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5 lugares – inspirados na vida de autores – para passar o Ano Novo

5 lugares – inspirados na vida de autores – para passar o Ano Novo

O espaço tem poder sobre a vida do autor? O que tem de mágico nas cidades que inspiram as obras literárias? O que tem de peculiar na cidade de seu escritor favorito? Pensando em como a cidade pode se tornar literária e ser sua fonte de inspiração para começar 2018 com mais entusiasmo, separamos 5 lugares – inspirados na vida de autores – para você pensar em passar o Ano Novo.

1. A região de Nord-du-Québec no Canadá e Margaret Atwood

A autora de O conto da aia (The Handmaid’s tale) e Vulgo Grace tem uma grande admiração pela natureza selvagem e apesar de suas obras mais famosas se passarem em tempos distópicos, a região de Nord-du-Québec tem forte influência sobre sua escrita, pois a autora cresceu visitando a região com o pai. Se você têm fascínio por locais remotos, Nord-du-Québec é a maior e menos populosa região de Québec, no Canadá, com lagos e rios extensos. Nossa dica é conhecer o vilarejo de Kangiqsujuaq, também conhecido como Wakeham Bay, com suas montanhas espetaculares e o Parque Nacional de Pingualuit, ótimo para observar a natureza e a vida selvagem e fazer caminhadas no verão.

Quebec

2. Madri na Espanha e Ernest Hemingway

Desde que viajou a primeira vez em 1932 para Madrid, com o objetivo de estudar as touradas para seu livro O sol também se levanta, o autor de Por que os sinos dobram foi um apaixonado pela cidade. Se você adora bares, cafés e praças, Madrid é sua casa perfeita para virar o ano, que é marcado pelas campanadas, o som dos sinos à meia-noite. A tradição diz que você deve comer uma uva a cada campanada até completar 12 uvas. Indicamos visitar a Plaza de Los Toros de Las Ventas, o lar da tourada e fonte de inspiração do autor e tomar uma bebida em Botín, o restaurante mais antigo do mundo e o preferido de Hemingway. É claro, tudo isso com sua camiseta poética.

3. Ilhéus na Bahia e Jorge Amado

Comida, fartura, cheiros. Se você ama uma mistura de sabores e festa com muita gente e sorrisos, vai amar a Bahia – que parece estar em uma eterna domingueira. Mística, colorida, alegre, e misteriosa, a região é perfeita para quem curte badalação ou gostaria de se reconectar com sua fé – seja para agradecer por 2017 ou pedir proteção para 2018. A terra preferida do autor de Tieta do Agreste é sempre uma volta às raízes nacionais e um ponto perfeito para repetir a clássica frase “As melhores coisas da vida não são coisas”. Parada obrigatória indicada: Casa Cultura Jorge Amado.

As melhores coisas da vida

4. Tóquio no Japão e Murakami

Apesar de Haruki Murakami ter vivido muitos anos fora do Japão, suas obras são ambientadas dentro do Japão, mergulhadas em uma cultura pop, com referências ocidentais. Essa mistura faz com que jovens japoneses globalizados sejam apaixonados por suas obras – e nós do outro lado do mundo também. 1Q84, por exemplo, foi capaz de reunir um grupo de fãs do autor para assistirem juntos, com porta-retratos e livros, a transmissão ao vivo da escolha do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Apesar de Murakami não ter ganhado o prêmio na época, o local se transformou em ponto de encontro para leitores do autor. Em busca da atmosfera dos livros de Murakami? Tóquio é seu destino. Não esqueça de passar no café Rokujigen, em Shinjuku, para sentir aquele clima de jazz e literatura. Não se espante se todo mundo estiver por lá com um livro aberto – do Murakami, lógico – e uma bebidinha ao lado.

P.S.: Qual caneca levar ao Japão?  http://www.poemese.com/pequenices/canecas

Livros

5. Lapa, Rio de Janeiro e Noel Rosa

Noel Rosa se apaixonou na Lapa, coração cultural do Rio de Janeiro. Sua vida amorosa cruza com a história da região e através da boemia e da dor do amor, seus sambas atravessaram gerações. Teste: quando seu coração bate no pulmão, ele lembra a batida do pandeiro? Sim? Então você tem que ir para a Lapa abraçar 2018. Berço de quem ama bares e aquele estado de leve insensatez, o bairro é o local perfeito para você esperar o novo ano. Paradas obrigatórias: Baródromo e Cabaré do Malandro.

Noel Rosa Poesia do Samba


Já passou o Ano Novo em alguma cidade inspiradora? Conta para gente como foi! =)


Hanny Saraiva

Promessas de fim de ano dos escritores(as)

Promessas de fim de ano dos escritores(as)

A chegada de um novo ano sempre vem repleta de promessas. Dieta, ler não sei quantos livros por ano, fazer aquela viagem e por aí vai.
Veja o que Simome de Beauvoir, Machado de Assis e outros (as) poetas prometem para o ano que vem.
E você? O que anda prometendo para 2018?


E você qual sua promessa ou desejo de final de ano? Deixe nos comentários.


 

12 sinais de que você ama Natal e não sabia disso

Seu Instagram já tem alguma coisa de Natal? Já pesquisou receitas de cheesecake? Não liga para quem diz que odeia a data 25 de dezembro e tem sempre uma boa história de fim de ano? Estamos aqui para te mostrar 12 sinais de que você ama Natal e nem tinha percebido isso.

1. Você compra objetos com temática de Natal porque acha fofo e bonitinho.

gif de bonequinhos de lego natalinos

Eles te trazem uma sensação de conforto e bem-estar.

2. Você adora ver filmes de Natal.

Todo ano você vê – no mínimo – um filme novo e repete um antigo.

3. Você acorda na manhã do dia 25 querendo um presente.

Toda manhã de Natal você tem aquela sensação de lembrar como é checar seu sapato/meia e encontrar um presente quando criança. No seu íntimo, você ainda espera por isso.

4. Você já enviou um emoji de Natal para alguém esse mês.

E aquela sensação de dever cumprido se instalou em seu coração. Algumas vezes você disfarça dizendo que estava bêbado.

5. Seu animal de estimação tem uma roupa ou adereço para o Natal.

Cachorro com gorrinho de natal

E você acredita que ele fica muito mais bonito do que o do vizinho.

6. Você prepara um monte de comida para o Natal.

Homem dorando pernil de natal

E se orgulha disso.

7. Você canta uma vez por ano “Já é Natal na Leader Magazine” para alguém.

Ou qualquer outra música repetitiva que tenha a palavra Natal e nem se sente tiozão por isso.

8. Você adoraria que nevasse no Natal.

Cachorro_pulando_na_neve_com_roupa_de_natal

E conhece monte de gente – e animais – que também ficaria muito feliz com isso.

9. Você já propôs um Natal hipster e alguém achou a ideia sensacional.

Todo ano essa pessoa te relembra que isso realmente poderia acontecer.

10. Você participa de todo amigo secreto.

Árvore de natal com pisca picas

Seja o da família, dos amigos, do trabalho, da escola, da vizinhança. Você está presente em todos e é um expert em embrulhos e o que cada um gosta de ganhar.

11. Ver luzes de Natal faz seu coração bater mais forte e seus olhos brilham.

Luzes de natal

Você diz que é reflexo do pisca-pisca, mas é sua alma natalina florescendo!

12. Você adora dar presentes.

E sabe exatamente o que cada um gostaria de receber. Desde pequenices a kits completos, não importa o valor, presentear é uma demonstração de afeto, um carinho na alma, como o que separamos para vocês em >> http://www.poemese.com/lancamentos

 


Você é realmente um apaixonado pelo Natal ou conheça alguém que seja? Compartilha com a gente! ˆˆ


Hanny Saraiva

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Difícil foi cada um da nossa equipe escolher seu poema preferido. São tantos textos geniais que é uma tarefa quase impossível escolher um poema apenas. Dessa forma, o que temos aqui são 10 poemas fundamentais para os colaboradores da Poeme-se.  Isso deixa margem, de propósito, para que você agregue o seu poema favorito nos comentários (ou os seus..rs)

1 – O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.
-O livro sobre nada, Manoel de Barros.

2- Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.
Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.
E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.
Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.
Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.
-Memórias Inventadas, As infâncias de Manoel de Barros.

3- O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
-do livro “Exercícios de ser criança”, de Manoel de Barros, publicado em 1999.

4- O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
-Memórias Inventadas – As Infâncias de de Manoel de Barros – Manoel de Barros – Editora Planeta, 2008, p.45.

5- Obrar

Naquele outono, de tarde, ao pé da roseira de minha
avó, eu obrei.
Minha avó não ralhou nem.
Obrar não era construir casa ou fazer obra de arte.
Esse verbo tinha um dom diferente.
Obrar seria o mesmo que cacarar.
Sei que o verbo cacarar se aplica mais a passarinhos
Os passarinhos cacaram nas folhas nos postes nas pedras do rio
nas casas.
Eú só obrei no pé da roseira da minha avó.
Mas ela não ralhou nem.
Ela disse que as roseiras estavam carecendo de esterco orgânico.
E que as obras trazem força e beleza às flores.
Por isso, para ajudar, andei a fazer obra nos canteiros da horta.
Eu só queria dar força às beterrabas e aos tomates.
A vó então quis aproveitar o feito para ensinar que o cago não é uma
coisa desprezível.
Eu tinha vontade de rir porque a vó contrariava os
ensinos do pai.
Minha avó, ela era transgressora.
No propósito ela me disse que até as mariposas gostavam
de roçar nas obras verdes.
Entendi que obras verdes seriam aquelas feitas no dia.
Daí que também a vó me ensinou a não desprezar as coisas
desprezíveis
E nem os seres desprezados.
-Memórias Inventadas – As Infâncias de de Manoel de Barros – Manoel de Barros – Editora Planeta, 2008, p.45.

6- Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogio
― Manoel de Barros, Tratado Geral Das Grandezas Do Ínfimo

7-O fotógrafo

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na
pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.
Representou para mim que ela andava na aldeia de
braços com Maiakowski – seu criador.
Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.
– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

8- Do livro Arranjos para assobio

VI.

Há quem receite a palavra ao ponto de osso, de oco; ao ponto de
ninguém e de nuvem.
Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na sarjeta.
Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro, envergá-las pro chão,
corrompê-las
até que padeçam de mim e me sujem de branco,
Sonho exercer com elas o ofício de criado:
usá-las como quem usa brincos.
– livro Arranjos para assobio, Manoel de Barros.

9-Borboletas

Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza, 
um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de 
uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.
– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”, Rio de Janeiro: Record, 2000.

10-Um songo

Aquele homem falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.
– Manoel de Barros, em “A biblioteca de Manoel de Barros”. São Paulo: Editora Leya, 2013.

 

10 camisetas para poetizar seu amigo oculto

10 camisetas para poetizar seu amigo oculto

Então o fim do ano chegou. Com ele, vem aquela sensação de retrospectiva, de experiências vividas – válidas ou não – e o habitual momento de brincar de amigo secreto, amigo oculto, amigo X ou amigo invisível. Não importa a nomenclatura, vem dezembro e com a tradição aquela dúvida anual: o que dar para esse nome no papelzinho? Separamos 10 camisetas especiais para deixar seu amigo feliz. Como escolher? Fácil, analise a pessoa: ela tem cheiro de qual poeta?
Feita especialmente para aqueles que curtem uma boa conversa de bar, filosofia, um cigarrinho acompanhado de uma boa cerveja. Para aqueles que pensam como Neruda, “Poderão cortar todas as flores, mas não poderão deter a primavera”.

2. Fernando Pessoa

É uma camiseta para aquele amigo sábio, que adora contemplar a vida e tem frases certas para aqueles momentos desesperados. Otimista, pode muito bem repetir a frase do poeta que você poderia até pensar que é dele: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.”

3. Mano Melo

Essa camisa é perfeita para aquele amigo “cidadão do mundo”, que procura “trocar amor com quem também ame”. Aquele amigo que adora declamar sobre paixão, liberdade, política, humor e crítica social.

4. José Saramago

Sabe aquele amigo que muitas vezes está calado no canto, apenas observando a cena e que do nada vem com a solução do problema? Ele tem uma alma Saramago, não apenas vê e sim repara, conserta aquilo que precisa ser mudado, um mestre da linguagem e das palavras-chaves.

5. Anaïs Nin

Livre, inquieta, sem rótulos. Essa camiseta é perfeita para a pessoa que aprecia histórias de libertação e superação, que acredita na igualdade de sexos e é aberta à novas experiências sexuais e emocionais. Já dizia Nin, “a única anormalidade é a incapacidade de amar.”

6. Cecília Meireles

Sabe aquele amigo que quando chega no ambiente, nossos olhos estreitam e a palavra “fofura” paira no ar? A frase “Nem alegre, nem triste. Poeta” define a personalidade dessa pessoa que tem no sangue uma eterna asa ritmada.

7. João do Rio

Sempre haverá a rua e um bar para afogar as mágoas e brindar às alegrias. João do Rio é a representação do boêmio, flâneur e contista que vê nas ruas sua casa. Temos certeza que aquele amigo que sempre chama para um chopinho vai amar essa camiseta! Afinal, é sempre ele que tem uma história na ponta da língua para relembrar os casos que aconteceram no bar.

8. Lygia Bojunga

Seu amigo oculto vive com um livro debaixo do braço e sabe todas as novidades literárias do mercado? Ele tem a essência da frase da poeta gaúcha “pra mim livro é vida”. 100% algodão, 100% poesia. Bingo, você encontrou o presente perfeito.

9. Shakespeare

Camiseta essencial para aquele amigo tradicional, que adora a elegância dos clássicos e que tem uma queda pelo bardo inglês. Ao ler a frase “Embora sejas mau, velho tempo, e apesar de teus erros, meu amor permanecerá jovem em meus versos” temos certeza que o coração dessa pessoa bate mais forte.

10. Seleção de poetas

Para aquele amigo apaixonado por futebol e poesia brasileira, aquele que sabe de cor qual era o time de 1970 e quais os maiores monstros da literatura brasileira. Para esse amigo, Brasil é sinônimo de versos e uma boa bola.

Lembre-se, a camiseta é pro seu amigo. Pense nele em primeiro lugar porque o maior erro ao presentear alguém é pensar na gente. Porém, se o desejo for muito, muito intenso, que mal tem em ter uma camiseta poética para si também, né? Poeme-se

 

6 escritores que amavam gatos

6 escritores que amavam gatos

A profissão de escritor é conhecida por ser uma atividade solitária, mas quantas vezes já testemunhamos um felino como parceiro de escrita do artista? Muitos bichanos são temas de inspiração, outros têm papel fundamental no dia-a-dia de seus donos. O imaginário literário cruza com gatos em livrarias, bibliotecas, máquinas de escrever, computadores, um símbolo dos amantes de livros. Pensando em como esses felinos estão presentes na literatura do mundo, separamos 6 escritores que amavam gatos e que, com certeza, deixariam Max – o gato – entrar na biblioteca.

1. Ernest Hemingway

O autor de “O velho e o mar” tinha muitos gatos em seu lar em Cuba e na Flórida. Sua gata branca mais conhecida se chamava Snow White e tinha seis dedos, um presente estimado do capitão Stanley Dexter para o autor. Gatos eram adorados entre marinheiros por serem capazes de espantar ratazanas das embarcações e ter gatos com seis dedos era sinônimo de sorte para quem vivia em navios. Para Hemingway, os gatos eram “máquinas de ronronar” e “esponjas de amor”. Atualmente mais de 50 gatos de seis dedos vivem na casa do escritor, que foi transformada em um museu. Sorte dos gatos ou dos humanos?

2. Jorge Luis Borges

O autor que imaginava “o paraíso como uma espécie de biblioteca” adorava seu felino chamado Beppo, que foi seu companheiro de reflexão e inspiração por quinze anos, e a ele dedicou o poema “A um gato”. Será que Beppo circulava pela biblioteca do autor?

3. Charles Bukowski

“Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu.” O escritor de “Factotum” era apaixonado por gatos. Produziu vários textos, cartas e poemas onde citava seu fascínio pelos felinos, considerados animais com uma força própria, muito mais livre e superior ao homem.

 

4. Jack Kerouac

Mais um autor a favor dos gatos é o escritor de “On the road”. Sua vida errante mistura-se com seu amor pelos felinos. Tanto que a morte desses animais de estimação tem peso significativo em suas obras, como em “Big Sur”, onde a notícia da morte do gato do personagem dá início a uma mudança no espírito do protagonista. A jornada de Kerouac como escritor é cruzada com a presença de vários gatos e o convívio com eles é expressamente inspirado em suas narrativas.

5. Jean Paul Sartre

“Estamos condenados à liberdade”, Sartre afirmou. Quem é mais livre que o gato? O autor de “A idade da razão” tinha como companheiro seu gato Nada. Sartre também é inspiração para Henri, o gato existencialista, criado por Will Braden.

6. Jean Cocteau

O autor de “Os filhos terríveis” dizia que o “gato é a alma visível da casa”. Amante dos felinos, Cocteau chegou a criar um clube de amigos dos gatos. Aos gatos, o escritor dedicou palavras e sentimentos nobres. Seu gato Karoun era conhecido como “o rei dos gatos”.


Será que esses escritores seriam os mesmos sem a presença de seus felinos? Por que gatos estão sempre perto de livros? Seriam eles o elixir literário que caminha entre o mundo da imaginação e a realidade? O que você acha? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

Verão chegando, calor brotando e aquele gosto de samba que penetra na pele e arrasta o pé para o batuque – quem nunca? Pensando em já te preparar para o ritmo “samba, suor, cerveja”, separamos 10 músicas que todo amante do samba deve conhecer e compartilhar, porque música que é música atravessa gerações.

 

1. Malandro – Jorge Aragão/Jotabê

Malandro na voz de Elza Soares é como um sussurro saudoso, uma das mais belas interpretações da canção que traduz o espírito daquele “perdido no mundo morrendo de amor”.

2. A voz do morro – Zé Kéti

Samba sobre samba que contempla gerações. Condutor de alegria, pincela um pouco a história do gênero musical, quase um hino carioca.

3. Se acaso você chegasse – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins

Feito quase de improviso em uma calçada em Porto Alegre, esse samba foi inspirado na vida amorosa do compositor. Perfeito para cantar depois da sétima cerveja.

4. Coração – Noel Rosa

Canção obrigatória para entender o samba: intenso, generoso, cheio.

5. Batuque na cozinha – João da Baiana

João da Baiana, aquele que introduziu o pandeiro no samba, compôs esse samba em 1968. A simplicidade dessa canção é sua maior grandiosidade.

6. Eterna Paz – Candeia e Martinho da Vila

Esse samba é mais que uma “flor que flui”, é poesia batucada para aqueles que sonham.

7. Agoniza, mas não morre – Nelson Sargento

Seu compositor luta pelo samba desde os anos 50, época onde o gênero era marginal. Esse samba é acima de tudo “negro, forte, destemido”, símbolo de resistência.

8. Quando bate uma saudade – Paulinho da Viola

Uma pulsação intimista de uma jura não dita, desejo revivido, – que para continuar desejo precisa se manter distante – o sentir como o único caminho a se trilhar. Perfeito para cantar em voz alta.

9. A flor e o espinho – Nelson Cavaquinho

Bucólico, lírico, perfeito para aqueles dias onde parece que a sua dor é a maior do mundo. Só sua.

10. Agora é cinza – Alcebíades Barcelos e Armando Marçal

Campeão do Carnaval de 1934, sua melodia é atemporal, sendo conhecido até hoje “como um dos maiores sambas de todos os tempos”.

Para celebrar o dia nacional do samba, que tal vestir a Poesia do Samba? =D

 

Poesia do Samba, quatro camisetas de sambistas consagrados e o botão "Quero sambar"

 

Hanny Saraiva

As 13 melhores pílulas poéticas de Emily Dickson

Gostaria de uma pílula poética? Separamos treze encantamentos de Emily Dickson (inspirados em nossa camiseta) para você compartilhar entre os amigos e tornar seu dia mais poético.

Para sempre é composto de agoras

  1. Para sempre é composto de agoras.
  2. A esperança é uma ave que pousa na alma, canta melodias sem palavras e nunca cessa.
  3. Todo meu patrimônio são meus amigos.
  4. Pela sede, aprende-se a água.
  5. Suave como o massacre dos sóis mortos pelos sabres do anoitecer.
  6. Me mata e a alma flutua. Cantando ao Paraíso, sou tua.
  7. Astutos corcéis do tempo param e não vão embora, na porta do tormento nem que lhes metam espora.
  8. Lá fora as coisas não são diferentes, as estações se escoam, enfloram-se as manhãs no meio-dia e abrem botões de fogo.
  9. O sucesso é mais doce a quem nunca sucede.
  10. A beleza não tem causa, ela é. Tenta caçá-la e ela cessa, desiste e ela permanece.
  11. Se recordar fosse esquecer, eu não me lembraria.
  12. Banir a mim de mim fosse eu capaz. Fortim inacessível ao eu audaz.
  13. A dor tem algo de vazio, não sabe mais a era em que veio ou se havia um tempo em que não era.

Qual a pílula poética representa mais seu estado de espírito atual? Compartilhe com a gente!


Hanny Saraiva