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7 livros para quem está aprendendo a ler

Já dizia Drummond que as crianças são poetas por natureza. E como sabemos que o que lemos reflete em nossa forma de entender o mundo e que ler é sim uma forma de poder, separamos 7 livros para quem está aprendendo a ler, livros que já transformaram vidas de alguns pequenos e que estão na cabeceira de cama de outros. Facilitadores no processo de aquisição da leitura, eles ajudam não somente no aprimoramento da leitura, como são fundamentais para expansão da criatividade e visão de mundo. E como pontuou certa vez Neil Gaiman, “algumas histórias, pequenas, simples sobre gente embarcando em aventuras ou realizando maravilhas, contos de milagres e de monstros, duram mais do que todas as pessoas que as contaram, e algumas duram mais do que as próprias terras onde elas foram criadas.”

1. O dia de Chu, Neil Gaiman

O livro de Gaiman, com palavras curtas, é perfeito para quem está começando no processo de leitura. Frases bem humoradas, repetições e pequenos detalhes que prendem a atenção do pequeno leitor, o livro “recebeu elogios da imprensa e alcançou a cobiçada lista dos mais vendidos do The New York Times.”

Sinopse: Chu é um filhote de panda fofinho e muito… alérgico. O problema é que quando Chu espirra, coisas ruins podem acontecer. Seus pais, coitados, sabem disso e têm que pensar duas vezes antes de levar Chu para passear por aí. Será que Chu vai espirrar hoje?

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2. Meu primeiro bichonário, de Marco Hailer

As letras do alfabeto exploradas com as imagens coloridas e grandes dos diversos animais apresentados são perfeitas para o primeiro contato com o alfabeto, ótimo para reconhecer as letras e realizar associações.

Sinopse: Cada bicho, uma letra. Cada letra, um bicho. Se a abelha começa com A e a baleia com B, quem será que começa com a letra Z? Para brincar de descobrir o nome de vários animais e ainda aprender o alfabeto, nada melhor do que… Meu primeiro bichonário!

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3. ABC das coisas boas, de Márcia Paganini

Quem nunca ouviu A de amor, B de baixinho? Aprender o alfabeto associando cada letra ainda é recurso usado por muitas pessoas, mas e se cada letra fosse associada à uma sensação boa ou divertida? E se cada letra tivesse seu próprio poema? O livro de Marcia Paganini é uma brincadeira que explora de A ao Z coisas boas para se fazer.

Sinopse: Dar e receber abraço, ganhar um cafuné, dançar com os amigos, aproveitar a infância, ler um bom livro, navegar na web… Neste livro, você encontra divertidos poemas sobre pequenas coisas que nos fazem felizes.

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4. Borba – o gato, de Ruth Rocha

“As histórias da SÉRIE VOU TE CONTAR! foram escritas pela Ruth Rocha durante os anos de 1969 a 1981 em várias revistas para crianças que ela dirigiu, publicações que faziam um grande sucesso entre os pequenos.” Com personagens que valorizam a independência de pensamento, Borba – o gato é um exemplo de ousadia, união e amizade e pode ser explorado quando a criança já estiver em um processo de aquisição mais avançado, pois as frases são maiores

Sinopse: Borba, o gato, e Diogo, o cão, ensinam a todos uma grande lição: Que cão e gato podem ser amigos, e juntos enfrentar todos os perigos. Eles vão tomar conta da cidade para todos dormirem com tranquilidade.

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5. O menino azul, de Cecília Meirelles

Por que não aprender a ler através de poesia? Brincadeiras infantis, bichinhos preferidos, tudo isso se entrelaça com a formação de leitores e suas possibilidades de aquisição de leitura e esse livro de Cecília é um aporte para quem já tem intimidade com o alfabeto e que está no momento de explorar novas palavras.

Sinopse: Cecília Meireles, organizadora da primeira biblioteca infantil do país, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e um dos grandes valores de nossa literatura, tem um estilo voltado para a simplicidade da forma e marcado, ao mesmo tempo, pela riqueza das imagens e símbolos. Em O Menino Azul, o imaginário infantil, tratado com leveza, é a tônica dos versos.

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6. Aranha Dailili, de Luciana Savaget

Fios, letras, palavras na parede, o livro de Luciana Savaget é quase “poesia a encostar no céu.” Através de uma linguagem simples, é indicação certeira para quem está se iniciando no mundo das palavras.

Sinopse: Um aracnídeo pra lá de divertido é a Aranha Dailili. Com suas pernas tece letras, formando palavras carregadas de emoção. O livro é um convite para o leitor em processo de alfabetização, que, como Dailili, está em plena fase de descobertas das letras e palavras. Ao final da história, a aranha deixa uma mensagem para o pequeno leitor.

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7. A arca de Noé, Vinicius de Moraes

Para explorar e descobrir os enigmas da leitura e da escrita, esse livro de poemas é fundamental. Atravessando gerações, é atemporal e perfeito para ler e cantar, solidificando o processo de aprendizagem. Sugerimos ler uma poesia por dia e escolher as mais fáceis, com direito a canção depois. Algumas são mais complexas, então talvez seja necessário ler em conjunto.

Sinopse: Crianças e adultos sabem de cor alguns dos poemas infantis de Vinicius de Moraes, graças ao ritmo inteligente e bem-humorado dos seus versos. Há 32 poemas da edição original, publicada pela Companhia das Letrinhas pela primeira vez em 1993.

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Dia 08 de setembro é o dia mundial da alfabetização e acreditamos que valorizar o desenvolvimento humano através de letramentos é importante para vivermos em uma sociedade mais justa e participativa, por isso, te perguntamos: qual livro te ajudou a ler melhor? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

5 séries de peso baseadas em livros

Adaptações sempre são assuntos polêmicos e muitas vezes repetimos que o livro é melhor, mas algumas vezes temos que dar o braço a torcer e afirmar que o trabalho de adaptação é de qualidade (mas não supera o livro).

A gente quer que todo mundo veja a série sim, mas que também leiam o livro, né? Por isso separamos 5 séries de peso (fortes, impactantes, com excelentes adaptações, seja por conta do trabalho dos atores, seja pelo trabalho da equipe de produção e criação) baseadas em livros. Qual sua preferida?

1. Game of thrones

Queridinho número 1 da galera contemporânea (e alguns órfãos de O senhor dos anéis), a primeira temporada foi bem fiel ao primeiro livro da série de livros A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin. Apesar de o autor não ter concluído ainda a série de livros, a série televisiva alavancou a venda de livros e retornou a sede por livros grossos e caminha para a última temporada com muito sangue, plot twist e surpresas.

Sinopse: Situada nos continentes fictícios de Westeros e Essos, a série centra-se no Trono de Ferro dos Sete Reinos e segue um enredo de alianças e conflitos entre as famílias nobres dinásticas, seja competindo para reivindicar o trono ou lutando pela independência do trono.

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Bates motel

Espécie de prólogo do livro Psicose, escrito por Robert Bloch, – que também inspirou o filme de Alfred Hitchcock – Bates Motel aborda os mistérios em volta do personagem Norman Bates e sua mãe. Com atuações intensas, a psicopatia, a loucura e a manipulação saem da esfera cliché e esse universo é explorado com maestria, assim como foi o livro de Bloch, “publicado originalmente em 1959 e livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas.”

Sinopse: Após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decide começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela compra um velho motel abandonado e a mansão ao lado.

3. Mindhunter

Pesado, intenso, o autor não mede palavras, tornando o livro base para várias séries e filmes de investigação. Mindhunter, de John Douglas e Mark Olshaker conta a história do lendário agente especial do FBI John Douglas, especialista em serial killers que desvendou a identidade de diversos suspeitos e analisou perfis como os de Charles Mason. Thriller ou biografia? A adaptação para a série caminha para thriller documental, com foco nos perfis criminosos, mas também nas consequências de se focar somente no trabalho. A série se baseia na vida de dois agentes que assim como John, entrevistam assassinos e analisam perfis para resolver casos.

Sinopse: Estados Unidos, 1977. Holden Ford e Bill Tench, dois agentes do FBI, possuem um plano ambicioso em mente: desenvolver a primeira pesquisa nos EUA sobre a mente dos assassinos. Para isso, eles precisam ganhar a confiança dos detentos e superar uma série de desafios.

4. Anne with an E

A série é inspirada no livro Anne de Green Gables, da canadense Lucy Montgomery, publicado a primeira vez em 1908. A adaptação foi feita pela escritora e produtora Moira Walley-Beckett e é uma combinação de romantismo da era vitoriana, com pinceladas de problemas sociais ao fundo e como lidar com eles. Singela e permeada de atuações ora tocantes ora exageradas, Anne with an E aborda temas como feminismo, machismo, a homossexualidade e o racismo de forma enternecedora, além de acompanharmos as frustações e alegrias do dia a dia dos personagens.

Sinopse: Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a órfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo.

5. Handmaid’s tale

Baseado no livro O conto da aia, que ganhou o primeiro Prêmio Arthur C. Clarke Award de 1987 e foi também nomeado ao Nebula Award de 1986 e ao Prometheus Award de 1987, o livro de ficção especulativa de Margaret Atwood já vendeu milhões de cópias e assombra leitores e autores. A série ganhou notoriedade entre críticos e o movimento feminista.

Pelas palavras de James Poniewozik, do The New York Times,“‘The Handmaid’s Tale’ é um alerta. Uma história de resistência e sua construção de universo é impecável. É rigorosa, vital e muito assustadora. (…) Eu odeio dizer que essa trama é relevante atualmente, como se não fosse assim há três décadas. Mas vamos encarar: quando se tem um presidente que fala sobre mulheres como se elas fossem brinquedos, que deu a entender que uma jornalista durona estava menstruada, cujo governo juntou uma sala cheia de políticos homens para discutir a saúde das mulheres – bem, o marketing viral acontece por conta própria. Você pode não acreditar que alguém na vida real esteja tentando fazer como que os Estados Unidos se transformem em Gilead. Mas ‘The Handmaid’s Tale’ não é sobre uma profecia. É sobre um processo, sobre a maneira com que as pessoas se forçam a acreditar que o anormal é normal, até que um dia elas olham ao redor e percebem que esses são os antigos dias ruins.”

Sinopse: Em um futuro distópico, um governo totalitário e fundamentalista cristão é formado no território onde antes estava os Estados Unidos. Devido contaminação ambiental desenfreada, a maioria das mulheres se tornou estéril. Para garantir a sobrevivência de sua população, o governo “recrutou” as poucas mulheres férteis, que foram realocadas nas casas da elite, onde são submetidas a estupro ritualizado por seus mestres, de modo a gerarem seus filhos.

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Gostaria de compartilhar alguma outra série que você ama baseada em livro? Conta pra gente nos comentários. =D

Hanny Saraiva

Qual a importância da literatura de humor?

Já dizia Victor Hugo, “A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano.” Já que o brasileiro é considerado um povo que ri (vide o número de memes espalhados em velocidade espantosa), nos perguntamos: Qual a importância da literatura de humor?

O que é literatura de humor?

De acordo com a pesquisadora e professora Isabel Ermida, o humor literário “consiste em situações pontuais que, curiosamente, assumem contornos muito semelhantes aos das anedotas.” Esse tipo de literatura aborda a natureza humana tendo como elemento principal o riso. Cheia de crítica, sarcasmo e ironia, a literatura de humor não apenas nos faz sorrir como nos faz pensar. Seu grande trunfo muitas vezes está nas entrelinhas, o efeito de suas frases nos coloca em um ponto onde não apenas rimos, mas começamos a nos questionar por que estamos rindo.

Humor sarcasmo

Onde encontramos a literatura de humor?

A leveza do humor pode parecer oposta ao que algumas pessoas chamam de clássica literatura, mas muitas vezes é através da literatura de humor que refletimos sobre assuntos considerados mais sérios como política e sociedade. Há humor na literatura considerada de massa tanto quanto na alta literatura, por que não produzir mais gargalhadas então? Pensando nisso, a Poeme-se criou uma linha especial de camisetas literárias recheadas de humor para aqueles que acreditam que “literatura boa é a que eu quero ler.”

Humor leitura

Por que o humor na literatura é importante?

A poesia de Bocage, as obras de Philip Roth, o humor inglês de Douglas Adams, a verdade é que as particularidades do humor podem se transformar em aparelhos de denúncias, podem nos ajudar a suportar um momento de crise, podem ser gatilhos para mudanças. O humor vive da circunstância e o ponto principal da escrita de humor é o jogo de palavras que nos faz rir, mas acima de tudo, nos faz refletir. Seja em narrativas ficcionais, seja em tirinhas ou em frases de camisetas poéticas, há um elemento que temos que concordar: é sempre polêmico.

Humor livro

Que literatura de humor você adoraria encontrar na Poeme-se? Conta pra gente nos comentários. 😉

Hanny Saraiva

10 frases para quem ama livros – e sabe que eles te libertam

Se você é um colecionador de frases e vive anotando tudo num bloco, doido para poder vesti-las um dia, separamos 10 frases para você que ama livros e acredita que leitura liberta, te faz uma pessoa melhor, apesar de ser viciante.

O pior dos novos livros é que eles nos impedem de ler os antigos. – Joseph Joubert

Caminhais em direcção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros. – Marguerite Duras

Um livro é a prova de que os homens são capazes de fazer magia. – Carl Sagan

Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre. – John Ruskin.

Seria bom comprar livros se fosse possível comprar, junto com eles, o tempo para lê-los. – Arthur Schopenhauer

Da minha parte, se um livro for bem escrito, sempre o acho curto demais. – Jane Austen

Fazer passar pelo corpo o maximo de narrativas possiveis. – Haruki Murakami

Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar. – Neil Gaiman

Literatura é luxúria; ficção é uma necessidade. – G.K. Chesterton

Nós sabemos que um povo que lê não se submete e já que a leitura liberta, te perguntamos: qual dessas frases daria uma ótima camiseta de livro? Tem alguma outra frase que gostaria de compartilhar? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

Aladdin foi o meu primeiro gatilho para literatura em um dia dos pais

Você tem direito a três desejos. Há quem responda: mas só três? E há quem diga: não consigo escolher um. Outros já se atentam: minha mãe disse para não falar com estranhos. O fato de responder que não pode falar com estranhos já é falar com estranhos, rapaz. Em 1992 foi lançado Aladdin (Estúdios Disney) com recorde de bilheteria à época, só não lembro. Vi depois, na sequência da infância, e foi esse filme que me fez despertar o primeiro gatilho para a literatura. Também é recortado pelas lembranças das fitas em VHS e dos Dias dos Pais. Como ainda não sou pai, o dia vale como filho.

A história conta a saga do jovem humilde, malandro e sonhador Aladdin. Lembro sempre nas turmas das oficinas que ministro e nas palestras, principalmente para os que sonham em escrever, que uma das principais coisas na criação de uma narrativa para fisgar qualquer leitor é o que aprendi com Ariano Suassuna: conte um sonho a uma pessoa e ela reagirá de uma forma, mas conte que sonhou com a pessoa e ela reagirá com muito mais interesse. Vejam só, eu queria ser Aladdin.

O jovem com roupa diferente e um chapéu que eu queria ter, mesmo sem coragem para usar, era a identificação também pela condição social. Não me faltava pão, mas queria ser rico. Sou iguaçuano, passei a infância em Cosmorama (hoje, depois da emancipação, bairro da cidade de Mesquita) e olhava para determinados lugares e pessoas com aquele imaginário de querer ter dinheiro para tudo o que eu quisesse. Como o Riquinho do filme com Macaulay Culkin, queria ter tudo. Talvez se resumisse a uma lanchonete dentro de casa e poder ser Aladdin. Ou queria apenas viver vários mundos como Agrabah.

A obra tem em minha carreira como escritor grande impacto. Foi incrível assistir quase que semanalmente a invenção de um mundo lúdico, ou um mundo ideal. Do Oriente Médio, noites da Arábia, que eu não fazia ideia que existiam às lendas de gênios da lâmpada, das frutas que eu nunca tinha ouvido falar como tâmaras e pistaches. Tem a princesa Jasmine mostrando que dinheiro não é tudo, querendo ser uma mulher livre. A paleta de cores vivas com predominância do amarelo, do vermelho e do roxo também fez alguma dose de hipnose nas crianças. Depois da macarronada no almoço de domingo era hora de assistir Aladdin.

Jorge Amado, à sua época, quebrou padrões e levou sua literatura brasileira, baiana, para o mundo assim como Cem Anos de Solidão, do Gabo. Com olhar pouco anacrônico podemos perceber a quebra de padrão da animação da Disney, já que se passava no Oriente Médio. Suponho, talvez com inocência daqueles meus sete anos de idade, que isso contribuiu para que viessem obras como Pocahontas, O Príncipe do Egito, dentre outras. Além de tudo, são estímulos de diversidade, pluralidade temática e cultural, exercícios de abrangente sabedoria.

Vale a pena entender a importância de estímulos na infância e seus resultados para a sequência da vida. Em um mundo cada vez mais dinâmico, tecnológico, das telas e redes invisíveis, onde a educação escolar é praticamente a mesma de cem anos atrás cabe ao contexto social essa condução dos estímulos. Devo muito ao que pude exercitar na fantasia com desenhos, filmes, brinquedos, músicas e livros. Desta forma, vale registrar que o que você faz hoje pode ter muita relação com o que você teve na infância. Brincava na rua ou em casa? Via muitos desenhos? Quais? Seus pais e avós te contavam histórias?

Hoje escrevo utilizando meu lugar e meus olhares, só que de forma muito mais ampla porque tive em Aladdin, O Rei Leão, entre outros, primeiros e verdadeiros gatilhos para ser o escritor que sou hoje. É importante notar que absorver a diversidade de linguagens me fez um pouco mais empático. Não é regra, mas um atestado pessoal. A literatura pode gerar esses resultados. Um dos meus desejos é ser pai. Outro é que a leitura não seja vista como esse mostro de calhamaços subjetivos, de letras pequenas, longos e incompreensíveis. Desejo poder contribuir para o fomento à leitura, escrever cada vez melhor, com mais relevância e menos egocentrismo. Como não há gênio perto de mim minha lista de desejos ultrapassa o número três. Mas se houver alguma lâmpada, um gênio com a voz de Robin Willians, espero que realize o desejo de que crianças leiam, adultos leiam, sempre iluminando um mundo que muitos julgam cada vez mais obscuro e imprevisível. Se não perdi as contas o terceiro desejo é que todos sejam livres, inclusive você, gênio.

7 dicas para criar uma criança leitora

Todos sabemos que promover a leitura não só estimula a criatividade e a imaginação como ajuda em novas aprendizagens, contribuindo  para aumento de vocabulário, cultura, desenvolvimento de capacidade crítica. Mas crianças leitoras têm uma visão de mundo diferente das que não gostam de ler. Elas resolvem melhor seus problemas, refletem sobre outras possibilidades e muitas das vezes são nas histórias que entendem as dificuldades e os prazeres de se crescer. Todo pai quer que seu filho viva de forma plena e feliz e criar uma criança leitora é o sonho de muitos que acreditam que amar livros é um dos caminhos para se produzir um mundo mais justo e democrático. Separamos 7 dicas para criar uma criança leitora, já testadas por pais que afirmam que deu certo.

1. Incentive a imaginação

Mesmo que a criança não saiba ler os códigos, é fundamental que a criança se sinta parte do processo de construção das histórias. Incentive seu pequeno a criar novos fins, novos começos, a pensar sobre outras possibilidades, a ter vínculos com os personagens, a deixar a imaginação solta.

2. Leve seu pequeno para Bienal do Livro

Toda a família deve frequentar espaços de leitura, livrarias, bibliotecas, Bienal do Livro. Na Bienal do Livro de São Paulo esse ano, por exemplo, haverá uma Praça de Histórias com diversas atividades incríveis e o espaço infantil terá a Tenda das Mil Fábulas com fábulas, lendas, histórias, contos e mitos, destacando na programação a diversidade cultural brasileira e a diversidade humana de 03 a 12 de agosto. Além disso, você poder passar em nosso estande e checar nossas novidades para arrasar com aquele #LookLiterário encantador para o pequeno.

3. Conte uma história todo dia

E se divirta também. Leitura é prazer. Todos sabemos que é importante que pais leiam para os filhos, pois dentre as inúmeras vantagens os vínculos afetivos e o gosto são criados a partir desses momentos. Mas nunca leia com pressa ou estressado. Seu filho irá sentir isso e o que deveria ser um momento partilhado, será visto como uma obrigação e ninguém sente prazer sendo obrigado, né? O que importa não é quantidade e sim qualidade. Velha máxima que deve ser respeitada à risca. O ideal é que pais possam contar uma história por dia, mas não é uma regra fixa, você pode estipular uma vez por semana, três vezes. O que importa é sua presença. De corpo e alma.

4. Deixe a criança se encontrar pela livraria

E isso quer dizer deixá-la explorar o espaço. Nada de você colocando o livro na mão dela, deixe-a escolher. Deixe-a tocar nos livros, passar a mão na capa, ver o que mais lhe agrada. Relaxe e vá você ler um livro. Isso vale também para outros espaços de leitura. Não tenha pressa.

5. Dê o exemplo, leia

Esse é a dica essencial. Se você não sente prazer lendo, seu filho seguirá seu exemplo e não irá gostar de ler. Se você é um apaixonado, no mínimo ele ficará curioso sobre essa paixão. Se empolgue com a leitura, divida com seu pequeno essa alegria. Para pais com bebês: não pare de ler porque está com um bebê. Pode até ser que você diminua um pouco a quantidade de leitura, mas não abra mão. Livros e histórias devem fazer parte do dia a dia da família, como comer e tomar banho.

6. Vá além dos livros

Ler vai além dos livros. A leitura está em sinais de trânsito, em rótulos, receitas, gestos, imagens, canções, o mundo. Temos que entender que aprender os códigos e estudar as letras não faz uma pessoa leitora. Traga outros elementos à vida de seu pequeno para que ele se sinta confiante e se apaixone pelo mundo dos que leem com amor e prazer. Não menospreze outros símbolos que ele pode chamar de leitura.

7. Vista literatura

Se crianças que gostam de super-heróis amam camisetas com seus personagens preferidos, por que crianças que gostam de livros não adorariam camisetas com seus personagens preferidos? Dê presentes que os lembrem da literatura, vista poesia.

Seu filho é um leitor nato? Conta pra gente o que você acrescentaria nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Que poema de Quintana te representa?

Já dizia o poeta, “Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente… e não a gente a ele! Para homenagear o mestre da simplicidade (que ironicamente não gostava de homenagens), separamos cinco poemas que adoramos e te desafiamos a escolher um. Que poema de Mário Quintana te representa?

1. Amor é síntese

Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.

2. Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E – ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
– Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
– O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

3. Olho as minhas mãos

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar…
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras!
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: “existo”.
Porque apenas existem…
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar…
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação!
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos?
Quem faz – em mim – esta interrogação?

4. Alma errada

Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há… e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…

5. Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Sabedoria literária, compreensão sobre a vida – o imaginário de Quintana vai além de seu tempo e nos toca com o sublime e singelo sopro da existência. Que poema te representa? Já deu uma olhada em nossas camisetas literárias? Clique aqui.

8 presentes criativos para o Dia dos Pais

O dia dos pais surgiu quando uma menina chamada Sonora Louise Dodd decidiu criar a data em 1909 nos Estados Unidos como uma homenagem a seu pai por ele ter criado 6 filhos sozinho, com muito carinho e alegria, após a morte da esposa.  Mas foi só em 1966 que o presidente oficializou no país o terceiro domingo de junho como data oficial. No Brasil, a data começou a ser comemorada no segundo domingo de agosto e foi comercialmente adotada pelo publicitário Sylvio Bhering. Independente de criações publicitárias, acreditamos que, se você possui um exemplo de orgulho, amor ou superação em sua vida, mimos e gestos de carinhos sempre são significativos e nada mais bacana do que alegrar o dia daquele que está ali do seu lado, te incentivando e acreditando sempre em você. Sugerimos 8 presentes criativos para o dia dos pais que amam literatura e que fará seu pai ficar com o olhinho brilhando.

1. Porta copos Poesia Marginal

Se seu pai é fã de design e tem uma queda por poesia, vai amar os porta copos da Poeme-se que têm versos imantados e ficam lindos na geladeira enquanto esperam para ser usados ou na mesa de trabalho do seu papito.

2. Almofada Oscar Wilde

Para pais que acreditam que as definições limitam, essa almofada é perfeita para aquele descanso quando se lê no sofá ou para apoio enquanto se reflete sobre o fim daquele livro que você vai ler depois que seu pai terminar a leitura. Além de ser um objeto de decoração super charmoso. Veja outras opções aqui.

3. Pôster Jean Cocteau

Se seu pai é um descobridor de sete mares, curioso, aventureiro e que adora um desafio, vai adorar esse pôster do Cocteau. Perfeito para aqueles que acreditam que a poesia deve ser vivida. Outras opções dessa pequenice aqui.

4. Pedra Poética Edgar Allan Poe

Se seu pai é apaixonado pelas tramas de suspense e terror, vai amar essa pedra poética feita pelas mãos da artista Moana. As pedras são únicas e feitas com exclusividade, handmade. A designer busca pedras parecidas, mas não existem duas pedras iguais no mundo, assim como não há amor igual. Um ótimo gesto de carinho para incentivar as leituras e escritas daquele que te inspira a cada dia. Quer conhecer outros escritores em pedra? Clica aqui.

5. Book Bag Selfie Poética

Se seu pai ama livros e está no movimento daqueles que adoram também cuidar da natureza e de nosso ambiente, ele vai amar essa book bag que também serve para colocar comprinhas leves e te trazer aquele pote de sorvete que você tanto deseja no meio da semana e só ele vai lá e traz. Acho que você vai se apaixonar pelas outras também, dá uma espiada aqui.

6. Caderneta Eu Me Chamo Antônio

Seu pai também é um apaixonado por cadernetas? Ele é daquele que adora colocar poesia em movimento, anotar frases de pessoas aleatórias nas ruas ou escrever enquanto se locomove de um local para o outro? Um homem de palavras sempre anda com suas anotações. Temos certeza que ele vai amar quando você incentivá-lo a colocar no papel as histórias que ele vive te contando.

7. Caneca Intervenção Literária

Para aquele pai que acredita que o caminho do país é através da educação, dos livros, da cultura e que faz parte da militância literária. E para aquele que é um bom apreciador de café porque ninguém é de ferro, né? Para outros estilos de canecas, veja aqui.

8. T-shirt Seleção de Poetas

Se além de poesia, seu pai ama futebol, ele irá para tudo quanto é lugar usando essa camiseta, com certeza. Esse é o nosso time de coração, será que ele também acredita nesses poetas bons de bola? Para outras camisetas com frases legais, é só clicar aqui.

O carinho por um homem que te inspira vai além de datas comemorativas, gostaríamos de relembrar isso, viu? Vai além também da definição de progenitor, é aquele que você pode contar, mesmo que vocês não tenham laços sanguíneos, vai além de só dar uma ajuda, ele é presença constante em sua vida. Mas acima de tudo, pai que é pai é símbolo de amor. Você sempre vai sorrir ao lembrar dele.

O que seu pai adoraria receber? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva