A saudade é um termo bem difícil de ser definido nas diversas línguas, ter uma palavra para defini-la é para poucas. Este é o nosso bom e velho português. Nossa língua é a mãe do Fado, que assim como a origem do nome que nos remonta o destino, canta esse sentimento de saudade que só a alma que vem ou descende de Portugal consegue sentir. Como Gonçalves Dias mesmo sentiu, ela pode aparecer em coisas tão simples como Palmeiras e sabiás.

Foi nesse mesmo ultramar que nosso grande poeta romântico “cantou” uma das mais celebradas poesias brasileiras que é capaz de passar muito desse sentimento de pertencimento que carregamos no peito — sua Canção do Exílio.

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Por aqui na Poeme-se, há uma valorização e ao mesmo tempo uma desconstrução da poesia, todos os dias. A equipe trabalha para ser popular e erudita, para ser romântica e humorada. Nesse sentido, no lugar de pegar a integra dessa poesia linda: a canção do Exílio – buscou-se uni-la com uma brincadeira muito comum pelos pré-vestibulares desse Brasilzão cheio de sabiás. Deu nisso:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
Seno A cosseno B
Seno B cosseno A.

Quem não se recorda deste clássico do Romantismo do século XIX pode então se deliciar com esses versos de saudosismo, de pura adoração da terra onde se nasceu. Notem a cadência dos versos através de suas rimas constantes, conferindo musicalidade e ritmo por ser escrito em redondilha maior — 7 sílabas poéticas. Não lembra o que são sílabas poéticas? A Poeme-se também te ajuda nessa, com a camisa Sílaba Poética.

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Canção do Exílio – Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Estava o poeta em Coimbra, quando aquele sentimento urgente de rever a sua própria terra, assaltou o seu peito e espremeu a sua pena para colocar pra fora aquilo que não cabia dentro de si. Então, um dos poemas icônicos da primeira geração romântica brasileira nasceu.

O exílio é o ato voluntário ou involuntário de deixar a sua própria terra. É uma definição muito simplória, pois ninguém tem a dimensão exata da bagagem que aquele que sai – exílio tem o prefixo ex, que no latim é ir para fora, mas com força – carrega em si.

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Esse exílio foi muito importante para a nossa literatura, pois Gonçalves Dias retorna com a garra de quem está feliz por estar de volta, vendo as belezas que só podia carregar em sua memória que, com o tempo, corria o risco de estar distorcida pela distância.

Aquele que ama devota uma parte de seu tempo para apreciar a coisa amada, assim era o Indianismo brasileiro, que procurava amalgamar os seus entorno das belezas da pátria amada. Assim, o amor ufanista pela natureza se torna presente, juntamente com o habitante primeiro do país que está surgindo como nação soberana. Digo isso, pois anos antes, o Brasil corta laços com Portugal e entra em uma fase de autorreconhecimento e aceitação enquanto jovem nação independente.

Infelizmente, como toda alma romântica, Gonçalves Dias teve uma vida um tanto quanto sofrida. Por ser filho de um comerciante português com uma “mestiça”, o que não era muito aceito para a época, foi afastado de sua mãe, vivenciando seu primeiro exílio: o materno.

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Anos mais tarde, perde seu pai. Sua madrasta o envia à Coimbra para que seguisse com seus estudos e, posteriormente, entrasse na universidade. Este é seu segundo exílio. Um exílio bem sofrido. Sem dinheiro para terminar os estudos, foi ajudado por seus próprios colegas de turma para seguir com sua vida acadêmica.

De volta ao Brasil, finalmente, tentou casar-se com o amor da sua vida, Ana Amélia. A mãe da moça recusou o casamento, pois Gonçalves Dias era de origem mestiça. Desiludido, acabou por casar-se. Sua relação foi efêmera e a única filha que teve, faleceu ainda criança.

Seu cargo como Oficial da Secretaria de Negócios Estrangeiros o afastava constantemente da sua pátria. Doente, sem encontrar tratamento na Europa, o poeta retorna ao Brasil para seu derradeiro fim. Na costa de sua terra natal, o Maranhão, o navio em que estava afunda, sendo o poeta o único a falecer no naufrágio. Coincidência? Não sei. Mas, ao menos reencontrou-se com sua casa.

Assim como a canção do exílio fala de saudade, aqueles que já saíram a algum tempo da escola, como eu, são transportados à nostalgia de tempos onde a última coisa que nos preocupavam, eram os boletos que vencem no fim do mês. Mas, para aqueles que ainda estão na escola, é um bom incentivo para ver que o ensino não precisa ser sacal ou rígido.

Abraços poéticos

Até o próximo texto.

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