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10 capas de livros para você querer vestir literatura

Não há como negar: algumas capas de livros parecem que foram feitas para serem vestidas. Quem nunca parou em frente a uma livraria só porque uma capa lhe chamou a atenção? Quem nunca tocou uma capa como se ela tivesse algum feitiço sobre você e abriu aquele sorrisinho de lado só para constar que realmente o projeto gráfico te deu aquele burburinho de emoção indescritível? Pensando nesse encantamento, escolhemos 10 capas de livros que vão te fazer querer vestir literatura e arrasar com seu #lookliterário.

1. O príncipe

Escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, a primeira edição foi publicada em 1532 e o livro descreve formas para conquistar e se manter no poder. Você acha que essa capa faz jus à expressão “os fins justificam os meios”?

Camiseta O príncipe

2. Dom Quixote

Escrito por Miguel de Cervantes, foi inicialmente chamado de El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha e sua primeira edição data de 1605. Paródia sobre os romances de cavalaria, Dom Quixote é uma sátira sobre as histórias cheias de fantasia desses heróis.

Camiseta Don Quijote

3. Dom Casmurro

Escrito por Machado de Assis, foi publicado pela primeira vez em 1899. Ao abordar temas como ciúmes e ambiguidades comportamentais, Machado criou uma obra que retrata a moral e o caráter da época, usando de forma primordial elementos como ironia e intertextualidade.

4. Madame Bovary

Escrito por Gustavo Flaubert em 1857, é considerado o primeiro romance realista e uma crítica social à classe burguesa. Essa capa é para você sair por aí repetindo a célebre frase “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu). 😉

Camiseta Madame Bovary

5. Moby Dick

Escrito por Herman Melville, foi lançado em 1851 e revolucionou o meio literário por explorar as aventuras do narrador, descrevendo de forma não-ficcional métodos de caça, detalhes de embarcações em meio a reflexões pessoais e descrições imaginativas.

Camiseta Moby Dick

6. Os maias

Escrito por Eça de Queiroz e publicado em 1888, o livro conta a história da família Maia através de três gerações e essa capa é perfeita para quem adora um clássico com pitadas de história de amor.

Camiseta Os maias

7. Os 3 mosqueteiros

Escrito por Alexandre Dumas, sua primeira edição aconteceu em 1844 e o título inicial seria Athos, Porthos e Aramis, mas foi mudado porque a narrativa conta a história de 4 heróis. É uma camiseta perfeita para quem ama romance de capa e espada.

Camiseta Os 3 Mosqueteiros

8. A república

Escrito por Platão no século IV a.C. e narrado em primeira pessoa por Sócrates, o livro indaga o que é Justiça e perpassa sobre a filosofia ético-política e os regimes políticos de uma cidade ideal. Em tempos de eleição, é o look literário perfeito para ir às urnas.

Camiseta A republica

9. As aventuras de Robinson Crusoé

Escrito por Daniel Defoe, foi publicado originalmente em 1719 e ficciona uma autobiografia de um personagem que passou 28 anos em uma ilha após um náufrago, cruzando com canibais. O título original é The Life and Strange Surprizing Adventures of Robinson Crusoe, of York, Mariner: Who lived Eight and Twenty Years, all alone in an uninhabited Island on the Coast of America, near the Mouth of the Great River of Oroonoque; Having been cast on Shore by Shipwreck, wherein all the Men perished but himself. With An Account how he was at last as strangely deliver’d by Pyrates. Quem não adoraria atravessar os mares vestindo essa capa clássica?

Camiseta Robinson crusoe

10. O segundo sexo

Escrito por Simone de Beauvoir e publicado em 1949, é a nossa capa mais recente, obra importantíssima para o movimento feminista por analisar o papel da mulher na sociedade.

Camiseta O segundo sexo

Hanny Saraiva

5 séries de peso baseadas em livros

Adaptações sempre são assuntos polêmicos e muitas vezes repetimos que o livro é melhor, mas algumas vezes temos que dar o braço a torcer e afirmar que o trabalho de adaptação é de qualidade (mas não supera o livro).

A gente quer que todo mundo veja a série sim, mas que também leiam o livro, né? Por isso separamos 5 séries de peso (fortes, impactantes, com excelentes adaptações, seja por conta do trabalho dos atores, seja pelo trabalho da equipe de produção e criação) baseadas em livros. Qual sua preferida?

1. Game of thrones

Queridinho número 1 da galera contemporânea (e alguns órfãos de O senhor dos anéis), a primeira temporada foi bem fiel ao primeiro livro da série de livros A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin. Apesar de o autor não ter concluído ainda a série de livros, a série televisiva alavancou a venda de livros e retornou a sede por livros grossos e caminha para a última temporada com muito sangue, plot twist e surpresas.

Sinopse: Situada nos continentes fictícios de Westeros e Essos, a série centra-se no Trono de Ferro dos Sete Reinos e segue um enredo de alianças e conflitos entre as famílias nobres dinásticas, seja competindo para reivindicar o trono ou lutando pela independência do trono.

camiseta Hold the Door

Bates motel

Espécie de prólogo do livro Psicose, escrito por Robert Bloch, – que também inspirou o filme de Alfred Hitchcock – Bates Motel aborda os mistérios em volta do personagem Norman Bates e sua mãe. Com atuações intensas, a psicopatia, a loucura e a manipulação saem da esfera cliché e esse universo é explorado com maestria, assim como foi o livro de Bloch, “publicado originalmente em 1959 e livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas.”

Sinopse: Após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decide começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela compra um velho motel abandonado e a mansão ao lado.

3. Mindhunter

Pesado, intenso, o autor não mede palavras, tornando o livro base para várias séries e filmes de investigação. Mindhunter, de John Douglas e Mark Olshaker conta a história do lendário agente especial do FBI John Douglas, especialista em serial killers que desvendou a identidade de diversos suspeitos e analisou perfis como os de Charles Mason. Thriller ou biografia? A adaptação para a série caminha para thriller documental, com foco nos perfis criminosos, mas também nas consequências de se focar somente no trabalho. A série se baseia na vida de dois agentes que assim como John, entrevistam assassinos e analisam perfis para resolver casos.

Sinopse: Estados Unidos, 1977. Holden Ford e Bill Tench, dois agentes do FBI, possuem um plano ambicioso em mente: desenvolver a primeira pesquisa nos EUA sobre a mente dos assassinos. Para isso, eles precisam ganhar a confiança dos detentos e superar uma série de desafios.

4. Anne with an E

A série é inspirada no livro Anne de Green Gables, da canadense Lucy Montgomery, publicado a primeira vez em 1908. A adaptação foi feita pela escritora e produtora Moira Walley-Beckett e é uma combinação de romantismo da era vitoriana, com pinceladas de problemas sociais ao fundo e como lidar com eles. Singela e permeada de atuações ora tocantes ora exageradas, Anne with an E aborda temas como feminismo, machismo, a homossexualidade e o racismo de forma enternecedora, além de acompanharmos as frustações e alegrias do dia a dia dos personagens.

Sinopse: Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a órfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo.

5. Handmaid’s tale

Baseado no livro O conto da aia, que ganhou o primeiro Prêmio Arthur C. Clarke Award de 1987 e foi também nomeado ao Nebula Award de 1986 e ao Prometheus Award de 1987, o livro de ficção especulativa de Margaret Atwood já vendeu milhões de cópias e assombra leitores e autores. A série ganhou notoriedade entre críticos e o movimento feminista.

Pelas palavras de James Poniewozik, do The New York Times,“‘The Handmaid’s Tale’ é um alerta. Uma história de resistência e sua construção de universo é impecável. É rigorosa, vital e muito assustadora. (…) Eu odeio dizer que essa trama é relevante atualmente, como se não fosse assim há três décadas. Mas vamos encarar: quando se tem um presidente que fala sobre mulheres como se elas fossem brinquedos, que deu a entender que uma jornalista durona estava menstruada, cujo governo juntou uma sala cheia de políticos homens para discutir a saúde das mulheres – bem, o marketing viral acontece por conta própria. Você pode não acreditar que alguém na vida real esteja tentando fazer como que os Estados Unidos se transformem em Gilead. Mas ‘The Handmaid’s Tale’ não é sobre uma profecia. É sobre um processo, sobre a maneira com que as pessoas se forçam a acreditar que o anormal é normal, até que um dia elas olham ao redor e percebem que esses são os antigos dias ruins.”

Sinopse: Em um futuro distópico, um governo totalitário e fundamentalista cristão é formado no território onde antes estava os Estados Unidos. Devido contaminação ambiental desenfreada, a maioria das mulheres se tornou estéril. Para garantir a sobrevivência de sua população, o governo “recrutou” as poucas mulheres férteis, que foram realocadas nas casas da elite, onde são submetidas a estupro ritualizado por seus mestres, de modo a gerarem seus filhos.

camiseta handmaid's tale

Gostaria de compartilhar alguma outra série que você ama baseada em livro? Conta pra gente nos comentários. =D

Hanny Saraiva

Qual a importância da literatura de humor?

Já dizia Victor Hugo, “A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano.” Já que o brasileiro é considerado um povo que ri (vide o número de memes espalhados em velocidade espantosa), nos perguntamos: Qual a importância da literatura de humor?

O que é literatura de humor?

De acordo com a pesquisadora e professora Isabel Ermida, o humor literário “consiste em situações pontuais que, curiosamente, assumem contornos muito semelhantes aos das anedotas.” Esse tipo de literatura aborda a natureza humana tendo como elemento principal o riso. Cheia de crítica, sarcasmo e ironia, a literatura de humor não apenas nos faz sorrir como nos faz pensar. Seu grande trunfo muitas vezes está nas entrelinhas, o efeito de suas frases nos coloca em um ponto onde não apenas rimos, mas começamos a nos questionar por que estamos rindo.

Humor sarcasmo

Onde encontramos a literatura de humor?

A leveza do humor pode parecer oposta ao que algumas pessoas chamam de clássica literatura, mas muitas vezes é através da literatura de humor que refletimos sobre assuntos considerados mais sérios como política e sociedade. Há humor na literatura considerada de massa tanto quanto na alta literatura, por que não produzir mais gargalhadas então? Pensando nisso, a Poeme-se criou uma linha especial de camisetas literárias recheadas de humor para aqueles que acreditam que “literatura boa é a que eu quero ler.”

Humor leitura

Por que o humor na literatura é importante?

A poesia de Bocage, as obras de Philip Roth, o humor inglês de Douglas Adams, a verdade é que as particularidades do humor podem se transformar em aparelhos de denúncias, podem nos ajudar a suportar um momento de crise, podem ser gatilhos para mudanças. O humor vive da circunstância e o ponto principal da escrita de humor é o jogo de palavras que nos faz rir, mas acima de tudo, nos faz refletir. Seja em narrativas ficcionais, seja em tirinhas ou em frases de camisetas poéticas, há um elemento que temos que concordar: é sempre polêmico.

Humor livro

Que literatura de humor você adoraria encontrar na Poeme-se? Conta pra gente nos comentários. 😉

Hanny Saraiva

8 presentes criativos para o Dia dos Pais

O dia dos pais surgiu quando uma menina chamada Sonora Louise Dodd decidiu criar a data em 1909 nos Estados Unidos como uma homenagem a seu pai por ele ter criado 6 filhos sozinho, com muito carinho e alegria, após a morte da esposa.  Mas foi só em 1966 que o presidente oficializou no país o terceiro domingo de junho como data oficial. No Brasil, a data começou a ser comemorada no segundo domingo de agosto e foi comercialmente adotada pelo publicitário Sylvio Bhering. Independente de criações publicitárias, acreditamos que, se você possui um exemplo de orgulho, amor ou superação em sua vida, mimos e gestos de carinhos sempre são significativos e nada mais bacana do que alegrar o dia daquele que está ali do seu lado, te incentivando e acreditando sempre em você. Sugerimos 8 presentes criativos para o dia dos pais que amam literatura e que fará seu pai ficar com o olhinho brilhando.

1. Porta copos Poesia Marginal

Se seu pai é fã de design e tem uma queda por poesia, vai amar os porta copos da Poeme-se que têm versos imantados e ficam lindos na geladeira enquanto esperam para ser usados ou na mesa de trabalho do seu papito.

2. Almofada Oscar Wilde

Para pais que acreditam que as definições limitam, essa almofada é perfeita para aquele descanso quando se lê no sofá ou para apoio enquanto se reflete sobre o fim daquele livro que você vai ler depois que seu pai terminar a leitura. Além de ser um objeto de decoração super charmoso. Veja outras opções aqui.

3. Pôster Jean Cocteau

Se seu pai é um descobridor de sete mares, curioso, aventureiro e que adora um desafio, vai adorar esse pôster do Cocteau. Perfeito para aqueles que acreditam que a poesia deve ser vivida. Outras opções dessa pequenice aqui.

4. Pedra Poética Edgar Allan Poe

Se seu pai é apaixonado pelas tramas de suspense e terror, vai amar essa pedra poética feita pelas mãos da artista Moana. As pedras são únicas e feitas com exclusividade, handmade. A designer busca pedras parecidas, mas não existem duas pedras iguais no mundo, assim como não há amor igual. Um ótimo gesto de carinho para incentivar as leituras e escritas daquele que te inspira a cada dia. Quer conhecer outros escritores em pedra? Clica aqui.

5. Book Bag Selfie Poética

Se seu pai ama livros e está no movimento daqueles que adoram também cuidar da natureza e de nosso ambiente, ele vai amar essa book bag que também serve para colocar comprinhas leves e te trazer aquele pote de sorvete que você tanto deseja no meio da semana e só ele vai lá e traz. Acho que você vai se apaixonar pelas outras também, dá uma espiada aqui.

6. Caderneta Eu Me Chamo Antônio

Seu pai também é um apaixonado por cadernetas? Ele é daquele que adora colocar poesia em movimento, anotar frases de pessoas aleatórias nas ruas ou escrever enquanto se locomove de um local para o outro? Um homem de palavras sempre anda com suas anotações. Temos certeza que ele vai amar quando você incentivá-lo a colocar no papel as histórias que ele vive te contando.

7. Caneca Intervenção Literária

Para aquele pai que acredita que o caminho do país é através da educação, dos livros, da cultura e que faz parte da militância literária. E para aquele que é um bom apreciador de café porque ninguém é de ferro, né? Para outros estilos de canecas, veja aqui.

8. T-shirt Seleção de Poetas

Se além de poesia, seu pai ama futebol, ele irá para tudo quanto é lugar usando essa camiseta, com certeza. Esse é o nosso time de coração, será que ele também acredita nesses poetas bons de bola? Para outras camisetas com frases legais, é só clicar aqui.

O carinho por um homem que te inspira vai além de datas comemorativas, gostaríamos de relembrar isso, viu? Vai além também da definição de progenitor, é aquele que você pode contar, mesmo que vocês não tenham laços sanguíneos, vai além de só dar uma ajuda, ele é presença constante em sua vida. Mas acima de tudo, pai que é pai é símbolo de amor. Você sempre vai sorrir ao lembrar dele.

O que seu pai adoraria receber? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

Literatura e política não é só um flerte

Uma das coisas mais relevantes que transmito nas palestras e oficinas que ministro, principalmente para aspirantes a escritores, é o questionamento sobre representatividade. Pergunto: vocês podem ser considerados representantes do seu espaço e do seu tempo? É, obviamente, uma provocação.

Recentemente conheci escritores de literatura negra, de literatura LGBT, literatura de periferia, literatura feminina, entre outros. Há quem diga ser reducionismo, onda de mercado e etiqueta para sobrevivência em nichos. Não é isso que importa aqui. O mais relevante é ter sido um conhecimento recente. Os debates sempre existiram, mas não nessa potência justa. Racismo, homofobia, segregação social e questões de gênero existem desde que o mundo é mundo. Acontece que o que para os pessimistas é sinal de tempos ruins (dizem que nunca se viu tanto discurso de ódio), para os otimistas é o despertar para novos caminhos, uma nova configuração mais próxima do respeito e da justiça. Mesmo com os exageros, perdoem. Até quem está, em teoria, correto comete seus excessos. Estamos em reformas, diria a placa pendurada na porta do planeta.

É impossível separar o ser político do ser literário. É impossível separar o ser social do ser artístico. Os autores refletem seu contexto histórico independentemente do tipo de obra que realizam. Romeu e Julieta, por exemplo, não é Shakespeare falando sobre o amor romântico na Verona do século XVI. A época mesmo não foi tratada como uma peça sobre o amor puro. Seu viés é, originalmente, político. Retrata questões sobre ordem política e todo o contexto sobre a configuração familiar daquele período. Como tudo em Shakespeare, a realeza é a grande chave e alvo de debates.

A escola chamada de Realismo trouxe ainda mais marcante a característica do ser político em uma obra de ficção. Dom Casmurro oferece a visão sobre o Brasil Império, as relações entre as famílias e a religião católica, como casamentos eram forjados e o contexto do Rio de Janeiro do final do século XVIII. Há poucos meses li Contos Negreiros de Marcelino Freire, de 2005, e vi toda a realidade de negros pobres no Brasil desse século XXI.

Sobre a pergunta inicial do artigo, a maioria fornece um incômodo latente, muito pela responsabilidade de ser um representante do seu tempo e espaço. Devem se perguntar se são dignos disso. Explico sobre inerência do ato. Não conseguimos fugir do que somos, do que vivemos, do que enxergamos, do que sentimos. Tudo isso aparece em nossa literatura. Seja ela inclusiva ou exclusiva. Seja ela falando que foi golpe ou não. Seja ela retratando seu incômodo com a alta do dólar ou o preço dos ovos, aqueles que a galinha chorou. Quando dizem que Monteiro Lobato era racista, temos duas coisas a atentar: ele era representante de um tempo e espaço em que isso era natural (que pena, de verdade), principalmente por sua posição social; e temos de ser anacrônicos, afinal, é muito bom poder ter esse olhar mais apurado que continuar achando que esse tipo de coisa seja normal também hoje. Portanto, não diminui a obra. Santificar sempre foi mais nocivo mesmo.

Leon Tolstói retrata o período antes da Revolução Russa em Guerra e Paz. Jorge Amado fala abertamente sobre coronelismo e uma sociedade oligárquica em suas obras. O relacionamento entre literatura e política não é um flerte. É caso antigo, nada platônico e fadado a impossibilidade do divórcio. No final, é claro, me perguntam se sou coxinha ou mortadela. Caso não desperte o debate ao menos abre o paladar. Se você, leitor, também está perguntando isso peço que volte ao início do texto e releia mesmo, com carinho. É literatura, é política. Impossível separar um do outro.

Sobre fazer versos: o que é ser escritor no Brasil?

No dia 25 de julho comemoramos o dia do escritor e vamos dedicar o mês a essa persona que é força motriz de toda literatura. Buscando entender a vida de escritor, selecionamos 9 autores – exemplos de resistência e reinvenção – que nos contaram o que é ser escritor no Brasil.

 

1. Ana Paula Lisboa

Eu só percebi que estava “vivendo de escrever” quando eu já estava. Vá lá, ainda não paga todas as minhas contas, mas 60% no Brasil é tanta coisa… Para mim ser escritora no Brasil é depender de fatores externos e internos. Eu só posso falar mesmo por mim e falar de mim é dizer que sou uma mulher negra que escreve. Isso quer dizer também que na maioria das vezes o que escrevo é colocado para avaliação, o meu conhecimento sobre o tema é questionado antes mesmo das pessoas lerem o que escrevi. Outro ponto comum é o de muitas pessoas acharem que só sei – ou posso – falar sobre temas que tenham a ver com negritude, feminismo, favela… Todos esses são sim assuntos que perpassam a minha existência, mas que não me resumem. Por isso, apesar de estar nessa fase de escrever no jornal, eu prefiro a ficção, ainda que ela até pareça real. A ficção nos leva além.

Ana Paula Lisboa é autora de Olhos de azeviche, da editora Malê e colunista do jornal O globo.

2. Thiago Kuerques

É ser abraçado e levar um tapa, quase ao mesmo tempo. “Nossa, você é escritor!” – falam com admiração. Na sequência soltam “Tá, mas você trabalha com o quê?” Pesquisas recentes mostram que o brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. É fácil entender por que não há valor, entender não ser visto como trabalho. O escritor pode desistir. Escolhi seguir em frente. Portanto, escrever no Brasil é plantar sementes e ficar contente com as poucas árvores que já estão dando frutos. Um dia seremos mais leitores. Enquanto isso, escrever no Brasil é, afinal, uma espécie de teimosia consciente.

 

Thiago Kuerques é autor de Território (Editora Chiado) e A Balada do Esquecido da Luva Editora.

3. Ana Cristina Mello

Viver num país de dimensões continentais deveria ser o bastante para suprir a imensa oferta de livros que editoras comerciais produzem, mas a realidade é bem diferente. Uma realidade que se divide em escritores popstars e escritores que comemoram cada leitor conquistado. De um lado, os escritores youtubers, escritores atores, escritores padres ou pastores, escritores autoajuda, entre outros. De outro lado, repousam os autores que buscam oferecer aos seus leitores textos que foram exaustivamente pensados e lapidados, que se propõem a oferecer uma obra na qual o leitor não saia do ponto final da mesma forma como era quando abriu a primeira página. Repousam autores que se envolvem com sua produção como se fosse um pedaço do próprio corpo, que ofertam o melhor que podem para seus leitores.

Hoje, ser escritor de literatura de ficção é produzir para os seus pares, para prêmios literários, ou seja, para reconhecimentos que não deixam de ser importantes, mas não deveriam ser o foco principal. Façam um teste. Entrevistem alguém que esteja lendo um desses livros da primeira categoria de escritores e questione se conhecem algum dos mais renomados autores contemporâneos de literatura infantil, juvenil e adulta. Não vale citar os cânones, vivos ou não. Cânones que algumas escolas ainda escolhem de forma exclusiva, preterindo toda a produção do século atual. Provavelmente responderão que nunca ouviram falar, independente da quantidade de prêmios que algum destes nomes tenham recebido.

Ser escritor hoje é resistir. É continuar plantando sementes em cada livro, cada palestra. É comemorar cada leitor que chega ao ponto final do seu texto e te escreve dizendo o quanto o livro fez diferença na vida dele. É resistir, sem perder o ideal de continuar acreditando no poder da literatura. Acreditando no poder que o leitor tem em mãos e, talvez, ainda não tenha descoberto.

 

Ana Cristina Melo é autora dos livros Dandi e a árvore palavreira e Delta: um comando para o tempo, além de liderar a editora Bambolê.

4. Tiago Germano

A perspectiva pode variar um pouco conforme a posição que o seu livro e a editora que o publicou ocupam no mercado, mas para a grande maioria de nós, ser escritor no Brasil, hoje, é ser constantemente subestimado por uma cultura pouco digna desse nome, em que qualquer atividade de pretensão artística atua sob o perpétuo estigma da mendicância ou da falta de responsabilidade. Não falo apenas do tratamento dispensado ao escritor por editoras, agentes, livrarias, revistas, prêmios conferidos por instituições literárias, críticos e resenhistas, ou até pelos próprios colegas escritores… Falo também do comportamento dos leitores, num país em que ler 55 páginas por dia parece uma excrescência até para um cidadão literalmente encarcerado, sem nada à sua volta além das grades de uma prisão e uma parede preenchida por meia dúzia de livros. Talvez fosse uma resposta desejável e bem mais agradável de se dar aquela que tentasse afastar a profissão de escritor dos mitos que costumam rondá-la, aproximando-a de outras profissões, com suas virtudes e desvirtudes, as contingências pontuais de qualquer atividade que envolva criação ou um capital intelectual cujo valor simbólico vai, inadvertidamente, transformar-se em capital monetário. Mas a grande verdade é que falar em profissão quando se trata de escrever é – e por muito tempo será, ainda – uma utopia contextual. Felizmente para nós, escritores, ainda não se conhece uma grande obra literária que não tenha brotado de uma mente que não se permite sonhar.

Tiago Germano é autor do livro Demônios Domésticos, publicado pela editora Le Chien e indicado ao Prêmio Açorianos de Literatura 2017.

5. Glau Kemp

Pra mim significa receber muito calor humano, o leitor brasileiro é apaixonado e adoro ter contato com eles seja em redes sociais ou pessoalmente. Mas ser escritor no Brasil é uma luta diária também. Todo o processo que acontece até o livro chegar nas mãos leitores é lento. Ser escritor é uma profissão e exige muito estudo e dedicação, mas é difícil um escritor conseguir se sustentar apenas escrevendo. Duas características são fundamentais para os novos escritores: persistência e paciência, é assim que se escreve livros no Brasil.

Glau Kemp é autora do livro Quando o mal tem um nome, sucesso na Amazon e que será publicado pela Verus Editora.

6. Lucas de Sousa

Ser escritor no Brasil é construir junto com outros parceiros de profissão um elo forte de incentivo à literatura brasileira. Não somente trabalhar a sensibilização para o gosto mágico da leitura, mas mostrar que há qualidade literária no Brasil. É desmistificar que o melhor sempre vem de fora, desmistificar que o Brasil é sim um país de leitores. Ser escritor no Brasil é lutar pelo seu espaço, ser acessível ao chamado dos leitores.

Lucas de Sousa é autor do livro O Encantador de Livros, publicado pela Ler Editorial.

7. Vivi Maurey

Acho que é tão difícil ser escritor no Brasil que eu tenho até medo de ser muito sincera e permitir que a resposta encontre lugares na minha mente que até agora tinham permanecido escondidos e alheios a esse fato. =P

Se a gente perguntar pros colegas autores de outros países, eles também vão dizer que é muito difícil, apesar de terem mais espaço, mais leitores, mais investimento e procura. Mas é um consenso: viver de arte é muito difícil onde quer que você esteja. Muitos ainda nem consideram profissão.

No Brasil, quando você fala que é escritor, as pessoas ficam esperando você terminar a frase e dizer sua verdadeira profissão, aquela que leva pão à mesa, como se a escrita fosse apenas um passatempo. Não à toa, já que as pesquisas nos dizem o quanto o brasileiro lê pouco e realmente parece que não existe muito mercado para nós. No entanto, esse quadro vem mudando. Com o aumento das vendas de livros focados na vida jovem adulta, o escritor, não apenas o que vende pra esse público, pode ter bem mais esperanças.

Por outro lado, por ser um mercado restrito e difícil, não basta apenas escrever um bom livro. O mercado está cada vez mais exigente. Você tem que ter redes sociais e engajamento, seguidores além de leitores, n talentos como gravar e editar vídeos, palestrar, dançar, cantar, nossa, daqui a pouco as editoras vão querer certificado de que já pisamos na Lua antes de aceitar publicar nosso livro.

É um problema isso porque tem muita gente talentosa que tá começando agora, que não tem privilégios básicos para conseguir trabalhar bem uma plataforma de leitores e não vive essa oportunidade de ter seu projeto publicado e divulgado. Além do mais, o mercado está exigindo uma maturidade e um desenvolvimento artístico de jovens iniciantes que não faz nem sentido. As editoras querem um produto pronto, pra não ter trabalho porque o tempo é escasso, mas ao mesmo tempo querem autores cada vez mais jovens para vender melhor para esse público que tá comprando. Isso, além de irreal, é uma pressão absurda em cima dessa galera que mal saiu da adolescência, e pode gerar frustração e depressão. Ter multitalentos e multitarefas pode vir naturalmente para alguns ou a custo de grande esforço para outros e funcionar, mas para muitos é uma grande barreira. Às vezes, a escrita, que devia ter o maior peso na hora de dar oportunidade para alguém ser publicado, não está nem na lista dos pré-requisitos das editoras, afinal, livro é produto, ele precisa ser vendido pra fazer o mercado acontecer e escrita nem sempre é uma exigência do público.

Eu escrevo porque preciso da escrita pra me entender e viver melhor, então fiz a escolha num belo dia de tentar viver disso, fazer da escrita minha profissão, mas não foi uma decisão tranquila. Não me arrependo e não quero mudar de profissão, mas confesso que ultimamente tem sido difícil convencer alguém novo de que é um bom caminho a se seguir. Hoje, quando me perguntam sobre ser autor no Brasil eu costumo dizer “Tem certeza mesmo de que é isso que você quer?”

Dito isso, acho que toda profissão tem suas dificuldades e quem realmente quer seguir a profissão, não existe outra forma sem ser passando pelo olho do furacão.

Vivi Maurey é autora de #Fui, publicado pela Globo Alt.

8. Moduan Matus

Ser escritor no Brasil é se encontrar em diversidades de objetivos e em tendências; ainda procurando um veio, tênue, de luz, de nobreza, rumo à eternidade universal.

O difícil é conseguir destaque estando em lugar-comum ou em constante ensimesmamento; ainda, alguns que conseguem tal projeção têm que passar pelo funil do mercado editorial e/ou adequar a(s) sua(s) obra(s) à realidade de massificação constante ou ao modismo de época, causando uma falsa originalidade.

Existem obras literárias fabricadas por midiatizações, para poderem cair no gosto comum ou viralizar, até porque as editoras visam o mercado promissor. Existem escritores marqueteiros que, de olho nos nichos, agem pela crista, criando uma literatura de fachada, de conteúdo duvidoso, servindo apenas à febre consumista dos leitores de superfície e ao entretenimento. E existe uma literatura objetiva, calcada no segmento cognitivo do cosmo literário e é neste veio que talvez se encontre o maior poder de criatividade, tornando a leitura viva, em movimento, ligando o maior número de possibilidades em absorções, desvendando fio a fio das meadas.

Ser escritor no Brasil não deve ser apenas modismo ou passatempo; é atrelar-se (ou engajar-se?) e se saber miscigenado de culturas, artes, dotado de ideias participativas, disposto às contextualizações e pertencimentos; escrevendo coisas consistentes que livrem do marasmo e da especulação literária e que atinem o raciocínio ao estranhamento; e que conduza a interpretação ao cerne da questão e promova mais e mais a libertação.

Moduan Matus é experimentalista em poética, escritor e historiador. Autor de As margaridas estão cada vez mais raras e História de Nova Iguaçu: recortes de uma cronologia ilustrada de 510 anos.

9. Juliana Daglio

Ser escritor no Brasil, antes de tudo, é um desafio. Não temos formação para isso em nossa educação, nem somos muito incentivados à leitura ou a escrita. Escrever é desafiar esse sistema. Procurar recursos para construir uma carreira, para aprender o ofício, divulgar, subindo degrau por degrau para chegar à realização desse sonho. E entender que não estamos sozinhos, que há muita gente que também está subindo esses degraus e que, juntos, podemos mudar o cenário para a melhor.

Juliana Daglio é autora de Uma Canção para a Libélula e seu livro de terror Lacrymosa será publicado pela Bertrand Brasil.

Gostaria de fazer alguma pergunta para nossos escritores de julho? Te aguardamos nos comentários =)

Hanny Saraiva

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Acalentar. Abraçar. Abrir livros e mergulhar em encantamentos. Como transformar através da leitura? Lendo histórias juntinho. Pensando em como esse ato estreita laços, aumenta a confiança e diverte, separamos 6 livros para você ler bem pertinho de seu pequeno preferido.

 1. A gueixa e o panda-vermelho – Fernanda Takai

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Sinopse: A gueixa e o panda-vermelho conta a bela história de uma amizade improvável e mágica entre uma jovem japonesa e o raro panda-vermelho. Esse é primeiro livro infantil escrito pela cantora e compositora Fernanda Takai e ilustrado por Thereza Rowe, da editora Cobogó.
Delicado, curioso, poético. A cultura oriental, em especial a das gueixas e dos pandas, repleta de gotas de felicidade, ou melhor, às vezes percebida em forma de chuva ou vento. Para ler buscando momentos de leveza.

 

 2. O astronauta de pijama – Samanta Flôor

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Sinopse: Um menino de pijama, um monstro faminto, um gato com cara de lanche e um capacete de astronauta: esses são os ingredientes para uma grande aventura!
A Jupati Books, um selo da editora Marsupial, é expert naquele tipo de história que dá vontade de ler e reler. Com um traço simples, mas muito divertido, O astronauta de pijama é perfeito para incentivar seu pequeno a criar diálogos para a história. De minhocas com óculos e pés-gigantes, é o tipo de leitura para aqueles dias de tédio que necessitam de tempo para explorar as possibilidades de criação.

 

3. Alho por alho, dente por dente – André Moura e Henrique Rodrigues

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Sinopse: Todas as pessoas já ouviram algum ditado popular ao longo da vida. A sabedoria do povo é mesmo certeira, construída com humor e poesia. A partir dessa ideia, André Moura e Henrique Rodrigues escreveram Alho por alho, dente por dente. Editado pela Memória Visual, o livro nasceu numa troca de emails em que os escritores se propuseram a reescrever, em versos lúdicos, diversos provérbios sobre os mais vários assuntos.
Sabe aquele dia que você acorda meio poético com provérbios debaixo da manga e seu pequeno não entende muito bem? Leitura essencial para fazê-lo compreender esses usos. Por exemplo, qual o melhor jeito de afastar um vampiro? Usando “alho por alho, dente por dente”. O livro, recheado de exemplos engraçados, também é ótimo para projetos educativos.

 

4. Hilda e o troll – Luke Pearson

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Sinopse: Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Montanhas, trolls, homens de madeira, imaginação. Editado pela Quadrinhos na Cia, esse é meu xodó. É tão legal que até vai virar série na Netflix. 😉 Seu autor, Luke Pearson, “fez storyboards de alguns episódios do desenho animado Hora de Aventura e é autor da graphic novel Everything we miss.” O traçado de Hilda é delicado, dócil e criativo e sua personagem principal é uma heroína encantadora. Cheio de elementos incas e célticos, Hilda e o troll é o primeiro volume da uma série.

 

5. Coraline – Neil Gaiman

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Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus ‘outros’ pais. Na verdade, aquele parece ser um ‘outro’ completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Primeiro livro do mestre Neil Gaiman para o público infantil (Rocco Jovens Leitores), ele escreveu essa história tendo em mente sua filha de cinco anos. A história ganhou uma proporção tão gigante, que muitas adultos acham Coraline um livro perturbador. Ele é perfeito para aquelas crianças que adoram histórias de mistério e recomendo sua leitura de dia para não dar pesadelo em ninguém. Mas acima de tudo, Coraline é um livro sobre ser uma menina forte, apesar de qualquer medo. Por que todo mundo tem medo, né?

 

6. Haicobra – Fábio Maciel e Márcio Sno

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Sinopse: Cobra é um bicho que dá medo. Mas a palavra também pode assumir outros sentidos. Nestes bem-humorados haicais, o tradicional poema japonês de três versos, a criança se surpreenderá durante e após a leitura, porque o livro é, literalmente, uma grande brincadeira.
Selecionado para participar do Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2018 e produzido pela editora Bambolê, Haicobra é repleto de poemas bem humorados que encantam aqueles pequenos que precisam tocar nas coisas. Esse é um livro para abrir e brincar na sala e já vi muito pequeno dormindo agarradinho à sua haicobra.

 

 


Cada título foi especialmente escolhido por uma criança que ama livros, mas ficamos aqui curiosos para saber qual seu livro infantil preferido. Conta pra gente nos comentários! =)


Ah, já deu uma espiada em nossos camisetas feitas para os pimpolhos?

Hanny Saraiva

 

 

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Ser consumidor é também ser um agente de transformação e fazer com que a representatividade ganhe força e vez é sim papel de quem consome. É necessário disseminar, espalhar, conscientizar. Pensando em como representantes de minorias são calados por serem o que são, selecionamos 5 livros que vão muito além da temática LGBT e que vai te ajudar a refletir e te dar força para acreditar que sim, você pode ajudar a construir um mundo mais legal e mais tolerante. Dia 25 de março é dia de relembrar que todas as formas de amor importam, dia de relembrar que causas existem para que você também seja livre e possa falar o que pensa e que acima de tudo, é necessário resistir. Em tempos sombrios é fundamental não desistir e resistir. Sempre. #mariellepresente

1. A história de Júlia e sua sombra de menino – Christian Bruel

Questões sobre produção de gênero, identidade e o “ser diferente” tratado de forma sensível e divertida é o trunfo dessa obra. Refletir sobre imposições feitas pela sociedade e abrir espaço para que as pessoas sejam o que são é uma prática de cidadania que deve ser ensinada e discutida entre o cidadão em formação. Clássico de 1973, o livro traz um texto poético e considerações sobre o crescer, preconceitos e respeito entre pessoas.
Sinopse: Os pais de Júlia a criticam muito, sempre dizendo que ela se parece com um menino, no jeito, nas roupas etc. Numa manhã, a garota percebe que sua sombra adquire o formato de um garoto, repetindo todos os seus gestos. Júlia se sente triste e acaba questionando sua própria identidade.

2. Olívia tem dois papais – Marcia Leite

Como não falar de diversidade sexual entre crianças? Que tabu é esse em pleno século XXI? Sim, devemos responder perguntas sobre sexualidade, trazer para pauta famílias homoafetivas, produzir livros onde não essas famílias não seja vistas apenas como “diferentes” e sim como mais uma possibilidade de construção familiar. Crianças não viram adultos intolerantes do nada, elas repetem comportamentos e pensamentos. Responder uma pergunta direta é matar o dragão direto no coração, é acabar com monstros debaixo da cama e dormir em tranquilidade. Acredite, criança não precisa de teorias mirabolantes para entender coisas simples. Esse livro é também uma possibilidade de se discutir gênero dentro de nossa sociedade.
Sinopse: Olívia é uma menina esperta, que sabe bem o que quer e tem plena noção de como usar algumas palavras para conseguir o que deseja. Quando tem de ficar sozinha enquanto os pais trabalham, ela diz que está muito “entediada”. Como não gosta de ver a filha “entediada”, papai Raul para imediatamente de trabalhar e, quando percebe, já está deitado no chão ao lado dela, brincando de filhinho e mamãe, ou cercado por um monte de bonecas.

3. Viagem solitária – João W. Nery

É necessário desmistificar o universo trans. João W. Nery, o primeiro homem transexual que realizou a cirurgia de redesignação sexual no Brasil em plena ditadura militar (1977) é um relato sobre a luta de viver 30 anos sem expor sua identidade trans. A obra narra as dores e coragem de uma pessoa que precisa se reinventar para encontrar seu lugar no mundo, uma ressignificação em busca de uma vida menos solitária. Leitura obrigatória.
Sinopse: ‘Viagem solitária’ conta a história de João W. Nery, transexual masculino. Na obra, ele narra a infância triste e confusa do menino tratado como menina, a adolescência transtornada, iniciada com a ‘monstruação’ e o crescimento dos seios, o processo de autoafirmação e a paternidade.

4. Azul é a cor mais quente – Julie Maroh

Uma história de amor e descoberta. A simples linguagem universal do amor. Apenas o desabrochar e toda poesia envolvida nisso.
Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

5. Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu

Intimista, o texto desse livro passa por várias ambiguidades sexuais e revoluções comportamentais, uma busca por si. Poético e intenso, Caio Fernando Abreu é uma voz que se debate sobre a efemeridade da vida e este livro é um clássico para se entender como a homossexualidade/bissexualidade era vista e sentida em período de ditadura no Brasil.
Sinopse: Essa obra é a segunda incursão do autor pelo gênero romance. Tendo como coadjuvantes os universos da redação jornalística e da música popular dos anos 1980, esta ficção-verdade desvenda o desejo reprimido e o tesão liberado, a convivência com um mundo opressivo e a maneira de fugir dele.

 

Livros podem sim ser sua  melhor defesa para conversas não desejadas. Toda vez que você cruzar com alguém cheio de ódio contra minorias, com ranço para os pequenos holofotes que estamos conseguindo sobre a diversidade sexual ou com frases prontas e cheias de clichês/desconhecimento sobre o assunto você pode:
  1. citar uma frase de algum livro de nosso top 5;
  2. virar para o lado e colocar um desses livros sobre o rosto;
  3. dar um golpe ninja na cara dessa pessoa com o livro (brincadeira, somos contra violência);
  4. levantar e ir embora porque perder tempo com haters não leva a lugar algum;
  5. com paciência, debater abertamente sobre o assunto, tentando trazer à tona reflexões e consciência sobre tolerância, amor e cidadania.

Qual estratégia você mais usa? Tem alguma outra dica? Conta pra gente nos comentários! =)


Hanny Saraiva