A Divina Comédia, de Dante Alighieri, é um clássico da literatura mundial publicado entre 1304 e 1321, uma obra póstuma italiana. Escrita em dialeto florentino, pode ser considerada uma leitura de difícil compreensão, pois nos convida a adentrar em um processo complexo onde sonho e realidade se mesclam e muita gente larga a narrativa pela metade por falta de paciência. Então, você pode se perguntar: como ler A Divina Comédia sem surtar?

Listamos algumas coisinhas para você saber/praticar antes de começar a leitura que podem te ajudar a não se desesperar como leitor, mas acredite, vale a pena a leitura desse moço!

O conceito de simetria

Todo poema de A Divina Comédia é baseado na simetria, onde as três últimas letras combinam e vão rimando por todo o poema, fazendo com que ele fique mais sonoro e elegante. Além disso, a própria obra é dividida em 3 livros: inferno, purgatório e paraíso. Cada livro é formado por 33 cantos. Cada livro também é separado em 9 círculos, tudo envolvendo o número 3. A simetria é o carro motriz da obra onde, por exemplo, cada livro termina com a mesma palavra: estrela. Um bom exercício ao ler o conteúdo é perceber como cada palavra é milimetricamente escolhida, como se fosse um tempero mágico de uma receita muito bem elaborada.

A literatura dentro da literatura

Quando o poeta Virgílio conversa com Dante, Dante nos coloca dentro do processo de reencontro com o humano através do limiar do desespero onde encontramos o alento da esperança. Dante nos conduz conforme Virgílio o conduz, numa literatura dentro da literatura, em um quebra-cabeça de experiências vivenciadas pelo desespero dos personagens, numa perspectiva reflexiva sobre como vivemos. Entender um pouco sobre o que é literatura ajuda na compreensão dessa dinâmica em A Divina Comédia. A gente super recomenda algum livro teórico para te deixar mais calmo, como por exemplo, O Meu Dante, de Dante Milano (1965) para entender que “há uma poesia que não é só de Dante. É do mundo, da humanidade”. Pode até ser que a gente demore a perceber, mas uma vez captada, a beleza é única.

Uma boa tradução

Ter uma boa tradução da obra é o passo fundamental para compreender melhor o trabalho de Dante. A Editora 34 lançou uma edição bilíngue muito bacana, com tradução de Ítalo Eugênio Mauro, sem ilustrações, mas com notas muito interessantes que vale a pena investir porque a tradução da obra foi um desafio de 12 anos. Mas há outras boas traduções também que podem facilitar seu processo de leitura. Anna Schermak, do canal/blog Pausa para um café, por exemplo, dá algumas dicas de outras boas traduções.

Adaptações

Como o objetivo aqui é tornar acessível a leitura da obra, algumas pessoas indicam adaptações de quadrinhos para que o leitor se familiarize com a narrativa, indo depois ao original (seja ele bilíngue ou apenas com tradução em português). Uma boa dica é A Divina Comédia em Quadrinhos do Piero – visualmente bonito e cheio de cores com ilustrações completas – e A Divina Comédia de Dante – Inferno, Purgatório, Paraíso de Seymour Chwast. Esses quadrinhos são tipo cartão de visita, você degusta a narrativa, mas nada como pegar o original e se debruçar sobre, se emaranhando aos poucos, como se estivesse nessa jornada coladinho com o autor.

Outra dica é vestir literatura para trazer para mais perto da alma a essência poética daquele que é ousado e libertador: nosso Dante.

A Divina Comédia camiseta literária Dante

Para você, qual a maior dificuldade que você acha que encontrará (ou encontrou) ao ler A Divina Comédia? Conta pra gente nos comentários. =D

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A Divina Comédia - mini bio
Hanny Saraiva

2 Replies to “Como ler A Divina Comédia sem surtar?

  1. O artigo ficaria melhor se os livros de apoio fossem completados com os nomes das editoras e o ano, para que o leitor tivesse uma informação de fato.
    Listar livros esgotados, não ajuda. Ao invés de “Meu Dante” que nem de Dante Milano é, seria mais interessante listar “Dante – O Poeta, o pensador político e o homem” de Barbara Reynolds, pela Editora Record de 2011. Que, apesar de esgotado, é muito mais fácil de encontrar, do que “O Meu Dante”. Também “Por que Ler Dante” de Eduardo Sterzi da Editora Globo de 2005.
    Quanto às traduções, não só do Ítalo Eugênio, da editora 34, é encontrada facilmente nas livrarias. Há a tradução de Xavier Pinheiro, que, recentemente foi reeditada em box pela Editora Nova Fronteira e a tradução portuguesa de Vazco Graça Moura, pela Editora Landmark.

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