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Loucos por papelaria – pequenices da Poeme-se

Loucos por papelaria – pequenices da Poeme-se

Concurseiros, universitários, você que pensou que tinha se livrado da vida de estudante, mas voltou a esse campo cheio de paixão, blogueiros, mestres, escritores, profissionais do livro, amantes de papelaria… Você sabia que a Poeme-se tem as pequenices mais fofas que, além de úteis, te fazem cair de amores por todo esse universo que ama expandir eu líricos?

Caderno poético

Pra datas especiais. Pra momentos exclusivos. Matérias que você ama, pensamentos que você gostaria de jogar no mundo (mas que no momento prefere deixar só pra você mesmo), um diário poético, seu objeto sagrado cheio de potências. De certo pode ser um presente para você mesmo ou para quem se delicia com palavras. Afinal, aqui só o bem entra e só o bem fica.=)

Caderno Poético Frida Kahlo

Bloco de notas pautado

Quem nunca amou acordar com um recadinho? Sabia que a felicidade pode ser encontrada em pílulas poéticas feitas de cotidiano? Com folhas de papel pautadas e decoradas, esse bloco pode ser destacado quando precisar. Ideal para suas anotações, bilhetes, inspirações. <3

Bloco de notas sem pauta

Ótimos para ter sempre na bolsa (ou seja, em mãos), esses blocos sem pauta são perfeitos para aqueles que adoram rascunhar, desenhar, imprimir sentido às palavras que brotam em nossa mente em lugares inusitados. Também é um ótimo objeto com fim de colecionar pensamentos (seus e dos outros), fazer aquela listinha para ajudar no dia a dia, um presentinho mimo que todo mundo ama.

Caderneta

Clássica ou feita em cortiça natural. Essa caderneta é ideal para colocar poesia em movimento, organizar as pautas do trabalho, as listas de filmes/séries que a gente tem que assistir, os menus da vida, os rascunhos dos projetos. Pra não esquecer de nada. 😉

Kit de caderninhos

Fofurices para quem é a louca da papelaria. Esse kit é daqueles que você ama tanto que tem até pena de usar, né? Só que não. O mundo precisa de coisas que fazem o coração pular e de fato ter esse kit é sim acreditar que a vida pode ter mais poesia, todo dia. Depende de você apreciá-la desse jeito, viu?=D

kit de caderninho sinta a chuva

Que item de papelaria você acha que a Poeme-se deveria produzir mais? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Eles são fortes influências na literatura e suas obras vão além de suas sexualidades. Os autores que escolhemos para homenagear nesse dia 28 de junho são escritores que trouxeram à tona o tabu da sexualidade e afetaram o mundo com suas obras. Cada um rasgou o mundo com palavras revolucionárias e pioneiras e como resposta – de alguma forma – foram rasgados pelo mundo.

CAIO FERNANDO ABREU
“Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade – voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade.”

O “escritor da paixão”, como Lygia Fagundes Telles o define. Sua trajetória é marcada por temas transgressores e por experimentar várias linguagens é considerado um autor de apelo popular, sendo facilmente citado em redes sociais. Lutou contra a ditadura, viveu intensamente e morreu no dia em que nasceu, em consequência do vírus HIV.

Para ter afeto: Morangos mofados

OSCAR WILDE
“Se somos tão inclinados a julgar os outros é porque tememos por nós mesmos.”

O dramaturgo e poeta irlandês foi condenado a dois anos de prisão e trabalho forçado depois que o pai de um de seus amantes o denunciou por “cometer atos imorais com diversos rapazes”. Oscar Wilde é considerado o mais importante dramaturgo da era vitoriana e defendia o belo em contrapartida ao mecanismo da era industrial.

Para ter afeto: De profundis

FEDERICO GARCÍA LORCA
“É infinito o ar. A pedra inerte nada sabe da sombra e não a evita. Íntimo, o coração não necessita do congelado mel que a lua verte. Por ti rasguei as veias às dezenas, tigre e pomba, cobrindo-te a cintura com luta de mordiscos e açucenas.”

O autor espanhol foi preso por não esconder sua homossexualidade e sua crença no socialismo. Por ser considerado “mais violento com a caneta do que outros com revólver” foi morto sem julgamento, de costas, com um tiro na nuca.

Para ter afeto: Obra poética completa

ELIZABETH BISHOP
“Amor tem que ser posto em prática! Ao longe, um eco esboçou sua adesão, não muito enfática.”

Considerada uma das maiores poetisas do século XX de língua inglesa, morou no Brasil por duas décadas, vivendo uma paixão com a paisagista brasileira Lota de Oliveira. Foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional Neustadt de Literatura, além de ser premiada com o Pulitzer de Literatura em 1956. Sua cartografia poética passeia pela fragilidade, pela percepção, pela perda, pelo verso intimista e a ambiguidade.

Para ter afeto: Poemas escolhidos de Elizabeth Bishop

JEAN COCTEAU
“Não aceito, porém, que me tolerem. Isso fere o meu amor ao amor e à liberdade.”
O poeta, dramaturgo, cineasta foi muito importante para o movimento surrealista, apesar de ter sido rejeitado por membros do surrealismo, sendo alvo de vários episódios de homofobia. O artista publicou vários ensaios criticando essa homofobia e lutava de peito aberto contra convenções esmagadoras e cruéis.

Para ter afeto: A dificuldade de ser

Compartilhe se acredita que amor é amor.

Hanny Saraiva

9 coisas que só filho com uma mãe bookaholic entende

9 coisas que só filho com uma mãe bookaholic entende

Se sua mãe cheira livro novo como se fosse perfume Chanel nº 5, é rata de sebo e vive comprando aquele ebook baratinho da Amazon porque ainda não chegou a tradução no Brasil então você sabe o que é ter uma mãe viciada em livros. Não importa o formato, ela está sempre com uma história pendurada debaixo do braço e sempre tem uma citação literária na ponta da língua. Afinal, ela é peculiar? Separamos 9 coisas que só filho com mãe bookaholic entende.

1. Seu sonho é fugir com uma biblioteca móvel

E vive dizendo que a vida é muita curta para tanto livro.

2. Nos conquista desde pequenos com histórias imperdíveis

E até hoje você derrama uma lágrima quando lembra de seu livro preferido.

3. Fica furiosa quando a gente diz que o filme é bom

A máxima “O livro é melhor” é lei em seu reino.

4. Todos os seus amigos já ganharam um livro dela

E ela se orgulha disso.

5. Se irrita facilmente com aquele teu primo que vive com mão suja de salgadinho

Porque livro sagrado é livro limpo.

6. Te faz um viciado

Às vezes você tem certeza que essa compulsão é hereditária.

7. Adora compartilhar coisa de gato com livro

Por que 90% das mães que amam livros também amam gatos? 🤔

8. Faz tudo com um livro na mão

Desde caminhar lendo um livro até coisas mais inusitadas que você nunca ousou tentar.

9. Afinal, sempre estão certas!

E sempre tem um livro para provar isso.

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Você gostaria de vê-la sorrindo? Repete com a gente: “Você não pode comprar felicidade, mas pode comprar livros que é quase a mesma coisa.”


Hanny Saraiva

 

 

Ressaca literária – Seu livro preferido terminou?

O que fazer quando o seu livro preferido termina?

Ressaca Literária: “quando o leitor tem vontade de ler determinado livro, mas não consegue entrar na história. Ou seja, o leitor fica preso em uma cápsula invisível sendo impedido de ler o livro.” – definição do blog Desencaixados. Já passou por isso? Hoje vamos falar sobre um tipo de ressaca específica, aquela provocada pelo término de uma leitura sensacional, que mudou sua vida, que te fez colocar o título X na lista de livros preferidos. Estamos tocando no delicado assunto: “O que fazer quando o seu livro preferido termina?”
Primeiramente, você grita: Fora Temer e toma uma cerveja. Sabe aquele conselho que para curar uma ressaca você precisa tomar outra cerveja? Isso serve para os apreciadores de cevada, mas e para aqueles que estão com ressaca literária?
Você não vai conseguir mais ler, apesar de querer muito, muito. Por quê? Porque você está impregnado do mundo ficcional anterior. Como uma droga, uma paixão arrebatadora, um “ele podia voltar pra mim”.

Participar de competições

Aposte com seu amigo quem vai ler primeiro o livro tal (de preferência algum de seu outro autor preferido). Aposte dinheiro, sorvete, alguma coisa palpável. Neste momento de corte de elos, é necessário algo que vale a pena lutar.

Começar a frequentar um clube do livro

Virtual ou presencial. Se reunir para falar bem ou mal de um livro pode te ajudar a esquecer seu ex. Saia para beber uma taça de vinho ou suco com seus companheiros de leitura e faça perguntas sobre o futuro date, ops, livro.

Visitar uma livraria nova – ou uma que você não conheça

Explore a livraria, toque em títulos, leia a primeira página, mas não compre nada. Converse com livreiros, faça anotações, circule pelo ambiente. Assista uma palestra de algum escritor nessa livraria, participe de algum lançamento, mas não compre nada. Apenas saboreie o contato com os livros e as capas. Tenho certeza que ao fim de quinze dias você estará com muita vontade de ler.

Curtir sua bad literária

Quem disse que é regra geral fugir da bad de términos? Chore. Chore muito. Veja filmes inspirados no livro, crie playlists sobre o filme, ouça playlists, viva o luto. Sofra até sua dor ao máximo – não recomendo mais de uma semana porque aí pode gerar um sistema de tristeza profunda e afastamento de amigos. Vale até comprar produtos que te lembrem da narrativa, mas não se tatue. Calma, tatuagem é uma parada séria, tipo amor eterno. Espere seis meses para ter certeza se era paixão ou amor mesmo. Tatue só por amor.

Escutar um audiobook

Quem disse que livro é só papel está com a cabeça fechada demais para esse século que estamos vivenciando facilidades tecnológicas e interessantes formas de captar e experimentar narrativas ficcionais. Ouvir uma história pode sim curar sua ressaca porque te transporta para um novo ambiente, te fazendo se distanciar de sua antiga paixão, aka, ressaca. Uma outra opção é explorar o mundo de podcasts literários.

Dica: dá uma espiada na Ubook.

Ler o livro novamente

Que mal tem saber de cor algumas frases e prestar atenção a outros detalhes e começar um novo clube de fãs aficionados pelo título? Das duas uma: ou você realmente vai amar ou vai conseguir começar a ver alguns defeitinhos que fará com que seu coração se acalme e dê espaço para um novo amor.

Escrever

Talvez você necessite colocar para fora toda sua necessidade de estar conectado ao mundo que te apaixonou. Escreva uma fanfic. Escreva uma resenha. Escreva duas resenhas. Escreva um conto baseado em um dos personagens. Escreva para o autor. Crie hashtags para o livro. Escreva uma carta para um amigo falando sobre o livro.


Como você se sentiu quando terminou de ler aquele último livro maravilhoso que você não queria que terminasse? Conta para gente nos comentários.


Hanny Saraiva

Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Entrevista #2: Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Uma época de cadernos de anotações e poesias. O gosto pela escrita surgiu dessa época, mas foi só com os blogs que Rebeca Cavalcanti começou a considerar a escrita sobre literatura uma interface para compartilhar opiniões, criar debates e estabelecer uma rede de contatos entre autores, leitores e blogueiros com motivações literárias afins.
A diagramadora, designer e fundadora do blog Papel Papel nos mostrou como a literatura está presente além dos livros e como a voz subjetiva das redes sociais literárias se espalha e se consolida.

– Qual o segredo para o Papel Papel ter tantos seguidores?

Em 2018, o Blog Papel Papel comemora três anos e acredito que nosso crescimento tenha se dado principalmente por conta das relações de amizade construídas através da página. Afinal, se não fosse o apoio e parceria de inúmeros autores e blogueiros, dificilmente conseguiríamos resistir a esse período inicial onde tateávamos formatos de postagem, conteúdo e demais estratégias de participação nas redes.
Hoje, o Papel Papel é formado por cinco colunistas (Regiane Medeiros, Mich Fraga, Jonatas Tosta, Bruno Fraga e eu) e conta com a publicação de resenhas de diversos parceiros literários. Nossa maior atuação hoje tem sido no Instagram, por ser uma plataforma ágil e que atende nossa dinâmica de postagens. O formato Blog permanece e temos sim interesse em realizar um calendário ainda maior de posts. No entanto, como esta atividade literária permanece paralela à rotina diária de trabalho e estudo de nossos integrantes, ainda não dispomos de tempo nem parcerias remuneradas para uma dedicação total ao projeto Papel Papel. Mas temos a esperança de que com o tempo esta vontade se concretize.

– Qual blog literário você indicaria para os leitores da Poeme-se?

Gosto muito do trabalho da Rafaela, do Undone Thoughts, pelo diferencial de compartilhar indicações de livros ainda não traduzidos no Brasil. A Maria, do Impressões de Maria também é uma das blogueiras que admiro, e o diferencial de seu trabalho é o foco na divulgação de autores nacionais e, principalmente, Literatura Negra. Para leitores mais jovens, ou jovens de todas as idades que tenham interesse por uma escrita mais intimista, em tom de diário, recomendo o trabalho da Luana, do Memorialices. Além de reflexões cotidianas, a Lu também compartilha resenhas, especialmente de títulos de Literatura Fantástica. Aos leitores mais acadêmicos, recomendo a Revista 7faces, editada pelos críticos Cesar Kiraly e Pedro Fernandes.

– Qual foi a mensagem mais inusitada que o Papel Papel já recebeu?

No inbox do Instagram acontece bastante, principalmente em caps lock, zero pontuação e direto ao ponto: “OI SOU AUTOR FAZ RESENHA TE DIVULGO NO FACE ABÇ”. Não sei nem o que comentar…

– Por que blogs podem fazer a diferença no mundo literário?  

Costumo dizer que o papel de um blog (bom, pelo menos o nosso papel, em nossa concepção de blog) é o de se apresentar como uma conversa entre amigos. Daí nossa decisão por uma escrita mais informal (e que nos difere de inúmeras páginas “especializadas”, acadêmicas) e que possibilite uma maior proximidade entre o leitor e o articulista. Afinal, acreditamos que a experiência da leitura e o incentivo à interpretação e à escrita devam ser os principais objetivos de plataformas como a nossa, e é por este caminho que pretendemos seguir no Papel Papel.

– Como foi a experiência do Papel Papel em participar do clube do livro Da Vinci? Vocês pensam em montar algum outro clube do livro?

O Clube do Livro em parceria com a Da Vinci surgiu de forma experimental e independente, sem vínculos específicos com editoras e demais apoiadores. Por ter sido uma primeira iniciativa (tanto por parte da Livraria como nossa, enquanto mediadores de eventos literários), os encontros foram uma espécie de laboratório para novos projetos. No caso, este formato Clube do Livro teve a duração de um semestre, em 2017, mas a Livraria mantém até hoje um calendário bem diversificado de atividades (palestras, lançamentos, cursos) que vale a pena conhecer. Em relação ao nosso grupo de mediadores, estamos todos em um período de trabalho e estudos um tanto intenso, daí ser preciso essa pausa. Mas, havendo novas propostas de parceria (seja com editoras, autores, livrarias…) que se alinhem com nosso projeto e perfil literário, podemos considerar um retorno sim!

– Em relação ao seu trabalho como diagramadora: como costuma ser um dia típico de trabalho para você? 

O trabalho com diagramação é ainda muito recente, embora eu atue há alguns bons anos com design gráfico em uma empresa privada do setor da educação e da cultural. Neste ambiente, tenho sim uma rotina semanal de criação de peças gráficas, inclusive pequenas publicações; em paralelo, realizo a manutenção do Blog Papel Papel (tanto seu template como demais artes para redes sociais) e participo da criação de projetos literários (ebooks) com minhas amigas autoras e blogueiras. Gosto muito de atuar neste segmento da criação gráfica e espero cada vez mais estar envolvida com o mercado e o mundo editorial.

– Qual foi o trabalho mais peculiar que você pegou?

Ainda não passei por situações assim “peculiares”, mas creio que para o designer e o diagramador o desafio surja quando o contratante tem no orçamento um valor sujeito a cortes e, em sua mente, um projeto de publicação que demandará um fornecedor gráfico especializado – e, consequentemente, um custo imprevisto. É difícil não desapontar o cliente quando precisamos dizer que dobras, vernizes, todas-as-páginas-com-ilustrações-em-cores e demais acabamentos não saem “baratinho”, risos. No mais, minha experiência no campo do design tem sido bem proveitosa. E que continue assim, por muito tempo!

– Como podemos conhecer mais seu trabalho como diagramadora?

Relacionados ao Blog Papel Papel estão a publicação independente e de distribuição gratuita de dois ebooks contendo crônicas de jovens autoras e blogueiras de nosso convívio. O primeiro trabalho chama-se Amor em Cartas e foi lançado no dia dos namorados de 2017; o segundo, Crônicas de um Recomeço, foi ao ar nesta virada de 2018. Ambos os livros podem ser baixados gratuitamente em nosso blog.

– Você já passou por alguma situação pontual por ser mulher e trabalhar como diagramadora?

Não, nunca passei por situações constrangedoras em meu ambiente de trabalho, tanto o formal como o freelancer. Aliás, a atuação como microempreendedora individual, em minha opinião, é a que ocasionalmente me expõe a situações de embaraço, especialmente no que diz respeito a negociação de prazos e valores de serviços. No caso, por atuar no segmento da cultura (falo de minha experiência, não desejo generalizar), o trabalho de designer é ainda visto como algo “de menor valor”, especialmente se o contratante é um produtor criativo. É claro que os custos de se produzir um objeto artístico ou uma obra literária podem chegar a faturas astronômicas; ainda assim, há que se valorizar o trabalho de todos os agentes desta cadeia de serviços, e entender que uma relação que se baseia no “ah, faz meu livro que eu divulgo seu trabalho no Instagram” é nada ética, e dificilmente trará boa fama e resultados.

 

“Elas inauguram linhagens, fundam reinos e são fantásticas com a caneta na mão.” Só viemos relembrar que representatividade importa, viu? =D

 


Conhece alguma mana que está abrindo caminhos por aí? Conta pra gente nos comentários, adoraríamos conhecê-la.


 Hanny Saraiva

 

 

 

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Encantando os pequenos: 6 livros para ler juntinho

Acalentar. Abraçar. Abrir livros e mergulhar em encantamentos. Como transformar através da leitura? Lendo histórias juntinho. Pensando em como esse ato estreita laços, aumenta a confiança e diverte, separamos 6 livros para você ler bem pertinho de seu pequeno preferido.

 1. A gueixa e o panda-vermelho – Fernanda Takai

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Sinopse: A gueixa e o panda-vermelho conta a bela história de uma amizade improvável e mágica entre uma jovem japonesa e o raro panda-vermelho. Esse é primeiro livro infantil escrito pela cantora e compositora Fernanda Takai e ilustrado por Thereza Rowe, da editora Cobogó.
Delicado, curioso, poético. A cultura oriental, em especial a das gueixas e dos pandas, repleta de gotas de felicidade, ou melhor, às vezes percebida em forma de chuva ou vento. Para ler buscando momentos de leveza.

 

 2. O astronauta de pijama – Samanta Flôor

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Sinopse: Um menino de pijama, um monstro faminto, um gato com cara de lanche e um capacete de astronauta: esses são os ingredientes para uma grande aventura!
A Jupati Books, um selo da editora Marsupial, é expert naquele tipo de história que dá vontade de ler e reler. Com um traço simples, mas muito divertido, O astronauta de pijama é perfeito para incentivar seu pequeno a criar diálogos para a história. De minhocas com óculos e pés-gigantes, é o tipo de leitura para aqueles dias de tédio que necessitam de tempo para explorar as possibilidades de criação.

 

3. Alho por alho, dente por dente – André Moura e Henrique Rodrigues

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Sinopse: Todas as pessoas já ouviram algum ditado popular ao longo da vida. A sabedoria do povo é mesmo certeira, construída com humor e poesia. A partir dessa ideia, André Moura e Henrique Rodrigues escreveram Alho por alho, dente por dente. Editado pela Memória Visual, o livro nasceu numa troca de emails em que os escritores se propuseram a reescrever, em versos lúdicos, diversos provérbios sobre os mais vários assuntos.
Sabe aquele dia que você acorda meio poético com provérbios debaixo da manga e seu pequeno não entende muito bem? Leitura essencial para fazê-lo compreender esses usos. Por exemplo, qual o melhor jeito de afastar um vampiro? Usando “alho por alho, dente por dente”. O livro, recheado de exemplos engraçados, também é ótimo para projetos educativos.

 

4. Hilda e o troll – Luke Pearson

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Sinopse: Hilda adora aventuras, seja acampar numa noite chuvosa ou explorar a paisagem montanhosa nos arredores de casa. Durante uma expedição pelas colinas, ela encontra uma pedra muito suspeita: de dia, é apenas uma rocha engraçada, mas à noite se transforma num troll! Enquanto faz um desenho no caderno para registrar sua mais nova descoberta, Hilda acaba pegando no sono, e, ao acordar, o troll desapareceu. Agora, no caminho de volta para casa, Hilda terá de lidar com uma floresta assustadora, um gigante perdido, um homem de madeira misterioso e um sino tilintante. Inspirado no folclore nórdico, este quadrinho de cores vivas mistura realidade e fantasia para criar um universo deslumbrante, de onde crianças e adultos não vão querer sair.
Montanhas, trolls, homens de madeira, imaginação. Editado pela Quadrinhos na Cia, esse é meu xodó. É tão legal que até vai virar série na Netflix. 😉 Seu autor, Luke Pearson, “fez storyboards de alguns episódios do desenho animado Hora de Aventura e é autor da graphic novel Everything we miss.” O traçado de Hilda é delicado, dócil e criativo e sua personagem principal é uma heroína encantadora. Cheio de elementos incas e célticos, Hilda e o troll é o primeiro volume da uma série.

 

5. Coraline – Neil Gaiman

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Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus ‘outros’ pais. Na verdade, aquele parece ser um ‘outro’ completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Primeiro livro do mestre Neil Gaiman para o público infantil (Rocco Jovens Leitores), ele escreveu essa história tendo em mente sua filha de cinco anos. A história ganhou uma proporção tão gigante, que muitas adultos acham Coraline um livro perturbador. Ele é perfeito para aquelas crianças que adoram histórias de mistério e recomendo sua leitura de dia para não dar pesadelo em ninguém. Mas acima de tudo, Coraline é um livro sobre ser uma menina forte, apesar de qualquer medo. Por que todo mundo tem medo, né?

 

6. Haicobra – Fábio Maciel e Márcio Sno

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Sinopse: Cobra é um bicho que dá medo. Mas a palavra também pode assumir outros sentidos. Nestes bem-humorados haicais, o tradicional poema japonês de três versos, a criança se surpreenderá durante e após a leitura, porque o livro é, literalmente, uma grande brincadeira.
Selecionado para participar do Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha 2018 e produzido pela editora Bambolê, Haicobra é repleto de poemas bem humorados que encantam aqueles pequenos que precisam tocar nas coisas. Esse é um livro para abrir e brincar na sala e já vi muito pequeno dormindo agarradinho à sua haicobra.

 

 


Cada título foi especialmente escolhido por uma criança que ama livros, mas ficamos aqui curiosos para saber qual seu livro infantil preferido. Conta pra gente nos comentários! =)


Ah, já deu uma espiada em nossos camisetas feitas para os pimpolhos?

Hanny Saraiva

 

 

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Eu leio diversidade: 5 livros para além de uma temática LGBT

Ser consumidor é também ser um agente de transformação e fazer com que a representatividade ganhe força e vez é sim papel de quem consome. É necessário disseminar, espalhar, conscientizar. Pensando em como representantes de minorias são calados por serem o que são, selecionamos 5 livros que vão muito além da temática LGBT e que vai te ajudar a refletir e te dar força para acreditar que sim, você pode ajudar a construir um mundo mais legal e mais tolerante. Dia 25 de março é dia de relembrar que todas as formas de amor importam, dia de relembrar que causas existem para que você também seja livre e possa falar o que pensa e que acima de tudo, é necessário resistir. Em tempos sombrios é fundamental não desistir e resistir. Sempre. #mariellepresente

1. A história de Júlia e sua sombra de menino – Christian Bruel

Questões sobre produção de gênero, identidade e o “ser diferente” tratado de forma sensível e divertida é o trunfo dessa obra. Refletir sobre imposições feitas pela sociedade e abrir espaço para que as pessoas sejam o que são é uma prática de cidadania que deve ser ensinada e discutida entre o cidadão em formação. Clássico de 1973, o livro traz um texto poético e considerações sobre o crescer, preconceitos e respeito entre pessoas.
Sinopse: Os pais de Júlia a criticam muito, sempre dizendo que ela se parece com um menino, no jeito, nas roupas etc. Numa manhã, a garota percebe que sua sombra adquire o formato de um garoto, repetindo todos os seus gestos. Júlia se sente triste e acaba questionando sua própria identidade.

2. Olívia tem dois papais – Marcia Leite

Como não falar de diversidade sexual entre crianças? Que tabu é esse em pleno século XXI? Sim, devemos responder perguntas sobre sexualidade, trazer para pauta famílias homoafetivas, produzir livros onde não essas famílias não seja vistas apenas como “diferentes” e sim como mais uma possibilidade de construção familiar. Crianças não viram adultos intolerantes do nada, elas repetem comportamentos e pensamentos. Responder uma pergunta direta é matar o dragão direto no coração, é acabar com monstros debaixo da cama e dormir em tranquilidade. Acredite, criança não precisa de teorias mirabolantes para entender coisas simples. Esse livro é também uma possibilidade de se discutir gênero dentro de nossa sociedade.
Sinopse: Olívia é uma menina esperta, que sabe bem o que quer e tem plena noção de como usar algumas palavras para conseguir o que deseja. Quando tem de ficar sozinha enquanto os pais trabalham, ela diz que está muito “entediada”. Como não gosta de ver a filha “entediada”, papai Raul para imediatamente de trabalhar e, quando percebe, já está deitado no chão ao lado dela, brincando de filhinho e mamãe, ou cercado por um monte de bonecas.

3. Viagem solitária – João W. Nery

É necessário desmistificar o universo trans. João W. Nery, o primeiro homem transexual que realizou a cirurgia de redesignação sexual no Brasil em plena ditadura militar (1977) é um relato sobre a luta de viver 30 anos sem expor sua identidade trans. A obra narra as dores e coragem de uma pessoa que precisa se reinventar para encontrar seu lugar no mundo, uma ressignificação em busca de uma vida menos solitária. Leitura obrigatória.
Sinopse: ‘Viagem solitária’ conta a história de João W. Nery, transexual masculino. Na obra, ele narra a infância triste e confusa do menino tratado como menina, a adolescência transtornada, iniciada com a ‘monstruação’ e o crescimento dos seios, o processo de autoafirmação e a paternidade.

4. Azul é a cor mais quente – Julie Maroh

Uma história de amor e descoberta. A simples linguagem universal do amor. Apenas o desabrochar e toda poesia envolvida nisso.
Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

5. Onde andará Dulce Veiga? – Caio Fernando Abreu

Intimista, o texto desse livro passa por várias ambiguidades sexuais e revoluções comportamentais, uma busca por si. Poético e intenso, Caio Fernando Abreu é uma voz que se debate sobre a efemeridade da vida e este livro é um clássico para se entender como a homossexualidade/bissexualidade era vista e sentida em período de ditadura no Brasil.
Sinopse: Essa obra é a segunda incursão do autor pelo gênero romance. Tendo como coadjuvantes os universos da redação jornalística e da música popular dos anos 1980, esta ficção-verdade desvenda o desejo reprimido e o tesão liberado, a convivência com um mundo opressivo e a maneira de fugir dele.

 

Livros podem sim ser sua  melhor defesa para conversas não desejadas. Toda vez que você cruzar com alguém cheio de ódio contra minorias, com ranço para os pequenos holofotes que estamos conseguindo sobre a diversidade sexual ou com frases prontas e cheias de clichês/desconhecimento sobre o assunto você pode:
  1. citar uma frase de algum livro de nosso top 5;
  2. virar para o lado e colocar um desses livros sobre o rosto;
  3. dar um golpe ninja na cara dessa pessoa com o livro (brincadeira, somos contra violência);
  4. levantar e ir embora porque perder tempo com haters não leva a lugar algum;
  5. com paciência, debater abertamente sobre o assunto, tentando trazer à tona reflexões e consciência sobre tolerância, amor e cidadania.

Qual estratégia você mais usa? Tem alguma outra dica? Conta pra gente nos comentários! =)


Hanny Saraiva

7 coisas que você não deveria fazer como escritor

7 coisas que você não deveria fazer como escritor

 

1. Parar de observar

Já dizia Ernest Hemingway: “Observe o que acontece hoje.” Um escritor deve ser um observador atento a tudo que o rodeia, a observação deve ser sua aliada. Ao observar uma cena, tente recriá-la não só de forma descritiva, mas recriar a sensação que obteve ao lembrar da cena. Um bom escritor é um caçador de emoções, um ser que reconstrói sensações e que tenta entender porque determinadas ações nos levam a determinadas emoções. Nunca perca seu senso de curiosidade e perplexidade. Requer treino e paciência. Sem isso só teremos narrativas rasas e sem conexões.

2. Usar muitos adjetivos

Sabe aquela máxima “menos é mais”? Elimine palavras supérfluas, isso inclui aqueles adjetivos extravagantes como “maravilhoso, esplêndido, belo, magnífico, sensacional”. Ao invés de adjetivar, tente recriar o que te levou ao “maravilhoso, belo, sensacional”. A narrativa ganhará corpo e densidade e com certeza você ganhará leitores mais felizes.

3. Parar de ler

Sabe aquele seu escritor preferido que cria mundos incríveis e que você inveja por ter inventado aquela frase perfeita? Ele lia. Lia muito. Quando não havia cursos de escrita criativa, sabe o que os autores clássicos faziam? Eles liam. Muitos podem ensinar o domínio técnico, mas é só através da leitura que se entende o mecanismo literário. Só “lendo” personagens que conseguimos criar os nossos. Não acredite em escritores que não leiam, eles provavelmente não dominam técnica alguma e só cospem palavras ao vento. Para se tornar um escritor profissional é necessário pesquisar e observar a profissão e o meio literário. Como você quer que as pessoas te leiam se você mesmo não lê nada? Na escrita há o talento sim, mas acima de tudo há a persistência e o aprimoramento e isso vem através da leitura. Acredite, quem lê não apenas viaja, ele se conecta a quem veio antes e isso só acontece se houver essa abertura a outros livros, ou seja, só é possível lendo.

4. Criar títulos nada atrativos

Sabe o que aumenta suas vendas? Um encontro entre o leitor e seu livro. Isso se dá através de palavras chaves. Não adianta um título bonito para capa, ele precisa comunicar o que é o seu livro. Caso contrário ninguém se interessará por ele porque não informa nada. Muitos escritores não vendem seus livros porque seu público-alvo não reconhece o título como objeto de desejo, ou seja, simplesmente não entendem o assunto do livro. Atrair é cruzar curiosidade com objetividade. Conheça seu público e escreva um título que fará com que alguém o encontre. Não esqueça, em tempos de conteúdo, entender de metadados é fundamental para ter sucesso nos sistemas de busca.

5. Reclamar

Um dos pontos negativos encontrados em escritores – principalmente os iniciantes – é a capacidade que têm de reclamar, de exigir que seu livro seja lido e compartilhado e divulgado. A verdade é que ninguém liga para sua obra até que ela se torne um best seller. Não sei porque escritores guardam tanto rancor em ver o amigo ter mais sucesso do que eles mesmos. Deixa o amiguinho ser feliz, não vale a pena falar mal do outro e muito menos passar seu tempo livre reclamando que as pessoas não leem e compram tênis caros, mas não compram livros. Talvez as pessoas não compram seu livro porque você não tem técnica/não lê e vive reclamando do mercado editorial. Já pensou nisso? Lembra que eu disse que escritores são pesquisadores e devem observar? Observar com a cabeça aberta, sem ranço, sem recalque. Através do outro podemos ser felizes sim. Sabe como? Liga o botão do “não me importo” e vá atrás do seu público. Se você mostrar sua obra de forma feliz e confiante, você encontrará sim seu leitor. Agora velhos ranzinzas nunca movimentaram multidões. Não reclame, converse com seus leitores.

6. Achar que não precisa estudar

Conheço pessoas que se dizem escritores e que pararam de estudar. Eles vendem livros? Não. Eles são escritores reconhecidos? Também não. A profissão de escritor requer uma busca incessante por informação. Não só informação em relação ao ofício da escrita, mas também em relação ao mercado. Por ser uma área concorrida, com pouco espaço, se você não ficar informado seu barco afundará e não é nada agradável nadar contra uma correnteza grande sem barco, né? Se recicle, pesquise. Não nascemos sabendo tudo e um bom escritor é sempre um pesquisador em eterna progressão.

7. Exigir o que não pode oferecer

Quantas vezes vemos escritores demandando uma divulgação da editora e eles mesmos não divulgam suas obras? Quantas vezes o autor deseja ser lido, mas escreve de forma errada, sempre usando a máxima de que “ele pensa na história e o revisor que se atente para a ortografia e gramática”? Quantos trabalhos de outros escritores você curte e compartilha? Vivemos em uma rede de conhecimento e pessoas e não é através de atitudes imaturas que seu livro será reconhecido. Esteja aberto a conversar sobre seu conteúdo, mas também a ouvir sobre o conteúdo do outro. Em uma era de informação democrática, a troca é a palavra-mestra. Nunca exija o que não pode oferecer.

Antes de ser escritor, você é leitor – alguém que possui empatia, curiosidade e troca, certo? Vamos compartilhar essas informações com aquele amigo que usa as palavras como fonte de vida? Adoraríamos conhecê-lo.


 

Hanny Saraiva