Posts tagged "poesia"

Os Direitos do Leitor virou camiseta literária!

Inspirada na lista com os 10 direitos inalienáveis do leitor, criada pelo autor francês Daniel Pennacchioni, conhecido como Daniel Pennac, a Poeme-se criou a camiseta literária Os Direitos Do leitor.

 

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Conheça na íntegra os direitos da lista de Pennac:

  1. O direito de não ler.
  2. O direito de saltar páginas.
  3. O direito de não terminar um livro.
  4. O direito de reler.
  5. O direito de ler não importa o quê.
  6. O direito ao bovarismo.
  7. O direito de ler em qualquer lugar.
  8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
  9. O direito de ler em voz alta.
  10. O direito de se calar.

 

Os Direitos do Leitor

Resenha literária com Guarnier: Multi-sensorial

A poesia ativa o sétimo sentido: Leitura Multi-sensorial


“Cara, parece aquelas escrituras antigas… uma outra língua, sei lá”


Fiz um vídeo para explicar o processo de composição desse zine que gosto muito e que fiz há dois anos e distribuí por onde passei e para quem comprava o “Pacotão Poético” que reunia o livro Paiol-Ninho e outros livretos e zines meus. A intenção era fazer com que as poesias se modificassem e fossem se formando em outras a partir das dobras que o leitor fizesse no papel e para isso tive que compô-las no momento da criação do zine, tornando-o então, parte da própria poesia e estrutura.

Geralmente, na leitura de um zine, carta, livro, literatura num geral, dizemos que somente o sentido da visão é explorado, assim como somente a competência da leitura, digamos, tradicional, aquela que usamos para interpretar os sinais gráficos e a união dos mesmos para formar palavras, frases, textos e etc, porém não há como ler um rótulo de desinfetante e uma poesia igualmente. Um envolve a informação somente, outro envolve, além da informação, se for o caso, também a interpretação, o estado emocional, sentimentos. Para isso nossos sentidos são ativados além do que achamos. na maioria das vezes um leitor quer “entender” o que o autor quis dizer naqueles versos, pior erro de um leitor, a menos que seja um aspirante à vidência.
Se um poema já é lido de forma diferente de um rótulo por envolver além do sentido da visão, também tato, audição, olfato e paladar, um poema concreto, ou que envolva uma estruturação não convencional quando pensamos num poema, ou seja, versos lineares e estrofes, também é lido de forma diferente de um soneto, por exemplo, que é formado de dois quartetos e dois tercetos e rimas. Tudo oferece um gosto, um jeito, um elemento diferenciado para que a experiência seja diversa e é a própria experiência que marcará o leitor, pro bem ou pro mal, porém marcará. Vamos à leitura do zine:

 

A imagem de cima é a parte de trás do zine e a imagem da parte de baixo é a frente. a palavra “Meditar” faz parte da parte interna, mas cumpre seu papel também na poesia da frente que é:

“não é que eu demore pra falar

eu só espero

o coração meditar”


Agora vamos visualizar o interior do zine:

Eis esse emaranhado de letras grandes e pequenas, de formatos variados, onde se lê algumas palavras, mas nenhuma tem conexão com a outra e não têm coerência se postas num mesmo verso e, em tempo, não digo com isso que poesia tenha que ter coerência, mas acredito que me fiz entender. Agora vamos ver as dobraduras que formam as poesias presentes nesta folha:

lado esquerdo:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/PASSOS/QUE/NÃO/MEDI

Lado direito:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/DE ME CITAR

Agora o lado esquerdo desdobrado totalmente:

O QUE ME/LEVOU A TI/FORAM/OS/JATOS/DE/REBELDIA/NA SUA/POESIA

Lado direito totalmente desdobrado:

VEJO/MEU VERSO/E FALO/NA TUA BOCA/QUE NÃO PARA/MAIS/DE/CLAMAR/DIA/E NOITE/ESSE AÇOITE.

Todas as partes reveladas, espero que a experiência seja provocadora e que desperte uma leitura multisensorial em quem tem posse do zine. Vou deixar o vídeo que fiz falando do processo de criação e espero que gostem da proposta de diversificar nas possibilidades que a tecnologia nos oferece e introduzir estes recursos aqui na coluna. No entanto não esqueçamos que a criatividade é nossa maior tecnologia, somos sofisticados a ponto de nem queremos sê-lo. Quem quiser o zine, pode entrar em contato comigo por aqui, ou pela minha páginafacebook.com/poetaguarnier. Que a arte seja provocadora e instigante sempre. Grande abraço!

Guarnier

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

Minha mãe merece ganhar um Box Nova Fronteira

 

Estamos no mês das mães, ótimo momento para conhecer história de mães verdadeiramente literárias. Ainda mais quando temos um Box lindo da Nova Fronteira para presentear uma delas. É isso mesmo, nossa promoção cultural vai enviar um Box completo da Nova Fronteira para a melhor história.
Para participar basta escrever o porquê sua mãe é uma mãe literária, nos comentários da postagem do Facebook. A melhor resposta, escolhida pela equipe Poeme-se, ganhará o box.

 

Período de participação: até o dia 19 de maio 2017
Resultado: 22 de maio de 2017
Premiação: Todos os Romances e contos Consagrados de Machado de Assis – em três volumes.
Box Machado Aberto

Finalmente Caio F. Abreu na Poeme-se

Finalmente Caio F. Abreu na Poeme-se

O poeta que emprestou seus versos para o lançamento do mês de maio na Poeme-se tem nada mais nada menos do que 3 Jabutis no currículo e é, se não o mais, um dos mais citados nas redes sociais brasileiras.

É fácil entender o porquê Caio Fernando Abreu e seus escritos são tão queridos e propagados: o poeta lançou mão de uma linguagem acessível e bem próxima ao coloquial para criar toda a sua produção textual. Sem contar sua temática universal: o sentimento.

“Quero ser diferente. Eu sou. E se não for, me farei.”

 

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Resenha literária com Guarnier: Qualidade literária

A qualidade está nos olhos de quem lê

Livro e oculos

   Dia desses estava assistindo, por pura obra do destino, um programa esportivo cheio daqueles papagaios de pirata futebolísticos comentando uma partida de futebol, obviamente, e mais obviamente ainda, eram pessoas que nunca tinham chutado uma bola na vida, mas que baseado no livro do fulano de tal, que jogou no ano tal, do time tal em milenovecentosepouco, sentiam  propriedade em criticar a forma que o Betinho Tranca-Rosca chutava a bola. E falaram tanto, que um entre eles que havia sido jogador de futebol, viu-se na obrigação de defender o companheiro que estava sendo execrado e falou: Mas vocês por acaso já bateram uma falta num jogo profissional? O silêncio e o constrangimento tomou conta do estúdio até o apresentador tirar seus panos quentes da sacola e chamar o intervalo para por ordem na casa. Então eu lembrei que há bem pouco tempo eu me (re)voltei contra a academia e com toda sua cuspição de termos presentes em livros que eu nunca li, mas que eram pronunciados gratuitamente por simples egocentrismo acadêmico, com hálito artificialmente perfumado na base do “drops da arrogância”, ou seja, café e cigarro, por causa de gente que se veste de crítico e lê de cara torta a literatura alheia, gente que erradamente acorrenta o que escreve nas gavetas de casa porque tudo o que escreveu não passou pelo próprio crivo de qualidade, como se, para a Literatura, esse crivo existisse.

Eu escrevo bem?Papeis

   Criei um parágrafo de última hora para dizer, nesta manhã de domingo, a você querido autor, querida autora, você que sempre se vê diante de reflexões existenciais sobre a sua literatura. você que não tem coragem de mostrá-la nem para a pessoa que mais confia no mundo. Saiba que essa pessoa que você mais confia no mundo tem todo o direito de dizer que não gosta do que você escreve e isso te detonar, mas com certeza absoluta alguém, em algum lugar vai ler sua literatura e gostar. Portanto, se você gosta, mostre-se! Você pode não ser um Machado de Assis, mas isso não é mal, afinal, nunca mais haverá um escritor como Machado de Assis, correto? Então escreva, vá à luta, tome coragem, esvazie as gavetas e mostre-se! Mas não esqueça, não seja um bobão que fala: Se fulaninho de tal, que nem estudou, pode escrever, eu que tenho pós doutorado em arrogância, também posso. Isso é tremendamente errado, joga o drops fora e tira a casaca da ABL desse pensamento. Sigamos!

O que é qualidade literária?

Pensador

   A qualidade baseia-se no parâmetro de alguma coisa que eu desrespeito muito: regras! Se a regra diz que a Literatura tem que ser escrita a partir da norma culta da Língua, desconsideremos tudo que não respeita a norma? Será que todos os autores que não se mostram, desejam vestir as casacas das Academias de Letras? Eu digo aqui que me interessa muito mais ler o que está nas gavetas do que a obra do imortal José Sarney. Entretanto, ainda não é este o cerne da questão que me trouxe a escrever esta coluna, pois ainda existe algo mais triste que papagaios de pirata futebolísticos e críticos na base do café e cigarro (somente): Autor não legitimado depreciando autor não legitimado! Essa modalidade de mesquinharia anda sendo praticada mais que o desnecessário, principalmente quando alguns se valem do argumento de que são melhores que os autores da sua geração, ou que não se aceitam como marginais, que esse é um rótulo que eles não vestem por produzirem uma literatura diferente, mais polida, numa linguagem mais cuidadosa, que tomam cuidado com o que o seu leitor vai ter em mãos e que têm poetas/escritores clássicos como referência e eu, ouvindo isso tudo, revejo meus conceitos quanto aos preconceitos que tinha em relação aos acadêmicos. Queridos poetas, escritores, autores, dramaturgos, uni-vos! Se vocês não concordam que são marginais, mesmo estando fora do grande mercado editorial, isso é um problema de vocês, mas o que é feio é um coleguinha detonando o outro, até porque não será dessa forma que as editoras grandes vão notá-los. O interesse delas está numa outra questão que abordaremos numa outra oportunidade: uma literatura pasteurizada! Estamos entendidos? voltando à questão anterior, é bom esclarecer que também já fui um acadêmico, portanto já usei o tal drops e joguei esse futebol e posso falar dele, em outras palavras, manjo dos paranauês e sei que para a academia a necessidade de se basear em conceitos é a mesma que pisar em solo firme, porém concordemos que não pode existir solo firme quando se trata de gosto e interpretação pessoal. Vamos dramatizar:
(Cena I: Guarnier e autor tomando um café e fumando um cigarro – o tal drops acadêmico – num boteco qualquer lendo um Zine, ou livro artesanal, ou de editora pequena e discutindo “qualidade Literária” a partir da origem humilde da  publicação.)

Autor – Mas, Guarnier, meu caro, o fulano de tal, que já escreveu dez livros sobre crítica literária e os cambaus, diz que existe qualidade litarária e eu não vou contradizê-lo!

Guarnier – O Autor dos dez livros sobre crítica literária não emitiu sua interpretação, ou baseou a mesma interpretação em outros autores que também emitiram suas interpretações? Grosseiramente falando, tudo não é o ponto de vista pessoal repassado para outros pontos de vistas, como os nossos, por exemplo?

Autor – Sim, Guarnier, mas se eu fizer isso levo pau nos meus trabalhos acadêmicos!

Guarnier – Claro que leva! Mas deixe os teóricos para seus trabalhos acadêmicos na academia e traga o “você” para a sua literatura e seu gosto a cerca dela.

(Black Out. Cena II blá blá blá…)

   Portanto digo a vocês, com absoluta certeza, que vamos ficar aqui patinando sobre o conceito do que é qualidade literária justamente porque ela só acontece no momento em que a fronteira que separa a não leitura da leitura é ultrapassada, ou seja, quando aquilo que ainda não foi lido passa a ser conhecido (isso seria um prenúncio de conceituação e eu estaria caindo na contradição de dizer que não, falando que sim? Espero estar errado!).
Já ouviram a expressão “não julgue o livro pela capa”? Ela não serve só para a capa, serve para o todo. Para o gosto – tanto no sentido de preferência, quando no sentido de sabor que a Literatura lhe trás.  A qualidade literária deixa de ser um conceito quando passa a ser parte de um sentimento, por isso, no momento da leitura, é importante se despir e deixar-se acariciar por outras mãos. Experimentar outros sabores. Descobrir outros prazeres. Pensar nas obras como se pensa em outros corpos ou outras comidas. Feito isso, aí sim se descobre a qualidade literária daquela obra para si, mas dar-se o direito de ler e falar com propriedade sobre o que se leu, a partir da ótica dos sentidos, é primordial. Leitura não é ato que envolva somente visão, você não é um scanner, é mais moderno que ele, que fique claro.
Ficamos hoje por aqui, sei que estou devendo a quarta Estação Marginal” que deveria sair esta semana, mas ainda não levantei material suficiente para escrevê-la e nem recebi o que pedi do responsável, é a correria, minha gente, mas antes de finalizar, vou confessar uma coisa: Não estou preparado para ler Kéfera! Beijos!

 

Guarnier

As 10 listas literárias mais curiosas

Listas, listas, listas… O mundo foi capturado por elas. Em nenhum canto você está a salvo de encontrar uma, de se submeter a uma. Foi com esse sabor desesperado na boca que eu pesquisei algumas… listas boas e listas estranhas. Veja o que encontrei:

gostaria muito de receber outras tantas listas. Se você conhecer alguma, me envia?

O Poeta

Me chamo poeta e sou um personagem feito de versos. Nasci aqui na Poeme-se para ajudar a colocar a poesia em movimento. Sirvo, é claro, para outras coisas também: jogo o lixo fora, lustro capas de livros e converso pelos cotovelos. Sou daqueles que falam poema no meio do expediente, toma café aos litros e se emociona em segundos… Tudo pra mim é fascínio.

Se quiser conhecer um pouco mais sobre o poeta e o que ele veio escrevendo clique aqui

Resenha literária com Guarnier: Ratoeirismo

Ratoeirismo: É pelos olhos do Rato que o poeta marginal enxerga – Estação Ratos Di Versos

Sinta SIm Ratos Di Versos

Quem tem medo da poesia? Tenho abordado muito a palavra e o ato de “desapendrer” nas minhas conversas sobre escrita e poesia. Tenho insistido na ideia de que para se escrever não necessita aprender nada além do que já se sabe, na verdade, a desaprendizagem é a grande chave para abrir esse cadeado que trancou conceitos limitados sobre “o que é poesia?”, ou “como se escrever poesia?”, ou sobre “o que é ser poeta?” e quem é este ser. Esse cara é o Gonçalves dias cantando seu exílio – ou do eu lírico – com a Norma Culta na ponta da pena chorosamente lacrimejando tinta deslizante sobre o papel num momento de rica inspiração e idealização de sua terra? Ou esse poeta é o rato que habita os cantos mais sujos e promíscuos do centro da cidade, bebendo cachaça e dividindo irmãmente umas palavras de baixo calão entre seus companheiros de compartilhamento de realidades? Um e outro! Nem um, nem outro! O poeta não é isso e nem aquilo! O poeta é poeta quando se assume como tal, tanto faz se veste bermuda e camiseta, ou se veste aquelas fardas de péssimo gosto da Academia Brasileira de Letras, convenhamos que aquilo ali é um convite a manter-se no seu lugarzinho e não se atrever a escrever poesia – eu nunca escondi minha passionalidade na construção dessas colunas e assim continuarei.  Mas vá lá que não é que achei uma semelhança entre o poeta rato e o poeta clássico? Vamos retomar o Movimento Literário intitulado Romantismo, mais precisamente em sua terceira fase, A Poesia Social, para conversarmos sobre Castro Alves, o poeta abolicionista que criou o “Condoreirismo”, onde o poeta toma emprestados os olhos do condor, a águia dos Andes, que atinge as maiores altitudes entre todas as aves oriundas da América do Sul, para, lá de cima, conseguir enxergar todas as atrocidades que os mercadores de escravos submetiam os homens e mulheres contrabandeados da África para cá, nos Navios Negreiros. A partir deste conceito, Castro Alves escreveu – ou descreveu – por exemplo, o poema “Navio Negreiro”. Agora vamos a uma simples equação: Se o poeta tomava os olhos do Condor emprestados para descrever o sofrimento dos escravos nos navios negreiros, logo o poeta pode tomar os olhos do rato emprestados para descrever tudo que a realidade perto do chão, da vida, dos bueiros, dos bares, das calçadas, das praças, da marginalidade revelam, e é aí que desembarcamos na nossa segunda Estação Marginal: Estação Ratos Di Versos!

Ratos

Uma breve [des]apresentação

uma carta de desapresentação: a pergunta “quem somos?” nos exige… Um rótulo? Certo: não temos. Não temos “atrações” nem poetas convidados: aos amigos fazemos convites, e as atrações acontecem… naturalmente. (…)  Atualmente o núcleo duríssimo são os poetas: Dalberto Gomes, Tiça Matta, Marcelo Nietzsche, Atile Muniz, Louis Alien, Esperando Leitor, Poeta Xandu, Dan Juan Nissan Cohen, Shaina Marine, Gabriela Tavares, Tom Sideral, Karla Sabah, Carluxo, Viviane RAC, Daniel Anzol, Fabrício Fortes, Ana Paula Neves, Sebastião José, Marine Folha, Gabriel Barros… Alguns outros, que já não sabemos se ficam ou se vão. Sem citar todxs, mas temos uma história sendo contada por essa nuvem de poetas no tempo. (…)”

(…)Vemos essa gangue-poema, Ratos Di Versos, e ela possui uma história: desde antes, quando já existiam poetas como Chacal, Maurição Antoun, Marcelo Nietzsche, Carluxo… E são pessoas que já vinham dos 70, dos 80, circulando a cidade e… O empurrão não basta, desequilibrar-se também é importante: Dan Magrão e Dudu Pererê são dessas pessoas-labirinto que esbarraram com esses poetas do CEP20MiL e dali partiram para criar o Planeta Letra (no Planetário da Gávea), já que naquele momento a leitura das poesias do Carluxo se fazia urgente!! (…)”

 

Chacal poeta Brasileiro representante da geração do mimeógrafo

Chacal poeta Brasileiro representante da geração do mimeógrafo

Sarau ratos

Sarau ratos

 

(…)Além de grandes fazedores de amigos, somos apaixonados por poesia de buteco, se tornando um clássico sarau das noites sob os Arcos da Lapa – surge: !!__Ratos Di Versos__!! [17/MAI/2006] nome emprestado por meio ambiente, com sarau no bar que levou o nome do local !!__Beco dos Ratos__!! Ali tinha um cineclubismo de parede e junto esses _nascemos ali !!! Mas foi no Bar do Jô, na viela trash chamada Travessa dos Carmelitas [2007-2009], ponto de travestis e prostitutas, ali sim: foi o batismo de fogo! Então o !!__Ratos Di Versos__!! possui essa rebeldia como marca, o que significa: somos poetas não institucionalizados.(…)”

Expulsos de vários locais onde já fizeram, ou tentaram estabelecer seu sarau, o “Ratos” faz jus ao criminalizado animal das ruas, assim como a versão marginalizada da poesia fora do laboratório do grande mercado editorial do país… do mundo! Essa galera não é o “Hamster” fofinho da gaiola que corre no mesmo lugar, eles correm o a cidade inteira. Não são camungonguinhos brancos e fofos que habitam ambientes literários cheirosos, ondem servem champanhe e canapés de frutos do mar, a cerveja e a sardinha frita salvam tranquilamente e é daí que muita coisa boa brota num guardanapo – mesmo que hoje seja “ super fofo e revolucionariamente bacaninha” escrever e desenhar em guardanapos pra uma galera aí, isso já é feito pela Poesia Marginal desde o tempo em que Dondom jogava no Andaraí… está claro?

A Ratazana e o Eguinho Pocotó

Vamos falar da ratazana mais ratazana da poesia, o “Xandu do Ratos”, uma das figuras mais icônicas do cenário poético atual, tanto pela escrita, quanto pela performance. Sempre portando seu frasco de adoçante cheio de cachaça, sua máscara e seu expositor de Zines, batizado carinhosamente de “Eguinho Pocotó”:

“(…)Uma ação bacana que encampei para o Ratos foi o estandarte chamado Éguinho Pocotó, que é rechado de fanzines, mas atualmente está perdendo espaço para varal e/ou esteira de poesias _em ambos os casos a missão maior é divulgar nossos poetas amigos dipista..”

Xandu com seu expositor “Eguinho Pocotó"

Xandu com seu expositor “Eguinho Pocotó”

<p style=”text-align: justify;”>“se eu vou daqui prali, nunquinha que eu ando só! vou de rolézinho em Antares com meu Éguinho Pocotó! – Pocotó! Pocotó! Pocotó! Pocotó! – o meu Éguinho Pocotó!” [by Dudu Pererê em versão Neo-Concreta ReMix](…)”

Xandu, além de ser o cara dos zines do Ratos Di Versos, também é um dos poucos caras que atravessam a cidade para brotar nos saraus da Baixada Fluminense, Cidade de Deus e onde mais solicitarem – ou não – sua presença marcante. Então se vir um cara baixinho, de bigode, com trancinha na barba, chapeuzinho de Seu Madruga e óculos escuros perambulando pela Lapa, ou chegando no seu sarau, Já sabe quem é. Ele conta como se responsabilizou por esse, digamos, dever em disseminar poesias através do zine:

“(…)desde sempre escrevi alguma coisa, vi surgi CEP 20MiL, peguei em mic qnd fui atuante da UERJ, mas só passei a me considerar POETA em 2013(…)” “(…)a cidade fervia e o Ratos tava rachado, então resolvi trazer pro Ratos minha perspectiva de “comunidade poética”, e nesse pacote: promover o nosso sarau, visitar as rodas, divulgar uma agenda de saraus periféricos, fazer viagens, criar fanzines, aderir a campanhas, ocupas, etc. A partir de 2013 meti a mão: fiz vários micro-fanzines e tb alguns livretos _que é minha onda atual.(…)”

Eu preciso expressar algumas coisas sobre esse cara que conheci na Rua e que vi pela primeira vez no Sarau do Escritório que será nossa próxima Estação, Xandu não é só um acontecimento poético, é um acontecimento de humanidade, um cara que tem clara missão do que é ser artista, não o que é ser um profissional da arte, há uma profunda diferença entre um, e outro que tem a ver com o amor por ela, então eu clamo: Preservem este rato e toda sua família e pelo bem da poesia, menos Mickey Mouses e Mais Xandu e Ratos Di Versos!

Bora ler poesia? Com vocês, Ratos Di Versos!

menos não é mais
o quase não se faz
mas o homem é condenado
na culpa de ser acusado…

(marcelo Nietzsche)

A poesia chega e vêm
Reverberando e todos os
Poros espalhando energia
Revigorante onde a voz
Que há dentro da sinfonia de tudo que há…
Amor segue o seu destino traçando o poema
Que não precisa de microfone para falar
Pois tenho a voz potente na vida

A poesia que vem chega sem avisar
Pois ela provoca atividade
Em todos os cantos da cidade
Invadindo todos os becos onde a rua seja a casa
Para todos os versos
Que seja ….
Rato……
Di Versos!

(Dan Juan Nissan Cohen)

a poesia da rataria é monstra!
…às vezes mestra,
às vezes tonta…
a poesia da rataria enseta!
…tantas vezes erra, …
tantas vezes tomba…
mas poesia, de repente,
rata que é: abunda!
chega ereta e por trás
– e retumba!
chega torta, rôta
– e sonsa: já descabela!
sóbria: só faz trocar pernas
bêbada: mita!
indômita nas cavernas
às vezes fraca
mas de outras:
tantas vezes bomba
e como sempre:
a posia só zomba!
– a poesia da rataria afronta!
Voa na jugular de quem julga!
Joga na valvular de quem vulva!
Arde no gogó de quem galga!
!!__Ratos Di Versos__!!
somente para quem demostra
ter sex-appeal
_e não descarta ver nu frontal

(Alexandre Durratos – Xandu)

Link para a página do Ratos Di Versos no facebook: https://www.facebook.com/ratos.versos/

Guarnier