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Todo dia um livro: parceria Poeme-se e Nova Fronteira

Nossa parceria com a Nova Fronteira continua… Dessa vez preparamos uma ação pré-bienal fantástica:

Todo dia, até o dia 31, a Poeme-se vai sortear um livro para quem acertas a pergunta difícil, dificílima que preparamos.


Cadastre-se e concorra >>> AQUI


    Todos os livros deverão, necessariamente, ser retirados no estande da Poeme-se, na Bienal do Rio 2017.

Veja a lista de livros e os ganhadores

Dia 16 – O Casamento – Crislane Peres

Dia 17 – O Ventre – Rodrigo Mendes

Dia 18 – O Grande Sertão: Veredas –

Dia 19 – A Cabra Vadia –

Dia 20 – O Mistério das Aranhas Verdes –

Dia 21 – O Mistério da Coroa Imperial –

Dia 22 – Amálgama –

Dia 23 – Romance da Pedra do Reino –

Dia 24 – A Guerra dos Mundos –

Dia 25 – Crepúsculo dos ídolos –

Dia 26 – O Fantasma de Caterville e Outros Contos –

Dia 27 – Física em 12 Lições –

Dia 28 – O Tambor –

Dia 29 – O Buraco na Parede –

Dia 30 – O Óbvio Ululante –

 

Um lançamento próprio para o mês dos Pais

    Agosto, aqui na Poeme-se, é o mês de Ernest Miller Hemingway, o querido escritor norte-americano que tinha a alcunha de Papa.
Ele que foi laureado com os maiores prêmios da literatura mundial, agora pode ser vestido. Veja logo a baixo:
T-Shirt Ernest Hemingway Babylook Ernest Hemingway Bata Ernest Hemingway

Curiosidades sobre Hemingway:

“Hemingway” é o nome de uma categoria de bêbado

    Psicólogos da Universidade de Missouri publicaram um estudo na revista científica Pesquisa e Teoria do Vício confirmando a existência de mais de um tipo de bêbado. A categoria dos bêbados impassíveis – aqueles que viram uma garrafa de uísque e continuam agindo como se nada tivesse acontecido – ganhou o nome de Ernest Hemingway. Veja o estudo aqui.

Hemingway foi um espião soviético

    O livro Spies: The Rise and Fall of the KGB in America revelou que realmente estava na lista dos agentes da KGB nos Estados Unidos. Baseado nas notas de um oficial do serviço de espionagem russo, o livro revela que Hemingway foi recrutado em 1941 antes de fazer uma viagem à China. Seu codinome era “Argo”.

Há um asteróide chamado Hemingway

    Hemingway está no céu, e isso não é um eufemismo para sua morte. Em 1978, o astrônomo soviético Nikolai Chernykh batizou um asteroide que orbita o sol de 3656 Hemingway.

Ele sobreviveu a duas quedas de avião

   Em um voo de observação sobre o Congo Belga, atual República Democrática do Congo, em 1952, o avião em que o escritor estava caiu, e ele feriu a cabeça. Tentou pegar um segundo avião para buscar resgate na cidade de Entebbe, mas ele explodiu na decolagem. O saldo final, segundo sua esposa, foram rupturas nos rins e no fígado, o crânio quebrado, um ombro deslocado e duas vértebras fraturadas.

Poeme-se

FLIP2017 – O que vai rolar de bom?

Com uma presença maior de autores negros, mais mulheres, mais eventos paralelos e todo o charme de Paraty, a FLIP 2017 esta chegando. Por isso, separamos atividades imperdíveis durante a edição que Homenageia Lima Barreto. Confira:
Lima Barreto

Lima Barreto

Dia 26

Às 19h15 tem a sessão de Abertura – “Lima Barreto: triste visionário” O ator Lázaro Ramos e a historiadora Lilia Schwarcz, biógrafa do homenageado, vão apresentar uma aula ilustrada, comparando o Brasil de Lima Barreto e suas previsões para o futuro. A sessão de Abertura foi batizada com o título do livro de Lília que acabou de ser lançado

Dia 27

“Em nome da mãe” é o nome da mesa oficial que começa às 21h30. Nela, duas escritoras cujas famílias foram marcadas pelas guerras ( a brasileira Noemi Jaffe e a tutsi Scholastique Mukasonga) vão conversar sobre as reconstruções artísticas a partir das tragédias.

Dia 28

Para quem é de cair na night da literatura, a Festa do Policarpo, organizado pelo PublishNews,  acontecerá a partir das 22h. O local será o quiosque Pizzaria da Praia, na praia do Pontal, do outro lado do rio Perequê-açú, próximo ao terreno que abrigava a antiga Tenda dos Autores da Flip. (veja o evento aqui)

Dia 29

No sábado, a Amazon vai realizar o Dia do Autor Independente na Casa Santa Rita da Cassia – A programação acontecerá a partir das 10h. Durante o dia haverá um pitching apelidado de Vendendo sua Ideia, no qual 10 autores independentes terão três minutos para apresentar seus projetos a editores e profissionais do mercado editorial.

 

Às 20h15 do sábado, na Casa Sesc, vai rolar o Sarau de 5 Polegadas: Prosa e poesia lidas por convidados e público a partir de aparelhos digitais, como telefones celulares. Com Jessé Andarilho e Coletivo Marginow.

 


Essas são só algumas das atividades da FLIP. Agora queremos saber o que você nos sugeriria?

 

Resenha literária com Guarnier: Greta Garbo

O Moralismo Que Salvou A Greta Garbo de Fernando Melo

Greta

    Em 2004, eu estava no início da minha carreira no Teatro e fui convidado pelo ator e lenda do Teatro de Revista no Brasil, Luiz Valentim, a interpretar Renato, um jovem rapaz que saído de Campos, desembarca no Rio de Janeiro para conhecer Mary, uma prostituta cleptomaníaca da Cinelândia e Pedro, enfermeiro, gay, morador de Irajá e fã da grande estrela Greta Garbo. O nome do texto? Greta Garbo, Quem Diria Acabou No Irajá, de Fernando Melo. Assim como Renato, eu também ainda engatinhava na malandragem dos palcos e fazer um “personagem escada” daqueles, parecia tarefa muitíssimo difícil para mim, de fato foi, mas consegui me virar por três anos. Na mesma época eu também cursava a faculdade de Letras e assim que chegou a temida escolha do tema para a monografia, eu pensei em quem? Em Greta Garbo, lógico! Queria enquadrá-la no período literário da Literatura Brasileira Contemporânea, por se encaixar em vários aspectos além da época em que foi escrita, pois falava de um gigolô viciado, uma prostituta ladra e um gay que trabalhava num hospital e sustentava o vício de seu marido na base dos calmantes que roubava no emprego. Era um tema perfeito para mim, então comecei minhas investigações.

    No início dos anos setenta, época em que Greta Garbo, Quem Diria Acabou No Irajá foi escrito, o Brasil vivia um dos piores períodos de sua história, uma ditadura sufocante e sangrenta que censurava e prendia artistas à mínima suspeita de subversão contra o Regime, pois ainda estávamos sob o chicote do Ato Institucional nº 5, a Luta Armada era a forma que as organizações tinham para libertarem os presos políticos, os meios de comunicação eram completamente manipulados – isso mudou pouco – e tinha que se tomar bastante cuidado com o que se falava, enfim, diante disso tudo, fui eu procurar registros de censura ao texto de Fernando Melo. Vasculhei tudo onde podia e, incrivelmente não achei nenhum. “Mas como isso é possível?”, perguntava eu à minha orientadora, Professora de Literatura Brasileira  Márcia Veiga. Ela também, num primeiro momento não entendeu muito bem, pois além de não haver censura sobre o texto, ele ainda foi montado e estreou no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro em 3 de julho de 1973, primeiramente com Nestor Montemar como Pedro, Mário Gomes como Renato e Arlete Sales como Mary, com direção de Léo Jusi e em 19 de março de 1974 no Teatro Itália, em São Paulo, com Raul Cortez interpretando Pedro, Nuno Leal Maia como Renato e Pepita Rodrigues como Mary com a mesma direção de Léo Jusi.
Depois de muito pensar e eu sem conseguir nenhum registro de censura sofrida pelo texto, passei a suspeitar justamente do elenco, pois eram figuras já conhecidas do meio artístico da época e não envolvidas com os artistas de esquerda, aqueles que frequentavam as manifestações, faziam músicas de protestos, eram perseguidos… Passei a achar que o elenco, justamente por transparecer apoio ao regime militar, tinha conseguido livrar o texto da censura, mas depois vi que isso seria improvável e abandonei a ideia. Retomei as leituras de Greta, mas agora não como ator, como investigador e lia e relia. Caramba, tem um momento no terceiro ato em que Renato, muito chapado, diz para Pedro tomar cuidado ao abrir a porta, pois a repressão entrava atirando, nem isso foi cortado, nada foi cortado. Isso me afligia demais e já queria saber quais ligações que Fernando Melo tinha com a Ditadura. Só tendo muita costas quentes para evitar uma censura sob a aba do quepe do AI-5.

O Moralismo e a Moral da História

    Na ditadura havia duas formas de se escapar da censura, a primeira era ser metafórico nível: “PAI, AFASTA DE MIM ESTE CÁLICE!” ou seja, desdobrando substantivos escritos em verbos escutados como Chico fez: Cálice = Cale-se. Logo seria “Pai, afasta de mim este cale-se!” ou sendo um reprodutor da moral e dos bons costumes naquilo que se escrevia, falava, cantava… e Fernando Melo se utilizou da segunda opção. Para demonstrar o que estou tentando dizer, vou ter que contar o final dessa estória, que também poderia ser escrita com “h”, não se chateiem comigo, por favor!

    Ao final de Greta Garbo, Quem Diria Acabou no Irajá, Após Mary aparecer na casa de Pedro atrás de Renato e fazer um puta dramalhão dizendo que tem um cara da Polícia trás dela, pois a mesma roubou a carteira de um meganha depois de um programa, a menina recebe um estrondoso esculacho de Pedro que a enxota do seu cafofo mesmo após ela dizer que vai se matar. Um barraco só! Assim que a prostituta sai pela porta, Renato, ainda muito doidão, diz que vai voltar para Campos abandonando Pedro que fica arrasada. Então o rapaz pega suas coisas, sai e deixa o velho sozinho fechando o texto com um jargão dramático repetido ao final de todos os três atos:

“Será que Greta Garbo teve uma vida tão desgraçada quanto a minha? Se teve, coitada dela, coitadinha!”


Entenderam? Ah, e o porquê de eu estar escrevendo sobre isso onze anos depois? Porque eu desisti de fazer a monografia sobre o texto de Fernando Melo achando que não teria tanto impacto quanto um texto que pudesse ter sido censurado, ou mesmo que tinha uma crítica mais explícita à Ditadura Militar, daí mudei o autor, fui falar de Vianinha que virou meu amigo e ídolo póstumo após eu ler, me emocionar e me deliciar com Rasga Coração. Tem mais um motivo pelo qual escrevo sobre Greta hoje, daqui a uma semana farei uma leitura dramatizada rememorando essa época de muito aprendizado nas “negras esquinas da badalação” que frequentei com todos os personagens escada que interpretei no Teatro de Revista. Hoje eu entendo que Fernando Melo não foi um covarde não deixando que Renato, Pedro e Mary vivessem um ménage a trois regado a whisky barato, pequenos furtos e calmantes, ele foi um astuto autor que não esmurrou a ponta da faca, deixou os três personagens acabarem na merda e assim narrou esplendidamente as vidas dos Pedros, Renatos e Marys da Cinelâncida dos anos setenta.

Estou num momento nostálgico, mas quem vive de Teatro é mesmo assim, vive um passado que não passa mais e que nega dizendo querer distância, anda em círculos eternos, mas em cima do palco, reclama do mesmo cheiro delicioso do mofo, toma umas cagadas de morcegos na cabeça, junta trocados pra cerveja após os ensaios – e antes também. Vida de Teatro é uma deliciosa lamentação, por vezes comemos sardinha e arrotamos o caviar, mas é essa a graça da coisa a gente gosta mesmo é do estrago! Merda para nós!

A quem se interessar pelo texto, pelo espetáculo e quiser assistir um pouquinho, aqui vai um trecho do primeiro ato. Abração e até próxima!

Guarnier