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Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Um homem que morreu supostamente louco e perdido nunca poderia imaginar que suas obras ganhariam uma imensidão de influências na contemporaneidade. Se Poe vivesse na atualidade, ele sobreviveria à cultura pop? Não sabemos, mas a cultura pop e Edgar Allan Poe andam de mãos dadas. Livros, séries, adaptações, ano após ano suas histórias são desmembradas e compartilhadas ao redor do mundo. Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

O medo e a ambiguidade de seus personagens

Ele está presente em nossas estantes, pois nunca parou de ser vendido. Sua narrativa não envelheceu, as histórias possuem a capacidade de se transmutarem para outras mídias, abrindo o leque de possibilidades e adaptações. Poe dominava a arte do mistério, pioneiro em usar medo, loucura, culpa e histeria como forma de identificação. Quem nunca sentiu o que o personagem sente em “O gato preto” ou o medo atravessar a espinha em “A máscara da morte escarlate”? Sua construção cuidadosa é como um espelho para nossos próprios medos e somos atraídos por essa atmosfera lúgubre, principalmente porque o autor lida com a morte o tempo todo e nos mexe e remexe com as probabilidades de não haver nada além do fim ou de haver muito mais do que conseguimos suportar. Ele nos brinda com o medo da perda, de não conseguirmos suportar ver quem amamos ir antes de nós, mas acima de tudo, ele nos faz testemunhas de crimes que poderíamos ter cometido. Seus personagens se deparam com  aquele momento onde a linha tênue entre sanidade e loucura se rompe, onde o elo entre ódio e reprimenda se finda, ele brinca com nossa racionalidade e nossos próprios demônios, tão inatos dentro de nós. Suas histórias são uma tentativa de fuga, de catarse. Seus personagens são ambíguos, não são bons ou maus, mas humanos. Poe levou o gênero de horror a um nível de aprimoramento, focando no terror psicológico ao invés de apenas descrever um cenário de assombração. Não só a ambiguidade e o medo são representantes presentes em suas narrativas, mas também há humor e esperança em suas histórias, uma forma de empatia para com aqueles que estão perdidos e que lutam para que seus sentimentos se acalmem e tudo passe. Nesse mundo violento, mas que tenta a todo custo mascarar nossos medos em busca de felicidades constantes, nada mais atual, hein?

O mestre das técnicas

Poe pode ser considerado o pai do conto, foi com ele que aprendemos que narrativas precisam ser lidas de uma sentada só, ou seja, precisam ser curtas e envolventes para que as histórias possam fluir e ser degustadas. A contemporaneidade vive um momento onde há necessidade de se chegar ao fim da notícia, de passar os olhos pelos títulos, de ser captado pelo momento. Poe é o mestre do momento. Ele não apenas escrevia, mas como analisava a arte literária. Foi o primeiro a criar a teoria do conto, dissecando sua poética e seus procedimentos de construção. Poe acreditava que a narrativa curta era a forma mais apropriada para expressar o talento de um artista e a brevidade um fator essencial para essa boa narrativa, indo contra a teoria tradicional da época que prezava o romance, virando hoje em dia ídolo de escritores que escrevem para a cultura pop. Avant-garde, certo? Sua teoria da unidade de efeito – onde o leitor deve ler a história de uma única vez, assim não se desconcentrando com as interferências externas durante a leitura – ainda é muito discutida e aplicada no meio acadêmico literário e por escritores. A beleza, para o autor, deveria ser peça fundamental do poema enquanto que a verdade a do conto. Seus poemas, por exemplo, são imagéticos, com muita aliteração e comparação, criando uma atmosfera sufocante, onde as palavras parecem nos engolir. Dentro de uma sociedade DIY, procuramos referências para que possamos construir nossa própria arca e nada mais atual do que procurar por aqueles que construíram os primeiros baús, né? Além disso, sua literatura está disponível para adaptação sem necessidade de pagamento de direitos autorais. 😉

Vida trágica

Em uma sociedade onde ainda temos Big Brothers e teorias mirabolantes, Edgar Allan Poe parece ter virado personagem de sua própria construção literária. Sua trágica vida atrai muitos curiosos e especular sobre o que teria acontecido no seu dia a dia é pano certo para construir uma colcha de possibilidades. Quem não curte saber o que o artista poderia ter feito se tivesse mais tempo? O ser humano é atraído por tragédias e pagar para resolver mistérios nunca saiu de moda. O que ele fazia, como vivia, o que será que sentia? – questionamentos que continuam a passar pelas cabeças daqueles que começam a conhecer o autor ou que já destrincharam suas teorias antigas, em busca de novas. Perspectivas sobre uma vida de tragédia rende muitas adaptações e inspira artistas em todo o mundo. Mais atual, impossível.

Qual a melhor adaptação de Poe que a cultura pop produziu? Conta para gente nos comentários. =D


Camiseta literária Os Mistérios de Allan Poe

 

 

5 escritores que casaram com suas primas!

5 escritores que casaram com suas primas!

Todo mundo já fez muita coisa divertida, vergonhosa ou marcante com algum primo, né? Eles são nossos primeiros amigos, primeiros confidentes, primeiros amores. Aqueles que dividimos a culpa, a lembrança, o doce, a vida e muitas vezes, a paixão! Até Jane Austen abordou o amor entre os primos Fanny Price e Edmund Bertram no romance “Mansfield Park”. Mas para além da ficção, quais foram os casamentos entre primos mais conhecidos da literatura mundial?

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe

O autor de “O corvo” e “A máscara da morte escarlate” casou-se com sua prima de primeiro grau, Virginia Eliza Clemm quando Poe tinha 27 anos e a prima 13. Alguns pesquisadores afirmam que os dois mantinham um relacionamento fraternal e não carnal, mas eles ficaram juntos até a morte de Virginia, aos 24 anos.

*Curiosidades: Quem foi Edgar Allan Poe

H. G. Wells

O criador de “A ilha do Dr. Moreau” e “A guerra dos mundos” casou-se com sua prima de primeiro grau Isabel Mary Wells, mas o casório durou apenas 3 anos, pois o compatriota de Lewis Caroll se envolveu com uma de suas alunas.

Mario Vargas Llosa

O autor peruano, vencedor do Prêmio Nobel de 2010, casou-se com sua prima de primeiro grau Patricia e em 2015 eles comemoraram bodas de ouro.Conheça outro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.

Andre Gide

O autor francês de “Os frutos da Terra” e também vencedor do Prêmio Nobel de literatura casou-se com sua prima Madeleine, mas o casamento nunca foi consumado. O admirador de Oscar Wilde certa vez escreveu: “Eu esqueço que ela não é minha mãe”.

José Lins do Rego

O autor brasileiro de “Fogo morto” e “Menino de engenho”, considerado um dos romancistas regionalistas mais prestigiosos da literatura nacional, casou-se com sua prima Philomena (Naná) Massa Lins, filha do senador Antônio Massa em 1924, mesmo ano que Oswald de Andrade escreveu o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”.

 


Conhece alguma outra história entre primos na literatura? Conta pra gente!


 

 

Hanny Saraiva

O2 Filmes cria série para os fãs de Edgar Allan Poe

O2 Filmes cria série para os fãs de Edgar Allan Poe

Estréia no dia 2 abril, no canal Fox Internacional, uma nova série para que gosta do tom sotúrnico do mestre dos contos, Edgar Allan Poe.

Contos do Edgar, como é camada a série, se passa no tempo atual e terá 5 episódios em sua primeira temporada, todos filmados em São Paulo e dirigidos por Pedro Morelli, que promete explorar a cultura paulistana e sua atmosfera underground.

Em cada episódio você terá a oportunidade de encontrar no subtexto da série diferentes nuances dos textos do contista que dá nome à série.

Berê é o nome do primeiro nome da série, inspirado no conto Berenice. Edgar, que trabalha e uma detetizadora, recebe a missão de eliminar os ratos que invadiram a boate onde se apresenta Berê, interpretada por Gaby Amarantos, uma cantora que sofre de baixa autoestima devido aos seus dentes feios e infeccionados. Ela quer trocá-los, mas seu primo Cícero (Marcelo de Barros) se torna obcecado por eles e impede sua remoção, colocando em risco a vida de Berê.

Tudo leva a crer que será uma ótima série. Nós da Poeme-se somos fãs de Edgar Allan Poe, tanto que já desenvolvemos uma bela estampa inspirada no conto  Eleonora, e certamente acompanharemos esta produção nacional tão inusitada.

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