Frases e curiosidades sobre Simone de Beauvoir

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir, foi filósofa existencialista, escritora, intelectual, ativista política, feminista e teórica social francesa. Apesar de não se considerar uma filósofa, teve importante participação tanto no existencialismo feminista quanto na teoria feminista.

Beauvoir escreveu romances, biografias, ensaios, autobiografias, entre outras obras sobre política, filosofia e questões sociais. Conhecida por “O Segundo Sexo”, de 1949, uma análise detalhada da opressão das mulheres e um tratado fundamental do feminismo contemporâneo, ela lecionou em várias instituições escolares e integrou o círculo de filósofos literatos que traziam para o existencialismo um aspecto literário, junto com Sartre e Foucault.

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Camiseta Literária Capa de Livro O segundo sexo

Uma das inquietações de Simone era sobre o envelhecimento e a morte. Escreveu livros como “Uma morte suave”, em 1964 e “A Cerimônia do Adeus”, de 1981 onde narra os últimos momentos de seu companheiro Sartre, que faleceu em 15 de Abril do ano anterior.

Simone faleceu em 14 de abril de 1986, aos 78 anos de idade, por conta de uma grave pneumonia e foi enterrada no mesmo túmulo de seu marido Sartre no Cemitério de Montparnasse.

E como ontem foi o aniversário dessa grande personalidade que deixou um legado inestimável para a literatura e a filosofia mundial, separamos algumas frases marcantes que impactaram a trajetória dessa grande escritora.

1. “Querer ser livre é querer também livres os outros”

A liberdade sempre foi um assunto que rodeava os pensamentos e escritos de Simone de Beauvoir, como em “Por uma moral da ambiguidade”, onde ela fala a respeito da ideia da liberdade individual depender da liberdade de todos para ser efetiva. A frase também fala a respeito do relacionamento aberto que ela mantinha com Sartre, que durou 50 anos. O livro que fala sobre a relação e a despedida dos amantes é “Em Cerimônia do Adeus”

2. “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”

A frase mais famosa de Simone de Beauvoir e que abre o livro “O Segundo Sexo” é uma frase que há anos inspira mulheres a mergulharem no verdadeiro significado da condição do feminino. Recentemente a frase causou polêmica por ser citada no ENEM – o maior vestibular nacional – causando debates acalorados sobre feminismo e questões de gênero.

Já que Simone defendia a distinção entre sexo e gênero, sendo o primeiro um fator biológico, e o segundo uma condição construída e imposta pela sociedade. Para Simone, o gênero feminino nada mais era do que uma construção social.

3. “Poucos crimes merecem piores punições do que a generosa culpa de se colocar inteiramente nas mãos de outrem”

Essa frase nem parece ser da mesma pessoa que defendia a liberdade como algo essencial. Em “Cartas a Nelson Algren”, conhecemos uma Simone muito diferente do que estamos acostumados e nos surpreendemos ao perceber uma pessoa totalmente entregue ao amor, lutando contra a emoção pura que a colocou, de joelhos.

Enquanto escrevia “O Segundo Sexo”, Simone viveu um poderoso romance com o “amado homem de Chicago” e trocou cartas tão carinhosas quanto perturbadoras em um inusitado inglês, tirando os holofotes de seu rigoroso francês nativo.

4. “Eis aqui meu primeiro livro — o único certamente — que você não leu antes que o imprimissem. Embora todo dedicado a você, ele já não lhe concerne. ”

Em sua despedida de seu companheiro de uma vida, Simone relata em “A Cerimônia do Adeus”, os últimos 10 anos de Sartre e a evolução de sua decadência física e intelectual. Um livro que traz em sua primeira parte, quase que um diário pessoal da autora, onde ela relata inúmeros episódios da evolução da senilidade de Sartre. E na segunda parte uma série de entrevistas realizadas com ele em 1974.

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Camiseta Literária Sartre

Considerados um dos casais mais influentes da intelectualidade do século XX, Simone e Sartre mantinham uma relação fora dos padrões estabelecidos pela sociedade da época, o que gerava muita polêmica – embora nunca tenham se casado oficialmente – mantiveram uma relação de cumplicidade durante toda a vida.

5. “Se a burrice vencesse, não teríamos mais o direito de pensar, de zombar, de sentir desejos autênticos, prazeres verdadeiros. Era preciso combatê-la, ou renunciar a viver. ”

Em “Memórias de uma Moça bem-comportada”, Simone relata eventos de sua vida pessoal dividindo o livro em três partes: infância, adolescência e vida adulta. Ela critica a sociedade burguesa e os valores impostos às mulheres.

Nessa obra autobiográfica, Simone conta que quando pequena se adequava aos papéis impostos a ela por eles lhe proporcionarem benefícios muito satisfatórios, no entanto, ao entrar na adolescência e ir para um colégio católico só para meninas, ela começa a questionar o papel da mulher na sociedade que resumiam pura e simplesmente em: casamento ou convento.

Sua aproximação com Zsa Zsa, amiga de infância que a acompanhou até a adolescência, e diz-se, foi seu primeiro amor, causou descontentamento em sua escola e família o que acarretou no afastamento das duas. Zsa Zsa era considerada “geniosa e de opiniões fortes”, características que poderiam influenciar negativamente no desenvolvimento da personalidade de Simone. Este evento acarretou no afastamento de sua irmã e mãe – a quem era próxima – por perceber as falhas da família e fez com que Simone voltasse suas energias para o estudo e leitura dos livros “proibidos a moças comportadas” – sobretudo Filosofia.

O curioso é que em sua vida adulta, Simone se relacionou com diversas mulheres, com o consentimento de seu amante Jean Paul-Sartre. E ela conta na última parte do livro alguns desses eventos, carregados de críticas à família e a sociedade.

Referências:

Skoob
Wikipedia
Pensador
Revista Galileu
Avec Beauvoir
Vix
Um Livro por Dia

Camila Santos

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