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Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Uma autora brasileira ficou em primeiro lugar no ranking de livros de suspense sobrenatural na Amazon? Sim, é verdade! A moça ultrapassou – na semana de lançamento de seu ebook – nada mais nada menos que Stephen King e desde que seu livro foi lançado vive voltando para o top 5. Talento e sorte? Não, talento e determinação. Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome” nos deu uma pequena palha de como é ser uma escritora nacional, dicas muito bacanas sobre outras escritoras e curiosidades sobre sua jornada.

A paixão pela escrita surgiu quando ela ainda estava estudando e queria cursar Medicina Veterinária. Para se distrair e sair um pouco da pressão dos estudos técnicos, ela escrevia. E começou a escrever tanto que entrou para o curso, largou a faculdade e hoje se dedica integralmente à arte da escrita. Quando decidiu abraçar a carreira de escritora, a moça foi em eventos para autores e editoras para descobrir como é que se trilhava o caminho. Cursos, perguntas, um contrato com a agência Increasy e muitas horas de treino para aprimorar suas técnicas até surgir “Quando o mal tem um nome”, uma história que acontece na Aparecida dos anos 70, uma cidade erguida no centro de um milagre e entrelaçada com a vida de Marta e sua filha Clara. Dentro desta terra de fé, a “malignidade cresce no coração de uma mãe devota. As orações que a padroeira não atende são feitas agora para anjos caídos. Um demônio atende a prece da mãe e a abominação despertada é tão grande que todos vão pagar pelo seu pecado. O mal só precisava que alguém o chamasse pelo nome e agora está entre nós.” Preparado para entender um pouco mais sobre o que se passa na mente de Glau Kemp?

1.Como foi chegar ao primeiro lugar na Amazon?

Assim que “Quando o mal tem um nome” foi lançado eu tava muito “Cara, esse livro tem que acontecer”. Meu livro é uma mistura de dois livros “Carrie, a estranha” e “O bebê de Rosemary”, aí minha tática foi “Vou lá no Skoob ver quem leu esse livro e  gostou e vou mandar pelo menos 10 mensagens por dia e falar com essas pessoas sobre meu livro. Fiz isso uns 20 dias, mais ou menos 200 pessoas. Pensei: “Se pelo menos 10% disso for ler e comentar na Amazon já tô feita.” Bastante gente foi lá e respondeu e foi isso que colocou o livro em evidência logo no lançamento.

2.Por que escrever literatura de terror/suspense? O que te encanta?

Acho que terror, em especial, não precisa explicar muito as coisas: se você tem poderes, você tem poderes. Eu acho mais fácil fazer a pessoa sentir medo do que ser engraçada. É mais fácil provocar medo. É um lugar comum para mim porque já tive muitas experiências. O terror me deixa mais confortável.

3.O gênero terror pode ser considerado uma literatura de resistência?

Pode ser. Talvez tenham escritores que sejam assim. Mas eu só escrevo para contar uma história.

4.No início desse ano nasceu a Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst), quais suas expectativas em relação à associação?

Vai ser muito importante porque será um grande meio de comunicação, com blogs sérios, maiores, outras mídias, referências para outros escritores, organização de eventos. Uma forma de ter acesso a outros profissionais, importante para essa união.
Estávamos muito soltos e achávamos que éramos menores. A associação te dá essa oportunidade de estar ligado ao que está acontecendo.

5.O que mudou na sua vida depois que escreveu “Quando o mal tem um nome”?

Eu me sinto com mais medo. Eu era mais corajosa. Não medo de coisas sobrenaturais, mas medo de coisas mais reais. Por exemplo, eu sempre fiquei muito tempo sozinha em casa, mas hoje eu tenho mais medo de ficar sozinha em casa. Minha audição aumentou e fiquei mais atenta às coisas que me rodeiam.

6.Que tipo de livro de escrita criativa você considera um ótimo caminho para quem está começando?

Olha, tem um livro bem curtinho do Felipe Colbert, escritor também, e editor da Novo Conceito: “Escreva seu livro agora!” Ele é bem direto, dá a formulazinha de como fazer uma escaleta igual se faz em um roteiro, separando tudo. Eu não sou uma pessoa organizada, não consigo trabalhar assim. Mas as dicas que ele dá são certeiras. A maioria desses livros sobre escrita são de autores de língua inglesa que já dominam a técnica, que vêm da escola já sabendo escrever profissionalmente, já o Felipe dá as dicas para quem escreve em português. Normalmente eu pego também dicas de livros com novos escritores. O último que eu li foi o da própria Cláudia Lemes “Santa Adrenalina”, lançado pela editora Lendary, um manual de como escrever um thriller, dá dicas bem diretas, livro bem fininho.

7.Qual a maior dificuldade em escrever e divulgar esse gênero sendo mulher?

Acho que a maior dificuldade é na hora que você está nos eventos: você vai divulgar seu trabalho e sua aparência é muito mais importante do que seu trabalho. Se eu for postar uma foto com o livro as pessoas vão falar de mim. Eu entendo que são elogios e recebo de coração aberto, é claro, mas é sempre “Linda”, “Você é uma fofa”. Não estão falando sobre o livro, eu estou falando sobre o livro, mas as pessoas estão falando sobre mim. Uma das coisas que mais me fez colocar o livro na Amazon foi isso: as pessoas me conheciam, mas não conheciam o que eu escrevo. Então eu falei: “Cara, eu preciso colocar um livro para as pessoas lerem, porque elas estão falando sobre mim.” O escritor é um tipo de artista que não quer aparecer, eu não quero aparecer, eu quero que meu livro apareça, quero que as pessoas comentem sobre o livro. É impressionante: eu vou num evento e as pessoas vão comentar sobre minha roupa. Sei que é uma forma de carinho dos leitores se interessar sobre outras coisas do meu universo, mas como quero ser uma escritora profissional eu preciso que eles se interessem pelo livro em primeiro lugar. E sendo mulher isso é muito difícil. A primeira coisa que eles percebem é você como figura. E não é só comigo que isso acontece, mas com todas as escritoras. É um desafio que vai continuar para sempre.

8.O que podemos fazer para que mais pessoas possam ler mulheres?

Divulgar. Eu acho que é um pouco também missão de quem já tá aí um tempinho. É você dar oportunidade de ir lá e falar quando gosta, às vezes você não tem noção do poder que tem em atingir pessoas. Às vezes fazendo um comentário, uma foto, você pode dar 50 leitores para aquela escritora. Tenho como preceito falar sobre autoras que li. Acho que faz parte. Você deve isso. Porque alguém já fez isso por você. Acho que todo tipo de ajuda é bem-vinda.

9.Como estamos falando de mulheres na literatura, quem você destacaria nesse universo?

A primeira mulher que vem à minha mente é a Karen Alvarez. Quando decidi escrever um livro de terror eu entrei na Amazon e pensei “Quem é que tá fazendo sucesso?” A primeira pessoa que apareceu foi ela,  que produziu bastante coisa de terror. Tem outras escritoras que admiro muito como a Claudia Lemes, li recentemente “Cartas no corredor da morte”, que é um livro que fiquei embasbacada,  fiquei assim: “Como esse livro não é conhecido?” Tem também a Juliana Dagle, além de ser muito talentosa, ela produz em velocidade inacreditável, boas histórias, livros densos e em pouco tempo. Tem muita mulher trabalhando para o lado do suspense, terror. Acho que 2018 vem muita coisa boa aí.

10.Se você pudesse ser um livro, qual seria?

Eu seria um livro que tá na moda agora, eu seria IT – a coisa, que é um livro grande e foi meu concorrente direto durante um bom tempo, pelo menos nesse início de lançamento, porque sucesso é muito passageiro. IT – a coisa é um dos livros preferidos, é uma história tão completa e complexa, fico imaginando o que estava passando na cabeça de Stephen King quando estava escrevendo. Talvez seja um clássico daqui a algumas décadas, sempre vai dividir opiniões. Eu gosto dos detalhes nesse livro, nos outros não.

11.Qual sua maior referência literária? Se pudesse um dia sentar com essa pessoa numa noite sombria, o que perguntaria?

Eu demorei muito tempo para ler Frankenstein de Mary Shelley. Ele é muito atual e fico pensando como foi para essa mulher escrever esse livro naquela época. Eu perguntaria se o livro mudou a vida dela de alguma forma, a forma como ela pensa, sabe? Porque em todo livro que eu escrevo, sinto que aconteceu alguma coisa diferente comigo quando ele termina.

12.Como costuma ser um dia típico de trabalho – como escritora – para você?

Eu escrevo diariamente e mensalmente escrevo muitos contos. Acordo umas 8h, tomo café, assisto jornal, vou para redes sociais, checo meu livro, se tem comentário novo, é um vício. 9h já tô escrevendo, se estiver muito intenso vou embora, às vezes nem almoço. Não sou uma pessoa organizada, mas eu tenho esse sonho de ser uma pessoa organizada, ter um horário certinho.

 

Apesar de trilhar seu caminho pelo terror, Glau Kemp está trabalhando em uma nova obra voltada para o público de chick lit: “O clube dos amigos imaginários”. Guarda esse nome. Mulheres na literatura que adoram desafios, quem não curte?

Para conhecer mais sobre o livro de terror da autora é só clicar aqui.

Hanny Saraiva

Promoção Livro Me Faz Feliz! Responda e ganhe prêmios. (ENCERRADA)

ENCERRADA

Promoção Livro Me Faz Feliz!

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* A escolha da melhor resposta será feita pela equipe da Poeme-se

Válido para todo o território nacional.

 

GANHADOR(A):

– Luiz Felipe

”E por que me faria feliz? Um bocado de páginas juntas, que só de olhar o número me dá preguiça. Preços absurdos! Posso conseguir de graça na internet! Acabei e vou deixar jogado numa estante? Para que? Provavelmente nunca vou ler de novo. Mas por que suportar tudo isso? Ah sim! Aquele cheiro. Me conquista! Páginas novas me deixam extasiado, hipnotizado! Da mesma forma me sinto ao olhar um livro velho e pensar em todo o trajeto que ele pode ter percorrido. Sem falar dos lugares que já visitei. Lugares maravilhosos, posso até mesmo descrever o aroma do local. Quantas pessoas incríveis já conheci. Consegui criar um elo de amizade com pessoas que nunca me conheceram! Todos os tipos possíveis. Eles conseguiam fazer coisas fantásticas e sempre me surpreendiam. Impressionante como em dias tristes eu simplesmente abria um livro e ia a um lugar bonito, ou como ficava aflito ou refletia. Ah… quantas reflexões. Aprendi a dar valor a todas as coisas e pessoas.
“Bobagem, é só uma história!”
Não, senhor! É uma lição. Uma mera história não traria esse misto de sentimentos para mim. Vale cada centavo. E, após ter visitado essa fabulosa narrativa, posso olhar para minha estante e relembrar os valores que adquiri, os sentimentos que tive e como moldaram o ser humano que me tornei. “Por que livro me faz feliz?”, vocês perguntam. E como não poderia? Ele faz parte de quem eu sou! E eu amo a mim mesmo e tudo o que me moldou.
Um sentimento assim é fonte de vida! E, olha só, quem diria, posso expressar tudo isso através de um livro! É possível repassar aos outros essas maravilhas!”

Nerd alert! Como se divertir sendo nerd no Carnaval.

Nerd alert! Como se divertir sendo nerd no Carnaval.

Cinco dias de folia, suor e tumulto? Nem sempre. Você não precisa ir para uma galáxia tão tão distante para aproveitar ao máximo esse período. Separamos algumas dicas de como se divertir sendo nerd no Carnaval que deixaria Spock orgulhoso de você.

Blocos nerds

Eles não são cheios e tocam suas músicas preferidas. Criatividade e fantasias mirabolantes são os pontes fortes dos blocos nerds, os otakus piram. No Rio temos o Bloco da Marcha Nerd, com composições de animes e clássicos nerds. Em Sampa o I have a bad feeling about this bloco, um bloco todo trabalhado na temática Star Wars. No Recife acontece o Bloco Porco Digital, que reúne nerds, geeks e simpatizantes de tecnologia e em Curitiba esse ano rola o Bloco de Cosplay ou do Bloco de Cospobre (para quem adora um improviso e não tem como gastar muito). Quem disse que nerd tem que ficar em casa no Carnaval? Se vierem questionar manda um Nerd hater merece o quê? para a pessoinha.

Bares temáticos

Se mesmo assim você prefere um espaço mais indoor e intimista, há vários bares temáticos que estão cheios de jogos de tabuleiros e promovem uma folia geek no ambiente daquele maravilhoso ar-condicionado. No Rio temos o Barzinga Geek Planet, esse ano vai rolar o Baile de Máscaras Geek com premiações em dinheiro e Kit Geek de brindes para o melhor Cosplayer. Em São Paulo você pode tomar uns bons drinks no Bar Gibi Cultura Geek e trocar ideia sobre aquela teoria mirabolante de multiversos que seu amigo inventou depois de ver a maratona de Dark. Ou você pode dar um pulo no Woodoo Lounge em Porto Alegre, pub com videogames, jogos de tabuleiro, sinuca e um cardápio cheio de referências de cultura pop. Ou quem sabe dar uma passadinha naquele bar geek de Recife com réplica da Plataforma 9 ¾ de Harry Potter: o Taverna BurgBeer que possui mais de 120 jogos e dois ambientes – um mais medieval e outro mais moderno. Além de exibir séries e um sanduíche de whisky que merece todo o respeito. Bares de sonho, não?

Maratona de séries

Mas se você é adepto ao bloco Unidos da Cama com Pipoca e pijama do Ali Express, aí vão nossas dicas carnavalescas:

– This is us > para chorar tudo que tem para chorar: relações amorosas, problemas familiares, financeiros, dúvidas existenciais e a vida que passa rápida demais. Perfeita para quem adora drama.

– The bold type > ainda sem exibição no Brasil (tem que apelar ao torrente para baixar), essa série girl power acompanha a vida de três amigas em Nova Iorque, com a descoberta de suas próprias identidades e sexualidades. Baseada na vida de Joanna Coles, editora de conteúdo da revista Hearst e ex editora-chefe da Cosmopolitan, é prato cheio para terminar o Carnaval pensando em mudanças.

– Battlestar galactica (a versão de 2004) > porque sim. É preciso rever, em tempos de instabilidade econômica e moral, essa série que nunca envelhece e toca em pontos importantes como repercussões políticas, religiosas e sociológicas. Muito além de “apenas uma série sci-fi.”

– Young Sheldon > divertida e tocante, a cria de The Big Bang Theory – que mostra a infância de Sheldon Cooper – é leve e despretensiosa. Os diálogos e o roteiro brilham, além da atuação do pequeno Sheldon e sua avó, Meemaw.

Literatura de peso

Prefere aproveitar o Carnaval dando um gás em sua leitura atrasada? Então é só vestir nossa nova camiseta e se abrir para essa vida literária! Em 5 dias você consegue ler:

– um livro de contos:  A menina sem palavra de Mia Couto – um panorama do universo infantil em Moçambique. As histórias selecionadas mostram a complexidade que move as relações familiares, a orfandade em um país que viveu por anos em guerra, a realidade das crianças submetidas ao trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência. 160 páginas de pura delicadeza.

– um livro de fantasia: Oceano no fim do caminho de Neil Gaiman – a história de um homem que regressa à sua terra Natal para um funeral e recorda os eventos estranhos que ali ocorreram quarenta anos antes. Poético e só com 178 páginas.

– um clássico nerd: O guia do mochileiro das galáxias de Douglas Adams – as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.
A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Apenas 180 páginas.

Jogos zerados

Nada disso? Você prefere zerar um jogo? O que dá para mergulhar no Carnaval e que nunca deixa de ser belo e intrigante?

– Limbo > jogo eletrônico de quebra-cabeça em plataforma. Às vezes dá vontade de ficar morrendo de propósito só para apreciar a composição do jogo. Com tons em preto e branco e uma atmosfera misteriosa, Limbo nos apresenta a um menino que desperta em uma floresta na “beira do inferno” e procura por sua irmã desaparecida.

– Rise of the Tomb Raider > empolgante, com cenas de ação que exige constante atenção do jogador e cenários com espetaculares gráficos, é considerado a evolução de tudo que se viu em relação à série. Destaque para a jogabilidade e o sistema de aprimoramento de armas e utensílios. Nesse jogo, a protagonisa Lara Croft tenta descobrir uma cidade mítica que possui os segredos a imortalidade e a partir daí ela tenta sobreviver lutando contra humanos, animais.

– Final Fantasy Tactics > um jogo de estratégia com uma pitada de RPG. Como é um jogo de estratégia, você vai ficar preso, querendo vencer todas as batalhas. Além, é claro, de que vai querer conseguir todas as classes/jobs e montar um pelotão forte. Igual curtir um Carnaval: fantasias, blocos e vitórias.


O que você pretende fazer nesse Carnaval? Conta pra gente nos comentários! =D


Hanny Saraiva

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

Um homem que morreu supostamente louco e perdido nunca poderia imaginar que suas obras ganhariam uma imensidão de influências na contemporaneidade. Se Poe vivesse na atualidade, ele sobreviveria à cultura pop? Não sabemos, mas a cultura pop e Edgar Allan Poe andam de mãos dadas. Livros, séries, adaptações, ano após ano suas histórias são desmembradas e compartilhadas ao redor do mundo. Por que a cultura pop ama Edgar Allan Poe?

O medo e a ambiguidade de seus personagens

Ele está presente em nossas estantes, pois nunca parou de ser vendido. Sua narrativa não envelheceu, as histórias possuem a capacidade de se transmutarem para outras mídias, abrindo o leque de possibilidades e adaptações. Poe dominava a arte do mistério, pioneiro em usar medo, loucura, culpa e histeria como forma de identificação. Quem nunca sentiu o que o personagem sente em “O gato preto” ou o medo atravessar a espinha em “A máscara da morte escarlate”? Sua construção cuidadosa é como um espelho para nossos próprios medos e somos atraídos por essa atmosfera lúgubre, principalmente porque o autor lida com a morte o tempo todo e nos mexe e remexe com as probabilidades de não haver nada além do fim ou de haver muito mais do que conseguimos suportar. Ele nos brinda com o medo da perda, de não conseguirmos suportar ver quem amamos ir antes de nós, mas acima de tudo, ele nos faz testemunhas de crimes que poderíamos ter cometido. Seus personagens se deparam com  aquele momento onde a linha tênue entre sanidade e loucura se rompe, onde o elo entre ódio e reprimenda se finda, ele brinca com nossa racionalidade e nossos próprios demônios, tão inatos dentro de nós. Suas histórias são uma tentativa de fuga, de catarse. Seus personagens são ambíguos, não são bons ou maus, mas humanos. Poe levou o gênero de horror a um nível de aprimoramento, focando no terror psicológico ao invés de apenas descrever um cenário de assombração. Não só a ambiguidade e o medo são representantes presentes em suas narrativas, mas também há humor e esperança em suas histórias, uma forma de empatia para com aqueles que estão perdidos e que lutam para que seus sentimentos se acalmem e tudo passe. Nesse mundo violento, mas que tenta a todo custo mascarar nossos medos em busca de felicidades constantes, nada mais atual, hein?

O mestre das técnicas

Poe pode ser considerado o pai do conto, foi com ele que aprendemos que narrativas precisam ser lidas de uma sentada só, ou seja, precisam ser curtas e envolventes para que as histórias possam fluir e ser degustadas. A contemporaneidade vive um momento onde há necessidade de se chegar ao fim da notícia, de passar os olhos pelos títulos, de ser captado pelo momento. Poe é o mestre do momento. Ele não apenas escrevia, mas como analisava a arte literária. Foi o primeiro a criar a teoria do conto, dissecando sua poética e seus procedimentos de construção. Poe acreditava que a narrativa curta era a forma mais apropriada para expressar o talento de um artista e a brevidade um fator essencial para essa boa narrativa, indo contra a teoria tradicional da época que prezava o romance, virando hoje em dia ídolo de escritores que escrevem para a cultura pop. Avant-garde, certo? Sua teoria da unidade de efeito – onde o leitor deve ler a história de uma única vez, assim não se desconcentrando com as interferências externas durante a leitura – ainda é muito discutida e aplicada no meio acadêmico literário e por escritores. A beleza, para o autor, deveria ser peça fundamental do poema enquanto que a verdade a do conto. Seus poemas, por exemplo, são imagéticos, com muita aliteração e comparação, criando uma atmosfera sufocante, onde as palavras parecem nos engolir. Dentro de uma sociedade DIY, procuramos referências para que possamos construir nossa própria arca e nada mais atual do que procurar por aqueles que construíram os primeiros baús, né? Além disso, sua literatura está disponível para adaptação sem necessidade de pagamento de direitos autorais. 😉

Vida trágica

Em uma sociedade onde ainda temos Big Brothers e teorias mirabolantes, Edgar Allan Poe parece ter virado personagem de sua própria construção literária. Sua trágica vida atrai muitos curiosos e especular sobre o que teria acontecido no seu dia a dia é pano certo para construir uma colcha de possibilidades. Quem não curte saber o que o artista poderia ter feito se tivesse mais tempo? O ser humano é atraído por tragédias e pagar para resolver mistérios nunca saiu de moda. O que ele fazia, como vivia, o que será que sentia? – questionamentos que continuam a passar pelas cabeças daqueles que começam a conhecer o autor ou que já destrincharam suas teorias antigas, em busca de novas. Perspectivas sobre uma vida de tragédia rende muitas adaptações e inspira artistas em todo o mundo. Mais atual, impossível.

Qual a melhor adaptação de Poe que a cultura pop produziu? Conta para gente nos comentários. =D


Camiseta literária Os Mistérios de Allan Poe

 

 

Como descobrir se há uma Simone dentro de você

Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você

Quando Simone de Beauvoir escreveu o último volume de O Segundo Sexo, A experiência vivida e a frase icônica “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” ganhou o mundo, ela abriu pano para uma discussão e uma tentativa de consciência sobre o papel da mulher que até hoje luta por espaço. 110 anos depois de seu nascimento, – que acontece em 09 de janeiro – ela ainda inspira mulheres com sua coragem e ousadia. A escritora e filósofa, grande representadora do movimento existencialista, pulsa e está presente em toda mulher que anseia que sua complexidade seja entendida, e acima de tudo, respeitada. Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você? Separamos algumas de suas ideias que prova que sim, você é uma mulher que dribla os pensamentos arcaicos desse mundo que vive tentando oprimir as nossas manas.

Simone de Beavuoir

“Liberdade é compromisso”. thumbs_up

O compromisso da liberdade está em respeitar a si mesmo, em ser fiel à sua substância, mas também em saber respeitar o espaço do outro. Você não luta contra o outro, mas a favor da liberdade de todos. Você deseja tanto a liberdade que ela não está desassociada à liberdade do outro. Uma mulher livre faz com que as outras também sejam livres. Sabe aquela moça que pula na piscina antes de todo mundo? Ela é livre e inspira outra menina a pular também. Ela não liga se está menstruada ou se tem estrias ou se sua gordurinha está aparecendo. Quando ela pula, outras pulam com ela. Por quê? Porque uma mulher livre também liberta as outras.

“Para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto, ela deve portanto, renunciar sua autonomia”. thumbs_Down

Assim como Simone você preza pela sua existência autônoma. Você enfrenta olhares que te julgam quando não segue as normas de boa moça e acredita que toda mulher deve lutar pelo que acredita e preza. Você entra no barzinho sozinha sim e viaja sozinha sim também. Não agrada o outro porque a cartilha diz. Em primeiro lugar está seu Eu que te instiga a ser você mesma. Respeitar o outro não é obrigá-la a algo que não queira.

“A paciência é uma das qualidades femininas que têm como origem a nossa opressão, mas deve ser preservada após a nossa libertação.” thumbs_up

Ser paciente não é abaixar a cabeça e ser omissa, mas uma qualidade associada à persistência. É necessário ser paciente para alcançar sonhos, metas, saber a hora certa de lutar e não desistir e a hora certa de recuar. Ser paciente é ser estrategista. Em um mundo onde  mulheres têm voz, mas muitas vezes não são ouvidas, a paciência é uma artimanha.

Mulher: livre, autônoma e paciente. O que é ser mulher para você? Conta para gente nos comentários.



Hanny Saraiva

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

7 autores brasileiros para você se deliciar nesse verão

A estação mais quente do ano chegou e com ela suor, cerveja e praia? Para alguns sim, mas para aqueles de coração literário o verão também é uma época para colocar as leituras em dia, descobrir novos autores e finalmente ler algum clássico. 2018 será um ano de mudanças e que tal começar conhecendo 7 autores brasileiros que, com certeza, você pode te deliciar nesse verão?

1. Ana Paula Maia

Ana Paula Maia

Escritora e roteirista, nascida em Nova Iguaçu. Ex-evangélica, ex-punk rocker. A Folha de São Paulo diz que a autora de Assim na Terra como embaixo da terra “produz literatura violenta dentro de universo masculino”. Suas obras têm ganhado destaque internacional por tratar de ambientes predominantemente masculinos, brutais e com pinceladas distópicas, leitura obrigatória para quem aprecia narrativas com atmosferas ásperas.

2. Vivi Maurey

Viviane Maurei

A autora carioca publicada pela Globo Alt já foi editora da Rocco e hoje se dedica exclusivamente à carreira de escritora. #Fui é seu primeiro romance e conta a história de uma garota que vai fazer uma viagem de intercâmbio e se vê em uma encruzilhada, tendo que decidir entre 3 caminhos diferentes. O grande destaque de Maurey é sua capacidade de nos colocar dentro desse romance contemporâneo de forma leve e divertida, quase uma Bridget Jones brasileira.

3. Julián Fuks

Julián Fuks

Paulista, escritor e crítico literário. O vencedor do Prêmio Jabuti de 2016 não poderia ficar de fora dessa lista. A revista Granta o indicou para entrar em sua edição de “Os melhores jovens escritores brasileiros” e suas obras têm ganhado diversos prêmios. Fuks aborda temas como exílio e memória de maneira sensível e primorosa. Destaque para seus livros A resistência e Histórias de literatura e cegueira.

4. Daniel Galera

Daniel Galera
Escritor e tradutor, com várias adaptações para cinema, teatro e HQs, seu livro Mãos de Cavalo foi presença obrigatória na lista de leituras para o vestibular por 3 anos. Nosso destaque vai para Barba ensopada de sangue, pois se passa em um pequeno balneário de Santa Catarina e resgata temas como construção de identidade, afeto e violência. Ótima leitura para quem ama diálogos ágeis.

5. Vanessa Barbara

Vanessa Barbara

Jornalista, tradutora e escritora, colunista do New York Times e Folha de São Paulo. Também foi selecionada para a coletânea da revista Granta como melhor jovem escritora brasileira. Introvertida e talentosa, a autora de O livro amarelo do terminal e Noites de alface é indicação certa para quem adora livros que prezem pelo senso de humor e ironia.

6. Luisa Geisler

Luisa Geisler

Gaúcha, que aos 19 anos foi vencedora do Prêmio SESC de Literatura  com o livro Contos de Mentira, Geisler é uma autora que caminha entre o doce e o trágico, com uma narrativa ácida e um foco nas relações contemporâneas e no cotidiano. Se você procura uma leitura sobre a dor e a delícia de crescer, por exemplo, indicamos Luzes de emergência se acenderão automaticamente.

7. Carlos Drummond de Andrade

Nossa indicação de clássico para esse verão é o livro Contos Plausíveis, de Carlos Drummond de Andrade. Por que Drummond? Por que esse livro? Contos Plausíveis é leve, breve e mostra como Drummond adorava contar histórias e “inventar causos”. Perfeito para o verão, não? Acreditamos que é uma ótima pedida caso queira ficar deitado na rede, com aquele céu azul sobre sua leitura e um sorriso constante no rosto. Coisa que só um mestre é capaz de nos proporcionar.

Camisetas de carlos Drummond de Andrade


Conhece algum outro autor brasileiro que não está nessa lista? Adoraríamos conhecer! Compartilha com a gente nos comentários.


Hanny Saraiva

O verão dos livros, com livros, para os livros!

O verão dos livros, com livros, para os livros!

É hora de ler, de vestir, de respirar literatura sem moderação. Vamos tirar a gravata, a saia. Vamos respirar o ar da praia e das páginas. Ler na piscina, na areia, na praça enquanto todo o dia passa. Vamos gelar o quarto e se comover com histórias, poemas, crimes sem solução. Dormir bem mais tarde, acordar em hogwarts ou num asteroide com um pequeno príncipe te dando a mão.
…e Quando chamarem nosso nome, quando bater aquela fome ou tiver desejo de abrir o telefone, já sabe: só mais uma página!

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12 sinais de que você ama Natal e não sabia disso

Seu Instagram já tem alguma coisa de Natal? Já pesquisou receitas de cheesecake? Não liga para quem diz que odeia a data 25 de dezembro e tem sempre uma boa história de fim de ano? Estamos aqui para te mostrar 12 sinais de que você ama Natal e nem tinha percebido isso.

1. Você compra objetos com temática de Natal porque acha fofo e bonitinho.

gif de bonequinhos de lego natalinos

Eles te trazem uma sensação de conforto e bem-estar.

2. Você adora ver filmes de Natal.

Todo ano você vê – no mínimo – um filme novo e repete um antigo.

3. Você acorda na manhã do dia 25 querendo um presente.

Toda manhã de Natal você tem aquela sensação de lembrar como é checar seu sapato/meia e encontrar um presente quando criança. No seu íntimo, você ainda espera por isso.

4. Você já enviou um emoji de Natal para alguém esse mês.

E aquela sensação de dever cumprido se instalou em seu coração. Algumas vezes você disfarça dizendo que estava bêbado.

5. Seu animal de estimação tem uma roupa ou adereço para o Natal.

Cachorro com gorrinho de natal

E você acredita que ele fica muito mais bonito do que o do vizinho.

6. Você prepara um monte de comida para o Natal.

Homem dorando pernil de natal

E se orgulha disso.

7. Você canta uma vez por ano “Já é Natal na Leader Magazine” para alguém.

Ou qualquer outra música repetitiva que tenha a palavra Natal e nem se sente tiozão por isso.

8. Você adoraria que nevasse no Natal.

Cachorro_pulando_na_neve_com_roupa_de_natal

E conhece monte de gente – e animais – que também ficaria muito feliz com isso.

9. Você já propôs um Natal hipster e alguém achou a ideia sensacional.

Todo ano essa pessoa te relembra que isso realmente poderia acontecer.

10. Você participa de todo amigo secreto.

Árvore de natal com pisca picas

Seja o da família, dos amigos, do trabalho, da escola, da vizinhança. Você está presente em todos e é um expert em embrulhos e o que cada um gosta de ganhar.

11. Ver luzes de Natal faz seu coração bater mais forte e seus olhos brilham.

Luzes de natal

Você diz que é reflexo do pisca-pisca, mas é sua alma natalina florescendo!

12. Você adora dar presentes.

E sabe exatamente o que cada um gostaria de receber. Desde pequenices a kits completos, não importa o valor, presentear é uma demonstração de afeto, um carinho na alma, como o que separamos para vocês em >> http://www.poemese.com/lancamentos

 


Você é realmente um apaixonado pelo Natal ou conheça alguém que seja? Compartilha com a gente! ˆˆ


Hanny Saraiva