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Contando assim, parece até coisa de antigamente, mas a cena teve lugar na Bienal do Livro de 2016. Ao pedir que o pai lhe comprasse um livro, um adolescente recebeu uma negativa, com base no simples fato de que o nome na capa era o de… uma mulher! Sim, uma mulher, alguém que provavelmente só escreveria histórias românticas, “próprias para garotas”. Não adiantou explicar que se tratava de uma obra de ficção distópica, com mistérios, lutas, aventura. Afinal, isso é “coisa de homem”, e livros assim só podem ser escritos por outros homens, certo?

Pois bem, meu caro senhor: temos o prazer de lhe informar que não poderia estar mais enganado. Se, por um lado, é verdade que a divisão temática de acordo com o gênero foi amplamente adotada na literatura a partir do século XVIII, reforçando a mentalidade segundo a qual suspense e aventura são para os meninos e romance para as meninas – e assim servindo como forma de controle social –, por outro lado sempre houve mulheres que se aborreceram com a mesmice de coleções como a Biblioteca das Moças e se tornaram não apenas leitoras ávidas, mas também escritoras de aventura e narrativas fantásticas.

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Um exemplo? Em 1818, Mary Shelley, filha da feminista e escritora Mary Wollstonecraft, publicou “Frankenstein ou o moderno Prometeu”, tido como a obra inaugural da Ficção Científica. A primeira edição foi anônima, recurso ao qual recorreram muitas mulheres para ser aceitas no meio editorial. Outras usaram pseudônimo ou, ainda, as iniciais, recurso sugerido pelos editores de J. K. Rowling ao publicar o primeiro livro da série “Harry Potter” em 1997.

É… Ao que parece, o pai do garoto da Bienal não era o único a torcer o nariz para livros escritos por mulheres. Por sorte, isso não deteve nem Mary Shelley, nem Joanne Rowling – e, entre as duas, houve muitas outras excelentes escritoras. Edith Nesbit, Emília Freitas (autora de “A Rainha do Ignoto”, obra precursora do fantástico no Brasil), Ursula Le Guin, Margaret Atwood, Dinah Silveira de Queiroz, Octavia Butler, Anne Rice, Mary Renault, Anne McCaffrey, Susan Cooper, Marion Zimmer Bradley, Terri Windling… Em fantasia, horror e ficção cientifica, são centenas de autoras, sem contar outros gêneros literários, como os livros de mistério – dos quais o grande nome é Agatha Christie, policiais e thrillers psicológicos. E elas vêm-se afirmando mais e mais nas últimas décadas, com livros e séries que arrebatam prêmios e conquistam milhões de leitores em todo o mundo.

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Esse não é, porém, um caminho fácil. Ainda existe muito preconceito contra mulheres na literatura fantástica, bem como no universo dos games e dos quadrinhos. Afinal, foram séculos de condicionamento social, durante os quais se repetia a ideia de que os homens eram os fortes, os protetores, os que podiam lutar e se aventurar, enquanto as mulheres – tanto autoras quanto personagens – deviam se contentar com papéis secundários. E, por maior que seja o empenho, isso não é algo que se possa desconstruir da noite para o dia.

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Assim, ainda levaremos um bom tempo lutando contra estereótipos, criticando a objetificação feminina na arte, insistindo que uma protagonista forte não precisa necessariamente empunhar uma espada, ser durona ou mal-humorada. Ao mesmo tempo, continuaremos a reivindicar nosso espaço no mercado editorial, em mesas de debate, em eventos culturais e literários. Pois, como provam tantas obras incríveis produzidas por mulheres, temos muito a dizer. E, cada vez mais, lutaremos por nos fazer ouvir.


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