabalho quase 10h. Em épocas de pico, 12h, 15h. Tenho a sensação de que freelancer trabalha mais do que um funcionário CLT. Acordamos cedo e quando piscamos já deu sete horas da noite.

O grande mito de dormir até tarde se quebra porque freelancer trabalha com clientes. A não ser que seu cliente seja um notívago, muitas vezes você tem que tirar dúvidas com ele, fazer uma ligação ou encontrá-lo pessoalmente e 90% das vezes isso acontece em horário comercial. Você até pode jogar tudo pro alto e não trabalhar numa quarta-feira, mas sabe que o sábado daquela semana morreu pra ti, né?

Persistência 2 – aprender a organizar e reorganizar seu horário sempre. Organização é regra número 2 na vida de um freelancer.

Desconstruindo 3 – Você ganha muito?

Desde que comecei a trabalhar como freelancer palavras como negociação, rentabilidade e planilhas fazem parte de minha rotina. No mundo ideal, em uma experiências de anos, você alcança um valor que considera bacana e com seu tempo livre você se especializa para ganhar mais e assim a roda gira. Mas se você está iniciando sua carreira como freelancer muitas vezes você aceita o que o cliente pede porque ele é um dos poucos clientes que tem. Perigo mor! Cuidado. Esse tipo de cliente é como um sanguessuga oportunista. Valorize seu trabalho, não fique pensando na volatilidade do fluxo de entrada e saída de dinheiro. Se ficar pensando assim, estará preso dentro da lógica tradicional de emprego e olha que descoberta maravilhosa “Você não está em um ambiente tradicional.”

Esse cliente não quer pagar o que você considera justo, mesmo sendo o seu segundo cliente? Beijo, não rola. “Mas ele é meu amigo.” Será? Amigo que é amigo paga menos para você do que para outro profissional? Reveja seus conceitos. Pense nas horas trabalhadas, não dormidas. Você saiu de seu emprego fixo porque não aguentava mais ser injustiçado, certo? Por que vai dizer sim para quem não te valoriza?

Você deve saber quanto quer ganhar por mês/por ano para então cobrar o valor X para o cliente, entender o cálculo de sua hora. Junte isso à instabilidade de ter mês que se ganha menos, mês que se ganha mais e faça uma média. Você pode ganhar uma bolada de um cliente mais abastado em um mês e ter seu feijão com arroz regular no outro. Isso faz com que muitas pessoas desistam da vida de freelancer, mas para ser sincera, não vejo problema. O grande problema acontece porque muitas pessoas não têm educação financeira e isso é uma corda no pescoço. Antes de ser freelancer você tem que entender suas despesas. Se o valor cobrado cobrir as despesas no início o que vier é lucro. E lucro é ter seu trabalho reconhecido com um valor justo.

Persistência 3 – aprendendo a dizer não para situações que não te façam feliz ou não te valorizam.

Desconstruindo 4 – Como é viver sem chefe?

“Ai, mas deve ser muito bom não ter chefe, né? O meu, por exemplo…” A gente não tem um único chefe que controla e supervisiona, a gente tem inúmeros chefes que observam e controlam e eles são chamados de clientes. Quem te contrata exige qualidade de trabalho e prazo estabelecido cumprido. Você ficou doente, sua casa inundou? O prazo é nossa gargantilha. Eficiência e pontualidade ditam carreiras. É claro que podemos escolher nossos clientes, mas eles são nossa prioridade, sem eles não adianta saber traduzir perfeitamente ou ter um olho perfeito para revisão ou ideia mirabolante para diagramar ou a habilidade nova nesse programa pica das galáxias.

Persistência 4 – sempre lembrar que cliente é como a gente. Quem não adora um mimo e receber o que solicitou sem problemas?

Desconstruindo 5 – Você tem agora uma vida tranquila?

Resposta em construção. O estresse ligado ao prazo de entrega + a preocupação em realizar o que foi pedido com qualidade está aqui, dentro do peito, todos os dias, todas as horas. O que aprendi nesse meio tempo tem me ajudado, todavia, a relaxar mais. Vai aqui algumas dicas:

– Pausas são essenciais. Alguns especialistas falam que temos que fazer uma pausa a cada duas horas. O que você acha? Acredito que isso depende do ritmo de cada um e da semana que a pessoa está vivendo, portanto, permita se conhecer. O que você faz para que sua produtividade não caia? Respeite você. Pause, seja por 10, 20 minutos, 1 hora. Ela realmente te renova? Faça um teste e descubra.

– Reveja a hora de parar. Quando parar? Sabemos que o profissional ganha por hora e se trabalharmos mais, ganhamos mais. Mas a hora de parar sempre vem acompanhada com um sentimento “Será que eu não deveria ter trabalhado mais?” Muitas vezes continuamos pensando no trabalho enquanto deveríamos estar em nosso período de lazer, então a pergunta que faço é: o que fazer para se desligar totalmente do trabalho? Isso é algo que ainda não sei responder. Talvez uma imersão num hobby?

Persistência 5 – autoconhecimento e respeito, saber parar e saber pausar.

 

Para ser freelancer você tem que ser um apaixonado pelo que faz, curtir muito o que produz, ter paciência com clientes, ser didático como um bom professor e prezar pela sua saúde mental. As pessoas acham que freelancers estão lá deitados na rede, de boas, mas o que vemos são profissionais que têm produtos que devem ser entregues para ontem, num ambiente de casa, cercado de coisas que amam sim, mas repletos de deadlines. Precisamos de muita organização e saber dividir tempo e atenção, se não todo mundo em volta surta. “Mas você trabalha em casa!” Sim, mas isso não quer dizer que tenho tempo. Na verdade, tempo literalmente passa a ser dinheiro. Saber a hora de parar é a chave principal da casa. Isso sim te levará a uma vida mais tranquila, tão longe do estresse que ninguém deseja. E para manter seu lar em harmonia você terá como animal de estimação, aquele bom companheiro, a persistência.

Hanny Saraiva

7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

Gesto de amor, melhor dos remédios, carinho para viver com o coração pleno. Quem nunca gostou de receber aquele abraço aconchegante que parece aquecer a alma? Pensando no dia do abraço e como é importante estabelecer essa ligação de afeto, separamos 7 livros para você abraçar – porque a sensação de conexão íntima para amantes de livro é a mesma – como se fosse seu melhor amigo.

1. Com o mar por meio, Jorge Amado e José Saramago

Sinopse: A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já tinham idade mais avançada e consolidada carreira literária, porém o vínculo tardio não impediu que os escritores formassem um laço forte, estendido as suas companheiras, Zélia e Pilar. Este livro reúne a correspondência entre os dois mestres – e os dois casais, muitas vezes – entre os anos de 1992 e 1998. São cartas, bilhetes, cartões e faxes com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sobretudo a cena literária.
Leve, com humor, como se fosse aquele abraço de fim de tarde, esse livro contendo a correspondência inédita entre os dois autores é perfeito para exemplificar aquele abraço de amigos que têm um laço forte em seus universos particulares.

2. Só garotos, Patti Smith

Sinopse: O relato inédito e comovente da história de amor e amizade entre a cantora e poeta Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Nestas memórias afetivas, Patti revive a aventura de dois jovens irreverentes e idealistas em direção ao sucesso mundial.
“Por que não consigo escrever algo que faça despertar os mortos?” Neste livro, a poetisa do punk nos dá desde abraços de uma delicadeza andrógina, um saudosismo poético até aqueles que nos tiram do fundo do poço, aquele abraço que salva. Patti Smith teve uma vida de dúvidas, incertezas, percalços, mas acima de tudo foi conectada e reconectada às pessoas que cruzaram sua jornada. Este livro não é apenas um livro de memórias, é um culto às possibilidades que abraçamos, ao ato de entregar-se. Traz um misto de ingenuidade, confusão, dependência, dores, laços, afetividade. Mas acima de tudo, nos mostra o desabrochar de um olhar poético, de uma mulher que era apenas sensação e crença. Uma ode às idiossincrasias artísticas e ao sonho.

3. Soppy, Philipa Rice

Sinopse: reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro, ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar.
É um livro maravilhoso para abraços estilo Netflix, com cheiro de acordei agora e tô te abraçando apenas para dizer o quanto é legal te abraçar no dia a dia. Singelo e fofo, tenho certeza que sua vontade de abraçar vai pipocar quando acabar a leitura desse título.

4. Sete minutos depois da meia-noite, de Patrick Ness

Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07, ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa: o monstro quer a verdade.
É um livro que você pode recomendar para aquele amigo que está passando por uma situação muito complicada e não sabe lidar com o caos que nos cerca. Poético, mágico e delicado, a narrativa do livro lembra muito Onde vivem os monstros. De uma profundeza sutil, nos vemos dentro do universo de Conor e como ele lida com seu monstro e a morte. Às vezes você quer abraçar, mas a pessoa não deixa? Esse talvez seja o livro para esse momento.

5. Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Sinopse: A adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente ‘branca’ e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Sensível e poético, a força das palavras dessa escritora nigeriana se encontra na simplicidade de usar o cotidiano de um microcosmo para abordar questões como violência, obsessão, opressão e a linha tênue entre o que é ser bom, o que é ser mau. Não temos aqui uma narrativa educativa nem pedagógica do que é certo ou errado, mas a descrição de uma pressão social, a confusão do que é ser rico e ser pobre em um local de desigualdades, a intolerância, a tirania, uma vontade grande de liberdade em meio ao sufocamento de não ter alternativas além de obedecer. Goles de amor em um mundo soberano podem alterar cursos, destruir e libertar destinos, construir histórias?
Os personagens vão ganhando peso e nos sentimos mais perto de suas dores e anseios conforme a narrativa avança. Chegamos ao fim como se estivéssemos dentro da casa deles. Não é algo como abrir a porta e entrar, você vai se entregando aos poucos, até realmente se sentir em casa. E no fim parece um abraço desesperado em busca de uma solução, mas o que a vida nos mostra é um eterno karma de consequências, mesmo que tardias.
“Um gole de amor, era como Papa chamava aquilo, pois a gente divide as pequenas coisas que amamos com as pessoas que amamos.”

6. O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

Sinopse: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Esse é um livro para abraçar como se sua memória de infância fosse uma pessoa ou uma coisa. Sabe aquela saudade com misto de medo do que foi vivido e a necessidade de um abraço para dizer que tudo vai ficar bem? É o que você sentirá nas entrelinhas dessa história. A necessidade de abraçar quem esteve presente em nossos momentos de criança, como se lembrança fosse objeto capaz de voltar e nos tocar, é grande.

7. O livro dos abraços, Eduardo Galeano

Sinopse: Galeano mostra o resultado de suas andanças incessantes de caçador de histórias, que vai ouvindo de tudo. O que de melhor ouviu ele transforma em livros como este, onde lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. A memória viva, diz Galeano, nasce a cada dia. Nada que possa ser dito numa apresentação é capaz de chegar perto da beleza e da emoção que estas páginas contêm. Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena.
Poético, cheio de memórias que te acalentam e te fazem pensar nas suas próprias, é um livro de presente. Pra cobrir de noite e dizer Feliz noite. Os contos são pura fantasia, charme com palavras e profundidade lírica. Pra dar de presente pra quem se ama lentamente e gostaria de abraçar sempre que se vê.
Marca nos comentários aquele amigo que merece um abraço de livro acolhedor.

Hanny Saraiva

Ressaca literária – Seu livro preferido terminou?

O que fazer quando o seu livro preferido termina?

Ressaca Literária: “quando o leitor tem vontade de ler determinado livro, mas não consegue entrar na história. Ou seja, o leitor fica preso em uma cápsula invisível sendo impedido de ler o livro.” – definição do blog Desencaixados. Já passou por isso? Hoje vamos falar sobre um tipo de ressaca específica, aquela provocada pelo término de uma leitura sensacional, que mudou sua vida, que te fez colocar o título X na lista de livros preferidos. Estamos tocando no delicado assunto: “O que fazer quando o seu livro preferido termina?”
Primeiramente, você grita: Fora Temer e toma uma cerveja. Sabe aquele conselho que para curar uma ressaca você precisa tomar outra cerveja? Isso serve para os apreciadores de cevada, mas e para aqueles que estão com ressaca literária?
Você não vai conseguir mais ler, apesar de querer muito, muito. Por quê? Porque você está impregnado do mundo ficcional anterior. Como uma droga, uma paixão arrebatadora, um “ele podia voltar pra mim”.

Participar de competições

Aposte com seu amigo quem vai ler primeiro o livro tal (de preferência algum de seu outro autor preferido). Aposte dinheiro, sorvete, alguma coisa palpável. Neste momento de corte de elos, é necessário algo que vale a pena lutar.

Começar a frequentar um clube do livro

Virtual ou presencial. Se reunir para falar bem ou mal de um livro pode te ajudar a esquecer seu ex. Saia para beber uma taça de vinho ou suco com seus companheiros de leitura e faça perguntas sobre o futuro date, ops, livro.

Visitar uma livraria nova – ou uma que você não conheça

Explore a livraria, toque em títulos, leia a primeira página, mas não compre nada. Converse com livreiros, faça anotações, circule pelo ambiente. Assista uma palestra de algum escritor nessa livraria, participe de algum lançamento, mas não compre nada. Apenas saboreie o contato com os livros e as capas. Tenho certeza que ao fim de quinze dias você estará com muita vontade de ler.

Curtir sua bad literária

Quem disse que é regra geral fugir da bad de términos? Chore. Chore muito. Veja filmes inspirados no livro, crie playlists sobre o filme, ouça playlists, viva o luto. Sofra até sua dor ao máximo – não recomendo mais de uma semana porque aí pode gerar um sistema de tristeza profunda e afastamento de amigos. Vale até comprar produtos que te lembrem da narrativa, mas não se tatue. Calma, tatuagem é uma parada séria, tipo amor eterno. Espere seis meses para ter certeza se era paixão ou amor mesmo. Tatue só por amor.

Escutar um audiobook

Quem disse que livro é só papel está com a cabeça fechada demais para esse século que estamos vivenciando facilidades tecnológicas e interessantes formas de captar e experimentar narrativas ficcionais. Ouvir uma história pode sim curar sua ressaca porque te transporta para um novo ambiente, te fazendo se distanciar de sua antiga paixão, aka, ressaca. Uma outra opção é explorar o mundo de podcasts literários.

Dica: dá uma espiada na Ubook.

Ler o livro novamente

Que mal tem saber de cor algumas frases e prestar atenção a outros detalhes e começar um novo clube de fãs aficionados pelo título? Das duas uma: ou você realmente vai amar ou vai conseguir começar a ver alguns defeitinhos que fará com que seu coração se acalme e dê espaço para um novo amor.

Escrever

Talvez você necessite colocar para fora toda sua necessidade de estar conectado ao mundo que te apaixonou. Escreva uma fanfic. Escreva uma resenha. Escreva duas resenhas. Escreva um conto baseado em um dos personagens. Escreva para o autor. Crie hashtags para o livro. Escreva uma carta para um amigo falando sobre o livro.


Como você se sentiu quando terminou de ler aquele último livro maravilhoso que você não queria que terminasse? Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva