Penso em meus tempos de escola e lamento ter conhecido certas pessoas já com certa idade e não ter amadurecido com eles, ou até sentido no ardor das paixões adolescentes as palavras de certos companheiros latino-americanos. Esse foi meu caso com Pablo Neruda. Esse filho de operário e de professora primária carregou dentro de si o espírito da América Latina, inspirando outros após ele.

Aqui, vira e mexe alguém pergunta o que é a poesia, como se ela possuísse outra definição que o fato de não caber em si, de não representar nada além do que já foi e será criado, desejado, visto, sentido e de não definir palavra alguma que o próprio sentido distorcido de cada palavra que nela quiçá fará sentido. Neruda era um poeta com, como Carlos Drummond de Andrade definiu o ser poético, “apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.

Ter sangue latino, significa ter um sangue de luta, de resistência, assim como Neruda. É agitar a todos e a si mesmo, como se foi feito em uma vida inteira dedicada à literatura. Ao longo do seu período literário, que começou aos 17 anos, foram 40 livros; são 50 anos debulhando em páginas que ganharam o mundo. 1923 a 1973.

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Ingressou na carreira diplomática em 1927. Em 1936 estava na Espanha, ao lado do também poeta Frederico Garcia Lorca, lutando contra o fascismo e a ditadura de Francisco Franco. Mais tarde filiou-se ao Partido Comunista Chileno, foi eleito senador em 1948, tendo que cair na clandestinidade logo após, por causa das perseguições. Retornou a ativa quando Salvador Allende foi eleito.

Virás comigo, disse sem que ninguém soubesse
onde e como pulsava meu estado doloroso,
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.

Repeti: vem comigo, como se morresse,
e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh, amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!

Por isso quando ouvi que tua voz repetia
“Virás comigo”, foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado

que da sua cantina submergida soubesse
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura.

–Pablo Neruda

Para descobrir um Neruda que não fique somente em poemas de amor, não reclamando deles, mas a veia da luta fala mais alto, recomendo a autobiografia do poeta: Confesso que Vivi. Ele não é um texto de “fim de carreira”, mas construído ao longo da vida do autor, com a recoleta de suas memórias.

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            Você poderia me dizer, neste exato momento: mas por que causa, motivo, razão ou circunstância você vem aqui me recomendar uma biografia de um poeta? Não gosto de poemas de amor… etc etc etc.

            Não tenho uma fórmula para te responder, mas um conselho. Conheça quem está por trás da obra. Não é uma simples fofoca, mas é ter ciência de um ser e os motivos das suas escolhas e das suas produções.

            Por mais poemas combativos, até que possamos depor as armas da ignorância e aproveitar melhor os poemas de amor.

            Até o próximo texto!

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