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5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

Augusto dos Anjos é considerado um poeta maldito brasileiro e até hoje ainda se ouve por aí “Escarra nessa boca que te beija” como uma forma de chocar em verso. Encontramos em sua poesia o gosto pelo bizarro e pelo inusitado e é essa atmosfera grotesca que inspira vários artistas ainda hoje. Separamos 5 imagens para entender a potência de Augusto e como seu pequeno legado ainda continua influenciando gerações.

1. Em tirinhas

Augusto & eu são tirinhas de Val Fonseca, inspiradas na vida e nos personagens de Augusto, tendo a Morte como companheira, explorando as leituras do EU. Curiosidade: você sabia que o único livro do poeta “Eu” (1912) foi patrocinado por seu irmão? Uma autopublicação no começo do século passado. Avant-garde, não?

2. Em ilustração

Sua vida também inspira artistas como no traçado de Izaac Brito para o livro “Eu, Augusto dos Anjos – reedição 2014. A atmosfera de seus versos sombrios e agressivos, com um vocabulário pouco comum, é considerada inovadora e até hoje assusta leitores. Como dizia Silveira Bueno (1898-1989) “trata-se, sem dúvida, de uma poesia de monstros, mas também de uma poesia monstruosa.”

3. Em artes plásticas

Os poemas de Augusto dos Anjos também inspiram obras, como essa feita em nanquim sobre papel, de Flávio Tavares para o poema “Versos a um Coveiro I”.

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco… Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais:

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!

 

4. Em centro cultural

O Memorial Augusto dos Anjos é um espaço cultural inspirado na arte e vida do poeta. A casa que abriga o centro cultural fez parte de sua infância e é um patrimônio histórico do município de Sapé (Paraíba) que apresenta diversas atividades com intuito de preservar a memória do poeta.

5. Em camiseta poética

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Poeme-se não poderia deixar de fora o encantamento nuvioso de Augusto e já dedicou três artes à obra inspiradora do poeta. Qual sua preferida? Possui alguma sugestão de frase do autor que gostaria de vestir? Conta pra gente nos comentários.


Hanny Saraiva

 

 

 

 

 

 

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Um homem que morreu supostamente louco e perdido nunca poderia imaginar que suas obras ganhariam uma imensidão de influências na contemporaneidade. Se Poe vivesse na atualidade, ele sobreviveria à cultura pop? Não sabemos, mas a cultura pop e Edgar Allan Poe andam de mãos dadas. Livros, séries, adaptações, ano após ano suas histórias são desmembradas e compartilhadas ao redor do mundo. Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

O medo e a ambiguidade de seus personagens

Ele está presente em nossas estantes, pois nunca parou de ser vendido. Sua narrativa não envelheceu, as histórias possuem a capacidade de se transmutarem para outras mídias, abrindo o leque de possibilidades e adaptações. Poe dominava a arte do mistério, pioneiro em usar medo, loucura, culpa e histeria como forma de identificação. Quem nunca sentiu o que o personagem sente em “O gato preto” ou o medo atravessar a espinha em “A máscara da morte escarlate”? Sua construção cuidadosa é como um espelho para nossos próprios medos e somos atraídos por essa atmosfera lúgubre, principalmente porque o autor lida com a morte o tempo todo e nos mexe e remexe com as probabilidades de não haver nada além do fim ou de haver muito mais do que conseguimos suportar. Ele nos brinda com o medo da perda, de não conseguirmos suportar ver quem amamos ir antes de nós, mas acima de tudo, ele nos faz testemunhas de crimes que poderíamos ter cometido. Seus personagens se deparam com  aquele momento onde a linha tênue entre sanidade e loucura se rompe, onde o elo entre ódio e reprimenda se finda, ele brinca com nossa racionalidade e nossos próprios demônios, tão inatos dentro de nós. Suas histórias são uma tentativa de fuga, de catarse. Seus personagens são ambíguos, não são bons ou maus, mas humanos. Poe levou o gênero de horror a um nível de aprimoramento, focando no terror psicológico ao invés de apenas descrever um cenário de assombração. Não só a ambiguidade e o medo são representantes presentes em suas narrativas, mas também há humor e esperança em suas histórias, uma forma de empatia para com aqueles que estão perdidos e que lutam para que seus sentimentos se acalmem e tudo passe. Nesse mundo violento, mas que tenta a todo custo mascarar nossos medos em busca de felicidades constantes, nada mais atual, hein?

O mestre das técnicas

Poe pode ser considerado o pai do conto, foi com ele que aprendemos que narrativas precisam ser lidas de uma sentada só, ou seja, precisam ser curtas e envolventes para que as histórias possam fluir e ser degustadas. A contemporaneidade vive um momento onde há necessidade de se chegar ao fim da notícia, de passar os olhos pelos títulos, de ser captado pelo momento. Poe é o mestre do momento. Ele não apenas escrevia, mas como analisava a arte literária. Foi o primeiro a criar a teoria do conto, dissecando sua poética e seus procedimentos de construção. Poe acreditava que a narrativa curta era a forma mais apropriada para expressar o talento de um artista e a brevidade um fator essencial para essa boa narrativa, indo contra a teoria tradicional da época que prezava o romance, virando hoje em dia ídolo de escritores que escrevem para a cultura pop. Avant-garde, certo? Sua teoria da unidade de efeito – onde o leitor deve ler a história de uma única vez, assim não se desconcentrando com as interferências externas durante a leitura – ainda é muito discutida e aplicada no meio acadêmico literário e por escritores. A beleza, para o autor, deveria ser peça fundamental do poema enquanto que a verdade a do conto. Seus poemas, por exemplo, são imagéticos, com muita aliteração e comparação, criando uma atmosfera sufocante, onde as palavras parecem nos engolir. Dentro de uma sociedade DIY, procuramos referências para que possamos construir nossa própria arca e nada mais atual do que procurar por aqueles que construíram os primeiros baús, né? Além disso, sua literatura está disponível para adaptação sem necessidade de pagamento de direitos autorais. 😉

Vida trágica

Em uma sociedade onde ainda temos Big Brothers e teorias mirabolantes, Edgar Allan Poe parece ter virado personagem de sua própria construção literária. Sua trágica vida atrai muitos curiosos e especular sobre o que teria acontecido no seu dia a dia é pano certo para construir uma colcha de possibilidades. Quem não curte saber o que o artista poderia ter feito se tivesse mais tempo? O ser humano é atraído por tragédias e pagar para resolver mistérios nunca saiu de moda. O que ele fazia, como vivia, o que será que sentia? – questionamentos que continuam a passar pelas cabeças daqueles que começam a conhecer o autor ou que já destrincharam suas teorias antigas, em busca de novas. Perspectivas sobre uma vida de tragédia rende muitas adaptações e inspira artistas em todo o mundo. Mais atual, impossível.

Qual a melhor adaptação de Poe que a cultura pop produziu? Conta para gente nos comentários. =D


Camiseta literária Os Mistérios de Allan Poe

 

 

As 5 mortes mais doidas da literatura

As 5 mortes mais doidas da literatura

A morte é sempre um fator que faz com que nós, leitores, fiquemos com o coração doído, mas alguns autores têm o poder de ir além de nos esmigalhar. Eles nos chocam, nos deixam com aquele sentimento de “preciso virar a página, mas não quero”. Stephen King já dizia “o que eu faço é rachar o espelho”. Para você, que gosta de janelas quebradas, caos, invasão do extraordinário e como lidar com isso, separamos as 5 mortes mais doidas da ficção. Cuidado, tem spoiler!

1. Vestuário mortal

Em “Grandes esperanças”, de Charles Dickens, temos a sra. Havisham com seu vestido puído de noiva, mancando com apenas um pé de sapato e guardando tudo relacionado ao dia em que foi deixada no altar, até mesmo seu intocável e podre bolo de casamento. Desiludida, ela cria sua filha adotiva Estella para também não se importar com homens e ser fria. Entra na história o pobre Pip, que acaba sendo vítima e se apaixonando por Estella. No fim do livro, Miss Havisham se arrepende e perde perdão a Pip. Quando ele sai do recinto, ela fica parada perto da lareira e seu vestido pega fogo. Apenas uma má posição e parece que o jogo virou, não é mesmo? Pode parecer simples, mas a situação dentro do livro é chocante.

2.  Sorvete envenenado

Em “Como me tornei freira”, de Cesar Aira, uma história simples: uma família se muda para uma cidade maior e o pai promete ao filho sair para tomar um sorvete. O filho escolhe o sorvete de morango e não gosta do sabor. O pai briga com ele e insiste para que lamba tudo. O gosto era estranho por uma única razão: estava envenenado. O pai então mata o vendedor de sorvete enquanto o filho se recupera do envenenamento por cianeto no hospital. A máxima “Nunca confie em estranhos” é válida aqui. Nunca sirva sorvete envenenado, você pode ser espancado até a morte.

3. Para o infinito e além

Encontramos muitas mortes bizarras em “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Marquez, mas a mais especial é a de Remedios, a bela que literalmente levava os homens à loucura. Um dia, a personagem simplesmente flutua de sua cama, dá adeus à sua família e vai em direção a uma luz, se perdendo para sempre na atmosfera. Você pode achar que é um episódio de Arquivo X, mas não. A narrativa de Gabriel é cheia de bagulhos sinistros.

4. Lei do retorno

Em “Deuses americanos”, de Neil Gaiman, temos em destaque a morte de uma deusa, que é perseguida e atropelada pela limusine de outro personagem conhecido como “garoto gordo” (na série é chamado de Technical Boy) até ela se tornar pequena e líquida e ser lavada e levada pela chuva. Todos os deuses que morreram nesse livro mataram alguém anteriormente na trama. Seria karma?

5. Tédio infantil x inferno da babá

“Quando os Adams saíram de férias”, de Mendal W. Johnson conta a história de Barbara, uma babá de 19 anos que foi contratada para tomar conta de duas de cinco crianças/adolescentes de uma família. Até aí super tranquilo, né? Mas os irmãos são a encarnação do mal, psicopatas em potencial que criam um jogo para maltratar e torturar a babá. É uma leitura para chocar e precisa de um pouco de estômago forte porque o processo todo até à morte é agonizante.


Qual a morte mais doida que você já leu na literatura? Alguma te trouxe terror? Conta para gente nos comentários!


Hanny Saraiva