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Arroz, feijão e cinema: Três anúncios para um crime e suas 7 indicações ao Oscar

Arroz, feijão e cinema: Três anúncios para um crime e suas 7 indicações ao Oscar

Nem só de feijão e arroz um cinéfilo brasileiro vive, sua alma necessita encontrar aquele filme que traga arrepios no cinema, que o faça vibrar na cadeira e que seja motivo de reflexão. Premiado com 4 Globos de Ouro (filme, ator coadjuvante, atriz e roteiro), será que Três anúncios para um crime é um forte candidato na corrida pela estatueta do Oscar?

 

Sinopse: inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação.

 

Sim, o terceiro maior líder de indicações (sete indicações: melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor edição) nos chamou atenção por dois elementos que se destacam de forma espetacular: o roteiro e a atuação dos atores. Se não fossem por eles, a trama seria clichê e batida, mas como tudo se reinventa, o que nos fascina é a forma como o diretor nos apresenta à história e isso se deve:

1. Ao roteiro

Os diálogos de Três anúncios para um crime tem um quê de Beleza Americana: está acontecendo uma tragédia em cena e o narrador está lá fazendo piadas, nos deixando perplexos, um mix de sentimentos entre o que se vê e o que se ouve. Sarcasmo, aquele riso nervoso e toda uma construção que nos leva a uma montanha-russa de emoções: ora temos empatia por um personagem, ora o odiamos, ora o entendemos, ora o repugnamos. A estrutura narrativa é construída através de um humor surrealista que aborda como o radicalismo não tem fundamento algum, palpado em um rancor que está sempre no outro.

2. À força das atuações

Frances McDormand está perfeita em sua dureza de mãe que perdeu tragicamente a filha, cheia de teor áspero e ao mesmo tempo tão maternal. A frustração potencializa raiva e isso é um assunto muito explorado dentro do universo dos personagens. Aqui os personagens não são bons ou maus, mas possuem camadas intensas e ativas que os levam ora para o lado negro da força ora para o lado da luz. Ação e reação é o que rege as relações construídas e através do mergulho dos atores em seus personagens que acreditamos na trama. Destaque também para atuação de Sam Rockwell e Woody Harrelson.

 

Além disso, o enredo, repleto de caos e violência, tem feito muito burburinho desde que inspirou outdoors de protestos ao redor do mundo: a mesma tática usada pela personagem de Mildred – usar outdoors como forma de protesto visual – está sendo usada por ativistas mundo afora. Veja mais aqui. Se a vida imita à arte? Fica aqui a reflexão para quando você terminar o filme: “Pelo amor vem a calma e pela calma vem a razão. Você vai precisar de razão para achar as coisas.” Espalhe outdoors pela sua cidade, não se contamine com ódio e seja gentil com o próximo. Em um mundo conturbado, cheio de medo e fatalidades como o nosso, filmes assim nos mostram que se optarmos por outro caminho a vida dá o troco.

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Hanny Saraiva