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A primavera e a literatura

Em julho passado tive a oportunidade de participar de uma oficina relâmpago com o escritor pernambucano Marcelino Freire. Passado o momento fomos com mais dois amigos almoçar e bater papo sobre a vida e, inevitavelmente, literatura. Uma das perguntas que fiz era sobre como ser escritor em um Brasil cada vez arisco à cultura. Ele pediu que olhasse ao redor, que buscasse caminhos. Aconselhou que aprendesse com os que chegaram antes e que percebesse a criatividade que temos que aprontar hoje.

Marcelino foi tutor de Aline Bei, escritora de Ribeirão Preto, sensação com o livro profundo e experimental, O peso do pássaro morto. Curti duas publicações no Instagram da escritora que logo me enviou mensagem doce perguntando se eu gostaria de comprar o livro. Em três dias trocamos nossos livros pelos Correios. Em março, Aline esteve na Primavera Literária Brasileira na França, em Portugal e não sei mais onde, já que não fico investigando as andanças da menina. O importante disso tudo é que ela demonstrou um caminho de divulgação do seu livro e como é importante participar de oficinas de escrita, tão disseminadas pelo Brasil.

O outono, como bem diz a canção, “é sempre igual, as folhas caem no final”. No ciclo, as folhas renascem na primavera. Principalmente em regiões de climas temperados, onde as estações do ano são bem definidas, primavera significa o alvorecer de novos tempos. É a vida renascendo após um rigoroso inverno. A literatura, não muito distante, também tem suas estações. Eu mesmo tenho meus rigorosos invernos sucedidos pelas primaveras. Estive desgostoso com a literatura até encontrar Marcelino e sua energia.

Particularmente, meu inverno conversa com os acontecimentos. Não é possível ignorar as crises, ideológicas e econômicas, e o quanto influenciam nas rotinas. Os livros mais vendidos são, no meu ponto de vista, questionáveis. E nem sou o mala que aponta o que é ou não livro de qualidade. Também até levo em consideração que um livro de celebridade de internet com linguagem fácil pode servir de estímulo à leitura em uma população que não tem esse costume. Minha crítica é a insistência nisso. Um, dois, cinco livros assim. Anos assim. Em paralelo à luta por um lugar ao sol, por disseminação dos próprios livros, por alcance de debates sobre conteúdos e não sobre capas. Cheguei à conclusão, com o amigo escritor Jonatan Magella, que um dos problemas contemporâneos da literatura é que, além de editores e livrarias, autores andam tratando os livros como se fossem objetos de decoração. Os mais importantes devem ser sempre o texto e o leitor e não o livro como um sapato a ser vendido.

Primavera é a perfeita analogia da renovação. Há cerca de dez anos o consumo de arte, isso incluindo a literatura, era feito de forma linear. As grandes mídias abraçavam, os grandes prêmios cercavam, livros em livrarias e em listas de mais vendidos, críticas em jornais com indicação de leitura, escritor em um bom caminho. Músicas tocavam nas rádios e nos programas de tv e aí caminhavam para o sucesso. Hoje muita coisa já mudou. O consumo musical, por exemplo, é realizado atualmente por iniciativa do ouvinte. Busco o que quero ouvir, inclusive o tipo de novidade que desejo experimentar. Antes era apenas um receptor. É importante a literatura entender este conceito porque como leitor também tenho o mesmo comportamento.

Outro dia me indicaram uma escritora iguaçuana chamada Ana Paula Maia. Comecei a ler o livro Carvão Animal e estou gostando bastante. Não sei se a encontraria entre os livros de uma livraria tradicional. Ao terminar o livro posso encontrá-la nas redes e falar sobre a cena do velório, por exemplo. Assim como conversei com Aline Bei sobre a solidão da sua personagem ou como Marcelino me convidou para participar de sua oficina por saber que estava visitando a cidade onde eu moro. Essas novas dinâmicas proporcionam coisas antes inimagináveis. Conheci um autor uruguaio experimentalista chamado Dani Impi através do Instagram. Fui conhecido e convidado para palestras em escolas através do Facebook. Viram meu livro, souberam que se tratava de contos na Baixada Fluminense e iniciaram contato por ali.

O contexto pode ser visto sob diversas óticas. Com pessimismo, visto que o mercado editorial anda em crise, com diversas livrarias tradicionais atrasando pagamentos às editoras. Com otimismo, ao se perceber que as redes, agregando às novas tecnologias, se apresentam como grandes potencializadoras da literatura. Mesmo que as livrarias acabem, o livro perdura. As tirinhas, por exemplo, antes restritas às folhas de jornais para um público reduzido hoje são difundidas com um alcance muito maior através do Instagram e do Facebook. Novos artistas surgem com essa visibilidade. Isso sem falar de ferramentas como Skoob, Wattpad, Amazon, entre outras, que renovaram a dinâmica entre escritor, texto e leitor.

Mesmo que museus sejam tomados por fogo, não tem como impedir que a primavera chegue. Mesmo que ser escritor continue sendo tão arriscado, não tem como impedir que a primavera chegue. Essa primavera tem demonstrado o que parece óbvio: não é sobre vender livros, é sobre ler livros. Como na França de 1848, a Primavera dos Povos de trabalhadores parisienses que derrubaram a Monarquia de Julho e instauraram a Segunda República. Ou como na Primavera Árabe, uma revolução popular ocorrida em países como Tunísia e Egito. A revolução vem assim, após um rigoroso inverno. Se bem que é no inverno que a gente parece ler mais. Mas é na primavera que a gente recomeça. Já que esse jardim está em cinzas que os livros sejam de novo sementes, adubo e flores.

Literatura e política não é só um flerte

Uma das coisas mais relevantes que transmito nas palestras e oficinas que ministro, principalmente para aspirantes a escritores, é o questionamento sobre representatividade. Pergunto: vocês podem ser considerados representantes do seu espaço e do seu tempo? É, obviamente, uma provocação.

Recentemente conheci escritores de literatura negra, de literatura LGBT, literatura de periferia, literatura feminina, entre outros. Há quem diga ser reducionismo, onda de mercado e etiqueta para sobrevivência em nichos. Não é isso que importa aqui. O mais relevante é ter sido um conhecimento recente. Os debates sempre existiram, mas não nessa potência justa. Racismo, homofobia, segregação social e questões de gênero existem desde que o mundo é mundo. Acontece que o que para os pessimistas é sinal de tempos ruins (dizem que nunca se viu tanto discurso de ódio), para os otimistas é o despertar para novos caminhos, uma nova configuração mais próxima do respeito e da justiça. Mesmo com os exageros, perdoem. Até quem está, em teoria, correto comete seus excessos. Estamos em reformas, diria a placa pendurada na porta do planeta.

É impossível separar o ser político do ser literário. É impossível separar o ser social do ser artístico. Os autores refletem seu contexto histórico independentemente do tipo de obra que realizam. Romeu e Julieta, por exemplo, não é Shakespeare falando sobre o amor romântico na Verona do século XVI. A época mesmo não foi tratada como uma peça sobre o amor puro. Seu viés é, originalmente, político. Retrata questões sobre ordem política e todo o contexto sobre a configuração familiar daquele período. Como tudo em Shakespeare, a realeza é a grande chave e alvo de debates.

A escola chamada de Realismo trouxe ainda mais marcante a característica do ser político em uma obra de ficção. Dom Casmurro oferece a visão sobre o Brasil Império, as relações entre as famílias e a religião católica, como casamentos eram forjados e o contexto do Rio de Janeiro do final do século XVIII. Há poucos meses li Contos Negreiros de Marcelino Freire, de 2005, e vi toda a realidade de negros pobres no Brasil desse século XXI.

Sobre a pergunta inicial do artigo, a maioria fornece um incômodo latente, muito pela responsabilidade de ser um representante do seu tempo e espaço. Devem se perguntar se são dignos disso. Explico sobre inerência do ato. Não conseguimos fugir do que somos, do que vivemos, do que enxergamos, do que sentimos. Tudo isso aparece em nossa literatura. Seja ela inclusiva ou exclusiva. Seja ela falando que foi golpe ou não. Seja ela retratando seu incômodo com a alta do dólar ou o preço dos ovos, aqueles que a galinha chorou. Quando dizem que Monteiro Lobato era racista, temos duas coisas a atentar: ele era representante de um tempo e espaço em que isso era natural (que pena, de verdade), principalmente por sua posição social; e temos de ser anacrônicos, afinal, é muito bom poder ter esse olhar mais apurado que continuar achando que esse tipo de coisa seja normal também hoje. Portanto, não diminui a obra. Santificar sempre foi mais nocivo mesmo.

Leon Tolstói retrata o período antes da Revolução Russa em Guerra e Paz. Jorge Amado fala abertamente sobre coronelismo e uma sociedade oligárquica em suas obras. O relacionamento entre literatura e política não é um flerte. É caso antigo, nada platônico e fadado a impossibilidade do divórcio. No final, é claro, me perguntam se sou coxinha ou mortadela. Caso não desperte o debate ao menos abre o paladar. Se você, leitor, também está perguntando isso peço que volte ao início do texto e releia mesmo, com carinho. É literatura, é política. Impossível separar um do outro.

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Eles são fortes influências na literatura e suas obras vão além de suas sexualidades. Os autores que escolhemos para homenagear nesse dia 28 de junho são escritores que trouxeram à tona o tabu da sexualidade e afetaram o mundo com suas obras. Cada um rasgou o mundo com palavras revolucionárias e pioneiras e como resposta – de alguma forma – foram rasgados pelo mundo.

CAIO FERNANDO ABREU
“Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade – voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade.”

O “escritor da paixão”, como Lygia Fagundes Telles o define. Sua trajetória é marcada por temas transgressores e por experimentar várias linguagens é considerado um autor de apelo popular, sendo facilmente citado em redes sociais. Lutou contra a ditadura, viveu intensamente e morreu no dia em que nasceu, em consequência do vírus HIV.

Para ter afeto: Morangos mofados

OSCAR WILDE
“Se somos tão inclinados a julgar os outros é porque tememos por nós mesmos.”

O dramaturgo e poeta irlandês foi condenado a dois anos de prisão e trabalho forçado depois que o pai de um de seus amantes o denunciou por “cometer atos imorais com diversos rapazes”. Oscar Wilde é considerado o mais importante dramaturgo da era vitoriana e defendia o belo em contrapartida ao mecanismo da era industrial.

Para ter afeto: De profundis

FEDERICO GARCÍA LORCA
“É infinito o ar. A pedra inerte nada sabe da sombra e não a evita. Íntimo, o coração não necessita do congelado mel que a lua verte. Por ti rasguei as veias às dezenas, tigre e pomba, cobrindo-te a cintura com luta de mordiscos e açucenas.”

O autor espanhol foi preso por não esconder sua homossexualidade e sua crença no socialismo. Por ser considerado “mais violento com a caneta do que outros com revólver” foi morto sem julgamento, de costas, com um tiro na nuca.

Para ter afeto: Obra poética completa

ELIZABETH BISHOP
“Amor tem que ser posto em prática! Ao longe, um eco esboçou sua adesão, não muito enfática.”

Considerada uma das maiores poetisas do século XX de língua inglesa, morou no Brasil por duas décadas, vivendo uma paixão com a paisagista brasileira Lota de Oliveira. Foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional Neustadt de Literatura, além de ser premiada com o Pulitzer de Literatura em 1956. Sua cartografia poética passeia pela fragilidade, pela percepção, pela perda, pelo verso intimista e a ambiguidade.

Para ter afeto: Poemas escolhidos de Elizabeth Bishop

JEAN COCTEAU
“Não aceito, porém, que me tolerem. Isso fere o meu amor ao amor e à liberdade.”
O poeta, dramaturgo, cineasta foi muito importante para o movimento surrealista, apesar de ter sido rejeitado por membros do surrealismo, sendo alvo de vários episódios de homofobia. O artista publicou vários ensaios criticando essa homofobia e lutava de peito aberto contra convenções esmagadoras e cruéis.

Para ter afeto: A dificuldade de ser

Compartilhe se acredita que amor é amor.

Hanny Saraiva

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

O mais poderoso dramaturgo da história do Ocidente. O escritor mais traduzido e poeta do amor mais influente. Um dos mais importantes autores da língua inglesa. William Shakespeare destaca-se “pela grandeza poética da linguagem, pela profundidade filosófica e pela complexa caracterização dos personagens.”
Como não ouvi-lo nesta data que celebra o amor? Em um mundo cada vez mais violento e que parece destilar ódio a cada esquina, paremos um minuto para enaltecer o amor não como forma de cegueira e submissão, mas sim como acolhimento, carinho e cuidado. Compartilhemos, sejamos protagonistas de nossas histórias, pois como Shakespeare mesmo afirma “Nosso destino não está nas estrelas, mas em nós mesmos.”

Amor é doação

Já dizia o autor, “Minha bondade é tão ilimitada quanto o mar e tão profundo como este é o meu amor. Quanto mais te dou, mais tenho, pois ambos são infinitos.”
Doe palavra, doe minuto, doe um mimo. A vida é essa colcha de dias que rasga o tempo.


Amor é palavra dita

E já que todo dizer é um fazer, repita: “Duvides de que as estrelas sejam fogo, duvides de que o Sol se mova, duvides de que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.”


Amor é gesto

“O amor que nos entregam se o pedimos é bom, mas o amor que nos dão sem precisarmos pedir é ainda melhor.” – afirmou o autor inglês que entendia a alma humana como ninguém.

 

Amor é detalhe

“Se a música é o alimento do amor, não parem de tocar.” Assim como a música, Shakespeare atravessou barreiras culturais, um navegador das emoções humanas, apreciador dos detalhes e pensamentos fugidios. E já que nada escapa ao olhar apaixonado, que tal cantar para alguém especial? Que seja infinito o que nos faz bem!

Amor é multiplicação

“Deixe-me confessar que somos dois, embora o nosso amor seja indivisível.”

Velho & novo, azul & amarelo, pensamentos iguais, gostos diferentes, não importa nada: é tudo o mesmo amor! E ele deve ser multiplicado, jogado como semente em todos os solos, revelado, espalhado, partilhado.

Você já disse eu te amo hoje? Amor é feito para se declarar todo dia! Já marcou sua pessoa especial nos comentários

Ressaca literária – Seu livro preferido terminou?

O que fazer quando o seu livro preferido termina?

Ressaca Literária: “quando o leitor tem vontade de ler determinado livro, mas não consegue entrar na história. Ou seja, o leitor fica preso em uma cápsula invisível sendo impedido de ler o livro.” – definição do blog Desencaixados. Já passou por isso? Hoje vamos falar sobre um tipo de ressaca específica, aquela provocada pelo término de uma leitura sensacional, que mudou sua vida, que te fez colocar o título X na lista de livros preferidos. Estamos tocando no delicado assunto: “O que fazer quando o seu livro preferido termina?”
Primeiramente, você grita: Fora Temer e toma uma cerveja. Sabe aquele conselho que para curar uma ressaca você precisa tomar outra cerveja? Isso serve para os apreciadores de cevada, mas e para aqueles que estão com ressaca literária?
Você não vai conseguir mais ler, apesar de querer muito, muito. Por quê? Porque você está impregnado do mundo ficcional anterior. Como uma droga, uma paixão arrebatadora, um “ele podia voltar pra mim”.

Participar de competições

Aposte com seu amigo quem vai ler primeiro o livro tal (de preferência algum de seu outro autor preferido). Aposte dinheiro, sorvete, alguma coisa palpável. Neste momento de corte de elos, é necessário algo que vale a pena lutar.

Começar a frequentar um clube do livro

Virtual ou presencial. Se reunir para falar bem ou mal de um livro pode te ajudar a esquecer seu ex. Saia para beber uma taça de vinho ou suco com seus companheiros de leitura e faça perguntas sobre o futuro date, ops, livro.

Visitar uma livraria nova – ou uma que você não conheça

Explore a livraria, toque em títulos, leia a primeira página, mas não compre nada. Converse com livreiros, faça anotações, circule pelo ambiente. Assista uma palestra de algum escritor nessa livraria, participe de algum lançamento, mas não compre nada. Apenas saboreie o contato com os livros e as capas. Tenho certeza que ao fim de quinze dias você estará com muita vontade de ler.

Curtir sua bad literária

Quem disse que é regra geral fugir da bad de términos? Chore. Chore muito. Veja filmes inspirados no livro, crie playlists sobre o filme, ouça playlists, viva o luto. Sofra até sua dor ao máximo – não recomendo mais de uma semana porque aí pode gerar um sistema de tristeza profunda e afastamento de amigos. Vale até comprar produtos que te lembrem da narrativa, mas não se tatue. Calma, tatuagem é uma parada séria, tipo amor eterno. Espere seis meses para ter certeza se era paixão ou amor mesmo. Tatue só por amor.

Escutar um audiobook

Quem disse que livro é só papel está com a cabeça fechada demais para esse século que estamos vivenciando facilidades tecnológicas e interessantes formas de captar e experimentar narrativas ficcionais. Ouvir uma história pode sim curar sua ressaca porque te transporta para um novo ambiente, te fazendo se distanciar de sua antiga paixão, aka, ressaca. Uma outra opção é explorar o mundo de podcasts literários.

Dica: dá uma espiada na Ubook.

Ler o livro novamente

Que mal tem saber de cor algumas frases e prestar atenção a outros detalhes e começar um novo clube de fãs aficionados pelo título? Das duas uma: ou você realmente vai amar ou vai conseguir começar a ver alguns defeitinhos que fará com que seu coração se acalme e dê espaço para um novo amor.

Escrever

Talvez você necessite colocar para fora toda sua necessidade de estar conectado ao mundo que te apaixonou. Escreva uma fanfic. Escreva uma resenha. Escreva duas resenhas. Escreva um conto baseado em um dos personagens. Escreva para o autor. Crie hashtags para o livro. Escreva uma carta para um amigo falando sobre o livro.


Como você se sentiu quando terminou de ler aquele último livro maravilhoso que você não queria que terminasse? Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva

Por que autores amam bibliotecas?

Por que autores amam bibliotecas?

“ Eu fiquei três vezes por semana durante 10 anos me educando na biblioteca pública. É melhor que faculdade. As pessoas deveriam se educar, você pode ter uma educação completa sem gastar dinheiro. No final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e escrito mil histórias.”  – Ray Bradbury
“A biblioteca de minha infância era bem pequena. E mesmo assim sentia que o mundo inteiro estava contido naquelas duas salas. Eu poderia andar em qualquer corredor e aspirar sabedoria.” – Rita Dove
“Não é apenas uma biblioteca. É uma nave espacial que te leva aos confins do Universo, uma máquina do tempo que te leva ao passado longínquo e ao futuro distante, um professor que conhece mais do que qualquer ser humano, um amigo que vai te divertir e te consolar – e acima de tudo, um portal, para uma vida melhor, mais feliz e mais útil.” – Isaac Asimov
“Eu sempre digo às pessoas que me tornei escritora não porque fui para a escola, mas porque minha mãe me levou para a biblioteca. Eu queria me tornar escritora para poder ver meu nome no catálogo de fichas.”  – Sandra Cisneros
“Sempre imaginei o paraíso como uma espécie de biblioteca” – Jorge Luís Borges
Ainda duvida de que é uma espécie de Éden para escritores e para amantes de livros? Em homenagem ao Dia da Biblioteca, separamos só algumas outras coisinhas que confirmam por que autores amam bibliotecas.

Conhecimento infinito

Há sempre livros. No plural. Quando você acha que sabe tudo sobre o assunto, um livro escondido surge como num passe de mágica. Os livros parecem se comunicar entre as prateleiras, nos escolhendo como humanos favoritos. Quem nunca teve aquela ideia mirabolante após ler um livro de pesquisa sobre o assunto central do seu livro? Escritores amam desbravar o desconhecido e livro de biblioteca é perfeito para isso.

Silêncio

Quer fugir daquele carro do ovo ou da música alta do vizinho? Prazer, sou o silêncio –  a biblioteca afirma. Trago ainda de brinde – algumas vezes ­– aquele ar condicionado poderoso. É um local maravilhoso para acalmar a mente, se concentrar, desenvolver aquela ideia que está entalada e não sai do papel. Muitos escritores saem de seus lares em busca de novos ares e a biblioteca espera escritores de braços abertos para dar asas a seu mundo de imaginação. Experimente escrever nesse espaço depois vem aqui contar pra gente como foi – vale também para estudantes que não conseguem terminar a monografia ou aquele trabalho gigante do trimestre, ok?

Sustentabilidade

Você adoraria ler aquele clássico, mas acha muito caro? Dê uma passada na biblioteca e faça seu cartão de frequentador. Consuma de forma consciente. Compre apenas aqueles livros que você realmente deseja ou necessita. Uma ótima forma de checar se vale a pena é dando um pulinho na biblioteca. Além disso, entregar o livro na biblioteca no prazo é uma ótima forma de lutar contra a procrastinação. Isso vale também para quem tá começando na carreira de escritor porque regra número 1: para escrever você precisa ler muito.

Conexão

Onde você pode encontrar o público do seu livro? Na biblioteca! Quem vai à biblioteca ama ler ou está em busca de uma demanda específica. Como não fazer pesquisa de mercado dentro desse ambiente? Além disso, há diversas ações culturais dentro de bibliotecas como encontros com autores, debates, saraus literários e poéticos. Você pode doar seu livro para a biblioteca, participar de uma palestra, criar sua rede de contatos para troca e angariar leitores que podem comprar seu próximo livro. =D


O que tem de especial em sua biblioteca preferida? Como você se sente lá? Conta pra gente nos comentários. =)


 

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Ser consumidor é também ser um agente de transformação e fazer com que a representatividade ganhe força e vez é sim papel de quem consome. É necessário disseminar, espalhar, conscientizar. Pensando em como representantes de minorias são calados por serem o que são, selecionamos 5 livros que vão muito além da temática LGBT e que vai te ajudar a refletir e te dar força para acreditar que sim, você pode ajudar a construir um mundo mais legal e mais tolerante. Dia 25 de março é dia de relembrar que todas as formas de amor importam, dia de relembrar que causas existem para que você também seja livre e possa falar o que pensa e que acima de tudo, é necessário resistir. Em tempos sombrios é fundamental não desistir e resistir. Sempre. #mariellepresente

1. A história de Júlia e sua sombra de menino – Christian Bruel

Questões sobre produção de gênero, identidade e o “ser diferente” tratado de forma sensível e divertida é o trunfo dessa obra. Refletir sobre imposições feitas pela sociedade e abrir espaço para que as pessoas sejam o que são é uma prática de cidadania que deve ser ensinada e discutida entre o cidadão em formação. Clássico de 1973, o livro traz um texto poético e considerações sobre o crescer, preconceitos e respeito entre pessoas.
Sinopse: Os pais de Júlia a criticam muito, sempre dizendo que ela se parece com um menino, no jeito, nas roupas etc. Numa manhã, a garota percebe que sua sombra adquire o formato de um garoto, repetindo todos os seus gestos. Júlia se sente triste e acaba questionando sua própria identidade.

2. Olívia tem dois papais – Marcia Leite

Como não falar de diversidade sexual entre crianças? Que tabu é esse em pleno século XXI? Sim, devemos responder perguntas sobre sexualidade, trazer para pauta famílias homoafetivas, produzir livros onde não essas famílias não seja vistas apenas como “diferentes” e sim como mais uma possibilidade de construção familiar. Crianças não viram adultos intolerantes do nada, elas repetem comportamentos e pensamentos. Responder uma pergunta direta é matar o dragão direto no coração, é acabar com monstros debaixo da cama e dormir em tranquilidade. Acredite, criança não precisa de teorias mirabolantes para entender coisas simples. Esse livro é também uma possibilidade de se discutir gênero dentro de nossa sociedade.
Sinopse: Olívia é uma menina esperta, que sabe bem o que quer e tem plena noção de como usar algumas palavras para conseguir o que deseja. Quando tem de ficar sozinha enquanto os pais trabalham, ela diz que está muito “entediada”. Como não gosta de ver a filha “entediada”, papai Raul para imediatamente de trabalhar e, quando percebe, já está deitado no chão ao lado dela, brincando de filhinho e mamãe, ou cercado por um monte de bonecas.

3. Viagem solitária – João W. Nery

É necessário desmistificar o universo trans. João W. Nery, o primeiro homem transexual que realizou a cirurgia de redesignação sexual no Brasil em plena ditadura militar (1977) é um relato sobre a luta de viver 30 anos sem expor sua identidade trans. A obra narra as dores e coragem de uma pessoa que precisa se reinventar para encontrar seu lugar no mundo, uma ressignificação em busca de uma vida menos solitária. Leitura obrigatória.
Sinopse: ‘Viagem solitária’ conta a história de João W. Nery, transexual masculino. Na obra, ele narra a infância triste e confusa do menino tratado como menina, a adolescência transtornada, iniciada com a ‘monstruação’ e o crescimento dos seios, o processo de autoafirmação e a paternidade.

4. Azul é a cor mais quente – Julie Maroh

Uma história de amor e descoberta. A simples linguagem universal do amor. Apenas o desabrochar e toda poesia envolvida nisso.
Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

5. Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu

Intimista, o texto desse livro passa por várias ambiguidades sexuais e revoluções comportamentais, uma busca por si. Poético e intenso, Caio Fernando Abreu é uma voz que se debate sobre a efemeridade da vida e este livro é um clássico para se entender como a homossexualidade/bissexualidade era vista e sentida em período de ditadura no Brasil.
Sinopse: Essa obra é a segunda incursão do autor pelo gênero romance. Tendo como coadjuvantes os universos da redação jornalística e da música popular dos anos 1980, esta ficção-verdade desvenda o desejo reprimido e o tesão liberado, a convivência com um mundo opressivo e a maneira de fugir dele.

 

Livros podem sim ser sua  melhor defesa para conversas não desejadas. Toda vez que você cruzar com alguém cheio de ódio contra minorias, com ranço para os pequenos holofotes que estamos conseguindo sobre a diversidade sexual ou com frases prontas e cheias de clichês/desconhecimento sobre o assunto você pode:
  1. citar uma frase de algum livro de nosso top 5;
  2. virar para o lado e colocar um desses livros sobre o rosto;
  3. dar um golpe ninja na cara dessa pessoa com o livro (brincadeira, somos contra violência);
  4. levantar e ir embora porque perder tempo com haters não leva a lugar algum;
  5. com paciência, debater abertamente sobre o assunto, tentando trazer à tona reflexões e consciência sobre tolerância, amor e cidadania.

Qual estratégia você mais usa? Tem alguma outra dica? Conta pra gente nos comentários! =)


Hanny Saraiva

8 Instagrams literários que amamos

8 Instagrams literários que amamos

Imagens e literatura? Sim e sim! \o/Muito além de capturar e compartilhar momentos do mundo, testemunhamos a cada novo dia que os meandros da literatura contemporânea se reinventam. Pensando nessas descobertas, gostaríamos de dividir com você 8 Instagrams literários que amamos e que vale muito a pena seguir (além do nosso, é claro), não só pela beleza das imagens, mas pela força da ideia de cada perfil.

Papel Papel

A imagem mostra o Head do instagran do Blog Papel Papel, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

“Criado em julho de 2015, o Blog Papel Papel surgiu como um espaço literário de prosa informal e reflexões cotidianas, uma conversa entre amigos.” Perfeito para leitores de clássicos, best sellers, HQs e folhetins. A versão para o Instagram ganhou força e hoje conta com mais de 12 mil seguidores. A equipe divulga lançamentos e eventos literários (principalmente no Rio de Janeiro), além de resenhas e situações com livros.

Jornal Rascunho

A imagem mostra o Head do instagran do Jornal Rascunho, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Um dos últimos cadernos literários, funcionando desde os anos 2000, o perfil do Jornal Rascunho é tão cuidadoso quanto o próprio jornal. Livros em situações ambientes, – em locais internos e externos – fragmentos do jornal, indicações de livros e figuras célebres do meio literário fazem parte de seu dia a dia.

Literatura policial

A literatura de nicho tem ganhado destaque em cenário brasileiro e em especial a linha policial/mistério tem se sobressaído em nossas terrinhas. O perfil do blog nos traz imagens que nos remetem a ambientações de livros de crime, suspense e mistério, além de trazer dicas quentes desse gênero e novidades literárias, tanto no Brasil quanto no mundo.

Serendipity

A imagem mostra o Head do instagran da Melina Souza, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

O instagram de Melina Souza é fruto de seu blog Serendipity, que a princípio abordava sua visão fofa de menina que tinha muitos sonhos e que adorava frio de Curitiba, uma paixão por livros e que possuía muitas fotos poéticas.  Hoje, seu Instagram não é apenas literário, focando também em viagens pessoais e novos hobbies, mas suas resenhas e fotos com livros continuam adoráveis.

Our shared shelf

A imagem mostra o Head do instagran Our Shared Shelf, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Este é um instagram de um clube de livro feminista, com o objetivo de compartilhar e aprender mais sobre igualdade de gênero, criado e organizado pela atriz Emma Watson. A cada mês um livro é selecionado, lido e discutido e esse perfil mostra fotos de leitores com o livro do mês em seus lares, trechos sublinhados e todo um movimento que preza por essa leitura de gênero. Qualquer pessoa pode participar.

Drop and give me nerdy

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Instagram literário feito por uma mãe nerd, com imagens descontraídas de seu dia a dia e de sua filha, imersa em fotos com livros, desde sempre influenciada pelo universo literário.  Quem é fangirl e Potterhead vai amar.

Subway book review

A imagem mostra o Head do instagran Subway Book Review, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Pequenas resenhas feitas por estranhos em metrôs e trens de Nova Iorque, Londres e México. Esse perfil poderia instigar um movimento no Brasil assim também, né? Otimize seu tempo e leia mais em transporte, dependendo do seu trajeto você pode ter certeza que sua meta de leitura triplica.

Grifei num livro

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Sabe aquela pessoa que odeia que alguém escreva em livros? Se você é essa pessoa, não chegue perto desse perfil. Mas se você é aquele leitor que ama sublinhar e fazer anotações em seus pequenos companheiros literários, vai amar Grifei num livro. Aqui o que importa é aquela frase que te comoveu, que mudou seu mundo, que fica tão forte dentro da alma que você precisa destacar e compartilhar com todo mundo.

 

 

Mas se você acha que, independente do que façam com o livro, livro é vida, vai amar nossa camiseta literária da Lygia Bojunga

 


Tem alguma dica de Instagram pra gente? Adoraríamos ler seu comentário! =)


Hanny Saraiva