Quem ama poesia pode se deleitar com nossa mais nova parceria: juntamos a sensibilidade e a criatividade do Pedro Gabriel, o autor do projeto poético Eu me chamo Antônio, para estampar 5 porta-copos poéticos da loja. Uma coleção para se apaixonar e colecionar!


Todo primeiro sábado de cada mês, a Poeme-se participa da Feira do Rio Antigo, na Rua do Lavradio. É um momento em que a gente pode olhar no olho de cada um que vem conhecer um pouco do nosso trabalho: ter esse contato direto com quem visita nosso estande é muito especial.

E foi em uma dessas edições que convidamos o Pedro Gabriel, o criador do incrível projeto Eu me chamo Antônio, para lançar sua coleção de porta-copos poéticos. Na ocasião, ele autografou o kit da Poeme-se e também seu livro, já que muitos que nos visitaram já eram fãs de seu trabalho e estavam ali, nas palavras deles, rhttps://www.eumechamoantonio.com/ealizando o sonho de conhecer o Pedro pessoalmente. E claro, o nosso blog não poderia perder a chance de conversar um pouquinho mais com esse grande artista e trazer um pouco de sua história e percepções que o ajudam em suas criações, vem ler esse bate-papo super gostoso:

Poeme-se: Você é de N’Djamena, do Chade e filho de mãe brasileira e pai suíço. Como acredita que essas culturas diversas que você vivenciou e vivencia influenciaram no seu trabalho? Quais lembranças carrega da sua infância por lá?

Pedro Gabriel: Eu acredito que todas as nossas vivências acabam participando de alguma forma do nosso processo criativo. A criatividade é o nosso território. Para sobreviver temos que cuidar, plantar, proteger e, principalmente, querer colher os frutos dessa terra. Tenho certeza que a minha poesia é um dos frutos de tudo o que tive a oportunidade (e o privilégio) de vivenciar. Ela tem o carisma do Brasil, a esperança de Cabo Verde, a melancolia do Chade e a beleza neutra da Suíça. Escrevo muito sobre a infância. Cada guardanapo é uma tentativa de redesenhar a minha história, como se eu quisesse voltar para um tempo que hoje habita o passado. Poesia é um pouco isso: trazer para o nosso tempo um tempo que só existe no campo da saudade.

Poeme-se: O Eu me chamo Antônio tem uma estética muito particular, equilibra bem o design com o texto. Conta pra gente como desenvolveu o interesse pelo desenho e a escrita. E o conceito que criou para o projeto.

Pedro Gabriel: Eu sempre gostei de rabiscar. Não sei se eu sei desenhar. Meu traço é um pouco como a vida: espontâneo, ansioso, nervoso, rápido. Eu valorizo os rascunhos. Quando começo a querer detalhar muito minhas artes eu sinto que eles perdem a essência e escapam da minha identidade. Meu traço nasceu da minha incapacidade de desenhar melhor. E eu me encontrei nessas linhas. Eu não me considero um poeta ou um ilustrador. Acho que sou um esboço entre esses dois mundos, da palavra e do desenho.
A ideia de criar o Eu me chamo Antônio também nasceu sem pretensão, de forma muito sincera e natural. Eu não forcei nada. Não foi uma cesariana (risos). Antônio veio ao mundo de parto normal. Foi no final de 2012, eu estava no Café Lamas e tinha esquecido meu caderno de bolso naquele dia. O único material que eu tinha para escrever era a pilha de guardanapos que estava no balcão do bar. Anotei algumas coisas. Esbocei algumas palavras. Gostei do resultado. Fotografei. Joguei na internet e, em pouco tempo, muitas pessoas começaram a me acompanhar, a comentar, a compartilhar e a curtir minhas poesias. Até hoje não sei explicar o motivo do sucesso dessa expressão, mas o que posso dizer é que cada guardanapo criado é um pedaço do meu mundo interno exteriorizado. Quebro meus silêncio quando construo um poema.

Coleção de porta-copos imantados Eu me chamo Antônio

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Poeme-se: Como escolheu os desenhos que ilustram os porta-copos para a coleção da Poeme-se? O que está achando da receptividade da parceria até o momento? (conhecer pessoas no lançamento da Lavradio, etc)

Pedro Gabriel: A parceria com a Poeme-se também nasceu no Lamas. A primeira reunião foi lá. Com esses primeiros desenhos tentamos retratar um pouco do mundo do personagem Antônio. Juntei um pouco de cada traço característico meu: o labirinto, a frase impactante, os rostos na multidão, as palavras isoladas com minha caligrafia e, claro, minha assinatura. Começar com os porta-copos tem tudo a ver com o conceito Eu me chamo Antônio. Afinal, todos os guardanapos foram criados numa mesa de bar, acompanhados de um chope. Nada melhor do que apoiar a ressaca na poesia, né? (risos).

Poeme-se: Quais são os planos futuros para o Eu me chamo Antônio? Vem mais um livro por aí?

Pedro Gabriel: Esse ano, estou mais dedicado à divulgação dos meus dois primeiros livros que foram publicados pela editora Intrínseca. Pretendo participar de feiras e eventos literários, além de viajar pelo Brasil para ter um contato mais direto com meus leitores e minhas leitoras nas sessões de autógrafos. Ainda não estou pensando em um novo livro. Desejo eu tenho, claro. Mas um novo projeto só acontecerá quando encontrar um conceito interessante dentro do universo do Eu me chamo Antônio. Não quero lançar um terceiro livro só porque os outros venderam bem. Não posso me empolgar com números se o meu trabalho é talhar palavras.

Poeme-se: Qual seu autor favorito, o que gosta de ler e/ou assistir? Tem algum livro ou alguma expressão artística que te inspirou e você considera que marcou sua vida?

Pedro Gabriel: Eu tenho alguns poetas que sempre saem para passear comigo. Seja pelas ruas, dentro da minha mochila. Seja antes de sonhar, na mesa de cabeceira. São eles: Manoel de Barros, Drummond, Quintana, Leminski e Arnaldo Antunes. Esses já estão quase na categoria de enciclopédia (risos). Quem tem referências supera com mais facilidade a página em branco. Ou, no meu caso, o guardanapo em branco. Também sou um admirador de ilustradores/cartunistas, como: Troche, Liniers, André Dahmer e Craig Thompson. Buscar conteúdo nunca é demais!

Poeme-se: Se pudesse dar um conselho aos nossos leitores que curtem escrever poesia e querem começar algum projeto como o seu, o que diria a eles?

Pedro Gabriel: Que não encarem a poesia inicialmente como um projeto. Quando as coisas são organizadas com rigor milimétrico, a imaginação fica moldada. A imaginação é um órgão invisível que precisa viver solto na gente, ou ao nosso redor. A imaginação cursa humanas, não exatas. Você precisa se planejar, claro. Mas esse planejamento não pode influenciar na sua criação. Você não precisa adaptar seu discurso para agradar tal ou tal pessoa. O processo de aceitação deve ser inverso: tal ou tal pessoa vai gostar do seu trabalho porque você já sendo sincero no seu discurso. Não importa a plataforma (guardanapo, madeira, papel, ferro, redes sociais, livro, vídeo), o importante é o conteúdo. A plataforma só vai de dar visibilidade por algum tempo. O conteúdo é o que vai sustentar a sua ideia para sempre.

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