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Negros imortais – quem deveria ocupar uma cadeira na casa de Machado de Assis?

Negros imortais – quem deveria ocupar uma cadeira na casa de Machado de Assis?

A gente não deveria falar sobre Consciência Negra apenas no mês de novembro, mas todo dia, em todos os lugares, em todas as literaturas. De fato somos feitos de um Brasil lotado de negros imortais. Mas por que não temos mais representatividade preta na casa de Machado de Assis? Por isso, separamos então 8 escritores e escritoras (vivos) que dariam um orgulho danado ao bruxo do Cosme Velho.

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1. Nei Lopes

Compositor, escritor, cantor e estudioso das culturas africanas. O carioca é conhecido como sambista, principalmente pela parceria com Wilson Moreira, mas é escritor desde 1981, tendo produzidos contos, romances, poesia e uma ampla obra de estudos africanos. Destaque para seus livros Incursões sobre a pele – poemas, O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical e Mandingas da mulata velha na cidade nova.

foto de Nei Lopes

2. Paulo Lins

Autor do livro Cidade de Deus, já foi morador de favela carioca e professor em uma escola pública de Ilha Grande. Começou a carreira como poeta no grupo Cooperativa de Poetas e hoje atua também como roteirista. Seu último livro “Era Uma Vez… Eu!” (2014), a saber, foi feito em colaboração com o ilustrador Maurício Carneiro, a atriz circense e cantora Beo da Silva e o designer gráfico Eduardo Lima, reunindo poesia e ilustração. Seu livro Cidade de Deus foi um marco na literatura brasileira.

foto de Paulo Lins

3. Cristiane Sobral

Carioca, porém moradora de Brasília, é Diretora de Gestão e Produção Cultural no Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Primordialmente seus poemas são engajados contra o racismo e suas obras são em prol do empoderamento e a reconstrução da feminilidade da mulher negra. Autora dos livros de poesias Não Vou Mais Lavar os Pratos e Só por Hoje Vou Deixar Meu Cabelo em Paz e o livro de contos Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção.

foto de Cristiane Sobral

4. Oswaldo de Camargo

Oswaldo é um dos principais especialistas da literatura negra no Brasil. Além disso, é contista, poeta, jornalista, crítico e novelista. Em síntese, esse senhor que nasceu em 1936 também é músico amador e desde os 17 anos se dedica à literatura e o acervo da negritude. Ademais, possui poemas e contos traduzidos para o alemão, francês e espanhol. Algumas de suas obras: 15 poemas negros, Nova reunião da poesia do mundo negro, A razão da chama, O negro escrito, Solano trindade – poeta do povo.

foto de Oswaldo de Camargo

5. Elisa Lucinda

Poeta, jornalista, cantora e atriz brasileira. Publicou diversos livros, como A Lua que menstrua, O Semelhante, Eu te amo e suas estreias, A Poesia do encontro – com Rubem Alves; Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada. Seus CDs de poesias e suas performances fazem de Elisa, de certo, uma mulher única.

foto de Elisa Lucinda com Gledson da Poeme-se

6. Miriam Alves

Poeta, dramaturga, foi escritora visitante na Universidade do Novo México, onde palestrou sobre a literatura afro-brasileira e feminina. Destaque para seus livros: Estrelas no dedo, Bará na trilha do vento e Mulher mat(r)iz. Além de sua participação em diversas antologias, como Cadernos negros A razão da chama – antologia de poetas negros brasileiros.

foto de Miriam Alves

7. Conceição Evaristo

Doutora em literatura, nascida numa favela de Belo Horizonte, militante dentro e fora do espaço acadêmico. Escreveu Olhos d’Água, Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Poemas da Recordação e Outros Movimentos. Suas obras abordam discriminação racial e questões de gênero e de classe. Em 2018, vários artistas e estudantes fizeram campanha para que a escritora ocupasse uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

foto de Conceição Evaristo

8. Ana Paula Maia

Negra, ex-moradora da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, ex-evangélica, ex-punk rocker. A escritora desponta em um cenário internacional, com mais de sete obras publicadas no exterior. Seus personagens de fato são brutos e peculiares, como figuras que encontramos e esbarramos pela periferia, de forma crua e nua. Destaque para Enterre seus mortos, Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos e Assim na terra como embaixo da terra.

foto de Ana Paula Maia

Sabemos que a literatura brasileira deve contribuir para uma visão mais plural e crítica do país e esses autores são uma pincelada da importância da produção negra na construção cultural do Brasil, então perguntamos: quem você adoraria ver sentado na casa de Machado? Conta pra gente nos comentários. =)

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Hanny Saraiva

Que tiro foi esse? 5 livros que moldaram nosso olhar sobre o Rio de Janeiro

Que tiro foi esse? 5 livros que moldaram nosso olhar sobre o Rio de Janeiro

Uma bela cidade. Um povo caloroso. Uma história repleta de marcos literários. O Rio de Janeiro comemora hoje, 1º de março, 453 anos em meio a caos, poesia e encantos. Por isso, nesta data tão especial, separamos 5 livros que moldaram nosso olhar sobre o Rio de Janeiro e deixamos no ar a pergunta: o que é o Rio de Janeiro para você?

1. Cidade de Deus, Paulo Lins

O livro escrito por Paulo Lins, mostra as tumultuosas mudanças que aconteceram no espaço da Cidade de Deus em meio ao tráfico de drogas e violência. Com isso, apesar da beleza natural da cidade ser tombada pela Unesco como patrimônio histórico, a obra é de vital importância por mostrar um Rio de Janeiro repleto de problemas. O foco é sempre pela luta por poder.

2. O cortiço, Aluísio Azevedo

No fim do século XIX a cidade possuía inúmeros cortiços e isso inspirou o autor a retratar a precariedade dessas moradias. A obra se tornou uma das maiores obras naturalistas, descrevendo os conflitos, costumes e as relações sociais dos cariocas. Por isso é uma profunda denúncia sobre a exploração do homem pelo homem e seus preconceitos raciais.

3. A hipótese humana, Alberto Mussa

Baseada num caso real, A hipótese humana “parte de um assassinato numa casa de correção no bairro do Catumbi, onde mais tarde foi erguido um presídio no Rio” em 1854.  Contudo, o quarto romance do “Compêndio mítico do Rio de Janeiro” pretende fazer um “estudo amplo da cidade”. A obra destaca o universo da capoeira e as hierarquias. Com isso, costuma-se dizer que a obra é uma investigação sobre o crime que também mapeia o Rio que se construiu nas ruas.

4. Dom Casmurro, Machado de Assis

Muitos consideram esta a obra-prima do autor porque narra as lembranças de Bento Santiago no bairro de Engenho Novo. Contudo ele foi imortalizado pela desconfiança de Bentinho em relação à traição de sua amada Capitu. Afinal ela traiu ou não? – tendo como pano de fundo o Rio de Janeiro do século XIX e toda sua peculiaridade.

5. A alma encantadora das ruas, João do Rio

As 37 crônicas e reportagens de João do Rio mapeia o que pode ser considerado o símbolo do Rio de Janeiro: os personagens que vivem a rua. Contudo, o importante é saber que as ruas da cidade são compostas por seus personagens que andam pela cidade e que muitas vezes são invisíveis, como moradores de rua, meninos, trabalhadores que exploram o meio. Por isso, pode se dizer que é um retrato construído em meio à poesia e resistência.


Conhece algum outro livro que é fundamental para construir nossa visão sobre o Rio? Conta pra gente nos comentários! =)


Hanny Saraiva