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7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

7 livros para abraçar como se fosse seu melhor amigo

Gesto de amor, melhor dos remédios, carinho para viver com o coração pleno. Quem nunca gostou de receber aquele abraço aconchegante que parece aquecer a alma? Pensando no dia do abraço e como é importante estabelecer essa ligação de afeto, separamos 7 livros para você abraçar – porque a sensação de conexão íntima para amantes de livro é a mesma – como se fosse seu melhor amigo.

1. Com o mar por meio, Jorge Amado e José Saramago

Sinopse: A amizade entre Jorge Amado e José Saramago teve início quando os dois já tinham idade mais avançada e consolidada carreira literária, porém o vínculo tardio não impediu que os escritores formassem um laço forte, estendido as suas companheiras, Zélia e Pilar. Este livro reúne a correspondência entre os dois mestres – e os dois casais, muitas vezes – entre os anos de 1992 e 1998. São cartas, bilhetes, cartões e faxes com uma rica troca de ideias sobre questões tanto da vida íntima como da conjuntura contemporânea, sobretudo a cena literária.
Leve, com humor, como se fosse aquele abraço de fim de tarde, esse livro contendo a correspondência inédita entre os dois autores é perfeito para exemplificar aquele abraço de amigos que têm um laço forte em seus universos particulares.

2. Só garotos, Patti Smith

Sinopse: O relato inédito e comovente da história de amor e amizade entre a cantora e poeta Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Nestas memórias afetivas, Patti revive a aventura de dois jovens irreverentes e idealistas em direção ao sucesso mundial.
“Por que não consigo escrever algo que faça despertar os mortos?” Neste livro, a poetisa do punk nos dá desde abraços de uma delicadeza andrógina, um saudosismo poético até aqueles que nos tiram do fundo do poço, aquele abraço que salva. Patti Smith teve uma vida de dúvidas, incertezas, percalços, mas acima de tudo foi conectada e reconectada às pessoas que cruzaram sua jornada. Este livro não é apenas um livro de memórias, é um culto às possibilidades que abraçamos, ao ato de entregar-se. Traz um misto de ingenuidade, confusão, dependência, dores, laços, afetividade. Mas acima de tudo, nos mostra o desabrochar de um olhar poético, de uma mulher que era apenas sensação e crença. Uma ode às idiossincrasias artísticas e ao sonho.

3. Soppy, Philipa Rice

Sinopse: reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro, ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar.
É um livro maravilhoso para abraços estilo Netflix, com cheiro de acordei agora e tô te abraçando apenas para dizer o quanto é legal te abraçar no dia a dia. Singelo e fofo, tenho certeza que sua vontade de abraçar vai pipocar quando acabar a leitura desse título.

4. Sete minutos depois da meia-noite, de Patrick Ness

Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07, ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa: o monstro quer a verdade.
É um livro que você pode recomendar para aquele amigo que está passando por uma situação muito complicada e não sabe lidar com o caos que nos cerca. Poético, mágico e delicado, a narrativa do livro lembra muito Onde vivem os monstros. De uma profundeza sutil, nos vemos dentro do universo de Conor e como ele lida com seu monstro e a morte. Às vezes você quer abraçar, mas a pessoa não deixa? Esse talvez seja o livro para esse momento.

5. Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Sinopse: A adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente ‘branca’ e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Sensível e poético, a força das palavras dessa escritora nigeriana se encontra na simplicidade de usar o cotidiano de um microcosmo para abordar questões como violência, obsessão, opressão e a linha tênue entre o que é ser bom, o que é ser mau. Não temos aqui uma narrativa educativa nem pedagógica do que é certo ou errado, mas a descrição de uma pressão social, a confusão do que é ser rico e ser pobre em um local de desigualdades, a intolerância, a tirania, uma vontade grande de liberdade em meio ao sufocamento de não ter alternativas além de obedecer. Goles de amor em um mundo soberano podem alterar cursos, destruir e libertar destinos, construir histórias?
Os personagens vão ganhando peso e nos sentimos mais perto de suas dores e anseios conforme a narrativa avança. Chegamos ao fim como se estivéssemos dentro da casa deles. Não é algo como abrir a porta e entrar, você vai se entregando aos poucos, até realmente se sentir em casa. E no fim parece um abraço desesperado em busca de uma solução, mas o que a vida nos mostra é um eterno karma de consequências, mesmo que tardias.
“Um gole de amor, era como Papa chamava aquilo, pois a gente divide as pequenas coisas que amamos com as pessoas que amamos.”

6. O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

Sinopse: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Esse é um livro para abraçar como se sua memória de infância fosse uma pessoa ou uma coisa. Sabe aquela saudade com misto de medo do que foi vivido e a necessidade de um abraço para dizer que tudo vai ficar bem? É o que você sentirá nas entrelinhas dessa história. A necessidade de abraçar quem esteve presente em nossos momentos de criança, como se lembrança fosse objeto capaz de voltar e nos tocar, é grande.

7. O livro dos abraços, Eduardo Galeano

Sinopse: Galeano mostra o resultado de suas andanças incessantes de caçador de histórias, que vai ouvindo de tudo. O que de melhor ouviu ele transforma em livros como este, onde lembra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. A memória viva, diz Galeano, nasce a cada dia. Nada que possa ser dito numa apresentação é capaz de chegar perto da beleza e da emoção que estas páginas contêm. Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena.
Poético, cheio de memórias que te acalentam e te fazem pensar nas suas próprias, é um livro de presente. Pra cobrir de noite e dizer Feliz noite. Os contos são pura fantasia, charme com palavras e profundidade lírica. Pra dar de presente pra quem se ama lentamente e gostaria de abraçar sempre que se vê.
Marca nos comentários aquele amigo que merece um abraço de livro acolhedor.

Hanny Saraiva