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Resenha literária com Guarnier: Poesia

Você Gosta de Poesia?

Poesia

    Eu tenho certeza que todo professor de Literatura, todo poeta, escritor… enfim, todos que trabalham com a poesia ou são entusiastas dela já fizeram esta pergunta já sabendo da resposta. Pois é, o NÃO é quase certo por vários motivos ou desculpas esfarrapadas. Também tenho certeza que diante de tantas negativas, muitos já desenvolveram estratégias para convencer as pessoas de que SIM, elas gostam de poesia, talvez só não saibam disso. Então:

O Que É Poesia?

poesiasubstantivo feminino

  1. 1.
    lit arte de compor ou escrever versos.
  2. 2.
    lit composição em versos (livres e/ou providos de rima), ger. com associações harmoniosas de palavras, ritmos e imagens.
  3. 3.
    lit composição poética de pequena extensão.
  4. 4.
    lit arte dos versos característica de um poeta, de um povo, de uma época.
    “p. romântica brasileira”
  5. 5.
    poder criativo; inspiração.
  6. 6.
    o que desperta emoção, enlevo, sentimento de beleza, apreciação estética.
    “a p. de uma pintura” 

Fonte  da pesquisa


    Pois é, conceitos são fáceis de encontrar. Definições acerca do nome. Respostas simples e etc. Tudo isso é necessário para que tenhamos respostas rápidas, porém não serão estas respostas que despertarão o interesse, nem tampouco convencerão pessoas de que elas gostam de poesia. Tenho um companheiro poeta chamado Ni Brisant, inclusive foi tema da nossa segunda coluna aqui no Marginália que compôs um poema curto sobre o que é poesia:

Poesia é o que a gente sente

o resto é Literatura

-Ni Brisant


Quem lê, ou escreve poesia sabe a verdade tamanha que este poema carrega dentro de si.

-Mas, Guarnier, a Poesia não é Literatura?

É sim, respondo eu! Porém, nem toda Literatura é poesia. Vou além, Já li muitos poemas que me tocaram menos que um bilhete carinhoso ou um manifesto de luta. Talvez isso se deva às regras e técnicas impressas naquela composição que, de tão erudita tornou-se estéril sentimentalmente. Portanto, numa definição bem pessoal, poesia na minha visão é sentimento. É transbordo. É o que não cabe mais e que precisa ser exposto. Muito piegas minha opinião? Óbvio que sim! Agora, quem nunca foi piegas que atire o primeiro verso! Não canso de dizer: O professor de Literatura é da sala de aula pra dentro, a céu aberto, eu sou poeta. Mas… continuando, como poeta e professor, adotei uma boa estratégia quando me devolvem: esse negócio de poesia é muito chato! Sempre que ouço isso volto a perguntar, mas de forma diferente:  Você gosta de música? A resposta é sempre sim, pois só uma alma bem deteriorada não gostaria de ouvir música, inclusive, sempre circula um meme na internet com a célebre frase de Niet que diz: Sem a música a vida seria um erro! Sim, caro Friedrich Nietzsche. Então, se alguém gosta de música por conta de sua letra, obviamente gosta de música! Mas…

Letra de Música é Poesia?


“(…) De tanto ouvi-la acabo sempre pensando sobre ela. Se me perguntassem eu diria que não existe nenhuma diferença essencial; letra de música é poesia e poesia é letra de música. Rigorosamente, qualquer poema e mesmo qualquer texto em prosa pode ser colocado numa melodia (…) Mas se pensarmos dentro de critérios mais tradicionais, podemos pensar que existe algum grau de diferença entre poesia e letra de música, não o bastante para colocá-las em categorias distintas(…) Ninguém duvida que um soneto de Shakespeare e um poema concreto de Augusto de Campos sejam ambos poesia, porém cada um exige maneiras diferentes de leitura. (…) Fica claro, portanto, que diferentes categorias de poesia sobrevivem em diferentes suportes, mas nem por isso deixam de ser essencialmente a mesma matéria: poesia; e a letra de música é apenas mais um tipo de poesia cujo suporte é a melodia.”

    Encontrei o texto de onde fiz este recorte num site chamado Obvious, embora o assunto pareça uma obviedade, como sugere o nome do site, tomando as explicações que ele próprio apresenta, nem todos podem achar tão óbvio assim, pois aborda os Sonetos de Shakespeare e a Poesia Concreta de Augusto de Campos, traçando suas diferenças na estrutura e forma de leitura, apesar de ambas serem, essencialmente poesia, porém deixa claro que a estrutura diferente somente exige uma forma de leitura diferente e que, portanto, Poesia Concreta, Soneto, Letra de Música e outras estruturas são sim poesia. Então quem gosta de letra de música, gosta de poesia, porém a forma de absorção é diferente, tornando, agora sim, obviamente, a leitura diferente.
    Pronto! Digamos que você já convenceu alguém de que gosta sim de poesia e aí emendo uma outra pergunta para reflexão: Por que será que precisaríamos de tanto esforço para convencermos alguém de que poesia é uma das coisas essenciais para a vida e que ela está em tudo? Para isso tenho outra teoria e essa responsabiliza a escola e seu currículo engessado para o ensino da Literatura, e quando digo escola e currículo, não limito esta culpa somente às Escolas Públicas, este engessamento pode chegar à Universidade, em muitos casos.

A Didática no Ensino da Literatura

    Na maioria das unidades escolares o ensino da Literatura acompanha o mesmo currículo abordando os Movimentos Literários no Brasil pela ordem cronológica da História Mundial pouco antes de 1500, ou o chamado e superestimado “Ano do Descobrimento”. Então entregam aos alunos as Cartas de Caminha, a chamada Literatura de Viagem que não apresenta poesia neste período e após isso vem uma pedrada atrás da outra com os Sonetos do fantástico Gregório de Matos no Barroco, Gonçalves Dias na primeira fase do Romantismo e sua tentativa de reconstrução da Identidade Nacional com o Indianismo, ali a Canção do Exílio e seus versos melodiosos cantam nossa terra e natureza exuberantes. Na segunda fase conhecemos Álvares de Azevedo e seu pessimismo característico do Mal do Século, período apelidado assim por conta da tuberculose que assolava a época e que matou inclusive o referido autor. A terceira fase trás Castro Alves, caracterizando a poesia do período como Social tendo a temática abolicionista como protagonista. Estes são somente quatro poetas entre dois movimentos literários e seus desdobramentos, que em menos de um ano, são apresentados sem nenhuma prévia preparação. Convenhamos que, para um leitor estudante iniciante na Literatura Brasileira, a poesia apresentada nada tem de prazerosa e sedutora e sim de pesada e rebuscada. Prestem bem atenção, não estou aqui, absolutamente, dizendo que esses autores, bem como seus movimentos não devem ser estudados, mas questiono o modo, a forma e momento em que são apresentados. Por qual motivo questiono? Bem simples e são basicamente dois:
O primeiro é:: Fazemos o caminho inversamente didático, pois primeiro apresentam-se as pedras exacerbadamente rebuscadas e depois apresentam as plumas divertidas e deliciosamente irônicas da poesia brasileira. Por que temos que conhecer Gregório, Gonçalves, Álvarez, Alves, Anjos, Souza, Alphonsus e toda essa riqueza da nossa Literatura, antes de conhecer o Leminski, por exemplo? É como ensinar uma Equação do Segundo Grau, antes de ensinar as quatro operações básicas da Matemática. Não estou aqui minimizando a qualidade da poesia de Leminski, estou salientando seu poder de sedução através da extroversão e leveza. Querem ver na prática? Então vamos lá!
Imaginem-se adentrando à sala de aula e se deparando com o texto abaixo escrito no quadro:

ameixas
ame-as
ou deixe-as

Paulo Leminski
Você riu? Pois é, é bom abrir um sorriso, não é? Há referências Históricas nestas poucas palavras e aquele famigerado bigode só precisou de três versos para isso. Sensacional!
Vejam bem, não defendo aqui uma reviravolta completa da ementa, mas defendo uma melhor preparação para a introdução de autores tão importantes, para que estes não sejam os vilões que desencorajam pessoas a gostarem de poesia por conta da dificuldade de lê-los e entendê-los.
O segundo ponto é o seguinte: Por que a Literatura é posta como uma disciplina, muitas vezes somente utilizada como instrumento para o ensino da Gramática e não como o que verdadeiramente é: uma Arte? Basicamente, a primeira linguagem artística, na maioria das vezes a única, que ensinam na escola é a Literatura e não nos damos conta disso. A Arte narrada e influenciada pela História. O tempo real de cada época. Então há de se pensar e desenvolver estratégias mais eficazes e humanas para o Ensino da Literatura, por consequência, da Poesia, nosso assunto nesta coluna.

Antes Que Eu Me Perca

    Antes que eu extrapole os limites de coerência e coesão do tema e da coluna, vou finalizar com um pedido de reflexão e, se possível, uma resposta de vocês nos comentários. A proposta é refletir sobre como seria diferente a relação de cada um com a poesia, caso essa fosse apresentada como um prazer e não como um dever. Arte é leveza e um convite ao pensar, não uma opção entre certo e errado. Então, se você tem uma estratégia para a difusão da poesia, dentro ou fora da escola, pode mandar que eu quero ler e aprender. E como a gente sempre termina com uns versos, vamos de Leminski! Até a próxima!

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino.

 

Paulo Leminski

 

 

Guarnier

Resenha literária com Guarnier: Sarau Rua

 

   Nas páginas policiais, quem nunca ouviu falar da Baixada Fluminense? Uma periferia estigmatizada por sua histórica violência recorrentemente explorada pelo sensacionalismo jornalístico, tornando-a uma das mais temíveis regiões do estado, a Baixada iniciava seu histórico de violência e depreciação lá no início da colonização, quando era habitada pelos índios tamoios que receberam apoio dos franceses contra a invasão portuguesa, mas que foram derrotados nas aldeias das terras baixadenses, terras que, após isso, foram chamadas pelo padre José de Anchieta de “a nação dos derrotados. Todo esse histórico corroborou, logicamente, para a discriminação dos habitantes daqui, pois aquele que é morador da região sabe, que quando se fala “Moro na Baixada”, quem não a conhece, já lança olhares que denotam expressões como: “ai meu Deus, é bandido!” à “Coitadinho, mora muito mal!”. Como morador, afirmo: a violência e a infra-estrutura não são nem piores e nem melhores do que a da maioria das demais cidades do estado, inclusive de grande parte da capital. Que fique claro e, para que essa coluna não vire um “tratado sobre tudo de ruim na Baixada Fluminense”, falaremos sobre a grande efervescência cultural e artística baixadense.
   Não seria exagero afirmar que a baixada foi habitada por pessoas vindas de muitas partes do mundo, porém, para andar num terreno mais seguro, podemos certificar que aqui tem gente nascida desde o Oiapoque até o Chuí. A bem da verdade, a Baixada é um caldeirão. Sim, um caldeirão com um emaranhado de tudo e todos dentro, e essa mistura de culturas, consequentemente, beneficia a produção das Artes, por exemplo, pois acaba se tornando um processo antropofágico de produção de Arte que nos proporciona variadíssimas e originais manifestações artísticas em todas as suas linguagens existentes. Do Funk à erudição dos concertos clássicos. Do Passinho ao ballet. Dos Sonetos de Camões, aos versos mais rasteiros dos poetas que brotam a cada dia mais afiados nos saraus dos bares, praças e Ruas baixadenses. O início e o fim se encontram aqui. Somos “O coração que bate fora do peito-capital…”. Somos a Baixada Fluminense. Como artista baixadense há 15 anos, sempre a percebi como uma “mola encolhida” em relação ao seu potencial total artístico. Subjugada pela capital e exportadora de seus artistas pouco valorizados aqui dentro, a Baixada conhecia uma pequena parte do que produzia artisticamente, a representação artística ficava limitada às “escolas” de Samba e alguns medalhões regionais que, esporadicamente, ocupavam páginas de jornais, pequenas participações na TV e reality shows. Essa pouca valorização também é uma conseqüência do que se entende e se reconhece por Arte dentre os moradores da BF, pois o “artista” não é posto como um trabalhador comum – especialmente comum – e sim uma celebridade, ou até mesmo divindade, que obrigatoriamente deve aparecer na televisão e tocar no rádio. Às vezes, diante de algumas falas que ouço, penso que a figura do que é ser artista aqui, para a grande maioria, ainda é um quadro do Tarcísio Meira com a Glória Menezes na estante da sala, e um vinil do Roberto Carlos à lá Jhon Travolta num canto, porque o toca discos não funciona mais. Um exagero? Talvez!
   Porém, após as grandes manifestações de 2013, comecei a ter notícias de um sarau em Nova Iguaçu, e até por ignorância eu chamava de “Sarau Cinco”, pois não entendia o porquê do “V” e interpretava como um algarismo romano, posteriormente soube que significava “Viral”. Ainda sim só fui ter contato com o “V” em agosto de 2014 e uma necessidade se instalou: “Nilópolis precisa de um espaço artístico independente.” Eu balbuciava pensamentos e reclamações altas e conversava com Elizabeth Gomes sobre a falta de apoio aos movimentos artísticos, pois nessa edição do Sarau V o tema foi “Ação no Território”, e houve muitas reclamações de coletivos sobre perseguição policial, política e falta de apoio público, então num dado momento, um senhor morador de Rua pediu a vez no microfone aberto e cantou a música “O Menino da Porteira”. Resumo: O cara teve sua casa invadida, sua sala desarrumada e ainda recebeu a todos com o melhor que poderia dar. Ali nasceu o verso lema do Sarau RUA “O Amor que a RUA dá, só quem vive a RUA sente” e com ele, também nascia o Sarau RUA.

Sarau RUA, o nascimento. 

   Após dias de conversas com o poeta Victor Escobar, falando da necessidade de um movimento artístico independente em Nilópolis, e sobre os moldes de como fazer isso, apresentei a ele, via whatsapp, um nome: RUA. Simples, direto e que contemplasse tanto as dificuldades, quanto as benesses de uma ressignificação do espaço público. Em princípio achamos que já haveria algum movimento artístico com o mesmo nome, mas na época só existia o “Coletivo RUA” dos militantes do PSOL, uma proposta político-partidária e isso não nos limitava. Foi então que sugeri nos reunirmos com mais lideranças em busca de apoio e criei um grupo no whatsapp que contava com o Cineclube Buraco do Getúlio (Diego Bion e Luana Pinheiro), Coletivo Poesia Segunda Pele (Camila Senna), Pó de Poesia, Sarau de Gênero Fulanas de Tal e Centro Cultural Donana (estes três representados na figura da poeta Ivone Landim), Sarau do Escritório (Alex Teixeira e Rebeca Brandão) e Sarau V (Mateus Carvalho e Janaína Tavares), mais a poeta Elizabeth Gomes, produtora da Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu e o poeta Victor Escobar. Já nas conversas virtuais apresentei a logomarca e recolhi alguns poemas para a composição do primeiro fanzine do RUA que seria feito à mão, com caneta e papel – o Rua foi pensado para ser produzido com os mínimos recursos disponíveis, por isso o fanzine feito à mão com caneta e papel e a utilização do megafone para a amplificação das vozes. O encontro aconteceu no Bar Amarelinho de Nilópolis e ali, Elizabeth Gomes e Victor Escobar se juntaram a mim para formarmos o núcleo duro do Sarau Rua que já aconteceria dali a dez dias, dia 20 de dezembro de 2014, às 19 horas, sob as câmeras da Central de Monitoramento da “Cidade mais monitorada do Brasil” – título ostentado com orgulho pela gestão municipal- na Praça dos Estudantes, Centro de Nilópolis.

   Desde então o Sarau RUA ocupou a 18 vezes a Praça dos Estudantes e agora migrou para a Praça Antônio Flores em Nova Iguaçu e continua impactando o imaginário e o espaço público da nossa riquíssima Baixada Fluminense.

   Além da Elizabeth Gomes, Victor Escobar e eu que somos fundadores, além de todos os artistas que se reuniram no bar Amarelinho há mais de dois anos atrás, o RUA também contou em sua produção com outros artistas e produtores da BF que foram, e são, parte da História do Sarau. São eles: Luiza Bastos, Rennan Cantuária, João Léllis, Catu Gabriela Rizo, Ivone Landim e Mariana Belize.

Agora vamos de Poesia!?

Ganga Zumba
chora sozinho
lágrimas salgadas
nas madrugadas
de lua cheia
em frente à praia
de Cruz das Almas

Virgulino
o paladino
botava medo
até mesmo
sem cabeça
na república
açucareira

a esperança
vem e vai embora
mais depressa
que o sol
de Massayó

será que a
antropofagia
conseguiria
salvar a alma
de alguém
hoje em dia?

-Victor Escobar

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Eu poderia largar o cigarro
e em passos largos
me largar de cabeça
no teu peito

Eu poderia
em vilas gaivotas
acidentadas
ou portos brancos,
velhos
a(r)mados
fodidos
e usados
Abrir a janela ao lado
pro vidro corrente de ar
e quebrar com um só impulso
no pulso-coração
o cunho da estrada
voando baixo
nas linhas brancas
ou me arrastando
pelas sujas de bordô e carmim

Eu poderia até mesmo
te cobrir
com meu já empoeirado
manto carmesim

Poderia
em toda via
secar o viável viés
de naufragar o desejo
de morar aos teus pés

Poderia quiçá
no todo do ódio
que te corrompe o sutil codinome
Morrer de desejo
de pavor
de terror
na ira da angústia
de suprir tua fome

Quebrar os limites
e também a gaiola
sufocar com as correntes quebradas
o todo do mal que te apetece

Eu poderia tudo isso

Se com sorte
algum dia
com teu andar-vôo
nas minhas linhas-letras-tortas-poesia

Você também me pudesse.

– três (1/36)
– Elizabeth Gomes

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Quero passear
Quero num domingo de outono, passear pela cidade
andar pelos becos sujos do centro
e descrever em poesias suas igrejas lotadas de fiéis do aos domingos
quero pular as pernas do mendigos …
e negar-lhes esmola
Quero fechar o vidro do carro
com medo de ser roubado pela criança negra do sinal,
mas fazer uma oração semi-sincera pedindo que alguém tenha mais coragem que eu e compre suas balas
quero chutar as garrafas com restos de cola de sapateiro
com meu sapato de trezentos reais e agradecer a Deus por tudo que tenho
Quero exibir minha carteira Louise vitton
quero que faça frio para estrear minha jaqueta Levis
eu quero pisar na lama com minha bota cara
e quero sentar na calçada do CCBB
para ler desdenhoso alguns poemas Nelson
vou arrancar dos bolsos uns trocados e comprar um folhetim
oferecer um cigarro caro do meu e fumar junto fingindo rir pensando:
“Queria ser poeta, mas não igual a esses daqui.”
Depois me despedir com um aperto de mão semi-sincero
entrar para ver uma exposição que não entendo,
mas fazer cara de semi-inteligente
olhar em volta atrás de uma universitária semi-bonita
fingir um interesse, me sentir semi-centro das atenções por uns minutos
e tomar um café semi-tranquilo
pensando que eu queria ser isso, mas sou aquilo
ir embora sozinho, porque é chique ser introspectivo
andar a pé por uns metros para ser visto
esvaziar os bolsos cheios de papéis de bala e de bobo
entrar no meu carro
esperando que minha arrogância saia num arroto
acelerar sem sair do lugar
só para me olharem
sair em disparada na contramão para de mim falarem:
“viu aquele sujeito num carrão?”
dirigir semi-satisfeito
me sentindo o próprio presidente semi-eleito
“Temer, eu sei o que é ser semi-querido, quer me ligar, amigo?”
Homem de bem este senhor!
no caminho, num muro pichado
fotografo no meu Iphone
“Mais amor por favor”
ponho na minha foto de capa e
assisto completamente satisfeito um bombardeio na Síria certo de que a justiça está sendo feita por homens de bem como Temer, Trump e eu
Semi-honestos
Semi-bons
Semi-deus
#guarnier

Guarnier

página do Sarau RUA no facebook: https://www.facebook.com/SarauRUA/

Guarnier

Primavera a estação de quem conjuga o verbo poemar

Eis que a estação das flores desabrocha. Outubro chega trazendo perfumes capazes de inspirar poetas de todas as matizes. Seguindo, então, a temporada de flores, propomos alguns versos em homenagem a estação. Poeme-se com essa seleção especial:

Um de nossos versos favoritos vem de Casimiro de Abreu: “A Primavera é a estação dos risos”. O poeta foi um dos nomes de maior destaque do período romântico no Brasil e, claro, o trecho virou camiseta poética na nossa coleção:

Camiseta Casimiro de Abreu

primavera-de-poesia

A origem desse verso de Casimiro é a poesia Primaveras:

Primaveras

A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.

Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: – Como é linda a veiga!
Responde a rosa: – Como é doce o orvalho!

Outro poeta que escreveu sobre a primavera foi o chileno Pablo Neruda, que também figura em nossa coleção de camisetas poéticas, com uma das estampas mais românticas da loja. O poema “Tu És em Mim Profunda Primavera”, presente no livro”Os Versos do Capitão” pode ser lido abaixo:

Camiseta Pablo Neruda 

pablo-neruda-primavera

Tu És em Mim Profunda Primavera

O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germinações de mim desconhecidas
ou aos lábios do cântaro esquecido
na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o ácido
aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da pátria:
magnólia e matagal, sangue e farinha,
galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.

O príncipe dos poetas, Olavo Bilac, não poderia ficar de fora dessa lista falando sobre a estação das cores e amores:

Camiseta Olavo Bilac 

poesia-sobre-primavera

Primavera
“Ah! quem nos dera que isto, como outrora,
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
Que inda juntos pudéssemos agora
Ver o desabrochar da primavera! Saíamos com os pássaros e a aurora.
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”E esse corpo de rosa recendia,
E aos meus beijos de fogo palpitava,
Alquebrado de amor e de cansaço.A alma da terra gorjeava e ria…
Nascia a primavera… E eu te levava,
Primavera de carne, pelo braço!

A poetisa portuguesa, Florbela Espanca, também foi capturada pela primavera e escreveu sobre como encarar a vida como a estação nos ensina:

Camiseta Florbela Espanca 

primavera-frases

“Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder…para me encontrar….”

Quais outros versos sobre a primavera você acrescentaria nessa lista?

Poemas de Castro Alves

Ler Castro Alves é essencial. O baiano que faleceu aos 24 anos deixou um imenso legado para a poesia brasileira. Tanto que no dia de seu nascimento, 14 de março, é comemorado o Dia Nacional da Poesia como já lembramos aqui. Fizemos uma seleção de 5 poemas de Castro Alves que achamos interessantes para quem quiser conhecer mais sobre seus versos.

Sob influência do movimento abolicionista, ficou conhecido como o “Poeta dos Escravos”. Chega mais para iniciar sua incursão na obra desse grande escritor:

poemas de castro alves

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Poesia: Um Santo Remédio!

Já pensou que as palavras têm o dom de curar? Uma dor de cotovelo, um jeito de matar a saudade, para fazer sorrir, para celebrar a amizade ou até mesmo para se apaixonar! Foi pensando em fazer um carinho e levar o bem através dos versos, que a artista cênica e escritora Larissa Minghin criou o projeto Santo Remédio.

São poesias em cápsulas, que podem ser usadas a qualquer hora que você precisar de inspiração.

poesia um santo remedio

A caixinha contém: Um receituário (tipo cartão, para dedicar ao presenteado), uma bula e um frasco com 15 cápsulas de uso visual com poesias, frases e haikais sobre o tema escolhido.

Importante: Poesia pode causar vício. Consulte um livro, leia de tudo e Poeme-se sem moderação! Escolha a sua:

Um Santo Remédio para Amar.

Um Santo Remédio para se Apaixonar.

Um Santo Remédio para Matar a Saudade.

Um Santo Remédio Para se Sentir Bem.

Um Santo Remédio para Amigos.

Concurso Cultural – Pare de falar mal da rotina (ENCERRADO)

Vocês pediram e nós atendemos. Está no ar o mais novo concurso cultural da Poeme-se!
Em parceria com a poetisa Elisa Lucinda, nós desenvolvemos um linda estampa que pode ser sua. Mas não é só isso… Também temos ingressos para a peça “Pare de falar mal da rotina“, uma comédia reflexiva em curta temporada no Teatro Municipal de Niterói, que acontece às sextas, sábados e domingos até o dia 21 de abril. Para mais informações sobre a peça, clique aqui.

Escreva um verso/poema sobre a rotina:

Curta nossa página no facebook e use o campo de comentários abaixo para publicar seus versos ou poemas sobre a rotina. O comentário mais curtido levará uma camiseta Elisa Lucinda da Poeme-se e um par de ingressos para a peça. O segundo e o terceiro colocados também ganham ingressos. Simples assim! Depois é divulgar para os amigos e torcer para que seu talento renda muitos likes.

Curta:

Clique em comentar e publique seu versos sobre a rotina:

O concurso vai até 22h do dia 16/04/2013. Qualquer um pode participar, independente do estado onde more, desde que arque com as passagem para o espetáculo. Quanto à camiseta, será enviada via PAC ao endereço escolhido. O concurso é válido para todo o território nacional. A Poeme-se prezará por versos de autoria. Quaisquer evidências de plágio serão descartadas do concurso, independente do número de curtir. O vencedor ganhará uma (1) camiseta (tshirt ou babylook) da Elisa Lucinda do site www.poemese.com e dois (2) ingressos para a peça “Pare de falar mal da Rotina”. A Poeme-se alertará o vencedor via Facebook, sendo que o mesmo ficará responsável pela locomoção até o teatro e por enviar o endereço de entrega da camiseta.


14 de Março – Dia Nacional da Poesia

Em homenagem ao poeta brasileiro que lutou pela abolição da escravatura, hoje, dia 14 de março, comemora-se no Brasil o Dia Nacional da Poesia. Foi ele, Castro Alves, que com seus versos de protesto, lutou bravamente para que a liberdade imperasse no Brasil, escrevendo poemas como “A canção do Africano” e “Navio Negreiro”, abaixo intertextualizado na voz de Caetano Veloso.

Hoje é dia de vestir com orgulho a poesia, pois ela fez parte da história da nação brasileira.

Poeme-se!