Olá a todos, aqui é o Barbardo Mario Felix. Hoje venho falar sobre um projeto bem engajado da Poeme-se: o Poesia 2.0. Nada melhor do que começar a semana falando com um ícone da literatura marginal. Tive o prazer de entrevistar o grande Jessé Andarilho – cria de Antares e autor de dois livros: Efetivo variável e Fiel.

Sobre o Poesia 2.0, para quem ainda não sabe, trata-se de um movimento da Poeme-se pra construir uma coleção de estampas com escritores contemporâneos e pessoas relevantes no cenário da literatura, tendo como objetivo amplificar a voz dessas pessoas e mostrar que tem sempre algo novo acontecendo no cenário literário.

Jessé Andarilho, nosso entrevistado da semana, teve como mote de sua camiseta literária a frase sensacional: “Faça Algo Va Ler”. Essa frase cheia de força que brinca com a palavra valer engrandesce e muito nopssa coleção poesia 2.0.

Para contextualizar: Jessé Andarilho nasceu no Lins, zona norte do Rio de Janeiro e logo se mudou para Antares, uma comunidade que fica na última estação do ramal de Santa Cruz, nos trens da Supervia. É muito longe. Então, no meio de seus corres diários, embalado não do Leme ao Pontal, mas de Santa Cruz à Central, Jessé ia escrevendo o seu primeiro romance, Fiel, equilibrando-se no bloco de notas do seu celular, entre um sacolejo e outro do trem. Ele fez esse esforço valer e hoje é muito lido.

Se você não lembra o que é Literatura Marginal, te convido a ler o texto do nosso outro barbardo, Rafael Ottati, que chama “Seis passeios pela literatura marginal da geração mimeógrafo”.

O Jessé respondeu quatro perguntas que, de certa forma, resumem muito bem as questões que ele percebe em seu dia-a-dia de habitante da periferia de um grande centro urbano.

Entrevista com Jessé Andarilho camiseta literária Faça algo branca

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Mario Felix: O que te impulsionou a escrever? O que te motivou?

Jessé Andarilho: Eu percebi que tinha histórias pra contar. E foi num momento em que eu ficava 4 horas dentro do transporte público por dia. Era pra passar o tempo e contar coisas que eu sabia que não seriam contadas por outra pessoa.

Mario Felix: Você como um escritor marginal, como é pra você ter que dividir espaço e bater de frente com o “cânone”?

Jessé Andarilho: Não divido espaço com essa galera. Escrevo pensando em pessoas que vão morrer sem saber quem é esse povo. Sem saber o significado da palavra cânone, nem eu sabia o que era isso até bem pouco tempo. Não ligo para o que é dito cânone, literatura de alta qualidade ou qualquer outro rótulo que dialoga com o povo. Escrevo história

Mario Felix: Você escreveu dois romances: o Fiel e o mais recente, Efetivo Variável. Qual foi a repercussão dos seus livros? Como a galera recebeu os romances?

Jessé Andarilho: O Fiel a galera abraçou mais. O Efetivo Variável tem uma capa q assusta as pessoas. No Efetivo eu falo sobre a questão de lutar por um espaço. Tem o quartel como pano de fundo, mas o livro conta a história de um jovem negro favelado que busca oportunidades de ser “alguém na vida”. Fala sobre sonhos, amores, racismo e tudo mais que acontece com os jovens negros no Brasil.

Mario Felix: Você é um cara que veio de Antares, que galgou esses espaços na literatura. Você acha que teu tipo de obra, essa sua influência é um “abridor de portas” pra quem tá vindo, ou a galera ainda tem muito espaço pra percorrer?

Jessé Andarilho: Quem abriu as portas foi Carolina de Jesus. Eu só dei uma bicuda pra entrar numa brecha e ainda tinha. Fui atrás da luz no início do túnel. Muita gente boa veio antes e muitas pessoas melhores virão. Me preocupo mais com quem vai ler do que com quem escreve. Quem escreve eu ajudo comparando, indicando e sendo plateia. Quem vai ler eu movo mundos e fundos pra fortalecer e incentivar o hábito de ler. Que ainda tinha.

A Poesia 2.0 não para por aqui, temos estampas de parceiros como Raphael Montes, Frini Georgakopoulos, Geovani Martins, Jéssica Balbino, Mel Duarte e Carla Neto. É um projeto que só cresce e dá voz, asas e representatividade para nossos autores e fomentadores da literatura nacional.

Entrevista com Jessé Andarilho Coleção Poesia 2.0

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