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23 pílulas poéticas para transformar sua Primavera literária

23 pílulas poéticas para transformar sua Primavera literária

Na última Festa Literária Internacional de Paraty, a Poeme-se recebeu várias pílulas de poesia para serem distribuídas no evento, em julho de 2018. Como acreditamos que a poesia é capaz de aquietar corações e transformar nosso dia, separamos 23 pílulas poéticas que circularam na FLIP para abrir nossa primavera literária. Nada melhor do que receber a estação das flores com uma dose de poesia, né?

1. Flavia Rohdt

SOU POESIA

Enquanto respiro sinto que sou poesia viva
Verbo que age, que canta e se encanta
Sou letra, sou ritmo, sou canção
Sou palavra pensada, escrita ou falada
Sou meus versos rimados ou sem rimas que se alinham nessa expressão.

2. Nassary Lee Bahar

#HaikaiTrilíngue
#PortuguêsInglêsTurco

PARTIDA

Enfim se declara
Com a tulipa amarela
No mar de Marmara

PROMISE

Then she gives to the death
From deep sea of her dreams
A yellow flower breath

VEDA

Sonra gitti ve atti
Ruyalarinin derin denizine
Bir sari laleydi kaniti

3. Anilene Ferreira

AMOR MATERNO

Nuvens de sofrer “dentro do peito gritam”.
E nos olhos em forma de lágrimas crescem.
As inumeráveis gotas pela face enternecem,
minuto a minuto aumentam, às vezes se limitam.<
Sublime florescer do amor, se este falasse,
agora exporia a todo mundo a mais enaltecida prece.
Entretanto, em seu calar simples, fé agora merece.
Para a guardadora do silêncio triste, sempre é hora.
Subitamente, o choro emana, destarte como se cantasse,
De uma foz em arte, que estronda numa nascente.
Uma gota em Marte, no infinito, quando surge lentamente.
Nos olhos de mãe, porém, ainda não findou…
É a gota salgada de um imenso mar doce, é amor…
Ah, um grande amor transformador! Ainda sofrido, sempre se doou.

4. Rogério Pereira

CANDOCO

Quisera eu
Que o amor fosse sempre dança
Com passos de quem jamais esqueceu
Seu olhar de criança.

5. Sandra Modesto

QUARTA NO QUARTO

O primeiro tinha cara de derradeiro.
Trocava os travesseiros de lugar.
Pensava que a vida era um eterno guardar.

O segundo olhava o mundo tão desnudo e se imaginava o dono de um eterno amar.

O terceiro tocava piano sem parar!
Não gostava de beijos ao luar.

Ela nem pensou muito.
Não tinha muito o que conversar.

Bateu os olhos na quarta porta

Abriu-a para ele entrar.
Sim, foram feitos para o amor finito
Mas como na vida o desejo acontece por acaso…
Tiveram um lindo caso.
No quarto de uma linda quarta-feira.

6. Lu Mota

Ainda tem um restinho de sonhos velhos guardados nas gavetas fétidas da cômoda retrô jogada no canto do quarto escuro que outrora nos protegeu dos olhares que tentavam nos alcançar. Ainda tem pedacinhos de vontades de ser o que jamais fomos em guarda-roupa sem tramela, sem tranca, sem porta, escancarado… Para mostrar-me a cada dia que o passado colorido agora jaz desbotado em lugares que não ouso voltar… Às vezes o alcanço, mas deixo-o como está… Calado, mudo, cego, sem caminho que o leve adiante. Quero pegá-lo, mas algo me chama, me tira do torpor. Atendo. É o presente que me estende a mão e diz que a felicidade está no caminho… É só seguir…
Vejo enfim que o passado não me serve mais.

7. Carlos Carvalho Cavalheiro

POESIA ENGAJADA

A minha poesia não alcança
Os ouvidos dos oprimidos
Nem sequer é degustada
Pelo paladar dos famintos
E nem por sonho ou fantasia
É sentida pelos excluídos
A minha poesia, então, morreu
E esqueceram de enterrá-la.

8. Roberto Dutra Jr.

Derrubo a noite com o furor, meu verso nômade sou eu!

9. Gerson Nagel

eXtatua

a palavra
no corpo tatuo
tattoo a palavra
tatuada
no corpo da palavra
eXtatua.

10. Natália Lopes

ME FIZ VIAGEM COM DESTINO A MIM

“Foi fácil de mim fugir
Sair sem se importar
E mesmo dizendo amar
Tu, preferiu partir…

Hoje, aqui percebo
Noto que sem você
Pude ler um pouco mais
Do que sempre houve em mim e não me deixaste ver

Asas então criei
Talvez já as tivesse
Mas estavam acuadas
Por medo de uma queda que mais feridas me trouxesse

Quando as costas me virou
Um raio em fulgura surgiu
Levando mui’distante o breu que tu ao tentar dissipar-me
Aqui deixou e fugiu…”

11. Jovino Machado

O que me atormenta é o meu gosto pelo impossível.

12. Tania Diniz

Desamada

Chega! Chega de romance.

Amir agora, só fere lance.

13. Merli Leal Silva

Cansei dessa vida em preto e branco
Cansei dessa dor e desse pranto
Cansei de cumprir leis e mandatos
Cansei de faltar de comida no prato
Cansei de não ter o teu corpo, teu regato
Estou vida, plena e em paz
Cansei de não guerrear, de não me impor
Não vou fugir pras montanhas
Vou fazer a revolução,
seja como e onde for.

14. Renata Pires Rocha

Arrebol de estrada
com música aos ouvidos
estragam a maquiagem
dos meus olhos.

15. André Braga

Um quero-quero na janela
que voa quero-quero pra cama
que pousa quero-quero no abraço
que se aninha quero-quero no beijo

Quero-quero em êxtase
bater asas quero-quero
romper o tempo.

16. Paula Belmino

LIBERDADE

Deito livro,
Sonho livro,
Acordo livro,
Bebo livro,
Como livro,
Vivo livro
Respiro livro
Livre sou!!!

17. João de Andrade

Afogando-se em lágrimas.
Austeridade da saudade.
Vivendo calado.
Suspenso no tempo.

*Final do poema VEREDAS

18. Magali Costa Guimarães

O tempo dormia… / Parecia repousar em brancos lençóis… / E a paisagem invernal / cumpria seu desígnio / sendo cinza, gélido suspiro / a importunar paredes seculares / saudosas do rúbeo arrebol. (Inverno em Colonia Del Sacramento)

19. Rita de Cássia Zuim Lavoyer

DESEJO POÉTICO

Quero compor uma poesia
com o cheiro da mexerica, aquele
que saliva minh’boca quando a descasco.

Quero compor uma poesia
com o gosto da comida caseira, aquela
que devoro com os olhos quando sinto fome.

Quero compor uma poesia
com a textura da seda, aquela
que ouço no arrepio dos meus pelos.

Quero compor uma poesia
com a cor da transparência, aquela
que mostra os sentidos que há em mim.

Quero compor uma poesia
com a inspiração que me é peculiar, única
que intui que a poesia quer ser desejada.

20. Priscila Reinaldo

Matheusa
Negra
Corpo estranho incendiado
Incinerado
“Adorei!”
Tu não leu, cara
Tu tá cego
Dos nossos morrem milhões
Jogados, desfigurados, incinerados
Se ouve o silêncio
Silêncio
Grita raiva e revolta.
Corpo estranho intragável.
Mataram mais uma de nós,
Intragáveis.
Tua distância é marcada de sangue
Sangue dela também.
Na minha caneta há revolta
Quero gritar revolta
Quero cortar as carnes
Com a merda dessa caneta
Instrumento do teu ego
Ao inferno!
(que já estamos)

21. Rodrigo Domit

À flor da pele
regarei com a gota d’água

desabrochando o caos

22. Joás Ferreira de Oliveira

Nós, céu,
planta e terra

Plantou?

Plantei
Choveu?
Chovi
Molhou?
Molhei
Brotou?
Brotei
Cresceu?
Cresci
Colheu?
Colheram.

23. Leticia Werner Freitas

A vida corre
Pensamentos me ocorrem
Momentos me escapam
Fogem-me os hábitos
Reflito sobre a essência do tempo
e sei que passa, sei apenas isso
e isso me basta.

Qual pílula poética você adoraria compartilhar? Conta pra gente nos comentários. =D