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Compositor também é poeta?

Compositor também é poeta?

A música popular brasileira sempre dialogou com os recursos peculiares da poesia. De acordo com José Miguel Wisnik, “uma coisa que tem sido observada já há algum tempo é a importância poética que a música popular no Brasil ganhou. Ela não é palavra cantada que serve para o entretenimento de massas enquanto mercadoria em série, ouvida e descartada na estação seguinte. Na música popular do Brasil, pode-se dizer que existe um conjunto de autores, de poetas-cantores que estão desenvolvendo uma obra que resiste à passagem do tempo, ao contrário dos bens de consumo descartáveis.” A configuração estética das canções nos mostram a importância desse eu lírico do compositor.

Quem é seu artista preferido que transita entre a poesia do livro e a poesia cantada? Aqui vão os nossos favoritos

CARTOLA

O mundo é um moinho
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó.

CHICO BUARQUE

Construção
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público.

ZÉ KETI

Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão
É mais um coração

CHICO SANTANA

Adeus, eu vou partir
Por não poder
Mais resistir, tamanha dor
Sinto em deixar
Meu doce lar
Por não poder
Compreender este amor.

NOEL ROSA

O orvalho vem caindo
Meu cortinado é um vasto céu de anil
E o meu despertador é o guarda civil
(Que o salário ainda não viu!)
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu.

VINICIUS DE MORAES

Samba da bênção
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza.

CANDEIA

Preciso me encontrar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir pra não chorar.

ANAVITÓRIA

Trevo
Tu é trevo de quatro folhas
É manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida.

SALVE O COMPOSITOR POPULAR

A todos os poetas das letras, o nosso salve.

Para você, compositor também é poeta? Quem você nos indicaria? Conta para gente nos comentários. =)

Hanny Saraiva

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

5 canções inspiradas na arte de Monteiro Lobato

Já dizia aquele ditado popular “Quem canta, seus males espanta”. As manifestações musicais muitas vezes nos remetem àquelas memórias de infância de dia de domingo ou a eventos cheios de saudade que revivemos com aquele sorriso largo e que parecem se descortinar com cheiros e aromas à nossa frente. Quem nunca disse “Isso me lembra aquela música” e cantarola?

Como abril é o mês de Monteiro Lobato na Poeme-se, separamos cinco canções inspiradas na obra do autor para você reacender sua chama passada e sair cantando pelo dia. Ou quem sabe mostrar para seu pimpolho preferido e sair cantando com ele?  =D

1. Monteiro Lobato, Meire Pavão

A popularidade dessa música foi tanta que passou a ser prefixo do programa Sítio Do Pica-Pau Amarelo. Homenagem a Monteiro Lobato e seus personagens, foi gravada em 1968. Alegre e bonitinha, é uma ótima entrada para aqueles que não conhecem os personagens da obra de Monteiro.

2.Tristeza do jeca, Paula Fernandes, Renato Teixeira e Sérgio Reis

Monteiro Lobato, também criador do personagem Jeca Tatu, inspirou o hit de 1918, escrito por Angelino de Oliveira, considerado o maior clássico da música sertaneja brasileira.

3. Emília (a boneca gente), Baby do Brasil

Emília, a personagem mais famosa de Monteiro Lobato, foi sucesso nos anos 80 na voz de Baby do Brasil, parte integrante do álbum Pirlimpimpim (1982), um especial exibido em comemoração aos 100 anos de Monteiro. Clássico para quem viveu nos anos 80.

4.Sem medo de assombração, Ney Matogrosso

Parte da segunda versão televisiva de Sítio de Pica Pau Amarelo, Ney Matogrosso em 2005 criou uma variante mais nebulosa, porém tipicamente brasileira, com elementos extravagantes e sombrios.

5.O mundo encantado de Monteiro Lobato, Elza Soares

O samba-enredo de 1967 da campeã Mangueira fez muito sucesso, sendo Elza Soares a primeira mulher a puxar um samba-enredo na avenida. É “Sublime relicário de criança/Que ainda guardo como herança/No meu coração”.


Saudades dessas reinações? Quem você mais ama no mundo de Lobato? Conta pra gente nos comentários =)


Hanny Saraiva

CAZUZA E A BALADA DE WALY SALOMÃO.

Cazuza e a balada de Waly Salomão.

“Balada de um Vagabundo” é uma canção do primeiro disco solo do Cazuza lançado em 1985 logo após sua saída do Barão Vermelho. Apesar de trazer alguns clássicos como “Exagerado” (que nomeia o disco) e “Só as mães são felizes”, a faixa “Balada de um Vagabundo” é a que mais me chama a atenção nesse álbum. O mais curioso é que a letra não é do Cazuza e sim do poeta Waly Salomão, compositor de alguns clássicos da música brasileira, como “Vapor Barato”. Ele ainda foi responsável pela produção do disco “Veneno AntiMonotonia” da Cassia Eller, álbum em homenagem a Cazuza. Em toda sua discografia Cazuza gravou poucas músicas em que não participava da composição. E está foi a primeira. “Escrevi Balada de um Vagabundo para ele [Cazuza]. Teci este poema como mentira sincera de uma suposta simbiose Helio Oiticica-Cazuza. Como se os cavalos de Oiticica e de Cazuza tivessem baixado em mim”, dizia Waly Salomão. Cazuza achava que a música o defina muito bem. Gostava, especialmente, do trecho que resumia sua personalidade: “Eu sou o beijo da boca do luxo na boca do lixo.” Para quem não conhece, vale a pena ouvir! (:

Mini Biografia de Zuza Zapata