Posts tagged "Poemas"

Mais que leitor, reader! #Sorteio

É minha gente, foram muitos directs e comentários solicitando e sugerindo o sorteio de alguns dos nossos produtos poéticos.

Então se preparem: teremos um sorteio especialmente pensado em vocês: nossos melhores amigos literários!!!

O sortudo ou sortuda terá o prazer de espalhar literatura pelo mundo com o nosso lançamento poético:  a camiseta literária Mais que leitor, reader. Não é um máximo?!

Para participar basta se inscrever aqui:

 

Informações importantes:

  • As inscrições serão permitidas até o dia 09 de Dezembro.
  • O resultado sairá no dia 10 de Dezembro, no Instagram da Poeme-se.
  • Apenas e-mails válidos serão aceitos.
  • Apenas moradores de território nacional podem participar.
  • O sorteado deve responder o e-mail em até 3 dias com as informações necessárias para o envio.
  • O sorteado receberá sem custos uma camiseta literária Mais que leitor, reader.

A sorte está lançada!!!

Qual escritor minion mais combina com você?

Qual escritor minion mais combina com você?

nSerá que esses seres amarelos milenares só nasceram para servir aos maiores vilões do mundo? E se você pudesse desmistificar isso e mostrar que essas criaturas fofas podem espalhar literatura por todos os cantos, transformando-os em escritores minions? Qual deles combinaria mais com você?

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minionJosé Saraminion

Além de adorar brincar com a pontuação, esse escritor minion – e aclamado – é bastante feroz quando se trata de crítica social e política. Porém, ele também tem seu lado fofo despertado quando alguém diz que adora fábula moderna.

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Carlos Drumminion de Andrade

Irônico e cheio de humor. Esse poeta minion adora temas como infância e metalinguagem, mas pode ser um perigo quando se trata de traços metafísicos. Recomendamos acalmá-lo através de versos livres e brancos.

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Ferminion Pessoa

Amante de mudar de nome, você nunca sabe como ele irá se apresentar no dia, mas é um escritor minion repleto de carisma, apesar de ser ora pessimista, ora otimista. É um poeta filósofo que adora desdobrar “eus”.

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Machinion de Assis

Esse escritor minion é realista, adora jogar verdades na sua cara, então não fique irritado se ele não for linear, capaz de te deixar refletindo por um bom tempo. Às vezes ele pode ser contraditório, mas é só seu jeito peculiar de observar o mundo.

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Se você tivesse um escritor minion pra chamar de seu – desses que amam espalhar versos por aí –, qual seria? Conta pra gente nos comentários. =D

Hanny Saraiva

23 pílulas poéticas para transformar sua Primavera literária

23 pílulas poéticas para transformar sua Primavera literária

Na última Festa Literária Internacional de Paraty, a Poeme-se recebeu várias pílulas de poesia para serem distribuídas no evento, em julho de 2018. Como acreditamos que a poesia é capaz de aquietar corações e transformar nosso dia, separamos 23 pílulas poéticas que circularam na FLIP para abrir nossa primavera literária. Nada melhor do que receber a estação das flores com uma dose de poesia, né?

1. Flavia Rohdt

SOU POESIA

Enquanto respiro sinto que sou poesia viva
Verbo que age, que canta e se encanta
Sou letra, sou ritmo, sou canção
Sou palavra pensada, escrita ou falada
Sou meus versos rimados ou sem rimas que se alinham nessa expressão.

2. Nassary Lee Bahar

#HaikaiTrilíngue
#PortuguêsInglêsTurco

PARTIDA

Enfim se declara
Com a tulipa amarela
No mar de Marmara

PROMISE

Then she gives to the death
From deep sea of her dreams
A yellow flower breath

VEDA

Sonra gitti ve atti
Ruyalarinin derin denizine
Bir sari laleydi kaniti

3. Anilene Ferreira

AMOR MATERNO

Nuvens de sofrer “dentro do peito gritam”.
E nos olhos em forma de lágrimas crescem.
As inumeráveis gotas pela face enternecem,
minuto a minuto aumentam, às vezes se limitam.<
Sublime florescer do amor, se este falasse,
agora exporia a todo mundo a mais enaltecida prece.
Entretanto, em seu calar simples, fé agora merece.
Para a guardadora do silêncio triste, sempre é hora.
Subitamente, o choro emana, destarte como se cantasse,
De uma foz em arte, que estronda numa nascente.
Uma gota em Marte, no infinito, quando surge lentamente.
Nos olhos de mãe, porém, ainda não findou…
É a gota salgada de um imenso mar doce, é amor…
Ah, um grande amor transformador! Ainda sofrido, sempre se doou.

4. Rogério Pereira

CANDOCO

Quisera eu
Que o amor fosse sempre dança
Com passos de quem jamais esqueceu
Seu olhar de criança.

5. Sandra Modesto

QUARTA NO QUARTO

O primeiro tinha cara de derradeiro.
Trocava os travesseiros de lugar.
Pensava que a vida era um eterno guardar.

O segundo olhava o mundo tão desnudo e se imaginava o dono de um eterno amar.

O terceiro tocava piano sem parar!
Não gostava de beijos ao luar.

Ela nem pensou muito.
Não tinha muito o que conversar.

Bateu os olhos na quarta porta

Abriu-a para ele entrar.
Sim, foram feitos para o amor finito
Mas como na vida o desejo acontece por acaso…
Tiveram um lindo caso.
No quarto de uma linda quarta-feira.

6. Lu Mota

Ainda tem um restinho de sonhos velhos guardados nas gavetas fétidas da cômoda retrô jogada no canto do quarto escuro que outrora nos protegeu dos olhares que tentavam nos alcançar. Ainda tem pedacinhos de vontades de ser o que jamais fomos em guarda-roupa sem tramela, sem tranca, sem porta, escancarado… Para mostrar-me a cada dia que o passado colorido agora jaz desbotado em lugares que não ouso voltar… Às vezes o alcanço, mas deixo-o como está… Calado, mudo, cego, sem caminho que o leve adiante. Quero pegá-lo, mas algo me chama, me tira do torpor. Atendo. É o presente que me estende a mão e diz que a felicidade está no caminho… É só seguir…
Vejo enfim que o passado não me serve mais.

7. Carlos Carvalho Cavalheiro

POESIA ENGAJADA

A minha poesia não alcança
Os ouvidos dos oprimidos
Nem sequer é degustada
Pelo paladar dos famintos
E nem por sonho ou fantasia
É sentida pelos excluídos
A minha poesia, então, morreu
E esqueceram de enterrá-la.

8. Roberto Dutra Jr.

Derrubo a noite com o furor, meu verso nômade sou eu!

9. Gerson Nagel

eXtatua

a palavra
no corpo tatuo
tattoo a palavra
tatuada
no corpo da palavra
eXtatua.

10. Natália Lopes

ME FIZ VIAGEM COM DESTINO A MIM

“Foi fácil de mim fugir
Sair sem se importar
E mesmo dizendo amar
Tu, preferiu partir…

Hoje, aqui percebo
Noto que sem você
Pude ler um pouco mais
Do que sempre houve em mim e não me deixaste ver

Asas então criei
Talvez já as tivesse
Mas estavam acuadas
Por medo de uma queda que mais feridas me trouxesse

Quando as costas me virou
Um raio em fulgura surgiu
Levando mui’distante o breu que tu ao tentar dissipar-me
Aqui deixou e fugiu…”

11. Jovino Machado

O que me atormenta é o meu gosto pelo impossível.

12. Tania Diniz

Desamada

Chega! Chega de romance.

Amir agora, só fere lance.

13. Merli Leal Silva

Cansei dessa vida em preto e branco
Cansei dessa dor e desse pranto
Cansei de cumprir leis e mandatos
Cansei de faltar de comida no prato
Cansei de não ter o teu corpo, teu regato
Estou vida, plena e em paz
Cansei de não guerrear, de não me impor
Não vou fugir pras montanhas
Vou fazer a revolução,
seja como e onde for.

14. Renata Pires Rocha

Arrebol de estrada
com música aos ouvidos
estragam a maquiagem
dos meus olhos.

15. André Braga

Um quero-quero na janela
que voa quero-quero pra cama
que pousa quero-quero no abraço
que se aninha quero-quero no beijo

Quero-quero em êxtase
bater asas quero-quero
romper o tempo.

16. Paula Belmino

LIBERDADE

Deito livro,
Sonho livro,
Acordo livro,
Bebo livro,
Como livro,
Vivo livro
Respiro livro
Livre sou!!!

17. João de Andrade

Afogando-se em lágrimas.
Austeridade da saudade.
Vivendo calado.
Suspenso no tempo.

*Final do poema VEREDAS

18. Magali Costa Guimarães

O tempo dormia… / Parecia repousar em brancos lençóis… / E a paisagem invernal / cumpria seu desígnio / sendo cinza, gélido suspiro / a importunar paredes seculares / saudosas do rúbeo arrebol. (Inverno em Colonia Del Sacramento)

19. Rita de Cássia Zuim Lavoyer

DESEJO POÉTICO

Quero compor uma poesia
com o cheiro da mexerica, aquele
que saliva minh’boca quando a descasco.

Quero compor uma poesia
com o gosto da comida caseira, aquela
que devoro com os olhos quando sinto fome.

Quero compor uma poesia
com a textura da seda, aquela
que ouço no arrepio dos meus pelos.

Quero compor uma poesia
com a cor da transparência, aquela
que mostra os sentidos que há em mim.

Quero compor uma poesia
com a inspiração que me é peculiar, única
que intui que a poesia quer ser desejada.

20. Priscila Reinaldo

Matheusa
Negra
Corpo estranho incendiado
Incinerado
“Adorei!”
Tu não leu, cara
Tu tá cego
Dos nossos morrem milhões
Jogados, desfigurados, incinerados
Se ouve o silêncio
Silêncio
Grita raiva e revolta.
Corpo estranho intragável.
Mataram mais uma de nós,
Intragáveis.
Tua distância é marcada de sangue
Sangue dela também.
Na minha caneta há revolta
Quero gritar revolta
Quero cortar as carnes
Com a merda dessa caneta
Instrumento do teu ego
Ao inferno!
(que já estamos)

21. Rodrigo Domit

À flor da pele
regarei com a gota d’água

desabrochando o caos

22. Joás Ferreira de Oliveira

Nós, céu,
planta e terra

Plantou?

Plantei
Choveu?
Chovi
Molhou?
Molhei
Brotou?
Brotei
Cresceu?
Cresci
Colheu?
Colheram.

23. Leticia Werner Freitas

A vida corre
Pensamentos me ocorrem
Momentos me escapam
Fogem-me os hábitos
Reflito sobre a essência do tempo
e sei que passa, sei apenas isso
e isso me basta.

Qual pílula poética você adoraria compartilhar? Conta pra gente nos comentários. =D

Resultado do concurso de poesia #PoemeSe

Poeme-se, um concurso vestido de poesia

De 25 de abril a 25 de junho, a Sweek recebeu milhares de histórias de peso em seu primeiro concurso de poesias, batizado como Poeme-se.  Como parceiros da iniciativa, conhecemos a visão poética de diversos talentos e ficamos emocionados e entusiasmados com as poemas de cada participante.

Hoje, gostaríamos de anunciar os finalistas que conquistaram o coração de nossos jurados e que receberão os seguintes kits:

PRÊMIOS

1º lugar:

“Os Raios de Outro Sol Que Queimam”, de Ana Martins

2º lugar:

“Eu, navega(dor)”, de Douglas Alencar de Vasconcelos

3º lugar:

“Tu”, de Thamires Vieira

Relembrando que cada finalista receberá uma insígnia e terá seu poema incluído na seção “Destaques” do Sweek. 😉

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5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

5 imagens para entender Augusto dos Anjos – ou como o poeta continua influenciando gerações

Augusto dos Anjos é considerado um poeta maldito brasileiro e até hoje ainda se ouve por aí “Escarra nessa boca que te beija” como uma forma de chocar em verso. Encontramos em sua poesia o gosto pelo bizarro e pelo inusitado e é essa atmosfera grotesca que inspira vários artistas ainda hoje. Separamos 5 imagens para entender a potência de Augusto e como seu pequeno legado ainda continua influenciando gerações.

1. Em tirinhas

Augusto & eu são tirinhas de Val Fonseca, inspiradas na vida e nos personagens de Augusto, tendo a Morte como companheira, explorando as leituras do EU. Curiosidade: você sabia que o único livro do poeta “Eu” (1912) foi patrocinado por seu irmão? Uma autopublicação no começo do século passado. Avant-garde, não?

2. Em ilustração

Sua vida também inspira artistas como no traçado de Izaac Brito para o livro “Eu, Augusto dos Anjos – reedição 2014. A atmosfera de seus versos sombrios e agressivos, com um vocabulário pouco comum, é considerada inovadora e até hoje assusta leitores. Como dizia Silveira Bueno (1898-1989) “trata-se, sem dúvida, de uma poesia de monstros, mas também de uma poesia monstruosa.”

3. Em artes plásticas

Os poemas de Augusto dos Anjos também inspiram obras, como essa feita em nanquim sobre papel, de Flávio Tavares para o poema “Versos a um Coveiro I”.

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco… Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais:

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!

 

4. Em centro cultural

O Memorial Augusto dos Anjos é um espaço cultural inspirado na arte e vida do poeta. A casa que abriga o centro cultural fez parte de sua infância e é um patrimônio histórico do município de Sapé (Paraíba) que apresenta diversas atividades com intuito de preservar a memória do poeta.

5. Em camiseta poética


Poeme-se não poderia deixar de fora o encantamento nuvioso de Augusto e já artes à obra inspiradora do poeta como essa camiseta literária. Qual sua preferida? Possui alguma sugestão de frase do autor que gostaria de vestir? Conta pra gente nos comentários.


Hanny Saraiva

 

 

 

 

 

 

A Metafísica de John Donne

A Metafísica de John Donne

John Donne foi um poeta jacobita inglês e pregador que viveu entre 1572 e 1631. É um dos maiores representantes dos poetas metafísicos de sua época. Em 1624 ele escreveu uma série de reflexões as quais foram publicadas em formato de livro com o título Devotions upon Emergent Occasions. E foi nesse livro que ele publicou um dos seus mais famosos textos: Meditação 17 que ficou conhecido por frases como “nenhum homem é uma ilha isolada” e “por quem os sinos dobram”. Tomei conhecimento dessa última frase anos atrás, sem saber quem era autoria, através do Raul Seixas que batizou o 9º álbum da carreira e uma das músicas com esse título. Antes do Raul, o escritor Ernest Heming­way, em 1940, publicou sua obra “Por quem os sinos dobram”. Assim que pude ler o texto que inspirou o disco do Raul e o livro de Hemingway fiquei encantado. Principalmente por John Donne ser um individuo que viveu num tempo tão distante do nosso. Sempre que leio esse texto fico fascinado com essa atemporalidade da arte, da poesia. Um homem que viveu entre o século 16 e 17 escreve um texto que vai tocar profundamente um homem do século 21. E isso faz com que eu pense em um outro texto de um outro escritor, Eduardo Galeano, publicado no seu O Livro dos Abraços, mas isso fica para uma outra hora. Por ora, fiquem com esse episódio de L.Í.R.I.C.O dedicado a John Donne:

7 poemas para matar a saudade de quem tá longe

7 poemas para matar a saudade de quem tá longe

30 de janeiro. Dia da saudade, palavra só nossa, mas sentimento conhecido por todos. Para matar a saudade de quem tá longe e que sentimos falta para caramba, separamos sete poemas que sempre nos emocionam e que se eu fosse você enviava para aquela pessoa especial, relembrando-a que apesar da distância, o carinho é eterno.

1. Sentimento urgente – Clarice Lispector

Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença
Mas, às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco
Quer-se absorver a outra pessoa toda
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
É um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

2. Presença – Mario Quintana

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato
e que, apenas,
levemente,
o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar,
a trevo machucado,
as folhas de alecrim
desde há muito guardadas
não se sabe por quem
nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também,
que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…

E eu tenho que fechar meus olhos para ver-te!

3. Saudade – Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

4.  Chega de saudade – Vinicius de Moraes

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser.
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer.
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz.
Não há beleza,
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim.
Não sai de mim,
Não sai.
Mas, se ela voltar
Se ela voltar, que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços.
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim.
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim…
 

5. A um ausente – Carlos Drummond de Andrade

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

6. Saudade – Candeia

Saudade dos chorinhos e os chorões
Que entre prismas e bordões
Embriagavam de harmonia os corações.
Toda noite era de festa
E se ouviam as serestas pelas ruas
Sob o clarão da Lua.
Saudades do famoso Zé com Fome,
Um sambista de renome
Que o meu povo não esquece.

Saudades de Paulo da Portela,
Esta melodia singela,
É meu samba, é minha prece.

Saudade…

7. Tanta saudade – Chico Buarque

Era tanta saudade,

É, pra matar.
Eu fiquei até doente, eu fiquei até doente, menina.
Se eu não mato a saudade,

É, deixa estar.
Saudade mata a gente, saudade mata a gente, menina.
Quis saber o que é o desejo, de onde ele vem,
Fui até o centro da Terra e é mais além,
Procurei uma saída e amor não tem.
Estava ficando louco, louco de querer bem.
Quis chegar até o limite de uma paixão,
Baldear o oceano com a minha mão,
Encontrar o sal da vida e a solidão,
Esgotar o apetite, todo o apetite do coração.
Mas voltou a saudade,
É, pra ficar,

Aí eu encarei de frente.
Aí eu encarei de frente, menina.
Se eu ficar na saudade,

É, deixa estar.
Saudade engole a gente, saudade engole a gente, menina.
Quis saber o que é… apetite do coração.
Ai amor, miragem minha, minha linha do horizonte.
É monte atrás de monte, é monte.
A fonte nunca mais que seca, ai saudade, ainda sou moço.
Aquele poço não tem fundo, é um mundo dentro um mundo.


Para matar a saudade, deixamos aqui nosso setlist pro dia. Balança o coração, mas segue em frente, viu?


 

 

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Um homem que morreu supostamente louco e perdido nunca poderia imaginar que suas obras ganhariam uma imensidão de influências na contemporaneidade. Se Poe vivesse na atualidade, ele sobreviveria à cultura pop? Não sabemos, mas a cultura pop e Edgar Allan Poe andam de mãos dadas. Livros, séries, adaptações, ano após ano suas histórias são desmembradas e compartilhadas ao redor do mundo. Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

O medo e a ambiguidade de seus personagens

Ele está presente em nossas estantes, pois nunca parou de ser vendido. Sua narrativa não envelheceu, as histórias possuem a capacidade de se transmutarem para outras mídias, abrindo o leque de possibilidades e adaptações. Poe dominava a arte do mistério, pioneiro em usar medo, loucura, culpa e histeria como forma de identificação. Quem nunca sentiu o que o personagem sente em “O gato preto” ou o medo atravessar a espinha em “A máscara da morte escarlate”? Sua construção cuidadosa é como um espelho para nossos próprios medos e somos atraídos por essa atmosfera lúgubre, principalmente porque o autor lida com a morte o tempo todo e nos mexe e remexe com as probabilidades de não haver nada além do fim ou de haver muito mais do que conseguimos suportar. Ele nos brinda com o medo da perda, de não conseguirmos suportar ver quem amamos ir antes de nós, mas acima de tudo, ele nos faz testemunhas de crimes que poderíamos ter cometido. Seus personagens se deparam com  aquele momento onde a linha tênue entre sanidade e loucura se rompe, onde o elo entre ódio e reprimenda se finda, ele brinca com nossa racionalidade e nossos próprios demônios, tão inatos dentro de nós. Suas histórias são uma tentativa de fuga, de catarse. Seus personagens são ambíguos, não são bons ou maus, mas humanos. Poe levou o gênero de horror a um nível de aprimoramento, focando no terror psicológico ao invés de apenas descrever um cenário de assombração. Não só a ambiguidade e o medo são representantes presentes em suas narrativas, mas também há humor e esperança em suas histórias, uma forma de empatia para com aqueles que estão perdidos e que lutam para que seus sentimentos se acalmem e tudo passe. Nesse mundo violento, mas que tenta a todo custo mascarar nossos medos em busca de felicidades constantes, nada mais atual, hein?

O mestre das técnicas

Poe pode ser considerado o pai do conto, foi com ele que aprendemos que narrativas precisam ser lidas de uma sentada só, ou seja, precisam ser curtas e envolventes para que as histórias possam fluir e ser degustadas. A contemporaneidade vive um momento onde há necessidade de se chegar ao fim da notícia, de passar os olhos pelos títulos, de ser captado pelo momento. Poe é o mestre do momento. Ele não apenas escrevia, mas como analisava a arte literária. Foi o primeiro a criar a teoria do conto, dissecando sua poética e seus procedimentos de construção. Poe acreditava que a narrativa curta era a forma mais apropriada para expressar o talento de um artista e a brevidade um fator essencial para essa boa narrativa, indo contra a teoria tradicional da época que prezava o romance, virando hoje em dia ídolo de escritores que escrevem para a cultura pop. Avant-garde, certo? Sua teoria da unidade de efeito – onde o leitor deve ler a história de uma única vez, assim não se desconcentrando com as interferências externas durante a leitura – ainda é muito discutida e aplicada no meio acadêmico literário e por escritores. A beleza, para o autor, deveria ser peça fundamental do poema enquanto que a verdade a do conto. Seus poemas, por exemplo, são imagéticos, com muita aliteração e comparação, criando uma atmosfera sufocante, onde as palavras parecem nos engolir. Dentro de uma sociedade DIY, procuramos referências para que possamos construir nossa própria arca e nada mais atual do que procurar por aqueles que construíram os primeiros baús, né? Além disso, sua literatura está disponível para adaptação sem necessidade de pagamento de direitos autorais. 😉

Vida trágica

Em uma sociedade onde ainda temos Big Brothers e teorias mirabolantes, Edgar Allan Poe parece ter virado personagem de sua própria construção literária. Sua trágica vida atrai muitos curiosos e especular sobre o que teria acontecido no seu dia a dia é pano certo para construir uma colcha de possibilidades. Quem não curte saber o que o artista poderia ter feito se tivesse mais tempo? O ser humano é atraído por tragédias e pagar para resolver mistérios nunca saiu de moda. O que ele fazia, como vivia, o que será que sentia? – questionamentos que continuam a passar pelas cabeças daqueles que começam a conhecer o autor ou que já destrincharam suas teorias antigas, em busca de novas. Perspectivas sobre uma vida de tragédia rende muitas adaptações e inspira artistas em todo o mundo. Mais atual, impossível.

Qual a melhor adaptação de Poe que a cultura pop produziu? Conta para gente nos comentários. =D


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