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Aladdin foi o meu primeiro gatilho para literatura em um dia dos pais

Você tem direito a três desejos. Há quem responda: mas só três? E há quem diga: não consigo escolher um. Outros já se atentam: minha mãe disse para não falar com estranhos. O fato de responder que não pode falar com estranhos já é falar com estranhos, rapaz. Em 1992 foi lançado Aladdin (Estúdios Disney) com recorde de bilheteria à época, só não lembro. Vi depois, na sequência da infância, e foi esse filme que me fez despertar o primeiro gatilho para a literatura. Também é recortado pelas lembranças das fitas em VHS e dos Dias dos Pais. Como ainda não sou pai, o dia vale como filho.

A história conta a saga do jovem humilde, malandro e sonhador Aladdin. Lembro sempre nas turmas das oficinas que ministro e nas palestras, principalmente para os que sonham em escrever, que uma das principais coisas na criação de uma narrativa para fisgar qualquer leitor é o que aprendi com Ariano Suassuna: conte um sonho a uma pessoa e ela reagirá de uma forma, mas conte que sonhou com a pessoa e ela reagirá com muito mais interesse. Vejam só, eu queria ser Aladdin.

O jovem com roupa diferente e um chapéu que eu queria ter, mesmo sem coragem para usar, era a identificação também pela condição social. Não me faltava pão, mas queria ser rico. Sou iguaçuano, passei a infância em Cosmorama (hoje, depois da emancipação, bairro da cidade de Mesquita) e olhava para determinados lugares e pessoas com aquele imaginário de querer ter dinheiro para tudo o que eu quisesse. Como o Riquinho do filme com Macaulay Culkin, queria ter tudo. Talvez se resumisse a uma lanchonete dentro de casa e poder ser Aladdin. Ou queria apenas viver vários mundos como Agrabah.

A obra tem em minha carreira como escritor grande impacto. Foi incrível assistir quase que semanalmente a invenção de um mundo lúdico, ou um mundo ideal. Do Oriente Médio, noites da Arábia, que eu não fazia ideia que existiam às lendas de gênios da lâmpada, das frutas que eu nunca tinha ouvido falar como tâmaras e pistaches. Tem a princesa Jasmine mostrando que dinheiro não é tudo, querendo ser uma mulher livre. A paleta de cores vivas com predominância do amarelo, do vermelho e do roxo também fez alguma dose de hipnose nas crianças. Depois da macarronada no almoço de domingo era hora de assistir Aladdin.

Jorge Amado, à sua época, quebrou padrões e levou sua literatura brasileira, baiana, para o mundo assim como Cem Anos de Solidão, do Gabo. Com olhar pouco anacrônico podemos perceber a quebra de padrão da animação da Disney, já que se passava no Oriente Médio. Suponho, talvez com inocência daqueles meus sete anos de idade, que isso contribuiu para que viessem obras como Pocahontas, O Príncipe do Egito, dentre outras. Além de tudo, são estímulos de diversidade, pluralidade temática e cultural, exercícios de abrangente sabedoria.

Vale a pena entender a importância de estímulos na infância e seus resultados para a sequência da vida. Em um mundo cada vez mais dinâmico, tecnológico, das telas e redes invisíveis, onde a educação escolar é praticamente a mesma de cem anos atrás cabe ao contexto social essa condução dos estímulos. Devo muito ao que pude exercitar na fantasia com desenhos, filmes, brinquedos, músicas e livros. Desta forma, vale registrar que o que você faz hoje pode ter muita relação com o que você teve na infância. Brincava na rua ou em casa? Via muitos desenhos? Quais? Seus pais e avós te contavam histórias?

Hoje escrevo utilizando meu lugar e meus olhares, só que de forma muito mais ampla porque tive em Aladdin, O Rei Leão, entre outros, primeiros e verdadeiros gatilhos para ser o escritor que sou hoje. É importante notar que absorver a diversidade de linguagens me fez um pouco mais empático. Não é regra, mas um atestado pessoal. A literatura pode gerar esses resultados. Um dos meus desejos é ser pai. Outro é que a leitura não seja vista como esse mostro de calhamaços subjetivos, de letras pequenas, longos e incompreensíveis. Desejo poder contribuir para o fomento à leitura, escrever cada vez melhor, com mais relevância e menos egocentrismo. Como não há gênio perto de mim minha lista de desejos ultrapassa o número três. Mas se houver alguma lâmpada, um gênio com a voz de Robin Willians, espero que realize o desejo de que crianças leiam, adultos leiam, sempre iluminando um mundo que muitos julgam cada vez mais obscuro e imprevisível. Se não perdi as contas o terceiro desejo é que todos sejam livres, inclusive você, gênio.

7 dicas para criar uma criança leitora

Todos sabemos que promover a leitura não só estimula a criatividade e a imaginação como ajuda em novas aprendizagens, contribuindo  para aumento de vocabulário, cultura, desenvolvimento de capacidade crítica. Mas crianças leitoras têm uma visão de mundo diferente das que não gostam de ler. Elas resolvem melhor seus problemas, refletem sobre outras possibilidades e muitas das vezes são nas histórias que entendem as dificuldades e os prazeres de se crescer. Todo pai quer que seu filho viva de forma plena e feliz e criar uma criança leitora é o sonho de muitos que acreditam que amar livros é um dos caminhos para se produzir um mundo mais justo e democrático. Separamos 7 dicas para criar uma criança leitora, já testadas por pais que afirmam que deu certo.

1. Incentive a imaginação

Mesmo que a criança não saiba ler os códigos, é fundamental que a criança se sinta parte do processo de construção das histórias. Incentive seu pequeno a criar novos fins, novos começos, a pensar sobre outras possibilidades, a ter vínculos com os personagens, a deixar a imaginação solta.

2. Leve seu pequeno para Bienal do Livro

Toda a família deve frequentar espaços de leitura, livrarias, bibliotecas, Bienal do Livro. Na Bienal do Livro de São Paulo esse ano, por exemplo, haverá uma Praça de Histórias com diversas atividades incríveis e o espaço infantil terá a Tenda das Mil Fábulas com fábulas, lendas, histórias, contos e mitos, destacando na programação a diversidade cultural brasileira e a diversidade humana de 03 a 12 de agosto. Além disso, você poder passar em nosso estande e checar nossas novidades para arrasar com aquele #LookLiterário encantador para o pequeno.

3. Conte uma história todo dia

E se divirta também. Leitura é prazer. Todos sabemos que é importante que pais leiam para os filhos, pois dentre as inúmeras vantagens os vínculos afetivos e o gosto são criados a partir desses momentos. Mas nunca leia com pressa ou estressado. Seu filho irá sentir isso e o que deveria ser um momento partilhado, será visto como uma obrigação e ninguém sente prazer sendo obrigado, né? O que importa não é quantidade e sim qualidade. Velha máxima que deve ser respeitada à risca. O ideal é que pais possam contar uma história por dia, mas não é uma regra fixa, você pode estipular uma vez por semana, três vezes. O que importa é sua presença. De corpo e alma.

4. Deixe a criança se encontrar pela livraria

E isso quer dizer deixá-la explorar o espaço. Nada de você colocando o livro na mão dela, deixe-a escolher. Deixe-a tocar nos livros, passar a mão na capa, ver o que mais lhe agrada. Relaxe e vá você ler um livro. Isso vale também para outros espaços de leitura. Não tenha pressa.

5. Dê o exemplo, leia

Esse é a dica essencial. Se você não sente prazer lendo, seu filho seguirá seu exemplo e não irá gostar de ler. Se você é um apaixonado, no mínimo ele ficará curioso sobre essa paixão. Se empolgue com a leitura, divida com seu pequeno essa alegria. Para pais com bebês: não pare de ler porque está com um bebê. Pode até ser que você diminua um pouco a quantidade de leitura, mas não abra mão. Livros e histórias devem fazer parte do dia a dia da família, como comer e tomar banho.

6. Vá além dos livros

Ler vai além dos livros. A leitura está em sinais de trânsito, em rótulos, receitas, gestos, imagens, canções, o mundo. Temos que entender que aprender os códigos e estudar as letras não faz uma pessoa leitora. Traga outros elementos à vida de seu pequeno para que ele se sinta confiante e se apaixone pelo mundo dos que leem com amor e prazer. Não menospreze outros símbolos que ele pode chamar de leitura.

7. Vista literatura

Se crianças que gostam de super-heróis amam camisetas com seus personagens preferidos, por que crianças que gostam de livros não adorariam camisetas com seus personagens preferidos? Dê presentes que os lembrem da literatura, vista poesia.

Seu filho é um leitor nato? Conta pra gente o que você acrescentaria nos comentários. =)

Hanny Saraiva