Quando a democracia está em risco, temos que lançar mão da história para lembrar dos perigos da censura. Alguns dos livros de nossa lista são verdadeiros clássicos e podem ser citados como modelos de quebra de paradigma. Eles abordam temas profundos sobre a sociedade e são algumas das obras mais lidas de todos os tempos. Exatamente por tocarem em assuntos polêmicos foram alvo de censura de toda ordem, banidos durante uma época específica por lideres políticos, religiosos ou por grupos conservadores contrários aos questionamentos e reflexões que o livro pode gerar. Importante, diante de tudo que já mostrou a história humana, é dizer que só colhemos retrocesso com a censura . Dito isso, veja a lista de livros censurados que separamos. (leia também: A memória da ditadura na ficção brasileira)

1. 1984, de George Orwell

O livro, que é uma crítica aos regimes totalitários e ao poder excessivo, foi censurado nos Estados Unidos e taxado como literatura pró-comunista. Publicado em 1948 quando a Guerra Fria já estava aí, na União Soviética também foi vetado por ir contra o regime stalinista. O que seria 1984 a não ser uma literatura reflexiva sobre os tempos passados que parecem mais atuais do que findos? (Confira o resumo do livro aqui)

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2. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Também abordando governos totalitários, questionando avanços científicos e a questão da felicidade a qualquer custo, Admirável Mundo Novo foi banido de bibliotecas americanas por ser considerada uma obra que incentivava o uso de drogas e promiscuidade sexual. Em um mundo onde Rivotril reina, Huxley super estimulava o uso, né? (leia também: 7 previsões de Aldous Huxley ou por que você deveria estar com medo agora mesmo)

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3. Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling

O mundo de bruxaria criado pela autora inglesa foi banido de algumas escolas dos Emirados Árabes Unidos pelo seu tema. Já no Ocidente, a saga foi criticada por instituições conservadoras americanas e brasileiras que acreditavam que a jornada do bruxo órfão conteria ocultismo, feitiçaria e falsa religião. “É LeviÔsa, não LeviosÁ.” (leia também: 4 motivos para sempre voltar a ler Harry Potter)

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4. O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós

Quando um padre se apaixona e se envolve com uma mulher em 1875 num universo fictício, quem disse que a Igreja Católica deixa passar despercebido? Alvo de protestos devido ao conteúdo erótico x o celibato clerical, o livro de Eça de Queirós foi banido em escolas de Portugal.

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5. Feliz ano novo, de Rubem Fonseca

No período de ditadura militar brasileira muitos livros foram censurados pelo DIP e um deles foi Feliz Ano Novo. Com a justificativa de ferir a moral e os bons costumes, os contos do autor foram recriminados em 1976. Muitas pessoas diziam que o livro era “pornografia pura” e pregavam que o autor fosse preso. Conhecido por sua linguagem brutal e crua e uma visão direta das cidades, o livro foi censurado oficialmente pelo Ministro da Justiça de Geisel.

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6. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Oi? Até Alice? Sim, na China de 1931 o livro foi abolido porque os animais usavam a mesma linguagem que os humanos, ficando no mesmo nível hierárquico. Nada de conversar com seu gatinho e ele responder, viu?

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7. O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Cristo foi tema do autor português, mais conhecido por ser ateu, e recebeu intensas críticas da Igreja Católica portuguesa. Na obra, o autor aborda um Jesus mais humanizado com uma suposta relação com Maria Madalena. Vetado no processo de seleção de obras do Instituto Português do Livro e da Leitura (IPLL), o livro foi descartado do processo – ‘Este livro não, porque ofende’, nas palavras do autor.

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8. A revolução dos Bichos, de George

George Orwell tem menção honrosa em nossa lista com 2 livros sofrendo censura. Em “A Revolução dos Bichos”, Orwell escreveu durante a 2ª Guerra Mundial sua sátira à ditadura de Stalin, através de uma história cheia de referências à União Soviética de forma bastante crítica. O livro foi banido na década de 1960 de diversas bibliotecas e depois na década de 1980. E, na história mais recente, em 2002, o livro foi banido dos Emirados Árabes por ser acusado de conter elementos contrários aos valores da cultura islâmica.

9. O Diário de Anne Frank, de Anne Frank

A menina de 13 anos que sofreu os horrores do holocausto e retratou sua vida em um esconderijo com sua família nas páginas de seu diário também sofreu com a censura. A obra foi polêmica entre algumas bibliotecas dos EUA por abordar assuntos como sexualidade e homossexualidade.

10. Lolita, de Vladimir Nabokov

Além da violência e da política, outro tema bastante polêmico que aumentava as chances de uma obra ser vítima da censura era o sexo. O clássico Lolita, do escritor Vladimir Nabokov chegou a ter todas as cópias apreendidas em 1955. O motivo era a acusação de conter sexo, incesto e apelo sexual a uma menor de idade, já que a história trazia um homem mais velho que se apaixonava por sua enteada de 12 anos, o que também gerou acusações de pedofilia.

11. O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien

A trilogia “O Senhor dos Anéis” de Tolkien também foi censurada por diversos grupos religiosos que condenavam seu conteúdo pagão. Conta-se que em 2001 alguns exemplares do livro foram queimados em uma igreja no Novo México, dizendo que Tolkien fazia apologia ao satanismo, embora o autor fosse cristão e não haja menção de figuras satânicas na obra.

Conhece algum livro que foi censurado atualmente? Conta pra gente nos comentários. =D

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