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Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Mulheres na literatura #1 Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome”

Uma autora brasileira ficou em primeiro lugar no ranking de livros de suspense sobrenatural na Amazon? Sim, é verdade! A moça ultrapassou – na semana de lançamento de seu ebook – nada mais nada menos que Stephen King e desde que seu livro foi lançado vive voltando para o top 5. Talento e sorte? Não, talento e determinação. Glau Kemp, autora de “Quando o mal tem um nome” nos deu uma pequena palha de como é ser uma escritora nacional, dicas muito bacanas sobre outras escritoras e curiosidades sobre sua jornada.

A paixão pela escrita surgiu quando ela ainda estava estudando e queria cursar Medicina Veterinária. Para se distrair e sair um pouco da pressão dos estudos técnicos, ela escrevia. E começou a escrever tanto que entrou para o curso, largou a faculdade e hoje se dedica integralmente à arte da escrita. Quando decidiu abraçar a carreira de escritora, a moça foi em eventos para autores e editoras para descobrir como é que se trilhava o caminho. Cursos, perguntas, um contrato com a agência Increasy e muitas horas de treino para aprimorar suas técnicas até surgir “Quando o mal tem um nome”, uma história que acontece na Aparecida dos anos 70, uma cidade erguida no centro de um milagre e entrelaçada com a vida de Marta e sua filha Clara. Dentro desta terra de fé, a “malignidade cresce no coração de uma mãe devota. As orações que a padroeira não atende são feitas agora para anjos caídos. Um demônio atende a prece da mãe e a abominação despertada é tão grande que todos vão pagar pelo seu pecado. O mal só precisava que alguém o chamasse pelo nome e agora está entre nós.” Preparado para entender um pouco mais sobre o que se passa na mente de Glau Kemp?

1.Como foi chegar ao primeiro lugar na Amazon?

Assim que “Quando o mal tem um nome” foi lançado eu tava muito “Cara, esse livro tem que acontecer”. Meu livro é uma mistura de dois livros “Carrie, a estranha” e “O bebê de Rosemary”, aí minha tática foi “Vou lá no Skoob ver quem leu esse livro e  gostou e vou mandar pelo menos 10 mensagens por dia e falar com essas pessoas sobre meu livro. Fiz isso uns 20 dias, mais ou menos 200 pessoas. Pensei: “Se pelo menos 10% disso for ler e comentar na Amazon já tô feita.” Bastante gente foi lá e respondeu e foi isso que colocou o livro em evidência logo no lançamento.

2.Por que escrever literatura de terror/suspense? O que te encanta?

Acho que terror, em especial, não precisa explicar muito as coisas: se você tem poderes, você tem poderes. Eu acho mais fácil fazer a pessoa sentir medo do que ser engraçada. É mais fácil provocar medo. É um lugar comum para mim porque já tive muitas experiências. O terror me deixa mais confortável.

3.O gênero terror pode ser considerado uma literatura de resistência?

Pode ser. Talvez tenham escritores que sejam assim. Mas eu só escrevo para contar uma história.

4.No início desse ano nasceu a Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst), quais suas expectativas em relação à associação?

Vai ser muito importante porque será um grande meio de comunicação, com blogs sérios, maiores, outras mídias, referências para outros escritores, organização de eventos. Uma forma de ter acesso a outros profissionais, importante para essa união.
Estávamos muito soltos e achávamos que éramos menores. A associação te dá essa oportunidade de estar ligado ao que está acontecendo.

5.O que mudou na sua vida depois que escreveu “Quando o mal tem um nome”?

Eu me sinto com mais medo. Eu era mais corajosa. Não medo de coisas sobrenaturais, mas medo de coisas mais reais. Por exemplo, eu sempre fiquei muito tempo sozinha em casa, mas hoje eu tenho mais medo de ficar sozinha em casa. Minha audição aumentou e fiquei mais atenta às coisas que me rodeiam.

6.Que tipo de livro de escrita criativa você considera um ótimo caminho para quem está começando?

Olha, tem um livro bem curtinho do Felipe Colbert, escritor também, e editor da Novo Conceito: “Escreva seu livro agora!” Ele é bem direto, dá a formulazinha de como fazer uma escaleta igual se faz em um roteiro, separando tudo. Eu não sou uma pessoa organizada, não consigo trabalhar assim. Mas as dicas que ele dá são certeiras. A maioria desses livros sobre escrita são de autores de língua inglesa que já dominam a técnica, que vêm da escola já sabendo escrever profissionalmente, já o Felipe dá as dicas para quem escreve em português. Normalmente eu pego também dicas de livros com novos escritores. O último que eu li foi o da própria Cláudia Lemes “Santa Adrenalina”, lançado pela editora Lendary, um manual de como escrever um thriller, dá dicas bem diretas, livro bem fininho.

7.Qual a maior dificuldade em escrever e divulgar esse gênero sendo mulher?

Acho que a maior dificuldade é na hora que você está nos eventos: você vai divulgar seu trabalho e sua aparência é muito mais importante do que seu trabalho. Se eu for postar uma foto com o livro as pessoas vão falar de mim. Eu entendo que são elogios e recebo de coração aberto, é claro, mas é sempre “Linda”, “Você é uma fofa”. Não estão falando sobre o livro, eu estou falando sobre o livro, mas as pessoas estão falando sobre mim. Uma das coisas que mais me fez colocar o livro na Amazon foi isso: as pessoas me conheciam, mas não conheciam o que eu escrevo. Então eu falei: “Cara, eu preciso colocar um livro para as pessoas lerem, porque elas estão falando sobre mim.” O escritor é um tipo de artista que não quer aparecer, eu não quero aparecer, eu quero que meu livro apareça, quero que as pessoas comentem sobre o livro. É impressionante: eu vou num evento e as pessoas vão comentar sobre minha roupa. Sei que é uma forma de carinho dos leitores se interessar sobre outras coisas do meu universo, mas como quero ser uma escritora profissional eu preciso que eles se interessem pelo livro em primeiro lugar. E sendo mulher isso é muito difícil. A primeira coisa que eles percebem é você como figura. E não é só comigo que isso acontece, mas com todas as escritoras. É um desafio que vai continuar para sempre.

8.O que podemos fazer para que mais pessoas possam ler mulheres?

Divulgar. Eu acho que é um pouco também missão de quem já tá aí um tempinho. É você dar oportunidade de ir lá e falar quando gosta, às vezes você não tem noção do poder que tem em atingir pessoas. Às vezes fazendo um comentário, uma foto, você pode dar 50 leitores para aquela escritora. Tenho como preceito falar sobre autoras que li. Acho que faz parte. Você deve isso. Porque alguém já fez isso por você. Acho que todo tipo de ajuda é bem-vinda.

9.Como estamos falando de mulheres na literatura, quem você destacaria nesse universo?

A primeira mulher que vem à minha mente é a Karen Alvarez. Quando decidi escrever um livro de terror eu entrei na Amazon e pensei “Quem é que tá fazendo sucesso?” A primeira pessoa que apareceu foi ela,  que produziu bastante coisa de terror. Tem outras escritoras que admiro muito como a Claudia Lemes, li recentemente “Cartas no corredor da morte”, que é um livro que fiquei embasbacada,  fiquei assim: “Como esse livro não é conhecido?” Tem também a Juliana Dagle, além de ser muito talentosa, ela produz em velocidade inacreditável, boas histórias, livros densos e em pouco tempo. Tem muita mulher trabalhando para o lado do suspense, terror. Acho que 2018 vem muita coisa boa aí.

10.Se você pudesse ser um livro, qual seria?

Eu seria um livro que tá na moda agora, eu seria IT – a coisa, que é um livro grande e foi meu concorrente direto durante um bom tempo, pelo menos nesse início de lançamento, porque sucesso é muito passageiro. IT – a coisa é um dos livros preferidos, é uma história tão completa e complexa, fico imaginando o que estava passando na cabeça de Stephen King quando estava escrevendo. Talvez seja um clássico daqui a algumas décadas, sempre vai dividir opiniões. Eu gosto dos detalhes nesse livro, nos outros não.

11.Qual sua maior referência literária? Se pudesse um dia sentar com essa pessoa numa noite sombria, o que perguntaria?

Eu demorei muito tempo para ler Frankenstein de Mary Shelley. Ele é muito atual e fico pensando como foi para essa mulher escrever esse livro naquela época. Eu perguntaria se o livro mudou a vida dela de alguma forma, a forma como ela pensa, sabe? Porque em todo livro que eu escrevo, sinto que aconteceu alguma coisa diferente comigo quando ele termina.

12.Como costuma ser um dia típico de trabalho – como escritora – para você?

Eu escrevo diariamente e mensalmente escrevo muitos contos. Acordo umas 8h, tomo café, assisto jornal, vou para redes sociais, checo meu livro, se tem comentário novo, é um vício. 9h já tô escrevendo, se estiver muito intenso vou embora, às vezes nem almoço. Não sou uma pessoa organizada, mas eu tenho esse sonho de ser uma pessoa organizada, ter um horário certinho.

 

Apesar de trilhar seu caminho pelo terror, Glau Kemp está trabalhando em uma nova obra voltada para o público de chick lit: “O clube dos amigos imaginários”. Guarda esse nome. Mulheres na literatura que adoram desafios, quem não curte?

Para conhecer mais sobre o livro de terror da autora é só clicar aqui.

Hanny Saraiva

Arroz, feijão e cinema: Três anúncios para um crime e suas 7 indicações ao Oscar

Arroz, feijão e cinema: Três anúncios para um crime e suas 7 indicações ao Oscar

Nem só de feijão e arroz um cinéfilo brasileiro vive, sua alma necessita encontrar aquele filme que traga arrepios no cinema, que o faça vibrar na cadeira e que seja motivo de reflexão. Premiado com 4 Globos de Ouro (filme, ator coadjuvante, atriz e roteiro), será que Três anúncios para um crime é um forte candidato na corrida pela estatueta do Oscar?

 

Sinopse: inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação.

 

Sim, o terceiro maior líder de indicações (sete indicações: melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor edição) nos chamou atenção por dois elementos que se destacam de forma espetacular: o roteiro e a atuação dos atores. Se não fossem por eles, a trama seria clichê e batida, mas como tudo se reinventa, o que nos fascina é a forma como o diretor nos apresenta à história e isso se deve:

1. Ao roteiro

Os diálogos de Três anúncios para um crime tem um quê de Beleza Americana: está acontecendo uma tragédia em cena e o narrador está lá fazendo piadas, nos deixando perplexos, um mix de sentimentos entre o que se vê e o que se ouve. Sarcasmo, aquele riso nervoso e toda uma construção que nos leva a uma montanha-russa de emoções: ora temos empatia por um personagem, ora o odiamos, ora o entendemos, ora o repugnamos. A estrutura narrativa é construída através de um humor surrealista que aborda como o radicalismo não tem fundamento algum, palpado em um rancor que está sempre no outro.

2. À força das atuações

Frances McDormand está perfeita em sua dureza de mãe que perdeu tragicamente a filha, cheia de teor áspero e ao mesmo tempo tão maternal. A frustração potencializa raiva e isso é um assunto muito explorado dentro do universo dos personagens. Aqui os personagens não são bons ou maus, mas possuem camadas intensas e ativas que os levam ora para o lado negro da força ora para o lado da luz. Ação e reação é o que rege as relações construídas e através do mergulho dos atores em seus personagens que acreditamos na trama. Destaque também para atuação de Sam Rockwell e Woody Harrelson.

 

Além disso, o enredo, repleto de caos e violência, tem feito muito burburinho desde que inspirou outdoors de protestos ao redor do mundo: a mesma tática usada pela personagem de Mildred – usar outdoors como forma de protesto visual – está sendo usada por ativistas mundo afora. Veja mais aqui. Se a vida imita à arte? Fica aqui a reflexão para quando você terminar o filme: “Pelo amor vem a calma e pela calma vem a razão. Você vai precisar de razão para achar as coisas.” Espalhe outdoors pela sua cidade, não se contamine com ódio e seja gentil com o próximo. Em um mundo conturbado, cheio de medo e fatalidades como o nosso, filmes assim nos mostram que se optarmos por outro caminho a vida dá o troco.

P.S. E para quem deseja estar bem vestido para o Oscar >> Clique Aqui.

Hanny Saraiva

Promoção Livro Me Faz Feliz! Responda e ganhe prêmios. (ENCERRADA)

ENCERRADA

Promoção Livro Me Faz Feliz!

Quer ganhar a camiseta “Books Make Me Happy”, lançamento da Poeme-se?

– É FÁCIL, basta clicar no banner abaixo e responder: Por que livro te faz feliz?

A melhor resposta ganhará uma camiseta literária “Books make me Happy” e um livro surpresa!

* A Promoção vai até o dia 27/02/2018 e o resultado será apresentado dia 28/02/2018.
* A escolha da melhor resposta será feita pela equipe da Poeme-se

Válido para todo o território nacional.

 

GANHADOR(A):

– Luiz Felipe

”E por que me faria feliz? Um bocado de páginas juntas, que só de olhar o número me dá preguiça. Preços absurdos! Posso conseguir de graça na internet! Acabei e vou deixar jogado numa estante? Para que? Provavelmente nunca vou ler de novo. Mas por que suportar tudo isso? Ah sim! Aquele cheiro. Me conquista! Páginas novas me deixam extasiado, hipnotizado! Da mesma forma me sinto ao olhar um livro velho e pensar em todo o trajeto que ele pode ter percorrido. Sem falar dos lugares que já visitei. Lugares maravilhosos, posso até mesmo descrever o aroma do local. Quantas pessoas incríveis já conheci. Consegui criar um elo de amizade com pessoas que nunca me conheceram! Todos os tipos possíveis. Eles conseguiam fazer coisas fantásticas e sempre me surpreendiam. Impressionante como em dias tristes eu simplesmente abria um livro e ia a um lugar bonito, ou como ficava aflito ou refletia. Ah… quantas reflexões. Aprendi a dar valor a todas as coisas e pessoas.
“Bobagem, é só uma história!”
Não, senhor! É uma lição. Uma mera história não traria esse misto de sentimentos para mim. Vale cada centavo. E, após ter visitado essa fabulosa narrativa, posso olhar para minha estante e relembrar os valores que adquiri, os sentimentos que tive e como moldaram o ser humano que me tornei. “Por que livro me faz feliz?”, vocês perguntam. E como não poderia? Ele faz parte de quem eu sou! E eu amo a mim mesmo e tudo o que me moldou.
Um sentimento assim é fonte de vida! E, olha só, quem diria, posso expressar tudo isso através de um livro! É possível repassar aos outros essas maravilhas!”

7 coisas que você não deveria fazer como escritor

7 coisas que você não deveria fazer como escritor

 

1. Parar de observar

Já dizia Ernest Hemingway: “Observe o que acontece hoje.” Um escritor deve ser um observador atento a tudo que o rodeia, a observação deve ser sua aliada. Ao observar uma cena, tente recriá-la não só de forma descritiva, mas recriar a sensação que obteve ao lembrar da cena. Um bom escritor é um caçador de emoções, um ser que reconstrói sensações e que tenta entender porque determinadas ações nos levam a determinadas emoções. Nunca perca seu senso de curiosidade e perplexidade. Requer treino e paciência. Sem isso só teremos narrativas rasas e sem conexões.

2. Usar muitos adjetivos

Sabe aquela máxima “menos é mais”? Elimine palavras supérfluas, isso inclui aqueles adjetivos extravagantes como “maravilhoso, esplêndido, belo, magnífico, sensacional”. Ao invés de adjetivar, tente recriar o que te levou ao “maravilhoso, belo, sensacional”. A narrativa ganhará corpo e densidade e com certeza você ganhará leitores mais felizes.

3. Parar de ler

Sabe aquele seu escritor preferido que cria mundos incríveis e que você inveja por ter inventado aquela frase perfeita? Ele lia. Lia muito. Quando não havia cursos de escrita criativa, sabe o que os autores clássicos faziam? Eles liam. Muitos podem ensinar o domínio técnico, mas é só através da leitura que se entende o mecanismo literário. Só “lendo” personagens que conseguimos criar os nossos. Não acredite em escritores que não leiam, eles provavelmente não dominam técnica alguma e só cospem palavras ao vento. Para se tornar um escritor profissional é necessário pesquisar e observar a profissão e o meio literário. Como você quer que as pessoas te leiam se você mesmo não lê nada? Na escrita há o talento sim, mas acima de tudo há a persistência e o aprimoramento e isso vem através da leitura. Acredite, quem lê não apenas viaja, ele se conecta a quem veio antes e isso só acontece se houver essa abertura a outros livros, ou seja, só é possível lendo.

4. Criar títulos nada atrativos

Sabe o que aumenta suas vendas? Um encontro entre o leitor e seu livro. Isso se dá através de palavras chaves. Não adianta um título bonito para capa, ele precisa comunicar o que é o seu livro. Caso contrário ninguém se interessará por ele porque não informa nada. Muitos escritores não vendem seus livros porque seu público-alvo não reconhece o título como objeto de desejo, ou seja, simplesmente não entendem o assunto do livro. Atrair é cruzar curiosidade com objetividade. Conheça seu público e escreva um título que fará com que alguém o encontre. Não esqueça, em tempos de conteúdo, entender de metadados é fundamental para ter sucesso nos sistemas de busca.

5. Reclamar

Um dos pontos negativos encontrados em escritores – principalmente os iniciantes – é a capacidade que têm de reclamar, de exigir que seu livro seja lido e compartilhado e divulgado. A verdade é que ninguém liga para sua obra até que ela se torne um best seller. Não sei porque escritores guardam tanto rancor em ver o amigo ter mais sucesso do que eles mesmos. Deixa o amiguinho ser feliz, não vale a pena falar mal do outro e muito menos passar seu tempo livre reclamando que as pessoas não leem e compram tênis caros, mas não compram livros. Talvez as pessoas não compram seu livro porque você não tem técnica/não lê e vive reclamando do mercado editorial. Já pensou nisso? Lembra que eu disse que escritores são pesquisadores e devem observar? Observar com a cabeça aberta, sem ranço, sem recalque. Através do outro podemos ser felizes sim. Sabe como? Liga o botão do “não me importo” e vá atrás do seu público. Se você mostrar sua obra de forma feliz e confiante, você encontrará sim seu leitor. Agora velhos ranzinzas nunca movimentaram multidões. Não reclame, converse com seus leitores.

6. Achar que não precisa estudar

Conheço pessoas que se dizem escritores e que pararam de estudar. Eles vendem livros? Não. Eles são escritores reconhecidos? Também não. A profissão de escritor requer uma busca incessante por informação. Não só informação em relação ao ofício da escrita, mas também em relação ao mercado. Por ser uma área concorrida, com pouco espaço, se você não ficar informado seu barco afundará e não é nada agradável nadar contra uma correnteza grande sem barco, né? Se recicle, pesquise. Não nascemos sabendo tudo e um bom escritor é sempre um pesquisador em eterna progressão.

7. Exigir o que não pode oferecer

Quantas vezes vemos escritores demandando uma divulgação da editora e eles mesmos não divulgam suas obras? Quantas vezes o autor deseja ser lido, mas escreve de forma errada, sempre usando a máxima de que “ele pensa na história e o revisor que se atente para a ortografia e gramática”? Quantos trabalhos de outros escritores você curte e compartilha? Vivemos em uma rede de conhecimento e pessoas e não é através de atitudes imaturas que seu livro será reconhecido. Esteja aberto a conversar sobre seu conteúdo, mas também a ouvir sobre o conteúdo do outro. Em uma era de informação democrática, a troca é a palavra-mestra. Nunca exija o que não pode oferecer.

Antes de ser escritor, você é leitor – alguém que possui empatia, curiosidade e troca, certo? Vamos compartilhar essas informações com aquele amigo que usa as palavras como fonte de vida? Adoraríamos conhecê-lo.


 

Hanny Saraiva

 

 

Nerd alert! Como se divertir sendo nerd no Carnaval.

Nerd alert! Como se divertir sendo nerd no Carnaval.

Cinco dias de folia, suor e tumulto? Nem sempre. Você não precisa ir para uma galáxia tão tão distante para aproveitar ao máximo esse período. Separamos algumas dicas de como se divertir sendo nerd no Carnaval que deixaria Spock orgulhoso de você.

Blocos nerds

Eles não são cheios e tocam suas músicas preferidas. Criatividade e fantasias mirabolantes são os pontes fortes dos blocos nerds, os otakus piram. No Rio temos o Bloco da Marcha Nerd, com composições de animes e clássicos nerds. Em Sampa o I have a bad feeling about this bloco, um bloco todo trabalhado na temática Star Wars. No Recife acontece o Bloco Porco Digital, que reúne nerds, geeks e simpatizantes de tecnologia e em Curitiba esse ano rola o Bloco de Cosplay ou do Bloco de Cospobre (para quem adora um improviso e não tem como gastar muito). Quem disse que nerd tem que ficar em casa no Carnaval? Se vierem questionar manda um Nerd hater merece o quê? para a pessoinha.

Bares temáticos

Se mesmo assim você prefere um espaço mais indoor e intimista, há vários bares temáticos que estão cheios de jogos de tabuleiros e promovem uma folia geek no ambiente daquele maravilhoso ar-condicionado. No Rio temos o Barzinga Geek Planet, esse ano vai rolar o Baile de Máscaras Geek com premiações em dinheiro e Kit Geek de brindes para o melhor Cosplayer. Em São Paulo você pode tomar uns bons drinks no Bar Gibi Cultura Geek e trocar ideia sobre aquela teoria mirabolante de multiversos que seu amigo inventou depois de ver a maratona de Dark. Ou você pode dar um pulo no Woodoo Lounge em Porto Alegre, pub com videogames, jogos de tabuleiro, sinuca e um cardápio cheio de referências de cultura pop. Ou quem sabe dar uma passadinha naquele bar geek de Recife com réplica da Plataforma 9 ¾ de Harry Potter: o Taverna BurgBeer que possui mais de 120 jogos e dois ambientes – um mais medieval e outro mais moderno. Além de exibir séries e um sanduíche de whisky que merece todo o respeito. Bares de sonho, não?

Maratona de séries

Mas se você é adepto ao bloco Unidos da Cama com Pipoca e pijama do Ali Express, aí vão nossas dicas carnavalescas:

– This is us > para chorar tudo que tem para chorar: relações amorosas, problemas familiares, financeiros, dúvidas existenciais e a vida que passa rápida demais. Perfeita para quem adora drama.

– The bold type > ainda sem exibição no Brasil (tem que apelar ao torrente para baixar), essa série girl power acompanha a vida de três amigas em Nova Iorque, com a descoberta de suas próprias identidades e sexualidades. Baseada na vida de Joanna Coles, editora de conteúdo da revista Hearst e ex editora-chefe da Cosmopolitan, é prato cheio para terminar o Carnaval pensando em mudanças.

– Battlestar galactica (a versão de 2004) > porque sim. É preciso rever, em tempos de instabilidade econômica e moral, essa série que nunca envelhece e toca em pontos importantes como repercussões políticas, religiosas e sociológicas. Muito além de “apenas uma série sci-fi.”

– Young Sheldon > divertida e tocante, a cria de The Big Bang Theory – que mostra a infância de Sheldon Cooper – é leve e despretensiosa. Os diálogos e o roteiro brilham, além da atuação do pequeno Sheldon e sua avó, Meemaw.

Literatura de peso

Prefere aproveitar o Carnaval dando um gás em sua leitura atrasada? Então é só vestir nossa nova camiseta e se abrir para essa vida literária! Em 5 dias você consegue ler:

– um livro de contos:  A menina sem palavra de Mia Couto – um panorama do universo infantil em Moçambique. As histórias selecionadas mostram a complexidade que move as relações familiares, a orfandade em um país que viveu por anos em guerra, a realidade das crianças submetidas ao trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência. 160 páginas de pura delicadeza.

– um livro de fantasia: Oceano no fim do caminho de Neil Gaiman – a história de um homem que regressa à sua terra Natal para um funeral e recorda os eventos estranhos que ali ocorreram quarenta anos antes. Poético e só com 178 páginas.

– um clássico nerd: O guia do mochileiro das galáxias de Douglas Adams – as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.
A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Apenas 180 páginas.

Jogos zerados

Nada disso? Você prefere zerar um jogo? O que dá para mergulhar no Carnaval e que nunca deixa de ser belo e intrigante?

– Limbo > jogo eletrônico de quebra-cabeça em plataforma. Às vezes dá vontade de ficar morrendo de propósito só para apreciar a composição do jogo. Com tons em preto e branco e uma atmosfera misteriosa, Limbo nos apresenta a um menino que desperta em uma floresta na “beira do inferno” e procura por sua irmã desaparecida.

– Rise of the Tomb Raider > empolgante, com cenas de ação que exige constante atenção do jogador e cenários com espetaculares gráficos, é considerado a evolução de tudo que se viu em relação à série. Destaque para a jogabilidade e o sistema de aprimoramento de armas e utensílios. Nesse jogo, a protagonisa Lara Croft tenta descobrir uma cidade mítica que possui os segredos a imortalidade e a partir daí ela tenta sobreviver lutando contra humanos, animais.

– Final Fantasy Tactics > um jogo de estratégia com uma pitada de RPG. Como é um jogo de estratégia, você vai ficar preso, querendo vencer todas as batalhas. Além, é claro, de que vai querer conseguir todas as classes/jobs e montar um pelotão forte. Igual curtir um Carnaval: fantasias, blocos e vitórias.


O que você pretende fazer nesse Carnaval? Conta pra gente nos comentários! =D


Hanny Saraiva

7 poemas para matar a saudade de quem tá longe

7 poemas para matar a saudade de quem tá longe

30 de janeiro. Dia da saudade, palavra só nossa, mas sentimento conhecido por todos. Para matar a saudade de quem tá longe e que sentimos falta para caramba, separamos sete poemas que sempre nos emocionam e que se eu fosse você enviava para aquela pessoa especial, relembrando-a que apesar da distância, o carinho é eterno.

1. Sentimento urgente – Clarice Lispector

Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença
Mas, às vezes, a saudade é tão profunda que a presença é pouco
Quer-se absorver a outra pessoa toda
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
É um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

2. Presença – Mario Quintana

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato
e que, apenas,
levemente,
o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar,
a trevo machucado,
as folhas de alecrim
desde há muito guardadas
não se sabe por quem
nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também,
que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…

E eu tenho que fechar meus olhos para ver-te!

3. Saudade – Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

4.  Chega de saudade – Vinicius de Moraes

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser.
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer.
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz.
Não há beleza,
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim.
Não sai de mim,
Não sai.
Mas, se ela voltar
Se ela voltar, que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços.
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim.
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim…
 

5. A um ausente – Carlos Drummond de Andrade

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

6. Saudade – Candeia

Saudade dos chorinhos e os chorões
Que entre prismas e bordões
Embriagavam de harmonia os corações.
Toda noite era de festa
E se ouviam as serestas pelas ruas
Sob o clarão da Lua.
Saudades do famoso Zé com Fome,
Um sambista de renome
Que o meu povo não esquece.

Saudades de Paulo da Portela,
Esta melodia singela,
É meu samba, é minha prece.

Saudade…

7. Tanta saudade – Chico Buarque

Era tanta saudade,

É, pra matar.
Eu fiquei até doente, eu fiquei até doente, menina.
Se eu não mato a saudade,

É, deixa estar.
Saudade mata a gente, saudade mata a gente, menina.
Quis saber o que é o desejo, de onde ele vem,
Fui até o centro da Terra e é mais além,
Procurei uma saída e amor não tem.
Estava ficando louco, louco de querer bem.
Quis chegar até o limite de uma paixão,
Baldear o oceano com a minha mão,
Encontrar o sal da vida e a solidão,
Esgotar o apetite, todo o apetite do coração.
Mas voltou a saudade,
É, pra ficar,

Aí eu encarei de frente.
Aí eu encarei de frente, menina.
Se eu ficar na saudade,

É, deixa estar.
Saudade engole a gente, saudade engole a gente, menina.
Quis saber o que é… apetite do coração.
Ai amor, miragem minha, minha linha do horizonte.
É monte atrás de monte, é monte.
A fonte nunca mais que seca, ai saudade, ainda sou moço.
Aquele poço não tem fundo, é um mundo dentro um mundo.


Para matar a saudade, deixamos aqui nosso setlist pro dia. Balança o coração, mas segue em frente, viu?


 

 

8 Instagrams literários que amamos

8 Instagrams literários que amamos

Imagens e literatura? Sim e sim! \o/Muito além de capturar e compartilhar momentos do mundo, testemunhamos a cada novo dia que os meandros da literatura contemporânea se reinventam. Pensando nessas descobertas, gostaríamos de dividir com você 8 Instagrams literários que amamos e que vale muito a pena seguir (além do nosso, é claro), não só pela beleza das imagens, mas pela força da ideia de cada perfil.

Papel Papel

A imagem mostra o Head do instagran do Blog Papel Papel, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

“Criado em julho de 2015, o Blog Papel Papel surgiu como um espaço literário de prosa informal e reflexões cotidianas, uma conversa entre amigos.” Perfeito para leitores de clássicos, best sellers, HQs e folhetins. A versão para o Instagram ganhou força e hoje conta com mais de 12 mil seguidores. A equipe divulga lançamentos e eventos literários (principalmente no Rio de Janeiro), além de resenhas e situações com livros.

Jornal Rascunho

A imagem mostra o Head do instagran do Jornal Rascunho, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Um dos últimos cadernos literários, funcionando desde os anos 2000, o perfil do Jornal Rascunho é tão cuidadoso quanto o próprio jornal. Livros em situações ambientes, – em locais internos e externos – fragmentos do jornal, indicações de livros e figuras célebres do meio literário fazem parte de seu dia a dia.

Literatura policial

A literatura de nicho tem ganhado destaque em cenário brasileiro e em especial a linha policial/mistério tem se sobressaído em nossas terrinhas. O perfil do blog nos traz imagens que nos remetem a ambientações de livros de crime, suspense e mistério, além de trazer dicas quentes desse gênero e novidades literárias, tanto no Brasil quanto no mundo.

Serendipity

A imagem mostra o Head do instagran da Melina Souza, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

O instagram de Melina Souza é fruto de seu blog Serendipity, que a princípio abordava sua visão fofa de menina que tinha muitos sonhos e que adorava frio de Curitiba, uma paixão por livros e que possuía muitas fotos poéticas.  Hoje, seu Instagram não é apenas literário, focando também em viagens pessoais e novos hobbies, mas suas resenhas e fotos com livros continuam adoráveis.

Our shared shelf

A imagem mostra o Head do instagran Our Shared Shelf, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Este é um instagram de um clube de livro feminista, com o objetivo de compartilhar e aprender mais sobre igualdade de gênero, criado e organizado pela atriz Emma Watson. A cada mês um livro é selecionado, lido e discutido e esse perfil mostra fotos de leitores com o livro do mês em seus lares, trechos sublinhados e todo um movimento que preza por essa leitura de gênero. Qualquer pessoa pode participar.

Drop and give me nerdy

A imagem mostra o Head do instagran Drop and give me nerdy, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Instagram literário feito por uma mãe nerd, com imagens descontraídas de seu dia a dia e de sua filha, imersa em fotos com livros, desde sempre influenciada pelo universo literário.  Quem é fangirl e Potterhead vai amar.

Subway book review

A imagem mostra o Head do instagran Subway Book Review, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

Pequenas resenhas feitas por estranhos em metrôs e trens de Nova Iorque, Londres e México. Esse perfil poderia instigar um movimento no Brasil assim também, né? Otimize seu tempo e leia mais em transporte, dependendo do seu trajeto você pode ter certeza que sua meta de leitura triplica.

Grifei num livro

A imagem mostra o Head do instagran Grifei num livro, o numero de inscritos, seguidores e a bio.

 

Sabe aquela pessoa que odeia que alguém escreva em livros? Se você é essa pessoa, não chegue perto desse perfil. Mas se você é aquele leitor que ama sublinhar e fazer anotações em seus pequenos companheiros literários, vai amar Grifei num livro. Aqui o que importa é aquela frase que te comoveu, que mudou seu mundo, que fica tão forte dentro da alma que você precisa destacar e compartilhar com todo mundo.

 

 

Mas se você acha que, independente do que façam com o livro, livro é vida, vai amar nossa camiseta literária da Lygia Bojunga

 


Tem alguma dica de Instagram pra gente? Adoraríamos ler seu comentário! =)


Hanny Saraiva

Como descobrir se há uma Simone dentro de você

Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você

Quando Simone de Beauvoir escreveu o último volume de O Segundo Sexo, A experiência vivida e a frase icônica “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” ganhou o mundo, ela abriu pano para uma discussão e uma tentativa de consciência sobre o papel da mulher que até hoje luta por espaço. 110 anos depois de seu nascimento, – que acontece em 09 de janeiro – ela ainda inspira mulheres com sua coragem e ousadia. A escritora e filósofa, grande representadora do movimento existencialista, pulsa e está presente em toda mulher que anseia que sua complexidade seja entendida, e acima de tudo, respeitada. Como descobrir se há uma Simone de Beauvoir dentro de você? Separamos algumas de suas ideias que prova que sim, você é uma mulher que dribla os pensamentos arcaicos desse mundo que vive tentando oprimir as nossas manas.

Simone de Beavuoir

“Liberdade é compromisso”. thumbs_up

O compromisso da liberdade está em respeitar a si mesmo, em ser fiel à sua substância, mas também em saber respeitar o espaço do outro. Você não luta contra o outro, mas a favor da liberdade de todos. Você deseja tanto a liberdade que ela não está desassociada à liberdade do outro. Uma mulher livre faz com que as outras também sejam livres. Sabe aquela moça que pula na piscina antes de todo mundo? Ela é livre e inspira outra menina a pular também. Ela não liga se está menstruada ou se tem estrias ou se sua gordurinha está aparecendo. Quando ela pula, outras pulam com ela. Por quê? Porque uma mulher livre também liberta as outras.

“Para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto, ela deve portanto, renunciar sua autonomia”. thumbs_Down

Assim como Simone você preza pela sua existência autônoma. Você enfrenta olhares que te julgam quando não segue as normas de boa moça e acredita que toda mulher deve lutar pelo que acredita e preza. Você entra no barzinho sozinha sim e viaja sozinha sim também. Não agrada o outro porque a cartilha diz. Em primeiro lugar está seu Eu que te instiga a ser você mesma. Respeitar o outro não é obrigá-la a algo que não queira.

“A paciência é uma das qualidades femininas que têm como origem a nossa opressão, mas deve ser preservada após a nossa libertação.” thumbs_up

Ser paciente não é abaixar a cabeça e ser omissa, mas uma qualidade associada à persistência. É necessário ser paciente para alcançar sonhos, metas, saber a hora certa de lutar e não desistir e a hora certa de recuar. Ser paciente é ser estrategista. Em um mundo onde  mulheres têm voz, mas muitas vezes não são ouvidas, a paciência é uma artimanha.

Mulher: livre, autônoma e paciente. O que é ser mulher para você? Conta para gente nos comentários.



Hanny Saraiva