Para homenagear o dia dedicado aos profissionais da educação, nós, os Barbardos da Poeme-se, como professores que somos, viemos para falar algumas coisas divertidas e outras sérias sobre essa profissão que sofre com tantos desgastes, desprestígio e, atualmente, perseguição.

O Professor não mora na escola 
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Vamos começar com notícias boas: camisetas novas! Foram criadas, especialmente para que é professor, diversas estampas, algumas sérias, outras muito bem-humoradas. Para início de conversa, quem cresceu lendo Harry Potter e esperou por anos que uma coruja trouxesse uma carta-convite, sentimos a sua dor. Por isso, fizemos a camiseta “Ensino Trouxas”.

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Lembramos também de todas aquelas perguntinhas muito marotas que você ouve todo santo dia em sala de aula, do tipo “Vale Nota?”. Com isso, criamos uma helvética especial!

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Como ser professor também significa matar alguns leões por dia, quisemos homenagear você com uma estampa que simboliza a sua verve guerreira, aquele seu lado que te faz enfrentar as precárias estruturas das salas de aula deste Brasilzão. Professor é sinônimo de luta!

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Também resgatamos um dos mais antigos professores de que se tem notícia: Sócrates! Pois é, o filósofo grego se ocupava tanto em questionar o mundo a sua volta e a ensinar os seus discípulos (como Platão, por exemplo), que não deixou nada escrito. Sua filosofia, na verdade, são os resultados que floresceram em seus alunos. E uma de suas frases mais bonitas, lembrada mais de 1500 anos de sua morte, estampa a nossa camiseta: “SÓCRATES”.

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Olha, temos mais camisetas para mostrar, mas se liga nas redes sociais da Poeme-se, como o seu perfil no Instagram @vista_poemese, que falaremos delas lá ao longo do mês.

Por aqui, vamos agora compartilhar algumas experiências. Primeiro, contaremos um segredo: ser professor não é um sacerdócio ou vocação sublime que legitime que a classe sofra com abusos, salários baixos e outra sorte de causos e descausos. Ser professor é uma profissão que exige sim, muita dedicação, estudo e mais estudo. Já deu pra ver que ser professor é ter uma profissão como outras, só que com uma pequena diferença: o professor forma as demais profissões.

Mas apesar de todos os percalços que passamos, a sala de aula não é para ser um campo inimigo, pelo contrário, é aquele momento do dia em que nos desligamos do mundo para preparar a molecada para estar fora dos muros. Estar em sala é um vício.

Fica aqui o espaço para a voz de quem está em sala de aula. Selecionamos professores que possuem experiências incríveis nas escolas e projetos disruptivos que englobam seus alunos de uma forma inspiradora.

O primeiro professor selecionado é Ygor Lioi, que hoje dá aula em escola da prefeitura do Rio de Janeiro. Ele vem do subúrbio — “Marechal Hermes, com muito orgulho! ” — e se diz apaixonado pelo Botafogo e pela Portela. Graduou-se em História pela Universidade Federal Fluminense. Integrou o setor de pesquisa do Centro Cultural Cartola, atual Museu do Samba. Lá, atuou no Tratamento de acervo e na produção e pesquisa do projeto “Memória das Matrizes do Samba Carioca”, vinculado ao IPHAN e Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, como estagiário e posteriormente como assistente de pesquisa. Foi membro do Departamento Cultural da Portela durante seis anos, onde ajudou em várias funções, especialmente na parte de captação financeira e registro da Fliportela, a primeira Festa Literária de uma escola de samba.

Com a palavra, Ygor Lioi:

Ygor Lioi

“Atualmente, ganho a vida como professor de História na Rede Municipal do Rio de Janeiro. Além disso, desenvolvo alguns outros trabalhos. Sou Coordenador do pré-vestibular social da Portela, Diretor do Departamento Cultural do GRES Rosa de Ouro, membro da Comissão de Carnaval e autor do enredo da GRES Difícil é o Nome, que fala sobre Ogans. Por fim, sou idealizador do CinEscola, uma oficina de audiovisual que é desenvolvida na Escola Municipal Adalgisa Nery, em Santa Cruz, e que visa capacitar, empoderar e dar visibilidade a múltiplas vozes que por muito são caladas.

O curioso de tudo é: não queria ser professor! Hoje, a docência é algo tão cristalino e prazeroso, pois, o que me move são essas múltiplas trocas que acontecem dentro de sala de aula, com outras pessoas que tem vários saberes para compartilhar conosco. Minha trajetória nas salas de aula começa de fato em 2014, num curso pré-vestibular na Tijuca. Curtia muito essa “vibe” do vestibular, de entrar em sala pilhado, de ver os alunos antenados em tudo que falamos e tudo mais. 

Mas, a vida é uma caixinha de surpresas. Em 2016, fui chamado para o concurso da prefeitura e acabei tomando posse. Num primeiro momento, aconteceu um grande estranhamento, o cotidiano dos novos alunos, a região, distância, a falta de interesse de muitos. Aí, houve um processo de reinvenção do educador Ygor Lioi. Lembrei da época da faculdade das aulas de um grande mestre, Marcos Alvito, em que o mesmo colocava a turma em roda, para mostrar que todos tinham a mesma importância dentro do debate, onde todos os alunos estariam a mesma distância do centro. Eis que começa a jornada! Valorizando os múltiplos saberes, entendendo o lugar de fala dxs alunxs, valorizando essas vozes que por muitos e muitos anos acabam não sendo escutadas e são de fato silenciadas.

Hoje, tenho empatia com meus alunos e eles comigo. A vida não é um mar de rosas, não salvarei, nem tampouco tenho esse objetivo, os discentes. Mas, levo uma outra perspectiva aos meus alunos, que carinhosamente chamo de gremlins. Seja através da defesa da lei 10.639, com o ensino de África e a valorização das matrizes africanas, seja com a lei 13.006, e o ensino de audiovisual, ou por último através das leis nº 10.753 e nº 13.696, leis que trazem a importância do livro e da leitura para os alunos.  Levar 100 alunos para o cinema, levar os alunos para gravar uma música do projeto em um estúdio profissional, levar personalidades para dentro da escola, conseguir vídeos motivacionais de personalidades, como Zico, Leandro Lehart, Adílio, é algo que tenho certeza que lá na frente vai fazer toda diferença para essas crianças.

A educação pautada no amor é o único caminho para vencer a barbárie. Sigo sonhando, lutando e realizando. A luta muda a vida! ”

O segundo professor selecionado é o André Ramalho, que leciona história. Quem está no eixo Sul-Sudeste pode estar bem familiarizado com a proposta do André, mas o rapaz está inovando em Corumbá, lá no Mato Grosso do Sul. Ele sempre procura trazer o novo para as suas aulas e fazer algo bem disruptivo, que mexa com o conhecimento de mundo dos estudantes e dar a eles algo a mais do que só pensar em provas e concursos.

Com a palavra, o Professor André Ramalho:

André Ramalho

Eu sou Graduado em História e Mestre em Estudos Fronteiriços, ambos pela UFMS, Campus de Corumbá. Atuo nas redes municipal e estadual de ensino e, desde sempre, incluí a música como uma ferramenta pedagógica.

A música está sempre presente na intenção de ampliar o Repertório Cultural dos estudantes. Com isso, conseguimos melhorar a capacidade deles de interpretar a realidade que os cerca, suas vidas e além: suas perspectivas.

Através dessa prática, além de apresentar nomes conhecidos da música popular, também consigo introduzir a eles livros, filmes, enfim, tudo que possa auxiliar em uma melhor reflexão do dia a dia.

Ou seja, o meu maior objetivo é a ampliação do Repertório Cultural de todos os envolvidos, até porque, todo professor que é atento às necessidades dos alunos, também aprende com o que eles oferecem em suas exposições, raciocínios e debates.

Hoje, essas reflexões e debates que começaram em sala de aula, também estão em forma de textos no perfil @trechosetextosmus no Instagram.

Os temas são variados e, duas vezes por semana, saem novos textos. Os textos são inspirados em trechos de músicas populares e as imagens da página são feitas à mão, dando a impressão de terem sido feitas num quadro de sala de aula. Espero que cada vez mais ver pessoas interagindo com meu trabalho, principalmente alunos e meus colegas professores.

E com a palavra, a Professora Estela Leonardo

Estela Leonardo

Olá, meu nome é Estela. Sou professora de Língua Portuguesa e Literatura no município de Ponte Nova, Minas Gerais. Pertinho de Viçosa. Falando de Viçosa, me formei em Letras na UFV e sou mestre em Letras na área de Estudos literários. Esse mestrado foi concluído na UFV.

Desde então, já trabalhei com o Pronatec, cursinho pré-vestibular, como professora particular de Português e Redação e como professora do 6° ao 9° do Ensino Fundamental II e 1°, 2° e 3° do Ensino Médio.

Hoje sou professora efetiva do Estado de MG, lecionando para as turmas do 9° ano do E.F. II e 1°, 2° e 3° do E.M. em uma escola estadual e no 6°ano E.F.II em uma escola Municipal, na qual sou contratada. A jornada dupla me trouxe muitas experiências desde então.

São turmas e escolas distintas, sendo cada aluno de um jeito. Na sala de aula cada dia é uma batalha. Permito-me utilizar a terminologia “batalha”, não em um sentido negativo, mas sim no sentido de enfrentamento de desafios que podem e são superados a cada dia.

Minha visão sobre a sala de aula é bem diferente daquela dos primeiros anos escolares.

O aprendizado é diário. Aprendo com os alunos, com seus acertos e também com os seus erros. Nem sempre tudo dá certo e é isso: saber lidar com as especificidades da área, com a visão dos alunos, com as burocracias pedagógicas, com as barreiras tecnológicas (nossas e dos alunos) etc.

Falando em tecnologia, essa geração está imersa nela. Porém, s alunos ainda não sabem lidar com ela de forma pedagógica. Há muito o que se fazer para garantir uma educação tecnológica verdadeira. Já planejei diversas atividades utilizando a sala de informática da escola e esbarrei na dificuldade dos alunos até para fazer o mais básico: digitar, salvar, acessar algo…

Os alunos têm domínio do uso do celular e interesse pelo uso das redes sociais. Contudo, pouco sabem sobre como utilizar os recursos tecnológicos como instrumento de aprendizado.

Enfim, tenho buscado meios de promover a leitura literária continuamente nas 2 escolas nas quais leciono. A leitura literária permite a formação crítica do estudante e promove seu desenvolvimento humano continuamente.

Tenho buscado sempre “ser exemplo”. Se leio, consigo promover a leitura. Se faço, consigo convencê-los a fazer.

Meu contato no Instagram: @estela.leonardo

Essa é a Página do Facebook da minha iniciativa: Drummondiando

A nossa última professora homenageada nesse mês dos professores coloca o movimento aliado à leitura. Ela faz algo que falta em muitas escolas: mediação de sala de leitura. Se pensarmos em quantas escolas possuem uma biblioteca bacana Brasil afora, é de chorar. Precisamos resgatar esse movimento de ocupar a biblioteca não para ser castigado, como já vi acontecer, mas para dar asas à imaginação.

Com a palavra:

Anamô

Sou Anamô, professora atuante na Secretaria Municipal do Rio de Janeiro onde movimento a Sala de Leitura J. G. de Araújo Jorge há 10 anos, através do projeto de mediação de leitura literária Lê Comigo.

Esse projeto foi muito bem aceito e reconhecido através de vários prêmios. Entre eles, ser finalista do Educador Nota 10, vencedor do Qualidade em Foco da Secretaria Municipal de Educação, vencedor do Prêmio Paulo Freire da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, por fim, uma moção pela mesma casa.

De tanto caminhar ao lado dos livros, decidi me lançar no mundo das palavras como escritora. Em 2017, publiquei o livro de literatura infantil No Quintal da Vovó Lydia. Em 2018 contribuí com três poemas na coletânea Alma, publicada pela Editora Conexão 7. Agora, também, sou colunista na revista Valores e Negócios, com a coluna mensal Somos Educação.

Ainda em 2019, participarei de uma coletânea de contos pela mesma editora, chamada Vozes da Resistencia, e publicarei um artigo científico sobre alfabetização na perspectiva do movimento. Gosto de unir capoeira e alfabetização. Inclusive, é da capoeira que surgiu meu nome Anamô, que na verdade é Ana Soares.


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