Mendelson Juliano de Carvalho, o Tokinho, é a inspiração da nossa mais nova camiseta do projeto Poesia 2.0. O músico e editor é natural de Poços de Caldas, Minas Gerais e empresta seus versos “Em terra de egos quem vê o outro é rei” para essa estampa poética.

Fã de Leminski “Me indentifico com a forma que ele escrevia: coisas curtas e diretas” e de Augusto dos Anjos “ele é é meio sombrio e tenebroso nas palavras”, batemos um papo com Toquinho para você conhecer um pouco mais de suas inspirações e influências:

Poeme-se: De onde surgiu a paixão por poesia? Com quantos anos você percebeu que gostava dessa arte? E como você definiria seu estilo de escrita?
Tokinho Carvalho: Sou muito influenciado pelo meu pai. Ele gostava de poesia e falava disso comigo de vez em quando! Mas a minha paixão se consolidou de fato depois que ele partiu, porque dois dias antes estávamos sentados na cozinha e ele tava lendo umas poesias que eu ia expor em um varal de um sarau. E ele disse: “Cê tá escrevendo bem hein, Toko? Precisa publicar isso aqui!”. O fato do meu pai ter demonstrado orgulho de mim despertou a paixão de fato. Isso tem uns 5 anos. Mas a primeira vez que eu vi que “escrever é legal” foi na oitava série. Rolou um concurso na escola onde cada aluno deveria escrever uma carta para o Frei Betto. A carta escolhida seria enviada pra ele e ele mesmo responderia. A minha foi escolhida. E a minha família sentiu orgulho de mim quando viram uma cartinha assinada pelo Frei Betto em casa. Sobre definir meu estilo de escrita, eu não sei. Só escrevo, rs. Tem uma frase de alguém que não lembro quem é que diz que “quem se rotula, se limita”. Então prefiro somente escrever, as definições deixo por conta de quem me lê. Mas dizem que escrevo poesia, rs.

Poeme-se: O que está por trás dos versos ”Em terra de egos quem vê o outro é rei”? E como você vê a poesia como instrumento para despertar a empatia nos outros?
Tokinho: Vivemos numa sociedade muito egocêntrica, né? O próprio umbigo é sempre mais importante que o do outro. É um querendo pisar no outro, um querendo ser mais que o outro. A frase vem no sentido de exaltar quem vai na contramão do egocentrismo e para pra olhar o outro, pra se preocupar com o outro sente, vive e sonha. Acho que o ego é importante, mas ele não deve ser maior do que a consciência de que não estamos sozinhos no mundo. Quis brincar com um dito popular, e acabei remixando ele. Sinceramente não esperava que ela fosse viralizar tanto na rede. Quando vi que eu tinha perdido o controle, senti o poder que essa frase tem. Fiquei sabendo que ela foi usada em congressos, trabalhos de conclusão de curso, várias páginas enormes compartilharam, artistas, enfim.

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Sobre a poesia como instrumento para despertar a empatia, acho que a poesia é instrumento pra despertar tudo em todos. Ela é a arma que fere e o carinho que afaga, sabe? Rola essa ambiguidade, essa possibilidade de causar infinitas sensações em quem lê. No caso dessa frase, ela de fato é sobre empatia. E fico feliz que ela tenha despertado e feito as pessoas refletirem sobre isso. Porque ela [a frase] se encaixa em vários contextos e situações, né?

Poeme-se: Quem são suas referências?
Tokinho: [Além de Leminski e Augusto dos Anjos já citados] Em geral, me interesso mais em ler poetas e poetisas que eu posso encontrar qualquer hora dessas num sarau, bater um papo pelo Facebook e ser amigo. Então são vários nomes: Alice Ruiz, Victor Rodrigues, Jefferson Santana, Michele Santos, Carlos La Terza, Michele Santos, Eduardo Dias, Mel Duarte, Mariana Felix, Mano Ril, enfim, ficaria aqui horas citando nomes de poetas e poetisas que me influenciam. Mas em geral é isso, prefiro ler os meus amigos e meus contemporâneos.

Poeme-se: Conta pra gente em quais projetos poéticos você está envolvido? 
Tokinho: Sou organizador do Sarau de Ninguém, que rola aqui em Poços de Caldas. Sou criador do #SarÁudio, que é um grupo de WhatsApp que funciona como um sarau virtual e une poetas de vários cantos do país. O foco, como o próprio nome já diz, é o compartilhamento de poesias – autorais ou não – em mensagens de áudio.
Faço também o “Memória In-Verso”, que é um projeto onde eu ouço histórias das pessoas e as transformo em poesia em tempo real, tudo datilografado pra que ela possa levar uma lembrança diferente pra casa. Esse projeto não foi uma ideia minha, é inspirado em alguns poetas conhecidos meus e outros que pesquisei pela internet e fazem isso nos Estados Unidos. Também sou editor independente, lancei o selo Zinelândia, por onde lanço meus livretos e de outros autores e autoras.

Poeme-se: Para terminar, deixe mais um pouquinho do seu trabalho, compartilhando uma poesia/texto aqui

O abraço
é um beijo
entre dois
corações
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Tire
a roupa
e vista-se
de mim.

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O sonho
do seu sonho
é ser real.

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