Posts in "Carlos Drummond de Andrade"

Dia de Drummond pelo Brasil

Dia de Drummond pelo Brasil

No dia 31 de outubro de 1902 nascia o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Por isso, nesse mesmo dia em 2011, foi criado o Dia D, pelo Instituto Moreira Salles (IMS), com o objetivo de fazer com que a data do nascimento de nosso poeta querido passasse a integrar o calendário cultural do país. Nesse mesmo dia, em 2015, foi oficializado o Dia Nacional da Poesia – também em sua homenagem conseqüentemente. Você sabe o que acontecerá por aí? Selecionamos um apanhado de eventos que irão homenagear o poeta. Afinal, qual amante da poesia não vai querer dar uma passadinha por algum deles e respirar poesia?

No meio do caminho – arte postal, em Minas Gerais

O Instituto Imersão Latina convida poetas e artistas visuais de qualquer nacionalidade a participar do projeto NO MEIO DO CAMINHO – Exposição Internacional de Arte Postal, na Fundação Carlos Drummond de Andrade, em Itabira (MG), Brasil. A abertura oficial da exposição acontece dia 25 de outubro e o tema NO MEIO DO CAMINHO é portanto uma referência ao poema do grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, “Tinha uma pedra no meio do caminho”.

► Mais informações: aqui.

camiseta literária drummond-se

Cabaré Modernista para Carlos Drummond de Andrade, no RJ

O “Cabaré Modernista para Carlos Drummond de Andrade” é um espetáculo de música e poesia criado especialmente para o Dia D. Assim sendo, a apresentação ocorre dia 31 de outubro, às 20h, no IMS Rio. Entrada gratuita. Contudo, a distribuição de senhas começa 30 minutos antes.

► Mais informações: aqui.

camiseta literária poema de sete faces

DIA D – Vida e Obra de Carlos Drummond de Andrade no Sebinho, em Brasília

Dia 31/10, na Livraria Sebinho, a vida e obra do poeta Drummond será celebrada com muita poesia, incluindo um concurso de poemas. Em suma, o evento faz parte do calendário cultural da cidade.

► Mais informações: aqui.

camiseta literária drummond

Drummond e a política, em São Paulo

Em São Paulo, o professor Fabio Cesar Alves, da USP, fala sobre as questões que cercam o contraditório engajamento de Carlos Drummond de Andrade com a política.

► Mais informações: aqui.

bastidor e agora jose?

17ª Semana Drummondiana e 2º Festival Drummond, em Minas Gerais

Em 1928, o poema “No Meio do Caminho”, de um ainda jovem e pouco conhecido Carlos Drummond de Andrade, estampava a capa da Revista de Antropofagia. Os versos, repetitivos e intrigantes, mudaram por conseguinte a forma como a poesia era compreendida no Brasil. Uma vez que, neste ano, esse importante trabalho completa 90 anos da sua primeira publicação, ganha atenção especial na programação do 2º Festival Drummond e 17ª Semana Drummondiana, que acontecem entre 24 e 31 de outubro. Com essa temática, os eventos reúnem uma vasta e diversificada programação: oito apresentações musicais, oito oficinas e cursos, sete mesas-redondas e palestras, quatro lançamentos de livros, três teatros e duas exposições – dentre outras atividades.

► Mais informações: aqui.

boton drummond

<< Para conhecer mais sobre o Dia D >> www.diadrummond.com.br

Qual poesia de Drummond não pode faltar nessas homenagens Brasil afora? Conta pra gente nos comentários. =)

Hanny Saraiva

Que dia é comemorado o dia da poesia?

A Poeme-se lança um debate: desde 1977 comemorava-se a data em 14 de março, homenageando Castro Alves. Agora, um projeto de lei aprovado recentemente oficializou a data para o dia 31 de outubro, devido ao nascimento de Carlos Drummond de Andrade. Afinal, que dia é comemorado o dia da poesia?

Nos anos anteriores, você acompanhou aqui no blog nossas homenagens ao Dia Nacional da Poesia no dia 14 de março. O motivo da celebração à poesia nacional nesta data veio para homenagear Antônio Frederico de Castro Alves, poeta baiano, que nasceu em 14 de março de 1847. Esse marco destacando o poeta abolicionista foi sugerido pelo então deputado federal João Alves, no ano de 1977. Desde então, essa proposta não havia sido oficializada e, assim, o Projeto de Lei foi arquivado.

Após 38 anos da data, em 3 de junho de 2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.131/2015, publicada no Diário Oficial da União (veja aqui), que prevê a data oficial como sendo no dia 31 de outubro, data do nascimento do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Dessa vez, a proposta é de autoria do senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná.

É inegável que Carlos Drummond de Andrade tem grande influência na literatura nacional, sendo considerado por muitos o maior poeta do Brasil. Por outro lado, há de se ponderar a data anterior, que já vinha sendo comemorada em homenagem a Castro Alves durante 38 anos no país. A própria Poeme-se costumava celebrar o mês de março como o mês da poesia, criando algumas ações como o Abraço a Praça, evento realizado na praça XV de Novembro, no bairro de Marechal Hermes (RJ), que contava com versos de diversos artistas em uma exposição a céu aberto na praça no mês de março.

Para a Poeme-se, todo dia é dia de colocar a poesia em movimento! Mas agora a gente quer saber a sua opinião: o que você achou da mudança da data? 

Frases de Drummond sobre o amor

Nossa equipe reuniu 20 frases de Drummond sobre o amor, um presente para nossos leitores! 

O mineiro de Itabira, participante da segunda geração do Modernismo no Brasil e considerado como um dos poetas mais influentes do país, Carlos Drummond de Andrade, escrevia sobre o amor como ninguém. O poeta que também era cronista, tinha verdadeiro dom para escrever sobre o cotidiano e sobre a existência humana… Por isso um dos temas mais recorrentes em sua obra foi o amor.

Confira agora a nossa seleção de frases e poemas que apontam de forma simples e encantadora esse sentimento, que como Drummond mesmo diria: “Depressa, que o amor não pode esperar!”

“Nossa capacidade de amar é limitada, e o amor infinito; este é o drama.”

“Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.”

“Quero que todos os dias do ano, todos os dias da vida, de meia em meia hora, de cinco em cinco minutos me digas: eu te amo.”

“Não importa a distância que nos separa, se há um céu que nos une.”

“No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam.”

“Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.”

“Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis.”

“E o amor sempre nessa toada: briga perdoa briga perdoa.”

“Os que amam sem amor não terão o reino dos céus.”

AMOR E SEU TEMPO
“Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.”

“O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”

“Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la.”

“Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.”

“O amor no escuro, não, no claro, é sempre triste, meu filho.”

“Entre as diversas formas de mendicância a mais humilhante é a dor do amor implorado.”

“Ora afinal a vida é um bruto romance e nós vivemos folhetins sem o saber.”

AMOR É BICHO INSTRUÍDO
“Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.”

“Amar se aprende amando”

“Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa , se a vontade de ficar juntos chega a apertar o coração: é o amor!”

Você conhece mais frases de Drummond sobre o amor? Conte pra gente nos comentários!

01

Carnaval e poesia: versos de Bandeira e Drummond

Na poesia tudo pode virar inspiração. E o que dizer do Carnaval, com sua profusão de cores, com as delícias de se poder brincar fantasiado, ser livre, tudo junto e misturado? Com a folia chegando, trouxemos histórias de carnaval e poesia, época que rendeu versos que vamos contar aqui: a melancolia do fim de festa, com a Quarta-feira de cinzas no texto de Manuel Bandeira e a visão sobre o festejo popular de Drummond. 

Drummond e o Carnaval
“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho.”

Carlos Drummond de Andrade era um grande fã da temática do cotidiano e era nisso que se situava a sua genialidade: encantar com o que é simples aos olhos da maioria. Em sua frase acima sobre o futebol e o Carnaval, explicitou como ninguém o sentimento do homem que sai de si para se permitir sonhar.

Um dos maiores poetas do Brasil, Drummond foi homenageado com um samba-enredo em 1987 (mesmo ano de sua morte), feito pela Estação Primeira de Mangueira. O tema foi “O Reino das Palavras”, veja um trechinho do samba:

De mãos dadas com a poesia / Traz para os braços do povo / Este poeta genial
Carlos Drumond de Andrade / Suas obras são palavras / De um reino de verdade
Itabira / Em seus versos ele tanto exaltou / Com amor/ Eis aí a verde e rosa
Cantando em verso e prosa/ O que ao poeta inspirou

O poema “Um Homem e seu Carnaval” é mais um dos presentes que o poeta nos deixou e queremos registrar aqui para você se deleitar com cada palavra:

“Um Homem e o seu Carnaval”, de Carlos Drummond de Andrade (do livro Brejo das Almas, 1934)
“Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensão.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.
O pandeiro bate
É dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.
Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.”

 

Manuel Bandeira e o Carnaval
poesia e carnavalO poeta lançou no ano 1919 a obra “Carnaval”, que marca seu rompimento com o parnasianismo e o simbolismo. O livro veio exatamente após um forte surto de gripe espanhola assolar o Rio de Janeiro em 1918, o que fez com que a folia de momo em 1919 servisse para lavar a alma da população. Bandeira se inspirava fortemente nessa manifestação cultural tão rica, pois o sentimento de liberdade do carnaval o influenciaria em suas temáticas como a musicalidade, a humildade e a sexualidade.

No livro encontramos um de seus clássicos, “Os sapos”, poema que para muitos críticos foi considerado o seu primeiro texto modernista, pois nele Manuel Bandeira rompia definitivamente com o parnasianismo ao iniciar em sua escrita os traços pelos quais ficaria conhecido: simples, coloquial, com oralidade, versos livres e musicalidade.

Em trabalhos futuros, Bandeira também escreveria “Pierrot místico” e “Rondó de Colombina” (em imagem ao lado, referente à publicação no Jornal Correio da Manhã, em 1930).

“Poema de uma quarta feira de cinzas”, de Manuel Bandeira (do livro Carnaval, 1919)
“Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça…
o seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa…
indiferente a tais ataques,
Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça…”

01

Curiosidades de Carlos Drummond de Andrade

Se estivesse vivo, o homem reconhecido como um dos mais influentes poetas brasileiros do século XX, completaria 113 anos em 31 de outubro de 2015. Para celebrar sua vida e obra, reunimos as melhores curiosidades de Carlos Drummond de Andrade.

1) Múltiplos talentos
Drummond, que nasceu em Itabira, interior de Minas Gerais, dedicou sua vida à escrita. Foi além de poeta, contista, jornalista, cronista e tradutor de diversas obras.

2) Expulso do colégio
O ainda menino Drumond foi expulso do Colégio Anchieta, aos 15 anos, por insubordinação mental – na época a justificativa dos padres da direção.  Mais tarde graduou-se em Farmácia, embora nunca tenha exercido a profissão.

3) Não fez parte da ABL 
O escritor sempre rejeitou o título de imortal atribuído aos membros da Academia Brasileira de Letras. Isso porque Drummond nunca sequer se inscreveu para candidatar-se para ocupar uma cadeira.

4) Desentendimento com Mário de Andrade
Com 22 anos, o poeta lançou seu livro “Os 25 poemas da Triste Alegria”, de forma artesanal. Uma das pessoas que ele mostrou sua obra recém-lançada foi Mário de Andrade, que devolveu fortes críticas. Um ano depois, conta-se que quando se encontraram Drummond recusou o abraço de Mário – mas muitos atribuem o gesto à timidez de Drummond.

5) Traduziu grandes nomes
Graças a Drummond temos obras de Balzac, Choderlos de Laclos, Marcel Proust, García Lorca, François Mauriac e Molière na língua portuguesa.

6) Veia jornalística
Carlos trabalhou como repórter para o Correio da Manhã e também foi cronista, dizendo que “O jornalismo é uma forma de literatura.” Suas crônicas forma publicadas no Jornal do Brasil de outubro de 1969 a setembro de 1984.

ultima-cronica-de-carlos-drummond-de-andrade

7) Traduziu músicas da banda The Beatles
Em 1969, seis músicas do quarteto britânico foram traduzidas por Drummond para a revista Realidade (Editora Abril): Ob-La-Di, Ob-La-Da; Piggies; Why don’t we do it in the road?; I Will; Blackbird e Happiness is a warm gun.

8) Deu samba! 
Carlos Drummond de Andrade virou samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira em 1987 , que teve o enredo como o grande vencedor daquele ano. Já em 1976, o sambista Martinho da Vila gravou “A Rosa do Povo”, um disco com canções inspiradas no livro de Drummond.

9) Virou nota de dinheiro
Em 1989 o Brasil ganhou notas de Cruzado Novo, que cortavam três zeros em relação à moeda anterior, o Cruzado. A nota de 50 cruzados novos foi estampada por Drummond – de um lado o rosto do poeta, do outro o poema Canção Amiga (do livro Novos Poemas, de 1948): “Eu preparo uma canção/ que faça acordar os homens/ e adormecer as crianças.”curiosidades carlos drummond de andrade
10) Principais obras
Para quem quer descobrir a obra de Drummond, suas principais englobam: Alguma Poesia, Sentimento do Mundo, A Rosa do Povo, Claro Enigma, Antologia Poética, José e Outros, Corpo.

Contribua para aumentar a nossa lista de curiosidades de Carlos Drummond de Andrade, conte pra gente nos comentários outros fatos interessantes da vida do grande escritor!

01