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6 escritores que amavam gatos

6 escritores que amavam gatos

A profissão de escritor é conhecida por ser uma atividade solitária, mas quantas vezes já testemunhamos um felino como parceiro de escrita do artista? Muitos bichanos são temas de inspiração, outros têm papel fundamental no dia-a-dia de seus donos. O imaginário literário cruza com gatos em livrarias, bibliotecas, máquinas de escrever, computadores, um símbolo dos amantes de livros. Pensando em como esses felinos estão presentes na literatura do mundo, separamos 6 escritores que amavam gatos e que, com certeza, deixariam Max – o gato – entrar na biblioteca.

1. Ernest Hemingway

O autor de “O velho e o mar” tinha muitos gatos em seu lar em Cuba e na Flórida. Sua gata branca mais conhecida se chamava Snow White e tinha seis dedos, um presente estimado do capitão Stanley Dexter para o autor. Gatos eram adorados entre marinheiros por serem capazes de espantar ratazanas das embarcações e ter gatos com seis dedos era sinônimo de sorte para quem vivia em navios. Para Hemingway, os gatos eram “máquinas de ronronar” e “esponjas de amor”. Atualmente mais de 50 gatos de seis dedos vivem na casa do escritor, que foi transformada em um museu. Sorte dos gatos ou dos humanos?

2. Jorge Luis Borges

O autor que imaginava “o paraíso como uma espécie de biblioteca” adorava seu felino chamado Beppo, que foi seu companheiro de reflexão e inspiração por quinze anos, e a ele dedicou o poema “A um gato”. Será que Beppo circulava pela biblioteca do autor?

3. Charles Bukowski

“Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu.” O escritor de “Factotum” era apaixonado por gatos. Produziu vários textos, cartas e poemas onde citava seu fascínio pelos felinos, considerados animais com uma força própria, muito mais livre e superior ao homem.

 

4. Jack Kerouac

Mais um autor a favor dos gatos é o escritor de “On the road”. Sua vida errante mistura-se com seu amor pelos felinos. Tanto que a morte desses animais de estimação tem peso significativo em suas obras, como em “Big Sur”, onde a notícia da morte do gato do personagem dá início a uma mudança no espírito do protagonista. A jornada de Kerouac como escritor é cruzada com a presença de vários gatos e o convívio com eles é expressamente inspirado em suas narrativas.

5. Jean Paul Sartre

“Estamos condenados à liberdade”, Sartre afirmou. Quem é mais livre que o gato? O autor de “A idade da razão” tinha como companheiro seu gato Nada. Sartre também é inspiração para Henri, o gato existencialista, criado por Will Braden.

6. Jean Cocteau

O autor de “Os filhos terríveis” dizia que o “gato é a alma visível da casa”. Amante dos felinos, Cocteau chegou a criar um clube de amigos dos gatos. Aos gatos, o escritor dedicou palavras e sentimentos nobres. Seu gato Karoun era conhecido como “o rei dos gatos”.


Será que esses escritores seriam os mesmos sem a presença de seus felinos? Por que gatos estão sempre perto de livros? Seriam eles o elixir literário que caminha entre o mundo da imaginação e a realidade? O que você acha? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

Verão chegando, calor brotando e aquele gosto de samba que penetra na pele e arrasta o pé para o batuque – quem nunca? Pensando em já te preparar para o ritmo “samba, suor, cerveja”, separamos 10 músicas que todo amante do samba deve conhecer e compartilhar, porque música que é música atravessa gerações.

 

1. Malandro – Jorge Aragão/Jotabê

Malandro na voz de Elza Soares é como um sussurro saudoso, uma das mais belas interpretações da canção que traduz o espírito daquele “perdido no mundo morrendo de amor”.

2. A voz do morro – Zé Kéti

Samba sobre samba que contempla gerações. Condutor de alegria, pincela um pouco a história do gênero musical, quase um hino carioca.

3. Se acaso você chegasse – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins

Feito quase de improviso em uma calçada em Porto Alegre, esse samba foi inspirado na vida amorosa do compositor. Perfeito para cantar depois da sétima cerveja.

4. Coração – Noel Rosa

Canção obrigatória para entender o samba: intenso, generoso, cheio.

5. Batuque na cozinha – João da Baiana

João da Baiana, aquele que introduziu o pandeiro no samba, compôs esse samba em 1968. A simplicidade dessa canção é sua maior grandiosidade.

6. Eterna Paz – Candeia e Martinho da Vila

Esse samba é mais que uma “flor que flui”, é poesia batucada para aqueles que sonham.

7. Agoniza, mas não morre – Nelson Sargento

Seu compositor luta pelo samba desde os anos 50, época onde o gênero era marginal. Esse samba é acima de tudo “negro, forte, destemido”, símbolo de resistência.

8. Quando bate uma saudade – Paulinho da Viola

Uma pulsação intimista de uma jura não dita, desejo revivido, – que para continuar desejo precisa se manter distante – o sentir como o único caminho a se trilhar. Perfeito para cantar em voz alta.

9. A flor e o espinho – Nelson Cavaquinho

Bucólico, lírico, perfeito para aqueles dias onde parece que a sua dor é a maior do mundo. Só sua.

10. Agora é cinza – Alcebíades Barcelos e Armando Marçal

Campeão do Carnaval de 1934, sua melodia é atemporal, sendo conhecido até hoje “como um dos maiores sambas de todos os tempos”.

Para celebrar o dia nacional do samba, que tal vestir a Poesia do Samba? =D

 

 

Hanny Saraiva

As 13 melhores pílulas poéticas de Emily Dickson

Gostaria de uma pílula poética? Separamos treze encantamentos de Emily Dickson (inspirados em nossa camiseta) para você compartilhar entre os amigos e tornar seu dia mais poético.

Para sempre é composto de agoras

  1. Para sempre é composto de agoras.
  2. A esperança é uma ave que pousa na alma, canta melodias sem palavras e nunca cessa.
  3. Todo meu patrimônio são meus amigos.
  4. Pela sede, aprende-se a água.
  5. Suave como o massacre dos sóis mortos pelos sabres do anoitecer.
  6. Me mata e a alma flutua. Cantando ao Paraíso, sou tua.
  7. Astutos corcéis do tempo param e não vão embora, na porta do tormento nem que lhes metam espora.
  8. Lá fora as coisas não são diferentes, as estações se escoam, enfloram-se as manhãs no meio-dia e abrem botões de fogo.
  9. O sucesso é mais doce a quem nunca sucede.
  10. A beleza não tem causa, ela é. Tenta caçá-la e ela cessa, desiste e ela permanece.
  11. Se recordar fosse esquecer, eu não me lembraria.
  12. Banir a mim de mim fosse eu capaz. Fortim inacessível ao eu audaz.
  13. A dor tem algo de vazio, não sabe mais a era em que veio ou se havia um tempo em que não era.

Qual a pílula poética representa mais seu estado de espírito atual? Compartilhe com a gente!


Hanny Saraiva

4 autores africanos que você precisa conhecer

4 autores africanos que você precisa conhecer

1. Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria)

 

Chimamanda Ngozi Adichie
Autora de “Hibisco Roxo” (2003), “Meio sol amarelo” (2006), “Americanah” (2013) e a coletânea de contos, “No seu pescoço” (2017), a nigeriana é uma das mais fortes potências feministas da atualidade. Sua palestra no TED “Todos devemos ser feministas” é uma ode à discussão do papel da mulher e “O perigo de uma história única” uma reflexão sobre identidades múltiplas. Adichie, ao escrever sobre diversidade, amor, dor, resistência nos presenteia não com uma literatura de nicho, mas com um claro espelho contemporâneo acerca da heterogeneidade.
Chimamanda é inspiração e faz parte da coleção Mulheres na literatura, confira em nosso site >> http://www.poemese.com/1169_t-shirt_mulheres_na_literatura/p <<

 

2. Mia Couto (Moçambique)

 

Mia Couto
O mestre da linguagem, o encantador de palavras, autor de seu país mais traduzido no mundo. O criador de “Terra Sonâmbula”, eleito um dos 12 melhores livros de toda a África no século XX,  nos brinda com uma África multifacetada, com ênfase nas margens, no absurdo, no popular, no fantástico que nada mais é do que um olhar poético sobre a realidade deslocada. Destaque para os livros “A menina sem palavra”, “Mulheres de cinza” e “Antes de nascer o mundo” se quiser refletir sobre a vida 100% poesia do autor. E se quiser vestir poesia com a atmosfera de Mia >> http://www.poemese.com/1173_t-shirt_era_uma_vez/p <<

 

3. José Eduardo Agualusa (Angola)

 

José Eduardo Agualusa
Um defensor de raízes, o autor angolano usa e abusa de inovação semântica e estilística em suas narrativas (tipo a gente que adora camisetas poéticas como essa aqui >> http://www.poemese.com/1133-bata-ritmos–metrica–rima/p <<) e se debruça sobre história e identidade em sua ficção. Destaque para “A sociedade dos sonhadores involuntários” que fala sobre sonhos e política angolana que o autor afirma ter escrito com “materiais de poesia” e “Estação das chuvas”, que problematiza a identidade nacional e o cenário violento e inquietante de um país repleto de beleza e horror.

 

4. Ngũgĩ wa Thiong’o (Quênia)

 

Ngũgĩ wa Thiong’o
Após ser perseguido por ditadores em seu país, o autor, que exilou-se nos Estados Unidos, ensinou Literatura na Universidade de Yale e na Universidade de Nova York. Ngũgĩ publicou várias obras em inglês devido seu exílio, mas destacamos “Um grão de trigo” que tem como pano de fundo o processo de independência do Quênia e “das dúvidas e lealdades que cada um leva consigo.” Quando o autor esteve em 2015 na FLIP foi ovacionado em sua palestra. Se você gosta de escrever e semear, vai adorar >> http://www.poemese.com/422-t-shirt-poesia-em-mim/p <<

 


Estamos doidos para saber se conhece algum outro autor africano. Compartilhe com a gente sua descoberta! =)


Hanny Saraiva

6 mulheres que mudaram a história da literatura

6 mulheres que mudaram a história da literatura

“Elas inauguram linhagens, fundam reinos e são fantásticas com a caneta na mão.” Para relembrar que representatividade importa, selecionamos seis mulheres que mudaram a história da literatura e nos inspiram a cada dia com sua força feminina.

1. Agatha Christie

 

Agatha Christie
A rainha do crime é uma das maiores escritoras de romances policiais, com mais de 90 livros publicados e traduzidos ao redor do mundo. A autora do livro “Assassinato no Expresso do Oriente” popularizou a literatura detetivesca criando ambientações e elementos que são comumente usados em toda ficção policial até hoje, desde filmes e séries até jogos e quadrinhos.
Os devoradores de livros sabem bem. Por falar em devoradores, conheça a camiseta literária “a literatura alimenta

 

2. Jane Austen

 

Jane Austen
Diálogos cheios de ironia, reflexão sobre valores, ambição. A autora de “Orgulho e Preconceito” criou a comédia de costumes. Seus personagens nobres retratavam a sociedade da época, tão cheia de hábitos e intrigas. Alguns críticos consideram a autora a primeira romancista moderna da literatura inglesa. Acreditamos que os livros são os tijolos que pavimentam o caminho para uma sociedade melhor, mais justa e equilibrada, por isso criamos a camiseta “Só A Literatura Salva”. Jane Austen ficaria orgulhosa! ˆˆ

 

3. J. K. Rowling

 

J. K. Rowling
A autora de “Harry Potter” revolucionou o mundo da fantasia, criando cenários fantásticos, personagens que exploravam magia e oxigenando a relação dos valores de amizade, fazendo com que uma gigantesca leva de fãs atravessassem décadas acompanhando suas aventuras literárias. As obras da autora fortaleceram toda uma gama de autores de literatura fantástica, fazendo com que o gênero saísse do submundo: de uma literatura menor para uma franquia de sucesso. Conheça nossos produtos literários do bruxinho aqui.

 

4. Simone de Beauvoir

 

Simone de Beauvoir
Feminista, símbolo do existencialismo, Simone revolucionou a literatura ao analisar a presença e o papel da mulher na sociedade. A autora de “O segundo sexo” foi polêmica para os padrões da época por produzir conteúdos altamente libertários e eróticos. Veja todos os produtos literárias da autora em nosso site.

 

5. Rachel de Queiroz

 

Rachel de Queiroz
Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz revolucionou a literatura brasileira ao trazer temas sociais como a luta do povo nordestino para uma ótica literária dramática. A autora de “O quinze” e “Memorial de Maria Moura” foi pioneira na arte de dar voz à literatura regionalista do sertanejo e foi uma escritora de vanguarda dentro do movimento modernista brasileiro. Por falar em modernismo, confira o que temos sobre eles em >> http://www.poemese.com/movimentos-literarios/modernismo <<

 

6. Virginia Woolf

 

Virginia Woolf
A autora de “Mrs. Dalloway” é considerada uma das maiores romancistas inglesas do século XX e pode ser vestida na Poeme-se >> http://www.poemese.com/virginia-woolf << Em suas obras, o fluxo de consciência dos personagens – técnica literária amplamente difundida por suas narrativas – é trabalhado dentro de narrativas rotineiras, transformando o banal em poético.

 


Conhece alguma autora que esteja quebrando padrões na atualidade? Adoraríamos conhecê-la! Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva

As 5 mortes mais doidas da literatura

As 5 mortes mais doidas da literatura

A morte é sempre um fator que faz com que nós, leitores, fiquemos com o coração doído, mas alguns autores têm o poder de ir além de nos esmigalhar. Eles nos chocam, nos deixam com aquele sentimento de “preciso virar a página, mas não quero”. Stephen King já dizia “o que eu faço é rachar o espelho”. Para você, que gosta de janelas quebradas, caos, invasão do extraordinário e como lidar com isso, separamos as 5 mortes mais doidas da ficção. Cuidado, tem spoiler!

1. Vestuário mortal

Em “Grandes esperanças”, de Charles Dickens, temos a sra. Havisham com seu vestido puído de noiva, mancando com apenas um pé de sapato e guardando tudo relacionado ao dia em que foi deixada no altar, até mesmo seu intocável e podre bolo de casamento. Desiludida, ela cria sua filha adotiva Estella para também não se importar com homens e ser fria. Entra na história o pobre Pip, que acaba sendo vítima e se apaixonando por Estella. No fim do livro, Miss Havisham se arrepende e perde perdão a Pip. Quando ele sai do recinto, ela fica parada perto da lareira e seu vestido pega fogo. Apenas uma má posição e parece que o jogo virou, não é mesmo? Pode parecer simples, mas a situação dentro do livro é chocante.

2.  Sorvete envenenado

Em “Como me tornei freira”, de Cesar Aira, uma história simples: uma família se muda para uma cidade maior e o pai promete ao filho sair para tomar um sorvete. O filho escolhe o sorvete de morango e não gosta do sabor. O pai briga com ele e insiste para que lamba tudo. O gosto era estranho por uma única razão: estava envenenado. O pai então mata o vendedor de sorvete enquanto o filho se recupera do envenenamento por cianeto no hospital. A máxima “Nunca confie em estranhos” é válida aqui. Nunca sirva sorvete envenenado, você pode ser espancado até a morte.

3. Para o infinito e além

Encontramos muitas mortes bizarras em “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Marquez, mas a mais especial é a de Remedios, a bela que literalmente levava os homens à loucura. Um dia, a personagem simplesmente flutua de sua cama, dá adeus à sua família e vai em direção a uma luz, se perdendo para sempre na atmosfera. Você pode achar que é um episódio de Arquivo X, mas não. A narrativa de Gabriel é cheia de bagulhos sinistros.

4. Lei do retorno

Em “Deuses americanos”, de Neil Gaiman, temos em destaque a morte de uma deusa, que é perseguida e atropelada pela limusine de outro personagem conhecido como “garoto gordo” (na série é chamado de Technical Boy) até ela se tornar pequena e líquida e ser lavada e levada pela chuva. Todos os deuses que morreram nesse livro mataram alguém anteriormente na trama. Seria karma?

5. Tédio infantil x inferno da babá

“Quando os Adams saíram de férias”, de Mendal W. Johnson conta a história de Barbara, uma babá de 19 anos que foi contratada para tomar conta de duas de cinco crianças/adolescentes de uma família. Até aí super tranquilo, né? Mas os irmãos são a encarnação do mal, psicopatas em potencial que criam um jogo para maltratar e torturar a babá. É uma leitura para chocar e precisa de um pouco de estômago forte porque o processo todo até à morte é agonizante.


Qual a morte mais doida que você já leu na literatura? Alguma te trouxe terror? Conta para gente nos comentários!


Hanny Saraiva

7 previsões de Aldous Huxley ou por que você deveria estar com medo agora mesmo

7 previsões de Aldous Huxley ou por que você deveria estar com medo agora mesmo

Aldous Huxley foi um dos grandes pensadores do século XX e como bom escritor de ficção científica, um observador das peculiaridades humanas. Seus palpites são uma realidade atual e sempre nos deixam com aquela sensação “Winter is here”. Separamos 7 previsões que já estão entre nós e perguntamos: dá ou não dá medo?

1. Reprodução humana

Em “Admirável mundo novo”, o autor nos apresenta a um mundo onde os bebês são criados artificialmente em laboratório. Apesar de o primeiro bebê de proveta ter sido criado 40 anos depois da criação dessa obra e precisar de um útero humano, hoje temos experimentos no Japão, por exemplo, onde fetos de cabra estão se desenvolvendo até 3 semanas fora do útero da mãe.

2. Relacionamentos líquidos

Huxley pincela no livro “Contraponto”, o que hoje conhecemos como amor líquido: a fragmentação das relações. Temos diversas histórias sobre relacionamentos que buscam o amor, mas que possuem dificuldade em se comunicar, solitários em vidas movimentadas. Em tempos de Tinder, o livro é um recorte de afetos.

3. Manipulação genética

Essa é a parte mais assustadora. Em “Admirável mundo novo”, podemos escolher as características dos bebês e como queremos a seleção dos seres humanos. Não há espaço para defeitos e sim padrões. Hoje em dia, a ética na comunidade científica está sendo altamente discutida desde que chineses conseguiram criar embriões geneticamente modificados. Parece um episódio de Black Mirror, mas tio Huxley já tinha falado sobre isso.

4. Treinamento comportamental

Ainda em “Admirável mundo novo”, os personagens passam por treinamentos com objetivo de moldar seus comportamentos. Base da programação neurolinguística e muito usado por departamentos de marketing e vendas, esse método é capaz de mudar comportamentos através de modelos mentais. Para Huxley, isso nos levaria à alienação. Em tempos de Facebook, o que você diria que é essa vontade que tem em clicar no anúncio daquele produto que tem tudo a ver com você nessa rede social?

5. Cinema 4DX

Os personagens de “Admirável mundo novo” se divertem assistindo ao “cinema sensível”, onde podem ter sensações em experiências interativas. O que é isso senão o cinema 4D? Uau, né?

6. Táxis aéreos

Você pode se locomover por helicóptero via Uber em São Paulo, certo? Os personagens de “Admirável mundo novo” já faziam isso no dia a dia de suas vidas. O curioso é que os helicópteros só foram produzidos em larga escala uma década depois da feitura do livro. =O

7. Fanatismo religioso

Huxley temia que a abundância de informações que recebêssemos nos levasse à passividade e egoísmo. Em tempos de intolerância, sua obra “Os demônios de Loudun” nos mostra como a relação do homem com o fanatismo religioso pode desencadear a histeria. Uma reflexão que soa familiar?

Esse cenário parece atual para você? Conhece algo mais que Huxley previu e que te deixou assustado? Conta para gente nos comentários! =D


Hanny Saraiva

5 livros que você deveria ler antes do Halloween

5 livros que você deveria ler antes do Halloween

 

O frio na barriga, os pelos arrepiados, aquela sensação de que alguma coisa observa e espreita. Quem nunca jurou ter sentido um espírito por perto ou algo inexplicável? Guardamos para você, 5 dicas de livros de terror que você deveria ler antes do Halloween, porque no dia 31, você sabe, as bruxas andam soltas por aí e nada melhor do que se preparar, né? Vai que…

1. Cujo – Stephen King

Cujo
“Uma invasão do extraordinário na vida das pessoas e como lidamos com isso.” A frase que Stephen King usa na entrevista no final deste livro resume muito bem o porquê de apreciar sua escrita. Em Cujo, temos de uma só vez essa pitada redonda que nos deixa com a pulga atrás da orelha: esse animal é só um animal com raiva ou é algo mais? Não importa, o que importa é como isso afeta as pessoas. Este é um livro angustiante, que assombra com seu terror psicológico: o que tanto assombra a criança e que os pais no fim parecem sentir? O que é o inexplicável? O que tanto te assusta? Todo apreciador de King deveria ter um exemplar.
Você conseguiria deitar a cabeça e descansar enquanto Cujo está solto por aí?

2. A menina que não sabia ler – John Harding

A menina que não sabia ler
Este livro vai muito além do título. Abri a obra em busca de um mundo literário meio poético e me deparei com um universo de mistério, sobrenatural, ouso dizer que em algumas partes até me relembrou o filme “Os outros”. Perturbador, perfeito para quem curte terror psicológico. Muitos afirmam que a escolha do título “A menina que não sabia ler” faz sentido porque reflete que ela é capaz de tudo. Achei forçado no sentido de que vende um produto que não é. Você sente medo ao ver essa capa? Eu nunca sentiria. Diferente do que realmente a trama se propõe, um misto de referência a Poe e “A volta do parafuso”, de Henry James. Sim, a atmosfera de James está nessa obra e a loucura de Poe também. Não sabemos se o que a personagem principal, Florence, vivencia é real ou fruto de sua imaginação, embarcamos em um mundo onde tudo é possível, porque é visto pelos olhos de uma menina de 12 anos, enclausurada, sem contato externo, com livros como companheiros de vida. Sua interpretação de mundo muitas vezes é chocante, sem limites. Fiquei um pouco agoniada/porfavornãofaçaisso com o fim dos acontecimentos, mas agora acho que aceito o que o autor propôs. Aqui temos a seguinte premissa: quem é vilão? O que é um vilão?
Você conseguiria deitar a cabeça e descansar enquanto Cujo está solto por aí?

3. Fantasmas do século XX – Joe Hill

Fantasmas do século XX

Esse compilado de contos é um exemplo de maestria da arte de nos deixar com a boca aberta. Dá vontade de ler os contos em voz alta, como se ficção estivesse logo ali, a nos espionar pela fresta da porta, sussurrando: “Ei, essa é a vida. Cuidado.” Depois de ler esse livro fiquei com muita vontade de montar um clube do livro só com coisa sobrenatural, porque sobrenatural não quer dizer apenas terror, mas tudo que nos leva a um estado encantado. Sim, o livro é encantado, pura magia.

Recomendo uma xícara de chá para acalmar e não perder o fôlego.

4. O vilarejo – Raphael Montes

O vilarejo
A leitura de O vilarejo é ótima pra quem curte narrativas curtas. O livro de contos lembra causos contados por algum amigo e é bem interessante ver como as histórias se entrelaçam. Sinto falta de livros como esse que você pode ler no ponto de ônibus, no engarrafamento, a espera de um compromisso. Ótimo exercício para quem quer ser conciso e quer se divertir rapidamente.

5. A menina submersa –  Caitlín R. Kiernan

A menina submersa
India Morgan Phelps (a narradora e personagem principal) possui esquizofrenia desorganizada e junto a isso somos bombardeados por uma narrativa não linear, pensamentos que prezam pela sonoridade, um mar de referências a quadros, livros, músicas, lesbianismo, transexualidade. É também uma estória sobre corvos, fantasmas, mentiras, memórias. Em algumas partes me lembrava a atmosfera de “Big Fish”, do Tim Burton. O que é real? O que é imaginário? O que encontramos em A Menina Submersa são essas camadas de pele, traduzidas por palavras que tentam alcançar a inquietação e o obscuro de nossas mentes. Essas palavras querem ser lembradas, por mais que tendemos a esquecê-las.
A sinopse do livro diz que “é uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental.” Sinopses nunca definem o que sentimos quando lemos um livro, nem nos explicam por que alguns livros nos cativam e outros não. O que posso dizer sobre “A Menina Submersa” é que ele parece ser uma tentativa de se aproximar do que é frágil, do que nos quebra, do que nos define como seres únicos. O romance é considerado uma “obra-prima do terror” da nova geração por causa de seus elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, além de ser o vencedor do Bram Stoker Awards 2013. É o livro perfeito para aqueles que acreditam que a literatura alimenta.

Você tem alguma outra dica de livro que não entrou aqui? Conta para gente nos comentários!


Hanny Saraiva