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Resenha literária com Guarnier: A Arte Pública

 

Saraus Como Alfabetizadores Artísticos: A Arte Pública

Sarau Rua

Sarau Rua

 

   Desde as manifestações de 2013,meros movimentos artísticos, coletivos, organizações que promovem a arte pública colocaram o bloco na rua, tudo como forma de continuidade e resistência para dar vazão ao sentimento de indignação coletiva por conta do cenário político que se apresentava.

   A ressignificação dos espaços públicos pela Arte fez surgir um Sarau em cada canto e o território foi discutido. De quem é a cidade? De quem são as Ruas? Do estado ou da poesia, da Dança, da Música, do pensamento? Desde então começou-se a ter notícia de nomes como “Sarau V” (NI), “Sarau do Escritório” (RJ), “Corra que a Polícia Vem Aí” (Campo Grande – RJ), “Poetas Compulsivos” (Morro Agudo-NI), “Poesia de Esquina” (CDD-RJ), “Caldo de Cultura” (Mesquita), “Sarau RUA” (Nilópolis), “Fulanas de Tal” (NI), “Sarau do M.E.R.D.A.” (Nilópolis), dentre outros… muitos outros. Observe-se que todos estes em periferias, mesmo o Escritório que é no Centro da Capital do RJ, acontece na Lapa, berço da marginalidade e boemia cariocas. Esses espaços deram oportunidade e visibilidade a muitos artistas entregando-lhes microfones, palcos e público como se falassem: É a sua voz que queremos ouvir e é a sua Arte que queremos comprar. Com isso muito poeta esvaziou sua gaveta, muito músico resgatou seu instrumento, muito cantor soltou sua voz e, inspirados por estes anônimos, todos aqueles que tinham vontade de tocar um instrumento começaram a tocar, muitos que tinham vontade de escrever, arriscaram seus versos e assim estas simplórias, e na maioria das vezes, até precárias estruturas, tornaram-se as centelhas que faltavam para muitos novos artistas, por isso, podemos chamar estes espaços de “Alfabetizadores Artísticos”.

Sarau V

Sarau V

O que é um sarau?


Segundo a Wikipédia: um sarau pode envolver dança, poesia, leitura de livros, música acústica e também outras formas de arte como pintura, teatro e comidas típicas. Evento bastante comum no século XIX que vem sendo redescoberto por seu caráter de inovação, descontração e satisfação.


   Quem já esteve presente num sarau, sabe da multiplicidade de linguagens que ele abriga. Sem falar no ineditismo e originalidade sempre presentes em cada edição de cada sarau. Já na programação você se depara com um nome que nunca ouviu falar como poeta convidado, e que na parte musical outro desconhecido se apresentará lançando seu último trabalho. Então a moça que trabalha no sinal da avenida principal todos os dias fazendo malabares, também está relacionada entre as atrações. Ali mesmo, durante o período do “microfone aberto”, dois ou três poetas leem seus poemas e te encantam. Eles não têm livros lançados, nem se sabe se almejam um dia publicarem um. Então você descobre que uma folha de papel A4 dobrada, ou não, tem muitas poesias daquele autor que você acabou de conhecer e ele está oferecendo aquele papel por dois reais, daí você descobre que o nome daquela folha com poesias e ilustrações é Zine. Tudo isso na esquina, ou na praça, ou no calçadão da sua cidade, de graça. Você compra um artesanato, come um lanche, toma uma cerveja a preços honestíssimos. Senta-se no chão e troca uma ideia com alguém bem bacana. Sai dali satisfeito e promete-se retornar na próxima data. Digamos que você nunca se interessou muito por Arte porque sempre achou que Arte só ficava nas galerias caras, que poesia era só Fernando Pessoa e Drummond. Que só Clarice Lispector era capaz daqueles interlúdios mágicos que teus amigos compartilham no facebook e agora você acaba de ler, ouvir e ver coisas incríveis de pessoas completamente desconhecidas e então lembra que lá na adolescência aprendeu uns acordes no violão, que escrevia umas cartas, era louco para fazer parte do Teatro da escola e nunca teve coragem, mas diz para si, despretensiosamente: Um dia… um dia.

Multiplique seu exemplo pelo número de pessoas que ali passaram e pararam por dez minutos para ver o que estava acontecendo e se sentiram bem, ficaram mais dez minutos para ouvir a música bacana do cantor desconhecido e depois adiaram mais um pouco a partida para assistirem o grupo do Teatro e a performance de Dança. Aprenderam o que é um sarau, aprenderam que poeta na maioria das vezes não tem livro lançado, aprenderam que Dança e Teatro não precisam de palco para se apresentarem e aprenderam que tem infinitamente mais artistas fora da televisão, dos livros e do rádio do que dentro deles, portanto, aprenderam uma série de coisas que não sabiam. Foram alfabetizados!

mosaico

   Nossa cultura nos disse a vida inteira que estudo e aprendizado só são ensinados nos ambientes vernaculares das escolas. Somente dentro dos domínios daquela estrutura engessada por métodos e estratégias óbvias é capaz de se aprender, por isso, qualquer aula que aconteça num ambiente que não seja a sala de aula não é considerada aula pela maioria dos alunos.

-Filho, como foi a aula hoje?

-hoje não teve aula, assistimos um filme no pátio!

Esse comportamento arraigado em nós, faz com que desconsideremos os ensinamentos que recebemos no cotidiano e acabamos reproduzindo esse discurso, desconsiderando todas as demais inúmeras salas de aula e professores que vão muito além dos muros das escolas e universidades, são ações e lições num campo a céu aberto chamado Rua.

Guarnier

Fragmentos poéticos de Caio F. Abreu

Com o lançamento especial da camiseta do Caio, nossa equipe inteira resolveu ler um pouquinho da obra dele e foi muito impactante. Todo mundo quis ler em voz alta um fragmento. Foi tão legal que separamos os preferidos aqui. O que acham?

 

  • “Solto nesse abismo onde só brilham as estrelas de papel no teto, desguardado do anjo com suas mornas asas abertas. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu esquecesse de mim. E fez. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo…”  –  Caio Fernando Abreu
  • “ Errei pela primeira vez quando me pediu a palavra amor, e eu neguei. Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único jogo acertado seria não jogar: neguei e errei. Todo atento para não errar, errava cada vez mais. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “Preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “ Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha –  e tenho –  pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “O amor que sinto pelos outros quase sempre é suficiente, não precisa nem ter volta.“ –  Caio Fernando Abreu
  • “Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Eu inventava uma beleza de artifícios para espera-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “Ai, a necessidade que tinha de doer em alguém, como se já estivesse exausta de tanto ser grande e boa. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “ Nós somos um – esse que procura sem encontrar e, quando encontra, não costuma suportar o encontro que desmente sua suposta sina. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ O mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Carinho, com letra maiúscula, é uma das coisas que faltam no mercado. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Voltar que eu te cuido e não te deixo morrer nunca. ” –  Caio Fernando Abreu
  • “ Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada. “ –  Caio Fernando Abreu
  • “ Porque não se render ao avanço natural das coisas, sem procurar definições? ” –  Caio Fernando Abreu
  • “ Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio. ” –  Caio Fernando Abreu

 

Caio F. Abreu

O Poeta

Resenha literária com Guarnier: Multi-sensorial

A poesia ativa o sétimo sentido: Leitura Multi-sensorial


“Cara, parece aquelas escrituras antigas… uma outra língua, sei lá”


Fiz um vídeo para explicar o processo de composição desse zine que gosto muito e que fiz há dois anos e distribuí por onde passei e para quem comprava o “Pacotão Poético” que reunia o livro Paiol-Ninho e outros livretos e zines meus. A intenção era fazer com que as poesias se modificassem e fossem se formando em outras a partir das dobras que o leitor fizesse no papel e para isso tive que compô-las no momento da criação do zine, tornando-o então, parte da própria poesia e estrutura.

Geralmente, na leitura de um zine, carta, livro, literatura num geral, dizemos que somente o sentido da visão é explorado, assim como somente a competência da leitura, digamos, tradicional, aquela que usamos para interpretar os sinais gráficos e a união dos mesmos para formar palavras, frases, textos e etc, porém não há como ler um rótulo de desinfetante e uma poesia igualmente. Um envolve a informação somente, outro envolve, além da informação, se for o caso, também a interpretação, o estado emocional, sentimentos. Para isso nossos sentidos são ativados além do que achamos. na maioria das vezes um leitor quer “entender” o que o autor quis dizer naqueles versos, pior erro de um leitor, a menos que seja um aspirante à vidência.
Se um poema já é lido de forma diferente de um rótulo por envolver além do sentido da visão, também tato, audição, olfato e paladar, um poema concreto, ou que envolva uma estruturação não convencional quando pensamos num poema, ou seja, versos lineares e estrofes, também é lido de forma diferente de um soneto, por exemplo, que é formado de dois quartetos e dois tercetos e rimas. Tudo oferece um gosto, um jeito, um elemento diferenciado para que a experiência seja diversa e é a própria experiência que marcará o leitor, pro bem ou pro mal, porém marcará. Vamos à leitura do zine:

 

A imagem de cima é a parte de trás do zine e a imagem da parte de baixo é a frente. a palavra “Meditar” faz parte da parte interna, mas cumpre seu papel também na poesia da frente que é:

“não é que eu demore pra falar

eu só espero

o coração meditar”


Agora vamos visualizar o interior do zine:

Eis esse emaranhado de letras grandes e pequenas, de formatos variados, onde se lê algumas palavras, mas nenhuma tem conexão com a outra e não têm coerência se postas num mesmo verso e, em tempo, não digo com isso que poesia tenha que ter coerência, mas acredito que me fiz entender. Agora vamos ver as dobraduras que formam as poesias presentes nesta folha:

lado esquerdo:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/PASSOS/QUE/NÃO/MEDI

Lado direito:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/DE ME CITAR

Agora o lado esquerdo desdobrado totalmente:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/JATOS/DE/REBELDIA/NA SUA/POESIA

Lado direito totalmente desdobrado:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/MAIS/DE/CLAMAR/DIA/E NOITE/ESSE AÇOITE.

Todas as partes reveladas, espero que a experiência seja provocadora e que desperte uma leitura multisensorial em quem tem posse do zine. Vou deixar o vídeo que fiz falando do processo de criação e espero que gostem da proposta de diversificar nas possibilidades que a tecnologia nos oferece e introduzir estes recursos aqui na coluna. No entanto não esqueçamos que a criatividade é nossa maior tecnologia, somos sofisticados a ponto de nem queremos sê-lo. Quem quiser o zine, pode entrar em contato comigo por aqui, ou pela minha páginafacebook.com/poetaguarnier. Que a arte seja provocadora e instigante sempre. Grande abraço!

Guarnier

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

 

Estamos no mês das mães, ótimo momento para conhecer história de mães verdadeiramente literárias. Ainda mais quando temos um Box lindo da Nova Fronteira para presentear uma delas. É isso mesmo, nossa promoção cultural vai enviar um Box completo da Nova Fronteira para a melhor história.
Para participar basta escrever o porquê sua mãe é uma mãe literária, nos comentários da postagem do Facebook. A melhor resposta, escolhida pela equipe Poeme-se, ganhará o box.

 

Período de participação: até o dia 19 de maio 2017
Resultado: 22 de maio de 2017
Premiação: Todos os Romances e contos Consagrados de Machado de Assis – em três volumes.
Box Machado Aberto

Camiseta Virginia Woolf é indicação de presente para dia das mães segundo revista Donna

Quem não quer dar um presente todo especial para sua mãe no dia dela, não é mesmo? Foi exatamente por isso que a revista Donna fez uma lista de indicação de presentes especiais, claro que a Poeme-se não ficaria de fora, a indicada da vez foi a camiseta literária Virginia Woolf, se quiser saber um pouco mais sobre um dos mais importantes nomes do modernismo e grande romancista clique aqui e se quiser conferir essa linda camiseta basta um clique.

Finalmente Caio F. Abreu na Poeme-se

Finalmente Caio F. Abreu na Poeme-se

O poeta que emprestou seus versos para o lançamento do mês de maio na Poeme-se tem nada mais nada menos do que 3 Jabutis no currículo e é, se não o mais, um dos mais citados nas redes sociais brasileiras.

É fácil entender o porquê Caio Fernando Abreu e seus escritos são tão queridos e propagados: o poeta lançou mão de uma linguagem acessível e bem próxima ao coloquial para criar toda a sua produção textual. Sem contar sua temática universal: o sentimento.

“Quero ser diferente. Eu sou. E se não for, me farei.”

 

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T-Shirt Caio F. Abreu

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Bata Caio F. Abreu

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Baby Look Caio F. Abreu

Resenha literária com Guarnier: Qualidade literária

A qualidade está nos olhos de quem lê

Livro e oculos

   Dia desses estava assistindo, por pura obra do destino, um programa esportivo cheio daqueles papagaios de pirata futebolísticos comentando uma partida de futebol, obviamente, e mais obviamente ainda, eram pessoas que nunca tinham chutado uma bola na vida, mas que baseado no livro do fulano de tal, que jogou no ano tal, do time tal em milenovecentosepouco, sentiam  propriedade em criticar a forma que o Betinho Tranca-Rosca chutava a bola. E falaram tanto, que um entre eles que havia sido jogador de futebol, viu-se na obrigação de defender o companheiro que estava sendo execrado e falou: Mas vocês por acaso já bateram uma falta num jogo profissional? O silêncio e o constrangimento tomou conta do estúdio até o apresentador tirar seus panos quentes da sacola e chamar o intervalo para por ordem na casa. Então eu lembrei que há bem pouco tempo eu me (re)voltei contra a academia e com toda sua cuspição de termos presentes em livros que eu nunca li, mas que eram pronunciados gratuitamente por simples egocentrismo acadêmico, com hálito artificialmente perfumado na base do “drops da arrogância”, ou seja, café e cigarro, por causa de gente que se veste de crítico e lê de cara torta a literatura alheia, gente que erradamente acorrenta o que escreve nas gavetas de casa porque tudo o que escreveu não passou pelo próprio crivo de qualidade, como se, para a Literatura, esse crivo existisse.

Eu escrevo bem?Papeis

   Criei um parágrafo de última hora para dizer, nesta manhã de domingo, a você querido autor, querida autora, você que sempre se vê diante de reflexões existenciais sobre a sua literatura. você que não tem coragem de mostrá-la nem para a pessoa que mais confia no mundo. Saiba que essa pessoa que você mais confia no mundo tem todo o direito de dizer que não gosta do que você escreve e isso te detonar, mas com certeza absoluta alguém, em algum lugar vai ler sua literatura e gostar. Portanto, se você gosta, mostre-se! Você pode não ser um Machado de Assis, mas isso não é mal, afinal, nunca mais haverá um escritor como Machado de Assis, correto? Então escreva, vá à luta, tome coragem, esvazie as gavetas e mostre-se! Mas não esqueça, não seja um bobão que fala: Se fulaninho de tal, que nem estudou, pode escrever, eu que tenho pós doutorado em arrogância, também posso. Isso é tremendamente errado, joga o drops fora e tira a casaca da ABL desse pensamento. Sigamos!

O que é qualidade literária?

Pensador

   A qualidade baseia-se no parâmetro de alguma coisa que eu desrespeito muito: regras! Se a regra diz que a Literatura tem que ser escrita a partir da norma culta da Língua, desconsideremos tudo que não respeita a norma? Será que todos os autores que não se mostram, desejam vestir as casacas das Academias de Letras? Eu digo aqui que me interessa muito mais ler o que está nas gavetas do que a obra do imortal José Sarney. Entretanto, ainda não é este o cerne da questão que me trouxe a escrever esta coluna, pois ainda existe algo mais triste que papagaios de pirata futebolísticos e críticos na base do café e cigarro (somente): Autor não legitimado depreciando autor não legitimado! Essa modalidade de mesquinharia anda sendo praticada mais que o desnecessário, principalmente quando alguns se valem do argumento de que são melhores que os autores da sua geração, ou que não se aceitam como marginais, que esse é um rótulo que eles não vestem por produzirem uma literatura diferente, mais polida, numa linguagem mais cuidadosa, que tomam cuidado com o que o seu leitor vai ter em mãos e que têm poetas/escritores clássicos como referência e eu, ouvindo isso tudo, revejo meus conceitos quanto aos preconceitos que tinha em relação aos acadêmicos. Queridos poetas, escritores, autores, dramaturgos, uni-vos! Se vocês não concordam que são marginais, mesmo estando fora do grande mercado editorial, isso é um problema de vocês, mas o que é feio é um coleguinha detonando o outro, até porque não será dessa forma que as editoras grandes vão notá-los. O interesse delas está numa outra questão que abordaremos numa outra oportunidade: uma literatura pasteurizada! Estamos entendidos? voltando à questão anterior, é bom esclarecer que também já fui um acadêmico, portanto já usei o tal drops e joguei esse futebol e posso falar dele, em outras palavras, manjo dos paranauês e sei que para a academia a necessidade de se basear em conceitos é a mesma que pisar em solo firme, porém concordemos que não pode existir solo firme quando se trata de gosto e interpretação pessoal. Vamos dramatizar:
(Cena I: Guarnier e autor tomando um café e fumando um cigarro – o tal drops acadêmico – num boteco qualquer lendo um Zine, ou livro artesanal, ou de editora pequena e discutindo “qualidade Literária” a partir da origem humilde da  publicação.)

Autor – Mas, Guarnier, meu caro, o fulano de tal, que já escreveu dez livros sobre crítica literária e os cambaus, diz que existe qualidade litarária e eu não vou contradizê-lo!

Guarnier – O Autor dos dez livros sobre crítica literária não emitiu sua interpretação, ou baseou a mesma interpretação em outros autores que também emitiram suas interpretações? Grosseiramente falando, tudo não é o ponto de vista pessoal repassado para outros pontos de vistas, como os nossos, por exemplo?

Autor – Sim, Guarnier, mas se eu fizer isso levo pau nos meus trabalhos acadêmicos!

Guarnier – Claro que leva! Mas deixe os teóricos para seus trabalhos acadêmicos na academia e traga o “você” para a sua literatura e seu gosto a cerca dela.

(Black Out. Cena II blá blá blá…)

   Portanto digo a vocês, com absoluta certeza, que vamos ficar aqui patinando sobre o conceito do que é qualidade literária justamente porque ela só acontece no momento em que a fronteira que separa a não leitura da leitura é ultrapassada, ou seja, quando aquilo que ainda não foi lido passa a ser conhecido (isso seria um prenúncio de conceituação e eu estaria caindo na contradição de dizer que não, falando que sim? Espero estar errado!).
Já ouviram a expressão “não julgue o livro pela capa”? Ela não serve só para a capa, serve para o todo. Para o gosto – tanto no sentido de preferência, quando no sentido de sabor que a Literatura lhe trás.  A qualidade literária deixa de ser um conceito quando passa a ser parte de um sentimento, por isso, no momento da leitura, é importante se despir e deixar-se acariciar por outras mãos. Experimentar outros sabores. Descobrir outros prazeres. Pensar nas obras como se pensa em outros corpos ou outras comidas. Feito isso, aí sim se descobre a qualidade literária daquela obra para si, mas dar-se o direito de ler e falar com propriedade sobre o que se leu, a partir da ótica dos sentidos, é primordial. Leitura não é ato que envolva somente visão, você não é um scanner, é mais moderno que ele, que fique claro.
Ficamos hoje por aqui, sei que estou devendo a quarta Estação Marginal” que deveria sair esta semana, mas ainda não levantei material suficiente para escrevê-la e nem recebi o que pedi do responsável, é a correria, minha gente, mas antes de finalizar, vou confessar uma coisa: Não estou preparado para ler Kéfera! Beijos!

 

Guarnier