5 livros para você mergulhar na literatura indígena

Muito mais do que uma cara pintada na escola, “o dia 19 de abril foi escolhido como data para se comemorar a cultura indígena em homenagem ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu em 19 de abril de 1940 em Patzcuaro, México.” Esse congresso tinha o objetivo de reunir líderes indígenas diversos e velar por seus direitos. Para não esquecer as raízes que formam nossa brasilidade e zelar por uma herança cultural e ética pautada na bibliodiversidade, separamos 5 livros para você mergulhar na literatura indígena e romper com aqueles velhos estereótipos.

1. As serpentes que roubaram a noite e outros mitos, de Daniel Munduruku

Daniel Munduruku tem mais de 40 livros publicados e foi o primeiro indígena a escrever livros com histórias do seu povo para as crianças. Nascido na Aldeia Maracanã, no Pará, ele reconta histórias que ouvia quando criança. As serpentes que roubaram a noite e outros mitos fala sobre mitos de origem narrados por anciãos do povo Munduruku. A vida na aldeia e a questão da memória são pontos importantes na obra. 

Sinopse: Ilustrado pelas crianças da aldeia Katõ, este livro traz mitos contados pelos velhos da aldeia – histórias que nos remetem a um tempo muito distante de nossos dias e que são contadas e recontadas às crianças indígenas como forma de despertar nelas o amor pela própria história e pelas lutas de seu povo. Tocam o fundo do coração e são uma excelente oportunidade de integração com o universo infanto-juvenil indígena e seus valores.

2. A Terra dos Mil Povos: História indígena do Brasil contada por um índio, de Kaká Werá Jecupé

A importância do poder da palavra na ancestralidade indígena é de suma importância e ela nos mostra como a pluralidade de etnias, a construção de identidades e as relações são fatores que nos ajudam a compreender como os povos indígenas leem o mundo e nos ajudam a conhecer como eles contribuíram para formação de nossa história.

Sinopse: Kaká Werá Jecupé nos conta neste livro o que lhe contavam seus parentes – pais, avós, bisavós e os ancestrais de sua tribo com a mesma oralidade, conservando a mesma fé. É preciso remodelar a visão que temos do povo brasileiro, agregando a ela a noção de que também nós somos uma etnia milenar. Umas das mais nobres e eficientes formas de conseguir isso é reintegrar ao universo da educação a perspectiva de valores universais contida na tradição indígena. Em A Terra dos Mil Povos, o leitor terá a chance de relembrar os valores, a ética, a forma de pensar e de agir e a natureza do índio.

3. Wamrêmé Za’ra: Nossa palavra – Mito e história do povo xavante, de Sereburã

Ilustrado com desenhos originais de jovens xavantes, a obra nos ensina a ouvir o que dizem os antigos. “Preste atenção na fala dos velhos sábios, pois eles guardam a Palavra Criadora” é o conselho inicial da obra e que marca a tonalidade da narrativa do livro. Composto de duas partes, a primeira reúne narrativas sobre às origens e o começo da humanidade. A segunda fala sobre o contato dos xavantes com outros povos indígenas e os não-índios. O livro é um apanhado histórico que vai do século XVI ao século XX.

Sinopse: Este livro traz a voz desse povo, 50 anos após os primeiros contatos com o branco. São traduzidas narrativas da história oral Xavante que constituem parte significativa de sua memória coletiva. Integram o livro desenhos dos Xavantes que mostram aspectos de seus mitos e de seu cotidiano, além de fotografias que documentam circunstâncias históricas dos contatos com o branco, ocorridas há meio século, e também cenas atuais da vida desse povo.

 4. Olho d’água: o caminho dos sonhos, de Roni Wasiry Guará

A obra venceu o 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas e narra as tradições e vida do povo Maraguá (Amazonas). A obra poética fala sobre esperanças, desapontamentos e desejos e o contato com o não-índio, além de ser uma reflexão sobre liberdade e responsabilidades perante o planeta.

Sinopse: A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) – seção brasileira do International Board on Books for Young People (IBBY), cuja missão é divulgar livros de qualidade para crianças e jovens –, reconhecendo o trabalho inédito da escrita literária criada por indígenas para esse público, e como uma ação de fortalecimento da nova década dos povos indígenas (2005-2015) proclamada pela UNESCO criou, em 2004, em parceria com o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), por meio do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (NEArIn) o Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas. A obra Olho d’água – o caminho dos sonhos, de Roni Wasiry Guará –, do povo indígena Maraguá, do Baixo Amazonas, é a vencedora do 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas. A Autêntica Editora, unindo-se a essa ação inovadora, publica o texto vencedor, possibilitando que este, transformado em livro, possa ser lido por mais pessoas.

 5. Irakisu: o menino criador, de Renê Kithãulu

Primeiro livro realizado pelos Nambikwara (Mato Grosso e Rondônia) realça as diferenças culturais e linguísticas entre os povos, valorizando cada identidade e cada voz e a poesia dos mitos.

Sinopse: Este terceiro volume da Coleção Memórias Ancestrais, Renê, representante genuíno do povo Waikutesu dos Nambikwara, índios que moram em sua maioria no Estado do Mato Grosso e em uma pequena parte do Estado de Rondônia, nos conta o mito de criação de sua gente, além das histórias narradas às crianças da tribo pelos mais velhos, no finzinho da tarde em volta da fogueira. 

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Repleta de elementos fantásticos, a literatura indígena nos proporciona um forte mergulho no imaginário e na tradição oral, bem como nos revela a importância da ancestralidade. Conhece algum outro livro indígena com esse poder transformador? Conta pra gente nos comentários. =D

Hanny Saraiva

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