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This is Machado ou o legado de Assis?

This is Machado ou o legado de Assis?

Analista da alma humana, crítico da sociedade brasileira, grande influenciador literário. Por que Machado de Assis ainda é forte autoridade? Qual a importância de seu legado?

Polivante e plural

A obra de Machado tem pouca descrição e muitos diálogos, um autor polivalente e plural, que vai desde romances à poesia e teatro. Sua obra é permeada por um discurso ágil e atemporal, pois seus temas abordam questões da alma humana e que ainda são fantasmas na sociedade brasileira. A crítica, a ironia, o senso de humor e o desencanto retratavam um ambiente que ainda detém problemas sociais como os descritos na época do autor e todas essas reflexões que o autor pontuava atravessam os tempos.

Inovador e contemporâneo

Machado já escrevia microcontos no século passado, quer coisa mais inovadora e visionária em tempos de redes sociais? Ele era expert em mergulhar na psique dos personagens e explorar suas características, não apenas com o objetivo de entreter o leitor, mas como uma forma de crítica à sociedade dominante. Além disso, foi o autor quem impulsionou o uso do narrador falando diretamente com o leitor e suas narrativas – repletas de ambiguidade – são sempre elaboradas com primazia.

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Autodidata

Em tempos de DIY, Machado de Assis já era rei desde século passado. Sem frequentar a universidade, aprendeu francês e inglês sozinho, foi um exímio revisor, inaugurou a escola de Realismo no Brasil e fundou a Academia Brasileira de Letras. Bem avançado, não?

Olheiro de MPB

Machado de Assis foi um dos primeiros escritores a perceber a importância do papel da música popular e sua influência na literatura. Por exemplo, “No conto Um homem célebre, Machado de Assis conta a história de Pestana, um compositor de polcas que sempre tenta compor obras eruditas, mas acaba no popular. Pestana seria o compositor genial que se acha incompetente, só por ser popular.” A música popular e a literatura andam entrelaçadas desde então.

Influencer dos livros

Se Machado vivesse nos dias atuais, com certeza ele seria um digital influencer dos livros. Seu legado se encontra na configuração de suas histórias. Ambiguidade, análise social, ironia, duplicidade, as palavras apresentadas de forma precisa e enxuta, essas heranças influenciaram diferentes autores como Olavo Bilac, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles, Érico Veríssimo. Sempre foi um moço ousado, com certeza ele teria um canal bombado.

Nossa contemporaneidade está cercada de desconfiança, às margens do ceticismo e da ironia. Assim como os personagens de Machado, estamos cercados de incertezas, em uma insegurança cotidiana e com uma discrepância social e política que nos coloca face a face com um Brasil que nos lembra muito o que Machado vivenciou, mudando apenas alguns detalhes de lugar.

Mas fico aqui a pensar: apesar de todo esse legado deixado e tudo o que o autor construiu se encaixar nos dias atuais, como seria Machadão no século XXI? Conta pra gente como você imagina nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

 

Estamos no mês das mães, ótimo momento para conhecer história de mães verdadeiramente literárias. Ainda mais quando temos um Box lindo da Nova Fronteira para presentear uma delas. É isso mesmo, nossa promoção cultural vai enviar um Box completo da Nova Fronteira para a melhor história.
Para participar basta escrever o porquê sua mãe é uma mãe literária, nos comentários da postagem do Facebook. A melhor resposta, escolhida pela equipe Poeme-se, ganhará o box.

 

Período de participação: até o dia 19 de maio 2017
Resultado: 22 de maio de 2017
Premiação: Todos os Romances e contos Consagrados de Machado de Assis – em três volumes.
Box Machado Aberto

Discussão: Machado de Assis era negro?

Um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, Machado de Assis é figura central de uma polêmica envolvendo sua representação na história. Afinal, Machado de Assis era negro? A Poeme-se quer levantar essa discussão com o lançamento da camiseta literária Machado Black Power, para refletir sobre o “branqueamento” que o escritor teria sofrido ao longo das décadas através de suas diversas representações.

machado de assis mulato

machado de assis era negroTal polêmica envolvendo o nome do Bruxo do Cosme Velho acentuou-se após uma propaganda da Caixa Econômica Federal, na qual um ator de feições europeias foi o escolhido para representá-lo (veja aqui). De sua biografia extraímos que além de mulato, era bisneto de escravos e nascido no Morro do Livramento.

Na ocasião alguns movimentos iniciaram a discussão e até mesmo o escritor Haroldo Costa se pronunciou:  “É lamentável que uma instituição do governo deixe passar esse erro histórico. E o pior é que não foi a primeira vez que tal equívoco aconteceu. Muitas publicações já ‘branquearam’ o escritor de tal forma que, em algumas fotografias, ele pareceu quase loiro”. Com a repercussão negativa, após alguns dias, o comercial foi retirado do ar.

Mas por que trazer essa questão do machado de assis era negro ou branco“embraquecimento” de um dos grandes ícones literários do país? Entendemos que como uma marca que se alimenta de poesia e literatura, é importante resgatar as raízes culturais e históricas de Machado e levantar uma discussão da representação negra do escritor. Acreditamos que na maioria dos casos, ainda na escola, quando muitos têm o primeiro contato com as obras e a história de Machado, sua representação seja a de um homem branco.

Se formos analisar sua história sob a ótica de seu trabalho, vemos um artista extraordinário ascendendo à elite intelectual do país que ainda vivia em um regime de escravidão. Sua carreira teve grandes marcos, não só pela produção literária, mas também por Machado de Assis consagrar-se como o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Também acumulou reconhecimentos valiosos: foi indicado por D. Pedro II como diretor-assistente do Diário Oficial, e pouco depois como assistente de diretor. Anos depois, em 1888 ainda recebeu das mãos do Imperador uma condecoração oficial da Ordem da Rosa.

Ao analisar sua obra vemos também que em sua primeira fase, Machado não aborda a questão do preconceito racial no país. Porém mais tarde, já consagrado e em uma posição confortável, identificamos em diversas obras sua crítica social retratada. Um exemplo é o conto “Pai Contra Mãe”, no qual há diversas ironias na história da captura de escravos. Também no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, no capítulo  “O Vergalho”, há o trecho em que Brás Cubas encontra um antigo escravo, já alforriado, castigando outro escravo.

Agora é com você! Conte para a gente nos comentários o que achou dessa discussão:

  • Já tinha lido algo sobre o “embranquecimento” de Machado de Assis?
  • O que apontaria sobre a pouca divulgação de escritores negros no Brasil?
  • Mostre a sua opinião!

Poeme-se com a nova camiseta Machado Black Power para celebrar o resgate de raízes culturais de um de nossos maiores ícones da literatura nacional:

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Leia também:

Principais obras de Machado de Assis

Quem foi Machado de Assis

Links consultados: 
Machado de Assis “branqueado”, A questão negra em Machado de AssisA negritude de Machado de AssisMachado de Assis e o racismo no Brasil

Principais obras de Machado de Assis

Em comemoração aos 177 anos de Machado de Assis, celebrados no dia 21 de junho de 2016, elegemos 5 livros para contar um pouco sobre as principais obras de Machado de Assis. Tem os devaneios sobre a loucura, em “O Alienista” e o maior mistério da literatura brasileira: Capitu traiu ou não Bentinho?, em “Dom Casmurro”. Além de outros clássicos essenciais do Bruxo do Cosme Velho. Aprecie:

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Fonte: Reprodução.

Dom Casmurro

O maior romance de Machado de Assis, “Dom Casmurro”, foi lançado em 1899. A história foi escrita em formato de lembranças de Bento Santiago, o Bentinho, narrando sua vida marcada pela relação com sua amada Capitu e o ciúme de seu amigo Escobar. O tom de sua narração é carregado de amargura e sofrimento, quando ele põe em cheque o caráter de Capitu. Teria sua amada o traído com seu melhor amigo? Esse é um dos maiores mistérios não revelados da literatura brasileira.

Destaque: Capitu é uma das figuras femininas mais importantes dos romances nacionais e Machado de Assis presenteou seus leitores ao criar essa bela e clássica descrição que ficaria no imaginário de seus leitores para sempre:  “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” ou “olhos de ressaca”.

O livro tornou-se domínio público e pode ser acessado aqui: Dom Casmurro obra completa.

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Fonte: Reprodução.

O Alienista 

Seria uma novela ou um conto mais longo? Críticos dividem-se nessa análise entre uma e outro. O livro de 1882 é um marco no Realismo Brasileiro, com uma história cheia de ironia em torno dos pensamentos e hábitos da sociedade. O que podemos considerar como loucura e o que seria sanidade? Quem comanda o rumo dessa história é Dr. Simão Bacamarte, o médico que estuda sobre loucura e cria a Casa Verde, um manicômio no qual interna diversas pessoas da cidade.

Destaque: o conflito entre ser racional e o que é o equilíbrio das faculdades mentais; o conflito entre a ciência e a religião. Machado de Assis envolve o leitor em sua trama com assuntos polêmicos e consegue traçar uma discussão acerca de como essas visões influenciam quem detém o poder.

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Fonte: Reprodução.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Já imaginou um narrador contando sua história depois de morto? Pois Brás Cubas e seu tom carregado de ironia, em um texto cheio de metáforas e ricas descrições – marcas de Machado de Assis – é o personagem que acompanhamos nesta obra. O debate central é a crítica às aparências sociais e à elite, além das relações baseados no dinheiro, como o romance de Brás Cubas com Marcela, uma cortesã de luxo.

Você sabia? Antes de o livro ser oficialmente lançado como uma obra única, a história foi publicada primeiramente em folhetins, prática comum da época.

Destaques:  Outra curiosidade é justamente a característica mais peculiar de nosso narrador, que se autodenomina como defunto-autor. Esse recurso só aumenta o tom de acidez e ironia da escrita. Brás Cubas inicia o livro com uma dedicação aos vermes que roem seu caixão e diz que sua vida não deve mais ser julgada por ninguém, pois no estado em que se encontra, sua vida depende somente de como ele próprio a enxerga.

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Fonte: Reprodução.

Quincas Borba

A exemplo de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, a obra “Quincas Borba” segue a continuação de Machado de Assis no realismo e foi desenvolvido em formato de folhetim.

Esse romance foi escrito em terceira pessoa para narrar os acontecimentos na vida de Rubião, que ironicamente cairá em desgraça após receber uma herança. Entre os desdobramentos que seguem, estão a mudança de Rubião para o Rio de Janeiro e seu encontro com Cristiano e Sofia. O casal ficará motivado em se apoderar do dinheiro de Rubião, um moço ingênuo.

Destaques: Essa história tem como gatilho inicial um personagem que fez parte de outro livro de Machado de Assis: a herança de Rubião vem do filósofo Quincas Borba, que aparece em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Rubião era discípulo de Quincas Borba e vai viver justamente o que seu mestre pregava como pensamento central: a ideia de que na vida só os fortes sobreviverão, por serem espertos, superiores. Já pessoas ingênuas tendem a ser manipuladas pelos mais fortes. Essa premissa é justamente a sina de Rubião que será manipulado por Cristiano e Sofia.

 

essau e jacoEsaú e Jacó

Uma história intrigante: os gêmeos Pedro e Paulo são idênticos fisicamente, mas opostos nas escolhas da vida. Enquanto um segue a carreira de Direito, o outro cursa Medicina. Quando decidem pela vida política, um fica do lado republicano e o outro é monarquista. Seguindo as previsões de sua mãe, Natividade, que preocupava-se com as brigas entre os irmãos mesmo antes de eles nascerem, os dois competem em tudo, inclusive pelo amor da mesma mulher, Flora.

Destaques: é um romance no qual Machado de Assis disseca ainda mais profundamente as transformações políticas e sociais de sua época. A obra é excelente para quem quer se aprofundar mais sobre o período de transição da monarquia para a república, pois descreve a época às vésperas da Proclamação.

Agora é a sua vez de contar pra gente: qual é o seu livro preferido escrito por Machado de Assis? Tem alguma obra que você acha que deveria estar nessa lista? Conte pra gente nos comentários!

 

Veja também: 15 curiosidades de Machado de Assis.

Quem foi Machado de Assis?

Neto de escravo, de infância pobre, com um talento nato para a escrita e para aprender novas línguas. De fato, foi o senhor da linguagem, dominou-a, brincou com as palavras, deu vida à histórias e tornou-se o autor mais importante de nosso país. Suas contribuições para as letras são inegáveis e suas obras são essenciais para qualquer leitor ávido. No mês de seu aniversário, apresentamos 15 curiosidades para você conhecer ainda mais de sua vida e descobrir quem foi Machado de Assis e o que ele representa para a nossa literatura.

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