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Desafios da tradução literária, entrevista com Denise Schittine

Desafios da tradução literária: entrevista com Denise Schittine

“Mulheres têm uma grande sensibilidade com as palavras: somos sacerdotisas, afinal. E já estamos fazendo diferença, sempre fizemos.” – Denise Schittine é a nossa entrevistada especial em homenagem ao dia mundial do tradutor que acontece dia 30 de setembro. Mestre em Comunicação e Sistemas Simbólicos pela UFRJ e doutora em Literatura Brasileira PUC-Rio e UNR-Argentina, ela nos brinda com suas dicas, histórias sobre sua carreira e como é trabalhar com tradução no Brasil.

Conte-nos um pouco sobre sua trajetória como tradutora

Acabei seguindo um caminho editorial e acadêmico que me levou para a tradução. Mas, como tudo em minha vida, os acontecimentos foram se conjugando para criar o meu perfil como tradutora. A edição foi minha porta de entrada do Mercado Editorial, como assistente. Mas livros são um vício. Um excelente vício. Então, quando começamos a editar, logo queremos aprender mais sobre cada parte do processo. Tradução sempre me atraiu, mas eu tinha excesso de cuidado para me aventurar porque pensava, e ainda penso, que um tradutor precisa ter uma base cultural muito boa tanto na língua mãe como na língua que está sendo traduzida. É preciso conhecer os meandros, as inflexões, as armadilhas da língua original e equilibrar isso com um bom português e uma boa interpretação de texto.

Mas então fui fazer uma parte do meu doutorado na Argentina e precisei aprender, pesquisar, ler e escrever em espanhol. Melhorar consideravelmente a língua. Caso contrário, não havia forma de compreender com profundidade as aulas, participar de congressos e fazer a minha voz como acadêmica brasileira ecoar de alguma forma. Na Universidad Nacional de Rosário eu fiz amigos, assisti a excelentes aulas e me apaixonei completamente pelo espanhol. Chamo Rosário de minha Macondo, é a cidade mais realista e fantástica que existe na Argentina e onde está uma grande parte do meu coração.

O amor pela cidade, pelos amigos, pela língua e pelos textos me fez estudar mais espanhol e – por que não? – traduzir alguns textos que serviriam de material para minha tese. Começou assim, depois fui escrevendo os textos dos trabalhos que precisavam ser publicados em congressos. Publiquei produção acadêmica na Argentina, li Borges, Bioy Casares, Victoria Ocampo, José Clemente, María Esther Vázquéz até Alberto Manguel, meu autor de cabeceira, comecei a ler em espanhol. Nos passos de Borges fui parar no Pedro Páramo, do mexicano Juan Rulfo e… Gabo, Gabriel García Marquez. Encomendaram para mim uma resenha em espanhol de Memória de mis putas tristes, eu fiz e foi muito bem aceita.

Ainda não me sentia totalmente pronta para ser tradutora, mas os amigos do mercado editorial sim. Então veio a primeira tradução, a segunda, mais uma e outra… até gerar em mim uma nova e particular paixão. A ideia é continuar estudando, perscrutando, aprendendo. Tenho feito viagens pela América Latina: a última foi para a Guatemala acompanhando um grupo de autores brasileiros na Feria del Libro da Guatemala. Foi um projeto lindo do Consulado do Brasil na Guatemala que eu ajudei a coordenar com a ajuda da equipe do consulado.

A cada viagem, trago mais de um livro de um autor contemporâneo local. A ideia é desenhar uma coleção com esses nomes. A pesquisa é feita pelas resenhas feitas nos países, – Chile, Colômbia, Guatemala, Argentina, Panamá – mas principalmente pela opinião dos livreiros da várias livrarias que visito.

É um projeto especial que pretendo ir fazendo com carinho: quero levar os brasileiros pelas veredas da América Latina. Não há melhor maneira de se fazer isso que pela literatura.

Como foi começar a carreira de tradutora sendo mulher, houve alguma particularidade?

Não acredito em questões de gênero para alguns trabalhos. Acho a tradução um deles. Já vi homens traduzirem com muita sensibilidade um livro de teor feminino. O que comanda a tradução é a vontade do tradutor de entrar o máximo na pele do autor e fazer com que o leitor tenha a experiência próxima da leitura do original.

Acho sim que o meu temperamento, os estudos que já fiz, minha trajetória de trabalho editorial e acadêmico e, talvez, meu senso de humor influencie um editor no momento de colocar um trabalho em minhas mãos. E acho que essas considerações valem para qualquer tradutor. Um editor escolhe o tradutor por sua qualidade (claro), capacidade de se concentrar e cumprir corretamente os prazos e perfil cultural: há tradutores que nasceram para traduzir contos, outros que se mostram mais à vontade com romances, outros ainda que se destacam traduzindo não ficção, ou distopia, ou infantojuvenil. Enfim, perfis qualificados para diferentes trabalhos.

Qual foi o livro mais difícil que você traduziu e por quê?

Todos os livros vêm com surpresinhas inéditas que fazem um tradutor virar noites em busca da mot juste. Eu sou muito cuidadosa em manter o ritmo do texto, o tom do autor e as vozes dos personagens. Acho que são preocupações básicas de qualquer tradutor. Claro que há vários fatores que complicam e tornam uma tradução mais difícil: quando o autor usa muitas referências cruzadas e implícitas a outros livros, quando há muita erudição, quando outras línguas aparecem (um espanhol arcaico ou um pouco de latim no meio do texto) e mais um monte de outras “armadilhas” que fazem com que nós arranquemos os cabelos.

Até hoje a minha tradução mais complicada foi a do livro Amando Pablo, odiando Escobar, da editora Globo. Talvez porque tenha sido uma das primeiras. Não é que tenha sido difícil, mas eu precisei fazer uma pesquisa da época e da situação política na Colômbia, das gírias relativas a drogas e grupos de extermínio, dos nomes e vidas dos sicários que cercavam Pablo Escobar e sobre a Virginia Vallejo, a jornalista que escreveu a biografia e que ainda está viva. Então foram alguns meses tentando entender os anos 1990 na Colômbia com toda questão do tráfico e do passado do país. A autora é jornalista, então ela é muito meticulosa nos detalhes e principalmente no ambiente político no qual o país vivia na época. Saí dessa tradução fascinada. Inclusive pelas dificuldades porque elas me obrigavam a estudar: coisa que adoro.

Que conselho daria para quem está começando na carreira?

Vivemos num mundo cheio de distrações, muitas delas tão inseridas em nossa vida que nem reparamos o quanto perdemos tempo com elas. Um tradutor precisa ser muito concentrado e trabalhar com o relógio do lado. Qualquer distração entre uma frase e outra, um parágrafo e outro, pode fazer você perder o ritmo do texto e o fio da meada. Tradução é um fio de Ariadne: quando puxamos direito e seguimos o novelo, chegamos ao centro do labirinto. Então, tenha concentração, pesquise, se esforce, converse com pessoas próximas, busque o melhor sinônimo, se necessário entre em grupos de discussão e faça perguntas. O trabalho é muito isolado, conversar sobre soluções para as suas dúvidas de tradução pode te levar a caminhos que talvez muito sozinho você não consiga.

Que conselho daria para quem está há anos na carreira?

Bem, aqui só posso dar um conselho como editora, não estou há tantos anos assim traduzindo (embora a ideia seja essa). Quando traduzimos um livro estamos representando um autor: sua voz, seu ritmo, seu tom, suas opiniões. Temos que incorporar o autor. Muitas vezes quando estamos há muito tempo traduzindo já somos praticamente autores também. O desafio é não deixar o autor que existe em nós contaminar o tradutor que somos.

Qual o maior desafio em traduzir livros no Brasil?

Ainda temos poucos espaços que façam uma boa formação de tradutores, embora tenhamos excelentes tradutores autodidatas ou que foram fazendo pós-graduação ou cursos livres e melhorando o seu trabalho cada vez mais. O mercado de tradução no Brasil foi ampliado para muitos lados: já temos um núcleo excelente de estudantes de russo na USP que estão se formando tradutores, o Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul faz um trabalho excelente de formação de tradutores. Várias universidades no Rio de Janeiro têm pós-graduação em tradução.

É um desafio mesmo juntar o ambiente acadêmico ao editorial, mas tenho certeza que a conexão entre os dois sempre vai resultar em ótimos trabalhos. Foi a partir dessa ideia que o Nespe (Núcleo de Estratégias e Políticas Editoriais) decidiu criar este curso de Tradução em Língua Inglesa para o Mercado Editorial: é uma forma de juntar a contribuição dos estudos acadêmicos com a prática dos profissionais do mercado editorial e dar uma direção a tantos bons alunos que gostariam de começar a fazer uma tradução.

O maior desafio ainda é um bom reconhecimento do trabalho de tradução. Prêmios de tradução, bolsas de estudo, projetos junto com as editoras são algumas ações que já vêm sendo feitas e que estimulam o trabalho de tradução.

Há editoras que convidam tradutores para coordenarem coleções ou compêndios da obra de algum autor. Essas iniciativas são excelentes. Se pudéssemos ter mais programas de tradução que contemplassem brasileiros no esforço de traduzir obras clássicas e contemporâneas seria ideal. E acho que, em muitos pontos, estamos caminhando para avançar com iniciativas novas. É um percurso longo de pequenas conquistas que nós tradutores precisamos lutar para conseguir. Pode ser frustrante, mas é um desenho de um caminho.

Como acreditamos no movimento “mais mulheres na literatura” e que mais mulheres devem ser lidas, visto nosso cenário editorial atual, qual autora você adoraria traduzir e por quê?

Estou estudando a melancolia nos textos literários e na construção de personagens. É o meu novo desafio acadêmico. Eu já li Virgínia Woolf algumas vezes, agora estou entrando mais a fundo na vida dela e não paro de me surpreender com seus silêncios, suas reflexões, suas verdades literárias. É uma caixa de surpresas facetada, única e complexa. Uma mulher muito inteligente e com opiniões particulares interessantíssimas. Há oito anos me deparei com um livro belíssimo de Woolf O leitor comum, da editora Graphia. É uma leitura tão saborosa e espetacular: Virgínia faz ensaios sobre leitores, leitura e autores. Passeamos com ela por Joseph Conrad, Montaigne, Defoe, Robinson Crusoé e um ensaio específico “Jane Austen”, no qual ela mostra uma Austen irônica, genial e vanguardista que me encantou e me marcou. Virgínia Woolf é uma ensaísta de primeira linha e eu gostaria de traduzir mais ensaios inéditos dela. Seria uma honra levar para o leitor as palavras dessa mulher tão incomum quanto admirável.

Também há duas escritoras contemporâneas mexicanas que são excepcionais e que eu adoraria traduzir: Fernanda Melchor e Bibiana Camacho. São autoras fortes, viscerais e também muito boas cronistas. A literatura contemporânea mexicana está em enorme ebulição e essas são duas vozes femininas de muita potência. Penso que, cada vez mais, os leitores brasileiros precisam ler nossos vizinhos: há um diálogo entre as nossas culturas e algo de sagrado e poderoso que sempre podemos compartilhar.

Gostaria de saber mais sobre tradução literária? Se sim, deixa um comentário no blog sobre o que gostaria de conhecer mais.

Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Entrevista com Camila Cabete – do universo digital às colunas do PublishNews

Nosso destaque do mês fica por conta da parceria com a Publishnews que deu origem a uma coleção de 7 camisetas para brindar quem vive o mundo da literatura. Conheça nossa coleção aqui >>> PublishNews & Poeme-se
Buscando apresentar a dinâmica desse mundo literário, entrevistamos a colunista Camila Cabete, essa moça antenada e plugada que se destaca no mundo digital e editorial. Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo e colunista da PublishNews, ela vive pertinho do mar com dois gatos pretos, Lilica e Bilbo, e está sempre super conectada com as tendências do mundo do livro.

1.Você poderia falar um pouco sobre sua trajetória no mercado editorial? O que você acha que melhorou e que deveria melhorar mais nesse mundo de livros?

Minha trajetória não é nova, afinal tenho 39 aninhos, né? Comecei a trabalhar no mercado de livros como revisora, sou formada em História. Dava aulas e amava, mas enchia o saco de um amigo meu, que trabalhava em editora, pra me mandar revisão. Queria muito trabalhar na área. Quando teve oportunidade, ele me indicou para uma editora, como assistente e comecei minha vida no meio de livros técnicos. Em 2009 surgiu o livro digital como pauta no mundo, fiquei fissurada no assunto e acabei sendo uma das primeiras editoras no Brasil a trabalhar com isso. Juntei meu hobby, que era tecnologia, com minha profissão e ofício. Daí fui convidada a entrar numa empresa 100% digital, que era livraria e distribuidora… Desde 2010 sou profissional do livro digital. Em 2012 entrei na Kobo, e é onde estou desde então.

2.Sendo uma das pioneiras do livro digital no Brasil, como foi adentrar nesse universo sendo mulher? Houve alguma peculiaridade?

Ser mulher é sempre uma questão. No meio do mundo digital também. Minha entrada na tecnologia foi muito tranquila, pois comecei numa startup, com muitos homens na parte robótica da coisa. Fiz grandes amigos, mas derrubei muitas barreiras também. Começando pelo salário, depois na convivência e por aí vai. Nas editoras vemos a maioria de mulheres na produção, mas na gerência e direção somente homens. E esta é realidade até hoje. Ainda sinto um desafio grande ao ter que lidar com alguns donos de editoras, que na negociação ainda não se acostumaram a falar com uma mulher. Muitos acham que não tenho autoridade bastante para isso. Vou te falar: ser mulher ainda será uma questão por muitos anos. Mas sigo feliz.

3.Você precisou brigar para conquistar espaços? Que situação você passou que gostaria que ninguém passasse?

Briguei sim. Quando você se destaca de alguma forma, você incomoda, perde amigos, sofre bullying… Na editora que trabalhei chegaram a me gravar trabalhando para mostrar ao meu chefe como eu ficava o tempo todo no computador… Hahahaha… juro! Sendo que meu trabalho era controlar projetos de livros… logo… Enfim, muita coisa ruim. Ouvia que tinha sido promovida porque dava pro chefe também, mas isso é um clássico, nem causa mais espanto. Me nego a deixar outras mulheres passarem o mesmo que eu. Sou sempre ativa nestas coisas e me coloco de forma bem clara em relação ao feminismo. É uma questão de sobrevivência o empoderamento das outras mulheres, no meu ponto de vista.

4.Você tem quinze anos de estrada no mercado editorial, né? Qual sua opinião sobre políticas públicas e leitura? Quais seriam as políticas públicas ideais para construirmos um país de mais leitores?

Tenho muito tempo de mercado, mas zero de experiências em políticas públicas, PNLD etc. Acho surreal uma empresa privada sobreviver de uma compra anual governamental. Acho que não é sustentável e não vai muito longe este modelo. Sobre incentivo a leitura na educação, acho tudo errado, ultrapassado e burocrático demais para ver luz no fim do túnel. Nossas políticas não acompanham as inovações tecnológicas, o que nos deixa de pés e mãos atados. Estou numa fase meio anárquica, e ando acreditando nas pequenas revoluções diárias e pessoais. Não vejo qualquer iniciativa que me deixe otimista quanto ao futuro da leitura no Brasil.

5.Temos visto um movimento de bibliotecas comunitárias integradas e articuladas no Brasil, como A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, que ações – que não dependam do governo – podem ser pensadas para que mais pessoas possam ter acesso a livros digitais?

É muito louco saber que a quantidade de smartphone por pessoa no Brasil é uma das maiores do mundo. Quando percebermos que dentro do smartphone temos livrarias 24 horas, todos os dias da semana abertas; e trabalharmos curadoria, com educadores e membros das próprias comunidades, aí sim, faremos algo grandioso. Falo de coisas que custariam muito menos e alcançariam muito mais. Mas infelizmente, no Brasil, algo que custa menos não agrada nem atrai o interesse de governantes.

6.Como é o dia a dia de uma Publisher Relations manager?

Cuido do conteúdo da Kobo junto ao mercado brasileiro. Trabalho de casa, de Camboinhas, uma região há 40 minutos do Rio. Tenho uma baita conexão com a internet e vários backups, caso algo dê errado. Cuido do relacionamento com as editoras, dos pagamentos junto ao nosso financeiro. De operações com nosso operacional… todo o meu apoio e suporte fica em Toronto. Tudo o que as editoras do Brasil precisam, eu intermedio e cuido. Faço videochamadas com nossa equipe, que está situada em mais de 5 países, para sabermos o que se passa no mundo do livros, em todos os territórios. Viajo muito a SP, onde me reúno também com nossa parceira, Livraria Cultura. Cuido também de uma parte da divulgação e redes sociais, além de nossa plataforma KWL para autopublicação. Uma vida calma e agitada digitalmente. Acaba que tenho uma rotina como todo mundo: hora pra acordar, almoçar e fechar o laptop. Só que da minha casa, com meus gatos <3

7.Como o livro digital poderia ajudar profissionais do livro como tradutores e revisores?

Se os editores editassem mais coisas voltadas para o digital, talvez pudessem investir mais no processo de edição e se preocupar menos com a distribuição, impressão etc. Nesse caso, os serviços editoriais seriam o fundamental da empresa.

8.Além de trabalhar na Kobo, você é colunista da PublishNews, você acredita que colunistas podem fazer diferença no mundo literário? Houve alguma situação que te deixou com o olho brilhando por lá?

Ser colunista da Publishnews é uma das coisas que mais me orgulho em minha carreira. Foi lá que pude ter meu trabalho reconhecido. Que pude falar e reclamar das coisas que não faziam/fazem sentido no mercado. Tenho um carinho enorme e sigo como colunista até que eles não me queiram mais. Tudo nesta empresa me faz os olhos brilharem: a liberdade que temos para escrever é raridade no mundo.

9.Nós, da Poeme-se, acreditamos no movimento “mais mulheres na literatura”. Como uma apaixonada por literatura, o que você recomendaria para os leitores e leitoras de nosso blog? Qual autora você acredita que deveria ganhar mais destaque no mercado editorial atual?

Eu também acredito nisso e tenho lido mais mulheres desde então. Descobri ano passado Elena Ferrante com a tetralogia Napolitana. Surtei de tão bom que achei. No Brasil amo as obras da Aline Valek que escreve ficção científica e Socorro Acioli que escreve realidade fantástica <3

10.Se você pudesse sentar um dia com um autor/autora (de qualquer época e lugar) e tomar um café, quem você escolheria? Por quê?

Clarice Lispector, sem dúvida. Ela é a mulher que eu adoraria conhecer e ouvir. Principalmente sobre a visão de mundo que ela tinha. As obras dela marcaram muito a minha vida. A cada vez que releio algo, é outra forma de entender o que ela dizia… é louco e lindo.

 


Camila é uma das moças que acredita que representatividade importa sim: por mais mulheres na literatura! E você, conhece alguma mulher porreta que está desbravando os mares da literatura? Conta pra gente nos comentários.


 

Hanny Saraiva

Camiseta A Divina Comédia

Dante Alighieri é considerado o poeta mais importante da língua italiana. No ano em que comemoramos seus 750 anos, a Poeme-se lança a camiseta A Divina Comédia. E para desenvolver essa estampa, nada melhor do que uma parceria com uma especialista em Dante: a blogueira Anna Schermak, do Pausa para um Café. Vem saber mais dessa história!

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João Pinheiro: da arte de se ilustrar a poesia

Dar vida às camisetas da Poeme-se é um processo bem especial. Depois de bater o martelo sobre qual artista será trabalhado e a temática, são os designers gráficos os responsáveis por dar a cara da estampa das camisetas que você vê em nossa loja virtual. Na composição da estampa Tríade Parnasiana, convidamos o artista João Pinheiro (esse que você vê na imagem que abre o post) para ilustrar os três poetas mais importantes da geração do parnasianismo brasileiro: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

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Mel Fronckowiak na Poeme-se

A primavera da Poeme-se inicia seu ciclo colocando a poesia da escritora e atriz Mel Fronckowiak em movimento. E, por isso, nossa equipe resolveu conhecer mais um pouquinho do mundo literário dessa jovem atriz que tem DNA de poeta.

 

Eq. Poeme-se: Quando começou a escrever?

MEL: Não sei exatamente quando eu comecei. Mas desde que me lembro já escrevo. Rabiscava as capas dos cadernos e as mesas na escola. Morria de raiva da folha pautada que limitava a minha imaginação nas aulas de português. Guardava escondidos os cadernos de poesia e sonhava em um dia poder dividir os devaneios com o mundo.

Eq. Poeme-se: O que representa a poesia para você?

MEL: Pergunta difícil! A poesia é uma espécie de licença. Um jeito de viver fora de tantas caixinhas. A gente pode ver a vida pelo óbvio e pelas entrelinhas, pelo simples, o intraduzível, sem deixar de viver. A poesia não é um sonho, é uma vida que sonha.

Eq. Poeme-se: O que é ser poeta?

MEL: Tenho tentado descobrir. Acho que poeta é quem se aventura. Tenho preguiça dos títulos que precisam de comprovação. Para mim, filósofo é quem pára e pensa nas questões de dentro da alma. Poeta também, não precisa de diploma, precisa saber olhar com mais calma. Desperceber, desacreditar. E se aventurar através de palavras e até da ausência delas.

>>>Para brindar essa parceria toda especial
a nossa #CaçadoraDePalavras disponibilizou
um poema seu, INÉDITO! (Só para você)<<<
 
Há poesia nos redondos da vida
Há poesia nas linhas que se completam
Que antes mesmo de terminar, recomeçam.
Tenho amor pelas formas arredondadas
Pela altura dos que sonham
E pegam no ar pedacinhos de coragem
Para poetizar o mundo
Pois é na roda viva da vida
Que a gente encontra o infinito.
Tenho amor por fazer os versos se movimentarem
E esperança de que neles nunca possa enxergar o fim
A poesia e os que se alimentam dela
têm o dom de girar sem vertigem
Mas na virtude
Na magia de ver o mundo
– O horizonte –
Lá de cima
Mesmo que o “de cima”
seja debruçar-se sobre uma folha em branco.
Meu sonho acordou do papel
E agora vai em busca de vestir as ruas com palavras que a alma desvela
Palavras aninhadas no peito dos poetas que iluminam a cidade
Palavras aconchegadas naqueles que, assim como eu, continuam
– E querem-
Acreditar
Que girar é a utopia possível.
Mel Fronckowiak

Autoria, poesia e um amigo virtual




Poesia Visual de Thiago Cervan. Foto de Moises Patricio



Recentemente postamos uma poesia visual em nossa página do Facebook achando que era uma ação poética urbana anônima. Mas, qual não foi nossa feliz surpresa quando descobrimos que o trabalho pertencia ao Thiago Cervan – poeta de São Paulo e amigo da Poeme-se de longa data.

Sabendo que atuamos nesse cyber mundo tão cheio de (des)informações, falsas autorias e pessoas brilhantes que são negligenciadas, resolvemos mostrar então um pouquinho do Poeta Thiago Cervan, sua obra e suas ações poéticas.

 

Equipe Poeme-se: Quando foi que a obra “amarcura”  foi criada? Em que local?

 Cervan:Em 2010, aconteceu na Galeria Mutante (Atibaia/SP) uma oficina de stencil com Celso Gitahy (um dos precursores  do grafite no Brasil) e Matias Picon (uruguaio radicado em SP).  Comecei a fazer a oficina e uni meu trabalho de poesia experimental com o stencil. Nessa época fiz várias experiências poéticas e tenho uma porção de poemas visuais e/ou concretos espalhados por algumas cidades. O amarcura surgiu durante uma dessas oficinas.

 Equipe Poeme-se: Você ficou surpreso com a viralidade dessa obra?

Cervan: Fiquei surpreso sim. Tenho outros poemas concretos realizados com trocadilhos (que ao meu ver só funcionam no espaço urbano) como, por exemplo, o “Abra-se: Abrace”.

Coincidentemente, depois que ele foi parar na internet (a foto é de um amigo artista plástico, o Moises Patricio), algumas versões toscas da obra apareceram sem referência nenhuma ao autor. Não acho difícil duas, três ou quatro pessoas pensarem no mesmo texto, ainda mais se tratando de um simples trocadilho. Mas pensarem ao mesmo tempo, acho estranho mesmo. Mas é o preço que se paga, Leminski em seu texto crítico “O boom da poesia fácil” já alertava sobre esses perigos.

 Equipe Poeme-se: Qual a importância da internet para a literatura? E para você como escritor?

Cervan:Acho bem importante a internet não só para a literatura mas para todas as relações sociais, porém ela tem que ser encarada como um meio (como de fato é) e não como um fim. Juntamente com os saraus e outros eventos literários que frequento a internet é a minha principal forma de divulgação da minha poesia, ou seja, é fundamental.

 Sobre o Poeta:

Thiago Cervan desenvolve um trabalho voltado à experimentação poética em diversos meios. É um dos idealizadores do Sarau do Manolo, evento de resistência cultural que acontece em Atibaia/SP.  Em 2012, publicou o livreto “Sumo Bagaço” pelas Edições Maloqueirista e está preparando segundo livro de poemas, “Dentro da Betoneira”. 

Faça o download do livreto Sumo Bagaço >> Download <<

Conheça o blog do Thiago: >> Blog Thiago Cervan<<

 

 

Poesia em Foco – Lucas Lisboa

“Bom dia Belo Horizonte!
Bom dia Minas Gerais.
Pra minha terra de amantes.
Meus suspiros e ais!”
Conhecido por essas bandas e admirado pela equipe Poeme-se, a última entrevista que fecha a série da Promoção Onde Mora a Poesia, apresenta um pouco da trajetória  do blog Sr. Personna, criação de Lucas Lisboa –  o Poeta Sobre Trilhos.
Como se deu seu envolvimento com a poesia?
A Poesia me acompanha desde a adolescência quando me apaixonei por uma poetisa, foi um envolvimento inesperado! Mas por outro lado venho de uma família de contadores de estória e piadistas. Essa poetisa e meus tios foram fundamentais para que hoje eu poetasse em meu estilo tão repleto de brincadeiras linguísticas e pequenas estórias
.
Como e quando nasceu esse espaço poético?
O meu espaço poético nasceu como um depósito virtual para meus versos e escritos em geral pois o papel e o arquivo digital em meu próprio computador sempre corriam o risco de se perder. Quando levei para a segurança do mundo virtual eu ganhei também um público para meus textos e por fim me deu a segurança para levar esses versos para além.. Com a publicação através da lei Rouanet e o apoio dos leitores dos trilhos resolvi me mudar do Blogger para um domínio próprio.
Qual sua principal motivação para mantê-lo?
Meus textos ali são uma fonte de inspiração para mim, volto releio, revejo e até crio novamente um poema antigo. Além disso o acesso virtual permite que os leitores que cativo dentro dos vagões do metrô e do trem possam acompanhar meu trabalho para além do pequeno livreto que receberam em sua viagem.
Qual o espaço que a poesia ocupa em sua vida?
A Poesia é uma constante em minha vida, a razão pela qual me mudei para o Rio de Janeiro, meu ganha pão e também meu sonho. Vivo poesia praticamente 24 horas por dia, estou sempre escrevendo, lendo ou analisando versos. Faço letras na UFRJ e trabalho vendendo meus versos dentro dos vagões do Rio. Além disso me organizo para não perder os melhores saraus que acontecem nessa cidade.
O que acha de vestir poesia?
Vestir poesia é poder mostrar para todos a minha paixão pelos versos, é poder assumir uma identidade própria, me afirmar enquanto amante das palavras e de seu poder encantatório. É também poder prestar um tributo aos autores que tanto me inspiraram, que tanto amo e me dão prazer. Homenageá-los ao vesti-los é um prazer que a Poeme-se tornou possível de uma maneira fantástica.
Leia o Blog do Sr. Personna, Poeme-se
www.srpersonna.com.br

Poesia em Foco – Amanda Videira

“Quando a solidão assustar
e a escuridão não parecer ir embora
feche a sua porta, pelo lado de fora.
E vire.”
Cada um dos espaços poéticos descobertos na promoção Onde Mora a Poesia é, sem dúvida, um microcosmos literário. Cada qual imprescindível para seus leitores e para a poesia. Little Bird – blog criado por Amanda Videira – é um desses maravilhosos espaços virtuais que fazem os leitores perderem a noção do tempo se embebedando de palavras. Conheça um pouco mais desse espaço virtual.
Como se deu seu envolvimento com a poesia?
Desde que comecei a me descobrir artista e precisava todo o tempo me expressar de alguma forma, optei pela forma escrita!
Como e quando nasceu esse espaço poético?
Sempre tive blog com uma amiga, mas brigávamos muito pela quantidade de postagens que eu fazia, então resolvi fazer um, unicamente meu. Isto se deu em 2011.
Qual sua principal motivação para mantê-lo?
Muito sentimento.
Qual o espaço que a poesia ocupa em sua vida?
Acho que um espaço integral, a gente acaba vendo poesia em tudo. Nos olhos pensativos do metrô, nas luzes da favela… Em qualquer coisa.
O que acha de vestir poesia?
Acho que poucas pessoas têm coragem de fazê-lo, transformar tudo em poesia… Pode ser uma tarefa bem difícil. Além de achar esteticamente bonitas as estampas, vestir poesia representa o que se é, e como se vê a vida.
Leia Little Bird, Poeme-se.
www.flywiththebird.blogspot.com.br