Um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, Machado de Assis é figura central de uma polêmica envolvendo sua representação na história. Afinal, Machado de Assis era negro? A Poeme-se quer levantar essa discussão com o lançamento da camiseta literária Machado Black Power, para refletir sobre o “branqueamento” que o escritor teria sofrido ao longo das décadas através de suas diversas representações.

machado de assis mulato

machado de assis era negroTal polêmica envolvendo o nome do Bruxo do Cosme Velho acentuou-se após uma propaganda da Caixa Econômica Federal, na qual um ator de feições europeias foi o escolhido para representá-lo (veja aqui). De sua biografia extraímos que além de mulato, era bisneto de escravos e nascido no Morro do Livramento.

Na ocasião alguns movimentos iniciaram a discussão e até mesmo o escritor Haroldo Costa se pronunciou:  “É lamentável que uma instituição do governo deixe passar esse erro histórico. E o pior é que não foi a primeira vez que tal equívoco aconteceu. Muitas publicações já ‘branquearam’ o escritor de tal forma que, em algumas fotografias, ele pareceu quase loiro”. Com a repercussão negativa, após alguns dias, o comercial foi retirado do ar.

Mas por que trazer essa questão do machado de assis era negro ou branco“embraquecimento” de um dos grandes ícones literários do país? Entendemos que como uma marca que se alimenta de poesia e literatura, é importante resgatar as raízes culturais e históricas de Machado e levantar uma discussão da representação negra do escritor. Acreditamos que na maioria dos casos, ainda na escola, quando muitos têm o primeiro contato com as obras e a história de Machado, sua representação seja a de um homem branco.

Se formos analisar sua história sob a ótica de seu trabalho, vemos um artista extraordinário ascendendo à elite intelectual do país que ainda vivia em um regime de escravidão. Sua carreira teve grandes marcos, não só pela produção literária, mas também por Machado de Assis consagrar-se como o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Também acumulou reconhecimentos valiosos: foi indicado por D. Pedro II como diretor-assistente do Diário Oficial, e pouco depois como assistente de diretor. Anos depois, em 1888 ainda recebeu das mãos do Imperador uma condecoração oficial da Ordem da Rosa.

Ao analisar sua obra vemos também que em sua primeira fase, Machado não aborda a questão do preconceito racial no país. Porém mais tarde, já consagrado e em uma posição confortável, identificamos em diversas obras sua crítica social retratada. Um exemplo é o conto “Pai Contra Mãe”, no qual há diversas ironias na história da captura de escravos. Também no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, no capítulo  “O Vergalho”, há o trecho em que Brás Cubas encontra um antigo escravo, já alforriado, castigando outro escravo.

Agora é com você! Conte para a gente nos comentários o que achou dessa discussão:

  • Já tinha lido algo sobre o “embranquecimento” de Machado de Assis?
  • O que apontaria sobre a pouca divulgação de escritores negros no Brasil?
  • Mostre a sua opinião!

Poeme-se com a nova camiseta Machado Black Power para celebrar o resgate de raízes culturais de um de nossos maiores ícones da literatura nacional:

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