Alguns dos livros de nossa lista são verdadeiros clássicos e podem ser citados como modelos de quebra de paradigma, abordam temas profundos sobre a sociedade e são algumas das obras mais lidas de todos os tempos. Mas, por outro lado, tocam em assuntos polêmicos e, por isso, foram banidos durante uma época específica ou em algum país contrário aos questionamentos e reflexões que o livro pode gerar. Veja a lista de quais livros foram censurados:

Alice no País das Maravilhas 

“Alice no País das Maravilhas”, obra de Lewis Carroll, foi proibido na China. A alegação era a de que o livro tinha como personagens “animais que falavam”. A obra data de 1985 e tem diversos personagens absurdos, criados em um mundo recheado de fantasia e o nonsense como características de destaque. Aos olhos dos censores, personagens como o coelho que está sempre atrasado, o gato de Cheshire com seu enigmático sorriso e a lagarta fumante, por exemplo, não poderiam ser colocados no mesmo nível dos homens.

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Admirável Mundo Novo

Aldous Huxley escreveu sobre uma civilização no futuro com uma visão totalmente pessimista e apoiado em um viés científico em que a identidade humana é inexistente, o destino de cada indivíduo é definido biologicamente, a felicidade é obtida através de drogas, não há o conceito de família e o sexo é incentivado. Por tocar em temas polêmicos, a obra lançada em 1932 apesar de ser considerada um grande clássico, foi banida de diversas bibliotecas dos EUA, devido ao seu conteúdo incentivar o sexo promíscuo.

A revolução dos Bichos

George Orwell tem menção honrosa em nossa lista com 2 livros sofrendo censura. Em “A Revolução dos Bichos”, Orwell escreveu durante a 2ª Guerra Mundial sua sátira à ditadura de Stalin, através de uma história cheia de referências à União Soviética de forma bastante crítica. O livro foi banido na década de 1960 de diversas bibliotecas e depois na década de 1980, sendo apontado como uma obra pró-comunista.

E, na história mais recente, em 2002, o livro foi banido dos Emirados Árabes por ser acusado de conter elementos contrários aos valores da cultura islâmica.

1984

O Grande Irmão que tudo vê e tudo controla é uma das metáforas mais interessantes que Orwell utilizou para retratar as faces de um regime totalitário e seus desdobramentos em futuro distópico. Para ler mais sobre o resumo de 1984, veja aqui. Ao tratar de temas políticos e sociais de forma tão crítica também foi banido em alguns locais. A curiosidade fica na dúbia interpretação que os censores aplicaram: enquanto nos EUA o livro foi apontado como pró-comunista, na Rússia a história foi censurada por ter sido vista como uma crítica ao regime vigente da época, no caso, comunista.

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Feliz Ano Novo

Também por questões políticas, a obra de Rubem Fonseca foi vítima da censura pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, durante a época da Ditadura Militar no Brasil. Publicado em 1975, Fonseca apresentava diversos contos que retratavam casos urbanos que continham grande teor de violência. Para citar alguns temas: um milionário que atropela diversas pessoas, ladrões que invadem uma festa de réveillon e um jovem que come o corpo da amante com a ajuda de suas tias. O livro foi um sucesso de vendas, alcançando 30 mil exemplares em pouco mais de um ano. Porém, no ano seguinte ao seu lançamento o DIP censurou o livro por acusar a obra de ser contra a moral e os bons costumes, além de fazer apologia à violência.

O Diário de Anne Frank

A menina de 13 anos que sofreu os horrores do holocausto e retratou sua vida em um esconderijo com sua família nas páginas de seu diário também sofreu com a censura. A obra foi polêmica entre algumas bibliotecas dos EUA por abordar assuntos como sexualidade e homossexualidade.

O Apanhador no Campo de Centeio

O escritor J. D. Salinger ao lançar seu livro em 1951 talvez não imaginasse que a obra sofreria com tantas controvérsias ao longo dos anos. Com uma história de um garoto rebelde que foge do colégio interno rumo à Nova Iorque, ele foi alvo de perseguição por parte de pais que acusavam o livro pela linguagem chula, por falar de temas como prostituição e incentivar atos rebeldes. Muitas bibliotecas retiraram o livro das prateleiras: para se ter uma ideia, foi o livro mais censurado dos EUA entre 1961 e 1982 e teve um curioso caso em que uma professora foi demitida após recomendar o livro em sala de aula (ela foi readmitida após o caso).

Ironicamente, tanto alarde sobre a obra pode ter surtido um efeito contrário ao que os censores queriam: é até hoje um dos livros mais lidos nos EUA e foi considerado pela Revista Time um dos 100 melhores romances escritos em língua inglesa após 1923. Além de toda a censura sofrida, Salinger viu seu livro se envolver em mais 2 polêmicas: Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, disse ter se inspirado no livro para matar o ex-beatle. Além disso, Roberto John Bardo que matou a modelo e atriz norte-americana, Rebecca Schaeffer, e John Hinckley Jr., que tentou assassinar o ex-presidente americano Ronald Reagan em 1981, diziam ter se inspirado no livro.

Lolita

Além da violência e da política, outro tema bastante polêmico que aumentava as chances de uma obra ser vítima da censura era o sexo. O clássico Lolita, do escritor Vladimir Nabokov chegou a ter todas as cópias apreendidas em 1955. O motivo era a acusação de conter sexo, incesto e apelo sexual a uma menor de idade, já que a história trazia um homem mais velho que se apaixonava por sua enteada de 12 anos, o que também gerou acusações de pedofilia.

Harry Potter 

Um exemplo mais atual é a saga do bruxo Harry Potter, escrita por J. K. Rowling que narra um mundo fantástico, com uma escola de magia como pano de fundo. Justamente por envolver esse tema foi vítima de algumas censuras, chegando a ser banida de escolas nos Emirados Árabes Unidos por ser acusada de incentivar a bruxaria. Além desse caso, líderes religiosos em diversos países protestaram contra o teor de sua história e nos EUA algumas escolas também baniram a leitura dos livros em seus domínios. A American Library Association (Associação Americana de Bibliotecas) recentemente divulgou sua lista com os livros mais banidos do século e os livros de Harry Potter estavam em primeiro lugar.

O Senhor dos Anéis

A trilogia “O Senhor dos Anéis” de Tolkien também foi censurada por diversos grupos religiosos que condenavam seu conteúdo pagão. Conta-se que em 2001 alguns exemplares do livro foram queimados em uma igreja no Novo México, dizendo que Tolkien fazia apologia ao satanismo, embora o autor fosse cristão e não haja menção de figuras satânicas na obra.

Para quem ama esse universo da literatura e todos esses fatos curiosos, indicamos o artigo: Curiosidades de livros e leitura

Você conhece outros casos de livros que foram censurados? Conte pra gente nos comentários!

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