Aqui na Poeme-se tudo vira inspiração! Se é poesia e literatura, nossa equipe de curadoria está de olho, sempre pesquisando. Como somos a primeira grife poética do país, a nossa missão é colocar a poesia em movimento. E nada mais incrível do que ver grandes artistas que conquistaram grandes leitores ao redor do mundo, estampando nossas camisetas. A seguir, confira uma lista especial com 5 artistas e suas obras originais, que viraram camisetas literárias:

Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás… Seremos…

O poeta chileno Pablo Neruda inspirou uma das camisetas mais icônicas da nossa coleção para falar de amor. Neruda é dos mais importantes escritores da América Latina, vencedor do Nobel da Literatura em 1971. E no poema de Neruda, “Talvez”, somos transportados para essa atmosfera romântica. Veja mais detalhes dessa estampa aqui.

Edgar Allan Poe

“Venho de uma raça notável pelo vigor da fantasia e pelo ardor da paixão. Os homens me chamaram de louco; Mas a questão ainda não está resolvida, se a loucura é ou não a inteligência mais alta – se é muito gloriosa – se tudo o que é profundo – não brota da doença do pensamento – dos estados de espírito exaltados à custa do intelecto geral . Os que sonham de dia conhecem muitas coisas que escapam aos que sonham somente de noite. Em suas visões cinzas eles obtêm vislumbres da eternidade, e emoção, ao despertar, para descobrir que eles estão à beira do grande segredo. Em fragmentos, eles aprendem algo da sabedoria que é do bem, e mais do mero conhecimento que é do mal. Eles penetram, no entanto, sem rumo ou sem compasso no vasto oceano da “luz inefável”, e novamente, como as aventuras do geógrafo nubiano, “agressi sunt mare tenebrarum, quid in eo esset exploraturi”.

Elegemos a frase “Os que sonham de dia conhecem muitas coisas que escapam aos que sonham somente de noite.”, extraído do livro “Eleonora”, de Edgar Allan Poe para estampar nossa camiseta. Veja mais detalhes dela aqui.

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz
O compositor Zé Keti, portelense de carteirinha, é considerado um dos mais importantes sambistas brasileiros. Sua obra-prima, a música “A voz do morro” é pura inspiração para embalar nossa camiseta.

 

 

Uma definição amor é uma luz à noite atravessando o nevoeiro

amor é uma tampinha de cerveja pisada no caminho do banheiro
amor é a chave perdida da sua porta quando você está bêbado
amor é o que acontece uma vez a cada dez anos amor é um gato esmagado
amor é o velho jornaleiro na esquina que desistiu amor é o que você acha que a outra pessoa destruiu
amor é o que desapareceu junto com a era dos navios encouraçados
amor é o telefone tocando, a mesma voz ou uma outra voz mas nunca a voz correta
amor é traição
amor é o incêndio dos sem-teto num beco
amor é aço amor é a barata amor é uma caixa de correio
amor é a chuva sobre o telhado de um velho hotel em Los Angeles
amor é o seu pai num caixão (aquele que te odiava)
amor é um cavalo com a perna quebrada tentando se levantar enquanto 45.000 pessoas observam
amor é o jeito que nós fervemos como a lagosta
amor é tudo que nós dissemos que não era
amor é a pulga que você não consegue encontrar
e o amor é um mosquito
amor são 50 lançadores de granada
amor é um pinico vazio
amor é uma rebelião em San Quentin
amor é um hospício
amor é um burro parado numa rua de moscas amor é um banco de bar vazio
amor é um filme do Hindenburg se retorcendo um momento que ainda grita
amor é Dostoiévski na roleta
amor é o que se arrasta pelo chão
amor é a sua mulher dançando colada com um estranho
amor é uma senhora roubando um pedaço de pão e o amor é uma palavra usada muitas vezes e muitas vezes cedo demais.

Bukowski é uma figura emblemática. O escritor alemão radicando nos Estados Unidos não é, necessariamente, romântico. Mas tem um ponto de vista interessante sobre o amor, concorda? Poeme-se com a Camiseta Amor Segundo Buk aqui. 

Cante lá, que eu canto cá
Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.
Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.
Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dizê que não mêxa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.
Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô.
Seu verso é uma mistura,
É um tá sarapaté,
Que quem tem pôca leitura
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.
Canto as fulô e os abróio
Com todas coisa daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se bulí.
Se as vêz andando no vale
Atrás de curá meus male
Quero repará pra serra
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um divule de rima
Caindo inriba da terra.
Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.
Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça,
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro mando,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.
Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito metá.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.
Sua vida é divirtida
E a minha é grande pená.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá:
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mió do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.
Eu não posso lhe invejá
Nem você invejá eu,
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.
Aqui findo esta verdade
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve tomá.
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.
Essa é a poesia do único e genial Patativa do Assaré. Extraída do livro: Cante lá, que Eu Canto cá. A marcante oralidade presente na maneira como o autor escrevia deu vida a uma das frases que nossa curadoria transformou em camiseta literária: “Meu verso é como a simente que nasce inriba do chão, não tenho estudo nem arte, a minha rima faz parte das obras da criação.Veja detalhes da camiseta aqui.

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Conta pra gente: quais dessas poesias que estampam camisetas da nossa coleção é a sua preferida? Tem alguma que você gostaria que fizesse parte da nossa grife poética?

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