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Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Nosso destaque do mês fica por conta da parceria com a Publishnews que deu origem a uma coleção de 7 camisetas para brindar quem vive o mundo da literatura. Conheça nossa coleção aqui >>> PublishNews & Poeme-se
Buscando apresentar a dinâmica desse mundo literário, entrevistamos a colunista Camila Cabete, essa moça antenada e plugada que se destaca no mundo digital e editorial. Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo e colunista da PublishNews, ela vive pertinho do mar com dois gatos pretos, Lilica e Bilbo, e está sempre super conectada com as tendências do mundo do livro.

1.Você poderia falar um pouco sobre sua trajetória no mercado editorial? O que você acha que melhorou e que deveria melhorar mais nesse mundo de livros?

Minha trajetória não é nova, afinal tenho 39 aninhos, né? Comecei a trabalhar no mercado de livros como revisora, sou formada em História. Dava aulas e amava, mas enchia o saco de um amigo meu, que trabalhava em editora, pra me mandar revisão. Queria muito trabalhar na área. Quando teve oportunidade, ele me indicou para uma editora, como assistente e comecei minha vida no meio de livros técnicos. Em 2009 surgiu o livro digital como pauta no mundo, fiquei fissurada no assunto e acabei sendo uma das primeiras editoras no Brasil a trabalhar com isso. Juntei meu hobby, que era tecnologia, com minha profissão e ofício. Daí fui convidada a entrar numa empresa 100% digital, que era livraria e distribuidora… Desde 2010 sou profissional do livro digital. Em 2012 entrei na Kobo, e é onde estou desde então.

2.Sendo uma das pioneiras do livro digital no Brasil, como foi adentrar nesse universo sendo mulher? Houve alguma peculiaridade?

Ser mulher é sempre uma questão. No meio do mundo digital também. Minha entrada na tecnologia foi muito tranquila, pois comecei numa startup, com muitos homens na parte robótica da coisa. Fiz grandes amigos, mas derrubei muitas barreiras também. Começando pelo salário, depois na convivência e por aí vai. Nas editoras vemos a maioria de mulheres na produção, mas na gerência e direção somente homens. E esta é realidade até hoje. Ainda sinto um desafio grande ao ter que lidar com alguns donos de editoras, que na negociação ainda não se acostumaram a falar com uma mulher. Muitos acham que não tenho autoridade bastante para isso. Vou te falar: ser mulher ainda será uma questão por muitos anos. Mas sigo feliz.

3.Você precisou brigar para conquistar espaços? Que situação você passou que gostaria que ninguém passasse?

Briguei sim. Quando você se destaca de alguma forma, você incomoda, perde amigos, sofre bullying… Na editora que trabalhei chegaram a me gravar trabalhando para mostrar ao meu chefe como eu ficava o tempo todo no computador… Hahahaha… juro! Sendo que meu trabalho era controlar projetos de livros… logo… Enfim, muita coisa ruim. Ouvia que tinha sido promovida porque dava pro chefe também, mas isso é um clássico, nem causa mais espanto. Me nego a deixar outras mulheres passarem o mesmo que eu. Sou sempre ativa nestas coisas e me coloco de forma bem clara em relação ao feminismo. É uma questão de sobrevivência o empoderamento das outras mulheres, no meu ponto de vista.

4.Você tem quinze anos de estrada no mercado editorial, né? Qual sua opinião sobre políticas públicas e leitura? Quais seriam as políticas públicas ideais para construirmos um país de mais leitores?

Tenho muito tempo de mercado, mas zero de experiências em políticas públicas, PNLD etc. Acho surreal uma empresa privada sobreviver de uma compra anual governamental. Acho que não é sustentável e não vai muito longe este modelo. Sobre incentivo a leitura na educação, acho tudo errado, ultrapassado e burocrático demais para ver luz no fim do túnel. Nossas políticas não acompanham as inovações tecnológicas, o que nos deixa de pés e mãos atados. Estou numa fase meio anárquica, e ando acreditando nas pequenas revoluções diárias e pessoais. Não vejo qualquer iniciativa que me deixe otimista quanto ao futuro da leitura no Brasil.

5.Temos visto um movimento de bibliotecas comunitárias integradas e articuladas no Brasil, como A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, que ações – que não dependam do governo – podem ser pensadas para que mais pessoas possam ter acesso a livros digitais?

É muito louco saber que a quantidade de smartphone por pessoa no Brasil é uma das maiores do mundo. Quando percebermos que dentro do smartphone temos livrarias 24 horas, todos os dias da semana abertas; e trabalharmos curadoria, com educadores e membros das próprias comunidades, aí sim, faremos algo grandioso. Falo de coisas que custariam muito menos e alcançariam muito mais. Mas infelizmente, no Brasil, algo que custa menos não agrada nem atrai o interesse de governantes.

6.Como é o dia a dia de uma Publisher Relations manager?

Cuido do conteúdo da Kobo junto ao mercado brasileiro. Trabalho de casa, de Camboinhas, uma região há 40 minutos do Rio. Tenho uma baita conexão com a internet e vários backups, caso algo dê errado. Cuido do relacionamento com as editoras, dos pagamentos junto ao nosso financeiro. De operações com nosso operacional… todo o meu apoio e suporte fica em Toronto. Tudo o que as editoras do Brasil precisam, eu intermedio e cuido. Faço videochamadas com nossa equipe, que está situada em mais de 5 países, para sabermos o que se passa no mundo do livros, em todos os territórios. Viajo muito a SP, onde me reúno também com nossa parceira, Livraria Cultura. Cuido também de uma parte da divulgação e redes sociais, além de nossa plataforma KWL para autopublicação. Uma vida calma e agitada digitalmente. Acaba que tenho uma rotina como todo mundo: hora pra acordar, almoçar e fechar o laptop. Só que da minha casa, com meus gatos <3

7.Como o livro digital poderia ajudar profissionais do livro como tradutores e revisores?

Se os editores editassem mais coisas voltadas para o digital, talvez pudessem investir mais no processo de edição e se preocupar menos com a distribuição, impressão etc. Nesse caso, os serviços editoriais seriam o fundamental da empresa.

8.Além de trabalhar na Kobo, você é colunista da PublishNews, você acredita que colunistas podem fazer diferença no mundo literário? Houve alguma situação que te deixou com o olho brilhando por lá?

Ser colunista da Publishnews é uma das coisas que mais me orgulho em minha carreira. Foi lá que pude ter meu trabalho reconhecido. Que pude falar e reclamar das coisas que não faziam/fazem sentido no mercado. Tenho um carinho enorme e sigo como colunista até que eles não me queiram mais. Tudo nesta empresa me faz os olhos brilharem: a liberdade que temos para escrever é raridade no mundo.

9.Nós, da Poeme-se, acreditamos no movimento “mais mulheres na literatura”. Como uma apaixonada por literatura, o que você recomendaria para os leitores e leitoras de nosso blog? Qual autora você acredita que deveria ganhar mais destaque no mercado editorial atual?

Eu também acredito nisso e tenho lido mais mulheres desde então. Descobri ano passado Elena Ferrante com a tetralogia Napolitana. Surtei de tão bom que achei. No Brasil amo as obras da Aline Valek que escreve ficção científica e Socorro Acioli que escreve realidade fantástica <3

10.Se você pudesse sentar um dia com um autor/autora (de qualquer época e lugar) e tomar um café, quem você escolheria? Por quê?

Clarice Lispector, sem dúvida. Ela é a mulher que eu adoraria conhecer e ouvir. Principalmente sobre a visão de mundo que ela tinha. As obras dela marcaram muito a minha vida. A cada vez que releio algo, é outra forma de entender o que ela dizia… é louco e lindo.

 


Camila é uma das moças que acredita que representatividade importa sim: por mais mulheres na literatura! E você, conhece alguma mulher porreta que está desbravando os mares da literatura? Conta pra gente nos comentários.


 

Hanny Saraiva

Por que autores amam bibliotecas?

Por que autores amam bibliotecas?

“ Eu fiquei três vezes por semana durante 10 anos me educando na biblioteca pública. É melhor que faculdade. As pessoas deveriam se educar, você pode ter uma educação completa sem gastar dinheiro. No final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e escrito mil histórias.”  – Ray Bradbury
“A biblioteca de minha infância era bem pequena. E mesmo assim sentia que o mundo inteiro estava contido naquelas duas salas. Eu poderia andar em qualquer corredor e aspirar sabedoria.” – Rita Dove
“Não é apenas uma biblioteca. É uma nave espacial que te leva aos confins do Universo, uma máquina do tempo que te leva ao passado longínquo e ao futuro distante, um professor que conhece mais do que qualquer ser humano, um amigo que vai te divertir e te consolar – e acima de tudo, um portal, para uma vida melhor, mais feliz e mais útil.” – Isaac Asimov
“Eu sempre digo às pessoas que me tornei escritora não porque fui para a escola, mas porque minha mãe me levou para a biblioteca. Eu queria me tornar escritora para poder ver meu nome no catálogo de fichas.”  – Sandra Cisneros
“Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de biblioteca” – Jorge Luís Borges
Ainda duvida de que é uma espécie de Éden para escritores e para amantes de livros? Em homenagem ao Dia da Biblioteca, separamos só algumas outras coisinhas que confirmam por que autores amam bibliotecas.

Conhecimento infinito

Há sempre livros. No plural. Quando você acha que sabe tudo sobre o assunto, um livro escondido surge como num passe de mágica. Os livros parecem se comunicar entre as prateleiras, nos escolhendo como humanos favoritos. Quem nunca teve aquela ideia mirabolante após ler um livro de pesquisa sobre o assunto central do seu livro? Escritores amam desbravar o desconhecido e livro de biblioteca é perfeito para isso.

Silêncio

Quer fugir daquele carro do ovo ou da música alta do vizinho? Prazer, sou o silêncio –  a biblioteca afirma. Trago ainda de brinde – algumas vezes ­– aquele ar condicionado poderoso. É um local maravilhoso para acalmar a mente, se concentrar, desenvolver aquela ideia que está entalada e não sai do papel. Muitos escritores saem de seus lares em busca de novos ares e a biblioteca espera escritores de braços abertos para dar asas a seu mundo de imaginação. Experimente escrever nesse espaço depois vem aqui contar pra gente como foi – vale também para estudantes que não conseguem terminar a monografia ou aquele trabalho gigante do trimestre, ok?

Sustentabilidade

Você adoraria ler aquele clássico, mas acha muito caro? Dê uma passada na biblioteca e faça seu cartão de frequentador. Consuma de forma consciente. Compre apenas aqueles livros que você realmente deseja ou necessita. Uma ótima forma de checar se vale a pena é dando um pulinho na biblioteca. Além disso, entregar o livro na biblioteca no prazo é uma ótima forma de lutar contra a procrastinação. Isso vale também para quem tá começando na carreira de escritor porque regra número 1: para escrever você precisa ler muito.

Conexão

Onde você pode encontrar o público do seu livro? Na biblioteca! Quem vai à biblioteca ama ler ou está em busca de uma demanda específica. Como não fazer pesquisa de mercado dentro desse ambiente? Além disso, há diversas ações culturais dentro de bibliotecas como encontros com autores, debates, saraus literários e poéticos. Você pode doar seu livro para a biblioteca, participar de uma palestra, criar sua rede de contatos para troca e angariar leitores que podem comprar seu próximo livro. =D


O que tem de especial em sua biblioteca preferida? Como você se sente lá? Conta pra gente nos comentários. =)


 

Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Uma autora brasileira ficou em primeiro lugar no ranking de livros de suspense sobrenatural na Amazon? Sim, é verdade! A moça ultrapassou – na semana de lançamento de seu ebook – nada mais nada menos que Stephen King e desde que seu livro foi lançado vive voltando para o top 5. Talento e sorte? Não, talento e determinação. Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome” nos deu uma pequena palha de como é ser uma escritora nacional, dicas muito bacanas sobre outras escritoras e curiosidades sobre sua jornada.

A paixão pela escrita surgiu quando ela ainda estava estudando e queria cursar Medicina Veterinária. Para se distrair e sair um pouco da pressão dos estudos técnicos, ela escrevia. E começou a escrever tanto que entrou para o curso, largou a faculdade e hoje se dedica integralmente à arte da escrita. Quando decidiu abraçar a carreira de escritora, a moça foi em eventos para autores e editoras para descobrir como é que se trilhava o caminho. Cursos, perguntas, um contrato com a agência Increasy e muitas horas de treino para aprimorar suas técnicas até surgir “Quando o mal tem um nome”, uma história que acontece na Aparecida dos anos 70, uma cidade erguida no centro de um milagre e entrelaçada com a vida de Marta e sua filha Clara. Dentro desta terra de fé, a “malignidade cresce no coração de uma mãe devota. As orações que a padroeira não atende são feitas agora para anjos caídos. Um demônio atende a prece da mãe e a abominação despertada é tão grande que todos vão pagar pelo seu pecado. O mal só precisava que alguém o chamasse pelo nome e agora está entre nós.” Preparado para entender um pouco mais sobre o que se passa na mente de Glau Kemp?

1.Como foi chegar ao primeiro lugar na Amazon?

Assim que “Quando o mal tem um nome” foi lançado eu tava muito “Cara, esse livro tem que acontecer”. Meu livro é uma mistura de dois livros “Carrie, a estranha” e “O bebê de Rosemary”, aí minha tática foi “Vou lá no Skoob ver quem leu esse livro e  gostou e vou mandar pelo menos 10 mensagens por dia e falar com essas pessoas sobre meu livro. Fiz isso uns 20 dias, mais ou menos 200 pessoas. Pensei: “Se pelo menos 10% disso for ler e comentar na Amazon já tô feita.” Bastante gente foi lá e respondeu e foi isso que colocou o livro em evidência logo no lançamento.

2.Por que escrever literatura de terror/suspense? O que te encanta?

Acho que terror, em especial, não precisa explicar muito as coisas: se você tem poderes, você tem poderes. Eu acho mais fácil fazer a pessoa sentir medo do que ser engraçada. É mais fácil provocar medo. É um lugar comum para mim porque já tive muitas experiências. O terror me deixa mais confortável.

3.O gênero terror pode ser considerado uma literatura de resistência?

Pode ser. Talvez tenham escritores que sejam assim. Mas eu só escrevo para contar uma história.

4.No início desse ano nasceu a Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst), quais suas expectativas em relação à associação?

Vai ser muito importante porque será um grande meio de comunicação, com blogs sérios, maiores, outras mídias, referências para outros escritores, organização de eventos. Uma forma de ter acesso a outros profissionais, importante para essa união.
Estávamos muito soltos e achávamos que éramos menores. A associação te dá essa oportunidade de estar ligado ao que está acontecendo.

5.O que mudou na sua vida depois que escreveu “Quando o mal tem um nome”?

Eu me sinto com mais medo. Eu era mais corajosa. Não medo de coisas sobrenaturais, mas medo de coisas mais reais. Por exemplo, eu sempre fiquei muito tempo sozinha em casa, mas hoje eu tenho mais medo de ficar sozinha em casa. Minha audição aumentou e fiquei mais atenta às coisas que me rodeiam.

6.Que tipo de livro de escrita criativa você considera um ótimo caminho para quem está começando?

Olha, tem um livro bem curtinho do Felipe Colbert, escritor também, e editor da Novo Conceito: “Escreva seu livro agora!” Ele é bem direto, dá a formulazinha de como fazer uma escaleta igual se faz em um roteiro, separando tudo. Eu não sou uma pessoa organizada, não consigo trabalhar assim. Mas as dicas que ele dá são certeiras. A maioria desses livros sobre escrita são de autores de língua inglesa que já dominam a técnica, que vêm da escola já sabendo escrever profissionalmente, já o Felipe dá as dicas para quem escreve em português. Normalmente eu pego também dicas de livros com novos escritores. O último que eu li foi o da própria Cláudia Lemes “Santa Adrenalina”, lançado pela editora Lendary, um manual de como escrever um thriller, dá dicas bem diretas, livro bem fininho.

7.Qual a maior dificuldade em escrever e divulgar esse gênero sendo mulher?

Acho que a maior dificuldade é na hora que você está nos eventos: você vai divulgar seu trabalho e sua aparência é muito mais importante do que seu trabalho. Se eu for postar uma foto com o livro as pessoas vão falar de mim. Eu entendo que são elogios e recebo de coração aberto, é claro, mas é sempre “Linda”, “Você é uma fofa”. Não estão falando sobre o livro, eu estou falando sobre o livro, mas as pessoas estão falando sobre mim. Uma das coisas que mais me fez colocar o livro na Amazon foi isso: as pessoas me conheciam, mas não conheciam o que eu escrevo. Então eu falei: “Cara, eu preciso colocar um livro para as pessoas lerem, porque elas estão falando sobre mim.” O escritor é um tipo de artista que não quer aparecer, eu não quero aparecer, eu quero que meu livro apareça, quero que as pessoas comentem sobre o livro. É impressionante: eu vou num evento e as pessoas vão comentar sobre minha roupa. Sei que é uma forma de carinho dos leitores se interessar sobre outras coisas do meu universo, mas como quero ser uma escritora profissional eu preciso que eles se interessem pelo livro em primeiro lugar. E sendo mulher isso é muito difícil. A primeira coisa que eles percebem é você como figura. E não é só comigo que isso acontece, mas com todas as escritoras. É um desafio que vai continuar para sempre.

8.O que podemos fazer para que mais pessoas possam ler mulheres?

Divulgar. Eu acho que é um pouco também missão de quem já tá aí um tempinho. É você dar oportunidade de ir lá e falar quando gosta, às vezes você não tem noção do poder que tem em atingir pessoas. Às vezes fazendo um comentário, uma foto, você pode dar 50 leitores para aquela escritora. Tenho como preceito falar sobre autoras que li. Acho que faz parte. Você deve isso. Porque alguém já fez isso por você. Acho que todo tipo de ajuda é bem-vinda.

9.Como estamos falando de mulheres na literatura, quem você destacaria nesse universo?

A primeira mulher que vem à minha mente é a Karen Alvarez. Quando decidi escrever um livro de terror eu entrei na Amazon e pensei “Quem é que tá fazendo sucesso?” A primeira pessoa que apareceu foi ela,  que produziu bastante coisa de terror. Tem outras escritoras que admiro muito como a Claudia Lemes, li recentemente “Cartas no corredor da morte”, que é um livro que fiquei embasbacada,  fiquei assim: “Como esse livro não é conhecido?” Tem também a Juliana Dagle, além de ser muito talentosa, ela produz em velocidade inacreditável, boas histórias, livros densos e em pouco tempo. Tem muita mulher trabalhando para o lado do suspense, terror. Acho que 2018 vem muita coisa boa aí.

10.Se você pudesse ser um livro, qual seria?

Eu seria um livro que tá na moda agora, eu seria IT – a coisa, que é um livro grande e foi meu concorrente direto durante um bom tempo, pelo menos nesse início de lançamento, porque sucesso é muito passageiro. IT – a coisa é um dos livros preferidos, é uma história tão completa e complexa, fico imaginando o que estava passando na cabeça de Stephen King quando estava escrevendo. Talvez seja um clássico daqui a algumas décadas, sempre vai dividir opiniões. Eu gosto dos detalhes nesse livro, nos outros não.

11.Qual sua maior referência literária? Se pudesse um dia sentar com essa pessoa numa noite sombria, o que perguntaria?

Eu demorei muito tempo para ler Frankenstein de Mary Shelley. Ele é muito atual e fico pensando como foi para essa mulher escrever esse livro naquela época. Eu perguntaria se o livro mudou a vida dela de alguma forma, a forma como ela pensa, sabe? Porque em todo livro que eu escrevo, sinto que aconteceu alguma coisa diferente comigo quando ele termina.

12.Como costuma ser um dia típico de trabalho – como escritora – para você?

Eu escrevo diariamente e mensalmente escrevo muitos contos. Acordo umas 8h, tomo café, assisto jornal, vou para redes sociais, checo meu livro, se tem comentário novo, é um vício. 9h já tô escrevendo, se estiver muito intenso vou embora, às vezes nem almoço. Não sou uma pessoa organizada, mas eu tenho esse sonho de ser uma pessoa organizada, ter um horário certinho.

 

Apesar de trilhar seu caminho pelo terror, Glau Kemp está trabalhando em uma nova obra voltada para o público de chick lit: “O clube dos amigos imaginários”. Guarda esse nome. Mulheres na literatura que adoram desafios, quem não curte?

Para conhecer mais sobre o livro de terror da autora é só clicar aqui.

Hanny Saraiva

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

A estação mais quente do ano chegou e com ela suor, cerveja e praia? Para alguns sim, mas para aqueles de coração literário o verão também é uma época para colocar as leituras em dia, descobrir novos autores e finalmente ler algum clássico. 2018 será um ano de mudanças e que tal começar conhecendo 7 autores brasileiros que, com certeza, você pode te deliciar nesse verão?

1. Ana Paula Maia

Ana Paula Maia

Escritora e roteirista, nascida em Nova Iguaçu. Ex-evangélica, ex-punk rocker. A Folha de São Paulo diz que a autora de Assim na Terra como embaixo da terra “produz literatura violenta dentro de universo masculino”. Suas obras têm ganhado destaque internacional por tratar de ambientes predominantemente masculinos, brutais e com pinceladas distópicas, leitura obrigatória para quem aprecia narrativas com atmosferas ásperas.

2. Vivi Maurey

Viviane Maurei

A autora carioca publicada pela Globo Alt já foi editora da Rocco e hoje se dedica exclusivamente à carreira de escritora. #Fui é seu primeiro romance e conta a história de uma garota que vai fazer uma viagem de intercâmbio e se vê em uma encruzilhada, tendo que decidir entre 3 caminhos diferentes. O grande destaque de Maurey é sua capacidade de nos colocar dentro desse romance contemporâneo de forma leve e divertida, quase uma Bridget Jones brasileira.

3. Julián Fuks

Julián Fuks

Paulista, escritor e crítico literário. O vencedor do Prêmio Jabuti de 2016 não poderia ficar de fora dessa lista. A revista Granta o indicou para entrar em sua edição de “Os melhores jovens escritores brasileiros” e suas obras têm ganhado diversos prêmios. Fuks aborda temas como exílio e memória de maneira sensível e primorosa. Destaque para seus livros A resistência e Histórias de literatura e cegueira.

4. Daniel Galera

Daniel Galera
Escritor e tradutor, com várias adaptações para cinema, teatro e HQs, seu livro Mãos de Cavalo foi presença obrigatória na lista de leituras para o vestibular por 3 anos. Nosso destaque vai para Barba ensopada de sangue, pois se passa em um pequeno balneário de Santa Catarina e resgata temas como construção de identidade, afeto e violência. Ótima leitura para quem ama diálogos ágeis.

5. Vanessa Barbara

Vanessa Barbara

Jornalista, tradutora e escritora, colunista do New York Times e Folha de São Paulo. Também foi selecionada para a coletânea da revista Granta como melhor jovem escritora brasileira. Introvertida e talentosa, a autora de O livro amarelo do terminal e Noites de alface é indicação certa para quem adora livros que prezem pelo senso de humor e ironia.

6. Luisa Geisler

Luisa Geisler

Gaúcha, que aos 19 anos foi vencedora do Prêmio SESC de Literatura  com o livro Contos de Mentira, Geisler é uma autora que caminha entre o doce e o trágico, com uma narrativa ácida e um foco nas relações contemporâneas e no cotidiano. Se você procura uma leitura sobre a dor e a delícia de crescer, por exemplo, indicamos Luzes de emergência se acenderão automaticamente.

7. Carlos Drummond de Andrade

Nossa indicação de clássico para esse verão é o livro Contos Plausíveis, de Carlos Drummond de Andrade. Por que Drummond? Por que esse livro? Contos Plausíveis é leve, breve e mostra como Drummond adorava contar histórias e “inventar causos”. Perfeito para o verão, não? Acreditamos que é uma ótima pedida caso queira ficar deitado na rede, com aquele céu azul sobre sua leitura e um sorriso constante no rosto. Coisa que só um mestre é capaz de nos proporcionar.

Camisetas de carlos Drummond de Andrade


Conhece algum outro autor brasileiro que não está nessa lista? Adoraríamos conhecer! Compartilha com a gente nos comentários.


Hanny Saraiva