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Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Entrevista #2: Rebeca Cavalcanti, blogueira literária, diagramadora e designer

Uma época de cadernos de anotações e poesias. O gosto pela escrita surgiu dessa época, mas foi só com os blogs que Rebeca Cavalcanti começou a considerar a escrita sobre literatura uma interface para compartilhar opiniões, criar debates e estabelecer uma rede de contatos entre autores, leitores e blogueiros com motivações literárias afins.
A diagramadora, designer e fundadora do blog Papel Papel nos mostrou como a literatura está presente além dos livros e como a voz subjetiva das redes sociais literárias se espalha e se consolida.

– Qual o segredo para o Papel Papel ter tantos seguidores?

Em 2018, o Blog Papel Papel comemora três anos e acredito que nosso crescimento tenha se dado principalmente por conta das relações de amizade construídas através da página. Afinal, se não fosse o apoio e parceria de inúmeros autores e blogueiros, dificilmente conseguiríamos resistir a esse período inicial onde tateávamos formatos de postagem, conteúdo e demais estratégias de participação nas redes.
Hoje, o Papel Papel é formado por cinco colunistas (Regiane Medeiros, Mich Fraga, Jonatas Tosta, Bruno Fraga e eu) e conta com a publicação de resenhas de diversos parceiros literários. Nossa maior atuação hoje tem sido no Instagram, por ser uma plataforma ágil e que atende nossa dinâmica de postagens. O formato Blog permanece e temos sim interesse em realizar um calendário ainda maior de posts. No entanto, como esta atividade literária permanece paralela à rotina diária de trabalho e estudo de nossos integrantes, ainda não dispomos de tempo nem parcerias remuneradas para uma dedicação total ao projeto Papel Papel. Mas temos a esperança de que com o tempo esta vontade se concretize.

– Qual blog literário você indicaria para os leitores da Poeme-se?

Gosto muito do trabalho da Rafaela, do Undone Thoughts, pelo diferencial de compartilhar indicações de livros ainda não traduzidos no Brasil. A Maria, do Impressões de Maria também é uma das blogueiras que admiro, e o diferencial de seu trabalho é o foco na divulgação de autores nacionais e, principalmente, Literatura Negra. Para leitores mais jovens, ou jovens de todas as idades que tenham interesse por uma escrita mais intimista, em tom de diário, recomendo o trabalho da Luana, do Memorialices. Além de reflexões cotidianas, a Lu também compartilha resenhas, especialmente de títulos de Literatura Fantástica. Aos leitores mais acadêmicos, recomendo a Revista 7faces, editada pelos críticos Cesar Kiraly e Pedro Fernandes.

– Qual foi a mensagem mais inusitada que o Papel Papel já recebeu?

No inbox do Instagram acontece bastante, principalmente em caps lock, zero pontuação e direto ao ponto: “OI SOU AUTOR FAZ RESENHA TE DIVULGO NO FACE ABÇ”. Não sei nem o que comentar…

– Por que blogs podem fazer a diferença no mundo literário?  

Costumo dizer que o papel de um blog (bom, pelo menos o nosso papel, em nossa concepção de blog) é o de se apresentar como uma conversa entre amigos. Daí nossa decisão por uma escrita mais informal (e que nos difere de inúmeras páginas “especializadas”, acadêmicas) e que possibilite uma maior proximidade entre o leitor e o articulista. Afinal, acreditamos que a experiência da leitura e o incentivo à interpretação e à escrita devam ser os principais objetivos de plataformas como a nossa, e é por este caminho que pretendemos seguir no Papel Papel.

– Como foi a experiência do Papel Papel em participar do clube do livro Da Vinci? Vocês pensam em montar algum outro clube do livro?

O Clube do Livro em parceria com a Da Vinci surgiu de forma experimental e independente, sem vínculos específicos com editoras e demais apoiadores. Por ter sido uma primeira iniciativa (tanto por parte da Livraria como nossa, enquanto mediadores de eventos literários), os encontros foram uma espécie de laboratório para novos projetos. No caso, este formato Clube do Livro teve a duração de um semestre, em 2017, mas a Livraria mantém até hoje um calendário bem diversificado de atividades (palestras, lançamentos, cursos) que vale a pena conhecer. Em relação ao nosso grupo de mediadores, estamos todos em um período de trabalho e estudos um tanto intenso, daí ser preciso essa pausa. Mas, havendo novas propostas de parceria (seja com editoras, autores, livrarias…) que se alinhem com nosso projeto e perfil literário, podemos considerar um retorno sim!

– Em relação ao seu trabalho como diagramadora: como costuma ser um dia típico de trabalho para você? 

O trabalho com diagramação é ainda muito recente, embora eu atue há alguns bons anos com design gráfico em uma empresa privada do setor da educação e da cultural. Neste ambiente, tenho sim uma rotina semanal de criação de peças gráficas, inclusive pequenas publicações; em paralelo, realizo a manutenção do Blog Papel Papel (tanto seu template como demais artes para redes sociais) e participo da criação de projetos literários (ebooks) com minhas amigas autoras e blogueiras. Gosto muito de atuar neste segmento da criação gráfica e espero cada vez mais estar envolvida com o mercado e o mundo editorial.

– Qual foi o trabalho mais peculiar que você pegou?

Ainda não passei por situações assim “peculiares”, mas creio que para o designer e o diagramador o desafio surja quando o contratante tem no orçamento um valor sujeito a cortes e, em sua mente, um projeto de publicação que demandará um fornecedor gráfico especializado – e, consequentemente, um custo imprevisto. É difícil não desapontar o cliente quando precisamos dizer que dobras, vernizes, todas-as-páginas-com-ilustrações-em-cores e demais acabamentos não saem “baratinho”, risos. No mais, minha experiência no campo do design tem sido bem proveitosa. E que continue assim, por muito tempo!

– Como podemos conhecer mais seu trabalho como diagramadora?

Relacionados ao Blog Papel Papel estão a publicação independente e de distribuição gratuita de dois ebooks contendo crônicas de jovens autoras e blogueiras de nosso convívio. O primeiro trabalho chama-se Amor em Cartas e foi lançado no dia dos namorados de 2017; o segundo, Crônicas de um Recomeço, foi ao ar nesta virada de 2018. Ambos os livros podem ser baixados gratuitamente em nosso blog.

– Você já passou por alguma situação pontual por ser mulher e trabalhar como diagramadora?

Não, nunca passei por situações constrangedoras em meu ambiente de trabalho, tanto o formal como o freelancer. Aliás, a atuação como microempreendedora individual, em minha opinião, é a que ocasionalmente me expõe a situações de embaraço, especialmente no que diz respeito a negociação de prazos e valores de serviços. No caso, por atuar no segmento da cultura (falo de minha experiência, não desejo generalizar), o trabalho de designer é ainda visto como algo “de menor valor”, especialmente se o contratante é um produtor criativo. É claro que os custos de se produzir um objeto artístico ou uma obra literária podem chegar a faturas astronômicas; ainda assim, há que se valorizar o trabalho de todos os agentes desta cadeia de serviços, e entender que uma relação que se baseia no “ah, faz meu livro que eu divulgo seu trabalho no Instagram” é nada ética, e dificilmente trará boa fama e resultados.

 

“Elas inauguram linhagens, fundam reinos e são fantásticas com a caneta na mão.” Só viemos relembrar que representatividade importa, viu? =D

 


Conhece alguma mana que está abrindo caminhos por aí? Conta pra gente nos comentários, adoraríamos conhecê-la.


 Hanny Saraiva

 

 

 

8 Instagrams literários que amamos

8 Instagrams literários que amamos

Imagens e literatura? Sim e sim! \o/Muito além de capturar e compartilhar momentos do mundo, testemunhamos a cada novo dia que os meandros da literatura contemporânea se reinventam. Pensando nessas descobertas, gostaríamos de dividir com você 8 Instagrams literários que amamos e que vale muito a pena seguir (além do nosso, é claro), não só pela beleza das imagens, mas pela força da ideia de cada perfil.

Papel Papel

A imagem mostra o Head do instagran do Blog Papel Papel, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

“Criado em julho de 2015, o Blog Papel Papel surgiu como um espaço literário de prosa informal e reflexões cotidianas, uma conversa entre amigos.” Perfeito para leitores de clássicos, best sellers, HQs e folhetins. A versão para o Instagram ganhou força e hoje conta com mais de 12 mil seguidores. A equipe divulga lançamentos e eventos literários (principalmente no Rio de Janeiro), além de resenhas e situações com livros.

Jornal Rascunho

A imagem mostra o Head do instagran do Jornal Rascunho, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Um dos últimos cadernos literários, funcionando desde os anos 2000, o perfil do Jornal Rascunho é tão cuidadoso quanto o próprio jornal. Livros em situações ambientes, – em locais internos e externos – fragmentos do jornal, indicações de livros e figuras célebres do meio literário fazem parte de seu dia a dia.

Literatura policial

A literatura de nicho tem ganhado destaque em cenário brasileiro e em especial a linha policial/mistério tem se sobressaído em nossas terrinhas. O perfil do blog nos traz imagens que nos remetem a ambientações de livros de crime, suspense e mistério, além de trazer dicas quentes desse gênero e novidades literárias, tanto no Brasil quanto no mundo.

Serendipity

A imagem mostra o Head do instagran da Melina Souza, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

O instagram de Melina Souza é fruto de seu blog Serendipity, que a princípio abordava sua visão fofa de menina que tinha muitos sonhos e que adorava frio de Curitiba, uma paixão por livros e que possuía muitas fotos poéticas.  Hoje, seu Instagram não é apenas literário, focando também em viagens pessoais e novos hobbies, mas suas resenhas e fotos com livros continuam adoráveis.

Our shared shelf

A imagem mostra o Head do instagran Our Shared Shelf, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Este é um instagram de um clube de livro feminista, com o objetivo de compartilhar e aprender mais sobre igualdade de gênero, criado e organizado pela atriz Emma Watson. A cada mês um livro é selecionado, lido e discutido e esse perfil mostra fotos de leitores com o livro do mês em seus lares, trechos sublinhados e todo um movimento que preza por essa leitura de gênero. Qualquer pessoa pode participar.

Drop and give me nerdy

A imagem mostra o Head do instagran Drop and give me nerdy, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Instagram literário feito por uma mãe nerd, com imagens descontraídas de seu dia a dia e de sua filha, imersa em fotos com livros, desde sempre influenciada pelo universo literário.  Quem é fangirl e Potterhead vai amar.

Subway book review

A imagem mostra o Head do instagran Subway Book Review, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Pequenas resenhas feitas por estranhos em metrôs e trens de Nova Iorque, Londres e México. Esse perfil poderia instigar um movimento no Brasil assim também, né? Otimize seu tempo e leia mais em transporte, dependendo do seu trajeto você pode ter certeza que sua meta de leitura triplica.

Grifei num livro

A imagem mostra o Head do instagran Grifei num livro, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

 

Sabe aquela pessoa que odeia que alguém escreva em livros? Se você é essa pessoa, não chegue perto desse perfil. Mas se você é aquele leitor que ama sublinhar e fazer anotações em seus pequenos companheiros literários, vai amar Grifei num livro. Aqui o que importa é aquela frase que te comoveu, que mudou seu mundo, que fica tão forte dentro da alma que você precisa destacar e compartilhar com todo mundo.

 

 

Mas se você acha que, independente do que façam com o livro, livro é vida, vai amar nossa camiseta literária da Lygia Bojunga

 


Tem alguma dica de Instagram pra gente? Adoraríamos ler seu comentário! =)


Hanny Saraiva

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

10 músicas que todo amante do samba deve conhecer

Verão chegando, calor brotando e aquele gosto de samba que penetra na pele e arrasta o pé para o batuque – quem nunca? Pensando em já te preparar para o ritmo “samba, suor, cerveja”, separamos 10 músicas que todo amante do samba deve conhecer e compartilhar, porque música que é música atravessa gerações.

 

1. Malandro – Jorge Aragão/Jotabê

Malandro na voz de Elza Soares é como um sussurro saudoso, uma das mais belas interpretações da canção que traduz o espírito daquele “perdido no mundo morrendo de amor”.

2. A voz do morro – Zé Kéti

Samba sobre samba que contempla gerações. Condutor de alegria, pincela um pouco a história do gênero musical, quase um hino carioca.

3. Se acaso você chegasse – Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins

Feito quase de improviso em uma calçada em Porto Alegre, esse samba foi inspirado na vida amorosa do compositor. Perfeito para cantar depois da sétima cerveja.

4. Coração – Noel Rosa

Canção obrigatória para entender o samba: intenso, generoso, cheio.

5. Batuque na cozinha – João da Baiana

João da Baiana, aquele que introduziu o pandeiro no samba, compôs esse samba em 1968. A simplicidade dessa canção é sua maior grandiosidade.

6. Eterna Paz – Candeia e Martinho da Vila

Esse samba é mais que uma “flor que flui”, é poesia batucada para aqueles que sonham.

7. Agoniza, mas não morre – Nelson Sargento

Seu compositor luta pelo samba desde os anos 50, época onde o gênero era marginal. Esse samba é acima de tudo “negro, forte, destemido”, símbolo de resistência.

8. Quando bate uma saudade – Paulinho da Viola

Uma pulsação intimista de uma jura não dita, desejo revivido, – que para continuar desejo precisa se manter distante – o sentir como o único caminho a se trilhar. Perfeito para cantar em voz alta.

9. A flor e o espinho – Nelson Cavaquinho

Bucólico, lírico, perfeito para aqueles dias onde parece que a sua dor é a maior do mundo. Só sua.

10. Agora é cinza – Alcebíades Barcelos e Armando Marçal

Campeão do Carnaval de 1934, sua melodia é atemporal, sendo conhecido até hoje “como um dos maiores sambas de todos os tempos”.

Para celebrar o dia nacional do samba, que tal vestir a Poesia do Samba? =D

 

Poesia do Samba, quatro camisetas de sambistas consagrados e o botão "Quero sambar"

 

Hanny Saraiva

Resenha literária com Guarnier: Caldo de Cultura

Caldo de cultura

Caldo, Música, Poesia e Outras Delícias: Estação Marginal VI – Caldo de Cultura

 

Desde que chegamos à Baixada Fluminense, já falamos do Sarau RUA e do Sarau do M.E.R.D.A., ambos de Nilópolis e, seguindo a veia que corta nossa BF, vamos pela linha do trem até a cidade vizinha para apresentá-los nossa sexta Estação Marginal, então chega mais porque vem coisa boa. Aí vem um caldo delicioso com ingredientes muito especiais.

 

    O que vocês acham de chegar num sarau onde rola música, Teatro, Poesia, Performance, Debates e ainda por cima saborear um delicioso caldo de graça assistindo a isso tudo? Pois é, este é o Sarau Caldo de Cultura que rola na praça Praça João Luiz do Nascimento, mas conhecida como “Praça da Telemar”, no centro de Mesquita, na estação ferroviária da cidade. Já lancei livro lá, mais precisamente o meu segundo, o Paiol e fui muitíssimo bem recebido, participei de debate e falei do processo de criação. Fui “entrevistado” pelo Ewerson Cláudio, figura icônica na militância artística e política de Mesquita e na Baixada e lembro que recebi um cachê delicioso: Dois litros de um vinho que, àquela altura com o tamanho do carinho que recebi, desceu uma maravilha acompanhado do caldo que é servido no sarau. Fundado em 2014, num ano que considero icônico para a cultura baixadense, pois foi de fato um período em que grande parte dos artistas pararam de migrar para capital e passaram divulgar seus trabalhos na sua região de origem. Durante muitos anos a Baixada exportou artistas para fora dela por não ter espaços onde os mesmos pudessem se apresentar, ganhar um cachê, vender seus cds, livros, passar seus chapéus, venderem seus artesanatos… enfim, a efervescência cultural da Baixada finalmente acontecia na própria Baixada. Um marco, como disse, mas retomando sobre o Caldo, sua primeira edição aconteceu no dia 14 de fevereiro deste belo ano. Rolando sempre na segunda sexta-feira de cada mês desde então.

“O objetivo é possibilitar o intercâmbio de diversas linguagens artísticas e da cultura em geral presente no caldeirão da Baixada Fluminense. A atividade conta com a presença de artistas plásticos, poetas, músicos, autores de livros etc.”

 

Nesta descrição do objetivo do evento, fica clara a vontade de oferecer um espaço onde os artistas possam se conectar com seu público, bem como ampliá-lo.

A Arte e a Praça Públicas

 

“Realizar o evento em praça pública foi proposital para interagir com o público que frequenta o local: jovens, crianças, adultos, a galera que organiza eventos na rampa de skate, hip hop, funk etc., além de vendedores das inúmeras barracas de alimentação (o que já é uma mostra da cultura da região)…”

 

A Praça em que o Caldo acontece é palco em que a vida se mostra de forma espontânea. Imaginem aquelas praças de 1980, em que as pessoas andam de bicicletas duplas, o pipoqueiro tem fila grande, a molecada joga um futebol e a criançada come algodão doce enquanto espera a vez nos brinquedos do parquinho. Os casais circulam e tem um clima de azaração típico da adolescência, mais as barraquinhas de cachorro-quente com super molho verde misterioso num clima bem amistoso e convidativo, pois então, além de tudo isso, numa sexta-feira por mês, ainda tem o Sarau rolando, quadros expostos, fanzines, varais, brechó, música, poesia, Teatro, Dança…

Diversidade e Pluralidade

“A pluralidade é um dos elementos conceituais do Caldo: misturar linguagens, ritmos, estilos, gerações, patrimônio imaterial – a mistura de elementos criando um meio propício, um caldo de cultura, para o surgimento de ideias e ações.”

 

    Neste trecho eu me identifico bastante, pois quando escrevi um projeto sobre o Sarau RUA e estava tratando sobre o que é a Baixada Fluminense, lembro que a denominei como “Um grande caldeirão com tudo dentro” para ilustrar sua diversidade, o Caldo é uma dessas maquetes que os saraus são para a BF: Um caldeirão com tudo dentro!

Quem mexe esse caldo?

“Durante dois anos e meio o Caldo realizou 25 edições na praça e parcerias com a Biblioteca Comunitária Oscar Romero, a Escola de Artes Técnicas Luiz Carlos Ripper e o IFRJ.

 

O Caldo de Cultura é independente e autônomo, fruto da miltância cidadã e coletiva pela resistência cultural na Baixada Fluminense, interagindo com várias iniciativas culturais da região. A equipe organizadora conta com a participação de Ane Alves, Cleia Cunha, Meire Oliveira, Eduardo França, Ewerson Cláudio, Genário de Moura, Hélida Mascarenhas, Irany Miranda e Ivan Machado.”

 

    Essa foi a nossa sexta Estação Marginal e décima coluna aqui no Marginália e também no blog dos nossos parceiros da Poeme-se. Como sempre terminamos com poesia, selecionei duas entre muitas de poetas que presenciei lá no caldo. Até a próxima!

Se por amor… Vago, valso, verso…
Se por amor… Invento, intento, imenso…
Se por amor… Ensaio, estréio, estrelo…
Se for amor… Repagino, respiro, renasço,…
Se for amor… Esbravo, escarno, esvaio…
Se não … nem Sou! A.A

-Ane Alves

Mudas As palavras mudas lhe diziam:
Bora com essa poesia!
Desfaz a cara, engole o choro
O grito calado constrói a mágoa.
Vai pra onde o céu possa alcançar,
E quando ninguém mais te esperar, chegue sorrateira,
Surpreenda a farsa,
Deixe se ir com o poema!
Seu universo lotado de si
Te aguarda pra brincar no seu jardim!

-Ane Alves

 

Enquanto isso…

Enquanto te espero…
Curo antigas feridas
Espanto grilos falantes
Dou faxinas constantes

Enquanto te espero…
Me encaro de frente
Me faço forte
Me dou um Norte

Enquanto te espero…
Percorro teus cantos
Ouço teus cânticos
Vejo teus encantos
Enquanto te espero…
Me guardo
Me trato
Me amo
Me basto!

-Ane Alves

Guarnier