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Qual a importância da literatura de humor?

Já dizia Victor Hugo, “A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano.” Já que o brasileiro é considerado um povo que ri (vide o número de memes espalhados em velocidade espantosa), nos perguntamos: Qual a importância da literatura de humor?

O que é literatura de humor?

De acordo com a pesquisadora e professora Isabel Ermida, o humor literário “consiste em situações pontuais que, curiosamente, assumem contornos muito semelhantes aos das anedotas.” Esse tipo de literatura aborda a natureza humana tendo como elemento principal o riso. Cheia de crítica, sarcasmo e ironia, a literatura de humor não apenas nos faz sorrir como nos faz pensar. Seu grande trunfo muitas vezes está nas entrelinhas, o efeito de suas frases nos coloca em um ponto onde não apenas rimos, mas começamos a nos questionar por que estamos rindo.

Humor sarcasmo

Onde encontramos a literatura de humor?

A leveza do humor pode parecer oposta ao que algumas pessoas chamam de clássica literatura, mas muitas vezes é através da literatura de humor que refletimos sobre assuntos considerados mais sérios como política e sociedade. Há humor na literatura considerada de massa tanto quanto na alta literatura, por que não produzir mais gargalhadas então? Pensando nisso, a Poeme-se criou uma linha especial de camisetas literárias recheadas de humor para aqueles que acreditam que “literatura boa é a que eu quero ler.”

Humor leitura

Por que o humor na literatura é importante?

A poesia de Bocage, as obras de Philip Roth, o humor inglês de Douglas Adams, a verdade é que as particularidades do humor podem se transformar em aparelhos de denúncias, podem nos ajudar a suportar um momento de crise, podem ser gatilhos para mudanças. O humor vive da circunstância e o ponto principal da escrita de humor é o jogo de palavras que nos faz rir, mas acima de tudo, nos faz refletir. Seja em narrativas ficcionais, seja em tirinhas ou em frases de camisetas poéticas, há um elemento que temos que concordar: é sempre polêmico.

Humor livro

Que literatura de humor você adoraria encontrar na Poeme-se? Conta pra gente nos comentários. 😉

Hanny Saraiva

10 frases para quem ama livros – e sabe que eles te libertam

Se você é um colecionador de frases e vive anotando tudo num bloco, doido para poder vesti-las um dia, separamos 10 frases para você que ama livros e acredita que leitura liberta, te faz uma pessoa melhor, apesar de ser viciante.

O pior dos novos livros é que eles nos impedem de ler os antigos. – Joseph Joubert

Caminhais em direcção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros. – Marguerite Duras

Um livro é a prova de que os homens são capazes de fazer magia. – Carl Sagan

Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre. – John Ruskin.

Seria bom comprar livros se fosse possível comprar, junto com eles, o tempo para lê-los. – Arthur Schopenhauer

Da minha parte, se um livro for bem escrito, sempre o acho curto demais. – Jane Austen

Fazer passar pelo corpo o maximo de narrativas possiveis. – Haruki Murakami

Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar. – Neil Gaiman

Literatura é luxúria; ficção é uma necessidade. – G.K. Chesterton

Nós sabemos que um povo que lê não se submete e já que a leitura liberta, te perguntamos: qual dessas frases daria uma ótima camiseta de livro? Tem alguma outra frase que gostaria de compartilhar? Conta pra gente nos comentários.

Hanny Saraiva

Aladdin foi o meu primeiro gatilho para literatura em um dia dos pais

Você tem direito a três desejos. Há quem responda: mas só três? E há quem diga: não consigo escolher um. Outros já se atentam: minha mãe disse para não falar com estranhos. O fato de responder que não pode falar com estranhos já é falar com estranhos, rapaz. Em 1992 foi lançado Aladdin (Estúdios Disney) com recorde de bilheteria à época, só não lembro. Vi depois, na sequência da infância, e foi esse filme que me fez despertar o primeiro gatilho para a literatura. Também é recortado pelas lembranças das fitas em VHS e dos Dias dos Pais. Como ainda não sou pai, o dia vale como filho.

A história conta a saga do jovem humilde, malandro e sonhador Aladdin. Lembro sempre nas turmas das oficinas que ministro e nas palestras, principalmente para os que sonham em escrever, que uma das principais coisas na criação de uma narrativa para fisgar qualquer leitor é o que aprendi com Ariano Suassuna: conte um sonho a uma pessoa e ela reagirá de uma forma, mas conte que sonhou com a pessoa e ela reagirá com muito mais interesse. Vejam só, eu queria ser Aladdin.

O jovem com roupa diferente e um chapéu que eu queria ter, mesmo sem coragem para usar, era a identificação também pela condição social. Não me faltava pão, mas queria ser rico. Sou iguaçuano, passei a infância em Cosmorama (hoje, depois da emancipação, bairro da cidade de Mesquita) e olhava para determinados lugares e pessoas com aquele imaginário de querer ter dinheiro para tudo o que eu quisesse. Como o Riquinho do filme com Macaulay Culkin, queria ter tudo. Talvez se resumisse a uma lanchonete dentro de casa e poder ser Aladdin. Ou queria apenas viver vários mundos como Agrabah.

A obra tem em minha carreira como escritor grande impacto. Foi incrível assistir quase que semanalmente a invenção de um mundo lúdico, ou um mundo ideal. Do Oriente Médio, noites da Arábia, que eu não fazia ideia que existiam às lendas de gênios da lâmpada, das frutas que eu nunca tinha ouvido falar como tâmaras e pistaches. Tem a princesa Jasmine mostrando que dinheiro não é tudo, querendo ser uma mulher livre. A paleta de cores vivas com predominância do amarelo, do vermelho e do roxo também fez alguma dose de hipnose nas crianças. Depois da macarronada no almoço de domingo era hora de assistir Aladdin.

Jorge Amado, à sua época, quebrou padrões e levou sua literatura brasileira, baiana, para o mundo assim como Cem Anos de Solidão, do Gabo. Com olhar pouco anacrônico podemos perceber a quebra de padrão da animação da Disney, já que se passava no Oriente Médio. Suponho, talvez com inocência daqueles meus sete anos de idade, que isso contribuiu para que viessem obras como Pocahontas, O Príncipe do Egito, dentre outras. Além de tudo, são estímulos de diversidade, pluralidade temática e cultural, exercícios de abrangente sabedoria.

Vale a pena entender a importância de estímulos na infância e seus resultados para a sequência da vida. Em um mundo cada vez mais dinâmico, tecnológico, das telas e redes invisíveis, onde a educação escolar é praticamente a mesma de cem anos atrás cabe ao contexto social essa condução dos estímulos. Devo muito ao que pude exercitar na fantasia com desenhos, filmes, brinquedos, músicas e livros. Desta forma, vale registrar que o que você faz hoje pode ter muita relação com o que você teve na infância. Brincava na rua ou em casa? Via muitos desenhos? Quais? Seus pais e avós te contavam histórias?

Hoje escrevo utilizando meu lugar e meus olhares, só que de forma muito mais ampla porque tive em Aladdin, O Rei Leão, entre outros, primeiros e verdadeiros gatilhos para ser o escritor que sou hoje. É importante notar que absorver a diversidade de linguagens me fez um pouco mais empático. Não é regra, mas um atestado pessoal. A literatura pode gerar esses resultados. Um dos meus desejos é ser pai. Outro é que a leitura não seja vista como esse mostro de calhamaços subjetivos, de letras pequenas, longos e incompreensíveis. Desejo poder contribuir para o fomento à leitura, escrever cada vez melhor, com mais relevância e menos egocentrismo. Como não há gênio perto de mim minha lista de desejos ultrapassa o número três. Mas se houver alguma lâmpada, um gênio com a voz de Robin Willians, espero que realize o desejo de que crianças leiam, adultos leiam, sempre iluminando um mundo que muitos julgam cada vez mais obscuro e imprevisível. Se não perdi as contas o terceiro desejo é que todos sejam livres, inclusive você, gênio.

Como ter seu poema na FLIP 2018

Queremos transformar em pílula de poesia o seu poema. Queremos o Brasil inteiro presente na próxima FLIP.

Desde 2003, acontece em Paraty (Rio de Janeiro) uma das maiores festas literárias do país. Mais do que um evento sobre literatura, é uma manifestação cultural que foca na diversidade e dialoga literatura brasileira com literatura mundial. Vivenciar a FLIP é uma experiência marcante e única.

Em cada edição, um autor brasileiro é homenageado. Esse ano temos a poeta, ficcionista, cronista e dramaturga Hilda Hilst. Como a Poeme-se acredita na difusão da literatura brasileira e que uma dose de poesia muda a vida das pessoas, queremos que você participe, com suas palavras, desse evento. Nossas pílulas serão distribuídas de forma gratuita na Casa Santa Rita de Cássia todos os dias da FLIP.

Quer participar?

Para participar você deve preencher esse formulário aqui. Fique atento para o prazo final de envio: 17 de julho.

Marque seus amigos poetas, tire sua poesia da gaveta e vamos espalhá-la na FLIP!

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Muito além do arco-íris: 5 autores que afetaram o mundo

Eles são fortes influências na literatura e suas obras vão além de suas sexualidades. Os autores que escolhemos para homenagear nesse dia 28 de junho são escritores que trouxeram à tona o tabu da sexualidade e afetaram o mundo com suas obras. Cada um rasgou o mundo com palavras revolucionárias e pioneiras e como resposta – de alguma forma – foram rasgados pelo mundo.

CAIO FERNANDO ABREU
“Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade – voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade.”

O “escritor da paixão”, como Lygia Fagundes Telles o define. Sua trajetória é marcada por temas transgressores e por experimentar várias linguagens é considerado um autor de apelo popular, sendo facilmente citado em redes sociais. Lutou contra a ditadura, viveu intensamente e morreu no dia em que nasceu, em consequência do vírus HIV.

Para ter afeto: Morangos mofados

OSCAR WILDE
“Se somos tão inclinados a julgar os outros é porque tememos por nós mesmos.”

O dramaturgo e poeta irlandês foi condenado a dois anos de prisão e trabalho forçado depois que o pai de um de seus amantes o denunciou por “cometer atos imorais com diversos rapazes”. Oscar Wilde é considerado o mais importante dramaturgo da era vitoriana e defendia o belo em contrapartida ao mecanismo da era industrial.

Para ter afeto: De profundis

FEDERICO GARCÍA LORCA
“É infinito o ar. A pedra inerte nada sabe da sombra e não a evita. Íntimo, o coração não necessita do congelado mel que a lua verte. Por ti rasguei as veias às dezenas, tigre e pomba, cobrindo-te a cintura com luta de mordiscos e açucenas.”

O autor espanhol foi preso por não esconder sua homossexualidade e sua crença no socialismo. Por ser considerado “mais violento com a caneta do que outros com revólver” foi morto sem julgamento, de costas, com um tiro na nuca.

Para ter afeto: Obra poética completa

ELIZABETH BISHOP
“Amor tem que ser posto em prática! Ao longe, um eco esboçou sua adesão, não muito enfática.”

Considerada uma das maiores poetisas do século XX de língua inglesa, morou no Brasil por duas décadas, vivendo uma paixão com a paisagista brasileira Lota de Oliveira. Foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional Neustadt de Literatura, além de ser premiada com o Pulitzer de Literatura em 1956. Sua cartografia poética passeia pela fragilidade, pela percepção, pela perda, pelo verso intimista e a ambiguidade.

Para ter afeto: Poemas escolhidos de Elizabeth Bishop

JEAN COCTEAU
“Não aceito, porém, que me tolerem. Isso fere o meu amor ao amor e à liberdade.”
O poeta, dramaturgo, cineasta foi muito importante para o movimento surrealista, apesar de ter sido rejeitado por membros do surrealismo, sendo alvo de vários episódios de homofobia. O artista publicou vários ensaios criticando essa homofobia e lutava de peito aberto contra convenções esmagadoras e cruéis.

Para ter afeto: A dificuldade de ser

Compartilhe se acredita que amor é amor.

Hanny Saraiva

This is Machado ou o legado de Assis?

This is Machado ou o legado de Assis?

Analista da alma humana, crítico da sociedade brasileira, grande influenciador literário. Por que Machado de Assis ainda é forte autoridade? Qual a importância de seu legado?

Polivante e plural

A obra de Machado tem pouca descrição e muitos diálogos, um autor polivalente e plural, que vai desde romances à poesia e teatro. Sua obra é permeada por um discurso ágil e atemporal, pois seus temas abordam questões da alma humana e que ainda são fantasmas na sociedade brasileira. A crítica, a ironia, o senso de humor e o desencanto retratavam um ambiente que ainda detém problemas sociais como os descritos na época do autor e todas essas reflexões que o autor pontuava atravessam os tempos.

Inovador e contemporâneo

Machado já escrevia microcontos no século passado, quer coisa mais inovadora e visionária em tempos de redes sociais? Ele era expert em mergulhar na psique dos personagens e explorar suas características, não apenas com o objetivo de entreter o leitor, mas como uma forma de crítica à sociedade dominante. Além disso, foi o autor quem impulsionou o uso do narrador falando diretamente com o leitor e suas narrativas – repletas de ambiguidade – são sempre elaboradas com primazia.

Camiseta Saiba Amar

Autodidata

Em tempos de DIY, Machado de Assis já era rei desde século passado. Sem frequentar a universidade, aprendeu francês e inglês sozinho, foi um exímio revisor, inaugurou a escola de Realismo no Brasil e fundou a Academia Brasileira de Letras. Bem avançado, não?

Olheiro de MPB

Machado de Assis foi um dos primeiros escritores a perceber a importância do papel da música popular e sua influência na literatura. Por exemplo, “No conto Um homem célebre, Machado de Assis conta a história de Pestana, um compositor de polcas que sempre tenta compor obras eruditas, mas acaba no popular. Pestana seria o compositor genial que se acha incompetente, só por ser popular.” A música popular e a literatura andam entrelaçadas desde então.

Influencer dos livros

Se Machado vivesse nos dias atuais, com certeza ele seria um digital influencer dos livros. Seu legado se encontra na configuração de suas histórias. Ambiguidade, análise social, ironia, duplicidade, as palavras apresentadas de forma precisa e enxuta, essas heranças influenciaram diferentes autores como Olavo Bilac, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles, Érico Veríssimo. Sempre foi um moço ousado, com certeza ele teria um canal bombado.

Nossa contemporaneidade está cercada de desconfiança, às margens do ceticismo e da ironia. Assim como os personagens de Machado, estamos cercados de incertezas, em uma insegurança cotidiana e com uma discrepância social e política que nos coloca face a face com um Brasil que nos lembra muito o que Machado vivenciou, mudando apenas alguns detalhes de lugar.

Mas fico aqui a pensar: apesar de todo esse legado deixado e tudo o que o autor construiu se encaixar nos dias atuais, como seria Machadão no século XXI? Conta pra gente como você imagina nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

Shakespeare aos quatro ventos: por que enaltecer o amor?

O mais poderoso dramaturgo da história do Ocidente. O escritor mais traduzido e poeta do amor mais influente. Um dos mais importantes autores da língua inglesa. William Shakespeare destaca-se “pela grandeza poética da linguagem, pela profundidade filosófica e pela complexa caracterização dos personagens.”
Como não ouvi-lo nesta data que celebra o amor? Em um mundo cada vez mais violento e que parece destilar ódio a cada esquina, paremos um minuto para enaltecer o amor não como forma de cegueira e submissão, mas sim como acolhimento, carinho e cuidado. Compartilhemos, sejamos protagonistas de nossas histórias, pois como Shakespeare mesmo afirma “Nosso destino não está nas estrelas, mas em nós mesmos.”

Amor é doação

Já dizia o autor, “Minha bondade é tão ilimitada quanto o mar e tão profundo como este é o meu amor. Quanto mais te dou, mais tenho, pois ambos são infinitos.”
Doe palavra, doe minuto, doe um mimo. A vida é essa colcha de dias que rasga o tempo.


Amor é palavra dita

E já que todo dizer é um fazer, repita: “Duvides de que as estrelas sejam fogo, duvides de que o Sol se mova, duvides de que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.”


Amor é gesto

“O amor que nos entregam se o pedimos é bom, mas o amor que nos dão sem precisarmos pedir é ainda melhor.” – afirmou o autor inglês que entendia a alma humana como ninguém.

 

Amor é detalhe

“Se a música é o alimento do amor, não parem de tocar.” Assim como a música, Shakespeare atravessou barreiras culturais, um navegador das emoções humanas, apreciador dos detalhes e pensamentos fugidios. E já que nada escapa ao olhar apaixonado, que tal cantar para alguém especial? Que seja infinito o que nos faz bem!

Amor é multiplicação

“Deixe-me confessar que somos dois, embora o nosso amor seja indivisível.”

Velho & novo, azul & amarelo, pensamentos iguais, gostos diferentes, não importa nada: é tudo o mesmo amor! E ele deve ser multiplicado, jogado como semente em todos os solos, revelado, espalhado, partilhado.

Você já disse eu te amo hoje? Amor é feito para se declarar todo dia! Já marcou sua pessoa especial nos comentários