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7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

Gesto de amor, melhor dos remédios, carinho para viver com o coração pleno. Quem nunca gostou de receber aquele abraço aconchegante que parece aquecer a alma? Pensando no dia do abraço e como é importante estabelecer essa ligação de afeto, separamos 7 livros para você abraçar – porque a sensação de conexão íntima para amantes de livro é a mesma – como se fosse seu melhor amigo.

1. Com o mar por meio, Jorge Amado e José Saramago

Sinopse: A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já tinham idade mais avançada e consolidada carreira literária, porém o vínculo tardio não impediu que os escritores formassem um laço forte, estendido as suas companheiras, Zélia e Pilar. Este livro reúne a correspondência entre os dois mestres – e os dois casais, muitas vezes – entre os anos de 1992 e 1998. São cartas, bilhetes, cartões e faxes com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sobretudo a cena literária.
Leve, com humor, como se fosse aquele abraço de fim de tarde, esse livro contendo a correspondência inédita entre os dois autores é perfeito para exemplificar aquele abraço de amigos que têm um laço forte em seus universos particulares.

2. Só garotos, Patti Smith

Sinopse: O relato inédito e comovente da história de amor e amizade entre a cantora e poeta Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Nestas memórias afetivas, Patti revive a aventura de dois jovens irreverentes e idealistas em direção ao sucesso mundial.
“Por que não consigo escrever algo que faça despertar os mortos?” Neste livro, a poetisa do punk nos dá desde abraços de uma delicadeza andrógina, um saudosismo poético até aqueles que nos tiram do fundo do poço, aquele abraço que salva. Patti Smith teve uma vida de dúvidas, incertezas, percalços, mas acima de tudo foi conectada e reconectada às pessoas que cruzaram sua jornada. Este livro não é apenas um livro de memórias, é um culto às possibilidades que abraçamos, ao ato de entregar-se. Traz um misto de ingenuidade, confusão, dependência, dores, laços, afetividade. Mas acima de tudo, nos mostra o desabrochar de um olhar poético, de uma mulher que era apenas sensação e crença. Uma ode às idiossincrasias artísticas e ao sonho.

3. Soppy, Philipa Rice

Sinopse: reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro, ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar.
É um livro maravilhoso para abraços estilo Netflix, com cheiro de acordei agora e tô te abraçando apenas para dizer o quanto é legal te abraçar no dia a dia. Singelo e fofo, tenho certeza que sua vontade de abraçar vai pipocar quando acabar a leitura desse título.

4. Sete minutos depois da meia-noite, de Patrick Ness

Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07, ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa: o monstro quer a verdade.
É um livro que você pode recomendar para aquele amigo que está passando por uma situação muito complicada e não sabe lidar com o caos que nos cerca. Poético, mágico e delicado, a narrativa do livro lembra muito Onde vivem os monstros. De uma profundeza sutil, nos vemos dentro do universo de Conor e como ele lida com seu monstro e a morte. Às vezes você quer abraçar, mas a pessoa não deixa? Esse talvez seja o livro para esse momento.

5. Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Sinopse: A adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente ‘branca’ e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Sensível e poético, a força das palavras dessa escritora nigeriana se encontra na simplicidade de usar o cotidiano de um microcosmo para abordar questões como violência, obsessão, opressão e a linha tênue entre o que é ser bom, o que é ser mau. Não temos aqui uma narrativa educativa nem pedagógica do que é certo ou errado, mas a descrição de uma pressão social, a confusão do que é ser rico e ser pobre em um local de desigualdades, a intolerância, a tirania, uma vontade grande de liberdade em meio ao sufocamento de não ter alternativas além de obedecer. Goles de amor em um mundo soberano podem alterar cursos, destruir e libertar destinos, construir histórias?
Os personagens vão ganhando peso e nos sentimos mais perto de suas dores e anseios conforme a narrativa avança. Chegamos ao fim como se estivéssemos dentro da casa deles. Não é algo como abrir a porta e entrar, você vai se entregando aos poucos, até realmente se sentir em casa. E no fim parece um abraço desesperado em busca de uma solução, mas o que a vida nos mostra é um eterno karma de consequências, mesmo que tardias.
“Um gole de amor, era como Papa chamava aquilo, pois a gente divide as pequenas coisas que amamos com as pessoas que amamos.”

6. O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

Sinopse: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Esse é um livro para abraçar como se sua memória de infância fosse uma pessoa ou uma coisa. Sabe aquela saudade com misto de medo do que foi vivido e a necessidade de um abraço para dizer que tudo vai ficar bem? É o que você sentirá nas entrelinhas dessa história. A necessidade de abraçar quem esteve presente em nossos momentos de criança, como se lembrança fosse objeto capaz de voltar e nos tocar, é grande.

7. O livro dos abraços, Eduardo Galeano

Sinopse: Galeano mostra o resultado de suas andanças incessantes de caçador de histórias, que vai ouvindo de tudo. O que de melhor ouviu ele transforma em livros como este, onde lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. A memória viva, diz Galeano, nasce a cada dia. Nada que possa ser dito numa apresentação é capaz de chegar perto da beleza e da emoção que estas páginas contêm. Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena.
Poético, cheio de memórias que te acalentam e te fazem pensar nas suas próprias, é um livro de presente. Pra cobrir de noite e dizer Feliz noite. Os contos são pura fantasia, charme com palavras e profundidade lírica. Pra dar de presente pra quem se ama lentamente e gostaria de abraçar sempre que se vê.
Marca nos comentários aquele amigo que merece um abraço de livro acolhedor.

Hanny Saraiva

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

Já dizia aquele ditado popular “Quem canta, seus males espanta”. As manifestações musicais muitas vezes nos remetem àquelas memórias de infância de dia de domingo ou a eventos cheios de saudade que revivemos com aquele sorriso largo e que parecem se descortinar com cheiros e aromas à nossa frente. Quem nunca disse “Isso me lembra aquela música” e cantarola?

Como abril é o mês de Monteiro Lobato na Poeme-se, separamos cinco canções inspiradas na obra do autor para você reacender sua chama passada e sair cantando pelo dia. Ou quem sabe mostrar para seu pimpolho preferido e sair cantando com ele?  =D

1. Monteiro Lobato, Meire Pavão

A popularidade dessa música foi tanta que passou a ser prefixo do programa Sítio Do Pica-Pau Amarelo. Homenagem a Monteiro Lobato e seus personagens, foi gravada em 1968. Alegre e bonitinha, é uma ótima entrada para aqueles que não conhecem os personagens da obra de Monteiro.

2.Tristeza do jeca, Paula Fernandes, Renato Teixeira e Sérgio Reis

Monteiro Lobato, também criador do personagem Jeca Tatu, inspirou o hit de 1918, escrito por Angelino de Oliveira, considerado o maior clássico da música sertaneja brasileira.

3. Emília (a boneca gente), Baby do Brasil

Emília, a personagem mais famosa de Monteiro Lobato, foi sucesso nos anos 80 na voz de Baby do Brasil, parte integrante do álbum Pirlimpimpim (1982), um especial exibido em comemoração aos 100 anos de Monteiro. Clássico para quem viveu nos anos 80.

4.Sem medo de assombração, Ney Matogrosso

Parte da segunda versão televisiva de Sítio de Pica Pau Amarelo, Ney Matogrosso em 2005 criou uma variante mais nebulosa, porém tipicamente brasileira, com elementos extravagantes e sombrios.

5.O mundo encantado de Monteiro Lobato, Elza Soares

O samba-enredo de 1967 da campeã Mangueira fez muito sucesso, sendo Elza Soares a primeira mulher a puxar um samba-enredo na avenida. É “Sublime relicário de criança/Que ainda guardo como herança/No meu coração”.


Saudades dessas reinações? Quem você mais ama no mundo de Lobato? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Se eu fosse Frida: Conheça um pouco mais da mente por trás!

Juliane Garcia de Alencar. 27 anos. cearense. aquariana. psicóloga. ilustradora. feita de silêncios. não é todo mundo que consegue compreendê-los. feita pra quem sabe ver. pra quem sabe sentir. pra quem consegue decifrar. não é qualquer um que entende. escreve sua história a lápis. apaga, corrige, pula linhas e parágrafos. arranja e desarranja. usa cores. transforma o vazio em palavras, em desenhos. acredita que é possível acariciar as pessoas com a arte, por isso, se eu fosse Frida! enche o coração de lantejoulas e bolhas de sabão. tenta calar as dores. se a previsão for de chuva, tenta fazer um carnaval. mas às vezes para os batuques apenas para ouvir melhor o bater do coração.
Mais do que um coração batendo no mundo. Essa moça, idealizadora do projeto Se eu fosse Frida,  é aquela que transforma amor em cor. Com os olhos encantados por esse traço delicado e cheio de força, conversamos com a mente talentosa da Ju e ela nos contou um pouco sobre o processo de ilustrar e como vem se arriscando como ilustradora.

1. Como surgiu a ideia do Se eu fosse Frida? O que te influenciou a criar o projeto?

A ideia sempre rondou meus pensamentos. A ilustração sempre perpassou meus dias e todos os meus momentos. Sempre ilustrei como uma forma de libertar e dar voz ao meu coração selvagem, mas o projeto do “Se eu fosse Frida” só teve início em 2016.
Sou cearense e psicóloga e, nessa época, tinha me mudado para o Rio de Janeiro para fazer mestrado. Foi um momento bem turbulento, cheio de vivências inéditas e até doloridas – como o sair de casa, o distanciamento geográfico da família, o desbravamento de um novo território, além de uma dissertação a ser escrita, mas também foram tempos de (re)conhecimento, (re)descobertas e de fortalecimento de relações. A ilustração tornou-se quase uma terapia. Ilustrava para encurtar distâncias.
Como tudo acontecia muito rápido, o processo criativo estava a todo vapor. Ilustrava quase que diariamente. No entanto, digo que a criação de “Se eu fosse Frida” como projeto foi ao acaso. Criei um perfil numa rede social para organizar meus desenhos. Era uma forma de não perdê-los nesses tempos acelerados que vivemos. No começo era algo privado, quase um segredo mesmo. Contudo, fui ganhando confiança ao ouvir pessoas mais próximas e decidi compartilhar minhas cores por aí. Foi uma forma de espalhar cor e distribuir sentimentos para as pessoas.
A escolha do nome foi uma forma de homenagear Frida Kahlo, de quem sempre fui admiradora – pela artista e mulher que foi.

 2. Qual era a visão que você tinha do mundo da ilustração quando começou a ilustrar e a que você tem agora? O que mudou?

No começo o ato de ilustrar era algo individual. Era um mundo só meu. Criava apenas para mim. Muitas vezes sem uma explicação ou significado pensado. Fluía. Hoje ainda é muito assim, mas vejo o poder que as cores têm. Tento criar algo que afete o outro – seja um afetar que acaricie ou que problematize; que abrace ou que toque nas feridas.
Logo no início do projeto, costumava imprimir cópias de alguns desenhos, escrever mensagens com frases de livros ou trechos de músicas e “esquecer” por lugares, em praças, ônibus, shoppings… era uma forma de alcançar pessoas fora das redes digitais. De surpreendê-las!
Acho que a arte serve para isso: para nos afetar! A arte nos transforma e a gente transforma o mundo.

 3.  Suas ilustrações nos remetem ao mesmo tempo a uma sensação poética e musical, a música tem alguma contribuição específica para seus desenhos? O que você ouve enquanto desenha?

Com toda certeza! Sou uma pessoa bastante musical. Faço (quase) tudo ouvindo música, ilustrar não seria diferente. Para mim, é impossível ouvir Belchior e não fazer ao menos um rascunho. Suas canções são cheias de significados e potências. Ele é meu preferido no momento das criações, mas tenho uma playlist com mais de mil músicas que me ajudam nesse processo. Além dele, ouço muito Céu, Caetano, Chico, Bethânia, Elis, Marisa, Gal, Criolo… mas às vezes paro os batuques para ouvir melhor o bater do meu coração.

4. Qual foi o pedido de ilustração personalizada exclusiva que mais te marcou, que fez o coração bater mais forte e o olho brilhar?

Não sei se sou capaz de escolher uma só. Mas confesso que minhas preferidas são as famílias: das tradicionais às mais inusitadas. Gosto de ilustrar todas as formas de amor!

5. Qual livro poderia representar Se eu fosse Frida?

Acho que um livro do García Marquez e seu realismo fantástico. Ou do Dostoiévski e sua profundidade subjetiva. Ou da Rupi Kaur e todo seu empoderamento. Ou da Clarice… ou da Vírginia Woolf… Enfim, um livro de força e surpreendente!

 6. Qual a maior dificuldade em ilustrar e divulgar seu trabalho sendo mulher?

Não sei se sinto isso por acompanhar principalmente o trabalho de mulheres, mas acredito que somos bem fortes no meio. Até hoje, por mais incrível que isso possa parecer, não vivenciei dificuldades por conta do meu gênero, falando apenas do mundo artístico, vale ressaltar.

7. O que podemos fazer para que mais mulheres possam ilustrar?

Acredito que isso vale não só para a ilustração, mas para a vida: devemos nos permitir. “Meter as caras”, como dizemos no Ceará. É essa coisa de chegar e fazer, sabe? Acho que a gente, enquanto mulher, tem que ter voz, vez e liberdade de ser o que quisermos ser. Carrego a palavra “Coragem” tatuada no peito e acho que ela deve nos guiar todo dia.

8. Quem é sua maior referência no mundo da ilustração? Se você pudesse tomar um café com sua ilustradora/seu ilustrador preferido, o que perguntaria?

Tem que ser só uma pessoa? Acompanho o trabalho de tanta gente massa! Poderia ser um grande encontro regado a muito café! Falando das brasileiras: Amanda Mol, Juliana Rabelo, – minha conterrânea – Malena Flores, Luiza Alcântara, Yasmin Hassegawa, Jana Magalhães, Carol Rossetti… tanta gente! Dos estrangeiros: alguns cartunistas como Ricardo Siri e Quino, além das ilustradoras Paula Bonet, Camille Shew… e mais um montão de outras supertalentosas.
Acho que por ser autodidata perguntaria sobre as técnicas e o processo criativo; além de querer ouvir muitas histórias de vida.

9. Qual ilustradora que tem um trabalho mega bacana, mas que ainda não foi reconhecida, você destacaria? Por quê?

Tenho um apreço muito grande pelas ilustrações da Jéssica Gabrielle Lima e da Mara Oliveira pelo afeto que transmitem.

10. Para terminar, existe algum ritual para seu trabalho como ilustradora? Como é seu dia a dia?

Como disse no início, a ilustração não é minha profissão, mas faz parte de mim. Atualmente sou residente em Psicologia Hospitalar e trabalho doze horas por dia com pacientes com câncer. Algo bem denso. A ilustração é meu refúgio.
Geralmente só tenho os fins de semana livres. Então, coloco um headphone com uma boa música, leio alguns textos curtos e logo o papel deixa de ser uma simples folha em branco.

 

O traço de Se eu fosse Frida invadiu a Poeme-se com a coleção especial pra mulheres porretas que une feminismo, literatura e muita cor. Já deu uma espiada nessa lindeza criada pela Ju?  https://www.poemese.com/colecoes/se-eu-fosse-frida

Aproveita e conta pra gente nos comentários: O que te faz florescer? ♥


Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Acalentar. Abraçar. Abrir livros e mergulhar em encantamentos. Como transformar através da leitura? Lendo histórias juntinho. Pensando em como esse ato estreita laços, aumenta a confiança e diverte, separamos 6 livros para você ler bem pertinho de seu pequeno preferido.

 1. A gueixa e o panda-vermelho – Fernanda Takai

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Sinopse: A gueixa e o panda-vermelho conta a bela história de uma amizade improvável e mágica entre uma jovem japonesa e o raro panda-vermelho. Esse é primeiro livro infantil escrito pela cantora e compositora Fernanda Takai e ilustrado por Thereza Rowe, da editora Cobogó.
Delicado, curioso, poético. A cultura oriental, em especial a das gueixas e dos pandas, repleta de gotas de felicidade, ou melhor, às vezes percebida em forma de chuva ou vento. Para ler buscando momentos de leveza.

 

 2. O astronauta de pijama – Samanta Flôor

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Sinopse: Um menino de pijama, um monstro faminto, um gato com cara de lanche e um capacete de astronauta: esses são os ingredientes para uma grande aventura!
A Jupati Books, um selo da editora Marsupial, é expert naquele tipo de história que dá vontade de ler e reler. Com um traço simples, mas muito divertido, O astronauta de pijama é perfeito para incentivar seu pequeno a criar diálogos para a história. De minhocas com óculos e pés-gigantes, é o tipo de leitura para aqueles dias de tédio que necessitam de tempo para explorar as possibilidades de criação.

 

3. Alho por alho, dente por dente – André Moura e Henrique Rodrigues

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Sinopse: Todas as pessoas já ouviram algum ditado popular ao longo da vida. A sabedoria do povo é mesmo certeira, construída com humor e poesia. A partir dessa ideia, André Moura e Henrique Rodrigues escreveram Alho por alho, dente por dente. Editado pela Memória Visual, o livro nasceu numa troca de emails em que os escritores se propuseram a reescrever, em versos lúdicos, diversos provérbios sobre os mais vários assuntos.
Sabe aquele dia que você acorda meio poético com provérbios debaixo da manga e seu pequeno não entende muito bem? Leitura essencial para fazê-lo compreender esses usos. Por exemplo, qual o melhor jeito de afastar um vampiro? Usando “alho por alho, dente por dente”. O livro, recheado de exemplos engraçados, também é ótimo para projetos educativos.

 

4. Hilda e o troll – Luke Pearson

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Sinopse: Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Montanhas, trolls, homens de madeira, imaginação. Editado pela Quadrinhos na Cia, esse é meu xodó. É tão legal que até vai virar série na Netflix. 😉 Seu autor, Luke Pearson, “fez storyboards de alguns episódios do desenho animado Hora de Aventura e é autor da graphic novel Everything we miss.” O traçado de Hilda é delicado, dócil e criativo e sua personagem principal é uma heroína encantadora. Cheio de elementos incas e célticos, Hilda e o troll é o primeiro volume da uma série.

 

5. Coraline – Neil Gaiman

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Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus ‘outros’ pais. Na verdade, aquele parece ser um ‘outro’ completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Primeiro livro do mestre Neil Gaiman para o público infantil (Rocco Jovens Leitores), ele escreveu essa história tendo em mente sua filha de cinco anos. A história ganhou uma proporção tão gigante, que muitas adultos acham Coraline um livro perturbador. Ele é perfeito para aquelas crianças que adoram histórias de mistério e recomendo sua leitura de dia para não dar pesadelo em ninguém. Mas acima de tudo, Coraline é um livro sobre ser uma menina forte, apesar de qualquer medo. Por que todo mundo tem medo, né?

 

6. Haicobra – Fábio Maciel e Márcio Sno

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Sinopse: Cobra é um bicho que dá medo. Mas a palavra também pode assumir outros sentidos. Nestes bem-humorados haicais, o tradicional poema japonês de três versos, a criança se surpreenderá durante e após a leitura, porque o livro é, literalmente, uma grande brincadeira.
Selecionado para participar do Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2018 e produzido pela editora Bambolê, Haicobra é repleto de poemas bem humorados que encantam aqueles pequenos que precisam tocar nas coisas. Esse é um livro para abrir e brincar na sala e já vi muito pequeno dormindo agarradinho à sua haicobra.

 

 


Cada título foi especialmente escolhido por uma criança que ama livros, mas ficamos aqui curiosos para saber qual seu livro infantil preferido. Conta pra gente nos comentários! =)


Ah, já deu uma espiada em nossos camisetas feitas para os pimpolhos?

Hanny Saraiva

 

 

A Metafísica de John Donne

A Metafísica de John Donne

John Donne foi um poeta jacobita inglês e pregador que viveu entre 1572 e 1631. É um dos maiores representantes dos poetas metafísicos de sua época. Em 1624 ele escreveu uma série de reflexões as quais foram publicadas em formato de livro com o título Devotions upon Emergent Occasions. E foi nesse livro que ele publicou um dos seus mais famosos textos: Meditação 17 que ficou conhecido por frases como “nenhum homem é uma ilha isolada” e “por quem os sinos dobram”. Tomei conhecimento dessa última frase anos atrás, sem saber quem era autoria, através do Raul Seixas que batizou o 9º álbum da carreira e uma das músicas com esse título. Antes do Raul, o escritor Ernest Heming­way, em 1940, publicou sua obra “Por quem os sinos dobram”. Assim que pude ler o texto que inspirou o disco do Raul e o livro de Hemingway fiquei encantado. Principalmente por John Donne ser um individuo que viveu num tempo tão distante do nosso. Sempre que leio esse texto fico fascinado com essa atemporalidade da arte, da poesia. Um homem que viveu entre o século 16 e 17 escreve um texto que vai tocar profundamente um homem do século 21. E isso faz com que eu pense em um outro texto de um outro escritor, Eduardo Galeano, publicado no seu O Livro dos Abraços, mas isso fica para uma outra hora. Por ora, fiquem com esse episódio de L.Í.R.I.C.O dedicado a John Donne:

Desconstruindo Maca-béa – quem?

Desconstruindo Maca-béa – quem?

Imigrante. Subalterna. Invisível. Quem é mesmo Macabéa?
Ela é a representação de uma sociedade de imigrantes. Em um mundo contemporâneo onde Trump afirma livremente que a fronteira utilizada pelos mexicanos é “um aspirador, levando as drogas e a morte diretamente aos EUA”, tocar na questão de imigrantes parece atemporal. Escrita em 1977, A hora da estrela, de Clarice Lispector nos presenteia com Macabéa, uma personagem jovem que passa pelo processo de invisibilidade e emudecimento. Sua vida é narrada através do fictício Rodrigo S.M. Órfã, ela vai para o Rio de Janeiro morar em uma pensão – após a morte de uma tia que a humilhava – e trabalhar como datilógrafa e continuar submissa – agora em relação ao chefe e às relações sociais/amorosas que se envolve.
Parece a história da sua vizinha? Pois bem…
Para os imigrantes têm-se os piores trabalhos e perseguições que podem causar riscos até de perda de vida. No documentário de Denise Garcia Bergt sobre refugiados na Alemanha, vemos por exemplo que o país abriga sim refugiados, mas os deixa confinados em espaços que não são públicos, limitando a liberdade de ir e vir. Macabéa é livre? Está integrada à sociedade?
Afinal, Macabéa é quem?

Ela é “inocência pisada, de uma miséria anônima.”

Macabéa apenas existia, sem desejos, sonhos, perspectivas de mudança. Excluída como muitos brasileiros que saem de suas cidades para outras, ela é fruto de uma desigualdade social que a aliena. Vai de um estado à outro, se locomove, mas continua invisível e ingênua, sem poder falar, sem saber como se expressar. Carrega junto de si sua miséria, que não tem rosto, mas está presente em seu corpo e coloca em questão a situação de vários brasileiros que andam conforme a massa, perdidos.

Ela é aquela que “Precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos redondos vácuos que havia nela”.

Macabéa é símbolo de uma sociedade que copia a moda do Instagram, que compartilha correntes porque um grupo a enviou, que repete movimentos, gestos e selfies do outro para tentar fazer parte de um todo. Ela é uma tentativa de desabrochar, tentando a todo custo se inserir para que não tenha que ser diferente.  Mais de quarenta anos se passaram e ainda cruzamos com muitas Macabéas por aí.
Ela é aquela que sabia que “Pois que vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende. Só que ela não sabia qual era o botão de acender. Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável”.
Macabéa é uma peça no maquinário, onde o patrão é Deus e o funcionário um reles contribuidor funcional, descartável. Esse botão só será aceso quando ela descobrir sua identidade. Quando a construir. Como está excluída e marginal, só através do encontro com o EU SOU é que encontrará o botão de acender. Você já se perguntou quem é você hoje? Como anda a construção de sua identidade? Ao revelar o abandono e a violência vivenciada por Macabéa, Clarice Lispector nos mostra a sensação de desajuste e nos faz pensar sobre os direitos básicos individuais, no valor da cidadania, na importância de cada um, em como se constrói identidades.

Ela é aquela que não percebe que “Porque há direito ao grito.Então eu grito” mas que nos deixa, como leitores, com vontade de gritar por ela.

Gritamos.

gif de frito


Pensando na importância da personagem dentro da literatura brasileira, a camiseta “Maca-béa” é uma homenagem a todas as Macabéas que resistem à dureza da vida e que esperamos que possam gritar bem alto sua Hora da estrela.


Hanny Saraiva

Seguindo os passos de Rosa Luxemburgo: o que uma escritora deve fazer para batalhar por seu ideal

Seguindo os passos de Rosa Luxemburgo: o que uma escritora deve fazer para batalhar por seu ideal

Ousada. Revolucionária. À frente de seu tempo. Rosa Luxemburgo não apenas trouxe luz e polêmica sobre a teoria econômica marxista como também lecionou sobre o assunto e através de suas obras nos mostrou uma mulher sensível e inspiradora. Seus pensamentos podem também ser usados como dicas para você, moça que deseja ser escritora e que vive a encontrar um mundo opressor que te empurra para trás. Escute Rosa, leia mais, aqui vão algumas reflexões que podem te ajudar a batalhar por seu ideal:

“Só a vida sem obstáculos, efervescente, leva a milhares de novas formas e improvisações, traz à luz a força criadora, corrige os caminhos equivocados. A vida pública em países com liberdade limitada está sempre tão golpeada pela pobreza, é tão miserável, tão rígida, tão estéril, precisamente porque, ao excluir-se a democracia, fecham-se as fontes vivas de toda riqueza e progresso espirituais.”

Como trazer à luz a força criadora tendo boletos para pagar, com um governo corrupto que te deixa cada dia mais pobre e infértil de ideias? Primeiramente: lute pela democracia, traga à consciência de quem está ao seu redor que é só através dela que podemos ter algum progresso, use-a em seu dia-a-dia, não permita ser controlada porque disseram que é assim e pronto. Uma vez tendo isso dentro de si, esqueça tudo isso e sente-se em frente a um papel branco: escreva sobre o mundo que você deseja viver, um mundo onde a democracia é respeitada, onde não há golpes nem jeitinho brasileiro para tudo. Permita-se imaginar e acreditar no que está imaginando. Improvise. Deixe novas formas surgirem. No mundo do papel à sua frente não há pobreza nem miséria, muito menos formas rígidas. Depois que as palavras saírem de você, levante-se e dê uma volta, ou saia para encontrar amigos. Esqueça essas palavras por dois dias. Depois desse tempo, volte e edite suas palavras. Isso é um ótimo exercício para desbloqueios e uma ótima forma para não desistir de seu ideal quando aquele período de “deu um branco” surgir.

“No estalar da areia úmida sob os passos lentos e pesados da sentinela canta também uma bela, uma pequena canção da vida – basta apenas saber ouvir. Nesses momentos penso em você. Gostaria tanto de passar-lhe essa chave mágica para que você percebesse sempre, em todas as situações, o que há de belo e alegre na vida, para que também você viva na embriaguez, como que caminhando por um prado cheio de cores.”

Uma escritora precisa observar, se desligar, se embriagar como Rosa. É preciso que seu coração bata “com uma alegria interior desconhecida, incompreensível, como se sob um sol radiante estivesse atravessando um prado em flor”. É necessário uma serenidade interior para que o externo seja capturado, mas que não te derrote nem te abale. Uma escritora é uma catadora de emoções. É preciso coletar, mas não se vestir de emoções. Como fazer isso? Treinando. Treine seu olhar e também treine formas de como se proteger da emoção alheia. Beber a emoção do outro, mas não engoli-la é como ter uma peneira na alma. Isso te trará gás para escrever, mas também não te afundará na emoção alheia. Como fazer isso? Treinando. Ouça histórias do outro de como conseguiu sair da situação X. Converse com outras escritoras. Aprenda com elas formas de ataque e de proteção. Sim, no mundo da escrita muitas vezes precisamos nos defender. Estude sobre trabalho de equipe e faça trocas. Troque com o outro. Troque livros. Troque histórias. Divida momentos. Sororidade. Moças escritoras precisam se unir. Mas acima de tudo, observe de coração aberto.

 “Final do outono, cinco e meia da manhã. A casa ainda dorme – apenas um segundo a mais de sossego, antes do raivoso barulho metálico, estalado, chocalhado das chaves de 500 seres humanos, tal qual uma onda impaciente que arrebenta a represa da calma noturna e invade todos os cantos dessa enorme construção. Só mais um segundo. Nesses últimos sinais da noite moribunda, a senhora consegue enxergar a minúscula silhueta de um pássaro a cintilar lá em cima da cumeeira do prédio, e escutar o seu doce chilrear? É o estorninho que espera comigo o grandioso espetáculo de todas as manhãs. Vamos, está começando! Vê, cara senhora, como além da fábrica de vinagre o céu cinza escuro se tinge de róseo? De repente, um clarão rosa é arremessado para o alto, incendiando toda uma família de nuvenzinhas, cada vez mais forte, até um fulgor abrasador. Metade do céu já está inflamada, espalhando tochas de fogo. E no meio, exatamente sobre a chaminé da fábrica de vinagre, o primeiro raio dourado irrompe fulgurante através da maré rubra.”

Aprenda a descrever. Na passagem acima Rosa estava em uma prisão e mesmo assim ela se permitiu experimentar a vida. Saboreie detalhes, perca tempo vendo nuances do céu, do mar, da montanha, do senhor que passa, da mulher que corre. Imagine. Parece bobeira, mas muitas escritoras não se permitem experimentar. Abrace seu fluxo de ideias. Acredite no que você está escrevendo. Acreditar quer dizer vivenciar aquilo. Um dos principais ingredientes para lutar por seu ideal é a crença de que o material que você produziu tem relevância, pergunte-se Por que escrevo isso? É importante para quem? Mostre seu material para quem acredita em suas palavras. Se você acredita em fantasmas, mostre para quem acredita em fantasmas. Se você acredita em revoluções, mostre para quem está no meio dessa revolução. Dê as caras no mundo. Encontre seu mundo. Basta Googlear.
E por fim, para aqueles momentos de desânimo, ouça a voz de Rosa te sussurrando:
De todos os pontos de vista não faz nenhum sentido, não há nenhum motivo para que você, na incerteza, se aflija, cheia de medo e inquietação. Tenha coragem, minha menina, mantenha a cabeça erguida, fique firme e tranquila. Tudo vai melhorar, é só não ficar sempre à espera do pior!”

Hanny Saraiva